{"id":97638,"date":"2026-04-04T13:46:27","date_gmt":"2026-04-04T16:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97638"},"modified":"2026-04-07T13:47:22","modified_gmt":"2026-04-07T16:47:22","slug":"vigilia-pascal-na-noite-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vigilia-pascal-na-noite-santa\/","title":{"rendered":"Vig\u00edlia Pascal na Noite Santa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta noite sant\u00edssima, a M\u00e3e Igreja convida todos os seus filhos, dispersos pelo mundo inteiro, a se congregarem em vig\u00edlia e em ora\u00e7\u00e3o profunda. Esta \u00e9 a noite das noites, a &#8220;m\u00e3e de todas as santas vig\u00edlias&#8221;, como t\u00e3o bem a definiu Santo Agostinho. Acabamos de viver uma transi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que nos toca no mais fundo da alma e transforma o nosso ser: passamos das trevas espessas, do sil\u00eancio sepulcral e do luto opressivo do S\u00e1bado Santo para a exulta\u00e7\u00e3o luminosa e incontrol\u00e1vel do Fogo Novo. No adro da nossa Catedral, aben\u00e7oamos o fogo e acendemos o C\u00edrio Pascal. Aquele C\u00edrio rasgou a escurid\u00e3o do templo, recordando-nos, de modo vis\u00edvel, que a luz de Cristo, que ressurge resplandecente, dissipa implacavelmente as trevas do nosso cora\u00e7\u00e3o e do nosso esp\u00edrito. Quando entoamos o sublime canto do <em>Exsultet<\/em>, a Proclama\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, a terra inteira rejubilou, pois percebeu que a morte, o pecado e a condena\u00e7\u00e3o eterna n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra sobre o destino humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da Palavra que proclamamos com tanta rever\u00eancia nesta noite longa n\u00e3o \u00e9 uma mera recorda\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do passado, mas o grande memorial da nossa salva\u00e7\u00e3o, que se atualiza aqui e agora. Come\u00e7amos no princ\u00edpio de tudo, no Livro do G\u00eanesis (Gn 1,1\u20132,2), contemplando a bondade intr\u00ednseca da Cria\u00e7\u00e3o. Deus organizou o caos e criou um mundo belo e ordenado. Depois, acompanhamos a epopeia da liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Israel no Livro do \u00caxodo (Ex 14,15\u201315,1), vendo como o Senhor abriu as \u00e1guas impetuosas do Mar Vermelho. Ele fez o seu povo passar a p\u00e9 enxuto, conduzindo-o da escravid\u00e3o, da servid\u00e3o e da humilha\u00e7\u00e3o do Egito para a gloriosa liberdade da Terra Prometida. Passamos, em seguida, pelas vozes dos Profetas, como a de Ezequiel (Ez 36,16-28), que nos prometeu um cora\u00e7\u00e3o novo e um esp\u00edrito novo, garantindo-nos que Deus retiraria do nosso peito o cora\u00e7\u00e3o de pedra \u2013 insens\u00edvel e endurecido pelo pecado \u2013 e nos daria um cora\u00e7\u00e3o de carne, capaz de amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo sem medidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todo este grandioso percurso hist\u00f3rico e teol\u00f3gico, que nos narra a pedagogia do amor divino, culmina no assombro sem igual diante do sepulcro vazio. A Carta do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Romanos (Rm 6,3-11) j\u00e1 nos preparava, afirmando categoricamente que <em>&#8220;fomos sepultados com ele pelo batismo na morte, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova&#8221;<\/em>. O Evangelho desta sant\u00edssima noite proclama o fato inaudito que transformou para sempre a trajet\u00f3ria do universo. As santas mulheres, que de madrugada acorreram ao sepulcro com os seus aromas e as suas l\u00e1grimas pesadas para ungir um cad\u00e1ver, encontram a imensa pedra rolada. O Anjo do Senhor, envolto em luz celestial, declara-lhes: <em>&#8220;N\u00e3o tenhais medo! Sei que procurais Jesus crucificado. N\u00e3o est\u00e1 aqui, pois ressuscitou, como havia dito&#8221;<\/em> (Mt 28,5-6). Meus amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, o t\u00famulo est\u00e1 definitivamente vazio! O Filho de Deus n\u00e3o podia ser contido pelos grilh\u00f5es terrenos. O Seu corpo sagrado, que na tarde de Sexta-feira fora depositado inerte e ensanguentado, irrompe agora na gl\u00f3ria majestosa da imortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 absolutamente imperativo, contudo, que esta imensa alegria pascal n\u00e3o se encerre no conforto dos muros dos nossos templos. