{"id":98283,"date":"2026-07-23T14:03:35","date_gmt":"2026-07-23T17:03:35","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98283"},"modified":"2026-07-23T14:03:35","modified_gmt":"2026-07-23T17:03:35","slug":"rostos-gravados-nas-maos-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rostos-gravados-nas-maos-de-deus\/","title":{"rendered":"Rostos Gravados nas M\u00e3os de Deus"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Um novo olhar sobre a Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o VI Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos<\/em><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, h\u00e1 uma imagem na mensagem do Papa Le\u00e3o XIV que me acompanha desde que a li pela primeira vez, e que gostaria de partilhar convosco como ponto de partida desta reflex\u00e3o. O Santo Padre recorda que Deus traz os nossos rostos gravados nas palmas das m\u00e3os, conforme lemos em Isa\u00edas 49,16. Gravados, n\u00e3o escritos a l\u00e1pis, n\u00e3o anotados numa lista que pode ser perdida ou esquecida num canto de gaveta. Gravados na pr\u00f3pria carne, de forma permanente, como uma cicatriz que nunca se apaga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso em quantas vezes, ao longo dos anos de minist\u00e9rio episcopal em Maring\u00e1 e em Toledo, ouvi de idosos a mesma queixa silenciosa, ainda que raramente dita em voz alta: sinto que j\u00e1 n\u00e3o sirvo para nada, sinto que estou apenas ocupando espa\u00e7o. \u00c9 a ang\u00fastia que o pr\u00f3prio Isa\u00edas descreve no cap\u00edtulo 49, vers\u00edculo 14, quando o povo exclama que o Senhor o abandonou e se esqueceu dele. Uma ang\u00fastia antiga como a humanidade, mas que hoje se agrava numa sociedade que mede o valor das pessoas pela sua utilidade produtiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O v\u00e9u que cobre os rostos<\/strong><strong>: <\/strong>Uma das express\u00f5es mais fortes da mensagem papal \u00e9 a imagem do v\u00e9u que se estende sobre a exist\u00eancia de muitos idosos, esbatendo as fei\u00e7\u00f5es dos rostos e relegando-os ao esquecimento. \u00c9 uma imagem que interpela profundamente a nossa cultura. Vivemos rodeados de telas e conex\u00f5es, e ainda assim multiplicamos as formas de esquecimento. Quantos av\u00f3s esperam, semana ap\u00f3s semana, por uma visita que n\u00e3o chega. Quantos idosos em institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia t\u00eam sua identidade reduzida, como bem observa o Papa, ao n\u00famero de um leito ou ao nome de uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, a Palavra de Deus n\u00e3o oferece apenas consolo espiritual, oferece um projeto concreto de vida em comunidade. Se Deus n\u00e3o esquece ningu\u00e9m, a Igreja e a fam\u00edlia s\u00e3o chamadas a ser sinal vis\u00edvel dessa mem\u00f3ria divina. N\u00e3o basta crer que Deus se lembra de cada idoso, \u00e9 preciso que essa certeza se traduza em gestos, em visitas, em tempo dedicado, em presen\u00e7a real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A fragilidade que abre caminhos<\/strong><strong>. <\/strong>Gostaria de destacar, nesta reflex\u00e3o, um convite do Papa Le\u00e3o XIV dirigido diretamente aos idosos e que considero central para compreender o sentido crist\u00e3o da velhice: n\u00e3o tenhais medo da fragilidade. Numa primeira leitura, isso pode parecer apenas palavra de consolo. Mas h\u00e1 algo mais profundo nesta afirma\u00e7\u00e3o. O Santo Padre ensina que a fragilidade, quando aceita com f\u00e9, abre o cora\u00e7\u00e3o ao apoio m\u00fatuo e \u00e0 invoca\u00e7\u00e3o D\u2019Aquele que pode oferecer o que nenhum poder humano consegue garantir, a reconcilia\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es e a paz verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que a velhice, longe de ser um tempo de retirada da miss\u00e3o, pode se tornar um tempo de miss\u00e3o renovada. O idoso que aceita sua fragilidade e a oferece a Deus na ora\u00e7\u00e3o se torna, muitas vezes sem perceber, um instrumento de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o para toda a fam\u00edlia. Recordo aqui a palavra do profeta, retomada pelo Papa: a vossa salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 na convers\u00e3o e em terdes calma, a vossa for\u00e7a est\u00e1 em terdes confian\u00e7a, conforme est\u00e1 escrito em Isa\u00edas 30,15. \u00c9 uma for\u00e7a que n\u00e3o se imp\u00f5e pela arrog\u00e2ncia, mas que se oferece pela serenidade de quem j\u00e1 viveu o suficiente para saber o que realmente importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Renascer \u00e9 sempre poss\u00edvel<\/strong><strong>: <\/strong>H\u00e1 tamb\u00e9m, na mensagem do Papa, uma palavra de esperan\u00e7a para aqueles que chegam \u00e0 velhice sem terem tido, ao longo da vida, uma experi\u00eancia profunda de f\u00e9. O Santo Padre recorda que um homem e uma mulher podem renascer na velhice, \u00e0 maneira do di\u00e1logo de Jesus com Nicodemos em Jo\u00e3o 3,4-6. Isso nos ensina que nunca \u00e9 tarde para come\u00e7ar de novo com Deus. A velhice, com suas perguntas mais urgentes sobre o sentido da vida, pode se tornar precisamente o momento prop\u00edcio para essa nova nascen\u00e7a espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos que caminham nessa fase da vida, quero deixar uma palavra simples e sincera: vosso valor n\u00e3o diminui com os anos, ele se aprofunda. E \u00e0s fam\u00edlias e comunidades, deixo o convite renovado do Papa, para que retomemos o h\u00e1bito de visitar os av\u00f3s, os idosos da fam\u00edlia e aqueles que j\u00e1 n\u00e3o recebem visita alguma, fazendo com que a promessa do profeta se torne encontro concreto de ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que caminhemos todos no Senhor, confiando que nenhum rosto, por mais enrugado ou esquecido que pare\u00e7a aos olhos do mundo, est\u00e1 fora das m\u00e3os de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo olhar sobre a Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o VI Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, h\u00e1 uma imagem na mensagem do Papa Le\u00e3o XIV que me acompanha desde que a li pela primeira vez, e que gostaria de partilhar convosco como ponto de partida desta reflex\u00e3o. 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