{"id":98216,"date":"2026-07-12T09:50:26","date_gmt":"2026-07-12T12:50:26","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98216"},"modified":"2026-07-13T13:52:15","modified_gmt":"2026-07-13T16:52:15","slug":"sejamos-semeadores-constantes-e-generosos-da-palavra-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sejamos-semeadores-constantes-e-generosos-da-palavra-de-deus\/","title":{"rendered":"Sejamos semeadores constantes e generosos da Palavra de Deus!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a paz de Cristo. A liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum, apresenta-nos Jesus sentado \u00e0 beira-mar. A multid\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que Jesus precisa entrar em um barco para ensinar e ali Ele conta uma das hist\u00f3rias mais conhecidas: a Par\u00e1bola do Semeador. Para compreendermos a profundidade desta mensagem para os nossos dias, tanto para a nossa f\u00e9 \u00edntima quanto para a nossa atua\u00e7\u00e3o na sociedade, proponho que contemplemos este texto sagrado atrav\u00e9s de duas lentes distintas: a agron\u00f4mica e a exeg\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um engenheiro agr\u00f4nomo contempor\u00e2neo ao ler Mt 13-1-9, poder\u00e1 reagir com espanto, ou at\u00e9 com certa indigna\u00e7\u00e3o profissional. Na l\u00f3gica da agronomia moderna, pautada pela efici\u00eancia e pelo retorno sobre o investimento, o semeador da par\u00e1bola seria um tanto incompetente. A agricultura de precis\u00e3o exige an\u00e1lise de solo, corre\u00e7\u00e3o de acidez, controle de pragas e o plantio calculado. Nenhum agricultor em s\u00e3 consci\u00eancia desperdi\u00e7a sementes caras jogando-as no asfalto (a beira do caminho), em cima de lajes de pedra ou no meio de matagais cheios de espinhos, antes investe-se onde o solo j\u00e1 provou ser bom, onde h\u00e1 garantia de colheita. A sociedade em que vivemos opera exatamente por essa l\u00f3gica &#8220;agron\u00f4mica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s vivemos a ditadura da efici\u00eancia e do m\u00e9rito. Investe-se tempo, afeto e recursos nas pessoas e nas causas que d\u00e3o retorno garantido. Exige-se &#8220;terra boa&#8221; antes mesmo de se abrir a m\u00e3o para soltar a semente. Se o outro \u00e9 &#8220;solo pedregoso&#8221; (dif\u00edcil de lidar, marginalizado, de opini\u00f5es divergentes) ou &#8220;espinhoso&#8221; (problem\u00e1tico, imerso em v\u00edcios ou car\u00eancias de diversos tipos), a tend\u00eancia cidad\u00e3 e institucional \u00e9 reter a semente. Logo se abandona o terreno. Mas quando trocamos as lentes e passamos da agronomia para a exegese b\u00edblica descobrimos algo maravilhoso: a par\u00e1bola n\u00e3o \u00e9 sobre um agricultor ruim. \u00c9 sobre um Deus generosamente bom. Jesus, em um pequeno, mas profundo exerc\u00edcio de exegese, nos revela que a Semente \u00e9 a Palavra de Deus e o Semeador \u00e9 o pr\u00f3prio Deus; o que, de certo modo, desfaz a figura de Deus como um empres\u00e1rio do agroneg\u00f3cio preocupado com o desperd\u00edcio; antes, Ele \u00e9 um Pai cuja gra\u00e7a \u00e9 infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva hermen\u00eautica nos mostra que o Semeador joga a semente em todos os terrenos porque Ele n\u00e3o desiste de nenhum solo. Ele n\u00e3o prejulga a terra, fazendo recordar que da pedra pode jorrar \u00e1gua corrente; que dos espinhos duros da vida, pode-se obter a honra da coroa de quem reina pelo servi\u00e7o gratuito. Assim que a semente \u00e9 espalhada com uma generosidade quase irrespons\u00e1vel aos olhos humanos, porque o amor de Deus n\u00e3o se ret\u00e9m, antes se d\u00e1 sem medida. E o que acontece quando cruzamos essas duas perspectivas na nossa vida hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como cidad\u00e3os, precisamos ir al\u00e9m da &#8220;efici\u00eancia&#8221;. Na nossa viv\u00eancia cidad\u00e3, a pura agronomia social nos ensina a descartar os improdutivos. Mas a \u00e9tica do Reino nos chama a semear onde ningu\u00e9m mais quer plantar. Uma sociedade justa n\u00e3o se constr\u00f3i apenas subsidiando &#8220;terras boas&#8221; (bairros nobres, inst\u00e2ncias intelectualizadas, setores lucrativos). A verdadeira cidadania, inspirada pelo Evangelho, exige que lancemos as sementes da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da dignidade, da escuta e do respeito tamb\u00e9m nas periferias existenciais e geogr\u00e1ficas, nos asfaltos da exclus\u00e3o e nos espinhos da desigualdade. A gra\u00e7a n\u00e3o exige que o pobre ou o marginalizado &#8220;mere\u00e7a&#8221; a semente; a semente \u00e9 um presente conferido pelo amor do Semeador.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os, precisamos ser semeadores generosos. Muitas vezes, irm\u00e3os nossos querem fazer das comunidades canteiros exclusivos de terra f\u00e9rtil, assumindo o papel de agr\u00f4nomos calculistas do Esp\u00edrito, na contram\u00e3o do Evangelho que nos pro\u00edbe reter as sementes do Verbo. Nosso dever, caros irm\u00e3os, antes de tudo, \u00e9 amar, acolher e testemunhar. O resultado (a colheita a trinta, sessenta ou cem por um) pertence a Deus. A n\u00f3s, cabe a alegria e o suor da semeadura constante, indiscriminada e generosa. Tal postura nos ajuda tamb\u00e9m a lembrar que nenhum de n\u00f3s \u00e9 terra boa o tempo todo. Em alguns dias, quando o cansa\u00e7o bate ou a dor aperta, nosso cora\u00e7\u00e3o vira beira de caminho e a esperan\u00e7a \u00e9 roubada. Em outros, na correria do trabalho e no fasc\u00ednio pelo consumo, nos tornamos um canteiro de espinhos, onde a f\u00e9 \u00e9 sufocada. A grande not\u00edcia da par\u00e1bola \u00e9 que o Semeador continua passando pelas nossas vidas, todos os dias, lan\u00e7ando sementes novas, esperando pacientemente que permitamos ao Esp\u00edrito Santo arar a nossa terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, irm\u00e3os, roguemos a Deus a gra\u00e7a de n\u00e3o nos limitar pela l\u00f3gica que mede tudo pelo lucro e pelo retorno imediato. Que possamos abra\u00e7ar a agronomia da gra\u00e7a. Que sejamos terra boa para receber o amor de Deus, e semeadores incans\u00e1veis, espalhando justi\u00e7a, paz e esperan\u00e7a numa sociedade que tanto anseia por novas colheitas. Assim seja!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>+ fr. Diamantino Prata de Carvalho, ofm<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Bispo Em\u00e9rito da Campanha, MG<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a paz de Cristo. A liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum, apresenta-nos Jesus sentado \u00e0 beira-mar. A multid\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que Jesus precisa entrar em um barco para ensinar e ali Ele conta uma das hist\u00f3rias mais conhecidas: a Par\u00e1bola do Semeador. 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