{"id":96997,"date":"2026-01-25T09:00:56","date_gmt":"2026-01-25T12:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96997"},"modified":"2026-01-20T12:55:40","modified_gmt":"2026-01-20T15:55:40","slug":"3o-domingo-do-tempo-comum-ano-a-a-palavra-de-deus-nos-leva-a-um-encontro-concreto-com-cristo-ressuscitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/3o-domingo-do-tempo-comum-ano-a-a-palavra-de-deus-nos-leva-a-um-encontro-concreto-com-cristo-ressuscitado\/","title":{"rendered":"3\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 Ano A A Palavra de Deus nos leva a um encontro concreto com Cristo Ressuscitado!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos coloca diante de um momento decisivo da miss\u00e3o de Jesus: o in\u00edcio p\u00fablico de sua prega\u00e7\u00e3o e o chamado dos primeiros disc\u00edpulos. A Palavra proclamada nos ajuda a compreender que a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o nasce de uma ideia abstrata nem de um sistema moral, mas de um encontro concreto com Cristo, que chama, ilumina e envia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura (Is 8,23b\u20139,3), apresenta uma imagem forte e profundamente simb\u00f3lica: o povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Trata-se de um povo marcado pela dor, pela humilha\u00e7\u00e3o e pela perda da esperan\u00e7a. As regi\u00f5es de Zabulon e Neftali, citadas pelo profeta, eram terras desprezadas, periferias de Israel, frequentemente invadidas e dominadas por povos estrangeiros. Ali reinavam a inseguran\u00e7a, a opress\u00e3o e a sensa\u00e7\u00e3o de abandono. No entanto, \u00e9 justamente nessas terras esquecidas que Deus promete fazer brilhar a sua luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa profecia encontra seu pleno cumprimento no Evangelho deste domingo. Jesus inicia sua miss\u00e3o exatamente nessas regi\u00f5es consideradas marginais, distantes do centro religioso e pol\u00edtico. Isso n\u00e3o \u00e9 um detalhe secund\u00e1rio, mas uma revela\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do Reino de Deus: Ele come\u00e7a pelas periferias, pelos lugares feridos da hist\u00f3ria, pelos cora\u00e7\u00f5es cansados e desiludidos. A luz de Deus n\u00e3o surge onde tudo j\u00e1 est\u00e1 resolvido, mas onde a escurid\u00e3o parece mais densa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O salmo responsorial (Sl 26[27]) ecoa essa certeza ao proclamar: <em>\u201cO Senhor \u00e9 minha luz e salva\u00e7\u00e3o; de quem terei medo?\u201d.<\/em> A confian\u00e7a no Senhor nasce da experi\u00eancia de sua presen\u00e7a. Quando Deus \u00e9 luz, o medo n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. Quando Ele \u00e9 salva\u00e7\u00e3o, a vida n\u00e3o fica ref\u00e9m das amea\u00e7as. O salmo nos convida a uma f\u00e9 que n\u00e3o ignora as dificuldades, mas que se sustenta na convic\u00e7\u00e3o de que Deus caminha conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura, S\u00e3o Paulo escreve \u00e0 comunidade de Corinto (1Cor 1,10-13.17) e faz uma exorta\u00e7\u00e3o firme contra as divis\u00f5es. A comunidade estava fragmentada, marcada por disputas internas, prefer\u00eancias pessoais e rivalidades. Paulo \u00e9 claro: Cristo n\u00e3o est\u00e1 dividido. A cruz de Cristo n\u00e3o pode ser instrumentalizada para projetos pessoais ou grupos fechados. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 espa\u00e7o para vaidades, mas para comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa advert\u00eancia \u00e9 extremamente atual. Tamb\u00e9m hoje, a Igreja corre o risco de se dividir por ideologias, gostos pessoais, lideran\u00e7as ou vis\u00f5es parciais do Evangelho. Quando o centro deixa de ser Cristo, surgem as rupturas. S\u00e3o Paulo nos recorda que a unidade n\u00e3o \u00e9 uniformidade, mas comunh\u00e3o em torno do essencial: Jesus crucificado e ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos, ent\u00e3o, ao Evangelho de Mateus (Mt 4,12-23), que nos apresenta tr\u00eas movimentos fundamentais da miss\u00e3o de Jesus: Ele anuncia, chama e forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, Jesus anuncia: <em>\u201cConvertei-vos, porque o Reino dos C\u00e9us est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d<\/em>. Convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas abandonar pecados evidentes, mas mudar a dire\u00e7\u00e3o da vida, rever prioridades, deixar que Deus ocupe o centro. Converter-se \u00e9 sair das trevas e caminhar na luz. \u00c9 permitir que a Palavra de Deus questione nossas escolhas, nossos h\u00e1bitos e nossas seguran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, Jesus chama. \u00c0 beira do mar da Galileia, Ele encontra homens simples, pescadores que viviam do trabalho cotidiano. N\u00e3o eram doutores da Lei, nem l\u00edderes religiosos, nem pessoas influentes. Ainda assim, Jesus os chama: \u201cSegui-me, e eu farei de v\u00f3s pescadores de homens\u201d. O chamado de Jesus n\u00e3o se baseia em m\u00e9ritos humanos, mas na disponibilidade do cora\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o escolhe os mais preparados; Ele prepara os que escolhe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta dos disc\u00edpulos \u00e9 imediata: deixam as redes, o barco, o pai e seguem Jesus. Esse detalhe \u00e9 fundamental. Seguir Jesus implica deixar algo para tr\u00e1s. N\u00e3o se pode seguir o Senhor mantendo todas as seguran\u00e7as intactas. As \u201credes\u201d que precisamos deixar hoje podem ser o comodismo, o individualismo, o apego excessivo a bens, o medo de se comprometer ou a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, o Evangelho nos mostra Jesus formando os disc\u00edpulos: Ele percorre a Galileia ensinando, proclamando o Reino e curando os doentes. A miss\u00e3o de Jesus \u00e9 integral: toca a mente, o cora\u00e7\u00e3o e o corpo. Onde o Reino chega, a vida \u00e9 restaurada. E os disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a aprender esse mesmo modo de agir: anunciar com palavras, testemunhar com a vida e cuidar das feridas humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Terceiro Domingo do Tempo Comum nos interpela profundamente. Somos chamados a reconhecer onde ainda existem trevas em nossa vida e em nossa sociedade, e a permitir que a luz de Cristo brilhe. Somos convidados \u00e0 convers\u00e3o cont\u00ednua, que n\u00e3o se esgota em um momento, mas acompanha toda a vida crist\u00e3. Somos convocados a seguir Jesus com decis\u00e3o, deixando para tr\u00e1s aquilo que nos impede de caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, a Palavra nos recorda que seguir Jesus n\u00e3o \u00e9 um caminho solit\u00e1rio. Somos chamados em comunidade, para viver a comunh\u00e3o e n\u00e3o a divis\u00e3o, para construir a unidade e n\u00e3o os conflitos. Em um mundo marcado por rupturas e polariza\u00e7\u00f5es, o testemunho de uma Igreja unida em torno de Cristo torna-se ainda mais necess\u00e1rio e prof\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o Senhor nos conceda a gra\u00e7a de ouvir hoje o seu chamado, de responder com generosidade e de caminhar na luz do seu Reino. Que, deixando nossas redes, possamos seguir Jesus e nos tornar, com humildade e fidelidade, seus disc\u00edpulos mission\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos coloca diante de um momento decisivo da miss\u00e3o de Jesus: o in\u00edcio p\u00fablico de sua prega\u00e7\u00e3o e o chamado dos primeiros disc\u00edpulos. 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