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segunda-feira, 20 agosto, 2018.

Maria

Histórico

Desde os primeiros séculos, os cristãos têm dedicado especial reverência à Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo.

As primeiras representações iconográficas da Virgem Maria são as encontradas nas catacumbas romanas representando a Virgem Orante, ou seja , sozinha, em pé e de braços abertos. Também há representações suas em cenas retiradas da Bíblia ou dos Evangelhos Apócrifos. Com as resoluções do Concílio de Éfeso, condenando o nestorianismo, houve um grande incentivo ao culto da Virgem Maria, destacando-se o seu papel de Mãe de Deus. Desde então, as representações da Virgem com o Menino Jesus, foram se tornando cada vez mais comuns.

A devoção dos povos foi criando uma série de invocações, pelas quais estes mesmos povos devotavam sua devoção à Mãe de Deus. Estas invocações, conforme sua origem, podem ser de três naturezas:

  • • Litúrgica: compreende as invocações criadas pela Igreja e estão relacionadas ás comemorações litúrgicas.
  • • Histórica: compreende, de modo abrangente, as invocações surgidas ao longo da história do cristianismo, referindo-se, geralmente, aos lugares onde determinado culto da Virgem Maria foi iniciado.
  • • Popular: compreende as invocações surgidas da devoção popular, conforme as necessidades.

Diz a tradição que as primeiras imagens da Virgem Maria, sejam as pinturas das catacumbas, sejam os ícones e mosaicos bizantinos, foram baseados no ‘’’retrato da Virgem’’’, pintado por São Lucas. Quanto à representação iconográfica, ela se baseia nas fases da vida de Maria:

  • • Infância
  • • Imaculada Conceição
  • • Encarnação do Verbo de Deus
  • • Maternidade
  • • Paixão de seu Filho
  • • Glorificação

Veneração a Maria

Na Igreja há dois tipos de culto o de latria e o de dulia. O culto de latria é o culto de adoração, prestado somente a Deus, como supremo Senhor de toda vida e de todo o universo, confessando que absolutamente tudo depende dele.

O culto de dulia é o culto de veneração, prestado aos santos e, estando a Virgem Maria acima de todos na corte celeste, é-lhe prestado um culto especial de veneração, chamado hiperdulia.

A Mariologia, instituída como uma das bases da fé Católica Romana, fez surgir ao longo dos tempos, diversas formas de devoção àquela que chamam de Nossa Senhora, com diversas denominações.

Invocada por suas denominações, a veneração a Maria é responsável pela multiplicidade de nuances em seu caráter, que é admirado em aspectos parciais.

Esta lista de invocações de Nossa Senhora, relaciona os nomes pelos quais Maria, mãe de Jesus Cristo é reverenciada pela fé católica, trazendo ainda a justificação para sua adoção.

