{"id":96700,"date":"2025-12-28T11:01:46","date_gmt":"2025-12-28T14:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96700"},"modified":"2025-12-29T11:05:44","modified_gmt":"2025-12-29T14:05:44","slug":"o-senhor-nos-envia-em-missao-carta-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-senhor-nos-envia-em-missao-carta-pastoral\/","title":{"rendered":"O SENHOR NOS ENVIA EM MISS\u00c3O &#8211; CARTA PASTORAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carta Pastoral e promulga\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es do II S\u00ednodo Arquidiocesano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>28 de dezembro de 2025<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o Diocesana do Jubileu da Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fundamentos da Miss\u00e3o e Orienta\u00e7\u00f5es Mission\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> A miss\u00e3o nas Sagradas Escrituras<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>1.1 Leitura mission\u00e1ria do Antigo Testamento: um breve panorama<\/strong><\/p>\n<p><em>Israel como sinal para as na\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><em>A partilha da f\u00e9 e a acolhida dos estrangeiros<\/em><\/p>\n<p><em>A di\u00e1spora como ocasi\u00e3o mission\u00e1ria<\/em><\/p>\n<p><em>Os Salmos em perspectiva mission\u00e1ria<\/em><\/p>\n<p><em>O Antigo Testamento pode ser lido como convite \u00e0 miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>1.2 O Novo Testamento: da miss\u00e3o de Israel \u00e0 miss\u00e3o de Jesus e da Igreja<\/strong><\/p>\n<p><em>Jesus, o Enviado do Pai e Ungido pelo Esp\u00edrito Santo<\/em><\/p>\n<p><em>O envio do Filho pelo Pai<\/em><\/p>\n<p><em>A cruz e a ressurrei\u00e7\u00e3o: a plenitude da miss\u00e3o do Enviado<\/em><\/p>\n<p><em>Jesus, modelo e fonte de toda miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo na encarna\u00e7\u00e3o e na vida de Jesus<\/em><\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito que conduz e fortalece Jesus na prega\u00e7\u00e3o e nos sinais<\/em><\/p>\n<p><em>O Envio do Esp\u00edrito Santo: para que a Igreja cumpra sua miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>A promessa do Esp\u00edrito Santo feita por Jesus<\/em><\/p>\n<p><em>O dom do Esp\u00edrito Santo no dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>A promessa antes da Ascens\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>O cumprimento da promessa: Pentecostes<\/em><\/p>\n<p><em>O envio mission\u00e1rio dos Ap\u00f3stolos e da Igreja<\/em><\/p>\n<p><em>O chamado e o envio dos disc\u00edpulos<\/em><\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo: protagonista da miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>A miss\u00e3o de Jesus como modelo<\/em><\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo na vida e na miss\u00e3o da Igreja<\/em><\/p>\n<p><em>O testemunho mission\u00e1rio nas cartas apost\u00f3licas<\/em><\/p>\n<p><em>Todos somos mission\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> A Miss\u00e3o da Igreja ao Longo da Hist\u00f3ria<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>2.1 As origens da miss\u00e3o crist\u00e3: a expans\u00e3o apost\u00f3lica e o per\u00edodo patr\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.2 A miss\u00e3o na Idade M\u00e9dia e a evangeliza\u00e7\u00e3o da Europa<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.3 A miss\u00e3o na era das grandes navega\u00e7\u00f5es: Espanha e Portugal<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.4 A presen\u00e7a de mission\u00e1rios no Brasil<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.5 A presen\u00e7a mission\u00e1ria no Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.6 A renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.7 Hoje: a Igreja em estado permanente de miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Magist\u00e9rio da Igreja: Os Documentos sobre a Miss\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>3.1 As ra\u00edzes do impulso mission\u00e1rio moderno <\/strong><\/p>\n<p><strong>3.2 A miss\u00e3o \u00e0 luz do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.3 S\u00e3o Paulo VI: evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo atual &#8211; a miss\u00e3o como di\u00e1logo<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.4 S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: A miss\u00e3o como identidade da Igreja<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.5 Bento XVI: miss\u00e3o como partilha, por atra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.6 Papa Francisco: A miss\u00e3o e a alegria do Evangelho<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.7 Papa Le\u00e3o XIV: a miss\u00e3o, o cuidado com que sofrem e paz para o mundo<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.8 Documentos mission\u00e1rios de outros organismos da C\u00faria Romana<\/strong><\/p>\n<p><em>A miss\u00e3o como di\u00e1logo e testemunho<\/em><\/p>\n<p><em>A centralidade de Cristo na miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Uma miss\u00e3o integral para o nosso tempo<\/em><\/p>\n<p><strong>3.9 Confer\u00eancias Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.10 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Miss\u00e3o como paradigma de toda a vida da Igreja<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>4.1 A natureza da Igreja \u00e9 mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>4.2 A Miss\u00e3o Paradigm\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p><strong>4.3 Convers\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>4.4 Os pobres: interlocutores privilegiados da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> A miss\u00e3o program\u00e1tica e a organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>5.1 O querigma: centro vital da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Modos insuficientes de compreender o querigma<\/em><\/p>\n<p><em>Gera transforma\u00e7\u00e3o pessoal <\/em><\/p>\n<p><em>A forma e o conte\u00fado caminham juntos<\/em><\/p>\n<p><em>O querigma e a convers\u00e3o pastoral<\/em><\/p>\n<p><em>Dimens\u00e3o social do querigma<\/em><\/p>\n<p><strong>5.2 A organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias (POM)<\/strong><\/p>\n<p><em>Estrutura e finalidade<\/em><\/p>\n<p><em>As quatro Obras Mission\u00e1rias<\/em><\/p>\n<p><em>Dimens\u00f5es espirituais e pastorais<\/em><\/p>\n<p><em>As POM e a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja<\/em><\/p>\n<p><strong>5.3 Os Conselhos Mission\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p><em>Identidade e objetivos<\/em><\/p>\n<p><em>Estrutura e n\u00edveis de articula\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Miss\u00e3o e as tarefas dos Conselhos<\/em><\/p>\n<p><em>M\u00edstica e horizonte mission\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p><em>Import\u00e2ncia pastoral dos Conselhos Mission\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p><strong>5.4 O Conselho Pastoral, o Conselho de Assuntos Econ\u00f4micos e as Assembleias Pastorais<\/strong><\/p>\n<p><strong>5.5 Todos somos mission\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p><em>A prega\u00e7\u00e3o informal: a miss\u00e3o de cada dia<\/em><\/p>\n<p><em>A miss\u00e3o como testemunho<\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja toda em sa\u00edda<\/em><\/p>\n<p><strong>5.6 Abertura \u00e0 cultura atual e uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e redes sociais<\/strong><\/p>\n<p><em>Crit\u00e9rios para uma presen\u00e7a mission\u00e1ria nas redes<\/em><\/p>\n<p><em>O continente digital: um novo are\u00f3pago<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Desafios Permanentes e Contextuais da Miss\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>6.1 Desafios Permanentes da Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Anunciar o Evangelho com