{"id":97013,"date":"2026-01-20T09:12:42","date_gmt":"2026-01-20T12:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=97013"},"modified":"2026-01-20T13:14:28","modified_gmt":"2026-01-20T16:14:28","slug":"dia-do-doente-czerny-acolher-e-cuidar-com-a-linguagem-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dia-do-doente-czerny-acolher-e-cuidar-com-a-linguagem-do-coracao\/","title":{"rendered":"Dia do Doente, Czerny: acolher e cuidar com a \u201clinguagem do cora\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Coletiva de imprensa para apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem do Papa para a XXXIV Jornada Mundial do Doente\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O cardeal prefeito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral conduziu a apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem do Papa para o pr\u00f3ximo 11 de fevereiro: o encontro com os doentes deve ser real, n\u00e3o \u201cfugaz, eletr\u00f4nico\u201d. Mons. Daubanes: em Lourdes \u201cdescobrimo-nos todos feridos\u201d. Giulia Civitelli, volunt\u00e1ria do Ambulat\u00f3rio Caritas: \u201cEntrar em rela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a chave do apoio. Marina Melone, volunt\u00e1ria da Casa \u201cIl Gelsomino\u201d: acolher significa \u201cestar\u201d.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Lorena Leonardi \u2013 Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u201ccuidar \u00e9 tarefa da medicina\u201d, aqui se fala de \u201ccura\u201d, algo \u201cmais amplo e profundo do que simplesmente tratar doen\u00e7as\u201d. E \u201c\u00e9 preciso coragem\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio \u201cler com aten\u00e7\u00e3o e levar a s\u00e9rio, com mente aberta e cora\u00e7\u00e3o aberto\u201d, porque \u201cn\u00e3o deixa voc\u00ea como era antes\u201d. Assim afirmou o cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral (DSSUI), ao apresentar na manh\u00e3 de hoje, 20 de janeiro, na Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, a mensagem para o 34\u00ba Dia Mundial do Doente, celebrado em 11 de fevereiro.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia do encontro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo tratamos os doentes, os idosos, as pessoas com defici\u00eancia, os pobres entre n\u00f3s?\u201d \u00e9 a pergunta de fundo \u00e0 qual responde o texto pontif\u00edcio, que n\u00e3o apenas \u201cretorna ao essencial\u201d, como destacou o cardeal jesu\u00edta, mas que \u00e9 verdadeiramente \u201cpara todos\u201d, crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os. Ele apresentou, ent\u00e3o, sua estrutura em tr\u00eas partes: sobre o encontro \u2014 \u201cimportante n\u00e3o apenas para os doentes, mas para todos\u201d \u2014, sobre a compaix\u00e3o \u2014 \u201csem a qual n\u00e3o h\u00e1 cura\u201d \u2014 e sobre o verdadeiro amor. Nunca como no atual \u201cmundo hiperconectado\u201d se falou tanto de \u201cisolamento, solid\u00e3o, falta de esperan\u00e7a\u201d, refletiu o prefeito do DSSUI, e, portanto, da import\u00e2ncia do encontro: se todos precisam de \u201cum ouvido que escute\u201d, com os doentes o encontro deve ser \u201creal, n\u00e3o sentimental, fugaz, eletr\u00f4nico\u201d. Um encontro \u201cverdadeiro\u201d, \u201ccorajoso\u201d, \u201cinclusivo\u201d, segundo o modelo do bom samaritano proposto pelo Papa, exemplo \u201cn\u00e3o para ser admirado, mas imitado\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Uma \u00fanica humanidade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tradicionalmente dirigido aos profissionais de sa\u00fade e aos agentes pastorais cat\u00f3licos, a mensagem deste ano \u2014 continuou o cardeal \u2014 \u201cdirige-se a todos, porque somos um s\u00f3 corpo, uma \u00fanica humanidade de irm\u00e3os e irm\u00e3s, e quando algu\u00e9m est\u00e1 doente e sofre, todas as outras categorias \u2014 que tendem a dividir \u2014 desaparecem em sua insignific\u00e2ncia\u201d. Por fim, a se\u00e7\u00e3o dedicada ao \u201cverdadeiro amor\u201d e \u00e0s suas tr\u00eas dimens\u00f5es \u201cessenciais e insepar\u00e1veis\u201d: o amor de Deus, o amor ao pr\u00f3ximo e o amor a si mesmo. Se o primeiro \u00e9 \u201cmisterioso\u201d e o terceiro \u201cescorregadio\u201d, amar o pr\u00f3ximo \u2014 entendido como qualquer pessoa que necessite de n\u00f3s \u2014 est\u00e1 \u201cao alcance de todos\u201d, concluiu Czerny.