{"id":98626,"date":"2026-08-02T09:28:26","date_gmt":"2026-08-02T12:28:26","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98626"},"modified":"2026-08-12T14:29:14","modified_gmt":"2026-08-12T17:29:14","slug":"o-alimento-da-vida-eterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-alimento-da-vida-eterna\/","title":{"rendered":"O ALIMENTO DA VIDA ETERNA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos os olhos, \u00f3 Senhor, em v\u00f3s esperam e v\u00f3s lhes dais no tempo certo o alimento\u201d. Esta ora\u00e7\u00e3o do salmista ecoa em nossos cora\u00e7\u00f5es a grande verdade: Deus \u00e9 o sustento de nossas vidas. Aqui est\u00e1 a centralidade da liturgia do 18\u00b0 Domingo do Tempo Comum, pois nos faz clamar com a confian\u00e7a de que o Senhor nos atende e nos d\u00e1 o alimento de que necessitamos: seu Corpo e Sangue na Eucaristia. At\u00e9 agora, n\u00f3s nos t\u00ednhamos preparado com o Evangelho de Mateus e as par\u00e1bolas que nos falavam do Reino dos C\u00e9us. Ap\u00f3s tantos ensinamentos, Jesus d\u00e1 o testemunho pr\u00e1tico do que se trata esse Reino que tanto mencionou. A multid\u00e3o faminta nos recorda o povo da antiga alian\u00e7a, que tamb\u00e9m, no deserto, sentiu fome e foi saciada com o man\u00e1. Jesus \u00e9 o novo Mois\u00e9s; por\u00e9m, agora, n\u00e3o d\u00e1 mais um p\u00e3o que precisa ser recolhido todos os dias por voltarem a estar famintos. Ele \u00e9 o P\u00e3o da Vida, e quem D\u2019Ele comer nunca mais ter\u00e1 fome (cf. Jo 6,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura \u2013 Is 55,1-3 \u2013 proclama a liberta\u00e7\u00e3o vindoura. Localizada na profecia do trecho chamado pelos exegetas de Deutero-Isa\u00edas, a passagem trata de animar o povo exilado na Babil\u00f4nia a fim de prepar\u00e1-los para o retorno \u00e0 sua terra. Enquanto alguns j\u00e1 n\u00e3o viam mais perspectivas de se verem livres do ex\u00edlio, o profeta surge com voz forte para anunciar a boa-nova que confere raz\u00f5es para que o povo volte e reconstrua Jerusal\u00e9m. Um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria est\u00e1 para ser escrito: \u00e9 a era da liberta\u00e7\u00e3o, na qual n\u00e3o haver\u00e1 mais d\u00edvidas, fome e escassez, e quem conceder\u00e1, a partir da renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a, a gra\u00e7a da abund\u00e2ncia ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deus. Nesse pacto eterno, o Senhor convoca a n\u00f3s tamb\u00e9m para o seu banquete e nos sinaliza para que n\u00e3o gastemos nossos bens com futilidades passageiras (cf. Is 55,2); faz-se urgente buscar o que permanece e o que somente pode saciar a nossa fome e sede de vida plena. Deus nos oferece um grande dom, abre a sua m\u00e3o e sacia os seus filhos (cf. Sl 144,16); portanto, observemos hoje se ainda estamos desperdi\u00e7ando nosso tempo, dinheiro e talentos com aquilo que n\u00e3o vale a pena. Como na par\u00e1bola do tesouro escondido, que ouvimos no domingo passado, vendamos tudo o mais que temos para adquirir esse precioso bem: o Reino dos C\u00e9us.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus por seu povo \u00e9 eterno. Na leitura de S\u00e3o Paulo aos Romanos \u2013 Rm 8,35.37-39 \u2013, animamos o nosso esp\u00edrito porque nada pode nos separar desse amor. Diante dos desafios, sofrimentos e persegui\u00e7\u00f5es, podemos at\u00e9 nos sentirmos debilitados e tentados a desistir. Nessas horas, a Palavra \u00e9 o alimento espiritual para que recuperemos as for\u00e7as e sigamos anunciando o Reino sem medo. Deus \u00e9 amor e nos envolve em seu amor que tem rosto e nome: Jesus Cristo. Ele nos observa da maneira como v\u00ea a multid\u00e3o: \u201cencheu-se de compaix\u00e3o por eles e curou os que estavam doentes\u201d (Mt 14,14b). Sim, em nosso meio h\u00e1 muitos que necessitam de cura f\u00edsica e espiritual; qui\u00e7\u00e1 ainda nem conta temos de que precisamos ser curados. Portanto, olhemos para Jesus: Ele nos olha, nos ama e