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor nos obriga a olhar para a realidade dos nossos dias com olhos redimidos. A gl\u00f3ria do Cristo Ressuscitado deve, for\u00e7osamente, iluminar as trevas do desespero e da desesperan\u00e7a que ainda afligem tantos cora\u00e7\u00f5es no nosso tempo. O triunfo absoluto da vida nos chama a sermos testemunhas vivas do Ressuscitado. A genu\u00edna alegria da P\u00e1scoa nos impulsiona a sair de n\u00f3s mesmos, a enxugar as l\u00e1grimas dos que choram, a consolar os aflitos e a levar a paz de Cristo a todas as fam\u00edlias. Ao celebrarmos Aquele que venceu a mis\u00e9ria extrema e inexor\u00e1vel da morte, somos imperiosamente convocados a combater a cultura de morte em todas as suas formas e a defender a dignidade inalien\u00e1vel de cada ser humano, desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o seu decl\u00ednio natural. Devemos testemunhar que o Evangelho da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fuga da realidade, mas a for\u00e7a capaz de transfigurar as realidades temporais e de nos conduzir \u00e0 santidade aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste prop\u00f3sito de renova\u00e7\u00e3o, a espiritualidade cisterciense, que tanto marca a minha voca\u00e7\u00e3o e o meu minist\u00e9rio, oferece-nos uma luz pur\u00edssima e segura. O grande \u201cdoutor mel\u00edfluo\u201d, S\u00e3o Bernardo de Claraval, em um de seus bel\u00edssimos e vibrantes serm\u00f5es pascais, exorta-nos a que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo seja o arqu\u00e9tipo da nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o interior. Ele ensina de forma magistral que <em>&#8220;a P\u00e1scoa \u00e9 a passagem; se Cristo passou da morte para a vida, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos passar do v\u00edcio para a virtude, do orgulho para a humildade, do ego\u00edsmo destrutivo para a caridade operante&#8221;<\/em>. Ressuscitar com Cristo implica, sem meios-termos, deixar para tr\u00e1s as vestes velhas e gastas do homem pecador. Significa rejeitar visceralmente a tibieza que nos afasta de Deus e nos revestirmos da luz incandescente da gra\u00e7a, tornando-nos sentinelas e defensores destemidos da f\u00e9 cat\u00f3lica e da verdade do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para selar de forma indel\u00e9vel este compromisso de vida nova, a Liturgia desta vig\u00edlia nos conduz \u00e0 pia batismal. Na Vig\u00edlia Pascal invocamos o poder vivificador do Esp\u00edrito Santo sobre as \u00e1guas. Aquela mesma \u00e1gua primeva, que outrora destruiu o mal no dil\u00favio e que salvou o povo escolhido no Mar Vermelho, torna-se agora o seio fecundo e purificador da M\u00e3e Igreja, de onde nascem os novos herdeiros do Reino de Deus. Renovamos, com f\u00e9 convicta, as promessas do nosso Batismo. Quando o sacerdote interrogar: <em>&#8220;Renunciais a Satan\u00e1s e a todas as suas obras e sedu\u00e7\u00f5es?&#8221;<\/em>, o &#8220;Sim, renuncio&#8221; dever\u00e1 ressoar com a for\u00e7a e a coragem de quem se compromete a combater o mal e a viver na liberdade dos filhos de Deus. Em seguida, quando professamos a nossa f\u00e9 no Deus Trindade, acendemos novamente as nossas pequenas velas na chama viva do C\u00edrio Pascal. Somos, assim, enviados como portadores luminosos dessa mesma luz para o mundo imerso em sombras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cume, o \u00e1pice e a fonte inesgot\u00e1vel desta sant\u00edssima noite \u00e9 a Liturgia Eucar\u00edstica. O Cristo que despeda\u00e7ou as cadeias da morte n\u00e3o \u00e9 uma lembran\u00e7a vaga ou um fantasma distante; Ele est\u00e1 real, vivo e glorioso, oferecendo-Se a n\u00f3s de forma substancial no P\u00e3o da Vida e no C\u00e1lice da Salva\u00e7\u00e3o. A Eucaristia que agora celebraremos \u00e9 o banquete definitivo e inef\u00e1vel do Reino de Deus, o prel\u00fadio antecipado das bodas do Cordeiro, onde, finalmente, saciaremos toda a nossa fome do divino e encontraremos a verdadeira paz para as nossas almas. Aproximemo-nos deste altar com a alma descal\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o transbordante de infinita gratid\u00e3o e o esp\u00edrito tomado pelo santo assombro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que o Aleluia que regressa festivamente \u00e0 nossa liturgia n\u00e3o seja apenas um c\u00e2ntico ef\u00eamero em nossos l\u00e1bios, mas a atitude constante, s\u00f3lida e transformadora das nossas vidas cotidianas. Levem a alegria arrebatadora desta noite para os vossos lares. Sejam os consoladores dos aflitos, os ap\u00f3stolos da miseric\u00f3rdia e os construtores incans\u00e1veis da civiliza\u00e7\u00e3o do amor, onde impere a paz luminosa de Nosso Senhor. A morte foi definitivamente vencida! O amor divino triunfou sobre todos os \u00f3dios!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desejo, do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o de pastor, a toda a nossa car\u00edssima Arquidiocese, a todas as fam\u00edlias e, de modo muito especial, \u00e0queles que mais sofrem as agruras e os abandonos deste tempo, uma Santa, Aben\u00e7oada e Feliz P\u00e1scoa! Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Alegria, que jamais vacilou na escurid\u00e3o do S\u00e1bado Santo e que rejubilou com a ressurrei\u00e7\u00e3o vitoriosa de Seu Divino Filho, nos envolva e nos guarde perpetuamente no seu sagrado cora\u00e7\u00e3o materno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta noite sant\u00edssima, a M\u00e3e Igreja convida todos os seus filhos, dispersos pelo mundo inteiro, a se congregarem em vig\u00edlia e em ora\u00e7\u00e3o profunda. 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