fidelidade<\/em><\/p>\n<p><em>Docilidade ao Esp\u00edrito Santo e convers\u00e3o continua<\/em><\/p>\n<p><em>Testemunho coerente de vida<\/em><\/p>\n<p><em>Di\u00e1logo e incultura\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Envio e corresponsabilidade de todos os batizados<\/em><\/p>\n<p><em>Rela\u00e7\u00e3o entre an\u00fancio e servi\u00e7o<\/em><\/p>\n<p><em>Forma\u00e7\u00e3o integral dos mission\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p><em>A\u00e7\u00e3o pastoral articulada e comunh\u00e3o eclesial<\/em><\/p>\n<p><strong>6.2 Desafios Contextuais da Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Seculariza\u00e7\u00e3o, indiferen\u00e7a religiosa e relativismo<\/em><\/p>\n<p><em>Globaliza\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e diversidade cultural<\/em><\/p>\n<p><em>Cultura digital e ambiente virtual<\/em><\/p>\n<p><em>Crise ecol\u00f3gica e cuidado da cria\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Transforma\u00e7\u00f5es no sentido de comunidade e perten\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><em>Desigualdade social, pobreza e exclus\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Condom\u00ednios e espa\u00e7os urbanos de acesso restrito<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c1reas marcadas pela viol\u00eancia e pelo tr\u00e1fico<\/em><\/p>\n<p><em>Sustentabilidade mission\u00e1ria e coopera\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Cansa\u00e7o pastoral e renova\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as<\/em><\/p>\n<p><em>Polariza\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o <\/em><\/p>\n<p><em>Fidelidade e comunh\u00e3o com o Magist\u00e9rio<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Caracter\u00edsticas fundamentais da Miss\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>7.1 Aspectos fundamentais da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.1.1 Encontro com Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.1.2 Vida comunit\u00e1ria, fraterna e acolhedora<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.1.3 An\u00fancio: o querigma e o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.1.4 Servi\u00e7o crist\u00e3o \u00e0 sociedade e testemunho p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.2 Os \u00e2mbitos, os sujeitos e os interlocutores da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.2.1 Cuidar: a ternura da presen\u00e7a e o acompanhamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.2.2 Acolher: o rosto materno da Igreja<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.2.3 Buscar: a sa\u00edda mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.2.4 Testemunhar e servir: a miss\u00e3o na vida p\u00fablica e na caridade<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>T\u00f3pico aberto <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> As grandes op\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.1 A miss\u00e3o permanente e a Igreja em sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.2 A espiritualidade do disc\u00edpulo mission\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.3 Comunh\u00e3o, acolhimento e vida comunit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.4 Sinodalidade e corresponsabilidade mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.5 Forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e minist\u00e9rios dos leigos<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.6 Presen\u00e7a junto aos pobres e compromisso social<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.7 Evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens e cultura vocacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.8 Sinodalidade e corresponsabilidade mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.9 Espiritualidade mission\u00e1ria e piedade popular<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.10 Uso evangelizador dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e das redes sociais<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong> Ora\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo Arquidiocesano<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong> Peregrinos de Esperan\u00e7a<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Tenho a grande alegria de promulgar e publicar as conclus\u00f5es de nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano. Em seus 450 anos de exist\u00eancia, a Igreja Particular do Rio de Janeiro tinha, at\u00e9 agora, vivenciado essa experi\u00eancia apenas uma vez, com o I S\u00ednodo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, convocado, presidido e promulgado pelo Emo. Cardeal Dom Jaime de Barros C\u00e2mara, Arcebispo Metropolitano (1949). Esse S\u00ednodo \u00e9 um marco n\u00e3o apenas na vida de nossa Arquidiocese, mas tamb\u00e9m no Brasil, pois a pr\u00e1tica da realiza\u00e7\u00e3o de S\u00ednodos Diocesanos era bastante rara naquela \u00e9poca.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>No caminho recente que a Igreja tem percorrido, sobretudo a partir do chamado do saudoso Papa Francisco a redescobrir e refor\u00e7ar a sinodalidade em vista da miss\u00e3o, amadureceu-se a convic\u00e7\u00e3o de que era hora de celebrar um novo S\u00ednodo. A convoca\u00e7\u00e3o da 16\u00aa Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, pelo Papa Francisco, destinada a ter duas Sess\u00f5es (outubro de 2023 e outubro de 2024), determinou tamb\u00e9m um processo amplo de escuta de toda a Igreja. O tema escolhido para o percurso sinodal foi \u201cPor uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d. Nas Igrejas locais, equipes sinodais foram constitu\u00eddas para organizar reuni\u00f5es nas par\u00f3quias e nas dioceses. Tamb\u00e9m em cada pa\u00eds, as Confer\u00eancias Episcopais foram instadas a organizar equipes sinodais para fazer a s\u00edntese e o encaminhamento das conclus\u00f5es \u00e0 Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos. Depois, vieram as Assembleias Continentais e, enfim, as Assembleias Gerais, em Roma.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Motivados por esse amplo caminho eclesial, tendo ouvido o Conselho Presbiteral, os Bispos Auxiliares, os membros do Conselho Arquiepiscopal e a Coordena\u00e7\u00e3o Arquidiocesana de Pastoral, decidimos convocar o II S\u00ednodo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (CDC, c\u00e2n. 461 \u00a7 1o). Uma das finalidades dele seria, em sintonia com o Papa e com toda a Igreja, oportunizar o amadurecimento de pr\u00e1ticas sinodais de escuta e discernimento. Mas era claro para n\u00f3s que n\u00e3o se tratava simplesmente reorganizar estruturas. Por isso, propusemos ao nosso II S\u00ednodo recolocar no cento de nossa aten\u00e7\u00e3o a reflex\u00e3o sobre a miss\u00e3o e promover uma revis\u00e3o de nossa vida pastoral \u00e0 luz do desafio que ela representa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Para o II S\u00ednodo Arquidiocesano escolhemos como tema \u201cA Miss\u00e3o da Igreja no atual contexto sociocultural da cidade do Rio de Janeiro\u201d e, como lema, \u201cCora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s a caminho\u201d tomando como texto inspirador o dos Disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lc 24,13-35). Assim, nosso S\u00ednodo Diocesano e o S\u00ednodo dos Bispos, vivenciados por n\u00f3s em uma unidade profunda, se complementam admiravelmente. Temos juntas a miss\u00e3o e a sinodalidade: a miss\u00e3o requer sinodalidade; a sinodalidade \u00e9 o modo de agir da Igreja para melhor cumprir sua miss\u00e3o no mundo atual. Tivemos a alegria de perceber que foi precisamente essa a insist\u00eancia do Documento Final da 16\u00aa Assembleia Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, a sinodalidade e a miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>As finalidades propostas para nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano