{"id":96960,"date":"2026-01-14T12:20:54","date_gmt":"2026-01-14T15:20:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96960"},"modified":"2026-01-20T12:22:15","modified_gmt":"2026-01-20T15:22:15","slug":"clorose-a-esquisita-doenca-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/clorose-a-esquisita-doenca-do-amor\/","title":{"rendered":"Clorose: a esquisita &#8216;doen\u00e7a do amor&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor \u00e9 cura, mas tamb\u00e9m \u00e9 loucura.\u201d \u201cA Psican\u00e1lise \u00e9, em sua ess\u00eancia, uma cura pelo amor!\u201d, afirmou o renomado m\u00e9dico neurologista austr\u00edaco, professor e criador da psican\u00e1lise Dr. Sigmund Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escritores, pintores, poetas e dramaturgos se debru\u00e7aram &#8211; mais at\u00e9 do que m\u00e9dicos &#8211; sobre a doen\u00e7a. O motivo talvez esteja no perfil das v\u00edtimas: eram em sua maioria meninas adolescentes ou jovens ap\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sintomas eram variados e muitas vezes vagos: apar\u00eancia &#8220;p\u00e1lida, como se estivessem sem sangue&#8221;, avers\u00e3o \u00e0 comida (carne em particular), dificuldade para respirar, palpita\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as de humor, fadiga, apatia e tornozelos inchados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a recebeu outros nomes, como\u00a0<em>febris amatoria<\/em>\u00a0ou &#8220;febre amorosa&#8221;, at\u00e9 que o Dr. Jean Varandal, professor de Medicina em Montpellier, cunhou o termo &#8220;clorose&#8221; em 1619. A clorose \u00e9 um enigma na hist\u00f3ria da medicina. Crescia e diminu\u00eda sem uma explica\u00e7\u00e3o clara, e chamou a aten\u00e7\u00e3o em particular no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se ter uma ideia, nos registros hist\u00f3ricos da Enfermaria de Finsbury, em Londres, entre 20 de mar\u00e7o e 20 de abril de 1800, o transtorno &#8220;clorose e amenorreia&#8221; era o segundo mais citado, depois de &#8220;problemas pulmonares sem febre&#8221;. Na d\u00e9cada de 1890, 16% das interna\u00e7\u00f5es no Hospital S\u00e3o Bartolomeu, em Londres, eram por essa causa. Depois, sem que haja uma explica\u00e7\u00e3o clara, os registros da doen\u00e7a come\u00e7aram a decair. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, esses registros desapareceram, deixando perguntas: seria porque os sintomas foram atribu\u00eddos a um diagn\u00f3stico diferente? Ou porque o tratamento ficou mais eficiente ao focar a dieta das pacientes, em vez da sua virgindiade? Ou por algum motivo o mal deixou de ser diagnosticado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rias hip\u00f3teses que tentam explicar esse desaparecimento, geralmente mencionando melhoras na alimenta\u00e7\u00e3o e nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Houve m\u00e9dicos que relacionaram a doen\u00e7a \u00e0 riqueza, sugerindo que os costumes sociais das mulheres mais abastadas, como usar corpetes justos e levar uma vida sedent\u00e1ria de pouca exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz solar e ao exerc\u00edcio f\u00edsico, causavam predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 clorose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicoterapeuta e pesquisadora do Ambulat\u00f3rio do Amor em Excesso da Faculdade de Medicina da USP, Dra. Eglacy Sophia, destaca alguns sintomas dos \u2018doentes de amor\u2019: \u201cSintomas de abstin\u00eancia (como ang\u00fastia, taquicardia e suor) na aus\u00eancia ou no distanciamento (mesmo afetivo) do amado\u201d e \u201catitudes para reduzir ou controlar o comportamento de cuidar do parceiro s\u00e3o malsucedidas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor patol\u00f3gico \u00e9 uma doen\u00e7a que causa depend\u00eancia, como se fosse uma droga, sendo a parceira ou parceiro o entorpecente. A pessoa doente se torna impulsiva e compulsiva devido ao v\u00edcio. Esse amor doentio \u00e9 a causa de muitas enfermidades, ansiedade, depress\u00e3o e suic\u00eddio. Ele \u00e9 causador de agressividade, desrespeito, relacionamentos falidos e de tantas incompatibilidades. Quem vive nessa situa\u00e7\u00e3o, deve buscar tratamento m\u00e9dico e terap\u00eautico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prof. Dr. In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale, Psicanalista Cl\u00ednico, PhD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialista em Psicologia Cl\u00ednica pela Faculdade Dom Alberto-RS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialista Psicologia da Sa\u00fade, pela Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o-MG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doutorado em Psican\u00e1lise Cl\u00ednica pela Escola de Psican\u00e1lise da Sociedade Brasileira de Psican\u00e1lise Contempor\u00e2nea. Rio de Janeiro-RJ. Cadastrada na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 (ONU).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autor do livro Terapia Psicanal\u00edtica: Demolindo a Ansiedade, a Depress\u00e3o e a Posse da Sa\u00fade F\u00edsica e Psicol\u00f3gica\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO amor \u00e9 cura, mas tamb\u00e9m \u00e9 loucura.\u201d \u201cA Psican\u00e1lise \u00e9, em sua ess\u00eancia, uma cura pelo amor!\u201d, afirmou o renomado m\u00e9dico neurologista austr\u00edaco, professor e criador da psican\u00e1lise Dr. Sigmund Freud. Escritores, pintores, poetas e dramaturgos se debru\u00e7aram &#8211; mais at\u00e9 do que m\u00e9dicos &#8211; sobre a doen\u00e7a. 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