Lista de nomes de Maria

NOMEORIGEMDEVOÇÃO
Nossa Senhora da AbadiaImagem encontrada Perto da Abadia de Bouro, na Arquidiocese de Braga, Portugal;Em Portugal, nome de mulher: Maria da Abadia;
Nossa Senhora Aparecida, ou da Conceição AparecidaImagem encontrada no Vale do Paraíba (São Paulo);Padroeira do Brasil. Nome de mulher: Maria Aparecida;
Nossa Senhora AquiropitaImagem que não foi pintada por mão humana, de devoção em Rossano, na Calábria;Nome comum de mulher, Entre os italianos e seus descendentes; Paróquia do Bairro da Bela Vista, em São Paulo;
Nossa Senhora AuxiliadoraRelembra o auxílio de Maria ao Papa Pio VII, durante o domínio napoleônico;Nome de mulher: Maria Auxiliadora;
Nossa Senhora da AjudaRelembra Maria junto a cruz, também implorando a Deus pelo Gênero humano;Nome de mulher: Maria da Ajuda;
Nossa Senhora da AnunciaçãoVisita do Arcanjo Gabriel a Maria;Nome de mulher, "Maria da Anunciação";
Nossa Senhora da ApresentaçãoApresentação de Maria, no Templo de Jerusalém;Toponímicos;
Nossa Senhora da AssunçãoRelembra a elevação de Maria, de Corpo e Alma, aos céus;Nome de mulher: Maria da Assunção, Assunta;
Nossa Senhora da Boa HoraRelembra a proteção de Maria na hora do parto e na hora da morte;
Nossa Senhora da Boa MorteProteção aos agonizantes;Nome de diversas confrarias;
Nossa Senhora da Boa NovaMaria é que traz aos homens uma Boa Nova (Evangelho) do nascimento de Jesus;Nome de mulher: "Maria da Boa Nova";
Nossa Senhora da Boa ViagemRelembra Maria como protetora dos portugueses que partiam nas viagens de descobrimento do Novo Mundo;Toponímicos;
Nossa Senhora da CabeçaImagem encontrada no Pico da Cabeça, Serra Morena, na Andaluzia, no século XIII ;
Nossa Senhora da CandeláriaRelembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;Nome de mulher: Maria Candelária; célebres paróquias do Rio de Janeiro e de Itu
Nossa Senhora da CarpiçãoOriginária de cerimonial de carpição ou capina de um terreno onde foi ereta uma capela dedicada à Virgem Maria, em São José dos Campos, São Paulo, no século XIX;Toponímico;
Nossa Senhora da Conceição / da Imaculada ConceiçãoRelembra que Santana concebeu Maria, pura sem pecado.Prenome feminino: Maria da Conceição, Conceição
Nossa Senhora da ConsolaçãoRelembra a Virgem como ?Consoladora dos aflitos?, devoção iniciada por Santa Mônica;Paróquia de São Paulo;
Nossa Senhora da CorreiaRelembra a correia da cintura da Virgem Maria, símbolo de pureza, com que as mulheres judias eram cingidas desde a infância;Toponímicos;
Nossa Senhora da EncarnaçãoRelembra a encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem;Nome de mulher: ?Maria da Encarnação?;
Nossa Senhora da EscadaA Virgem é comparada à Escada de Jacó, que liga o céu e a terra. Também faz alusão aos trinta e um degraus que davam aceso a um santuário de Lisboa;Confrarias e toponímicos;
Nossa Senhora da EsperançaRelembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;Confrarias;
Nossa Senhora da EstrelaImagem oculta por Dom Rodrigo, último rei dos visigodos, em 711, quando da invasão árabe; sendo descoberta, quando a Vila de Marvão, em Portugal, foi liberada do domínio muçulmano; Maria é chamada Aurora da Salvação;Confrarias;
Nossa Senhora da ExpectaçãoRelembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;Confrarias;
Nossa Senhora da FéRelembra que a vida da Virgem foi um contínuo ?Ato de Fé, sendo esta devoção medieval originária da França e Bélgica;
Nossa Senhora da GlóriaRelembra coroação da Virgem como rainha;Nome de mulher: Maria da Glória, Glória;
Nossa Senhora da GraçaImagem encontrada por pescadores na praia de cascais, Portugal, em 1362 e que apareceu a Catarina Álvares, Paraguaçu, no século XVI;Nome de mulher: Maria da Graça, Graça;
Nossa Senhora da GuiaRelembra que a Virgem Maria guiou Jesus, na sua infância e juventude; é chamada pelos ortodoxos de Odegitria;Confrarias;
Nossa Senhora da LampadosaRelembra a padroeira da ilha de Lampadosa, no Mar Mediterrâneo, entre a ilha de Malta e a Tunísia;Toponímicos.Tiradentes foi enforcado no Largo na Lampadosa, no Rio de Janeiro;
Nossa Senhora da LapaImagem escondida dos muçulmanos numa lapa, no século X, pelas monjas beneditinas de Aguiar da Beira, sendo encontrada em 1498, por uma menina, que muda de nascença, começou a falar;Toponímicos;
Nossa Senhora da LuzImagem encontrada por Pedro Martins, entre uma estranha luz, que lhe apareceu em Carnide, Portugal; Maria é lembrada como aquela que apresenta seu Filho Jesus como Luz das Nações;Confrarias. Famoso convento de São Paulo;
Nossa Senhora da MisericórdiaPor conseguir inúmeros benefícios de Deus para os homens, Maria é chamada Mãe de Misericórdia; o título também lembra a proteção da Virgem ás Santas Casas de Misericórdia, cuja primeira do gênero foi fundada em Lisboa, em 1498;Santas Casas de Misericórdia;
Nossa Senhora da NatividadeRelembra o nascimento da virgem Maria, que, segundo a tradição, foi num sábado, 8 de setembro, do ano 20 a.C., na cidade de Jerusalém;Confrarias e cânticos;
Nossa Senhora da OliveiraRefere-se a uma imagem levada para Guimarães, Portugal, por São Tiago, que a colocou num templo, ao lado qual havia uma oliveira. Também, a Virgem Maria é comparada na passagem bíblica: sua glória é igual ao fruto da Oliveira? (Os 14,6);Confraria;
Nossa Senhora da Paz ou Rainha da PazRelembra a intervenção da Virgem Maria na devolução da catedral de Toledo, Espanha, aos cristãos;Célebre mosteiro de Itapecerica da Serra;
Nossa Senhora da PenaRelembra a Virgem como inspiradora e padroeira das letras e das artes;Célebre igreja de Porto Seguro (1536); Igreja do Rio de Janeiro, no bairro de Jacarepaguá;
Nossa Senhora da PenhaRelembra o milagre realizado, no início do século XVII, por intercessão da Virgem Maria invocada por Baltazar de Abreu Cardoso, fazendeiro brasileiro, que encontrou uma serpente ao subir um penhasco (penha) que levava à sua fazenda no Rio de Janeiro;Bairro do Rio de Janeiro; Santuário Perpétuo no Rio de Janeiro
Nossa Senhora da Penha de FrançaRelembra a aparição da Virgem Maria a Simão Vela, monge francês, na serra chamada Penha de França, no norte da Espanha;Bairro de São Paulo;
Nossa Senhora da PiedadeRelembra que Jesus, após o descimento da Cruz, foi entregue aos braços de sua Mãe Santíssima;Prenome feminino: Maria da Piedade. Pietà: famosa escultura de Michelangelo;
Nossa Senhora da PonteRefere-se à comparação de Maria à ponte donde passamos da terra para o céu;Antigo nome de Sorocaba;
Nossa Senhora da PurificaçãoRelembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;Nome de mulher: Maria da Purificação;
Nossa Senhora da Salete (em francês: de la Sallete)Relembra a aparição da Virgem Maria, a 19 de setembro de 1846, a dois pastorinhos, na montanha de Salete, Isére, nos Alpes franceses;Nome de mulher: Salete;
Nossa Senhora da SaudadeRelembra a imensa saudade que a Virgem Maria teve de seu Filho, nos três dias incompletos que seu corpo esteve no sepulcro;Cemitérios da Saudade;
Nossa Senhora da SaúdeRelembra que a Virgem Maria é fonte de vigor físico e moral para os homens;Ladainhas Loretanas;
Nossa Senhora da SoledadeRelembra a solidão, a tristeza e saudade da Virgem Maria, por ocasião da paixão de seu Filho;Topônimos;
Nossa Senhora da VisitaçãoRelembra a visita da Virgem Maria a sua prima Santa Isabel;Congregação das visitandinas;
Nossa Senhora da VitóriaRelembra que a Virgem Maria, vitoriosa, pode levar os cristãos à vitória em suas vidas. Em Portugal, foi introduzida a devoção por Dom João I, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota;Famalicão
Nossa Senhora das AngústiasRelembra as angústias de Maria ao presenciar a paixão e morte de Jesus;toponímicos em Espanha, Portugal e Brasil;
Nossa Senhora das BrotasRelembra o fato de folhas brotarem numa altar de Nossa Senhora, no início do povoamento de Cuiabá, no estado de Mato Grosso, no século XVIII;Toponímicos;
Nossa Senhora das CandeiasRelembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;Toponímicos;
Nossa Senhora das DoresRefere-se às sete dores da Virgem Maria: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do menino Jesus, o encontro no caminho do Calvário, a morte de Jesus, o golpe da lança e a descida da cruz, e o sepultamento de Cristo.Prenome feminino: Maria das Dores
Nossa Senhora das Graças ou da Medalha MilagrosaRelembra uma aparição feita a Catarina Labouré, em Paris;Prenome feminino: Maria das Graças.
Nossa Senhora das MaravilhasRelembra que a vida de Maria foi uma sucessão de maravilhas, das quais a maior foi a encarnação do Verbo. Isto atesta a própria Virgem, no canto do Magnificat;Toponímico e cânticos;
Nossa Senhora das MercêsRelembra a aparição a São Pedro Nolasco, no início do século XII, solicitando a criação de uma Ordem destinada ao resgate de cristãos feito cativos pelos muçulmanos;Ordem religiosa e confrarias;
Nossa Senhora das NevesRefere-se a um milagre, anunciado pela Virgem Maria, de que em pleno verão, na noite de 4 para 5 de agosto, nevaria em Roma, o que realmente aconteceu no local onde hoje se ergue a basílica de Santa Maria Maior;Antigo nome de João Pessoa, Paraíba;
Nossa Senhora de CaravaggioAparição da Virgem , no século XV, em Caravaggio, cidade italiana próxima a Milão;Cruz de Caravaggio;
Nossa Senhora de Ceuta ou do BastãoRelembra o auxílio da Virgem na conquista de Ceuta, por Dom João I; sua imagem traz um rico bordão na mão, donde vem o termo ?do Bastão?;Toponímico;
Nossa Senhora de CopacabanaImagem esculpida por um índio, Francisco Tito Iupanqui, no século XVI, na aldeia de Copacabana, às margens do Lago Titicaca;Toponímicos;
Nossa Senhora de Fátima, do Rosário de FátimaAparição em Fátima (Portugal)Prenome feminino: Maria de Fátima ou apenas "Fátima";Santuário de Fátima;
Nossa Senhora de GuadalupeAparição ao índio Juan Diego, em Guadalupe, México, em 1531Prenome feminino: Maria Guadalupe, Guadalupe. Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe;
Nossa Senhora de LourdesAparição, no século XIX, na Gruta de Massabielle, em Lourdes (França)Nome de mulher: Maria de Lourdes ou apenas Lourdes.
Nossa Senhora de LujanRefere-se a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, mandada esculpir no Brasil, em 1630, por um português, residente na Argentina; que ao ser transportada, encalhou às margens do Rio Lujan;Toponímico;
Nossa Senhora de MedugorjeAparição em Medugorje na Bósnia-Herzegovina.
Nossa Senhora de MonserrateRelembra a imagem da Virgem levada a Barcelona, Espanha, nos primeiros séculos do cristianismo, sendo que durante a invasão árabe, os cristãos esconderam a imagem na escarpada montanha de Monserrate. Mais tarde, esta imagem foi milagrosamente encontrada e no local foi construída uma grande abadia beneditina;Abadia de Monserrate;
Nossa Senhora de MuquémRelembra o auxílio da Virgem Maria a um garimpeiro português, na vila de São Tomé de Muquém, no início da mineração em Goiás;Célebre romaria;
Nossa Senhora de NazaréRelembra a vida da Virgem Maria, em Nazaré, junto à sua sagrada família;Toponímicos. Círio de Nazaré;
Nossa Senhora de PompéiaRelembra a aparição da Virgem a Bartolo Longo, em Pompéia, no sul da Itália;Bairro antigo de São Paulo;
Nossa Senhora Desatadora de NósRelembra que a Virgem Maria liberta os homens das aflições da vida, desata os nós que os escravizam;Célebre pintura de Johann Schmittdner (1700);
Nossa Senhora Divina PastoraRelembra que a Virgem confiou plenamente na Divina Providência, entregando-se totalmente a Deus;Confrarias;
Nossa Senhora do Amor DivinoRelembra o amor especial Que Deus dedicou a Maria, escolhendo-a por SUA Mãe;
Nossa Senhora do AmparoRelembra Jesus crucificado, entregando Maria como Mãe de Todos os Homens;Nome de mulher: Maria do Amparo;
Nossa Senhora do BelémRelembra a maternidade de Maria, na cidade de Belém;Nome de mulher: Maria de Belém; canções natalinas
Nossa Senhora do Bom ConselhoRelembra Maria como grande conselheira dos Apóstolos, cultuada desde o século V, na cidade italiana de Genazzano;
Nossa Senhora do Bom DespachoCelebra o prestígio de Maria perante Deus, pelo despacho da encarnação do Verbo;Toponímicos;
Nossa Senhora do Bom Parto / do PartoNascimento de Jesus, tendo Maria permanecido virgem antes, durante e depois do parto.
Nossa Senhora do Bom SocorroRelembra o socorro de Maria aos cristãos, celebrado, desde o século X, em Blosville, na Normandia;Toponímicos;
Nossa Senhora do Bom SucessoRelembra o auxílio da Mãe de Deus para os que almejam sucesso em seus tratamentos de saúde e nos seus empreendimentos materiais;Toponímicos;
Nossa Senhora do BrasilRelembra as inúmeras graças concedidas, por seu intermédio, aos brasileiros;Paróquia célebre de São Paulo;
Nossa Senhora do Cabo da Boa EsperançaRelembra a proteção de Maria, no século XV, quando protegeu os portugueses, na sua esperança de chegar às Índias, dobrando o Cabo das Tormentas;Toponímico;
Nossa Senhora do Carmo, do Monte CarmeloRelembra o convento construído em honra à Virgem, nos primeiros séculos do cristianismo, no Monte Carmelo, na Samaria;
Nossa Senhora do DesterroA fuga para o Egito;Toponímicos. Antigo nome de Florianópolis e de Jundiaí.
Nossa Senhora do Leite ou da LactaçãoRelembra a Virgem nutrindo o Menino-Deus com seu leite materno;Célebre igreja de Belém;
Nossa Senhora do LivramentoRelembra o livramento do fidalgo português Rodrigo Homem de Azevedo, preso pelo Duque de Alba, no século XVI.;Toponímicos;
Nossa Senhora do LoretoRefere-se à ?Casa de Nazaré?, onde viveu a Virgem Maria, transladada para um bosque de loureiros, próximo a Recanati, na Itália;Ladainhas Loretanas (de Nossa Senhora);
Nossa Senhora do LíbanoRelembra a milenar devoção dos libaneses á Virgem Maria, e também o santuário construído, entre 1904 e 1908, no cume Haruça, no Monte Líbano, para honrar a Imaculada Conceição de Maria;Paróquias célebres em São Paulo e no Rio de Janeiro;
Nossa Senhora do MonteRelembra que a Virgem é um monte altíssimo, que vence a altura de todos os outros montes, em santidade e virtude;Célebres igrejas: na Ilha da Madeira e em Olinda;
Nossa Senhora do Parto, do Bom PartoRecorda a proteção Virgem Maria às mães que estão para dar à luz;Célebre recolhimento do Rio de Janeiro;
Nossa Senhora do PatrocínioRelembra a intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho, em favor dos homens, como nas Bodas de Caná;Toponímicos;
Nossa Senhora do Perpétuo SocorroRelembra a Virgem Maria como socorro dos cristãos, em suas horas de necessidade. Refere-se a um quadro milagroso da ilha de Creta, que após ser roubado, foi recuperado em Roma e posto, no século XIX, sob a guarda dos padres redentoristas ;Confrarias;
Nossa Senhora do PilarRefere-se a uma aparição da Virgem Maria a São Tiago, que estava evangelizando em Saragoça. A virgem lhe apareceu sentada num pilar, donde lhe vem o nome;Nome de mulher: Maria do Pilar. Célebres igrejas de Minas Gerais;
Nossa Senhora do PortoRefere-se a uma imagem bizantina colocada no célebre santuário, cuja construção foi iniciada no século VI, no bairro do Porto (Le Port), em Clermont-Ferrand, na França. Uma cópia deste ícone foi levada na batalha aos mulçumanos, para a retomada da cidade do Porto, em Portugal;Cidade do Porto;
Nossa Senhora do PovoRelembra a construção, pelo povo de Roma, de uma igreja dedicada à Virgem Maria, no local onde se erguera o mausoléu dos Domícios, família a qual pertencia o imperador Nero;Forte de Nossa Senhora do Povo (Forte do Mar), em Salvador;
Nossa Senhora do PresépioRelembra a maternidade de Maria, na cena do presépio, conforme a tradição franciscana;Presépios natalinos;
Nossa Senhora do RocioImagem encontrada no mar, no final do século XVII, por um pescador que vivia em Rocio, próximo a Paranaguá;Padroeira do Paraná;
Nossa Senhora do RosárioRelembra a aparição da Virgem Maria a São Domingos de Gusmão, noséculo XIII, pedindo-lhe a divulgação do seu rosário de orações. A consagração definitiva do Rosário de Nossa senhora deu-se a 7 de outubro de 1571, com a vitória dos cristãos na batalha de Lepanto;Ordem Dominicana;
Nossa Senhora do Sagrado CoraçãoRelembra que de Maria foi formado o coração divinal de Jesus;Confraria;
Nossa Senhora do Sion, do SiãoRelembra a aparição da Virgem Maria, em 1842, em Roma, a Alfredo Ratisbona, ateu de origem judaica, que converteu-se ao catolicismo;Congregação e Colégios do Sion;
Nossa Senhora do TerçoSimilar à invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas refere-se apenas a cinco mistérios da vida de Jesus;Rezas de Terço. Célebre igreja do Recife;
Nossa Senhora do ÓAlusão à Nossa Senhora nas proximidades de seu parto. Houve um sermão proferido pelo Padre Vieira, onde compara as virtudes de Maria à "perfeição da letra o", símbolo da imortalidade e de Deus, de quem Maria é mãe. Referências às sete antífonas do Ó, nas proximidades do Natal.Freguesia do Ó em São Paulo
Nossa Senhora dos AnjosRelembra Maria, como rainha das cortes celestes e também faz alusão à cidade de Assis, Itália, local para onde havia levado hum Pedaço do túmulo da Virgem e se ouvia sempre o canto dos anjos;Nome de mulher: Maria dos Anjos;
Nossa Senhora dos DesamparadosRelembra a proteção de Maria a uma confraria criada , no século XV, em Valência, Espanha, para acolher crianças desamparadas;Confrarias;
Nossa Senhora dos MaresDesde os primeiros séculos do cristianismo, Maria é invocada como protetora das viagens marítimas;Confrarias;
Nossa Senhora dos MilagresRelembra os grande prodígios operados pela Mãe de Deus, Onipotência suplicante e canal de todas as graças, a quem nada Deus recusa;Confrarias;
Nossa Senhora dos MártiresInvocada em homenagem dos cristãos que tombaram no Cerco de Lisboa (1147);Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, em Lisboa
Nossa Senhora dos NavegantesMaria é invocada como protetora dos navegantes, devoção que teve seu auge durante as cruzadas e, depois, durante o período das grandes navegações;Confrarias;
Nossa Senhora dos PrazeresRelembra os sete principais prazeres da vida da Virgem Maria: a anunciação, a saudação de Santa Isabel, o nascimento de seu Filho, a visita dos Reis Magos, o encontro de Jesus no Templo, a primeira aparição de Jesus ressuscitado, a sua coroação no céu;Célebres igrejas de Recife (Monte Guararapes) ? PE e Diamantina-MG;
Nossa Senhora dos RemédiosRelembra a Virgem Maria como único remédio para todos os nossos trabalhos, angústias, necessidades e doenças;Vila dos Remédios-Fernando de Noronha
Nossa Senhora Madre de DeusRelembra a maternidade divina de Maria, cultuada desde os primeiros séculos e confirmada pelo Concílio de Éfeso;Toponímicos. Antigo nome de Porto Alegre -RS;
Nossa Senhora MedianeiraRelembra o papel de intermediária entre o fiel e Jesus, devoção que teve origem em Veneza, durante a grande epidemia de 1630;
Nossa Senhora MeninaRelembra a infância da Virgem, do nascimento aos três anos junto a seus pais, São Joaquim e Sant'Ana; e dos três aos doze anos, no Templo de Jerusalém;Cânticos;
Nossa Senhora Mãe da IgrejaRelembra a proclamação de Maria como ?Mãe de todo o povo de Deus?, pelo Papa Paulo VI, em 1964, durante o Concílio Vaticano II;
Nossa Senhora Mãe dos HomensDevoção surgida no convento de São Francisco das Chagas, no bairro de Xabregas, em Lisboa, relembrando que Maria além de Mãe de Deus é Mãe de todos os homens;Confrarias;
Nossa Senhora PeregrinaAlusão à imagem de Nossa Senhora de Fátima;Peregrinação da imagem pelos lares católicos;
Nossa Senhora Porta do CéuRefere-se à máxima que diz: Ninguém chega ao Pai, a não ser por Jesus; e ninguém chega ao Filho, a não ser por Maria. Esta é uma das invocações das Ladainhas Loretanas, considerando pois que o culto da Mãe de Deus é a porta que leva os fiéis ao paraíso;Ladainhas Loretanas;
Nossa Senhora Rainha do CéuRelembra a coroação de Maria, após sua assunção aos céus;Famosa antífona: Regina Cæli;
Nossa Senhora Rainha dos ApóstolosRelembra que a Virgem Maria foi mãe, mestra e rainha dos apóstolos, que lhe devotavam especial veneração;Ladainhas Loretanas;
Nossa Senhora Rainha dos HomensRelembra que Maria é rainha de todos os homens, portanto digna de todos os louvores, por parte de todos;Confrarias;
Nossa Senhora Rainha, Vencedora e Três vezes Admirável de SchoenstattImagem da Virgem Maria, padroeira do Movimento Apostólico de Schoenstatt, e relembra a aliança de amor que o padre Joseph Kentenich (1885 - 1968), selou pela primeira, 18 de Outubro de 1914, em Schoenstatt, Alemanha, com a Virgem Maria;Movimento de Evangelização ?Mãe Peregrina?;
Nossa Senhora Salvação do Povo RomanoRelembra que a Virgem Maria sempre socorreu o povo de Roma, em todas as suas situações de necessidade.Célebre ícone, do século I, da Capela Paulina, na Basílica de Santa Maria Maior;

