Indulgência pelos Fiéis Defuntos: um gesto de fé que atravessa o tempo

    Ao aproximar-nos do dia dedicado à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, a Igreja nos convida a olhar para o mistério da morte com os olhos da fé. Não se trata de um tempo de tristeza, mas de esperança, pois acreditamos que “se morremos com Cristo, com Ele viveremos” (Rm 6,8). Nesse espírito, a prática da indulgência em favor dos falecidos revela a profundidade da comunhão que nos une a todos no Corpo de Cristo.

    A indulgência é expressão concreta da misericórdia divina que a Igreja, como mãe, dispensa aos seus filhos. Por meio dela, participamos espiritualmente na purificação das almas que aguardam o encontro pleno com Deus. Essa graça não é um ato mágico, mas o fruto de uma fé operante, que se manifesta no arrependimento, na oração e nas obras de caridade.

    Quando rezamos pelos defuntos, visitamos os cemitérios e oferecemos indulgências por eles, não apenas recordamos suas vidas, mas proclamamos nossa confiança no amor de Deus que tudo transforma. Como ensina o livro de 2Macabeus (12,46), “é um santo e piedoso pensamento rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados”. Esse gesto nos lembra que o amor cristão não se limita à vida terrena, mas continua intercedendo além do tempo.

    As indulgências pelos defuntos nos ajudam a compreender que o céu não é uma conquista individual, mas um dom recebido em comunhão. Somos parte de uma mesma família espiritual, e o que fazemos em favor dos outros repercute em toda a Igreja. Assim, o cristão que se une à oração da Igreja pelos falecidos torna-se sinal vivo da esperança que “não decepciona” (Rm 5,5).

    Seguem as condições para lucrar indulgências de 01 a 08 de novembro:

    1. Uma confissão para os oito dias;
    2. Visitar um cemitério e rezar pelas almas (opcional no dia 02 de novembro, bastando a visita a uma igreja);
    3. Uma comunhão por dia;
    4. Recitar as orações nas intenções do Papa (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)

    Para adquirir a indulgência plenária é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Se falta essa plena disposição ou não se cumprem as supramencionadas condições, ficando intacta a prescrição da norma 11 para os que se acham “impedidos”, a indulgência será apenas parcial. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Soberano Pontífice se façam no mesmo dia em que se faz a obra. Com uma só confissão sacramental, podem adquirir-se várias indulgências plenárias, mas para cada indulgência plenária é necessária uma comunhão e as orações nas intenções do Sumo Pontífice. A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano.

    Vivamos, pois, esses dias com o coração agradecido, oferecendo nossas orações e penitências pelos que já partiram. Que a indulgência seja para nós um exercício de amor e um testemunho de fé na vitória de Cristo sobre a morte. E que o Senhor, em sua infinita bondade, conceda aos nossos irmãos e irmãs falecidos o descanso eterno e a luz sem ocaso.

    “Felizes os que morrem no Senhor! Desde agora, diz o Espírito, descansem de suas fadigas, pois suas obras os acompanham” (Ap 14,13).

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here