{"id":98431,"date":"2026-08-02T09:22:34","date_gmt":"2026-08-02T12:22:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98431"},"modified":"2026-07-30T14:24:04","modified_gmt":"2026-07-30T17:24:04","slug":"a-fartura-que-vem-de-deus-18o-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-fartura-que-vem-de-deus-18o-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"A Fartura que Vem de Deus 18\u00ba Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste 18\u00ba Domingo do Tempo Comum a liturgia nos apresenta uma das cenas mais belas e mais repetidas ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: a de um Deus que n\u00e3o se cansa de alimentar seu povo. \u00c9 uma alegria enorme poder, mais uma vez, sentar-nos \u00e0 mesa da Palavra e reconhecer ali o rosto de um Pai que nunca abandona seus filhos \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura \u2013 Is 55,1-3 \u2013 abre-se com um convite que atravessa os s\u00e9culos e continua ressoando com for\u00e7a total nos dias de hoje. O profeta fala em nome do pr\u00f3prio Senhor, dizendo a todo aquele que tem sede que venha \u00e0s \u00e1guas, e a quem n\u00e3o tem dinheiro que venha comer e beber sem pagamento algum. \u00c9 de causar espanto: num mundo antigo, e tamb\u00e9m no mundo de hoje, tudo tem pre\u00e7o, tudo se compra e se vende. Deus, por\u00e9m, oferece de gra\u00e7a aquilo que realmente sacia. Ele nos convida a n\u00e3o gastar nossas for\u00e7as, nosso tempo e nossa energia com aquilo que n\u00e3o alimenta verdadeiramente o cora\u00e7\u00e3o. Quantas vezes corremos atr\u00e1s de coisas que prometem satisfa\u00e7\u00e3o e nos deixam ainda mais vazios. O profeta nos chama de volta \u00e0 fonte certa: inclinai o ouvido e vinde a mim, diz o Senhor, e tereis vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo responsorial, tirado do Sl 144(145),8-9.15-18, continua essa mesma melodia de confian\u00e7a. Ali cantamos que o Senhor \u00e9 miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, que sua ternura abra\u00e7a toda criatura, e que ele abre a m\u00e3o prodigamente para saciar todo ser vivo. \u00c9 uma imagem que toca profundamente quem trabalha diariamente ao lado de pessoas fragilizadas, doentes, necessitadas de cuidado e de esperan\u00e7a. Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus distante, calculista, que mede o quanto vai dar. Ele abre a m\u00e3o com generosidade, como faz uma m\u00e3e ou um pai que n\u00e3o sabe recusar p\u00e3o ao filho que tem fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura, Rm 8,35.37-39, traz a certeza que sustenta toda vida crist\u00e3 diante das dificuldades. S\u00e3o Paulo pergunta o que poderia nos separar do amor de Cristo, e enumera tribula\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia, persegui\u00e7\u00e3o, fome, perigo. Ele j\u00e1 havia experimentado tudo isso na pr\u00f3pria pele. E conclui, com uma for\u00e7a que atravessa gera\u00e7\u00f5es, que nada, nem a morte, nem a vida, nem qualquer poder deste mundo ser\u00e1 capaz de nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus. Esta \u00e9 uma palavra que precisa ressoar com particular intensidade em nosso tempo, marcado por tantas incertezas, por crises econ\u00f4micas, por solid\u00e3o, por doen\u00e7as que atingem corpo e esp\u00edrito. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o promete uma vida sem dificuldades, mas garante que em meio a todas elas n\u00f3s continuamos amados e sustentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E chegamos ao Evangelho, Mt 14,13-21, no qual encontramos talvez a mais tocante manifesta\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o divina. Jesus, ao saber da morte de Jo\u00e3o Batista, buscava um momento de sil\u00eancio, um lugar deserto para rezar e refazer as for\u00e7as. Mas as multid\u00f5es o seguiram, e ele, em vez de se afastar, encheu-se de compaix\u00e3o por elas. