{"id":96978,"date":"2026-01-20T12:43:55","date_gmt":"2026-01-20T15:43:55","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96978"},"modified":"2026-01-20T12:43:55","modified_gmt":"2026-01-20T15:43:55","slug":"sao-sebastiao-o-padroeiro-a-cidade-e-a-fortaleza-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sao-sebastiao-o-padroeiro-a-cidade-e-a-fortaleza-da-fe\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Sebasti\u00e3o O Padroeiro, a Cidade e a Fortaleza da F\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao celebrarmos o dia 20 de janeiro, o cora\u00e7\u00e3o da \u201cCidade Maravilhosa\u201d bate mais forte. N\u00e3o se trata apenas de um feriado municipal ou de uma data no calend\u00e1rio civil, mas do dia em que a Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro e todo o povo carioca se voltam para o seu glorioso padroeiro. Celebrar S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u00e9 celebrar a pr\u00f3pria identidade desta terra, que nasceu sob o signo da f\u00e9 e do combate espiritual em defesa da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhar para a imagem de S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u2013 o jovem soldado, o m\u00e1rtir, o <em>Miles Christi<\/em> \u2013 \u00e9 olhar para um espelho onde a hist\u00f3ria da Igreja e a hist\u00f3ria do Rio de Janeiro se encontram de forma providencial. Como nos recorda a tradi\u00e7\u00e3o e os textos que meditamos ao longo dos anos, incluindo reflex\u00f5es, pronunciamentos e homilias que pronunciei desde a minha chegada nesta Arquidiocese, Sebasti\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um mito distante, mas uma presen\u00e7a viva na comunh\u00e3o dos santos que intercede por nossas lutas di\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hagiografia nos conta que Sebasti\u00e3o viveu no s\u00e9culo III. Era um homem de confian\u00e7a do Imp\u00e9rio, capit\u00e3o da Guarda Pretoriana. Ele servia aos imperadores terrenos, Diocleciano e Maximiano, mas, no sil\u00eancio do seu cora\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica de suas obras, servia a um Imperador maior: Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 impressionante notar a atualidade de sua postura. Sebasti\u00e3o vivia no mundo, tinha uma profiss\u00e3o secular, lidava com as estruturas de poder de sua \u00e9poca, mas n\u00e3o se deixava corromper por elas. Ele usava sua farda n\u00e3o para oprimir, mas para servir aos irm\u00e3os perseguidos. Dizem as atas de seu mart\u00edrio que ele era o anjo da guarda dos crist\u00e3os encarcerados, levando a Eucaristia e a palavra de \u00e2nimo \u00e0queles que iam ser lan\u00e7ados \u00e0s feras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando sua f\u00e9 foi descoberta, a senten\u00e7a foi cruel. Amarrado a um tronco, foi alvejado por flechas. Os algozes, crentes de que o haviam matado, deixaram-no l\u00e1. Mas a Provid\u00eancia Divina tinha outros planos. Socorrido pela vi\u00fava Irene, Sebasti\u00e3o sobreviveu. E aqui reside o ponto central de sua santidade heroica: ele poderia ter fugido. Poderia ter vivido o resto de seus dias escondido, como um sobrevivente silencioso. Mas o amor a Cristo o impeliu a voltar. Ele apresentou-se novamente diante do Imperador para repreend\u00ea-lo por sua injusti\u00e7a contra os crist\u00e3os. Desta vez, o mart\u00edrio foi consumado com a\u00e7oites at\u00e9 a morte, e seu corpo jogado na <em>Cloaca Maxima<\/em> de Roma, de onde foi resgatado para ser sepultado nas catacumbas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este duplo mart\u00edrio \u2013 o das flechas (incruento, pois sobreviveu) e o dos a\u00e7oites (cruento) \u2013 nos mostra que a fidelidade a Deus n\u00e3o conhece meias medidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A devo\u00e7\u00e3o a este santo chegou ao Brasil com os portugueses, mas foi aqui, na Ba\u00eda de Guanabara, que ela criou ra\u00edzes profundas e definitivas. A funda\u00e7\u00e3o da nossa cidade est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 intercess\u00e3o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Remontamos ao ano de 1565. Est\u00e1cio de S\u00e1 fundou a cidade num contexto de batalha. Havia a necessidade de expulsar os invasores franceses calvinistas que amea\u00e7avam