Virgem Maria

A Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, é uma criatura privilegiada. Deus queria fazer-se homem e escolheu Sua Mãe, cumulando-a de todos os dons e virtudes, a fim de preparar Sua morada em seu seio virginal.
Com razão, o profundo sentido de piedade popular dirige-lhe este louvor: “mais que tu, só Deus!” Suas relações especiais com a Santíssima Trindade fazem com que a louvemos como Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa do Espírito Santo de Deus. Bem pôde cantar agradecida, ao ter conhecimento do mistério da sua eleição divina para ser a Mãe do Verbo Encarnado: “todas as gerações me hão de proclamar bem-aventurada, porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas.”
O privilégio fundamental, que está no centro de todos os outros e dá a razão deles, é a maternidade divina. Maria Santíssima é verdadeiramente Mãe de Deus, porque gerou e deu à luz Cristo Jesus, que é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Quando Nestório negou a Maternidade divina de Maria, o Concílio de Éfeso proclamou este ensinamento: “Se alguém não confessa que o Emanuel é verdadeiro Deus e por isso a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, posto que gerou carnalmente o Verbo de Deus feito carne, seja anátema”. (Anatem, de S. Cirilo, 1, em Dz.113).Jesus é seu Filho.
Porque estava escolhida para ser Mãe de Deus, foi preservada do pecado original com o qual todos nascemos, herdado de nossos primeiros pais. Ela é a Imaculada Conceição. Assim Pio IX define este dogma: “Proclamamos e definimos que a doutrina que afirma que a Santíssima Virgem Maria foi preservada imune a toda mancha de culpa original no primeiro instante da sua conceição por graça singular e privilégio de Deus Onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano, é revelada por Deus e deve ser portanto acreditada firme e constantemente por todos os fiéis”. ( Bula Inefabilis Deus, 8 de dezembro de 1854, em Dz. 1641).
Embora esse privilégio se refira diretamente à inexistência nela do pecado original, há de se entender ao mesmo tempo que Deus a santificou com tal abundância de graças que a colocam acima de todos os Anjos e de todos os Santos. Ela é a Rainha de todos os Santos porque a medida da Sua santidade é o privilégio maior que Deus concedeu a uma criatura: ser Sua Mãe.
“Todas as gerações me chamarão bem aventurada” (Lc 1, 48)
A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão. A Santíssima Virgem é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito, desde remotíssimos tempos a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de “Mãe de Deus” sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os perigos e necessidades. Este culto encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, resumo de todo o Evangelho.
Devemos acrescentar ainda, que na história da humanidade nunca se ouviu dizer de alguém que tivesse tantos títulos quanto Maria.

Maria é Santa

Nenhuma criatura pode igualar-se à Virgem Maria na sua eleição de ser a Mãe de Deus.
A santidade de Maria ultrapassa a de Isabel (Lc 1,41), a de Zacarias (Lc 1,67) ou a dos Apóstolos (At 2,4), que ficaram repletos do Espírito Santo. Inegavelmente, a alma de Maria foi a mais bela criada por Deus, e sua maior obra depois Encarnação do Verbo. A santidade de Maria é a mais perfeita de toda a humanidade.

Maria, discípula de Jesus - Servo sofredor pelos irmãos

 Jesus Cristo é o Caminho da Vida na Verdade (Jo14,6).Maria, sua mãe, é aquela que se pôs apressadamente a caminho, na estrada de seu filho, na qualidade de MÃE, SERVIDORA e DISCÍPULA (Lc 1, 39). Tendo já considerado Maria enquanto DISCÍPULA DE JESUS, CAMINHO, VERDADE E VIDA, contemplemo-la a seguir como DISCÍPULA DE JESUS, SERVO SOFREDOR PELOS IRMÃOS.

02 – MARIA, DISCÍPULA DE JESUS, SERVO SOFREDOR PELOS IRMÃOS
Maria aprendeu muito bem a lição do Mestre Jesus, seu filho, que a instruiu com gestos e palavras: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la e aquele que quiser perder a sua vida, pela causa do Evangelho, vai ganhá-la”(Mc 8,15). Foi convivendo com seu filho, que passou fazendo o bem (At 10, 34-38), que ela compreendeu o amor como caminho da vida, mediante a consagração a Deus pelo serviço aos irmãos. Por isso, ela tornou-se a MÃE DOLOROSA, que esteve ao pé da cruz de Jesus. Antiquíssima tradição e a devoção popular cantam, então, em honra de Nossa Senhora das Dores, assim:”Estava a Mãe dolorosa, junto da cruz tão chorosa, enquanto o Filho pendia!” (Jo 19, 25).

02.1 – A Serva do Senhor da Anunciação levou a sério seu ponderado compromisso de mulher de fé, esclarecida e determinada: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 2, 38). Naquele instante,decisivo para a sua e a vida da humanidade,certamente ela não imaginava todos os terríveis desdobramentos históricos daquela sua disponibilidade de jovem mordida pela esperança messiânica de seu Povo de Israel! Mas,sonhando com um elevado ideal na própria existência e para o destino de sua gente,entregou-se pensada e incondicionalmen-te nas mãos do Senhor Javé, o Deus da Aliança e das Promessas.

02.2 – Foi necessária uma paciente e meditativa aprendizagem da mãe junto ao filho, na cordial e escondida convivência de Nazaré, para que Maria fosse descobrindo, aos poucos, que seu menino Jesus, incensado pelos Magos do Oriente, era um Messias bem diferente daquele Messias poderoso,longa, paciente e ansiosamewnte esperado e preparada pelo Povo He- breu.Foi seu próprio Jesus adolescente quem a fez assimilar as misteriosas e intrigantes palavras do velho Simeão a res- peito do seu nenen e dela mesma:”pedra de tropêço e de sus- tento” – “sinal de contradição/divisor de águas” – “espada transpassando o coração” – “contestação das racionalizações e revelação dos segredos dos corações”(Lc2,19/33-35/48-52). “Meditando no íntimo do coração” aquele “Palavra” da Anunci- ação misteriosa, a Virgem-Mãe de Nazaré acabou aprendendo com seu Jesus, contraditado e condenado por seus patrícios, que seu Filho era, na verdade, o Messias-SERVO DE JAVÉ can- tado pelo Profeta Isaías(Is 42,1ss/49,1ss/50,4ss/52,13-53s).

Ocorreu todo um discipulado atento e respeitoso por parte de Maria, para que ela fosse entendendo as palavras de Jesus,ao aplicar a si mesmo a expressão estranha do Profeta Daniel – “FILHO DO HOMEM (Dn 7, 13-15).Ela foi bem aquela discípula amorosa,de ouvido atento,de que fala o Profeta Isaías,para descobrir, enfim, à luz do Espírito de Pentecostes, que seu Jesus era um misto de grandeza e humildade!O Espírito de seu Filho RECORDOU a ela (Jo 14,26/16,12-15), que o Filho do Homem dos Profetas, expressão preferida por Jesus quando se referia à sua pessoa, era uma figura misteriosa que,descen embora dos altos céus,era também uma criatura humana,sujei- ta às condições terrestres! Deve-se concluir,pois, que a fi- delidade da Mãe das Dores junto ao Filho Crucificado demons- tra que Maria, a moça de Nazaré, foi discípula aplicada que aprendeu bem a lição ensinada pelo próprio Espírito de Deus, que a cobriu com a sua sombra (lc 1,35).