foram: 1) despertar e formar a consci\u00eancia a respeito da centralidade da miss\u00e3o em toda a vida e a\u00e7\u00e3o da Igreja; 2) estimular o ardor mission\u00e1rio de todos os fi\u00e9is da Arquidiocese; 3) organizar estruturas mission\u00e1rias em todos os n\u00edveis da vida eclesial arquidiocesana e 4) orientar o planejamento de a\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias permanentes e espec\u00edficas. Como se pode perceber, duas dessas finalidades se referem \u00e0 renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria geral da Arquidiocese e as outras duas s\u00e3o especificamente voltadas para a estrutura\u00e7\u00e3o e acompanhamento da forma\u00e7\u00e3o dessa consci\u00eancia mission\u00e1ria e de a\u00e7\u00f5es concretas de miss\u00e3o permanente. Com isso, nosso desejo e nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a Igreja esteja ainda mais presente e atuante em todos os contextos humanos e geogr\u00e1ficos da cidade. Desse modo, possa testemunhar, de modo sempre mais claro, o amor de Deus a todas as pessoas e convid\u00e1-las a vivenciar, na Igreja, o encontro com Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>O II S\u00ednodo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro se desenvolveu em tr\u00eas etapas. Na etapa preparat\u00f3ria, os membros de nossas comunidades, par\u00f3quias, servi\u00e7os, pastorais, movimentos e Novas Comunidades foram consultados. Cada Vicariato sintetizou essas contribui\u00e7\u00f5es, discutiu-as, votou e encaminhou para a Coordena\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo, no Vicariato para a Pastoral. Essa etapa ocorreu da Solenidade de <em>Corpus Christi<\/em> de 2023 e at\u00e9 o m\u00eas de mar\u00e7o de 2024. Uma Assembleia Sinodal Arquidiocesana para concluir essa etapa foi celebrada dia 06 de abril de 2024. Essa mesma Assembleia abriu a Segunda etapa, de escuta e discernimento. Com a mesma metodologia da etapa anterior, essa culminou em uma Segunda Assembleia Sinodal, dia 05 de outubro de 2025.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Na primeira etapa do II S\u00ednodo Arquidiocesano, a miss\u00e3o foi refletida a partir daquilo que pode ser compreendido como o conte\u00fado da miss\u00e3o: 1) a dimens\u00e3o teologal, do encontro com Cristo no Esp\u00edrito Santo; 2) a dimens\u00e3o eclesial, da vida fraterna em comunidade; 3) a partilha mission\u00e1ria pelo an\u00fancio e 4) a partilha mission\u00e1ria pelo testemunho. Na segunda etapa, a reflex\u00e3o se aprofundou no que se refere \u00e0s pessoas e \u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que se encontram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja: 1) participantes, 2) ocasionais, 3) afastados. Para cada um desses elementos ou situa\u00e7\u00f5es, os sinodais identificaram consensos, constata\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>A partir da\u00ed, na etapa decis\u00f3ria, que cabe ao Arcebispo enquanto aquele que deve estabelecer as leis, as conclus\u00f5es foram ponderadas com uma reflex\u00e3o que se apoiou nas Sagradas Escrituras, na hist\u00f3ria bimilenar da miss\u00e3o, no Magist\u00e9rio da Igreja, e nas caracter\u00edsticas de nosso contexto carioca. As conclus\u00f5es sinodais das duas Assembleias foram integralmente acolhidas e aprovadas. Em sua publica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o acompanhadas por uma ampla reflex\u00e3o sobre seu fundamento b\u00edblico, teol\u00f3gico e pastoral. Assim, s\u00e3o devolvidas a toda a Arquidiocese, para orientar sua vida pastoral, somando-se aos documentos pontif\u00edcios que acolhemos sempre em esp\u00edrito efetivo de comunh\u00e3o eclesial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>Promulgamos e publicamos essas conclus\u00f5es sinodais em uma Assembleia Sinodal Solene, durante a Festa da Unidade, realizada no dia do encerramento do Jubileu da Esperan\u00e7a nas Igrejas locais, 28 de dezembro de 2025.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>Dada a import\u00e2ncia de um S\u00ednodo na vida de uma Igreja local, como Pastor e Pai desta comunidade arquidiocesana, preferi, fazendo-as minhas, transformar as sugest\u00f5es em indica\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 simples mudan\u00e7a de nome; ao defini-las como indica\u00e7\u00f5es elas s\u00e3o transformadas de simples sugest\u00f5es em orienta\u00e7\u00f5es pastorais oficiais de nossa Igreja. Por fim, estabeleci algumas determina\u00e7\u00f5es em vista de dinamizar a implementa\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es sinodais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>Como afirmamos ao convocar o II S\u00ednodo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, somos \u201cconscientes de que \u2018no v\u00e9rtice das estruturas de participa\u00e7\u00e3o da Diocese no governo pastoral do Bispo, o S\u00ednodo Diocesano ocupa lugar de primeira import\u00e2ncia e se configura como ato de governo episcopal e como evento de comunh\u00e3o\u2019\u201d (Diret\u00f3rio para o Minist\u00e9rio dos Bispos <em>Apostolorum Successores<\/em>, n. 166). Estamos certos de que \u00e9 com esse mesmo esp\u00edrito de comunh\u00e3o que o resultado de nosso II S\u00ednodo ser\u00e1 conhecido e transformado em a\u00e7\u00e3o concreta, contribuindo para que nossa Arquidiocese cres\u00e7a ainda mais na fidelidade \u00e0 miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada por Cristo: ser sacramento de salva\u00e7\u00e3o para todos, em nossa amada cidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>Abre-se agora, diante de n\u00f3s, a importante fase de implementa\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es de nosso II S\u00ednodo. Ela coincide com a fase equivalente do S\u00ednodo dos Bispos, que tem no Documento Final seu referencial. Implementar, em primeiro lugar, sup\u00f5e acolher em esp\u00edrito de comunh\u00e3o e conhecer bem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li>Esta Carta Pastoral \u00e9 oferecida para ser estudada por todos os ministros ordenados (Bispos, Padres, Di\u00e1conos) e por todos os leigos de nossa Arquidiocese, de maneira especial os agentes de pastoral. Tamb\u00e9m os membros da Vida Consagrada presentes em nossa Arquidiocese s\u00e3o convidados a participar desse processo de recep\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es sinodais. E, ao mesmo tempo, chegar \u00e0s conclus\u00f5es de a\u00e7\u00f5es concretas de miss\u00e3o em nossa Arquidiocese.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>A parir dessas conclus\u00f5es todos n\u00f3s somos chamados a revisar nossas estruturas e m\u00e9todos \u00e0 luz do Evangelho, perguntando-nos: Nossas par\u00f3quias e pastorais s\u00e3o lugares da experi\u00eancia de encontro com Jesus Cristo? Lugares de encontro fraterno alegre? Lugares de servi\u00e7o \u00e0s reais necessidades das pessoas? Damos espa\u00e7o real \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos leigos, valorizando seus dons e carismas? Valorizamos os Conselhos? As escolhas pastorais nascem do discernimento comunit\u00e1rio, \u00e0 escuta do Esp\u00edrito e das necessidades da evangeliza\u00e7\u00e3o e das pessoas? Nossa presen\u00e7a na cidade testemunha o amor de Deus por todos, especialmente pelos pobres e sofredores?