{"id":98254,"date":"2026-07-05T09:13:46","date_gmt":"2026-07-05T12:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98254"},"modified":"2026-07-13T14:17:44","modified_gmt":"2026-07-13T17:17:44","slug":"repousemos-nosso-coracao-no-senhor-ressuscitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/repousemos-nosso-coracao-no-senhor-ressuscitado\/","title":{"rendered":"Repousemos nosso cora\u00e7\u00e3o no Senhor Ressuscitado!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">A liturgia deste d\u00e9cimo quarto domingo do Tempo Comum nos coloca diante de um dos ensinamentos mais profundos e consoladores do Evangelho. Na nossa caminhada di\u00e1ria, muitas vezes nos deparamos com o cansa\u00e7o. \u00c9 o peso das responsabilidades familiares, as dificuldades financeiras, as enfermidades que batem \u00e0 nossa porta e, de modo muito particular em nossa sociedade, a dor causada pela viol\u00eancia e pela falta de paz. \u00c9 nesse cen\u00e1rio humano, marcado por tantas cruzes, que a Palavra de Deus vem ao nosso encontro n\u00e3o para nos oferecer solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, mas para nos apontar o verdadeiro lugar de repouso para o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">No Evangelho deste domingo (Mt 11, 25-30), Ele eleva o seu olhar e diz: <i>&#8220;Eu te louvo, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e entendidos e as revelaste aos pequeninos&#8221;<\/i> (Mt 11,25). Precisamos nos perguntar: quem s\u00e3o esses pequeninos que o Senhor tanto exalta? Jesus n\u00e3o est\u00e1 desprezando a intelig\u00eancia humana ou o estudo, mas est\u00e1 nos advertindo contra o orgulho e a autossufici\u00eancia. Os pequeninos s\u00e3o aqueles que, independentemente de sua condi\u00e7\u00e3o social ou grau de instru\u00e7\u00e3o, reconhecem que precisam de Deus. S\u00e3o aqueles cora\u00e7\u00f5es simples, que vemos tantas vezes em nossas par\u00f3quias e comunidades, pessoas que confiam na provid\u00eancia divina diante de tantas vicissitudes. A esses, o Pai revela os mist\u00e9rios do Seu Reino, porque encontram espa\u00e7o em cora\u00e7\u00f5es esvaziados de si mesmos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">Logo em seguida, o Senhor dirige a todos n\u00f3s um convite que ressoa h\u00e1 mais de dois mil anos: <i>&#8220;Vinde a mim, todos v\u00f3s que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso&#8221;<\/i> (Mt 11,28). Jesus nos chama para perto d&#8217;Ele. Como pastor desta por\u00e7\u00e3o do povo de Deus, ando por tantas comunidades e vejo no rosto de muitos irm\u00e3os o reflexo desse cansa\u00e7o. S\u00e3o pais de fam\u00edlia preocupados com o desemprego, m\u00e3es que choram pelos filhos perdidos para as drogas ou para a criminalidade, jovens que buscam um sentido para a vida. Recordemos as mensagens do Papa Le\u00e3o XIV na ilha de Lampedusa neste s\u00e1bado dia 4 consolando as dores dos migrantes. O Senhor nos diz hoje: n\u00e3o carreguem esse peso sozinhos: \u201centreguem a mim as suas ang\u00fastias\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">Essa atitude mansa e acolhedora de Cristo j\u00e1 havia sido anunciada no Antigo Testamento. Na primeira leitura, do livro do profeta Zacarias, cap\u00edtulo 9, vers\u00edculos 9 a 10, o profeta convida o povo \u00e0 esperan\u00e7a: <i>&#8220;Exulta de alegria, filha de Si\u00e3o, solta gritos de j\u00fabilo, filha de Jerusal\u00e9m; eis que o teu rei vem a ti, justo e salvador, pobre, montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta&#8221;<\/i> (Zc 9,9). Vejam que contraste maravilhoso. O mundo espera l\u00edderes que se imponham pela for\u00e7a, pelas armas, pelo poder econ\u00f4mico. Mas o nosso Rei escolhe a simplicidade. O profeta acrescenta no vers\u00edculo 10 que este rei &#8220;destruir\u00e1 os carros de guerra&#8221; e &#8220;anunciar\u00e1 a paz \u00e0s na\u00e7\u00f5es&#8221;. Jesus \u00e9 o Pr\u00edncipe da Paz. E a verdadeira paz que tanto pedimos para as nossas cidades, para os nossos lares e para o nosso pa\u00eds s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada quando deixarmos que essa mansid\u00e3o de Cristo governe as