Mons. João Olímpio Castello Branco Pároco da Catedral de LIMOEIRO DO NORTE -CEARÁ 62.930-000 c.p.28 Telefone 088.423.1550 Email: olympius@brisanet.com.br

Caracteristicas da espiritualidade de Maria

A caraterísticada espiritualidade de maria é a sua Absoluta e total adesão a Palavra de Deus.
Ao anjo Gabriel que lhe anunciava o chamado de Deus, Maria aceita decididamente e diz:
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segunda a Tua Palavra”(Lc 1, 38).
Firme e radical deve ser também a nossa fé em Deus.
Nossa atitude, generosa e lógica é de acolher o chamado de Deus, com alegria e gratidão,
e vive-la com total adesão, assim como fez a Virgem Maria.
A espiritualidade de Maria consiste na total intimidade com Jesus.
Intimidade biológica por ser mãe, dando-lhe uma vida física; intimidade afetiva porque Jesus foi seu supremo e absoluto amor desde a anunciação até o calvário;
Intimidade Apostólica, porque unida a obra salvadora de Cristo, intercede ainda por toda a humanidade .
Estas características da intimidade de Maria com Jesus, sejam também as característicasfundamentais da nossa vida, que se realiza de modo único na Eucaristia:
“Eu sou o pão da vida… Eu sou o pão descido do céu!”
O próprio Cristo quer que esta misteriosa e sublime intimidade com Ele se realize através da Eucaristia.
Outra característica espiritual de Maria é a sua Consagração.
tendo-se doada totalmente a Deus e a Cristo, consagrou-se também aos apóstolos e aos discípulos as pessoas necessitadas.
Que a exemplo de Maria possamos, também nós, viver esta intimidade com Cristo.

Com carinho,

Frei Rinaldo, osm

Maria na Bíblia

Maria pertence ao Novo Testamento. Ela nasceu no tempo do Novo Testamento. Todos os relatos específicos e diretos que falam dela, estão no Novo Testamento. Porém, podemos formular-nos uma pergunta: O Antigo Testamento referiu-se alguma vez a Mãe do Messias esperado? Existem textos bíblicos que, mesmo em sentido figurado, mencionam algo sobre a Mãe do Filho de Deus? Podemos associar alguns textos do Antigo Testamento e aplicarmos a Maria?
Muitos estudiosos afirmam que o tema mariano está “escondido” sob três modos no Antigo Testamento: preparação moral, preparação tipológica e preparação profética.
1) Preparação moral: como a humanidade estava corrompida pelo pecado, Deus escolhe uma linhagem de fé e santidade para que o seu filho possa nascer da raça humana.
2) Preparação tipológica (linguagem simbólica): constatamos que no Antigo Testamento, muitas mulheres foram favorecidas com nascimentos milagrosos (Sara, Judite…). Todas estas mulheres fazem parte dos ancestrais do Messias esperado. Maria aparece como símbolo da “Filha de Sião” (Sof 3, 14-17), o lugar da residência de Javé. Maria também é simbolizada com a nova Arca da Aliança (dentro da Arca era depositada a LEI), que vai trazer dentro de si a Lei definitiva (revelação) de Deus, seu próprio Filho, Jesus.
14Rejubila-te, filha de Sião,solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, filha de Jerusalém! 15O Senhor revogou tua sentença, eliminou teu inimigo. O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti, não verás mais a desgraça. 16Naquele dia, será dito a Jerusalém: Não temas, Sião! Não desfaleçam as tuas mãos! 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como um herói que salva! Ele exulta de alegria por tua causa, ele te renova por seu amor, ele se regozija por causa de ti com gritos de alegria, 18como nos dias de festa. (Sof 3, 14-18)
3) Preparação profética: Além do texto acima, temos mais alguns que podem ser aplicados a Maria:
a)Ct 4,7: Tu és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha. O texto pode fazer alusão à concepção imaculada de Maria;
b)Jer 31,22: Até quando andarás errante, ó filha rebelde? pois o senhor criou uma coisa nova na terra: uma mulher protege a um varão.
c) Gn 3,15: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Uma consideração sobre este texto…
O texto é muito significativo e apresenta, numa primeira leitura, a luta até o fim dos tempos entre a humanidade e o demônio. O termo “Ela te ferirá a cabeça” pode aludir tanto a Maria, a nova Eva, como a Igreja.
d) Is 7,14: Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.
Considerando o texto…
Embora o texto faz referência ao nascimento de um herdeiro na linhagem de Davi, pode ser muito bem ser aproveitado como uma profecia Mariana.
e) Miq 5, 1-4: Agora, ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara no queixo ao juiz de Israel.
2 Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.
3 Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel.
4 E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra.
Sobre o texto…
Mesmo não apontando diretamente uma referência mariana, o texto fala diretamente de um rei-pastor, saído da tribo de Davi. Seu nascimento se projeta para o futuro (os verbos estão no futuro).

Maria no Livro do Apocalipse 12

Todo o livro do Apocalipse é repleto de uma linguagem de muitas imagens e números. Numa primeira vista, parece que o livro é enigmático, assustador e cheio de mistérios. Mas, apesar de usar uma linguagem “não muito clara”, o autor quer reforçar a fé e a esperança dos cristãos frente às perseguições de dificuldades que na qual se encontrava a Igreja primitiva.

O uso deste tipo de linguagem (Gênero literário) é bem simples de se explicar: João está preso. Ele manda cartas para os cristãos. Usa linguagem simbólica que só os cristãos entendiam. Caso contrário, as correspondências não chegariam ao seu destino. Portanto, cada imagem, cada número, cada ação…tem o seu significado. Mas nós vamos nos ater somente naquelas passagens que podem fazer referência à pessoa de Maria. Neste caso, o capítulo 12, principalmente porque tem algumas referências sobre uma “mulher vestida de sol”.

O Capítulo pode muito bem ser dividido em três partes que apresentam três cenas com os seguintes personagens:

1)1ª cena (Ap 12, 1-6): a mulher, o dragão e a criança.

2)2ª cena (Ap 12, 7-12): a guerra entre as forças de Deus (Miguel) e do mal (Satanás)

3)3ª cena: (Ap 12, 13-17): a mulher perseguida pelo dragão que é vencido.

Vamos analisar estas três cenas…

1ª Cena : Ap 12, 1-6

1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

2 E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz.

3 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas;

4 a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.

5 E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

Este “grande sinal” significa a importância do acontecimento;

” Céu”, mais que morada de Deus, simboliza o lugar onde estão as forças transcendentais que interferem na história humana;

“Mulher vestida de sol” numa primeira leitura não se refere a Maria (Maria não apareceu no céu, não deu à luz no céu e muito menos o menino foi levado para junto de Deus. Foi exatamente o contrário…Ele veio de Junto de Deus, no mistério da encarnação) faz alusão à glória de Deus que reveste o seu povo. O sol que ilumina;

“Tem a lua debaixo de seus pés” significa o domínio sobre as coisas temporais;

“Coroa de doze estrelas” lembra as doze tribos de Israel, bem como os doze Apóstolos recompensados no final dos tempos;

“Dores de parto” recorda todo o sofrimento vivido pelo povo do Antigo Testamento, bem como as perseguições da comunidade do Novo Testamento que quer continuar gerando Jesus para a humanidade através do seu testemunho;

“Dragão de sete cabeças e dez chifres” representa o poder político e dominador da época. As “sete cabeças” simboliza a plenitude (o número sete significa a plenitude, a totalidade) de poder. Os “dez chifres” representam os dez governadores senatorias do Império Romano; O “diadema” sobre cada uma das cabeças, referem-se à linhagem nobre de cada um dos governadores.

Tanto a Mulher como o Dragão são colocados juntos e em contraposição, simbolizando que as forças do bem e do mal travam um conflito constante na história;

A Mulher “deu à luz a um filho, um varão que irá reger todas as nações com um cetro de ferro”. Este versículo lembra o Salmo 2, 7b-9 (Tu és meu Filho, hoje te gerei.8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. 9 Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. ). Não se refere ao nascimento de Jesus em Belém, mas sim na Paixão, quando então sairá vitorioso pela Ressurreição;

O “deserto” tanto significa o lugar da tentação (Jesus foi tentado no deserto durante 40 dias e 40 noites) com também o lugar da proteção de Deus;

2ª Cena: Ap 12, 7-12

7 Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam,

8 mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu.

9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.

10 Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite.

11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte.

12 Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Mas ai da terra e do mar! porque o Diabo desceu a vós com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.

Entram em cena novos personagens: Miguel e seus anjos. A luta que começa no céu desce à terra. Nesta cena não aparece mais a figura da “mulher” e sim “Miguel e o Dragão”. O Dragão é descrito como a “antiga serpente”. Faz lembrar Gn 3,15 ( Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar) que já foi vencida. Conforme o texto, esta vitória sobre a serpente se deu “pelo sangue do cordeiro” (sacrifício deJesus).

3ª Cena: Ap 12, 13-17:

13 Quando o dragão se viu precipitado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão.

14 E foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.

15 E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para fazer que ela fosse arrebatada pela corrente.

16 A terra, porém acudiu à mulher; e a terra abriu a boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca.

17 E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra aos demais filhos dela, os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus.

18 E o dragão parou sobre a areia do mar.

Esta cena tem como cenário, a terra. Os personagens são: o dragão e a mulher e sua descendência. Já que o dragão perdeu a batalha para Miguel e seus anjos, ele volta-se contra a mulher, que, por sua vez, consegue escapar pela proteção de Deus.

Assim, a descendência da mulher (A Igreja), “os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus”, são continuamente ameaçados pelas forças do mal (serpente). Mas Deus aparece sempre com sua força protetora encorajando os filhos para a vitória final.

Conclusão: O Capítulo 12 do Apocalipse é um texto que deve ser interpretado, primeiramente como sendo eclesiológico (A Igreja peregrina que sofre, é perseguida, mas que tem a força de Jesus e do Espírito Santo de Deus para vencer as armadilhas do mal), depois mariológico (Maria, mãe da Igreja que caminha).

Maria no Evangelho de João

João escreveu o seu evangelho por volta do ano 90-100 d.C. É também autor do livro do Apocalipse. Tanto o quarto evangelho com o livro do Apocalipse apresentam, por serem os escritos mais tardios, uma reflexão bem mais madura sobre Jesus.

O Evangelho de João está dividido em três partes:

a) Prólogo (Jo 1, 1-18)

b) Livro dos Sinais (Jo 1,19 – 12,50)

c) Livro da Exaltação (Jo 13-20)

Menciona a Mãe de Jesus em três ocasiões: uma indiretamente, na encarnação do Filho de Deus (Jo 1, 14), e as duas de uma maneira bem explicita: as Bodas de Caná (Jo 2, 1-12) e na Morte de Jesus (Jo 19, 25-27).

1) Jo 1,14: (PROLOGO)

E o Verbo divino se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

Embora o texto não mencione Maria, porque a intenção do autor é mostrar a origem divina de Jesus (Verbo de Deus), dá-se a entender que Ela está implícita no processo da encarnação de Jesus (“e habitou entre nós”). Não podemos, em hipótese alguma, afirmar que este é um texto mariano, mas quando se fala em “encarnação” do Verbo Divino, Maria é lembrada.

