{"id":98885,"date":"2026-08-26T09:57:03","date_gmt":"2026-08-26T12:57:03","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98885"},"modified":"2026-09-02T12:57:59","modified_gmt":"2026-09-02T15:57:59","slug":"jesus-deve-sofrer-muito-ser-morto-e-ressuscitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jesus-deve-sofrer-muito-ser-morto-e-ressuscitar\/","title":{"rendered":"Jesus deve sofrer muito, ser morto e ressuscitar!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Se no domingo passado fomos convidados a olhar para o interior das nossas comunidades e examinar se a nossa f\u00e9 \u00e9 um encontro vivo com Cristo ou apenas uma estrutura burocr\u00e1tica, o Evangelho deste XXII Domingo do Tempo Comum conduz a nossa reflex\u00e3o eclesial a um n\u00edvel ainda mais exigente e incisivo. Logo ap\u00f3s Sim\u00e3o Pedro professar a f\u00e9 e ser constitu\u00eddo rocha da Igreja, Jesus come\u00e7a a revelar o caminho que o espera: ir a Jerusal\u00e9m, sofrer muito, ser morto e ressuscitar. \u00c9 exatamente nesse ponto que a comunidade dos disc\u00edpulos entra em crise. Pedro toma Jesus \u00e0 parte e o repreende: <em>&#8220;Deus n\u00e3o permita tal coisa, Senhor! Isso nunca te h\u00e1 de acontecer!&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rea\u00e7\u00e3o de Pedro n\u00e3o \u00e9 apenas uma fraqueza individual, \u00e9 a tenta\u00e7\u00e3o de toda a Igreja ao longo da hist\u00f3ria, a tenta\u00e7\u00e3o de querer uma comunidade crist\u00e3 sem a Cruz, uma pastoral de sucessos sem sacrif\u00edcio, um cristianismo de conforto, aplausos e estruturas gloriosas, mas sem o custo do dom da pr\u00f3pria vida. A resposta de Jesus a Pedro \u00e9 uma das mais severas de todo o Evangelho: <em>&#8220;Vai para tr\u00e1s de mim, Satan\u00e1s! Tu \u00e9s para mim uma pedra de trope\u00e7o, porque n\u00e3o pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Jesus diz <em>&#8220;vai para tr\u00e1s de mim&#8221;<\/em>, Ele n\u00e3o est\u00e1 expulsando Pedro da comunidade. Na linguagem b\u00edblica, ir para tr\u00e1s significa retomar a posi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulo. A Igreja comete um erro grav\u00edssimo quando tenta ir \u00e0 frente de Cristo, ditando ao Mestre como Ele deve salvar o mundo. Quando a nossa pastoral busca a efici\u00eancia humana, o prest\u00edgio social e a autopreserva\u00e7\u00e3o antes do compromisso com os sofredores, n\u00f3s nos tornamos, como Pedro, pedras de trope\u00e7o para o Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Primeira Leitura, o profeta Jeremias (Jr 20, 7-9) expressa a dor de quem foi &#8220;seduzido&#8221; por Deus e precisa anunciar a verdade em meio \u00e0 incompreens\u00e3o e ao esc\u00e1rnio da sociedade. A verdadeira miss\u00e3o eclesial incomoda, gera resist\u00eancia e exige ren\u00fancia. Como nos exorta S\u00e3o Paulo na Segunda Leitura (Rm 12, 1-2), a Igreja n\u00e3o pode se &#8220;conformar com este mundo&#8221;, moldando sua mensagem ao gosto da cultura dominante para evitar o conflito ou a rejei\u00e7\u00e3o. Diante disso, Jesus apresenta \u00e0 comunidade tr\u00eas atitudes fundamentais para o seguimento eclesial e pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira constitui-se essencialmente como ren\u00fancia, a partir da qual podemos entender que para a nossa par\u00f3quia e nossos movimentos, renunciar significa abandonar o auto-referencialismo, as vaidades em torno aos cargos, os ci\u00fames pastorais e a busca por aplausos. Uma Igreja que serve a si mesma perde a sua raz\u00e3o de ser. A segunda atitude fundamental consolida-se como um abra\u00e7o sincero da Cruz, por meio da qual assumimos com coragem os desgastes dos servi\u00e7os, a paci\u00eancia no acolhimento dos mais dif\u00edceis, a persegui\u00e7\u00e3o quando defendemos a justi\u00e7a e a fidelidade ao Evangelho mesmo quando o mundo nos ridiculariza. Por fim, a terceira atitude valida-se definitivamente atrav\u00e9s do seguimento, pois a Cruz n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, mas o caminho inevit\u00e1vel da doa\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 vit\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus irm\u00e3os e minhas irm\u00e3s, a l\u00f3gica do Evangelho \u00e9 paradoxal: a comunidade que tenta &#8220;salvar a sua vida&#8221;, fechando-se em suas seguran\u00e7as, preservando seus recursos e evitando o desgaste do an\u00fancio mission\u00e1rio, acaba por se esvaziar e morrer na sua pr\u00f3pria esterilidade. Mas a comunidade que &#8220;perde a sua vida&#8221; por amor a Cristo e aos irm\u00e3os, doando seu tempo, sua energia e suas portas para os marginalizados, encontra a vida em abund\u00e2ncia. Pe\u00e7amos nesta Eucaristia a gra\u00e7a de ser uma Igreja corajosa. Que o Senhor nos livre da tenta\u00e7\u00e3o de um Evangelho facilitado e nos d\u00ea a maturidade de caminhar atr\u00e1s d&#8217;Ele, abra\u00e7ando a Cruz do servi\u00e7o di\u00e1rio, para que possamos testemunhar ao mundo a verdadeira gl\u00f3ria do Ressuscitado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se no domingo passado fomos convidados a olhar para o interior das nossas comunidades e examinar se a nossa f\u00e9 \u00e9 um encontro vivo com Cristo ou apenas uma estrutura burocr\u00e1tica, o Evangelho deste XXII Domingo do Tempo Comum conduz a nossa reflex\u00e3o eclesial a um n\u00edvel ainda mais exigente e incisivo. 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