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>Vivemos um tempo prop\u00edcio para renovar com coragem e criatividade o ardor mission\u00e1rio. Comemoramos com grande alegria os 450 anos da cria\u00e7\u00e3o de nossa Igreja particular, inicialmente como Prelazia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (19 de julho de 1575) e, com um Ano Jubilar Arquidiocesano, nos preparamos para a celebra\u00e7\u00e3o dos 350 anos da sua eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 Diocese (16 de novembro de 1676) finalizando o nosso \u201cquinqu\u00eanio jubilar\u201d. Servida por numerosos mission\u00e1rios e mission\u00e1rias ao longo de sua multissecular hist\u00f3ria, a Arquidiocese vive tamb\u00e9m sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no seu dia a dia, enviando mission\u00e1rios e cooperando com outras Dioceses do Brasil e do mundo de diversos modos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"16\">\n<li>Confiamos as conclus\u00f5es de nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, M\u00e3e do Redentor, M\u00e3e do Povo Fiel e primeira mission\u00e1ria a Senhora da Penha, que do alto do penhasco nos olha com carinho de m\u00e3e e intercede por todos, pedindo-lhe com humildade e confian\u00e7a que fa\u00e7a crescer sempre mais o ardor mission\u00e1rio em nossa Igreja e que leve a transforma\u00e7\u00f5es sonhadas para a nossa cidade que tanto amamos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Fundamentos da Miss\u00e3o e Orienta\u00e7\u00f5es Mission\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> A miss\u00e3o nas Sagradas Escrituras<\/strong><\/li>\n<li>A B\u00edblia \u00e9 o referencial fundamental da miss\u00e3o, pois nos d\u00e1 a conhecer o prop\u00f3sito de Deus para a humanidade: salvar a todos e lev\u00e1-los ao conhecimento da verdade (1Tm 2,3-4). A Sagrada Escritura \u00e9 a alma de toda a vida e a\u00e7\u00e3o da Igreja (cf. DV 24), pois dela a comunidade crist\u00e3 recebe a luz e a for\u00e7a para cumprir sua miss\u00e3o. Nela encontramos o exemplo supremo de amor, servi\u00e7o e obedi\u00eancia a Deus, manifestado em Jesus Cristo, enviado do Pai, e dela conhecemos o envio do Esp\u00edrito Santo, para o testemunho de Cristo em todo o mundo. A partir das Escrituras, compreendemos que a miss\u00e3o brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 sustentada por Sua Palavra e deve ser vivida em fidelidade ao Seu ensinamento, levando esperan\u00e7a, justi\u00e7a, reconcilia\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o a todos os povos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1.1 Leitura mission\u00e1ria do Antigo Testamento: um breve panorama<\/strong><\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li>O Antigo Testamento mostra que a miss\u00e3o est\u00e1 presente desde as origens da f\u00e9 de Israel. Deus escolheu o povo de Israel n\u00e3o para fechar-se em si mesmo, mas para ser sinal de sua presen\u00e7a e de sua b\u00ean\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es. A elei\u00e7\u00e3o \u00e9 voca\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o: Israel \u00e9 chamado a testemunhar a santidade e a justi\u00e7a de Deus (Lv 19,2; Mt 5,48; 1Pd 1,16), a partilhar sua f\u00e9 com os povos vizinhos e a proclamar sua gl\u00f3ria mesmo em meio \u00e0 dispers\u00e3o. Nos Salmos e nos Profetas, encontramos uma consci\u00eancia cada vez mais clara de que o Deus de Israel \u00e9 tamb\u00e9m o Deus de todos os povos, e que sua salva\u00e7\u00e3o se destina a toda a humanidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Israel como sinal para as na\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li>A hist\u00f3ria mission\u00e1ria da f\u00e9 b\u00edblica come\u00e7a com Abra\u00e3o, o patriarca chamado por Deus para sair de si e tornar-se b\u00ean\u00e7\u00e3o. Em G\u00eanesis 12,1-3(12,1-5), o Senhor lhe diz: \u201cDeixa tua terra, tua parentela e a casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei. Farei de ti uma grande na\u00e7\u00e3o, e te aben\u00e7oarei; engrandecerei o teu nome, e tu ser\u00e1s uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Em ti ser\u00e3o aben\u00e7oadas todas as fam\u00edlias da terra.\u201d Essa promessa inaugura uma voca\u00e7\u00e3o aberta \u00e0 humanidade inteira: Abra\u00e3o, em raz\u00e3o de sua f\u00e9 (Gn 15,6), \u00e9 chamado a ser mediador de b\u00ean\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas para os seus descendentes, mas para todas as fam\u00edlias da terra.<\/li>\n<li>Em G\u00eanesis 15,5, Deus o convida a olhar para o c\u00e9u: \u201cConta as estrelas, se fores capaz\u2026 Assim ser\u00e1 a tua descend\u00eancia.\u201d E, mais tarde, em G\u00eanesis 22,17-18, confirma: \u201cMultiplicarei a tua descend\u00eancia como as estrelas do c\u00e9u e como as areias da praia do mar; nela ser\u00e3o aben\u00e7oadas todas as na\u00e7\u00f5es da terra.\u201d As imagens das estrelas e da areia exprimem a voca\u00e7\u00e3o expansiva da f\u00e9: o povo nascido de Abra\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 fechado nem reduzido, mas aberto como o c\u00e9u e fecundo como a terra. A promessa a Abra\u00e3o, portanto, j\u00e1 cont\u00e9m o germe da miss\u00e3o: Deus escolhe um para alcan\u00e7ar a todos. A f\u00e9 de Abra\u00e3o, vivida na obedi\u00eancia e na confian\u00e7a, \u00e9 a primeira forma de evangeliza\u00e7\u00e3o \u2013 ele cr\u00ea e caminha, e sua vida se torna sinal de esperan\u00e7a para todas as na\u00e7\u00f5es: \u201cAbra\u00e3o creu em Deus e isso lhe foi creditado em conta de justi\u00e7a\u201d (Gn 15,6).<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m em Deuteron\u00f4mio 4,5-8, a fidelidade de Israel \u00e0 Lei \u00e9 testemunho para o mundo: \u201cGuardai as leis, pois assim direis aos povos: que na\u00e7\u00e3o h\u00e1 t\u00e3o s\u00e1bia e justa como esta?\u201d A vida segundo a alian\u00e7a tem for\u00e7a mission\u00e1ria, pois torna vis\u00edvel a sabedoria e a santidade do Deus verdadeiro.<\/li>\n<li>O profeta Isa\u00edas aprofunda a dimens\u00e3o de universalidade da f\u00e9 em Deus. Em Isa\u00edas 42,6 e 49,6, o Servo do Senhor \u00e9 apresentado como \u201cluz das na\u00e7\u00f5es, para que minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 os confins da terra.\u201d Israel \u00e9 chamado a ser sinal luminoso de justi\u00e7a, liberta\u00e7\u00e3o e fidelidade. Em Isa\u00edas 60,1-3, a imagem da luz que atrai os povos a Jerusal\u00e9m revela a voca\u00e7\u00e3o universal do povo da alian\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A partilha da f\u00e9 e a acolhida dos estrangeiros<\/em><\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li>O Antigo Testamento mostra que a f\u00e9 de Israel est\u00e1 aberta aos estrangeiros que buscam o Senhor. Isa\u00edas 56,6-8 proclama: \u201cOs estrangeiros que se unirem ao Senhor&#8230; eu os conduzirei ao meu monte santo, e a casa do Senhor ser\u00e1 chamada casa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos.\u201d A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 riqueza exclusiva de um povo, mas dom oferecido a todos os que desejam participar da alian\u00e7a. Ainda, em Lev\u00edtico 19,18, l\u00ea-se que Israel, em rela\u00e7\u00e3o aos de seu povo, \u00e9 chamado a: \u201camar o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d; e logo em seguida, no mesmo livro e cap\u00edtulo, em Lev\u00edtico 19,34, em rela\u00e7\u00e3o aos estrangeiros, \u00e9-lhe pedido que o amor seja praticado da mesma forma: \u201cao estrangeiro&#8230; tu o amar\u00e1s como a ti mesmo, pois fostes estrangeiros na terra do Egito\u201d.<\/li>\n<li>O livro de Jonas apresenta a miss\u00e3o de um profeta enviado a N\u00ednive, cidade estrangeira. Quando Jonas anuncia a convers\u00e3o, os ninivitas acreditam, e Deus tem compaix\u00e3o deles (Jonas 3,1\u201310). A miseric\u00f3rdia divina ultrapassa as fronteiras de Israel. O mesmo esp\u00edrito est\u00e1 no livro de Rute: a moabita que declara a Noemi, \u201cteu povo ser\u00e1 o meu povo, e teu Deus ser\u00e1 o meu Deus\u201d (Rute 1,16), \u00e9 sinal de que a f\u00e9 de Israel pode acolher e integrar os que v\u00eam de fora. Sabemos que foi pouco a pouco que Israel se abriu a essa perspectiva.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A di\u00e1spora como ocasi\u00e3o mission\u00e1ria<\/em><\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>Com o ex\u00edlio e a dispers\u00e3o, o povo de Israel se viu vivendo entre outras na\u00e7\u00f5es. Longe de Jerusal\u00e9m, descobriu que podia testemunhar o Deus \u00fanico tamb\u00e9m fora de sua terra. Jeremias 29,4-7 orienta os exilados: \u201cProcurai o bem da cidade para onde vos deportei e orai por ela, pois o seu bem ser\u00e1 o vosso bem.