{"id":98143,"date":"2026-07-03T09:32:27","date_gmt":"2026-07-03T12:32:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=98143"},"modified":"2026-07-03T11:34:08","modified_gmt":"2026-07-03T14:34:08","slug":"dom-damiano-papa-em-lampedusa-e-gesto-de-carinho-a-migrantes-e-apelo-a-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dom-damiano-papa-em-lampedusa-e-gesto-de-carinho-a-migrantes-e-apelo-a-europa\/","title":{"rendered":"Dom Damiano: Papa em Lampedusa \u00e9 gesto de carinho a migrantes e apelo \u00e0 Europa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">A &#8220;Porta da Europa&#8221;, um dos lugares-s\u00edmbolo de Lampedusa, onde o Papa vai se dirigir durante a visita\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Dom Alessandro Damiano, arcebispo de Agrigento, descreve a expectativa pela chegada de Le\u00e3o XIV neste s\u00e1bado, 4 de julho, a um local simb\u00f3lico da trag\u00e9dia migrat\u00f3ria: \u201ca ilha relembra a visita do Papa Francisco. Le\u00e3o XIV fecha um ciclo iniciado com a visita \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias e a parada na Madre Cabrini, padroeira dos migrantes\u201d. Para o arcebispo, trata-se de uma mensagem \u201cformid\u00e1vel\u201d para a It\u00e1lia e a Europa, \u201cn\u00e3o gritada, mas vivida\u201d. A remigra\u00e7\u00e3o? \u201c\u00c9 contra o Evangelho\u201d.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Salvatore Cernuzio \u2013 enviado a Lampedusa<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um \u201cpercurso espiritual\u201d que come\u00e7a com a \u201ccomunh\u00e3o com os mortos no mar e com os sobreviventes\u201d, ou seja, a visita ao cemit\u00e9rio, prossegue na &#8220;Porta da Europa&#8221; e no Cais Favarolo para o encontro com uma delega\u00e7\u00e3o de migrantes, e termina com a \u201ccomunh\u00e3o com uma Igreja viva\u201d, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica no est\u00e1dio local, onde estar\u00e1 presente toda a comunidade. \u00c9 assim que dom Alessandro Damiano, arcebispo metropolitano de Agrigento, descreve a visita do Papa Le\u00e3o XIV a Lampedusa, sul da It\u00e1lia, neste s\u00e1bado, 4 de julho. Uma visita breve, mas significativa, \u00e0 ilha que ainda se lembra da hist\u00f3rica visita do Papa Francisco em 2013, a partir da qual o Pont\u00edfice lan\u00e7ar\u00e1 uma mensagem \u201cn\u00e3o gritada, mas vivida\u201d \u00e0 It\u00e1lia e \u00e0 Europa. Uma visita que fecha o ciclo iniciado com a viagem de junho \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias, onde Le\u00e3o dirigiu seu apelo contra os traficantes, afirmando: \u201cconvertam-se!\u201d. \u201cUm apelo que, para n\u00f3s, agrigentinos, nos lembra aquele de Jo\u00e3o Paulo II aos mafiosos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Excel\u00eancia, o que o Papa Le\u00e3o ver\u00e1, o que encontrar\u00e1 ao chegar \u00e0 ilha de Lampedusa?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, ele encontrar\u00e1 uma ilha cheia de turistas, por enquanto, mas certamente n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 por isso. Ele encontrar\u00e1 uma ilha em espera que relembra a visita do Papa Francisco, a primeira visita apost\u00f3lica que Francisco fez justamente a Lampedusa, uma lembran\u00e7a muito viva. E isso faz sentir a proximidade, a proximidade concreta, simples, da Igreja neste peda\u00e7o de terra, nesta comunidade, com aten\u00e7\u00e3o aos povos em movimento, aos migrantes. \u00c9 isso mesmo, o Papa encontrar\u00e1 essa expectativa. A visita, como voc\u00eas sabem, \u00e9 breve e tem um itiner\u00e1rio que \u00e9 log\u00edstico, mas tamb\u00e9m \u00e9 um percurso espiritual pela forma como foi estruturada. Pois o Santo Padre, ao chegar ao aeroporto, segue imediatamente para o cemit\u00e9rio, de forma privada, para um momento de reflex\u00e3o pessoal diante dos t\u00famulos de alguns migrantes. A parada ser\u00e1 feita onde repousa o pequeno Yusuf, uma crian\u00e7a que foi enterrada ali, junto com outras. E \u00e9 aquele carinho que os mortos no mar n\u00e3o recebem. Portanto, essa comunh\u00e3o com aqueles que deixaram a vida terrena para entrar na vida eterna. N\u00e3o percamos de vista esse aspecto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que mudou desde a visita do Papa Francisco at\u00e9 hoje no cen\u00e1rio de Lampedusa?