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da proximidade em Lourdes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre sua pr\u00f3pria experi\u00eancia no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de Lourdes, lugar por excel\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a para os doentes, falou o reitor, monsenhor Michel Daubanes, relatando como a mensagem \u201cressoa profundamente\u201d com o que os capel\u00e3es vivem diariamente ao acolher os peregrinos, especialmente \u201caqueles que foram feridos no caminho da vida\u201d. Acolh\u00ea-los \u2014 assegurou \u2014 \u201c\u00e9 uma alegria\u201d, assim como \u201c\u00e9 para eles uma alegria chegar aos p\u00e9s da Virgem, \u00e0 rocha da gruta de Massabielle\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O \u201cmilagre do acolhimento\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em Lourdes as feridas s\u00e3o \u201cnumerosas e evidentes\u201d, n\u00e3o h\u00e1, do mesmo modo, \u201cqualquer tentativa de escond\u00ea-las: quem \u00e9 marcado por elas n\u00e3o se envergonha; s\u00e3o aut\u00eanticas\u201d. Mas, por outro lado, doentes ou n\u00e3o, \u201cdescobrimo-nos todos feridos e, portanto, ao mesmo tempo, todos curados por Cristo, o divino samaritano\u201d, prosseguiu o sacerdote franc\u00eas que desde 2022 dirige o santu\u00e1rio mariano, onde uma rede \u201cantiqu\u00edssima\u201d continua a se expandir e renovar. E onde todos os dias acontece \u201co milagre do acolhimento, da escuta e da fraternidade aut\u00eantica\u201d, tamb\u00e9m por meio de muitos jovens que, em Lourdes, frequentam \u201cuma magn\u00edfica escola de humanidade e de cristianismo\u201d: todos \u201csamaritanos alegres e contagiosos, cujos cora\u00e7\u00f5es nunca cessam de se abrir, cada vez mais\u201d. As condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas n\u00e3o contam, l\u00ednguas e nacionalidades s\u00e3o barreiras fr\u00e1geis, porque \u201ca linguagem utilizada \u00e9 a da caridade\u201d; o modelo econ\u00f4mico \u2014 concluiu Daubanes \u2014 baseia-se na \u201cgenerosidade\u201d, no \u201cvoluntariado\u201d e no \u201cservi\u00e7o desinteressado\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u201cAcolher j\u00e1 \u00e9 cuidar\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma gratuidade vive tamb\u00e9m o Ambulat\u00f3rio da Caritas diocesana de Roma, inspirado pelo lema \u201cAcolher j\u00e1 \u00e9 cuidar\u201d. Quem conta \u00e9 Giulia Civitelli, m\u00e9dica e mission\u00e1ria secular scalabriniana, respons\u00e1vel pela estrutura que, dentro da Esta\u00e7\u00e3o Termini, atende pessoas em condi\u00e7\u00f5es de extrema marginaliza\u00e7\u00e3o social: pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e estrangeiros sem permiss\u00e3o de resid\u00eancia. Criado em 1983 por dom Luigi Di Liegro, hoje funciona gra\u00e7as a 150 volunt\u00e1rios que, em 2025, ajudaram 2.500 pessoas provenientes de mais de 100 pa\u00edses. Mulheres e homens para os quais, muitas vezes, o direito \u00e0 sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 plenamente acess\u00edvel, mas que no Ambulat\u00f3rio encontram escuta e apoio: a doen\u00e7a \u2014 afirmou Civitelli \u2014 \u201cfrequentemente se entrela\u00e7a com hist\u00f3rias dram\u00e1ticas e marginaliza\u00e7\u00e3o