\u201d (v. 7). Assim, a presen\u00e7a dos judeus na Babil\u00f4nia se torna uma forma de miss\u00e3o: vivem sua f\u00e9 em meio a outros povos e rezam pelo bem comum.<\/li>\n<li>Nos cap\u00edtulos 2 a 6 do livro de Daniel, a fidelidade dos jovens hebreus na corte estrangeira torna-se testemunho p\u00fablico da gl\u00f3ria de Deus. Quando Daniel e seus companheiros se recusam a adorar o \u00eddolo do rei, s\u00e3o libertos milagrosamente, e o rei proclama: \u201cBendito seja o Deus de Sadraque, Misaque e Abedenego, que enviou seu anjo e salvou seus servos\u201d (Daniel 3,28). A f\u00e9 vivida com coer\u00eancia torna-se evangeliza\u00e7\u00e3o silenciosa e eficaz.<\/li>\n<li>O livro de Tobias (13,3-4) convida \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o em meio ao ex\u00edlio: \u201cGlorificai o Senhor e proclamai diante de todos os viventes as maravilhas que ele fez por v\u00f3s.\u201d E o livro da Sabedoria (cap\u00edtulos 13\u201315), escrito em ambiente helen\u00edstico, testemunha a f\u00e9 judaica dialogando com a cultura grega e denunciando a idolatria. A di\u00e1spora, portanto, transforma-se em ocasi\u00e3o providencial para manifestar a gl\u00f3ria de Deus entre as na\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Os Salmos em perspectiva mission\u00e1ria<\/em><\/p>\n<ol start=\"28\">\n<li>Os Salmos expressam a universalidade do convite de Deus em forma de ora\u00e7\u00e3o e louvor. O Salmo 67(66),2-6 diz: \u201cQue se conhe\u00e7a na terra o teu caminho, entre todas as na\u00e7\u00f5es a tua salva\u00e7\u00e3o. Que os povos te louvem, \u00f3 Deus, que todos os povos te glorifiquem.\u201d O salmista entende que a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus sobre Israel \u00e9 convite para que todos os povos o reconhe\u00e7am. O Salmo 96(95),1-3 repete: \u201cCantai ao Senhor, terra inteira&#8230; proclamai entre as na\u00e7\u00f5es a sua gl\u00f3ria.\u201d E o Salmo 117(116),1-2 resume o anseio mission\u00e1rio: \u201cLouvai o Senhor, todas as na\u00e7\u00f5es, glorificai-o, todos os povos! Pois seu amor por n\u00f3s \u00e9 firme.\u201d Nos Salmos, a ora\u00e7\u00e3o torna-se an\u00fancio: o louvor de Israel \u00e9 caminho de evangeliza\u00e7\u00e3o, a fim de que \u201ctodo ser que respira louve a Deus\u201d (Salmo 15,6).<\/li>\n<li>Os Salmos s\u00e3o a express\u00e3o mais profunda da espiritualidade mission\u00e1ria do Antigo Testamento. Neles, Israel reconhece que o louvor, a justi\u00e7a e a fidelidade s\u00e3o formas de anunciar Deus \u00e0s na\u00e7\u00f5es. O Salmo 98(97),1-4 proclama: \u201cO Senhor fez conhecer a sua salva\u00e7\u00e3o, revelou sua justi\u00e7a \u00e0s na\u00e7\u00f5es.\u201d O Salmo 100(99),1-3 convida: \u201cAclamai o Senhor, terra inteira! Servi ao Senhor com alegria, vinde a sua presen\u00e7a com c\u00e2nticos de j\u00fabilo.\u201d E o Salmo 72(71),8-11, de car\u00e1ter messi\u00e2nico, pede: \u201cQue todos os reis se prostrem diante dele e todas as na\u00e7\u00f5es o sirvam.\u201d. O Salmo 136(135) \u00e9 uma grande \u201cladainha\u201d de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e louvor a Deus; e os Salmos 146\u2013150 formam o grande <em>Hallel<\/em>, o Hino de louvor ao Deus Onipotente, senhor do cosmo e da cria\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Outros salmos expressam o mesmo esp\u00edrito. No Salmo 22(21),28-29, lemos: \u201cLembrar-se-\u00e3o e voltar\u00e3o para o Senhor todos os confins da terra.\u201d O Salmo 86(85),8-9 reconhece: \u201cTodas as na\u00e7\u00f5es que fizeste vir\u00e3o prostrar-se diante de ti.\u201d E no Salmo 51(50),15, o salmista promete: \u201cEnsinarei teus caminhos aos pecadores, e eles voltar\u00e3o a ti.\u201d A experi\u00eancia de perd\u00e3o e de alian\u00e7a transforma o fiel em mission\u00e1rio. Assim, os Salmos mostram que a miss\u00e3o come\u00e7a na ora\u00e7\u00e3o: quem louva, evangeliza; quem se converte, testemunha; quem serve, anuncia. O pr\u00f3prio conjunto dos 15 salmos chamados de salmos das subidas ou dos degraus, que o judeu peregrino rezava ao subir para o Templo de Jerusal\u00e9m, come\u00e7a por exaltar a Deus, como o grande guardi\u00e3o de Israel (Salmo 120[121]) e conclui seu percurso de peregrino, ao chegar ao Templo, entoando um hino de louvor, por ter chegado \u00e0 casa do Senhor (Salmo 134[135]).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Antigo Testamento pode ser lido como convite \u00e0 miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"31\">\n<li>O Antigo Testamento ensina que a miss\u00e3o \u00e9 um movimento de Deus em dire\u00e7\u00e3o ao mundo: Deus chama, aben\u00e7oa e envia. Israel \u00e9 escolhido para ser sinal, n\u00e3o para se isolar. Sua fidelidade \u00e0 alian\u00e7a tem valor testemunhal, e sua hist\u00f3ria \u2013 inclusive o ex\u00edlio \u2013 torna-se caminho de evangeliza\u00e7\u00e3o. Nos Salmos e nos Profetas, a ora\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a e o servi\u00e7o aparecem como formas de miss\u00e3o. Assim, o Antigo Testamento prepara o terreno para o envio universal do Novo: o Deus de Abra\u00e3o e de Israel \u00e9 o mesmo Deus que, em Cristo, chama todos os povos \u00e0 comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>Para o disc\u00edpulo mission\u00e1rio, essa leitura inspira uma atitude de sa\u00edda para a partilha da f\u00e9 que nasce da fidelidade e da ora\u00e7\u00e3o. Evangelizar, \u00e0 luz do Antigo Testamento, \u00e9 viver de tal modo a f\u00e9 que ela se torne vis\u00edvel, alegre e contagiante. Ser mission\u00e1rio \u00e9 ser b\u00ean\u00e7\u00e3o para os outros, sinal de esperan\u00e7a e testemunho vivo do amor de Deus no meio do mundo.<\/li>\n<li>A isso tudo soma-se a for\u00e7a da missionariedade da Palavra: a) que realiza o chamado mission\u00e1rio dos aben\u00e7oados de Deus (Ex 19,3-6); b) de Deus confirma a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o mediante Bala\u00e3o (Nm 22\u201324); c) os homens s\u00e3o colocados diante da escolha de viver na b\u00ean\u00e7\u00e3o ou na maldi\u00e7\u00e3o (Dt 30,15-20); d) a miss\u00e3o da Palavra chama a escolher entre YHWH e Baal (1Rs 18,20-40); e igualmente a vida mission\u00e1ria do povo de Israel no Ex\u00edlio: a) a luz de YHWH como esperan\u00e7a de resgate (Miq 7,8-9); b) a miss\u00e3o do Servo de YHWH para ser luz para as na\u00e7\u00f5es (Is 42,1-7; 49,1-6); c) levar o conforto aos sofredores (Is 50,4-9); d) carregar sobre si o sofrimento dos outros (Is 52,13\u201353,12); e) Ezequiel, o profeta sentinela \u00e9 chamado a constituir uma comunidade mission\u00e1ria (Ez 37,1-14); f) a miss\u00e3o de Deus e de Israel no p\u00f3s Ex\u00edlio; de iluminar os povos (Is 60,1-22), de reconstruir e restaurar (Is 61,4-9); de testemunhar a f\u00e9 diante de cada tipo de opress\u00e3o (Dn 3,1-24).