{"id":98244,"date":"2026-07-12T09:00:03","date_gmt":"2026-07-12T12:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98244"},"modified":"2026-07-13T14:10:08","modified_gmt":"2026-07-13T17:10:08","slug":"a-palavra-semeada-e-a-esperanca-que-nao-decepciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-palavra-semeada-e-a-esperanca-que-nao-decepciona\/","title":{"rendered":"A Palavra Semeada e a Esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Reflex\u00e3o para o 15\u00ba Domingo do Tempo Comum, Ano A<\/em><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma alegria verdadeira nos visita neste domingo, quando a liturgia nos convida a contemplar uma das imagens mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundas que Jesus poderia escolher para falar do Reino dos C\u00e9us: a semente que cai na terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste 15\u00ba Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos conduz por um caminho de esperan\u00e7a que atravessa a natureza, a hist\u00f3ria humana e o cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s. Que a Provid\u00eancia nos ajude a compreender, com simplicidade de cora\u00e7\u00e3o, o que o Senhor quer nos dizer hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A chuva que n\u00e3o volta vazia<\/strong>: A primeira leitura \u2013 Is 55,10-11 \u2013 nos oferece uma imagem que qualquer pessoa que j\u00e1 viveu no campo, ou que j\u00e1 observou uma planta\u00e7\u00e3o crescer, sabe reconhecer. O profeta Isa\u00edas compara a Palavra de Deus \u00e0 chuva e \u00e0 neve que descem do c\u00e9u, irrigam a terra e a fazem germinar, dando semente para o plantio e p\u00e3o para a alimenta\u00e7\u00e3o. Assim como a chuva n\u00e3o retorna ao c\u00e9u sem antes cumprir sua tarefa, tamb\u00e9m a Palavra do Senhor n\u00e3o volta vazia. Ela realiza aquilo que Deus quis, produz o efeito que Ele pretendeu ao envi\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes, em nossa vida de f\u00e9, duvidamos que nossas ora\u00e7\u00f5es, nossos esfor\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o, nossas palavras de conforto e de f\u00e9 lan\u00e7adas aos quatro ventos, tenham algum efeito real! Pois bem, o profeta nos assegura que a Palavra de Deus jamais \u00e9 est\u00e9ril. Ela pode demorar, pode parecer silenciosa, mas trabalha em sil\u00eancio como a chuva que penetra a terra antes de fazer brotar a espiga. \u00c9 preciso confian\u00e7a, \u00e9 preciso paci\u00eancia, \u00e9 preciso aquela f\u00e9 que sabe esperar o tempo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O salmo responsorial, tirado do Sl 64(65),10-14, continua nessa mesma linha de louvor, celebrando a generosidade de Deus para com a terra: as colinas se enfeitam de alegria, os campos se revestem de trigais, e tudo canta de alegria. \u00c9 a imagem de uma cria\u00e7\u00e3o que responde com fartura ao cuidado do Criador. E a resposta do salmo, inspirada em Lc 8,8, j\u00e1 antecipa o Evangelho que ouviremos: &#8220;A semente caiu em terra boa e deu fruto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O gemido da cria\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria que nos espera<\/strong>: A segunda leitura, tirada da Carta de S\u00e3o Paulo aos Romanos \u2013 Rm 8,18-23 \u2013 amplia ainda mais esse horizonte. O Ap\u00f3stolo nos fala dos sofrimentos do tempo presente, que ele considera pequenos diante da gl\u00f3ria que h\u00e1 de ser revelada em n\u00f3s. Toda a cria\u00e7\u00e3o, diz Paulo, est\u00e1 gemendo como que em dores de parto, esperando ansiosamente o momento em que se revelar\u00e3o os filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma palavra de enorme consolo para os nossos dias. Vivemos tempos de sofrimento, de incertezas, de viol\u00eancia que fere tantas fam\u00edlias em nossas grandes cidades. Mas S\u00e3o Paulo nos ensina a olhar para al\u00e9m da dor imediata, sem negar o sofrimento, mas colocando-o dentro de um horizonte maior: o horizonte da liberta\u00e7\u00e3o e da gl\u00f3ria que Deus reserva a quem persevera. Assim como a natureza atravessa o inverno para florescer na primavera, tamb\u00e9m a nossa exist\u00eancia atravessa prova\u00e7\u00f5es \u00e0 espera da plena manifesta\u00e7\u00e3o da vida em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o recordar aqui a realidade de tantos hospitais, asilos e casas de acolhimento mantidos por institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e filantr\u00f3picas, onde o sofrimento humano \u00e9 acompanhado com carinho e compet\u00eancia, sempre na esperan\u00e7a de que aquele gemido, mencionado por S\u00e3o Paulo, seja transformado em cuidado e em