social, discrimina\u00e7\u00f5es e explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancias e fugas, traumas e retraumatiza\u00e7\u00f5es, deten\u00e7\u00f5es passadas\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3rias de sofrimento e rela\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um fardo de dor, sofrimento, mortifica\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o, \u201cagravado pela indiferen\u00e7a de quem encontram\u201d, prosseguiu a m\u00e9dica, sublinhando que a maior necessidade de todos \u00e9 \u201centrar em rela\u00e7\u00e3o\u201d. A respons\u00e1vel pelo Ambulat\u00f3rio compartilhou, ent\u00e3o, a hist\u00f3ria de uma mulher albanesa em estado terminal que, nos \u00faltimos meses de vida, acompanhada pelo marido peruano conhecido em um abrigo da Caritas, pediu os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e o desejo de se casar na igreja.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u201cEstar\u201d, mesmo nos piores dias<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, tomou a palavra Marina Melone, da comiss\u00e3o de caridade e acolhida da par\u00f3quia romana de S\u00e3o Greg\u00f3rio VII e volunt\u00e1ria da Casa \u201cIl Gelsomino\u201d, que desde 2017 acolhe pais e crian\u00e7as em tratamento no Hospital Pedi\u00e1trico \u201cBambino Ges\u00f9\u201d. Uma \u201ccasa longe de casa\u201d, nascida gra\u00e7as a um projeto comunit\u00e1rio e aos volunt\u00e1rios da par\u00f3quia, empenhados em uma acolhida que significa, antes de tudo, \u201cestar\u201d, mesmo quando \u2014 comentou Melone \u2014 \u201cem um dia negro\u201d, diante de m\u00e1s not\u00edcias vindas do hospital, \u201cningu\u00e9m sai do quarto nem tem vontade de falar\u201d. Um compromisso que \u2014 ressalta a volunt\u00e1ria \u2014 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, especialmente quando alguma crian\u00e7a n\u00e3o resiste, e ent\u00e3o a raiva e a dor dos pais tornam-se quase incontidas. Nesses momentos, assim como nos igualmente intensos de alegria por uma cura, \u201csentimos que fazemos parte de um corpo unido e maior\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">As perguntas dos jornalistas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final das interven\u00e7\u00f5es, respondendo \u00e0s perguntas dos jornalistas, o cardeal Czerny esclareceu que a mensagem n\u00e3o pede simplesmente \u201c\u00e0s pessoas saud\u00e1veis que ajudem os doentes, porque muitos de n\u00f3s sofrem de maneiras diferentes\u201d; portanto, a hierarquia do amor n\u00e3o impede ajudar os outros. Sobre situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia em que tornar-se pr\u00f3ximo pode ser dif\u00edcil, o cardeal afirmou que \u201ccada cidad\u00e3o pode oferecer apoio, e podemos esperar que muitos gestos de samaritanos se traduzam em pol\u00edticas melhores\u201d. Questionado sobre o suic\u00eddio assistido como rea\u00e7\u00e3o compassiva, o prefeito do DSSUI respondeu que \u201ca compaix\u00e3o \u00e9 algo diferente\u201d, exortando a \u201cpermitir que nossas a\u00e7\u00f5es falem, em vez de sustentar as coisas apenas no plano te\u00f3rico\u201d. Padre Daubanes fez-lhe eco, ressaltando que \u201ccompaix\u00e3o \u00e9 estar presente at\u00e9 o \u00faltimo suspiro, simplesmente. O abandono \u2014 reiterou \u2014 nunca \u00e9 compaix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coletiva de imprensa para apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem do Papa para a XXXIV Jornada Mundial do Doente\u00a0 O cardeal prefeito do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral conduziu a apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem do Papa para o pr\u00f3ximo 11 de fevereiro: o encontro com os doentes deve ser real, n\u00e3o \u201cfugaz, eletr\u00f4nico\u201d. Mons. 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