2) Jo 2, 1-12 (AS BODAS DE CANÁ)

1 Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;

2 e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

3 E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

4 Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

5 Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

6 Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima.

8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

11 Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

12 Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

Este relato encontra-se inserido no chamado “bloco dos sinais”. É cheio de uma simbologia muito grande. Os sinais apresentam um sentido de revelação da pessoa de Jesus e têm uma intima relação com a fé. Quando Jesus realiza um milagre, este serve de sinal para que as pessoas vendo possam acreditar em Jesus. Em Mateus, Marcos e Lucas, os milagres que Jesus realiza indicam o poder de Deus sobre as forças do mal.

Os sinais que o quarto evangelho mencionam também expressam a Glória de Deus, que com Jesus, aos poucos vai se manifestando ao mundo.

Analisando o texto…

Um primeiro dado interessante que se percebe à primeira vista é que João não menciona o nome “Maria”. Ele refere-se a Maria chamando-a de “Mulher” ou “Mãe de Jesus” (seis vezes). A explicação é simples: João gosta de apresentar certas pessoas como modelos de seguidores do projeto de Jesus. Maria, portanto, é um modelo, uma figura símbolo que aceitou a mensagem de Jesus.

Apesar de ser uma festa de casamento, os personagens principais não são os noivos e sim Jesus e Maria. Apesar de usar uma linguagem de um casamento, João quer mostrar, com este relato, que o pacto (casamento) entre o povo da Antiga Aliança (Israel) e Deus estava desgastado, sem vida, vazio, devido o abismo do pecado

,br> O relato data muito a seqüência dos dias, com destaque especial “ao terceiro dia” , alusão simbólica à Aliança no Monte Sinai (Ex 19, 11.9) e principalmente à Ressurreição de Jesus.

Ao fazer chegar até Jesus a problemática da falta de vinho, Maria se apresenta como aquela que, conhecendo as necessidades da humanidade, pede ajuda para Jesus. Aqui está simbolizado o papel de intercessora atribuído a Maria.

A primeira reação de Jesus ao afirmar “Mulher, que tenho eu contigo” (ou, que importa a mim e a ti), parece ser um tanto ríspida com relação a Maria, mas serve para ilustrar o deslocamento de perspectiva: que Jesus chama os seus interlocutores (na pessoa de Maria) para perceber um outro nível de sua presença.

A palavra “mulher” pode representar três idéias:

pode lembrar Gn 3, referindo a Eva-Mulher que trouxe o pecado ao mundo. Assim Maria, a nova Mulher trouxe a salvação, Jesus;

Maria, Mulher, pode representar todo o povo de Israel (Filha de Sião);

Pode traduzir todo o reconhecimento da figura feminina na comunidade de João pelo papel evangelizador que as mulheres desempenhavam no testemunho do Evangelho.

Depois de realizar o milagre da transformação da água em vinho, o relato tem um desfecho muito significativo. E é para lá que apontava João: Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.( v11). Com isso, o autor acentua a centralidade do relato: mostrar quem é Jesus (aquele que traz o vinho novo, a Nova Aliança, o Novo Pacto, a alegria, a plenitude, a graça, a salvação) e a fé dos discípulos que aderem ao projeto do Filho de Deus. E todo o projeto do Reino de Deus é simbolizado através da figura das Bodas, o grande Banquete, as Núpcias do Cordeiro, a grande Festa da plena e definitiva alegria. Jesus é o novo NOIVO.

Maria-mulher é aquela que leva os discípulos a crerem em Jesus. Incentiva os filhos a fazerem a vontade do seu Filho.

3) Jo 19, 25-27 (MARIA JUNTO À CRUZ)

25 Estavam em pé, junto à cruz de Jesus, sua mãe, e a irmã de sua mãe, e Maria, mulher de Clôpas, e Maria Madalena.

26 Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.

27 Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

O texto mostra que estavam presentes junto à cruz de Jesus quatro mulheres: a mãe de Jesus, uma irmã de Maria, Maria esposa de Cléofas e Maria Madalena e também o discípulo amado.

As mulheres, como já vimos, representam o serviço generoso e destacado que elas exerciam na comunidade; o “discípulo amado” representa o modelo ideal de todo cristão que apesar das contrariedades e cruzes da vida, permanece fiel a Cristo.

Ao colocar Maria junto à cruz de Jesus, o autor do livro, quer:

simbolizar a presença da mãe sofredora que sempre esteve ao lado de Jesus e de todo aquele que sofre;

fazer uma relação entre as Bodas de Cana onde Maria esteve presente no inicio das atividades do seu Filho, como no pleno cumprimento de sua missão, através da morte da Cruz.

Tanto o discípulo amado com Maria, são representações da Igreja:

Maria como geradora de novos filhos (mulher, membro constitutivo da Igreja e mãe da comunidade);

O Discípulo amado como representante de todos os fiéis que seguem Jesus custe o que custar.

Resumindo, podemos sintetizar a figura de Maria no quarto evangelho como:

discípula fiel

pessoa de fé

mãe da comunidade

mulher solidária

Maria no Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos

SINOPSE

O livro de Lucas foi escrito por volta dos anos 79-80 d. C. Teve como destinatário primeiro um certo “Teófilo” (Lc 1,1 e At 1,1-2), cuja identidade é desconhecida. A evidência mostra que o livro foi escrito especialmente para os gentios. Lucas se esforça para mostrar os costumes judaicos e, algumas vezes substitui nomes gregos por hebraicos.

Como bom médico que foi, Lucas retrata a figura de Cristo mostrando todo o seu lado humano e misericordioso que socorre, cura, liberta e salva a todos sem distinção.

Como também é autor do livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas compreende a HISTÓRIA DA SALVAÇÃO em três tempos ou etapas e organiza toda a sua obra a partir desta perspectiva:

1ª etapa: período preparatório à vinda de Jesus Salvador ( O antigo Israel espera com alegria a manifestação do Messias e prepara a sua vinda)

2ª etapa: A vida de Jesus: sua encarnação, sua presença, sua manifestação, paixão, morte, ressurreição e glorificação.
,br> 3ª etapa: tempo da Igreja que se faz por obra do Espírito Santo. A Igreja é a grande portadora da salvação a todos os povos.

Estes três períodos ou etapas se articulam a partir de Jerusalém.

Segundo os estudiosos do tema, Lucas é o evangelista que mais fala de Maria. Num total de 152 versículos do NT sobre Maria, 90 são de Lucas (1 versículo aparece no livro dos Atos e 89 no terceiro evangelho).

Lucas nos apresenta muitas qualidades de Maria. Ela é o exemplo vivo do discípulo e seguidor de Jesus, que acolhe a Palavra de Deus com fé, guarda e medita em seu coração e põe em prática, produzindo muitos e bons frutos.

Maria é apresentada como a grande peregrina na fé. O “SIM” dado a Deus na sua juventude é renovado constantemente no decorrer de toda a sua vida.

Maria não nasce como uma santa pronta e acabada. Ela passa por crises e situações difíceis e desafiadoras contribuindo para o seu crescimento na fé.

Por outro lado, Maria nos lembra que Deus escolhe preferencialmente os pobres e os pequenos para iniciar seu Reino. Maria é uma pessoa de coração pobre todo aberto para Deus; tem um coração solidário e serviçal sempre disponível a ajudar os mais necessitados.

Maria no Evangelho de Mateus

SINOPSE:

Mateus (também chamado de Levi), um dos Doze apóstolos, foi sem dúvida um judeu que também era publicano romano.

Mateus escreveu o seu evangelho por volta do ano 70 d.C. Tinha como destinatários principalmente os judeus. Este ponto de vista está confirmado pelas referencias às profecias hebraicas, cerca de sessenta, e pelas aproximadamente quarenta citações do Antigo Testamento.

Ressalta especialmente a missão de Cristo aos judeus.

A intenção de Mateus é a de mostrar que Jesus foi o Messias prometido no Antigo Testamento através do cumprimento das promessas feitas a Abraão e a Davi, passando por todos os profetas.

Maria é apresentada como a mãe virginal de Jesus que o concebe pela ação do Espírito Santo sem intervenção humana, mostrando a gratuidade da iniciativa divina.

O Evangelho de Mateus amplia bastante a imagem de Maria.

Ela aparece na narrativa da origem e da infância de Jesus (Mt 1-2) e em alguns textos referentes à vida pública de Jesus (Mt 12, 46-50 e Mt 13, 53-58).

I – GENEALOGIA DE JESUS (Mt 1, 1-25)

1 Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.

2 A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos;

3 a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão;

4 a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom;

5 a Salmom nasceu, de Raabe, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé;

6 e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão da que fora mulher de Urias;

7 a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe;

8 a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias;

9 a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias;

10 a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias;

11 a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia.

12 Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel;

13 a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor;

14 a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde;

15 a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó;

16 e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo.

17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo, catorze gerações.

18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo.

19 E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.

20 E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo;

21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

22 Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta:

23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.

24 E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher;

25 e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.

Primeiramente o objetivo desta genealogia é o de mostrar que Jesus descende de Abraão e Davi e que, portanto, Ele herda as promessas feitas a esses dois patriarcas de Israel. De Abraão, a promessa da numerosa descendência (Gn12); de Davi, a promessa da eterna realeza (2Sam7).

A genealogia de uma pessoa e de uma família tinha enorme importância jurídica e trazia conseqüências para a vida social e religiosa. A pureza de uma linha genealógica dava participação ao descendente nos méritos de seus antepassados.

Mateus remonta a origem de Cristo a partir de Abraão passando por todas as gerações até chegar a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus. Esse elenco de nomes que vai de Abraão a Cristo é subdividido em três grupos e cada grupo abrange 14 gerações:

1o grupo: de Abraão a Davi

2o grupo: de Davi a Jeconias ( exílio na Babilônia)

3o grupo: de Jeconias a Cristo

A grande novidade nesta descrição genealógica que passou de geração em geração foi a intervenção da Providencia Divina através do Espírito Santo na geração de Jesus por Maria.

Se antes o encadeamento paterno era o elemento fundante na genealogia, aqui nós temos agora uma ruptura visível e explicita: apesar de pertencer a descendência de Abraão e sucessão, José não é o pai biológico de Jesus. Assim, a mensagem do relato resume-se em: o nascimento de Jesus se deve à ação do Espírito Santo em Maria. Mostra que Jesus, o Messias esperado, é fruto da intervenção divina que gratuitamente irrompe a história da humanidade e oferece o seu filho para a salvação do seu povo.

José ao receber Maria em sua casa e assumir Jesus dando-lhe o nome (de Jesus), sela definitivamente o vínculo histórico da descendência messiânica. Por outro lado revela a concepção virginal de Jesus.

Mt 2, 10-23: ADORAÇÃO DOS MAGOS E FUGA PARA O EGITO

10 Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.

11 E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.

12 Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

13 E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.

14 Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.

15 e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho.

16 Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos.

17 Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias:

18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem.

19 Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito,

20 dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino.

21 Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

22 Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia,

23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.