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2 O Novo Testamento: da miss\u00e3o de Israel \u00e0 miss\u00e3o de Jesus e da Igreja<\/strong><\/p>\n<ol start=\"34\">\n<li>O Novo Testamento herda e universaliza a perspectiva mission\u00e1ria do Antigo Testamento. A promessa feita a Abra\u00e3o (Gn 12,1-5) \u2013 de que em sua descend\u00eancia seriam aben\u00e7oadas todas as na\u00e7\u00f5es \u2013 cumpre-se plenamente em Jesus Cristo, descendente de Abra\u00e3o e Filho de Deus (Hb 1,1-4). A abertura de Israel aos outros povos, expressa nos Profetas e nos Salmos, torna-se, no Evangelho, pr\u00e1tica concreta de inclus\u00e3o e miseric\u00f3rdia, a exemplo da Par\u00e1bola do Bom Samaritano (Lc 10,29-37). Em Jesus, o amor de Deus rompe as fronteiras \u00e9tnicas, culturais e religiosas: Ele acolhe publicanos, samaritanos, mulheres, estrangeiros e pecadores, revelando que o Reino de Deus \u00e9 dom oferecido a todos, e como <em>Par\u00e1cleto<\/em>, intercede por todos junto do Pai (1Jo 2,1-2). A miss\u00e3o, que no Antigo Testamento consistia em testemunhar o Deus \u00fanico entre as na\u00e7\u00f5es, transforma-se agora em envio expl\u00edcito: \u201cIde, pois, e fazei disc\u00edpulos entre todas as na\u00e7\u00f5es\u201d (Mt 28,19; Mc 16,15). Fi\u00e9is a esse mandato, os ap\u00f3stolos, fortalecidos pelo Esp\u00edrito Santo, levar\u00e3o o Evangelho a todos os povos, fundando comunidades e testemunhando a presen\u00e7a viva de Cristo at\u00e9 os confins da terra (Mt 28,20). Assim, o Novo Testamento assume a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de Israel e a leva \u00e0 plenitude, fazendo da Igreja o novo povo de Deus (1Pd 2,10), chamado a ser \u201cluz das na\u00e7\u00f5es\u201d e sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"35\">\n<li>A miss\u00e3o \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do Novo Testamento e express\u00e3o da pr\u00f3pria identidade da Igreja. O Deus que se revela em Jesus Cristo \u00e9 um Deus em movimento: o Pai envia o Filho, o Filho envia os disc\u00edpulos, e o Esp\u00edrito Santo, enviado por Cristo, impulsiona a Igreja a continuar essa miss\u00e3o at\u00e9 os confins da terra. As passagens b\u00edblicas a seguir, escolhidas entre tantas outras, destacam a miss\u00e3o em Deus: o envio de Jesus Cristo e do Esp\u00edrito Santo; a miss\u00e3o da Igreja: momentos do envio mission\u00e1rio, do chamado dos disc\u00edpulos e da vida apost\u00f3lica das primeiras comunidades. Elas nos ajudam a compreender que ser crist\u00e3o \u00e9, por natureza, ser mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Jesus, o Enviado do Pai e Ungido pelo Esp\u00edrito Santo<\/em><\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li>Jesus \u00e9 o rosto vis\u00edvel do amor do Pai e o primeiro mission\u00e1rio da humanidade. Enviado para anunciar a Boa-Nova e realizar a salva\u00e7\u00e3o, Ele vive toda a sua miss\u00e3o em comunh\u00e3o profunda com o Pai e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Desde a encarna\u00e7\u00e3o at\u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito o acompanha, o inspira e o sustenta. Em Jesus, vemos a miss\u00e3o trinit\u00e1ria em a\u00e7\u00e3o: o Pai que envia, o Filho que realiza e o Esp\u00edrito que anima, para salvar o mundo (1Jo 4,14-17). Contemplar Jesus como o Enviado do Pai e o Ungido pelo Esp\u00edrito \u00e9 compreender a origem e o modelo da miss\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O envio do Filho pelo Pai<\/em><\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li>Toda a miss\u00e3o de Jesus nasce da iniciativa amorosa do Pai. Em Jo\u00e3o 3,16-17, lemos: \u201cDeus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho \u00fanico, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou seu Filho ao mundo, n\u00e3o para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele.\u201d O envio de Jesus \u00e9 express\u00e3o da miseric\u00f3rdia e do amor divino. Ele vem como dom gratuito, n\u00e3o para julgar, mas para salvar.<\/li>\n<li>O Evangelho de Jo\u00e3o repete v\u00e1rias vezes essa consci\u00eancia: \u201cMeu alimento \u00e9 fazer a vontade daquele que me enviou e levar a termo a sua obra\u201d (Jo 4,34), indicando que Jesus cumpre a obra do Pai (Jo 17,4). E ainda: \u201cEu desci do c\u00e9u n\u00e3o para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou\u201d (Jo 6,38). Jesus \u00e9 o mission\u00e1rio obediente, que realiza a vontade do Pai at\u00e9 o fim. A Carta aos Hebreus confirma: \u201cVindo ao mundo, Cristo disse: Eis que venho, \u00f3 Deus, para fazer a tua vontade\u201d (Hb 10,5-7). Assim, o Filho revela a obedi\u00eancia como ess\u00eancia da miss\u00e3o e o amor como sua meta.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A cruz e a ressurrei\u00e7\u00e3o: a plenitude da miss\u00e3o do Enviado<\/em><\/p>\n<ol start=\"39\">\n<li>A miss\u00e3o de Jesus alcan\u00e7a seu ponto culminante na cruz. Ali, Ele entrega o Esp\u00edrito ao Pai e \u00e0 humanidade: \u201cInclinando a cabe\u00e7a, entregou o esp\u00edrito\u201d (Jo 19,30c). A cruz \u00e9 o \u00e1pice do envio: o amor de Deus se manifesta em total doa\u00e7\u00e3o (Jo 19,30b: tudo \u201cest\u00e1 consumado\u201d). Mas a miss\u00e3o n\u00e3o termina ali: na ressurrei\u00e7\u00e3o, o Pai confirma o Filho e o Esp\u00edrito \u00e9 novamente derramado sobre o mundo. Em Jo\u00e3o 20,22, o Ressuscitado sopra sobre os disc\u00edpulos e diz: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo.\u201d O Esp\u00edrito que acompanhou Jesus durante toda a sua vida agora passa \u00e0 Igreja, que continua sua miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Jesus, modelo e fonte de toda miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"40\">\n<li>Em Jesus, o Enviado do Pai e Ungido pelo Esp\u00edrito, encontramos o modelo perfeito de toda miss\u00e3o crist\u00e3. Ele foi enviado para revelar o amor de Deus, anunciar o Reino e salvar a humanidade, e o fez sempre guiado pelo Esp\u00edrito. A miss\u00e3o de Jesus \u00e9 trinit\u00e1ria: nasce do Pai, \u00e9 realizada pelo Filho e sustentada pelo Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Contemplar Jesus, mission\u00e1rio do Pai, \u00e9 redescobrir o sentido espiritual da miss\u00e3o. Evangelizar \u00e9 participar da miss\u00e3o de Cristo, deixar-se conduzir pelo Esp\u00edrito e agir em comunh\u00e3o com o Pai. Assim como Jesus foi movido pela compaix\u00e3o e pela fidelidade, tamb\u00e9m o disc\u00edpulo mission\u00e1rio \u00e9 chamado a viver o Evangelho com amor, servi\u00e7o e esperan\u00e7a, tornando vis\u00edvel no mundo o rosto misericordioso de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo na encarna\u00e7\u00e3o e na vida de Jesus<\/em><\/p>\n<ol start=\"42\">\n<li>Desde o in\u00edcio, o Esp\u00edrito Santo est\u00e1 presente na vida de Jesus. No an\u00fancio a Maria, o anjo diz: \u201cO Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti, e o poder do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com sua sombra\u201d (Lc 1,35). A encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 obra do Esp\u00edrito, que gera o Filho de Deus no seio da humanidade. Por isso, Jesus \u00e9 o Filho enviado e, ao mesmo tempo, o Ungido desde o nascimento: o enviado do Pai, na plenitude dos tempos: \u201cnascido de mulher,\u201d (Gl 4,4). Em Mateus 1,20, o anjo tranquiliza Jos\u00e9 dizendo: \u201cO que nela foi gerado vem do Esp\u00edrito Santo.\u201d Assim, a miss\u00e3o de Jesus \u00e9, desde o primeiro instante, fruto da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e express\u00e3o da iniciativa de Deus Pai.<\/li>\n<li>O batismo no Jord\u00e3o \u00e9 o momento p\u00fablico em que Jesus \u00e9 apresentado como o Enviado do Pai e consagrado pelo Esp\u00edrito. Em Lucas 3,21-22, lemos: \u201cEnquanto Jesus estava em ora\u00e7\u00e3o, o c\u00e9u se abriu, e o Esp\u00edrito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como pomba; e uma voz veio do c\u00e9u: Tu \u00e9s o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer.\u201d O Esp\u00edrito confirma a identidade de Jesus e inaugura sua miss\u00e3o p\u00fablica. Logo em seguida, o evangelista afirma: \u201cJesus, repleto do Esp\u00edrito Santo, voltou do rio Jord\u00e3o e, pelo Esp\u00edrito, era conduzido deserto adentro\u201d (Lc 4,1). O mesmo Esp\u00edrito que O unge, O conduz, sustenta e fortalece diante da tenta\u00e7\u00e3o. O batismo \u00e9, portanto, o in\u00edcio vis\u00edvel da miss\u00e3o trinit\u00e1ria: o Pai envia, o Filho obedece, o Esp\u00edrito acompanha.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Esp\u00edrito que conduz e fortalece Jesus na prega\u00e7\u00e3o e nos sinais<\/em><\/p>\n<ol start=\"44\">\n<li>Jesus come\u00e7a sua miss\u00e3o proclamando: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos presos e a recupera\u00e7\u00e3o da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d (Lc 4,18-19). Com essas palavras, tomadas de Isa\u00edas, Jesus define seu minist\u00e9rio: evangelizar, libertar e curar. Sua palavra e seus gestos s\u00e3o movidos pelo Esp\u00edrito de compaix\u00e3o e poder.