dignidade para cada pessoa atendida? Ali, no meio da fragilidade, a esperan\u00e7a crist\u00e3 se faz gesto concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A par\u00e1bola do semeador: quatro tipos de terra, um s\u00f3 convite<\/strong><strong>. <\/strong>Chegamos, ent\u00e3o, ao cora\u00e7\u00e3o da liturgia deste domingo: a par\u00e1bola do semeador, no Evangelho de Mateus 13,1-23. Jesus, sentado na barca, \u00e0s margens do mar da Galileia, conta uma hist\u00f3ria conhecida de todo agricultor daquela terra. O semeador sai a semear e sua semente cai em quatro tipos de solo: \u00e0 beira do caminho, em terreno pedregoso, entre espinhos e em terra boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reparemos que o semeador da par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 cauteloso nem econ\u00f4mico. Ele espalha a semente generosamente, mesmo sabendo que parte dela ser\u00e1 perdida. \u00c9 assim que Deus age conosco: com uma generosidade que n\u00e3o calcula riscos, que n\u00e3o mede preju\u00edzos, que continua semeando a sua Palavra em todos os cora\u00e7\u00f5es, mesmo naqueles que parecem, \u00e0 primeira vista, pouco prop\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um de n\u00f3s, ao ouvir esta par\u00e1bola, \u00e9 convidado a se examinar diante das quatro terras. Somos, por vezes, terra da beira do caminho, quando deixamos que as distra\u00e7\u00f5es do dia a dia impe\u00e7am a Palavra de penetrar. Somos terreno pedregoso, quando recebemos a f\u00e9 com entusiasmo passageiro, mas n\u00e3o deixamos que ela lance ra\u00edzes profundas capazes de resistir \u00e0s dificuldades. Somos terra de espinhos, quando as preocupa\u00e7\u00f5es do trabalho, da ansiedade financeira ou da busca incessante por reconhecimento sufocam o que Deus semeou em n\u00f3s. E somos, esperamos, tamb\u00e9m terra boa, aquela que ouve a Palavra, compreende e produz fruto: cem, sessenta, trinta por um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O importante \u00e9 n\u00e3o desanimar diante das pr\u00f3prias fragilidades. A par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 uma senten\u00e7a definitiva sobre quem somos, mas um espelho que nos convida \u00e0 convers\u00e3o permanente. Nenhuma terra pedregosa \u00e9 condenada a permanecer assim para sempre. Com a gra\u00e7a de Deus e com o cuidado de quem cultiva a pr\u00f3pria vida espiritual atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, dos sacramentos e da caridade, \u00e9 poss\u00edvel transformar pedras em solo f\u00e9rtil, arrancar espinhos e abrir espa\u00e7o para que a semente cres\u00e7a com vigor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus habita esta cidade, Deus habita cada cora\u00e7\u00e3o<\/strong><strong>: <\/strong>Aqui no Rio de Janeiro, cidade que carrega tanta beleza e, ao mesmo tempo, tantos desafios, gosto sempre de repetir que Deus habita esta cidade. Ele n\u00e3o se cansa de semear sua Palavra nas ruas, nas fam\u00edlias, nas comunidades, nos hospitais, nas escolas, mesmo quando o solo parece \u00e1rido ou tomado por espinhos. A miss\u00e3o de cada um de n\u00f3s, batizados, \u00e9 justamente colaborar com esse semeador incans\u00e1vel, sendo instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o em nosso ambiente de trabalho, em nossa fam\u00edlia, em nossa cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que esta liturgia nos renove o desejo de ser terra boa, capaz de acolher a Palavra com f\u00e9 e de faz\u00ea-la frutificar em obras concretas de caridade e de esperan\u00e7a. Como recorda S\u00e3o Paulo, os sofrimentos do tempo presente n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. A gl\u00f3ria que Deus prepara para os seus filhos \u00e9 infinitamente maior. E, como diz Isa\u00edas, a Palavra do Senhor n\u00e3o volta vazia: ela cumprir\u00e1 em n\u00f3s, com paci\u00eancia e com amor, tudo aquilo que Deus deseja realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rezemos, pois, para que a Igreja que peregrina nesta cidade e em todo o Brasil seja sempre terra boa, semeadora de esperan\u00e7a, aberta ao Reino dos C\u00e9us. Que a Virgem Maria, primeira a acolher a Palavra em seu cora\u00e7\u00e3o e a faz\u00ea-la frutificar em sua vida, nos acompanhe neste caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o para o 15\u00ba Domingo do Tempo Comum, Ano A Uma alegria verdadeira nos visita neste domingo, quando a liturgia nos convida a contemplar uma das imagens mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundas que Jesus poderia escolher para falar do Reino dos C\u00e9us: a semente que cai na terra. 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