{"id":96999,"date":"2026-02-01T09:00:14","date_gmt":"2026-02-01T12:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96999"},"modified":"2026-01-20T12:57:24","modified_gmt":"2026-01-20T15:57:24","slug":"homilia-4o-domingo-do-tempo-comum-ano-a-jesus-nos-ensina-a-sermos-bem-aventurados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/homilia-4o-domingo-do-tempo-comum-ano-a-jesus-nos-ensina-a-sermos-bem-aventurados\/","title":{"rendered":"Homilia \u2013 4\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 Ano A Jesus nos ensina a sermos bem-aventurados!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste Quarto Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos conduz ao cora\u00e7\u00e3o do ensinamento de Jesus. O Evangelho das Bem-aventuran\u00e7as, proclamado neste domingo, n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de belas palavras ou ideais elevados, mas o retrato do pr\u00f3prio Cristo e o projeto de vida que Ele prop\u00f5e aos seus disc\u00edpulos. Trata-se de um texto exigente, que confronta diretamente a l\u00f3gica do mundo e nos obriga a rever crit\u00e9rios, escolhas e expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura, do profeta Sofonias (Sf 2,3; 3,12-13), dirige-se a um povo ferido, pequeno e humilhado. O profeta anuncia que Deus n\u00e3o se apoia nos poderosos, nem nos arrogantes, mas preserva um \u201cpovo pobre e humilde\u201d, que confia no nome do Senhor. Essa pobreza n\u00e3o \u00e9 apenas material, mas sobretudo espiritual: \u00e9 a atitude de quem reconhece que n\u00e3o se basta a si mesmo e depende totalmente de Deus. O Senhor promete que esse resto fiel viver\u00e1 em seguran\u00e7a, porque n\u00e3o se apoia na mentira nem na viol\u00eancia, mas na fidelidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa leitura prepara o terreno para compreendermos as Bem-aventuran\u00e7as. Jesus n\u00e3o fala a partir de um ideal abstrato, mas a partir dessa tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica que reconhece nos pobres, nos mansos e nos humildes os verdadeiros herdeiros das promessas de Deus. O Reino n\u00e3o se constr\u00f3i sobre a autossufici\u00eancia, mas sobre a confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O salmo responsorial (Sl 145[146]) refor\u00e7a essa perspectiva ao proclamar que o Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos, d\u00e1 p\u00e3o aos famintos, liberta os prisioneiros e sustenta o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava. Trata-se de um salmo profundamente social e espiritual ao mesmo tempo. Ele afirma que Deus toma partido dos pequenos e denuncia, de modo impl\u00edcito, toda forma de poder que se fecha em si mesmo e esquece os fr\u00e1geis. Louvar o Senhor \u00e9 reconhecer esse modo concreto de agir de Deus na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura, S\u00e3o Paulo escreve \u00e0 comunidade de Corinto (1Cor 1,26-31) e recorda aos crist\u00e3os a pr\u00f3pria origem deles: poucos eram s\u00e1bios segundo crit\u00e9rios humanos, poucos eram poderosos ou de nobre linhagem. Deus escolheu o que \u00e9 fraco para confundir os fortes, o que \u00e9 desprezado para manifestar sua gl\u00f3ria. Paulo desmonta qualquer pretens\u00e3o de superioridade espiritual ou moral. Ningu\u00e9m pode gloriar-se diante de Deus, pois tudo \u00e9 gra\u00e7a. A \u00fanica verdadeira gl\u00f3ria do crist\u00e3o \u00e9 estar em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa advert\u00eancia \u00e9 fundamental para compreendermos corretamente as Bem-aventuran\u00e7as. Elas n\u00e3o s\u00e3o um motivo de orgulho religioso, como se alguns fossem moralmente melhores do que outros. S\u00e3o, antes, um chamado \u00e0 convers\u00e3o profunda, que nos faz abandonar a l\u00f3gica da autopromo\u00e7\u00e3o e abra\u00e7ar a l\u00f3gica da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos, ent\u00e3o, ao Evangelho segundo Mateus (Mt 5,1-12), que nos apresenta Jesus subindo a montanha, sentando-se e ensinando. Esse cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 casual. Jesus aparece como o novo Mois\u00e9s, que n\u00e3o entrega uma lei escrita em t\u00e1buas de pedra, mas grava no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos o caminho do Reino. As Bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o o in\u00edcio do Serm\u00e3o da Montanha e funcionam como a porta de entrada para toda a \u00e9tica crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cBem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us.