{"id":96797,"date":"2026-01-01T09:00:45","date_gmt":"2026-01-01T12:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96797"},"modified":"2026-01-03T10:55:06","modified_gmt":"2026-01-03T13:55:06","slug":"solenidade-de-maria-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/solenidade-de-maria-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"SOLENIDADE DE MARIA, M\u00c3E DE DEUS"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">A Igreja, guiada pela pedagogia do Esp\u00edrito Santo, inicia o novo ano civil colocando-nos diante de um dos mist\u00e9rios mais profundos e decisivos da nossa f\u00e9: <\/span><\/span><span class=\"s1\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Maria, M\u00e3e de Deus<\/span><\/span><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">. N\u00e3o come\u00e7amos o ano olhando para n\u00f3s mesmos, para nossos planos, metas ou incertezas, mas fixando o olhar naquele que d\u00e1 sentido ao tempo e \u00e0 hist\u00f3ria: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que entrou no mundo pelo seio da Virgem Maria.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Celebrar Maria como M\u00e3e de Deus n\u00e3o \u00e9 um acr\u00e9scimo secund\u00e1rio \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, nem uma devo\u00e7\u00e3o paralela ao mist\u00e9rio de Cristo. Trata-se de uma verdade central da f\u00e9 da Igreja, solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, no ano 431, para salvaguardar a identidade de Jesus. Ao afirmar que Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus \u2013 a Theotokos \u2013, a Igreja confessa que o Filho que ela gerou segundo a carne \u00e9 o mesmo Filho eterno do Pai. N\u00e3o s\u00e3o dois sujeitos, n\u00e3o s\u00e3o duas pessoas, mas um \u00fanico Senhor, o Emmanuel, Deus conosco.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Por isso, esta solenidade n\u00e3o nos afasta de Cristo, mas nos conduz mais profundamente a Ele. Maria nunca ocupa o centro; ela aponta sempre para o centro, que \u00e9 Cristo. Seu papel na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. Onde Maria \u00e9 corretamente compreendida, Cristo \u00e9 verdadeiramente confessado.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">A primeira leitura (cf. Nm 6,22-27), apresenta a antiga b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de Israel. \u00c9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que invoca a prote\u00e7\u00e3o, a gra\u00e7a e a paz de Deus sobre o seu povo. Esta b\u00ean\u00e7\u00e3o, repetida durante s\u00e9culos na hist\u00f3ria do povo eleito, encontra sua realiza\u00e7\u00e3o plena quando Deus n\u00e3o apenas aben\u00e7oa de longe, mas <\/span><\/span><span class=\"s1\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">vem habitar no meio do seu povo<\/span><\/span><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">. Em Maria, a b\u00ean\u00e7\u00e3o torna-se presen\u00e7a. O rosto de Deus, antes apenas desejado, agora pode ser contemplado na face do Menino Jesus.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">O salmo responsorial refor\u00e7a essa s\u00faplica universal: <\/span><\/span><span class=\"s3\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">\u201cQue Deus nos d\u00ea a sua gra\u00e7a e sua b\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d<\/span><\/span><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">. A humanidade inteira, marcada pelo pecado e pela fragilidade, clama pela miseric\u00f3rdia de Deus. Maria \u00e9 a resposta concreta a esse clamor. Nela, a gra\u00e7a n\u00e3o encontra resist\u00eancia. Ela se torna terra f\u00e9rtil onde a Palavra pode germinar, crescer e dar fruto abundante.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">S\u00e3o Paulo, na Carta aos G\u00e1latas (cf. Gl 4,4-7), oferece-nos uma chave decisiva para compreender esta solenidade: <\/span><\/span><span class=\"s3\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">\u201cQuando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher\u201d<\/span><\/span><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">. Esta afirma\u00e7\u00e3o revela que a hist\u00f3ria n\u00e3o caminha ao acaso. Existe uma plenitude, um tempo favor\u00e1vel, um momento escolhido por Deus. E, nesse momento, Deus entra na hist\u00f3ria por meio de uma mulher concreta, com nome, cultura, l\u00edngua e hist\u00f3ria: Maria de Nazar\u00e9.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Ao afirmar que o Filho nasceu de uma mulher, S\u00e3o Paulo destaca a plena humanidade de Cristo e, ao mesmo tempo, a dignidade singular da maternidade de Maria. Ela n\u00e3o \u00e9 apenas o canal biol\u00f3gico da Encarna\u00e7\u00e3o, mas a colaboradora consciente do plano divino. Seu \u201csim\u201d livre e respons\u00e1vel inaugura uma nova etapa na rela\u00e7\u00e3o entre Deus e a humanidade. Onde Eva dissera n\u00e3o, Maria diz sim; onde a desobedi\u00eancia trouxe a morte, a obedi\u00eancia gera a vida.