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a visita do Papa Francisco, na verdade, n\u00e3o mudou muita coisa, porque os desembarques continuam ocorrendo: mais frequentes, menos frequentes, dependendo das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mas ainda mais dependendo das partidas que, de alguma forma, s\u00e3o impedidas, facilitadas ou permitidas nas costas do Norte da \u00c1frica. L\u00e1 seria necess\u00e1rio fazer uma reflex\u00e3o de car\u00e1ter mais pol\u00edtico sobre esses deslocamentos\u2026 O que mudou no momento do desembarque? Antes, sobretudo antes da visita do Papa Francisco, os desembarques e os resgates por parte dos pescadores eram mais frequentes. Agora, o resgate de vidas ocorre essencialmente por meio da Guarda Costeira e da Guarda Financeira, que atuam diretamente no mar. Antes havia mais proximidade com a comunidade local em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes que, no in\u00edcio, eram acolhidos nas casas, recebiam ajuda para encontrar roupas secas, eram alimentados\u2026 Alguns tinham at\u00e9 a possibilidade de fazer uma higiene pessoal para tirar a \u00e1gua do mar ou, infelizmente, os vest\u00edgios de combust\u00edvel, o que \u00e9 terr\u00edvel. Tudo isso j\u00e1 n\u00e3o existe h\u00e1 anos, porque, assim que o mecanismo dos diversos governos entrou em a\u00e7\u00e3o \u2014 e isso \u00e9 algo positivo em certos aspectos \u2014, a situa\u00e7\u00e3o passou a ser assumida pelas for\u00e7as presentes na ilha, que s\u00e3o muitas. Talvez dev\u00eassemos usar essa palavra com cautela, mas o desembarque \u00e9 bastante \u201cmilitarizado\u201d, sob o controle das for\u00e7as de seguran\u00e7a e de suas diversas vertentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E a Igreja, por sua vez, o que faz nesse contexto?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, a Igreja, a comunidade de Lampedusa e alguns representantes de ONGs presentes ali no famoso \u2014 ou infame \u2014 Cais Favarolo tentam \u201chumanizar\u201d o desembarque, na medida do poss\u00edvel enquanto permanecem no cais, pois mesmo isso est\u00e1 mudando aos poucos e fica cada vez mais dif\u00edcil para os volunt\u00e1rios permanecerem no local. S\u00e3o pequenos gestos que talvez pare\u00e7am banais. Ou seja, o que voc\u00ea faz? Voc\u00ea d\u00e1, por exemplo, uma garrafinha de \u00e1gua, um copo de ch\u00e1 quente\u2026 mas olha nos olhos. Na minha opini\u00e3o, o mais importante \u00e9 olhar nos olhos desses homens, dessas mulheres, dessas crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E isso n\u00e3o \u00e9 algo \u00f3bvio em um momento em que, no \u00e2mbito pol\u00edtico, fala-se em remigra\u00e7\u00e3o. O que o senhor acha disso?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que a remigra\u00e7\u00e3o vai contra o Evangelho, mas o Papa j\u00e1 disse isso. \u00c9 uma l\u00f3gica cada vez mais restritiva. \u00c9 o ponto de vista que muda, porque a perspectiva com que os governos da It\u00e1lia e do resto da Europa encaram os migrantes \u00e9 uma perspectiva de seguran\u00e7a, mas o ponto de vista que preserva a humanidade, a dignidade humana e tamb\u00e9m o que h\u00e1 de humano em n\u00f3s certamente n\u00e3o pode ser esse. Mas sim o das palavras do Evangelho, onde encontramos as palavras certas: \u201ceu era estrangeiro e voc\u00eas me acolheram, pelo menos me deram abrigo, n\u00e3o me deixaram morrer\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Que sinal transmite, na sua opini\u00e3o, essa visita do Papa que, ali\u00e1s, ocorre poucas semanas depois daquela \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias e a Tenerife, outro palco da trag\u00e9dia migrat\u00f3ria?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante. O Papa foi \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias e usou essa express\u00e3o: \u201cparem, convertam-se\u201d. Na regi\u00e3o de Agrigento, essa palavra \u201cconvertam-se\u201d remete inevitavelmente \u2014 pois est\u00e1 muito recente na mem\u00f3ria de todos \u2014 ao grito de Jo\u00e3o Paulo II no Vale dos Templos: \u201cDigo a voc\u00eas, homens da m\u00e1fia, convertam-se, pois um dia vir\u00e1 o julgamento de Deus\u201d. Depois, passamos do \u201cparem e convertam-se\u201d \u2014 justamente no que diz respeito aos migrantes \u2014 para outro pequeno par\u00eantese, pequeno mas significativo, com a visita do Santo Padre a Pavia, onde fez uma parada na casa da Madre Cabrini. E quem \u00e9 a Madre Cabrini? N\u00f3s sabemos\u2026 (\u00e9 a padroeira dos migrantes, nota do editor). Foi justamente \u00e0 Madre Cabrini que Le\u00e3o XIII disse que ela deveria ir em miss\u00e3o n\u00e3o para o Oriente, mas para o Ocidente. E essa passagem realmente amplia a vis\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es, dos povos em movimento do Oriente para o Ocidente. Agora, parece-me quase que um pequeno c\u00edrculo se fecha em Lampedusa. As migra\u00e7\u00f5es dizem respeito ao mundo inteiro e aqui tudo se concentra, em um lugar simb\u00f3lico para o Mediterr\u00e2neo. Acredito que seja uma mensagem formid\u00e1vel. N\u00e3o gritada, mas vivida, compartilhada e, por isso, talvez, mais incisiva. Pois quem grita, grita, mas n\u00e3o alcan\u00e7a as consci\u00eancias e n\u00e3o toca o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A &#8220;Porta da Europa&#8221;, um dos lugares-s\u00edmbolo de Lampedusa, onde o Papa vai se dirigir durante a visita\u00a0 Dom Alessandro Damiano, arcebispo de Agrigento, descreve a expectativa pela chegada de Le\u00e3o XIV neste s\u00e1bado, 4 de julho, a um local simb\u00f3lico da trag\u00e9dia migrat\u00f3ria: \u201ca ilha relembra a visita do Papa Francisco. 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