a unidade do territ\u00f3rio e a f\u00e9 cat\u00f3lica na terra de Santa Cruz. A batalha decisiva aconteceu em 20 de janeiro de 1567, na regi\u00e3o de Uru\u00e7umirim (atual Outeiro da Gl\u00f3ria\/Flamengo). Conta a piedosa tradi\u00e7\u00e3o \u2013 e os relatos da \u00e9poca \u2013 que o pr\u00f3prio S\u00e3o Sebasti\u00e3o teria sido visto lutando ao lado dos portugueses e dos ind\u00edgenas temimin\u00f3s, liderados por Arariboia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dia, Est\u00e1cio de S\u00e1 foi ferido por uma flecha envenenada, vindo a falecer posteriormente, selando com seu pr\u00f3prio sangue a funda\u00e7\u00e3o da cidade que levaria o nome do santo: S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro. Portanto, o Rio nasce sob o signo do mart\u00edrio, da luta e da vit\u00f3ria da f\u00e9. O sangue do fundador mistura-se, misticamente, ao sangue do padroeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, a rela\u00e7\u00e3o do carioca com o santo n\u00e3o \u00e9 superficial. O povo do Rio de Janeiro, que tantas vezes sofre com a viol\u00eancia urbana \u2013 as \u201cflechas\u201d modernas que ferem inocentes em nossas comunidades \u2013, encontra em S\u00e3o Sebasti\u00e3o algu\u00e9m que entende a dor, que entende o ferimento, mas que, acima de tudo, aponta para a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletindo sobre a imagem cl\u00e1ssica do nosso padroeiro, vemos as flechas que perfuram sua carne. Para o olhar humano, \u00e9 a imagem da derrota. Para o olhar da f\u00e9, \u00e9 o trof\u00e9u da vit\u00f3ria. As flechas n\u00e3o conseguiram matar a alma de Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, nossa cidade tamb\u00e9m \u00e9 alvejada. Somos alvejados pela desigualdade, pela falta de paz, pelo desrespeito \u00e0 vida humana desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim natural, e pelas ideologias que tentam esvaziar o sentido transcendente da exist\u00eancia. No entanto, assim como Sebasti\u00e3o n\u00e3o desanimou e, curado, voltou a anunciar o Evangelho, o crist\u00e3o carioca \u00e9 chamado a ser esse sinal de contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 desta cidade \u00e9 resiliente. Vemos isso na prociss\u00e3o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, que anualmente re\u00fane multid\u00f5es, fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que o Rio de Janeiro n\u00e3o pertence ao caos, mas pertence a Deus. Quando carregamos o padroeiro pelas ruas do Centro, da Tijuca at\u00e9 a Catedral, estamos reafirmando que os valores do Evangelho \u2013 a caridade, a verdade, a justi\u00e7a e a paz \u2013 s\u00e3o os verdadeiros alicerces desta metr\u00f3pole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Sebasti\u00e3o foi fiel at\u00e9 o fim. Ele n\u00e3o negociou sua consci\u00eancia. Num tempo em que o relativismo impera, onde \u201ctudo \u00e9 verdade e nada \u00e9 verdade\u201d, a firmeza do Soldado Sebasti\u00e3o nos convoca a uma coer\u00eancia de vida. N\u00e3o podemos ser crist\u00e3os apenas dentro da Igreja; precisamos ser crist\u00e3os na pol\u00edtica, na economia, na cultura e nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste dia festivo, elevamos nossas preces. Pedimos a S\u00e3o Sebasti\u00e3o que olhe pelo sucessor de Est\u00e1cio de S\u00e1 e por todos os governantes, para que busquem o bem comum. Pedimos que olhe pelos nossos irm\u00e3os que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua, pelos doentes nos hospitais e pelos encarcerados \u2013 lembrando que o pr\u00f3prio santo foi visitador de c\u00e1rceres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o exemplo de S\u00e3o Sebasti\u00e3o nos inspire a n\u00e3o temer aqueles que matam o corpo, mas n\u00e3o podem matar a alma. Que a sua prote\u00e7\u00e3o nos livre da peste, da fome e da guerra, como rezamos na ladainha antiga. E que o Rio de Janeiro, fiel \u00e0 sua origem e ao seu nome, continue sendo uma terra de f\u00e9, onde o Cristo Redentor, de bra\u00e7os abertos, acolhe a todos sob o olhar atento de seu m\u00e1rtir protetor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao celebrarmos o dia 20 de janeiro, o cora\u00e7\u00e3o da \u201cCidade Maravilhosa\u201d bate mais forte. 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