<\/li>\n<li>Em cada encontro e milagre, o Esp\u00edrito se manifesta: no perd\u00e3o dos pecadores, na cura dos enfermos, na liberta\u00e7\u00e3o dos oprimidos. Mateus 12,28 resume essa a\u00e7\u00e3o: \u201cSe \u00e9 pelo Esp\u00edrito de Deus que eu expulso os dem\u00f4nios, ent\u00e3o chegou a v\u00f3s o Reino de Deus.\u201d O Esp\u00edrito faz de Jesus um sinal do Reino, e de sua miss\u00e3o um testemunho de amor transformador.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Envio do Esp\u00edrito Santo: para que a Igreja cumpra sua miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"46\">\n<li>O Esp\u00edrito Santo est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja. Prometido por Jesus e derramado sobre os disc\u00edpulos, Ele \u00e9 o dom que d\u00e1 vida, coragem e unidade \u00e0 comunidade crist\u00e3. Desde as origens, o Esp\u00edrito \u00e9 aquele que move os ap\u00f3stolos, transforma o medo em ousadia e faz da Igreja um corpo vivo em miss\u00e3o, como aconteceu em Pentecostes, em que todos \u201couviam falar na pr\u00f3pria l\u00edngua\u201d (At 2,8) e levaram a muitas convers\u00f5es, formando as primeiras comunidades crist\u00e3s (At 2,42-47; 4,32-35). A promessa e o envio do Esp\u00edrito Santo, narrados no Novo Testamento, mostram que a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obra humana, mas participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de Deus. O Esp\u00edrito \u00e9 o protagonista da miss\u00e3o e a for\u00e7a que impulsiona cada disc\u00edpulo a testemunhar o Evangelho at\u00e9 os confins da terra.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A promessa do Esp\u00edrito Santo feita por Jesus<\/em><\/p>\n<ol start=\"47\">\n<li>Nos discursos da \u00daltima Ceia, Jesus anuncia o dom do Esp\u00edrito como presen\u00e7a permanente. Em Jo\u00e3o 14,15-17 (o Esp\u00edrito-dom da verdade), Ele diz: \u201cEu rogarei ao Pai, e Ele vos dar\u00e1 outro Defensor, para que permane\u00e7a convosco para sempre: o Esp\u00edrito da Verdade.\u201d O Esp\u00edrito ser\u00e1 companheiro e guia, presen\u00e7a de consolo e for\u00e7a. Mais adiante, em Jo\u00e3o 14,25-26 (o Esp\u00edrito-mestre e mem\u00f3ria de Jesus), Jesus declara: \u201cO Esp\u00edrito Santo, que o Pai enviar\u00e1 em meu nome, vos ensinar\u00e1 todas as coisas e vos recordar\u00e1 tudo o que eu vos disse.\u201d O Esp\u00edrito \u00e9 o mestre interior, que atualiza o ensinamento de Cristo.<\/li>\n<li>Em Jo\u00e3o 15,26-27 (o Esp\u00edrito-testemunha de Jesus), Jesus continua: \u201cQuando vier o Defensor, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Esp\u00edrito da Verdade&#8230; Ele dar\u00e1 testemunho de mim. E v\u00f3s tamb\u00e9m dareis testemunho.\u201d Assim, o Esp\u00edrito \u00e9 quem garante a continuidade da miss\u00e3o: Ele testemunha Cristo atrav\u00e9s dos disc\u00edpulos. E em Jo\u00e3o 16,7-13 (o Esp\u00edrito-continuador da miss\u00e3o de Jesus), Jesus explica: \u201c\u00c9 bom para v\u00f3s que eu v\u00e1; se eu n\u00e3o for, o Defensor n\u00e3o vir\u00e1 a v\u00f3s; mas se eu for, eu o enviarei.\u201d E em Jo\u00e3o 16,1-15, temos o Esp\u00edrito-guia para a verdade. A partida de Jesus abre o espa\u00e7o para a presen\u00e7a universal do Esp\u00edrito, que conduz a Igreja \u00e0 verdade plena.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O dom do Esp\u00edrito Santo no dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"49\">\n<li>A promessa se cumpre j\u00e1 no pr\u00f3prio dia da P\u00e1scoa. Em Jo\u00e3o 20,21-23, o Ressuscitado aparece aos disc\u00edpulos e lhes diz: \u201cComo o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio.\u201d (v.21). E, tendo dito isso, soprou sobre eles e disse: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo.\u201d (v.22). Esse sopro lembra o gesto criador de Deus em G\u00eanesis e marca o in\u00edcio da nova cria\u00e7\u00e3o. E em Jo\u00e3o 20,11-18, temos o mandato mission\u00e1rio joanino: \u201cIde a meus irm\u00e3os\u201d, e em Jo\u00e3o 20,19-23, encontramos a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus; sem esquecer da \u201cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria\u201d de Jesus, em Jo\u00e3o 17, pelos disc\u00edpulos e pelos futuros crentes. O Esp\u00edrito \u00e9 dom pascal: renova os cora\u00e7\u00f5es, perdoa os pecados e transforma os disc\u00edpulos em enviados. Aqui nasce a Igreja mission\u00e1ria, animada pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito que recria e envia, chamada a viver e a espalhar o amor no mundo e ao mundo, tendo presente que \u201co amor cobre uma multid\u00e3o de pecado\u201d (1Pd 4,8).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A promessa antes da Ascens\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"50\">\n<li>Antes de subir ao Pai, Jesus confirma a promessa do Esp\u00edrito. Em Lucas 24,49, Ele diz: \u201cEis que envio sobre v\u00f3s aquele que meu Pai prometeu; permanecei na cidade at\u00e9 que sejais revestidos de poder do alto.\u201d O Esp\u00edrito \u00e9 for\u00e7a divina que capacita a miss\u00e3o. Em Atos 1,8, essa promessa \u00e9 retomada com clareza: \u201cRecebereis o poder do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, na Judeia, na Samaria e at\u00e9 os confins da terra.\u201d O Esp\u00edrito \u00e9 o motor da expans\u00e3o da Igreja: Ele abre horizontes e d\u00e1 coragem para anunciar o Evangelho em toda parte. Em Lucas 24,44-49, todos s\u00e3o convidados a ser testemunhas do ressuscitado diante de todas as na\u00e7\u00f5es, em cumprimento da profecia de Isa\u00edas 61,1-2; isso j\u00e1 tinha sido indicado em Lucas 1,26-38, com o exemplo de disponibilidade e f\u00e9 para a miss\u00e3o; e em Lucas 1,39-45, a partida mission\u00e1ria de Maria, como modelo ideal de disc\u00edpulo mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O cumprimento da promessa: Pentecostes<\/em><\/p>\n<ol start=\"51\">\n<li>O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos narra o cumprimento da promessa. Em Atos 2,1-4, \u201cao chegar o dia de Pentecostes, todos estavam reunidos no mesmo lugar. Veio do c\u00e9u um ru\u00eddo como de vento impetuoso&#8230; e todos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo.\u201d O vento e o fogo simbolizam a for\u00e7a e a luz que transformam os cora\u00e7\u00f5es. Em seguida, Pedro interpreta o acontecimento citando o profeta Joel: \u201cDerramarei o meu Esp\u00edrito sobre toda carne\u201d (At 2,17). O Esp\u00edrito derramado inaugura uma Igreja sem fronteiras, onde cada l\u00edngua e cultura pode acolher o Evangelho. Pentecostes \u00e9, portanto, o nascimento mission\u00e1rio da Igreja: unidade na diversidade, comunh\u00e3o no Esp\u00edrito.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O envio mission\u00e1rio dos Ap\u00f3stolos e da Igreja<\/em><\/p>\n<ol start=\"52\">\n<li>Em Mateus 28,18-20, Jesus ressuscitado diz: \u201cFoi-me dada toda a autoridade no c\u00e9u e sobre a terra. Ide, pois, e fazei disc\u00edpulos entre todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei. E eis que eu estarei convosco todos os dias, at\u00e9 o fim dos tempos.\u201d Este \u00e9 o grande mandato mission\u00e1rio. O Ressuscitado envia sua Igreja ao mundo inteiro, prometendo estar presente em cada passo da miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Marcos 16,15-18 refor\u00e7a o mesmo envio com \u00eanfase na universalidade: \u201cIde por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura.\u201d O an\u00fancio \u00e9 acompanhado por sinais de f\u00e9 e pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, mostrando que o Evangelho \u00e9 poder de Deus para a vida. J\u00e1 em Jo\u00e3o 20,21-23 (a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus), Jesus declara: \u201cComo o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio.