{"id":98607,"date":"2026-08-09T09:16:19","date_gmt":"2026-08-09T12:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98607"},"modified":"2026-08-12T14:17:24","modified_gmt":"2026-08-12T17:17:24","slug":"na-brisa-suave-deus-fala-ao-nosso-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/na-brisa-suave-deus-fala-ao-nosso-coracao\/","title":{"rendered":"Na Brisa Suave Deus Fala ao nosso cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>\u00a019\u00ba Domingo do Tempo Comum<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma alegria simples nos visita neste 19\u00ba. Domingo do Tempo Comum, a alegria de nos reunirmos, onde quer que estejamos, para escutar a Palavra que n\u00e3o cansa de nos procurar. De norte a sul deste pa\u00eds, nas capelas do interior da Amaz\u00f4nia legal, nas par\u00f3quias e pequenas capelas das grandes metr\u00f3poles e nas comunidades ribeirinhas ou rurais, somos hoje convidados a fazer o mesmo caminho de Elias: subir ao monte, silenciar o cora\u00e7\u00e3o e reconhecer, em meio ao barulho da vida, a presen\u00e7a mansa do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Deus que n\u00e3o est\u00e1 no ru\u00eddo: <\/strong>A primeira leitura \u2013 1Rs 19,9a.11-13a \u2013 apresenta-nos um Elias cansado, fugitivo, refugiado numa gruta no monte Horeb. Ele espera encontrar Deus no espet\u00e1culo, no vento impetuoso que despeda\u00e7a rochas, no terremoto que sacode a terra, no fogo que consome tudo. Mas o texto sagrado \u00e9 claro e surpreendente: o Senhor n\u00e3o estava em nenhuma dessas manifesta\u00e7\u00f5es grandiosas. Ele se revelou apenas depois, num sussurro, numa leve brisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes n\u00f3s, brasileiros, tamb\u00e9m esperamos que Deus se manifeste no espalhafato, na solu\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, no milagre vis\u00edvel e ruidoso! O motorista de aplicativo que enfrenta o tr\u00e2nsito das metr\u00f3poles por doze horas di\u00e1rias, a costureira que corre contra o prazo em uma pequena confec\u00e7\u00e3o de grande cidade, o agricultor familiar que lida com a seca no sert\u00e3o nordestino ou com a geada no sul: todos eles conhecem bem o vento forte, o terremoto e o fogo das dificuldades cotidianas. E, no entanto, \u00e9 frequentemente numa pausa singela, no sil\u00eancio de uma noite ap\u00f3s um dia exaustivo, que a voz de Deus se faz ouvir com mais clareza no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso tamb\u00e9m na senhora que aguarda o resultado de um exame m\u00e9dico numa fila de posto de sa\u00fade, ou no jovem que busca seu primeiro emprego enviando curr\u00edculos sem resposta. A ansiedade grita como vento impetuoso, mas \u00e9 preciso, como Elias, cobrir o rosto e ficar \u00e0 entrada da pr\u00f3pria gruta interior, disposto a escutar. O Salmo responsorial deste domingo nos ensina exatamente isso: &#8220;Quero ouvir o que o Senhor ir\u00e1 falar, \u00e9 a paz que ele vai anunciar&#8221; (Sl 84(85),9). A paz de Deus n\u00e3o grita, ela sussurra, mas transforma tudo o que toca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A dor que se transforma em intercess\u00e3o<\/strong>: Na segunda leitura \u2013 Rm 9,1-5 \u2013 encontramos um Paulo tomado de tristeza profunda pelo destino de seu povo. Ele chega a desejar ser segregado por Cristo em favor dos seus irm\u00e3os de sangue. \u00c9 uma passagem que revela algo essencial da f\u00e9 crist\u00e3: amar de verdade d\u00f3i, e a dor pelo outro \u00e9 sinal de que amamos como Jesus amou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas fam\u00edlias brasileiras vivem essa mesma dor de Paulo em rela\u00e7\u00e3o a um filho que se distanciou da f\u00e9, a um irm\u00e3o que enfrenta a depend\u00eancia qu\u00edmica, a um parente que sofre injustamente! O comerciante que reza pelo filho desempregado, a m\u00e3e que acende uma vela por um neto que caminha por estradas perigosas, o professor que se preocupa com um aluno que