{"id":97445,"date":"2026-03-29T09:00:46","date_gmt":"2026-03-29T12:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97445"},"modified":"2026-04-01T15:09:47","modified_gmt":"2026-04-01T18:09:47","slug":"hosanas-ao-filho-de-davi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/hosanas-ao-filho-de-davi\/","title":{"rendered":"Hosanas ao Filho de Davi!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com o Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o do Senhor, damos in\u00edcio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa do Senhor. Este dia re\u00fane, de forma densa e simb\u00f3lica, dois momentos fundamentais: a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m e o an\u00fancio solene de sua Paix\u00e3o e Morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia deste \u00faltimo domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens e deixou-Se matar para que o ego\u00edsmo e o pecado fossem vencidos. A cruz \u2014 que a liturgia deste domingo coloca no horizonte pr\u00f3ximo de Jesus \u2014 apresenta-nos a li\u00e7\u00e3o suprema, o \u00faltimo passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos prop\u00f5e: a doa\u00e7\u00e3o da vida por amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho que precede a Santa Missa, antes da prociss\u00e3o, relembramos que Jesus chega a Jerusal\u00e9m montado num jumentinho e acompanhado pela multid\u00e3o, que o aclama com alegria. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o e carinho ao Mestre, depois de tudo o que Ele fez pelo povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura \u2014 Is 50,4-7 \u2014 apresenta-nos um profeta an\u00f4nimo, chamado por Deus a testemunhar, no meio das na\u00e7\u00f5es, a Palavra da salva\u00e7\u00e3o. Apesar do sofrimento e da persegui\u00e7\u00e3o, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os seus des\u00edgnios. Os primeiros crist\u00e3os viram neste \u201cServo\u201d a figura de Jesus. Isa\u00edas, no c\u00e2ntico do Servo sofredor, antecipa com precis\u00e3o o drama vivido por Cristo: a humilha\u00e7\u00e3o, as agress\u00f5es, mas tamb\u00e9m a firme confian\u00e7a em Deus. O Servo n\u00e3o recua diante do sofrimento, pois sabe que o Senhor est\u00e1 com Ele. Esse retrato cumpre-se plenamente em Jesus, que aceita a Paix\u00e3o sem resist\u00eancia, movido pela obedi\u00eancia e pelo amor. \u00c9 importante lembrar sempre que o servo fiel, disc\u00edpulo e aut\u00eantico profeta, n\u00e3o teme as persegui\u00e7\u00f5es por causa da miss\u00e3o, pois Deus \u00e9 o seu auxiliador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura \u2014 Fl 2,6-11 \u2014 apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrog\u00e2ncia para escolher a obedi\u00eancia ao Pai e o servi\u00e7o aos homens, at\u00e9 o dom da pr\u00f3pria vida. Jesus despoja-Se de tudo, n\u00e3o teve medo e, como verdadeiro Servo, viveu a experi\u00eancia humana at\u00e9 a morte. Deus, por\u00e9m, recompensou a sua fidelidade, exaltando-O na gl\u00f3ria. \u00c9 esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos prop\u00f5e. A Carta aos Filipenses introduz-nos no movimento da Encarna\u00e7\u00e3o e da Cruz: Cristo, sendo Deus, esvaziou-Se da sua gl\u00f3ria, fez-Se servo, assumiu a nossa condi\u00e7\u00e3o e obedeceu at\u00e9 \u00e0 morte de cruz. A Cruz n\u00e3o \u00e9 o fim, mas o caminho da vit\u00f3ria e da exalta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho \u2014 Mt 27,11-54 \u2014 convida-nos a contemplar a Paix\u00e3o e Morte de Jesus: \u00e9 o momento supremo de uma vida feita dom e servi\u00e7o, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera ego\u00edsmo e escravid\u00e3o. Na cruz revela-se o amor de Deus \u2014 um amor que nada guarda para si, mas que se faz dom total. O Evangelho da Paix\u00e3o segundo Mateus narra, com sobriedade e profundidade, os \u00faltimos momentos da vida de Jesus. Mateus descreve o processo de julgamento e condena\u00e7\u00e3o do Justo por excel\u00eancia. Os advers\u00e1rios unem-se para acusar e condenar, como subversivo, o homem de Nazar\u00e9. Destacam-se a sua dignidade diante das falsas acusa\u00e7\u00f5es, o sil\u00eancio que revela autoridade, a entrega livre ao sofrimento, o perd\u00e3o aos algozes e a fidelidade at\u00e9 o \u00faltimo suspiro. Jesus \u00e9 v\u00edtima das autoridades, que n\u00e3o admitem contesta\u00e7\u00e3o. Fiel ao Pai e ao povo at\u00e9 o fim, Ele n\u00e3o se desviou nem desistiu da miss\u00e3o que lhe foi confiada. A Cruz, que parecia sinal de fracasso, revela-se como manifesta\u00e7\u00e3o suprema do amor e da gl\u00f3ria divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do relato da Paix\u00e3o, Mateus insiste no fato de que os acontecimentos est\u00e3o relacionados com o cumprimento das Escrituras (cf. Mt 26,24.30.54.56; 27,9). Mesmo quando n\u00e3o o afirma explicitamente, ele liga os acontecimentos da Paix\u00e3o de Jesus a figuras e fatos do Antigo Testamento, a fim de demonstrar que a