{"id":97378,"date":"2026-04-01T14:28:24","date_gmt":"2026-04-01T17:28:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97378"},"modified":"2026-04-01T14:28:24","modified_gmt":"2026-04-01T17:28:24","slug":"quinta-feira-santa-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quinta-feira-santa-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Quinta-feira Santa \u2013 Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, com esta celebra\u00e7\u00e3o entramos no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal. A Missa da Ceia do Senhor n\u00e3o \u00e9 apenas uma recorda\u00e7\u00e3o da \u00faltima refei\u00e7\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos, mas a atualiza\u00e7\u00e3o sacramental do amor que se entrega \u201cat\u00e9 o fim\u201d (cf. Jo 13,1). Hoje contemplamos tr\u00eas grandes dons que a Igreja recebe: a Eucaristia, o sacerd\u00f3cio e o mandamento do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura, do livro do \u00caxodo (cf. Ex 12,1-8.11-14), nos coloca diante da P\u00e1scoa judaica. O sangue do cordeiro, colocado nos umbrais das portas, era sinal de liberta\u00e7\u00e3o. O povo era salvo da morte e iniciado num caminho de liberdade. Este rito n\u00e3o era apenas mem\u00f3ria, mas memorial: cada gera\u00e7\u00e3o era chamada a reviver aquele acontecimento como atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 exatamente isso que Jesus realiza na \u00daltima Ceia. Ele d\u00e1 um novo sentido \u00e0 P\u00e1scoa. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o cordeiro do \u00caxodo, mas Ele pr\u00f3prio que se oferece. Como nos recorda S\u00e3o Paulo: <em>\u201cIsto \u00e9 o meu corpo que \u00e9 dado por v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de mim\u201d <\/em>(1Cor 11,24). E ainda: <em>\u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a nova alian\u00e7a no meu sangue\u201d<\/em> (1Cor 11,25). Aqui est\u00e1 o centro da nossa f\u00e9: Cristo se faz alimento, se entrega, permanece conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Eucaristia n\u00e3o \u00e9 s\u00edmbolo vazio, nem simples recorda\u00e7\u00e3o. \u00c9 presen\u00e7a real. \u00c9 o pr\u00f3prio Cristo que se d\u00e1. E isso exige de n\u00f3s uma resposta s\u00e9ria. N\u00e3o se pode comungar de qualquer maneira, sem consci\u00eancia, sem f\u00e9, sem convers\u00e3o. Participar da Eucaristia implica entrar na l\u00f3gica da entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho desta noite, segundo Evangelho de Jo\u00e3o (cf. Jo 13,1-15), n\u00e3o narra a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, mas apresenta o gesto do lava-p\u00e9s. E isso n\u00e3o \u00e9 por acaso. S\u00e3o Jo\u00e3o quer nos mostrar o significado profundo da Eucaristia: ela se traduz em servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, o Senhor e Mestre, levanta-se da mesa, tira o manto, ajoelha-se e lava os p\u00e9s dos disc\u00edpulos. \u00c9 um gesto escandaloso. Pedro resiste: <em>\u201cTu nunca me lavar\u00e1s os p\u00e9s!\u201d<\/em> (Jo 13,8). Mas Jesus responde: <em>\u201cSe eu n\u00e3o te lavar, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo\u201d<\/em>. Ou seja, n\u00e3o se pode seguir Cristo sem aceitar ser servido por Ele \u2014 e sem aprender a servir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aqui est\u00e1 uma verdade fundamental: n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia sem caridade. N\u00e3o h\u00e1 comunh\u00e3o com Cristo sem servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podemos participar da Missa, receber o Corpo de Cristo, mas, se n\u00e3o formos capazes de nos abaixar diante dos outros, de servir, de perdoar, de nos doar, ent\u00e3o nossa participa\u00e7\u00e3o se torna incoerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O gesto do lava-p\u00e9s desmonta qualquer ideia de poder dentro da Igreja. Autoridade, no Evangelho, \u00e9 servi\u00e7o. Grandeza \u00e9 humildade. Seguir Cristo \u00e9 descer, n\u00e3o subir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, esta celebra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos recorda o dom do sacerd\u00f3cio. Foi na \u00daltima Ceia que Jesus confiou \u00e0 Igreja a miss\u00e3o de celebrar a Eucaristia: <em>\u201cFazei isto em mem\u00f3ria de mim\u201d<\/em> (Lc 22,19). O sacerdote existe para isso: para tornar presente o sacrif\u00edcio de Cristo, para alimentar o povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas tamb\u00e9m aqui \u00e9 preciso clareza: o sacerdote n\u00e3o \u00e9 dono da Eucaristia. Ele \u00e9 servo. Seu minist\u00e9rio s\u00f3 tem sentido se estiver unido \u00e0 l\u00f3gica do lava-p\u00e9s, \u00e0 l\u00f3gica da entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao final desta celebra\u00e7\u00e3o, o Sant\u00edssimo ser\u00e1 levado em prociss\u00e3o e teremos um momento de adora\u00e7\u00e3o. A Igreja nos convida a permanecer com o Senhor, a vigiar com Ele. \u00c9 o in\u00edcio da noite do Gets\u00eamani.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E aqui surge uma \u00faltima pergunta: somos capazes de permanecer com Cristo? Ou tamb\u00e9m n\u00f3s adormecemos, fugimos, nos afastamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Quinta-feira Santa n\u00e3o permite superficialidade. Ela nos coloca diante do essencial: um Deus que se faz alimento, que se ajoelha, que serve, que se entrega at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante disso, n\u00e3o basta admirar. \u00c9 preciso responder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que, ao participarmos desta Eucaristia, possamos renovar nossa f\u00e9 na presen\u00e7a real de Cristo. Que aprendamos com Ele o caminho do servi\u00e7o. E que tenhamos a coragem de viver o mandamento novo: <em>\u201cAmai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d <\/em>(Jo 13,34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, alimentados pelo Corpo de Cristo e transformados pelo seu amor, possamos ser, no mundo, sinal vivo da sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Irm\u00e3os e irm\u00e3s, com esta celebra\u00e7\u00e3o entramos no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal. A Missa da Ceia do Senhor n\u00e3o \u00e9 apenas uma recorda\u00e7\u00e3o da \u00faltima refei\u00e7\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos, mas a atualiza\u00e7\u00e3o sacramental do amor que se entrega \u201cat\u00e9 o fim\u201d (cf. Jo 13,1). 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