falta \u00e0s aulas por precisar trabalhar cedo demais: todos participam, sem saber, dessa intercess\u00e3o apost\u00f3lica que Paulo nos ensina. Amar \u00e9 carregar o outro no cora\u00e7\u00e3o, mesmo quando ele parece distante ou perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pedro, o medo e a m\u00e3o que salva: <\/strong>Chegamos ao Evangelho \u2013 Mt 14,22-33 \u2013 talvez uma das cenas mais humanas e mais brasileiras de todo o Novo Testamento, ainda que tenha se passado \u00e0s margens do mar da Galileia. Os disc\u00edpulos enfrentam uma noite de vento contr\u00e1rio, a barca sacudida pelas ondas, o medo diante daquilo que n\u00e3o compreendem. Jesus vem ao encontro deles caminhando sobre o mar, e Pedro, num gesto de f\u00e9 impulsiva, pede para ir tamb\u00e9m. Ele come\u00e7a a andar sobre a \u00e1gua, mas ao sentir o vento, o medo o vence, e come\u00e7a a afundar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem, entre n\u00f3s, nunca viveu esse momento de Pedro? O pequeno empres\u00e1rio que abre um neg\u00f3cio com f\u00e9 e coragem, mas ao primeiro sinal de crise sente o medo apertar o peito. A fam\u00edlia que enfrenta uma enchente, t\u00e3o comum em tantas cidades brasileiras nos meses de ver\u00e3o, e v\u00ea a \u00e1gua subindo enquanto tenta manter a esperan\u00e7a. O estudante que, depois de meses de dedica\u00e7\u00e3o a um concurso ou vestibular, come\u00e7a a duvidar de si mesmo na v\u00e9spera da prova. Todos n\u00f3s, em algum momento, caminhamos com os olhos fixos em Jesus, e de repente olhamos para o vento e para as ondas, e come\u00e7amos a afundar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a boa not\u00edcia deste Evangelho \u00e9 justamente esta: Jesus n\u00e3o deixa Pedro se afundar. &#8220;Jesus logo estendeu a m\u00e3o, segurou Pedro&#8221; (Mt 14,31). N\u00e3o h\u00e1 reprova\u00e7\u00e3o definitiva, h\u00e1 um chamado \u00e0 confian\u00e7a maior. \u00c9 a mesma m\u00e3o que se estende hoje sobre cada lar brasileiro que enfrenta dificuldades financeiras, sobre cada trabalhador que teme o desemprego, sobre cada jovem que busca um sentido para a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma Igreja que ouve e que estende a m\u00e3o: <\/strong>Estas leituras nos convidam a duas atitudes complementares. Primeiro, aprender com Elias a buscar Deus no sil\u00eancio cotidiano: na ora\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 antes do trabalho, no ter\u00e7o rezado no transporte p\u00fablico, na gratid\u00e3o simples antes das refei\u00e7\u00f5es. Segundo, aprender com Pedro que a f\u00e9 n\u00e3o elimina o medo, mas nos ensina a gritar por socorro e a confiar na m\u00e3o que sempre se estende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Igreja, somos chamados a ser essa m\u00e3o estendida para tantos brasileiros que hoje enfrentam suas pr\u00f3prias tempestades, sejam elas financeiras, familiares ou de sa\u00fade. Cada gesto de solidariedade, cada institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica que acolhe o doente, cada comunidade que caminha com quem sofre, \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o viva desse gesto de Jesus na barca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que este domingo nos encontre, ent\u00e3o, dispostos a silenciar o ru\u00eddo das nossas pr\u00f3prias tempestades para escutar a brisa suave de Deus, e com a coragem de dizer, como Pedro, &#8220;Senhor, salva-me!&#8221;, certos de que a m\u00e3o que nos socorre nunca falha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Nossa Senhora, m\u00e3e de todos os brasileiros, interceda por n\u00f3s e nos ajude a caminhar com f\u00e9, mesmo quando o vento parecer contr\u00e1rio. E que a paz do Senhor, aquela que se anuncia no sussurro habite cada lar deste pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a019\u00ba Domingo do Tempo Comum Uma alegria simples nos visita neste 19\u00ba. 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