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">O Evangelho segundo S\u00e3o Lucas (cf. Lc 2,16-21) apresenta-nos Maria em atitude de profunda contempla\u00e7\u00e3o. Enquanto os pastores anunciam o que lhes foi revelado, Maria guarda tudo em seu cora\u00e7\u00e3o. Este cora\u00e7\u00e3o de Maria n\u00e3o \u00e9 um lugar de passividade, mas de discernimento espiritual. Ela acolhe os acontecimentos, confronta-os com a Palavra de Deus e busca compreender o agir divino na hist\u00f3ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Em um mundo marcado pela superficialidade, pela velocidade excessiva e pela dificuldade de sil\u00eancio, Maria nos ensina a arte da escuta e da interioridade. Guardar e meditar n\u00e3o significa fugir da realidade, mas aprofund\u00e1-la. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 feita de impulsos moment\u00e2neos, mas de um caminho paciente de compreens\u00e3o do mist\u00e9rio de Deus que se revela progressivamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Ao celebrarmos Maria, M\u00e3e de Deus, no primeiro dia do ano, somos convidados a rever nossa maneira de viver o tempo. O tempo n\u00e3o \u00e9 apenas uma sucess\u00e3o de dias e meses; \u00e9 o espa\u00e7o onde Deus continua a agir. Cada ano que se inicia \u00e9 uma nova oportunidade de salva\u00e7\u00e3o, de convers\u00e3o e de compromisso com o Evangelho. Maria nos ensina a viver o tempo como dom e n\u00e3o como amea\u00e7a.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Esta solenidade coincide, de modo significativo, com o 59\u00ba. <\/span><\/span><span class=\"s1\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Dia Mundial da Paz, feliz iniciativa de mais de meio s\u00e9culo intu\u00edda pelo grande S\u00e3o Paulo VI<\/span><\/span><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de paz verdadeira sem falar de Cristo, o Pr\u00edncipe da Paz. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acolher plenamente Cristo sem aprender com Maria. Ela trouxe ao mundo aquele que derruba os muros da inimizade, reconcilia os povos e restaura a comunh\u00e3o entre Deus e a humanidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Num mundo dilacerado por guerras, viol\u00eancia, exclus\u00f5es e desigualdades, a figura de Maria surge como um sinal prof\u00e9tico. Deus escolhe o caminho da humildade, da pequenez e do servi\u00e7o. Ele n\u00e3o nasce nos pal\u00e1cios do poder, mas numa estrebaria e \u00e9 reclinado em uma manjedoura. Maria, mulher simples de Nazar\u00e9, torna-se M\u00e3e de Deus e, assim, proclama que a l\u00f3gica divina \u00e9 profundamente diferente da l\u00f3gica do mundo.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Maria \u00e9 tamb\u00e9m M\u00e3e da Igreja. No Calv\u00e1rio, Jesus confia o disc\u00edpulo amado \u00e0 sua M\u00e3e e, nele, toda a comunidade dos crentes. Desde ent\u00e3o, Maria acompanha a Igreja em sua peregrina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, sustentando-a na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade. Ela conhece as dores da Igreja, suas crises e desafios, mas continua a apontar para Cristo como \u00fanica fonte de salva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Ao iniciarmos este novo ano, somos convidados a colocar nossa vida pessoal, nossas fam\u00edlias, nossas comunidades e toda a sociedade sob a prote\u00e7\u00e3o materna de Maria. Que ela nos ajude a discernir os sinais dos tempos, a permanecer fi\u00e9is ao Evangelho e a gerar Cristo no mundo de hoje por meio do testemunho coerente e da caridade concreta.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Que este ano n\u00e3o seja marcado pelo medo do futuro, mas pela confian\u00e7a naquele que j\u00e1 venceu o mundo. Que n\u00e3o seja dominado pela indiferen\u00e7a, mas pela responsabilidade fraterna. Que n\u00e3o seja conduzido pela l\u00f3gica do ego\u00edsmo, mas pela l\u00f3gica do dom.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span class=\"s2\"><span style=\"font-size: 14.0pt;\">Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, ensina-nos a dizer \u201csim\u201d a Deus todos os dias, mesmo quando n\u00e3o compreendemos plenamente seus des\u00edgnios. Ensina-nos a confiar, a esperar e a amar. E que, sob sua intercess\u00e3o, possamos viver este novo ano, em esp\u00edrito mission\u00e1rio dentro de nossa Arquidiocese, como verdadeiro tempo de gra\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja, guiada pela pedagogia do Esp\u00edrito Santo, inicia o novo ano civil colocando-nos diante de um dos mist\u00e9rios mais profundos e decisivos da nossa f\u00e9: Maria, M\u00e3e de Deus. 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