Nas cenas (adoração dos Magos e Fuga para o Egito) se repete várias vezes “o menino e sua mãe” (v.13, v.14, v.20) . Isso reforça a real maternidade de Maria não aludindo à “paternidade real” de José.

II – MARIA NA VIDA PÚBLICA DE JESUS.

Apesar de usar a mesma fonte de Marcos quando fala de Maria e dos “irmãos de Jesus” e a cena da casa e da rejeição em Nazaré, Mateus interpreta num outro sentido.

1) Mt 12, 46-50: a família de Jesus e os seguidores

46 Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe.

47 Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo.

48 Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos?

49 E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

50 Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Aqui aparece claro a idéia e a importância de seguir a Jesus e fazer a sua vontade. Não há, portanto, referencia negativa à família biológica de Jesus.

2) Mt 13, 53-58: O profeta rejeitado em sua pátria

53 E Jesus, tendo concluido estas parábolas, se retirou dali.

54 E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo que este se maravilhava e dizia: Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos?

55 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?

56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?

57 E escandalizavam-se dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra e na sua própria casa.

58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Mateus substitui aqui o “filho de Maria” que aparece em Marcos por “filho do carpinteiro” e suprime a palavra “parentes”.

Há dois motivos fundamentais nestas mudanças operadas por Mateus:

a)Tiago, que aparece como sendo “o irmão do Senhor” que na verdade é primo de Jesus, é um membro ativo na comunidade atual onde Mateus vive (composta de natureza judeu-cristã)

b)Mateus parece ter uma idéia bem clara sobre a concepção virginal de Maria

Com isso tudo, fica claro que Maria é vista como mãe virginal do Messias, por ação do Espírito Santo.

Maria no Evangelho de Marcos

SINOPSE:

Marcos escreve o seu evangelho por volta do ano 60 d.C. Acredita-se que o escritor, ao preparar o seu livro, teve em mente os cristãos gentios. O evangelista tem com preocupação primeira mostrar que Jesus é o Filho de Deus. Esse é a sua grande tese verificada a partir do primeiro versículo:

“Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.” . Um Filho de Deus que é confirmado pelos discípulos, através da pessoa de Pedro (Mc 8,29) e testemunhado pelo centurião na morte de Jesus (Mc 15,39); um Filho de Deus que se deixa reconhecer na medida que se caminha ao seu lado assumindo o seu projeto de vida.

O Evangelho de Marcos está tecido em duas grandes partes:
– Primeira parte: (Mc 1,1 – 8,26). Neste primeiro bloco Jesus aparece na Galiléia inaugurando o Reino de Deus que vem com toda força. A prática de Jesus é contestada pelos escribas e fariseus. Diante da sua proposta vão se formando dois grupos: os que seguem Jesus (discípulos e multidão) e os que não aceitam a proposta de Jesus.
– A segunda parte (restante do evangelho) apresenta as condições e os elementos necessários para seguir Jesus. Seguimento que não significa “ir atrás” mas entrar no caminho de sua vida, identificar-se com ele, deixar tocar pela sua pessoa, fazer parte de sua missão de inaugurar o Reino e vencer as forças do anti-reino.
Maria aparece duas vezes durante todo o seu relato. As citações são poucas, mas muito significativas onde ela é apresentada como a discípula fiel que faz parte essencial da família de Jesus porque cumpre a vontade do Pai e a mulher que acolhe a todos como filhos e irmãos de Jesus.

I – Textos marianos:

1)) Mc 3, 20-21. 31-35: A FAMÍLIA DE JESUS.

20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer
21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si.
31 Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo.
32 E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram.
33 Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!
34 E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos!
35 Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
Contexto: No tempo de Jesus, a estrutura familiar exercia importante influência na definição dos papéis e no lugar social ocupado pelo individuo. No judaísmo, as famílias eram classificadas conforme seu grau de pureza de origem, ou seja, se eram imaculadas cruzamento com sangues de estrangeiros ou atingidas por mancha de mistura étnica.
A cena bíblica é a seguinte: Jesus e os Doze, recém eleitos, vão a uma casa em Cafarnaum. Havia uma multidão acirrada, a tal ponto que eles nem podiam e não tinham tempo nem para alimentar-se. E quando os “seus” ficaram sabendo disso, saíram para proteger Jesus, porque diziam que Ele tinha “perdido o juízo” . E neste grupo que vai até Jesus, está a figura de Maria, sua mãe.
Os parentes de Jesus consideram que Ele estava exagerando no modo como se dedicava à sua missão, porque Jesus desleixa até as suas necessidades mais elementares, como a de comer (v.20)
Marcos mostra aqui o caminho progressivo de Maria na fé. O evangelista revela o traço tão humano de Maria de Nazaré que se preocupa pelo Filho, o que denota uma preocupação normal.
Num olhar mais profundo, Marcos quer mostrar que o seguimento de Jesus (para fazer parte de sua família) ultrapassa os laços de parentesco.
Jesus inaugura uma NOVA FAMÍLIA constituída não mais do sangue e dos laços de parentesco (valor absoluto nas sociedades antigas) e sim daqueles que se juntam ao redor de Jesus para fazer a vontade do Pai.
Marcos ensina que até Maria, a criatura mais estreitamente ligada a Jesus pelos laços de sangue (maternidade) teve que elevar a ordem mais alta dos seus valores.
Depois de ter levado Jesus no seu ventre, era preciso que Ela o gerasse no coração, cumprindo a vontade de Deus. Uma vontade que se torna manifesta naquilo que Jesus dizia e realizava.
Assim, a figura de Maria “mãe” se harmoniza e se completa com a figura de “discípula” e “primeira cristã”.

2)Mc 6, 1-6: JESUS DE NAZARÉ ( O SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES)

1 Saiu Jesus dali, e foi para a sua terra, e os seus discípulos o seguiam.
2 Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos?
3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele.
4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa.
5 E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 E admirou-se da incredulidade deles. Em seguida percorria as aldeias circunvizinhas, ensinando.

Contexto: O texto de Marcos refere-se a um acontecimento concreto: a rejeição dos Moradores de Nazaré ao anúncio de Jesus e à sua pessoa. Eles não se colocam como inimigos de Jesus, mas se escandalizam dele por sua incredulidade. A fé é um grande requisito para o seguimento de Jesus.

a)Mc 6, 3: O “Filho de Maria”

3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele.
4 Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa.
No costume judeu, o nome da pessoa era conferido ou vinha relacionado por referência ao Pai. Temos alguns exemplos:
– Simão, filho de Jonas (Mt 16,13)
– Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4,21)
– Levi, filho de Alfeu (Mc 2,13)
Sendo assim, surge a grande pergunta: por que Jesus não é chamado “filho de José”?. Para esta pergunta há quatro tipos de respostas:
– Marcos queria enfatizar os traços humanos de Jesus;
– É uma referência à concepção virginal de Jesus (obra do Espírito Santo);
– Foi um intento de difamação contra Jesus (desvalorizar a sua pessoa pela profissão humilde de José);
– José não é citado porque já havia morrido.

b) “Os irmãos e as irmãs de Jesus” (v3):

Versículo de caráter polêmico principalmente entre os “evangélicos” onde se afirma a existência de outros filhos de Maria.
A verdade é que para os conceitos orientais tradicionais, não se define a família como pequeno núcleo “pai-mãe-filhos”, como conhecemos hoje, mas num amplo leque no qual se incluem tanto os parentes próximos como os distantes.
No aramaico falado, usado por Jesus e seu povo, não havia uma diferenciação nos conceitos de parentesco (primo, tio, tia, irmão, sobrinho, etc…). A palavra que exprimia e englobava todo este parentesco era “irmãos”, que os gregos traduziram por “adelfos”. Assim, quando ouvimos falar que “tua mãe e teus irmãos estão lá fora…” significa que Maria e os parentes de Jesus queriam protegê-lo um pouco da multidão.
Não podemos confundir: “irmãos” de Jesus significa “parentes próximos” dele. Tiago e Joset, chamados de “irmãos de Jesus” são considerandos, dentro desta lógica explicativa, de “parentes próximos” de Jesus e não “irmãos carnais” dele.
Se assim não fosse, qual seria a necessidade de Jesus, no alto da cruz, entregar a João, o discípulo a quem amava, os cuidados de Maria quando disse: ” Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,27)? Não seria mais comum, Tiago e José, se fossem realmente filhos carnais de Maria, tomar conta de sua “mãe” após a morte do “irmão” Jesus?
Quando estudarmos o dogma da Virgindade de Maria entenderemos mais esta questão.
Com isso, o evangelista quer mostrar a necessidade da fé no ato do seguimento de Jesus. Condição indispensável para reconhecer a sua presença e caminhar com Ele.

Maria no Novo Testamento - Segundo Gálatas

MARIA NO NOVO TESTAMENTO

Faremos um estudo mais detalhado, em ordem cronológica, dos livros bíblicos do Novo Testamento que falam explicitamente de Maria. São eles:
– Gálatas (as informações mais antigas sobre Maria)
– Livro escrito por volta do ano 50 d.C.
– Marcos (escrito por volta do ano 60 d.C)
Mateus (escrito por volta do ano 70 d.C)
Lucas (escrito por volta do ano 70 d.C.)
Atos (também escrito por volta do ano 70 d.C)
João (escrito por volta dos anos 90-100 d.C)
Apocalipse (também escrito por volta dos anos 90-100 d.C)

I – GÁLATAS.

Por conter a informação mais antiga sobre Maria, analisaremos um único versículo referente ao estudo mariano. Gal 4, 4. Eis o texto: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.”
CONTEXTO:
O tema central deste versículo é sobre a ENCARNAÇÃO do FILHO DE DEUS, ou seja, o modo através do qual Deus quis vir ao encontro do homem. E isso se deu na “plenitude dos tempos”, isto é, quando o Pai envia o seu Filho ao mundo os tempos do desígnio divino atingem a sua “plenitude”. A encarnação de Cristo é o ponto culminante desta etapa.
E Maria é colocada exatamente nesse vértice do plano redentor. Através do seu ministério materno, o Filho do Pai, preexistente ao mundo, se radica na cepa da humanidade.
Ela é a MULHER que o reveste com a nossa carne e o nosso sangue. São Paulo quer mostrar com isso a condição real e humana de Jesus. O apóstolo declara que a pessoa de Maria está vitalmente vinculada ao projeto salvífico de Deus.

