{"id":98250,"date":"2026-07-12T10:12:01","date_gmt":"2026-07-12T13:12:01","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98250"},"modified":"2026-07-13T14:13:34","modified_gmt":"2026-07-13T17:13:34","slug":"o-semeador-nao-se-cansa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-semeador-nao-se-cansa\/","title":{"rendered":"O Semeador N\u00e3o Se Cansa"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><em>Uma reflex\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o que acolhe a Palavra<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, queridos amigos que caminham na f\u00e9: H\u00e1 uma imagem no Evangelho deste domingo que qualquer pessoa que j\u00e1 pisou numa lavoura reconhece de imediato. Um homem sai de casa com o saco de sementes nas m\u00e3os e come\u00e7a a espalhar. N\u00e3o escolhe o terreno com cuidado excessivo. N\u00e3o separa antes o solo bom do solo ruim. Ele simplesmente semeia, generoso, quase despreocupado com o desperd\u00edcio. Essa \u00e9 a primeira coisa que Mt 13,1-23 quer nos ensinar sobre o cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um Deus que semeia sem medir riscos<\/strong>: Se f\u00f4ssemos n\u00f3s os semeadores daquela par\u00e1bola, provavelmente ter\u00edamos calculado tudo antes. Ter\u00edamos evitado a beira do caminho, onde os p\u00e1ssaros comeriam a semente. Ter\u00edamos removido as pedras e arrancado os espinhos antes de lan\u00e7ar qualquer gr\u00e3o. Mas o semeador do Evangelho age diferente. Ele semeia em todo lugar, sem exce\u00e7\u00e3o, confiando que parte daquilo que parece perdido pode, um dia, encontrar terra boa. Esse \u00e9 o retrato mais fiel que temos de Deus e da sua paci\u00eancia conosco. Ele continua semeando sua Palavra em nossa vida mesmo quando estamos distra\u00eddos como a beira do caminho, endurecidos como pedra ou sufocados pelas preocupa\u00e7\u00f5es como os espinhos. N\u00e3o desiste de n\u00f3s. Continua apostando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje, tirada de Is 55,10-11, confirma essa confian\u00e7a. O profeta compara a Palavra de Deus \u00e0 chuva que desce e n\u00e3o volta ao c\u00e9u sem antes fecundar a terra. Da mesma forma, diz o Senhor, a minha palavra n\u00e3o retornar\u00e1 vazia. Ela produzir\u00e1 o efeito que eu pretendi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 consolo puro para quem j\u00e1 se perguntou se vale a pena continuar rezando, continuar ensinando o catecismo, continuar sendo testemunha de f\u00e9 numa fam\u00edlia ou num ambiente de trabalho que parece n\u00e3o dar ouvidos. A Palavra trabalha em sil\u00eancio, como a chuva que penetra a terra sem pressa. O fruto pode demorar, mas ele vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual terra sou eu hoje?<\/strong> Voltando \u00e0 par\u00e1bola, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se examinar diante das quatro terras que Jesus descreve. Somos, em diferentes momentos da vida, cada uma delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terra do caminho quando a rotina nos deixa t\u00e3o ocupados que a Palavra nem chega a tocar o cora\u00e7\u00e3o antes de ser levada pelo primeiro p\u00e1ssaro de distra\u00e7\u00e3o. Terreno pedregoso quando nos entusiasmamos com a f\u00e9 num retiro, numa celebra\u00e7\u00e3o bonita, mas n\u00e3o deixamos essa experi\u00eancia lan\u00e7ar ra\u00edzes que resistam \u00e0 primeira dificuldade real. Terra de espinhos quando as contas do m\u00eas, a ansiedade do trabalho e o desejo de ter mais sufocam devagar aquilo que Deus tinha plantado em n\u00f3s com tanto cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o est\u00e1 fazendo um diagn\u00f3stico definitivo. Ele est\u00e1 nos convidando \u00e0 convers\u00e3o, essa palavra que Marcos resume t\u00e3o bem em Mc 1,15 quando diz convertei-vos e crede no Evangelho. Nenhuma pedra \u00e9 condenada a ficar pedra para sempre. Nenhum espinho \u00e9 irremov\u00edvel se h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho paciente da gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O gemido que carrega esperan\u00e7a<\/strong><strong>: <\/strong>A segunda leitura traz uma imagem forte. S\u00e3o Paulo, em Rm 8,18-23, fala de uma cria\u00e7\u00e3o inteira gemendo como em dores de parto, esperando a plena revela\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus. E acrescenta que n\u00f3s tamb\u00e9m gememos interiormente, aguardando a liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 pessimismo. \u00c9 realismo crist\u00e3o. A vida tem dor, tem espera, tem sofrimento que \u00e0s vezes parece sem sentido. Mas Paulo nos ensina a enxergar esse gemido como o gemido de quem est\u00e1 dando \u00e0 luz, n\u00e3o de quem est\u00e1 morrendo. H\u00e1 vida chegando atrav\u00e9s da dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas fam\u00edlias conhecemos que atravessam doen\u00e7a, perda, dificuldades financeiras, e ainda assim seguem confiando que Deus est\u00e1 trabalhando algo maior naquele sofrimento. Essa \u00e9 a f\u00e9 que transforma gemido em esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O convite de hoje<\/strong><strong>: <\/strong>Meu lema episcopal sempre foi caminhai no Senhor. E talvez seja exatamente esse o convite desta liturgia. Caminhar significa n\u00e3o parar diante das pedras nem se deixar sufocar pelos espinhos. Significa permitir, todos os dias, um pouco mais de espa\u00e7o para que a Palavra lance ra\u00edzes profundas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que cada um de n\u00f3s, ao ouvir hoje esta par\u00e1bola, escolha ser terra boa. N\u00e3o porque somos perfeitos, mas porque decidimos, com a ajuda da gra\u00e7a, remover as pedras do cora\u00e7\u00e3o e arrancar os espinhos da preocupa\u00e7\u00e3o excessiva. A colheita, o pr\u00f3prio Isa\u00edas garante, vir\u00e1. Cem, sessenta ou trinta por um, cada fruto ter\u00e1 seu valor diante de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Caminhai no Senhor!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma reflex\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o que acolhe a Palavra &nbsp; Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, queridos amigos que caminham na f\u00e9: H\u00e1 uma imagem no Evangelho deste domingo que qualquer pessoa que j\u00e1 pisou numa lavoura reconhece de imediato. Um homem sai de casa com o saco de sementes nas m\u00e3os e come\u00e7a a espalhar. 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