\u201d<\/em> Jesus come\u00e7a por aquilo que \u00e9 a base de tudo: a pobreza espiritual. N\u00e3o se trata de exaltar a mis\u00e9ria, mas de afirmar que s\u00f3 entra no Reino quem reconhece sua depend\u00eancia de Deus. O pobre em esp\u00edrito n\u00e3o se apoia no pr\u00f3prio poder, n\u00e3o absolutiza bens, cargos ou saberes. Ele sabe que tudo \u00e9 dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cBem-aventurados os mansos, porque possuir\u00e3o a terra.\u201d<\/em> A mansid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fraqueza, mas for\u00e7a controlada, capacidade de n\u00e3o responder ao mal com o mal. Num mundo marcado pela agressividade, pela imposi\u00e7\u00e3o e pelo conflito, a mansid\u00e3o \u00e9 um sinal prof\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cBem-aventurados os que choram, porque ser\u00e3o consolados.\u201d<\/em> Jesus n\u00e3o glorifica o sofrimento, mas garante que a dor n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s l\u00e1grimas humanas. Ele se aproxima de quem sofre e promete consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cBem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a.\u201d<\/em> Aqui, justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas cumprimento da lei, mas fidelidade ao projeto de Deus. \u00c9 o desejo profundo de que a vida seja digna para todos, de que a vontade de Deus se realize na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cBem-aventurados os misericordiosos, os puros de cora\u00e7\u00e3o, os promotores da paz.\u201d<\/em> Essas bem-aventuran\u00e7as revelam o estilo do disc\u00edpulo: miseric\u00f3rdia em vez de julgamento, transpar\u00eancia em vez de duplicidade, reconcilia\u00e7\u00e3o em vez de divis\u00e3o. S\u00e3o atitudes que constroem o Reino no cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, Jesus proclama <em>felizes os perseguidos por causa da justi\u00e7a<\/em>. Essa bem-aventuran\u00e7a revela o pre\u00e7o do seguimento. Viver segundo o Evangelho tem consequ\u00eancias. O disc\u00edpulo n\u00e3o pode esperar aplausos do mundo quando escolhe o caminho da verdade, da justi\u00e7a e da fidelidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o o retrato da vida de Jesus e o caminho concreto que Ele nos prop\u00f5e. S\u00e3o exigentes, porque pedem convers\u00e3o; s\u00e3o desafiadoras, porque invertem valores; e s\u00e3o libertadoras, porque nos conduzem \u00e0 verdadeira felicidade, que n\u00e3o depende do que possu\u00edmos, mas de quem somos diante de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Quarto Domingo do Tempo Comum, somos convidados a nos perguntar com honestidade: em que colocamos a nossa felicidade? Quais crit\u00e9rios orientam nossas escolhas? A l\u00f3gica do mundo ou a l\u00f3gica das Bem-aventuran\u00e7as? Seguir Jesus \u00e9 aceitar que a felicidade passa pela humildade, pelo servi\u00e7o, pela miseric\u00f3rdia e pela fidelidade ao Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o Senhor nos conceda a gra\u00e7a de acolher esse ensinamento n\u00e3o apenas com os ouvidos, mas com a vida. Que as Bem-aventuran\u00e7as se tornem o nosso caminho cotidiano e o sinal de que realmente pertencemos ao Reino dos C\u00e9us.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Quarto Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos conduz ao cora\u00e7\u00e3o do ensinamento de Jesus. O Evangelho das Bem-aventuran\u00e7as, proclamado neste domingo, n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de belas palavras ou ideais elevados, mas o retrato do pr\u00f3prio Cristo e o projeto de vida que Ele prop\u00f5e aos seus disc\u00edpulos. 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