A Fé e o sim de Maria ao Chamado de Deus

Contemplamos o mistério da Anunciação, um dos mais importantes da nossa Fé!
Juntamente com a anunciação, queremos lembrar, também, o mistério divino e humano, que é a nossa vocação.
Não temas!! Eis o elemento essencial da vocação, porque o temor acompanha sempre o homem.
Ele teme ser chamado para o sacerdócio e também para a vida, para a sua missão, para uma profissão e para o matrimônio.
É necessário vencer qualquer indecisão ou temor para alcançar a responsabilidade madura que nos leve a ouvir e aceitar o chamado, responder com um SIM decidido e generoso.
Portanto, não temas, porque achaste graça, não temas a vida, a tua maternidade, o teu casamento, o teu sacerdócio porque achaste graça.
Esta coincidência nos ajuda, assim como ajudou Maria.
A Terra e o Paraíso esperam o teu sim.
O Céu e a Terra atendem o teu SIM, mãe que está para dar a luz a teu filho, homem que deve assumir uma responsabilidade pessoal, familiar e social; atende o teu sim, voce que foi chamado para o sacerdócio.
Um sim maduro, fruto da graça e da colaboração pessoal.
É, portanto, necessário a fidelidade e a perseverança para desempenhar o SIM por toda a vida.
“Nunca mais te deixarei” dizem-se mutuamente os esposos no dia do casamento. ” Nunca te deixarei, diz o seminarista, depois o sacerdote no dia de sua ordenação!
Há também, um outro aspecto: Todos os homens e as mulheres são chamados a realizar o seu SIM à imitação de Maria, Um SIM repleto de alegria, de vida nova e de benção.
Um Sim como aquele de Maria seria uma benção, um bem para o mundo, uma salvação e uma esperança!
O teu sim, a tua fidelidade e perseverança geram também alegria e o mundo sente-se renovado.
Graças ao teu SIM a vida humana em todas as suas dimensões torna-se mais alegre e esperançosa.
A exemplo de Maria, digamos, todos nós um Generoso SIM a Deus e a humanidade!

Frei Rinaldo

Maria, modelo de Caridade

“Maria, solícita, partiu para a região montanhosa para visitar sua prima Isabel” ( Lc1, 39-40).
Da fé e da esperança nasce o amor para com o próximo. Toda a existência humana tem seu valor pela qualidade deste amor.
Considerando seu comportamento em casa de Isabel e em Caná, Maria é modelo do nosso olhar, dos nossos sentimentos e do nosso engajamento em favor do próximo.
Por isso, não podemos nos limitar aos nossos interesses e opiniões. Uma grande solidariedade deve nos comprometer com os familiares, vizinhos, conterrâneos e todos os que passam necessidades, pois a caridade não tem limites.
Bem aventurados aqueles que acolhem uma criança desde a sua concepção, que acolhem os marginalizados e excluídos, os que sofrem no corpo e na alma e todos os esmagados em sua dignidade humana!
Portanto, que tenhamos um coração aberto para melhorar a situação dos homens no que diz respeito a vida e a dignidade humana, aos anseios de maior justiça, á comunhão dos bens, a fraternidade e a paz entre os povos.
Assim como Maria, cabe a nós, a cada um de nós usar nossos talentos e dons para servir ao homem em todas as suas dimensões, tendo olhar fixo em Cristo, único modelo da existência humana.
Frei Rinaldo

A Fé: Principal virtude de Maria

” Bem aventurada aquela que acreditou na Palavra do Senhor” Assim falou Isabel, respondendo a saudação de Maria. São palavras inspiradas pelo Espírito Santo(Lc 1, 41) e focalizam a virtude principal
de Maria: A Fé.
A situação de mãe não beneficiaria em nada se não tivesse gerado Cristo no coração mais que no corpo. A Fé permitiu a Maria enfrentar, sem medo, o abismo insondável e desconhecido do plano salvífico de Deus. Não era fácil acreditar que Deus pudesse ” assumir a forma humana” e morar entre nós( Jo 1,14), isto é, Que Deus se escondesse na insignificância do nosso dia a dia, assumindo a nossa fragilidade humana, sujeita a tantas humilhações.
Maria acreditou neste projeto “impossível” de Deus, confiou em Deus Todo Poderoso e se tornou a principal colaboradora da admirável iniciativa de Deus, que devolveu ao mundo a esperança.

Nós, Cristãos, também somos chamados para a mesma atitude de fé que leve a olhar, corajosamente, além das possibilidades e limites humanos.

O Cristão sabe que pode contar com Deus que muitas vezes escolhe o que é fraco e desprezado no mundo para confundir osa sábios e os fortes ” para que ninguém pudesse se orgulhar na presença de Deus” ( 1 Cr 1, 29).
Na história da Igreja inúmeros exemplos do extraordinário modo de agir de Deus, deixando muita gente perplexa em procurar explicações humanas a respeito dos seus designios. Que a exemplo de Maria, tenhamos sempre uma fé forte e solidificada.

Frei Rinaldo, OSM

Maria, Mãe da Providência

Queridos amigos leitores: que Deus abençoe a todos e que o nosso amor por Maria cresça cada vez mais. O tema mariano que vamos refletir hoje será sobre “Maria, mãe da Providência”. Um tema muito bonito vai nos ajudar a colocar sempre mais a nossa vida na Providência de Deus. Maria era aquela que OUVIA, ACREDITAVA e VIVIA a Palavra de Deus. Durante a visita a Isabel, Maria mostrou a sua gratidão a Deus fazendo um cântico, cantado até hoje: “O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome”. Ora, este cântico, todo inteiro, está cheio de frases tiradas da Bíblia. Só uma pessoa que conhece a Bíblia quase de cor é capaz de fazer um cântico assim.

Isso mostra que Maria conhecia muito bem a Bíblia. Ela meditava a Palavra de Deus, lendo-a em casa ou participando das reuniões com o povo. Conhecia a história de Abraão e do Êxodo, a lei de Moisés, as promessas dos profetas, os salmos de Davi. Estava a par do plano de Deus, descrito na Bíblia. E não era só isto. Ela não só ouvia e meditava a Palavra de Deus, mas também procurava vivê-la, para assim ajudar na realização do plano de Deus. É o que mostra a vista do anjo. Quando o anjo Gabriel lhe apresentou a Palavra de Deus, Maria não teve dúvida. Acreditou e se colocou à disposição de Deus: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ou seja, “Que esta palavra de Deus se realize em mim” Foi por isso que Isabel a elogiou “Maria, você é feliz porque acreditou na realização das coisas que lhe foram ditas por Deus”.

A palavra de Deus estava presente na vida de Maria. E aqui a gente deve notar o seguinte: aquela Palavra de Deus que o anjo levou a Maria não estava escrita na Bíblia, mas era um fato novo que estava acontecendo naquela exato momento. Para Maria, Deus falava não só pela Bíblia, mas também pelos fatos da vida. Ela foi capaz de reconhecer a Palavra de Deus nos fatos, porque se alimentava da Palavra de Deus escrita na Bíblia. A meditação da Palavra escrita purifica os olhos e faz descobrir a palavra viva de Deus na vida. “Felizes os que têm o olhar limpo porque verão a Deus”. Dizia Jesus uns 30 anos mais tarde, no sermão das bem-aventuranças.

É nesta atenção constante para a Palavra de Deus na Bíblia e na vida que está a causa da grandeza de Maria. Certa vez, quando Jesus estava fazendo um sermão ao povo, uma mulher não se conteve mais e elogiou sua mãe: “Feliz aquela que te carregou no seio e te alimentou no seu peito”. Mas Jesus não estava muito de acordo e fez um outro elogio a sua mãe: “Felizes, sim, os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

A causa da grandeza de Maria não estava no fato de ela ser a mãe de Jesus, de tê-lo carregado nove meses no seio e alimentado no peito. Isso era conseqüência. A causa estava no fato de ela ter ouvido a palavra de Deus e colocado em prática. Por causa desta sua obediência à palavra de Deus, ela disse ao anjo: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E foi aí que ela se tornou Mãe de Deus. E convém lembra ainda que Jesus não falou: “Felizes os que lêem a Bíblia e a põem em prática”, mas falou: “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. A palavra de Deus não está só na Bíblia. Ela se revela tanto na Bíblia como na vida.

A Bíblia diz que ela ouvia tudo e que, depois, o guardava em seu coração. Ficava mastigando, lembrando e meditando as coisas, as coisas grandes e pequenas da Bíblia e da vida. Não sabia tudo. Não entendia tudo. Havia muita escuridão. A luz se faz é na travessia.

A palavra de Deus tinha entrada franca na vida de Maria e nela não encontrava nenhum obstáculo. Encontrava um coração aberto e uma vontade disposta que dizia: “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ou seja, “Estou aqui às ordens de Deus”. Estas palavras são como que um resumo da vida de Maria. Por causa disso, ela já não pertencia mais a si mesma. Pertencia a Deus. Era de Deus, totalmente. “O Senhor está contigo”, dizia o anjo.

Deus não era apenas uma idéia bonita, mas Alguém sem o qual ela já não podia viver. Ela se amarrou em Deus e se dizia a sua empregada ou serva. Deus tomou conta vida de Maria e ela deixou que Ele tomasse conta. Não opôs nenhuma resistência, nunca, nem sequer um pouco.

Como para Abraão, o pai do povo a que ela pertencia, assim para Maria não foi fácil aceitar e viver a Palavra de Deus em sua vida. Foi motivo de muito sofrimento e dúvida, de muita tristeza e escuridão. Mas ela ficou firme, como firme ficou o pai Abraão.

A Igreja ensina ainda que Deus tomou conta da vida de Maria desde o seu primeiro começo até o seu último fim, desde o momento em que ela foi concebida até o momento em que foi levada ao céu, isto é, desde a sua Imaculada Conceição até à sua Assunção ao céu.

Estas duas verdades ensinadas pela Igreja são a confirmação daquilo que a Bíblia ensina abertamente: a palavra de Deus tomou conta da vida de Maria de ponta a ponta. Ela era de Deus, totalmente e radicalmente. Nunca houve nela algo que fosse contrário a Deus. Deus reinava em Maria. Nela, o Reino de Deus já era um fato. Aquele pecado de Adão, pelo qual o homem se separou de Deus, nunca teve vez em Maria. Tudo isso nós o celebramos, todo ano, em duas grandes festas: a festa de Nossa Senhora da Conceição no dia 08 de Dezembro e a festa de Nossa Senhora da Assunção, no dia 15 de Agosto.

A força da Palavra de Deus na vida de Maria não fez dela uma pessoa aérea, desligada das coisas da vida e do povo. Pelo contrário. Fez dela uma pessoa muito atenciosa e preocupada com os problemas dos outros. Por exemplo, quando ela aceitou a palavra de Deus transmitida pelo anjo, o seu primeiro pensamento não foi consigo mesma, mas com a sua prima Isabel. O anjo informara que Isabel, senhora já de uma certa idade, tinha ficado grávida pela primeira vez. Uma senhora assim precisa de ajuda. Maria não teve dúvida e se mandou para a Judéia, a mais de 120 quilômetros de Nazaré . vinte léguas! Fez essa viagem toda só para poder ajudar à prima nos três últimos meses da gravidez. E naquele tempo não havia nem meio de transporte como ônibus ou coisa parecida.

Em outra ocasião, Maria foi convidada para uma festa de casamento em Cana. Jesus também estava lá. Festa de casamento naquele tempo era festa grande de comer e beber à vontade. A certa altura, Maria percebeu que o vinho estava faltando. Ela não só verificou a falta do vinho, mas foi logo tomar as providências e falou com Jesus: “Eles não têm mais vinho”. Foi ela que, assim, conseguiu que Jesus fizesse o seu primeiro milagre em favor de um casal pobre, para que este não ficasse envergonhado e para que a festa não ficasse estragada.

Em vez de fazer com que ela ficasse pensando só em si e na sua própria salvação, a palavra de Deus fez com que ela saísse de si mesma e se esquecesse dos seus problemas para poder pensar nos problemas dos outros.