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica fundamental do cora\u00e7\u00e3o de Cristo: mesmo diante da pr\u00f3pria dor, ele se abre ao sofrimento do outro. Quando a hora se adianta e os disc\u00edpulos sugerem que a multid\u00e3o v\u00e1 embora buscar comida, Jesus responde com uma frase que continua interpelando toda comunidade crist\u00e3 at\u00e9 hoje: dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos, assustados, apontam para a escassez: s\u00f3 temos cinco p\u00e3es e dois peixes. E ali reside o cora\u00e7\u00e3o do milagre. Jesus n\u00e3o faz surgir comida do nada, ignorando o que j\u00e1 existia. Ele pega o pouco que os disc\u00edpulos tinham, ergue os olhos ao c\u00e9u, pronuncia a b\u00ean\u00e7\u00e3o e o entrega de volta para ser distribu\u00eddo. O milagre acontece justamente na partilha daquilo que parecia insuficiente. E a multid\u00e3o, mais de cinco mil homens sem contar mulheres e crian\u00e7as, come e fica satisfeita, sobrando ainda doze cestos cheios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta p\u00e1gina do Evangelho tem uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria para iluminar a vida das nossas comunidades, das nossas fam\u00edlias, dos nossos ambientes de trabalho e de miss\u00e3o. Quantas vezes nos sentimos como aqueles disc\u00edpulos, olhando para os problemas ao redor e pensando que os recursos que temos s\u00e3o pequenos demais diante da necessidade t\u00e3o grande. Poucas m\u00e3os para tanto trabalho, poucos recursos para tanta gente que precisa de cuidado, pouca for\u00e7a para enfrentar tantos desafios. O Evangelho nos ensina algo simples e profundo: o que importa n\u00e3o \u00e9 a quantidade que temos, mas a disposi\u00e7\u00e3o de colocar o pouco nas m\u00e3os de Deus e distribu\u00ed-lo com generosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada institui\u00e7\u00e3o, cada fam\u00edlia, cada equipe que se dedica a servir o pr\u00f3ximo, seja na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, na assist\u00eancia social ou em qualquer forma de caridade organizada, vive constantemente esta experi\u00eancia da multiplica\u00e7\u00e3o. O que parece escasso, quando oferecido com f\u00e9 e compartilhado com amor, torna-se suficiente e ainda sobra para outros. \u00c9 este o segredo profundo revelado pelo Evangelho de hoje: Deus multiplica aquilo que colocamos generosamente em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convido cada um de voc\u00eas, onde quer que esteja lendo estas palavras, a fazer o mesmo gesto dos disc\u00edpulos. Trazer a Jesus o pouco que possui, o pouco tempo, o pouco talento, os poucos recursos, e confiar que, bendito por ele, isso se tornar\u00e1 b\u00ean\u00e7\u00e3o para muitos. N\u00e3o fiquemos paralisados pela sensa\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia. Como diz o profeta Isa\u00edas, o convite \u00e9 para vir sem medo, mesmo sem ter muito para oferecer, porque quem alimenta verdadeiramente \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que este domingo nos renove o desejo de ser, como a Igreja sempre foi chamada a ser, sinal vis\u00edvel da compaix\u00e3o de Cristo diante das multid\u00f5es cansadas e necessitadas do nosso tempo. Que cada gesto de partilha, cada m\u00e3o estendida, cada trabalho realizado com amor se torne, como os cinco p\u00e3es e os dois peixes, instrumento de uma multiplica\u00e7\u00e3o que s\u00f3 Deus sabe realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos em frente, com esperan\u00e7a e com os olhos voltados para o c\u00e9u, como fez Jesus antes de partir o p\u00e3o. Que o Senhor continue abrindo sua m\u00e3o sobre cada um de n\u00f3s, saciando nossa sede mais profunda e nos enviando, como disc\u00edpulos mission\u00e1rios, para alimentar quem tem fome, consolar quem sofre e anunciar, com a pr\u00f3pria vida, que nada nos separa do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a Virgem Maria Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, mulher da partilha e do servi\u00e7o, interceda por todos n\u00f3s. E que a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor des\u00e7a sobre cada fam\u00edlia, cada comunidade e cada obra de caridade, para que todos sejam um, como reza o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, no cap\u00edtulo dezessete, vers\u00edculo vinte e um.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste 18\u00ba Domingo do Tempo Comum a liturgia nos apresenta uma das cenas mais belas e mais repetidas ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: a de um Deus que n\u00e3o se cansa de alimentar seu povo. \u00c9 uma alegria enorme poder, mais uma vez, sentar-nos \u00e0 mesa da Palavra e reconhecer ali o rosto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55819,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-98431","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98432,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98431\/revisions\/98432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}