quer-nos livres. Por isso, antecipa-se e vem ao nosso encontro, cura-nos de nossas fraquezas e protege-nos dos perigos e de tudo aquilo que quer nos separar do seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da cura, receberemos o alimento sagrado, o p\u00e3o da Eucaristia. Os disc\u00edpulos recordam Jesus de que a hora j\u00e1 era adiantada, pois certamente Nosso Senhor estava t\u00e3o focado na miss\u00e3o que sequer percebeu o tempo passar. Quando fazemos o que amamos, por mais que isso nos custe horas de trabalho intenso e sem descanso, n\u00e3o sofremos; pelo contr\u00e1rio, enchemo-nos de gratid\u00e3o. Jesus, t\u00e3o dedicado ao cuidado pastoral da multid\u00e3o, n\u00e3o quer mand\u00e1-los embora sem alimento. Os disc\u00edpulos ainda n\u00e3o compreenderam que o Reino de que tanto ouviram falar j\u00e1 come\u00e7a a acontecer aqui e agora, com o pouco que podemos oferecer. Jesus manda dar de comer, mas conta com o nosso esfor\u00e7o e transforma o pouco em abund\u00e2ncia, pois, \u201cn\u00e3o podemos fazer grandes coisas \u2013 diz Santa Teresa de Calcut\u00e1 \u2013, mas podemos fazer pequenas coisas com grande amor\u201d. Diante de tantas indiferen\u00e7as e mis\u00e9rias humanas, como crist\u00e3os temos por dever oferecer aos mais necessitados aquilo que podemos para saciar a sua fome material e, especialmente, a fome de sentido e de plenitude que somente a Eucaristia pode dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As a\u00e7\u00f5es do Senhor, antes de repartir o p\u00e3o e os peixes, s\u00e3o as mesmas da \u00daltima Ceia e que at\u00e9 hoje celebramos em cada missa: \u201cErgueu os olhos para o c\u00e9u e pronunciou a b\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d (Mt 14,19b). O p\u00e3o material reverbera no milagre maior: o p\u00e3o eucar\u00edstico do qual todos s\u00e3o convidados a comer. Na sequ\u00eancia de <strong><em>Corpus Christi<\/em><\/strong>, composta por Santo Tom\u00e1s de Aquino, cantamos: \u201ctoma-o um, tomam-no mil, tanto este quanto aquele, mas n\u00e3o se esgota quando o tomam\u201d; portanto, a Eucaristia n\u00e3o se acaba. Pelo contr\u00e1rio, o milagre alimenta a multid\u00e3o, todos comem e se satisfazem, e ainda sobram 12 cestos cheios, indicando a plenitude. Quanto mais queremos desse p\u00e3o, melhor necessitamos estar dispostos a receb\u00ea-lo; por isso, nos preparamos com a Confiss\u00e3o sacramental. Os efeitos da Eucaristia na alma ser\u00e3o t\u00e3o mais bem vivenciados quanto melhor estivermos preparados. Portanto, n\u00e3o nos cansemos de buscar a reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, que \u00e9 miseric\u00f3rdia e sempre nos perdoa. Igualmente, munamo-nos de ora\u00e7\u00f5es diversas que, antes da Santa Missa, ajudam-nos a, de cora\u00e7\u00e3o humilde, resguardarmo-nos para acolher t\u00e3o sublime sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste 18\u00b0 domingo do Tempo Comum, a Liturgia da Palavra \u00e9 um convite irrecus\u00e1vel a reconhecermos em Jesus o verdadeiro alimento que restaura, cura e preenche o vazio da nossa exist\u00eancia. N\u00e3o somos chamados a ser meros espectadores do milagre da multiplica\u00e7\u00e3o, mas participantes ativos que colocam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Senhor o seu pouco para que Ele o transforme em abund\u00e2ncia na vida dos irm\u00e3os. Que ao nos aproximarmos da mesa eucar\u00edstica, devidamente preparados pela reconcilia\u00e7\u00e3o e pela ora\u00e7\u00e3o, deixemo-nos inflamar por essa compaix\u00e3o divina, tornando-nos tamb\u00e9m n\u00f3s, no mundo, sinais vivos da generosidade e do amor de Deus que jamais se esgota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTodos os olhos, \u00f3 Senhor, em v\u00f3s esperam e v\u00f3s lhes dais no tempo certo o alimento\u201d. Esta ora\u00e7\u00e3o do salmista ecoa em nossos cora\u00e7\u00f5es a grande verdade: Deus \u00e9 o sustento de nossas vidas. 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