nossas atitudes. A viol\u00eancia n\u00e3o se vence com mais viol\u00eancia, mas com a coragem da fraternidade e do perd\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">\u00c9 por sabermos que Deus age assim, amparando os mais fracos, que n\u00f3s rezamos juntos o Salmo 144 (145). O salmista nos recorda que <i>&#8220;o Senhor \u00e9 clemente e compassivo, paciente e cheio de miseric\u00f3rdia&#8221;<\/i>. E, de forma muito concreta, afirma que <i>&#8220;o Senhor ampara os que caem e endireita os que est\u00e3o curvados&#8221;<\/i>. Se hoje voc\u00ea se sente curvado pelo peso da vida, saiba que a m\u00e3o de Deus est\u00e1 estendida para ergu\u00ea-lo. A gra\u00e7a de Deus n\u00e3o nos isenta das prova\u00e7\u00f5es, mas nos sustenta para n\u00e3o sucumbirmos a elas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">Para vivermos essa din\u00e2mica do Reino, no entanto, precisamos de uma mudan\u00e7a interior. O ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, na segunda leitura, da Carta aos Romanos, cap\u00edtulo 8, vers\u00edculos 9, 11 a 13, nos orienta sobre a necessidade de vivermos no Esp\u00edrito Santo. Ele escreve de forma muito direta: <i>&#8220;V\u00f3s n\u00e3o viveis segundo a carne, mas segundo o Esp\u00edrito, se realmente o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s&#8221;<\/i> (Rm 8,9). Viver &#8220;segundo a carne&#8221;, na linguagem paulina, significa viver fechado no pr\u00f3prio ego\u00edsmo, buscando apenas os interesses particulares e os prazeres passageiros que, no fim, nos deixam mais vazios e exaustos. Por outro lado, viver segundo o Esp\u00edrito \u00e9 deixar que a for\u00e7a que ressuscitou Jesus dentre os mortos \u2013 como diz o vers\u00edculo 11 \u2013 vivifique os nossos corpos e as nossas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 o Esp\u00edrito Santo que nos d\u00e1 a capacidade de amar, de perdoar e de servir com alegria, rompendo com as cadeias do pecado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">No Evangelho, compreendemos finalmente a proposta de Jesus: <i>&#8220;Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, e v\u00f3s encontrareis descanso. Pois o meu jugo \u00e9 suave e o meu fardo \u00e9 leve&#8221;<\/i> (Mt 11,29-30). O jugo era o instrumento colocado sobre os ombros dos animais para puxar o arado. Jesus nos convida a colocar o nosso pesco\u00e7o no mesmo jugo que Ele. Isso significa que Ele n\u00e3o nos tira a responsabilidade de arar a terra da nossa vida, mas Ele Se coloca ao nosso lado para puxar o arado conosco. Quando caminhamos unidos a Cristo, a cruz n\u00e3o deixa de ser cruz, mas o seu peso se torna suport\u00e1vel porque tem um sentido. O amor d\u00e1 sentido ao sofrimento. Um sacrif\u00edcio feito por amor \u2013 como o de uma m\u00e3e que perde noites de sono por um filho doente \u2013 \u00e9 pesado, mas o amor o torna suave. O fardo de Cristo \u00e9 a lei do amor, e o amor jamais nos esmaga; ele nos liberta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">Que ao participarmos da Eucaristia dominical, possamos trazer para o altar todas as nossas fadigas. Deixemos que Jesus renove as nossas esperan\u00e7as com o Seu Corpo e o Seu Sangue. Aprendamos com o Seu Cora\u00e7\u00e3o manso e humilde a sermos construtores da paz em nossas fam\u00edlias e na nossa sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\"><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">Que a Virgem Maria, Nossa Senhora, sob o t\u00edtulo da Penha, t\u00e3o querida em nossa arquidiocese, interceda por todos n\u00f3s. Que o seu olhar de M\u00e3e acompanhe cada fam\u00edlia, os doentes, os idosos e os encarcerados. Que o nosso padroeiro, o m\u00e1rtir S\u00e3o Sebasti\u00e3o, nos inspire a sermos fortes na f\u00e9 e perseverantes na esperan\u00e7a, para que, sob os bra\u00e7os abertos do Cristo Redentor, possamos construir uma sociedade mais justa e fraterna. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia deste d\u00e9cimo quarto domingo do Tempo Comum nos coloca diante de um dos ensinamentos mais profundos e consoladores do Evangelho. 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