Jesus não condena nunca, sempre perdoa e acolhe!

    Nesta quinta etapa do caminho quaresmal, a liturgia convida-nos a libertar-nos de tudo aquilo que nos escraviza e a caminharmos, com coragem e decisão, para a meta que nos espera: a vida renovada, o horizonte de liberdade e de felicidade que Deus quer oferecer a todos os seus queridos filhos.

    A nossa conversão e nossa santidade são impulsionadas pela graça de Deus, que pede de nós a total acolhida ao seu amor. A missa de hoje ressalta a ternura e a compaixão de Deus para conosco: Ele realiza coisas novas para o povo e nos incentiva a lançar-nos para a frente, a fim de vivermos unidos a seu Filho Jesus.

    Na primeira leitura – Is 43,16-21 –, o Deus que libertou os hebreus da escravidão do Egito anuncia aos exilados na Babilônia que irá concretizar uma nova intervenção salvadora em favor do seu povo. Este trecho é composto por uma memória e por uma promessa. Relembrando a saída do Egito (Is 43,16-17), o profeta reanima o povo para manter a esperança da libertação do cativeiro. Destaca-se o versículo 19a – “Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo”. Além das realidades socio-históricas que o povo está enfrentando, transparece um aspecto messiânico. Deus liberta o povo do cativeiro babilônico, concedendo-lhe o regresso à terra. Contudo, sua “Terra Prometida” não será apenas geográfica e material, mas principalmente espiritual. Os exilados serão libertados e, acompanhados por Deus, percorrerão um caminho que os trará novamente para a terra de onde tinham sido arrancados, a terra onde corre leite e mel. Esse é o desafio que Deus deixa também a nós, neste tempo de Quaresma: caminharmos da escravidão para a liberdade, da vida velha para a vida nova. Esta libertação anunciada pelo profeta tem nome: Jesus Cristo, Filho do Pai. Não custa lembrar, mais uma vez, que Deus sempre cria coisas novas; por isso, recordar o passado é um ato de fé e esperança fundado na experiência. A natureza toda proclama a glória do Senhor. Olhemos para a frente, pois Deus sempre renova sua obra.

    No Evangelho – Jo 8,1-11 –, Jesus mostra, a partir da história de uma mulher acusada de cometer adultério, como Deus lida com as nossas decisões erradas: “Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar”. Jesus se encontra com uma mulher adúltera. Escribas e fariseus queriam apedrejá-la, em obediência cega à Lei. A posição de Jesus provoca em seus interlocutores uma reflexão: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (Jo 8,7b). Ficando a sós com a mulher, Jesus, usando de amor e misericórdia, lhe diz: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais” (Jo 8,11c). O perdão de Deus, fruto do seu amor, falará sempre mais alto do que o nosso pecado. A grande preocupação de Deus não é castigar quem falhou, mas apontar aos seus queridos filhos um caminho novo, de liberdade, de realização e de vida sem fim.

    Um segundo aspecto do Evangelho é bem atual nos dias de hoje: numa sociedade machista, como a do seu tempo, Jesus vem em defesa das mulheres. Ao escrever no chão, talvez estivesse registrando os pecados daquela gente hipócrita. Diante da condenação, ele provoca os presentes. Quem não tem pecado? O Evangelho conclui dizendo que Jesus se recusa a condenar: “Não te condeno”, diz à mulher!

    Na segunda leitura – Fl 3,8-14 –, São Paulo partilha com os cristãos da cidade de Filipos a sua experiência: desde que se encontrou com Cristo, Paulo deixou para trás todo o “lixo” que lhe limitava os movimentos e que o impedia de correr ao encontro de Cristo. Sua grande preocupação é identificar-se cada vez mais com Cristo e correr para a meta final, onde espera encontrar a vida definitiva. São Paulo apostou tudo em Cristo e se lança para a frente, deixando para trás o que viveu antes de sua conversão. Agora, procura corresponder à graça recebida, esforçando-se para atingir a meta final.

    É sempre bom lembrar, nos dias hodiernos, que no legalismo não cabe o amor. Todos os olhares se voltam para a mulher adúltera do Evangelho. Seu corpo todo é dor. Corpo sobre o qual os homens querem ter o controle total e irrestrito. Acusam-na de um pecado, flagrante adultério. Se ela o praticara, não o fizera sozinha. A mulher treme. Eles cospem ódio. Ela se sente só e sem amparo. Nem imaginava que aquele seria o dia de sua experiência do maior amor em sua vida. No meio também estava o Senhor. Ele mirou aquela criatura com tanta ternura. Jesus se inclinou até o chão para se igualar à mulher. Foi até o chão porque veio assumir nossa frágil condição. Jesus escreve no chão com o dedo. Seria ele a tocar nas feridas dos pecados dos escribas e fariseus? Os escribas e os fariseus se retiram um a um. A violência dá lugar aos sons de fuga dos algozes, que saem envergonhados, escondendo o rosto, disfarçando a raiva. Jesus acolhe a mulher. Jesus reergue a mulher. Nesta Páscoa, Jesus quer reerguer todos nós, pecadores, que nos abrimos para sermos acolhidos pelo seu perdão regenerador. A conversão é para todos os que se abrem à graça de Deus!

    Como a Semana Santa está se aproximando, já na próxima semana iremos celebrar a Semana das Dores. A força da ressurreição de Cristo se manifesta na vida daqueles que buscam a comunhão com Ele. Lancemo-nos, pois, para a frente em nosso percurso de fé, superando as hipocrisias e o vício de apontar o dedo para os outros e esquecer os próprios pecados. O Senhor sempre perdoa e concede a todos a possibilidade de recomeçar. A todos, não só aos que comungam de nossa ideologia torpe e capenga, que exclui, não acolhe e não perdoa!

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