Paix\u00e3o e Morte fazem parte do projeto de Deus, previsto desde sempre. Essa insist\u00eancia explica-se pelo fato de Mateus escrever para crist\u00e3os oriundos do juda\u00edsmo; por isso, recorre a cita\u00e7\u00f5es e promessas do Antigo Testamento \u2014 conhecidas de todos \u2014 para demonstrar que Jesus \u00e9 o Messias anunciado pelos profetas e cujo destino passa pelo dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente no Evangelho segundo Mateus aparece o relato da morte de Judas (cf. Mt 27,3-10; h\u00e1 outra vers\u00e3o em At 1,18-19). O epis\u00f3dio evidencia a iniquidade do processo e a inoc\u00eancia de Jesus. A forma como Mateus sublinha o desespero e o arrependimento de Judas deixa clara, por um lado, a inoc\u00eancia de Jesus e, por outro, o desnorte dos respons\u00e1veis pelo processo, empenhados em \u201clavar as m\u00e3os\u201d e declinar responsabilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m s\u00e3o exclusivos de Mateus o sonho da mulher de Pilatos (cf. Mt 27,19) e o gesto de lavar as m\u00e3os por parte do procurador romano (cf. Mt 27,24). Esses pormenores t\u00eam dupla finalidade: mostrar que Jesus \u00e9 inocente \u2014 reconhecido at\u00e9 pelos romanos \u2014 e sugerir que n\u00e3o foi o imp\u00e9rio romano, mas as lideran\u00e7as do pr\u00f3prio povo que rejeitaram Jesus e a sua proposta de Reino. Os pag\u00e3os reconhecem a inoc\u00eancia de Jesus, mas o seu pr\u00f3prio povo rejeita-O. A frase atribu\u00edda ao povo \u2014 <em>\u201co seu sangue caia sobre n\u00f3s e sobre os nossos filhos\u201d<\/em> (Mt 27,25) \u2014 deve ser entendida nesse contexto teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 exclusiva de Mateus a descri\u00e7\u00e3o dos fatos que acompanharam a morte de Jesus:<em> \u201co v\u00e9u do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os t\u00famulos, e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, entraram na cidade e apareceram a muitos\u201d <\/em>(Mt 27,51-53). Esses sinais, pr\u00f3prios da linguagem apocal\u00edptica, sublinham a import\u00e2ncia do momento e revelam que, apesar do aparente fracasso, Deus est\u00e1 presente, manifestando-Se como Salvador e libertador do seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, s\u00f3 Mateus narra o epis\u00f3dio da guarda do sepulcro (cf. Mt 27,62-66), com finalidade apolog\u00e9tica. Diante do rumor de que o corpo de Jesus teria sido roubado, o evangelista apresenta esse relato para afirmar a verdade da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Mateus, cujo Evangelho ouvimos neste ano, refere ainda, ap\u00f3s a purifica\u00e7\u00e3o do templo, dois acontecimentos de car\u00e1ter prof\u00e9tico que revelam a verdadeira miss\u00e3o de Jesus. O evangelista diz: \u201cAproximaram-se d\u2019Ele, no templo, cegos e coxos, e Ele curou-os\u201d. Al\u00e9m disso, as crian\u00e7as repetiam a aclama\u00e7\u00e3o: <em>\u201cHosana ao Filho de Davi\u201d<\/em> (cf. Mt 21,14-15). Jesus contrap\u00f5e ao com\u00e9rcio e aos interesses a sua a\u00e7\u00e3o restauradora. Ele n\u00e3o vem como destruidor, mas como aquele que cura, acolhe e restitui a dignidade. Revela Deus como Aquele que ama, e o seu poder como o poder do amor. Assim, ensina-nos que o verdadeiro culto passa pelo cuidado, pelo servi\u00e7o e pela bondade que restaura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho, na sua busca pela verdade, procurou apoio nas filosofias humanas, mas reconheceu que elas n\u00e3o eram suficientes para conduzi-lo a Deus. Compreendeu que o homem, por si s\u00f3, n\u00e3o alcan\u00e7a o divino. E afirmou que teria desesperado, se n\u00e3o tivesse encontrado Aquele que realiza em n\u00f3s o que n\u00e3o podemos realizar por n\u00f3s mesmos: Jesus Cristo, que desceu at\u00e9 n\u00f3s e, no seu amor crucificado, nos toma pela m\u00e3o e nos conduz ao alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tenhamos medo de proclamar: <em>\u201cHosana ao Filho de Davi!\u201d<\/em>. Nesta Semana Santa, somos chamados a peregrinar rumo \u00e0 Cruz. N\u00e3o tenhamos medo de tomar a nossa cruz de cada dia. Com o Senhor, caminhamos como peregrinos rumo ao alto. Buscamos um cora\u00e7\u00e3o puro e m\u00e3os inocentes; buscamos a verdade e procuramos o rosto de Deus. Manifestemos ao Senhor o desejo de nos tornarmos justos e supliquemos: <em>\u201cAtra\u00ed-nos para o alto! Tornai-nos puros!\u201d<\/em>. Que se cumpra em n\u00f3s a palavra do salmo: que perten\u00e7amos \u00e0 gera\u00e7\u00e3o dos que procuram o Senhor, <em>\u201cdos que buscam a face do Deus de Jac\u00f3\u201d<\/em> (Sl 24[23],6).<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o do Senhor, damos in\u00edcio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa do Senhor. Este dia re\u00fane, de forma densa e simb\u00f3lica, dois momentos fundamentais: a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m e o an\u00fancio solene de sua Paix\u00e3o e Morte. 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