{"id":97653,"date":"2026-04-03T13:53:22","date_gmt":"2026-04-03T16:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97653"},"modified":"2026-04-07T13:54:07","modified_gmt":"2026-04-07T16:54:07","slug":"sermao-do-descendimento-da-cruz-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sermao-do-descendimento-da-cruz-5\/","title":{"rendered":"Serm\u00e3o do Descendimento da Cruz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, chegamos a um dos momentos mais densos e silenciosos de toda a Semana Santa: o descendimento do corpo do Senhor da cruz. Depois do grito final \u2014 <em>\u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d<\/em> (Jo 19,30) \u2014 n\u00e3o h\u00e1 mais palavras de Cristo. Agora fala o sil\u00eancio. Fala o gesto. Fala o amor que permanece mesmo quando tudo parece terminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho de Jo\u00e3o nos narra com sobriedade esse momento: <em>\u201cDepois disso, Jos\u00e9 de Arimateia, que era disc\u00edpulo de Jesus, mas \u00e0s escondidas por medo dos judeus, pediu a Pilatos autoriza\u00e7\u00e3o para retirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Ent\u00e3o ele foi e retirou o corpo de Jesus\u201d<\/em> (Jo 19,38). Ao seu lado est\u00e1 Nicodemos, aquele que antes procurara Jesus de noite (cf. Jo 3,1-2), trazendo uma mistura de mirra e alo\u00e9s (cf. Jo 19,39). Aqueles que antes estavam na sombra agora se apresentam \u00e0 luz. A cruz revela, a cruz decide, a cruz faz emergir a verdade de cada cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O corpo de Cristo \u00e9 descido da cruz. N\u00e3o \u00e9 mais o corpo vivo que falava, que caminhava, que curava. \u00c9 um corpo ferido, marcado, silencioso. Aquele que \u00e9 o Verbo eterno agora jaz sem voz. E, no entanto, esse sil\u00eancio \u00e9 profundamente eloquente: \u00e9 o sil\u00eancio do amor levado at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A profecia de Isa\u00edas se cumpre at\u00e9 o extremo: <em>\u201cOfereceu a sua vida em sacrif\u00edcio de expia\u00e7\u00e3o\u201d <\/em>(Is 53,10). N\u00e3o se trata apenas de um sofrimento f\u00edsico, mas de uma entrega total. O descendimento da cruz nos obriga a olhar de frente para as consequ\u00eancias do pecado \u2014 n\u00e3o como ideia, mas como realidade concreta que fere, que mata, que destr\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ali est\u00e1 Maria, a M\u00e3e. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 contempla esse momento com profunda rever\u00eancia: a M\u00e3e que recebe em seus bra\u00e7os o corpo do Filho. Cumpre-se a palavra prof\u00e9tica: <em>\u201cUma espada traspassar\u00e1 a tua alma\u201d<\/em> (Lc 2,35). N\u00e3o h\u00e1 revolta, n\u00e3o h\u00e1 desespero vis\u00edvel. H\u00e1 uma dor silenciosa, uma f\u00e9 que permanece mesmo quando tudo parece perdido. Maria \u00e9 a imagem da Igreja que, mesmo na noite da f\u00e9, continua a confiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao redor, poucos permanecem. O disc\u00edpulo amado, algumas mulheres, Jos\u00e9 de Arimateia, Nicodemos. A multid\u00e3o j\u00e1 se foi. O barulho cessou. Restam apenas aqueles que amam. Aqui est\u00e1 uma verdade que n\u00e3o pode ser ignorada: seguir Cristo at\u00e9 o fim implica permanecer quando todos os outros se afastam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O corpo \u00e9 envolto em faixas, conforme o costume judaico, e preparado para o sepultamento (cf. Jo 19,40). N\u00e3o h\u00e1 pressa, mas h\u00e1 urg\u00eancia \u2014 o s\u00e1bado se aproxima. Tudo \u00e9 feito com cuidado, com respeito, com dignidade. Mesmo na morte, Cristo \u00e9 tratado como Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, o descendimento da cruz n\u00e3o \u00e9 apenas um fato do passado. Ele continua a nos interpelar. Quantas vezes retiramos Cristo da nossa vida, do centro das nossas decis\u00f5es, das nossas prioridades? Quantas vezes deixamos que Ele permane\u00e7a apenas como mem\u00f3ria, como tradi\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como presen\u00e7a viva?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas h\u00e1 tamb\u00e9m outra leitura, mais profunda e mais exigente: somos chamados a acolher o Cristo ferido. N\u00e3o apenas o Cristo glorioso da ressurrei\u00e7\u00e3o, mas o Cristo marcado pela dor, presente nos sofrimentos do mundo. <em>\u201cTodas as vezes que fizestes isso a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim que o fizestes\u201d<\/em> (Mt 25,40). O corpo descido da cruz continua presente nos pobres, nos doentes, nos abandonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O sil\u00eancio deste momento \u00e9 necess\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para a cruz. N\u00e3o h\u00e1 respostas r\u00e1pidas para o sofrimento. H\u00e1 apenas a contempla\u00e7\u00e3o de um amor que n\u00e3o recuou, que n\u00e3o desistiu, que foi at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, no entanto, mesmo aqui, no peso desse sil\u00eancio, j\u00e1 existe uma esperan\u00e7a escondida. O corpo \u00e9 retirado da cruz, mas n\u00e3o permanece nela. Ele ser\u00e1 colocado no sepulcro \u2014 e o sepulcro n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje, por\u00e9m, n\u00e3o antecipamos a vit\u00f3ria. Permanecemos aqui, neste momento de dor e de recolhimento. Aprendemos a ficar. Aprendemos a silenciar. Aprendemos a amar mesmo quando n\u00e3o vemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que, ao contemplarmos o Senhor descido da cruz, tenhamos a coragem de tamb\u00e9m descer com Ele \u2014 descer das nossas seguran\u00e7as, do nosso orgulho, das nossas ilus\u00f5es \u2014 para aprender o caminho da verdadeira entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Porque s\u00f3 quem desce com Cristo \u00e9 capaz de subir com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, chegamos a um dos momentos mais densos e silenciosos de toda a Semana Santa: o descendimento do corpo do Senhor da cruz. 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