{"id":99101,"date":"2026-10-01T17:05:49","date_gmt":"2026-10-01T20:05:49","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=99101"},"modified":"2026-10-01T17:05:49","modified_gmt":"2026-10-01T20:05:49","slug":"a-pedra-angular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-pedra-angular\/","title":{"rendered":"A pedra angular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201ccanto da vinha\u201d do profeta Isa\u00edas e a \u201cpar\u00e1bola dos vinhateiros homicidas\u201d, apresentada no Evangelho de Mateus, constituem a dram\u00e1tica sequ\u00eancia deste domingo (Isa\u00edas 5,1-7, Salmo 79(80), Filipenses 4,6-9 e Mateus 21,33-43). Uma mensagem intensa e cheia de tens\u00f5es que poderia ser sintetizada como a \u201cdesilus\u00e3o de Deus\u201d. Mais vezes na B\u00edblia est\u00e1 presente esta tens\u00e3o ligado ao tema da alian\u00e7a. A alian\u00e7a de Deus com o seu povo exige fidelidade das partes, mas aparecem as mentiras; espera-se retid\u00e3o, mas s\u00e3o cultivadas injusti\u00e7as e viol\u00eancias. Em meio \u00e0s cinzas renasce a esperan\u00e7a por iniciativa de Deus: \u201ca pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A vinha na B\u00edblia \u00e9 s\u00edmbolo transparente de Israel e de sua hist\u00f3ria. Esta hist\u00f3ria com suas tramas de mal e bem, de f\u00e9 e infidelidade est\u00e1 bem retratada em Isa\u00edas, no Salmo e no Evangelho. Em primeiro lugar, o profeta Isa\u00edas descreve o amor dedicado \u00e0 vinha: a escolha do terreno e seu preparo, a qualidade das mudas, a prote\u00e7\u00e3o. A desilus\u00e3o aparece na qualidade das frutas: azedas, isto \u00e9, injusti\u00e7a, derramamento de sangue, opress\u00e3o. Na par\u00e1bola de Mateus, esta vinha perfeita \u00e9 arrendada a vinhateiros. Estes em vez de pagar o arrendamento, matam os empregados e o filho do dono da vinha, apossando-se dela. \u00c9 um retrato da hist\u00f3ria da humanidade onde as marcas das infidelidades, frutos mesquinhos e viol\u00eancias desfiguram a cria\u00e7\u00e3o feita com tanto amor por Deus e dada para ser administrada pelos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando Jesus pergunta aos ouvintes o que o dono da vinha deveria fazer com os vinhateiros homicidas, eles sugerem: \u201cCom certeza mandar\u00e1 matar de modo violento esses perversos e arrendar\u00e1 a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregar\u00e3o os frutos no tempo certo\u201d. Esta \u00e9 a maneira humana de resolver os problemas. Retribuir a viol\u00eancia com viol\u00eancia, o mal com o mal. E o ciclo hist\u00f3rico que vai se repetindo com os mesmos males.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A resposta de Cristo orienta os ouvintes em outra dire\u00e7\u00e3o. \u201cEnt\u00e3o Jesus lhes disse: \u2018V\u00f3s nunca lestes nas Escrituras: a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e \u00e9 maravilhoso aos nossos olhos?\u2019 Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos ser\u00e1 tirado e ser\u00e1 entregue a um povo que produzir\u00e1 frutos\u201d. Jesus, o Filho do dono da vinha, \u00e9 morto e ressuscita. A sua morte \u00e9 premissa e condi\u00e7\u00e3o da vida nova que cria um povo capaz de operar uma rela\u00e7\u00e3o filial com Deus. Ele \u00e9 a nova vinha sobre a qual ser\u00e1 constru\u00eddo um povo que produzir\u00e1 frutos. Existe sempre na hist\u00f3ria um pequeno grupo fiel que n\u00e3o desilude a esperan\u00e7a que Deus nutre na rela\u00e7\u00e3o com os humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O dinamismo da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 duplo: sup\u00f5e o empenho do agricultor que planta e cuida da vinha e como resposta a vinha d\u00e1 os seus frutos. A gra\u00e7a e as obras se interligam na harmonia de um di\u00e1logo. A vinha com frutos azedos n\u00e3o tem sentido e por isso sofre o ju\u00edzo. S\u00e3o Paulo, ao final da carta aos filipenses, elenca oito virtudes a serem buscadas e perseguidas para que o crist\u00e3o produza bons frutos. \u201cQuanto ao mais, irm\u00e3os, ocupai-vos com tudo o que \u00e9 verdadeiro, respeit\u00e1vel, justo, puro, am\u00e1vel, honroso, tudo o que \u00e9 virtude ou qualquer modo mere\u00e7a louvor\u201d. As primeiras quatro indicam valores \u00e9ticos e espirituais, as outras quatro, agrupadas duas a duas, sublinham mais o aspecto p\u00fablico e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conclui a carta apresentando-se como exemplo a ser seguido e com uma b\u00ean\u00e7\u00e3o: \u201cAssim o Deus da paz estar\u00e1 convosco\u201d. Com Cristo somos tudo e podemos fazer tudo, sem ele somos vazios e condenados ao insucesso. \u201cEu sou a videira, e v\u00f3s sois os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse d\u00e1 muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer\u201d (Jo 15,5). Queremos ser esta vinha produtiva de fabulosos frutos que Jesus nos tornou capazes de produzir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201ccanto da vinha\u201d do profeta Isa\u00edas e a \u201cpar\u00e1bola dos vinhateiros homicidas\u201d, apresentada no Evangelho de Mateus, constituem a dram\u00e1tica sequ\u00eancia deste domingo (Isa\u00edas 5,1-7, Salmo 79(80), Filipenses 4,6-9 e Mateus 21,33-43). Uma mensagem intensa e cheia de tens\u00f5es que poderia ser sintetizada como a \u201cdesilus\u00e3o de Deus\u201d. Mais vezes na B\u00edblia est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":55821,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-99101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":99103,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99101\/revisions\/99103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}