{"id":98205,"date":"2026-07-13T09:46:26","date_gmt":"2026-07-13T12:46:26","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98205"},"modified":"2026-07-13T13:47:17","modified_gmt":"2026-07-13T16:47:17","slug":"a-ciencia-descobriu-um-aliado-poderoso-contra-a-depressao-na-velhice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-ciencia-descobriu-um-aliado-poderoso-contra-a-depressao-na-velhice\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia descobriu um aliado poderoso contra a depress\u00e3o na velhice"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"SubHeading_subheading__NJ_eJ\" aria-label=\"post subtitle\">Um estudo que acompanhou o passar do tempo na vida de 15 mil pessoas mostra que caminhar, mexer na terra ou passear de bicicleta, sem obriga\u00e7\u00e3o de atleta, \u00e9 um santo escudo para proteger a mente no outono da exist\u00eancia<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"  \" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Envelhecer, a gente sabe, \u00e9 a coisa mais natural do mundo. O tempo vai passando de mansinho, os cabelos v\u00e3o clareando e as marcas no rosto passam a contar a nossa hist\u00f3ria. Mas, \u00e0s vezes, junto com a idade, chega uma visita indigesta que n\u00e3o foi convidada: a tristeza profunda, aquela nuvem cinzenta que a medicina chama de depress\u00e3o. Muita gente gra\u00fada por a\u00ed acha que ficar jururu e perder o gosto pelas coisas \u00e9 parte normal da velhice. Pois olhe: n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"  \" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Para provar que a vida pode e deve continuar colorida na terceira idade, um grupo de pesquisadores resolveu espiar a rotina de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, l\u00e1 no Reino Unido e nos Estados Unidos, acompanhando cada um deles por longos 12 anos. Quem puxou o fio dessa meada foi o jovem pesquisador Andr\u00e9 de Oliveira Werneck, do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da USP, que cruzou o oceano para estudar o assunto no\u00a0King\u2019s\u00a0College\u00a0London. Ele queria entender como o movimento do corpo mexe com os bot\u00f5es do nosso ju\u00edzo ao longo de mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<\/div>\n<h2 class=\"Heading_heading__PlVsb\" style=\"text-align: justify;\">A tristeza pelo mundo<\/h2>\n<div class=\"  \" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A grande novidade dessa bonita investiga\u00e7\u00e3o foi o jeito que os cientistas usaram para olhar os dados. Em vez de fazer aquela fotografia est\u00e1tica do come\u00e7o do estudo e achar que todo mundo ia se comportar igual por 12 anos, eles usaram uma matem\u00e1tica fina e inteligente chamada de &#8220;emula\u00e7\u00e3o de ensaio-alvo&#8221;. O nome \u00e9 dif\u00edcil, mas a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: \u00e9 como se o computador criasse um espelho m\u00e1gico com duas realidades paralelas para\u00a0o mesmo\u00a0idoso. Numa linha da vida, o sujeito continuava l\u00e1 no seu rastro de rotina; na outra, ele passava a fazer seus exerc\u00edcios direitinho.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"  \" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O algoritmo limpava as desigualdades da vida real \u2014 como quem tem mais dinheiro ou menos problemas de sa\u00fade \u2014 e nivelava todo mundo por igual. E o que essa m\u00e1quina de calcular destinos mostrou foi um acalento para o cora\u00e7\u00e3o. Bastava a pessoa praticar uma atividade f\u00edsica moderada pelo menos duas vezes por semana para o risco de depress\u00e3o despencar: caiu 12% entre os americanos e 13% entre os ingleses. Se o exerc\u00edcio fosse daqueles de suar a camisa, mais vigoroso, pelo menos uma vez por semana, a prote\u00e7\u00e3o subia para 13% nos Estados Unidos e bonitos 16% no Reino Unido.<\/p>\n<\/div>\n<h2 class=\"Heading_heading__PlVsb\" style=\"text-align: justify;\">O melhor exerc\u00edcio<\/h2>\n<div class=\"  \" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O professor Brendon\u00a0Stubbs, um mestre da psiquiatria l\u00e1 de Londres que orientou o trabalho, conversou com a reportagem e explicou que a atividade f\u00edsica \u00e9 um rem\u00e9dio de tripla utilidade: faz bem para a mente, para o corpo e para a autonomia do idoso. E o melhor de tudo \u00e9 que n\u00e3o tem essa de &#8220;tudo ou nada&#8221;. Ningu\u00e9m precisa puxar ferro pesado em academia ou correr maratona se n\u00e3o quiser.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"  \">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Caminhar, pedalar ou fazer jardinagem, desde que elevem a frequ\u00eancia card\u00edaca, j\u00e1 podem trazer benef\u00edcios&#8221;, ensina\u00a0Stubbs\u00a0com a sabedoria de quem sabe que a vida precisa de leveza. O estudo n\u00e3o encontrou um exerc\u00edcio que fosse o rei da cocada preta, superior aos outros; a muscula\u00e7\u00e3o, a caminhada e os movimentos do dia a dia empataram em bondade para a cabe\u00e7a. O segredo, segundo os cientistas, \u00e9 escolher aquilo que d\u00e1 gosto de fazer e, se poss\u00edvel, junto com os amigos. O movimento que espanta a solid\u00e3o e vira prosa no meio do caminho \u00e9 o que realmente funciona. Afinal de contas, gastar um pouco a sola do sapato cuidando das plantas ou proseando na pra\u00e7a \u00e9 o jeito mais bonito de mostrar ao tempo que a nossa alma continua bem viva e em movimento.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo que acompanhou o passar do tempo na vida de 15 mil pessoas mostra que caminhar, mexer na terra ou passear de bicicleta, sem obriga\u00e7\u00e3o de atleta, \u00e9 um santo escudo para proteger a mente no outono da exist\u00eancia Envelhecer, a gente sabe, \u00e9 a coisa mais natural do mundo. 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