{"id":97448,"date":"2026-03-29T09:10:08","date_gmt":"2026-03-29T12:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97448"},"modified":"2026-04-01T15:10:56","modified_gmt":"2026-04-01T18:10:56","slug":"domingo-de-ramos-da-paixao-do-senhor-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/domingo-de-ramos-da-paixao-do-senhor-4\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje a Igreja nos introduz na Semana Santa com uma liturgia marcada por um profundo contraste. Iniciamos com a prociss\u00e3o de ramos, recordando a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m (cf. Mt 21,1-11), quando o povo o aclama: <em>\u201cHosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!\u201d<\/em> (Mt 21,9). No entanto, poucos instantes depois, escutamos o relato da Paix\u00e3o segundo Evangelho de Mateus (Mt 26,14 \u2013 27,66), onde ecoa o grito: <em>\u201cSeja crucificado!\u201d<\/em> (Mt 27,22-23). A liturgia nos coloca diante dessa mudan\u00e7a para revelar a fragilidade do cora\u00e7\u00e3o humano \u2014 e tamb\u00e9m para nos interpelar diretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m, como nos narra Mateus, realiza a profecia: <em>\u201cEis que o teu rei vem a ti, humilde, montado num jumento\u201d<\/em> (cf. Zc 9,9; Mt 21,5). Cristo \u00e9, de fato, o Messias esperado, mas sua realeza n\u00e3o corresponde \u00e0s expectativas humanas. Ele n\u00e3o vem com poder pol\u00edtico ou militar, mas na humildade. O povo o aclama, mas n\u00e3o compreende plenamente o tipo de Reino que Ele inaugura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na primeira leitura, o profeta Isa\u00edas apresenta o Servo Sofredor: <em>\u201cOfereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; n\u00e3o desviei o rosto de bofet\u00f5es e cusparadas\u201d<\/em> (Is 50,6). E ainda: <em>\u201cO Senhor Deus \u00e9 meu aux\u00edlio, por isso n\u00e3o me deixei abater\u201d <\/em>(Is 50,7). Esta figura encontra sua realiza\u00e7\u00e3o perfeita em Cristo, que, na Paix\u00e3o, assume livremente o sofrimento, permanecendo fiel ao Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo responsorial nos faz rezar com as pr\u00f3prias palavras de Jesus na cruz: <em>\u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d<\/em> (Sl 21[22],2; cf. Mt 27,46). Este grito n\u00e3o \u00e9 desespero, mas ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 a express\u00e3o de quem, mesmo na dor extrema, continua confiando em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na segunda leitura, S\u00e3o Paulo nos apresenta o hino cristol\u00f3gico: <em>\u201cCristo Jesus, existindo em condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o se apegou ao ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo\u201d<\/em> (Fl 2,6-7). E continua<em>: \u201cHumilhou-se, tornando-se obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz\u201d<\/em> (Fl 2,8). Este caminho de humilha\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho da salva\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que <em>\u201cDeus o exaltou acima de tudo\u201d<\/em> (Fl 2,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho da Paix\u00e3o segundo Mateus nos apresenta, com riqueza de detalhes, o sofrimento de Cristo. Vemos a trai\u00e7\u00e3o de Judas (cf. Mt 26,14-16), a nega\u00e7\u00e3o de Pedro (cf. Mt 26,69-75), o abandono dos disc\u00edpulos (cf. Mt 26,56), a injusti\u00e7a do julgamento (cf. Mt 27,11-26) e a zombaria dos soldados (cf. Mt 27,27-31). Tudo isso revela a profundidade da entrega de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Mateus tamb\u00e9m insiste que tudo acontece em cumprimento das Escrituras (cf. Mt 26,54.56). Nada \u00e9 acaso. A cruz faz parte do plano de Deus. Jesus mesmo afirma: <em>\u201cTudo isso aconteceu para se cumprirem as Escrituras dos profetas\u201d <\/em>(Mt 26,56). Isso nos mostra que a Paix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma derrota, mas um caminho assumido livremente por amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No momento extremo, na cruz, Jesus clama: \u201cEli, Eli, lem\u00e1 sabact\u00e2ni?\u201d \u2014 <em>\u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d <\/em>(Mt 27,46). E, ao entregar o esp\u00edrito, acontecem sinais extraordin\u00e1rios: <em>\u201cO v\u00e9u do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas se fenderam\u201d <\/em>(Mt 27,51). Diante disso, o centuri\u00e3o professa a f\u00e9: <em>\u201cVerdadeiramente, este era o Filho de Deus!\u201d<\/em> (Mt 27,54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a liturgia de hoje nos coloca diante de uma escolha. Podemos ser como a multid\u00e3o, que aclama hoje e rejeita amanh\u00e3. Ou podemos ser disc\u00edpulos fi\u00e9is, que permanecem com Cristo at\u00e9 a cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Domingo de Ramos n\u00e3o \u00e9 apenas uma recorda\u00e7\u00e3o, mas um chamado \u00e0 convers\u00e3o. Somos convidados a reconhecer em Jesus o verdadeiro Rei \u2014 aquele que reina a partir da cruz. E isso exige de n\u00f3s uma f\u00e9 madura, capaz de perseverar mesmo nas dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao iniciarmos esta Semana Santa, acolhamos o convite da Igreja: caminhar com Cristo. Participar das celebra\u00e7\u00f5es, meditar sua Paix\u00e3o, deixar que sua entrega transforme o nosso cora\u00e7\u00e3o. Porque somente quem passa pela cruz com Cristo poder\u00e1 participar da sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que, ao segurarmos nossos ramos, possamos renovar nossa ades\u00e3o ao Senhor. E que n\u00e3o sejamos apenas ouvintes da Paix\u00e3o, mas testemunhas do amor que nela se revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, ao final desta semana, poderemos proclamar com verdade, como o centuri\u00e3o: <em>\u201cVerdadeiramente, este era o Filho de Deus!\u201d <\/em>(Mt 27,54). Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, hoje a Igreja nos introduz na Semana Santa com uma liturgia marcada por um profundo contraste. Iniciamos com a prociss\u00e3o de ramos, recordando a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m (cf. 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