Maria não abandona os amigos na hora do aperto. Embora ela nem sempre entendesse tudo que Jesus falava e fazia, ela sempre o apoiou. Por causa disso, ela teve problemas com os parentes. Quem é que não tem, não é mesmo? Os parentes ficavam preocupados com Jesus e achavam que Ele ia longe demais, que tinha perdido o juízo. Queriam trazê-lo de volta para cãs e conseguiram que Maria fosse junto para dar-lhe este recado. Mas Jesus nem ligou e fez saber aos parentes que eles não tinham autoridade nenhuma sobre ele.

Só Deus tinha autoridade e o importante era fazer a vontade dele. Em outra ocasião, os parentes queriam que Jesus fosse um pouco mais atrevido e que fosse logo até Jerusalém, a capital, para pegar uma fama maior. No fundo, os parentes não acreditavam em Jesus. Eram oportunistas. Queriam só aproveitar do primo famoso. Aquilo que Jesus falou: “Os inimigos do homem serão os próprios familiares”, isso estava acontecendo com ele mesmo, dentro da sua própria família. Maria dever ter sofrido muito com isso.

Mas quando, no fim, Jesus foi preso como subversivo e condenado como herege, os parentes sumiram todos e na havia mais nenhum por perto, a não ser algumas mulheres. Porém, Maria ficou. Não fugiu, nem teve medo. Até os apóstolos, menos João, fugiram todos. Ela não. Ficou com Jesus e o apoiava. Foi com ele até o calvário e lá ficou, assistindo-o na sua agonia. Isso fazia parte da sua missão, assumida diante do anjo: “Sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. As autoridades condenaram Jesus como anti-Deus e anti-povo. Maria não se importou. Foi a única pessoa da família que não recuou. Ela não abandona as pessoas na hora do aperto. Vai com elas até o fim. O mesmo fez com os apóstolos. Ficou com eles perseverando na oração, durante nove dias, para que a força de Deus os ajudasse a superar o medo que os imobiliza e os fazia fugir.

Tudo isso mostra que Maria não era só de Deus, mas também do povo de Deus. O que significava par ela ser do povo de Deus? Para Maria, isso significava ser do povo pobre e viver os seus problemas. Maria era do povo porque vivia a mesma vida de todos. Não era rica nem poderosa, mas pobre, casada com um rapaz pobre, José, retirante ou filho de retirantes. Tinha um filho pobre, Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça. Para pobres como eles, não havia lugar nos hotéis e só sobravam os abrigos de animais, as grutas e os barracos. Mas existiam pobres que, apesar de pobres ficam do lado dos ricos e dos poderosos e desprezam os mais pobres. Maria não era assim. O cântico, feito por ela na casa de Isabel, mostra muito bem de que lado ela escolheu ficar: do lado dos humildes, dos que passam fome e dos que temem a Deus. Além disso, ela se distanciou claramente dos orgulhosos, dos poderosos e dos ricos. Para Maria, ser do povo de Deus significava viver uma vida pobre e assumir a causa dos pobres, que é a causa da justiça e da libertação.

Tudo isso nos ajuda a entender que Maria é aquela Mãe sempre atenta e continuamente pedindo por todos nós fazendo-nos este apelo: confiem, filhinhos queridos na bondade e no amor do Pai.

Deus abençoe a todos.
Com carinho
Frei Rinaldo, osm
www.freirinaldo.com.br

Maria, discípula de Jesus Cristo - Caminho, verdade e vida

01 – MARIA – DISCÍPULA DE JESUS CRISTO, CAMINHO-VERDADE E VIDA (Jo 14, 1-6)

Maria, Mãe de Jesus, foi sua primeira e fiel seguidora, sua discípula dedicada. DISCÍPULO não é ALUNO! Aluno deseja ver as costas do professor! O Discípulo contempla quase o seu Mestre! O Discípulo presta atenção inteligente e carinhosa aos ensinamentos do Mestre! Discípulo SEGUE o Mestre de perto, acompanhando-o em sua vida, em seus caminhos e ensinamentos por exemplos e palavras! Ora, o Mestre de Nazaré apresentou-se claramente como CAMINHO-VERDADE-VIDA! E eu prefiro traduzir suas palavras assim: EU SOU O CAMINHO DA VIDA NA VERDADE (Jo 14, 6).

Pois bem. Maria foi a primeira e mais fiel SEGUIDORA desse Camiho da Vida na Verdade.

01.1 – Maria foi DISCÍPULA no Caminho da VERDADE,

quando descobriu que o fruto de suas entranhas era A PALAVRA VIVA do Deus Vivo FEITA CARNE (Jo 1, 1-14). Por isso, ela disse seu SIM a vida inteira, em Nazaré-Ain-Karin-Egito- Nazaré-Caná-Jerusalém! “Aconteça em mim conforme a tua palavra (Lc l, 38).Assim fazendo, ela mesma aprovou, com sua vida de obediência ao Plano de Amor do Pai, a palavra de seu Filho, quando lhe comunicaram que sua mãe e seu irmãos estavam à sua procura: “Todo aquele que faz a vontade de meu pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e MINHA MÃE” (Mt 12, 46-50). Outra passagem confirmadora é a bem-aventurança de sua mãe pelo próprio Jesus(Lc 11, 27-28).

01.2 – Maria foi DISCÍPULA no Caminho da VIDA,

na intimidade da vida de família em Nazaré. Um dia, foram lhe contar que seu Filho não estava bem da cabeça (Mc 3, 20-21). Chegaram ao ponto de afirmar que ele estava possesso do demônio e que era pelo poder de Beelzebul que Jesus expulsava demônios! (Mc 3, 22-30). Certamente não foi fácil para Maria ser DISCÍPULA de Mestre tão exigente e, por vêzes, até mesmo paradoxal! Basta pensar que este Caminho da Vida passa pela Morte do Calvário! E Maria acompanhou seu Filho no caminho do Gólgota e esteve, como Mãe dolorosa, junto a êle ao pé de sua cruz! (Jo 19, 25-27). Andou acertado o Evangelista Lucas quando nos conta que Maria meditava em seu coração feminino e materno todas as palavras incompreensíveis e todos os gestos estranhos daquele Menino-Mestre, seu Filho! (Lc 3, 41-52). Já fora assim com as palavras do Velho Simeão a respeito de sua criança, no dia da consagração a Deus no Templo de Jerusalém! (Lc 2, 33-35).

Foi assim com as palavras enigmáticas de seu Filho adulto, nas Bodas de Caná (Jo 2,4-5).Maria teve, sem dúvida, de aprender a ser DISCÍPULA deu Filho e Mestre Jesus. Mas, seu aprendizado foi facilitado por sua fidelidade às inspirações do Espírito Santo, que a cobrira com sua sombra, no momento decisivo da encarnação do próprio FILHO DE DEUS ALTÍSSSIMO EM SEU VENTRE VIRGINAL!(Lc 1, 34-35).
Por isso, ela seguiu fielmente seu Filho Jesus, em seus caminhos diferentes dos caminhos dos homens, acompanhando-o em sua imolação ao PAI em favor dos IRMÃOS, tornando-se NOSSA SENHORA DAS DORES!

Mons.João Olímpio Castello Branco – Pároco da Catedral de Limoeiro do Norte – Ceará – 62.930-000 / Praça da Catedral s/n / Telefone: 88.423.1550 /olympius@brisanet.com.br

Nossa Senhora Aparecida - História

Você confere aqui a história da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Os milagres e a descrição do Santuário que é a maior demonstração da fé do povo brasileiro.

O rio Paraíba, que nasce em São Paulo e deságua no litoral fluminense, era limpo e piscoso em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves resgataram a imagem de Nossa Senhora Aparecida de suas águas.
Encarregados de garantir o almoço do conde de Assumar, então governador da província de São Paulo, que visitava a Vila de Guaratinguetá, eles subiam o rio e lançavam as redes sem muito sucesso próximo ao porto de Itaguaçu, até que recolheram o corpo da imagem. Na segunda tentativa, trouxeram a cabeça e, a partir desse momento, os peixes pareciam brotar ao redor do barco.
Durante 15 anos, Pedroso ficou com a imagem em sua casa, onde recebia várias pessoas para rezas e novenas. Mais tarde, a família construiu um oratório para a imagem, até que em 1735, o vigário de Guaratinguetá erigiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros.
Como o número de fiéis fosse cada vez maior, teve início em 1834 a construção da chamada Basílica Velha. O ano de 1928 marcou a passagem do povoado nascido ao redor do Morro dos Coqueiros a município e, um ano depois, o papa Pio XI proclamava a santa como Rainha do Brasil e sua padroeira oficial.
A necessidade de um local maior para os romeiros era inevitável e em 1955 teve início a construção da Basílica Nova, que em tamanho só perde para a de São Pedro, no Vaticano. O arquiteto Benedito Calixto idealizou um edifício em forma de cruz grega, com 173m de comprimento por 168m de largura; as naves com 40m e a cúpula com 70m de altura, capaz de abrigar 45 mil pessoas.
Os 272 mil metros quadrados de estacionamento comportam 4 mil ônibus e 6 mil carros. Tudo isso para atender cerca de 7 milhões de romeiros por ano.

Nossa Senhora Aparecida - Milagres

Primeiros milagres

Milagre das Velas
Estando a noite serena, repentinamente as duas velas que iluminavam a Santa se apagaram. Houve espanto entre os devotos, e Silvana da Rocha, querendo acendê-las novamente, nem tentou, pois elas acenderam por si mesmas. Este foi o primeiro milagre de Nossa Senhora.

Caem as correntes
Em meados de 1850, um escravo chamado Zacarias, preso por grossas correntes, ao passar pelo Santuário, pede ao feitor permissão para rezar à Nossa Senhora Aparecida. Recebendo autorização, o escravo se ajoelha e reza contrito. As correntes, milagrosamente, soltam-se de seus pulsos deixando Zacarias livre.

O Cavaleiro sem-fé
Um cavaleiro de Cuiabá, passando por Aparecida, ao se dirigir para Minas Gerais, viu a fé dos romeiros e começou a zombar, dizendo, que aquela fé era uma bobagem. Quis provar o que dizia, entrando a cavalo na igreja. Não conseguiu. A pata de seu cavalo se prendeu na pedra da escadaria da igreja ( Basílica Velha ), e o cavaleiro arrependido, entrou na igreja como devoto.

A Menina Cega
Mãe e filha caminhavam às margens do rio Paraíba, quando surpreendentemente a filha cega de nascença comenta surpresa com a mãe : “Mãe como é linda esta igreja” (Basílica Velha).

Menino no Rio
O Pai e o filho foram pescar, durante a pescaria a correnteza estava muito forte e por um descuido o menino caiu no rio e não sabia nadar, a correnteza o arrastava cada vez mais rápido e o pai desesperado pede a Nossa Senhora Aparecida para salvar o menino. De repente o corpo do menino para de ser arrastado, enquanto a forte correnteza continua e o pai salva o menino.

O Caçador
Um caçador estava voltado de sua caçada já sem munição, de repente ele se deparou com uma enorme onça. Ele se viu encurralado e a onça estava prestes a atacar, então o caçador pede desesperado a Nossa Senhora Aparecida por sua vida, a onça vira e vai embora.