{"id":97656,"date":"2026-04-03T15:00:34","date_gmt":"2026-04-03T18:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97656"},"modified":"2026-04-07T13:55:26","modified_gmt":"2026-04-07T16:55:26","slug":"sexta-feira-santa-15h-celebracao-da-paixao-do-senhor-acao-liturgica-homilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sexta-feira-santa-15h-celebracao-da-paixao-do-senhor-acao-liturgica-homilia\/","title":{"rendered":"Sexta-feira Santa \u2013 15h Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor (A\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica) \u2013 Homilia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e0s tr\u00eas horas da tarde, a Igreja se det\u00e9m em sil\u00eancio. \u00c9 a hora em que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, o Senhor entregou a sua vida na cruz. N\u00e3o nos reunimos para uma missa, mas para a solene A\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica da Paix\u00e3o do Senhor. O altar est\u00e1 despojado, n\u00e3o h\u00e1 consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; tudo nos conduz ao essencial: <strong>contemplar o mist\u00e9rio da cruz<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura, do profeta Isa\u00edas \u2013 Is 52,13-53,12 \u2013, apresenta-nos o Servo Sofredor: <em>\u201cEle foi ferido por causa de nossas transgress\u00f5es, esmagado por causa de nossas culpas\u2026 e pelas suas chagas fomos curados\u201d<\/em> (Is 53,5). Aqui est\u00e1 o centro da f\u00e9 crist\u00e3: o sofrimento de Cristo n\u00e3o \u00e9 in\u00fatil, n\u00e3o \u00e9 absurdo \u2014 \u00e9 redentor. Ele carrega aquilo que era nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo responsorial ecoa o grito do justo sofredor: <em>\u201cPai, em tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u201d <\/em>(Sl 30[31],6). Este n\u00e3o \u00e9 um grito de desespero, mas de confian\u00e7a. Mesmo na dor extrema, permanece a entrega ao Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Carta aos Hebreus \u2013 Hb 4,14-16;5,7-9 \u2013 nos conduz ainda mais profundamente: <em>\u201cTemos um sumo sacerdote que \u00e9 capaz de se compadecer de nossas fraquezas\u201d<\/em> (Hb 4,15). Cristo n\u00e3o est\u00e1 distante. Ele conhece o sofrimento humano por dentro. E mais: <em>\u201ctornou-se causa de salva\u00e7\u00e3o eterna para todos os que lhe obedecem\u201d<\/em> (Hb 5,9). Sua obedi\u00eancia at\u00e9 a morte transforma a cruz em caminho de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ent\u00e3o chegamos ao relato da Paix\u00e3o segundo o Evangelho de Jo\u00e3o (cf. Jo 18,1 \u2013 19,42). S\u00e3o Jo\u00e3o nos apresenta um Cristo soberano, mesmo na dor. Ele n\u00e3o \u00e9 simplesmente arrastado pelos acontecimentos \u2014 Ele se entrega. Quando diz <em>\u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d<\/em> (Jo 19,30), n\u00e3o \u00e9 um lamento, mas a proclama\u00e7\u00e3o de que a miss\u00e3o foi cumprida at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na cruz, vemos algo que o mundo n\u00e3o compreende: um Deus que vence n\u00e3o pela for\u00e7a, mas pelo amor; n\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o, mas pela entrega. A cruz, que era instrumento de morte e vergonha, torna-se o lugar da glorifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, h\u00e1 um ponto que precisa ser dito com clareza: a cruz revela n\u00e3o apenas o amor de Deus, mas tamb\u00e9m a realidade do pecado. N\u00e3o se trata de uma ideia abstrata. A cruz mostra o peso concreto do mal, da injusti\u00e7a, da rejei\u00e7\u00e3o de Deus. Contemplar a cruz sem reconhecer isso \u00e9 esvaziar o seu significado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas a cruz n\u00e3o nos deixa na culpa \u2014 ela nos abre \u00e0 gra\u00e7a. O mesmo Cristo que \u00e9 crucificado \u00e9 aquele que oferece perd\u00e3o, que reconcilia, que restaura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje, a liturgia nos convida a tr\u00eas atitudes concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Primeiro, <strong>escutar<\/strong>. Escutar a Palavra da Paix\u00e3o n\u00e3o como um relato distante, mas como algo que nos envolve. Cada personagem, cada gesto, cada sil\u00eancio nos interpela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo, <strong>rezar<\/strong>. A grande ora\u00e7\u00e3o universal que faremos expressa a amplitude da reden\u00e7\u00e3o: a Igreja reza por todos \u2014 pela Igreja, pelo Papa, pelos fi\u00e9is, pelos catec\u00famenos, pelos que n\u00e3o creem. A cruz \u00e9 para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Terceiro, <strong>adorar<\/strong>. A venera\u00e7\u00e3o da cruz n\u00e3o \u00e9 um gesto simb\u00f3lico vazio. Ao nos aproximarmos, reconhecemos ali o instrumento da nossa salva\u00e7\u00e3o. Beijar a cruz \u00e9 professar a f\u00e9 naquele que morreu por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vivemos em um tempo que rejeita a dor e busca eliminar qualquer forma de sofrimento. Mas a Sexta-feira Santa nos obriga a encarar uma verdade: o amor verdadeiro passa pela entrega. N\u00e3o h\u00e1 cristianismo sem cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, no entanto, \u00e9 preciso dizer com firmeza: a cruz n\u00e3o \u00e9 o fim. Hoje ainda n\u00e3o cantamos a vit\u00f3ria, mas j\u00e1 sabemos que ela vir\u00e1. O sil\u00eancio deste dia \u00e9 carregado de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, ao sairmos desta celebra\u00e7\u00e3o, levemos conosco n\u00e3o apenas a lembran\u00e7a de um sofrimento, mas a certeza de um amor levado at\u00e9 o extremo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que, diante da cruz, cada um de n\u00f3s fa\u00e7a a sua escolha: permanecer indiferente ou acolher esse amor e deixar-se transformar por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>\u201cEis o madeiro da cruz, do qual pendeu a salva\u00e7\u00e3o do mundo.\u201d<\/em><br \/>\nVenhamos, adoremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e0s tr\u00eas horas da tarde, a Igreja se det\u00e9m em sil\u00eancio. \u00c9 a hora em que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, o Senhor entregou a sua vida na cruz. N\u00e3o nos reunimos para uma missa, mas para a solene A\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica da Paix\u00e3o do Senhor. O altar est\u00e1 despojado, n\u00e3o h\u00e1 consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":53272,"featured_media":92837,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-97656","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53272"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97656"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97658,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97656\/revisions\/97658"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}