\u201d Ao soprar o Esp\u00edrito sobre os disc\u00edpulos, Jesus comunica a mesma miss\u00e3o que recebeu do Pai: anunciar o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o. Em Atos 1,8, Ele confirma: \u201cRecebereis o poder do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 os confins da terra.\u201d Esses textos revelam que a miss\u00e3o \u00e9 um movimento cont\u00ednuo: do Pai ao Filho, do Filho aos disc\u00edpulos, e deles \u00e0 humanidade inteira.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O chamado e o envio dos disc\u00edpulos<\/em><\/p>\n<ol start=\"54\">\n<li>O chamado \u00e9 sempre o primeiro passo da miss\u00e3o. Em Mateus 4,18-22, Jesus encontra Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o, pescadores \u00e0 beira do lago, e os convida: \u201cVinde ap\u00f3s mim, e eu vos farei pescadores de homens.\u201d Eles deixam tudo e imediatamente o seguem. O chamado \u00e9 radical e pessoal, mas tamb\u00e9m comunit\u00e1rio: Jesus forma com eles uma nova fraternidade mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Em Lucas 10,1-12, o envio dos setenta e dois disc\u00edpulos amplia o horizonte: \u201cO Senhor designou outros setenta e dois e os enviou dois a dois \u00e0 sua frente.\u201d Eles s\u00e3o instru\u00eddos a ir com simplicidade, levando a paz, curando os doentes e anunciando que o Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo. A miss\u00e3o \u00e9 partilha, servi\u00e7o e confian\u00e7a em Deus. Em Marcos 6,7-13, o envio dos Doze refor\u00e7a o mesmo esp\u00edrito: Jesus lhes d\u00e1 autoridade sobre os esp\u00edritos impuros e os envia a proclamar a convers\u00e3o, curar os enfermos e libertar os oprimidos. A miss\u00e3o \u00e9 integral: toca o corpo e o cora\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 e a vida cotidiana.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo: protagonista da miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"56\">\n<li>O envio do Esp\u00edrito Santo \u00e9 o ponto culminante da revela\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio da vida mission\u00e1ria da Igreja. Prometido por Jesus, Ele transforma o medo em coragem, a d\u00favida em f\u00e9 e o fechamento em abertura. O Esp\u00edrito \u00e9 o protagonista silencioso da miss\u00e3o: guia, inspira, corrige, fortalece e consola. Por meio d\u2019Ele, a Igreja se torna viva e din\u00e2mica, e cada disc\u00edpulo \u00e9 chamado a ser testemunha da presen\u00e7a de Deus no mundo.<\/li>\n<li>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, essa consci\u00eancia \u00e9 essencial: evangelizar n\u00e3o \u00e9 apenas falar de Deus, mas deixar-nos conduzir por Ele. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o verdadeiro animador da miss\u00e3o, aquele que faz novas todas as coisas e renova a face da terra. Com Ele, a miss\u00e3o \u00e9 sempre poss\u00edvel, sempre nova e sempre fecunda.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A miss\u00e3o de Jesus como modelo<\/em><\/p>\n<ol start=\"58\">\n<li>Em Lucas 4,16-21, na sinagoga de Nazar\u00e9, Jesus l\u00ea o profeta Isa\u00edas: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos presos e a recupera\u00e7\u00e3o da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor.\u201d Aqui est\u00e1 o programa mission\u00e1rio de Jesus: evangelizar \u00e9 libertar e curar, \u00e9 anunciar a gra\u00e7a e a vida nova de Deus, especialmente aos mais fragilizados de cada \u00e9poca e lugar onde o crist\u00e3o se encontra, como fizeram muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s antes de n\u00f3s, a exemplo da grande multid\u00e3o dos santos e santas de Deus.<\/li>\n<li>Jo\u00e3o 3,16-17 resume o motivo da miss\u00e3o: \u201cDeus amou tanto o mundo que deu o seu Filho \u00fanico, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou seu Filho ao mundo, n\u00e3o para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele.\u201d A miss\u00e3o nasce do amor de Deus e tem como meta a salva\u00e7\u00e3o e a vida. Em Jo\u00e3o 10,10, Jesus afirma: \u201cEu vim para que todos tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia.\u201d O mission\u00e1rio, seguindo o Mestre, \u00e9 chamado a promover vida plena e digna para todos.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O Esp\u00edrito Santo na vida e na miss\u00e3o da Igreja<\/em><\/p>\n<ol start=\"60\">\n<li>O Esp\u00edrito continua agindo ao longo de toda a vida da Igreja primitiva. Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, vemos a Igreja nascente vivendo a miss\u00e3o como dom do Esp\u00edrito. Em Atos 2,1-13, no dia de Pentecostes, \u201ctodos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo e come\u00e7aram a falar em outras l\u00ednguas, conforme o Esp\u00edrito lhes concedia.\u201d O Evangelho \u00e9 anunciado em todas as l\u00ednguas: o Esp\u00edrito derruba as barreiras e inaugura uma nova comunh\u00e3o entre os povos.<\/li>\n<li>Em Atos 4,31, ap\u00f3s a ora\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos, \u201ctodos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo e anunciavam com coragem a Palavra de Deus.\u201d A f\u00e9 se traduz em ousadia mission\u00e1ria. Em Atos 8,17 e 10,44-48, o Esp\u00edrito \u00e9 derramado tamb\u00e9m sobre samaritanos e pag\u00e3os, mostrando que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 universal: a miss\u00e3o entre os samaritanos revela um encontro entre f\u00e9 e cultura (At 8,4-40), a exemplo do encontro com o et\u00edope (At 8,26-40). O Esp\u00edrito abre as portas e abate muros, criando comunh\u00e3o e pontes de comunica\u00e7\u00e3o entre os irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/li>\n<li>Em Atos 13,1-3, a comunidade de Antioquia, em ora\u00e7\u00e3o, envia Barnab\u00e9 e Paulo para a miss\u00e3o. O texto mostra que o envio mission\u00e1rio \u00e9 sempre eclesial: a comunidade discerne, reza e apoia os que s\u00e3o enviados. Mais adiante, em Atos 15, o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m discerne a evangeliza\u00e7\u00e3o entre os gentios, ensinando que o Evangelho deve ser anunciado com liberdade e respeito \u00e0s culturas. A miss\u00e3o n\u00e3o imp\u00f5e uniformidade, mas promove comunh\u00e3o na diversidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O testemunho mission\u00e1rio nas cartas apost\u00f3licas<\/em><\/p>\n<ol start=\"63\">\n<li>S\u00e3o Paulo aprofunda essa experi\u00eancia em suas cartas. Em Romanos 8,14-16, ele afirma: \u201cTodos os que s\u00e3o conduzidos pelo Esp\u00edrito de Deus s\u00e3o filhos de Deus&#8230; O pr\u00f3prio Esp\u00edrito d\u00e1 testemunho ao nosso esp\u00edrito de que somos filhos.\u201d A miss\u00e3o nasce dessa identidade filial: quem \u00e9 filho, partilha a vida do Pai e anuncia seu amor. Em 1Cor\u00edntios 12,4-11, Paulo explica que \u201ch\u00e1 diversidade de dons, mas o mesmo Esp\u00edrito.\u201d Cada batizado recebe carismas para o servi\u00e7o e a edifica\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo. E em G\u00e1latas 5,22-25, o ap\u00f3stolo descreve os frutos do Esp\u00edrito \u2013 amor, alegria, paz, paci\u00eancia, bondade, fidelidade \u2013 como sinais da maturidade mission\u00e1ria. Ele pr\u00f3prio de autointitula \u201cap\u00f3stolo dos gentios\u201d (Rm 11,13), \u201cdoutor\/mestre das na\u00e7\u00f5es na f\u00e9 e na verdade\u201d (2Tm 2,7). A f\u00e9 em Cristo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o (Gl 2,17-21); Paulo recorda que a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o foi para todos os povos (Gl 3,6-14); que os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a \u201ccompletar na pr\u00f3pria carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, pelo bem da Igreja\u201d (Cl 1,24); Paulo indica a <em>kenosis<\/em> de Cristo como modelo de miss\u00e3o e servi\u00e7o (Fl 2,5-11) e que o amor\/a caridade \u00e9 o caminho para se viver a miss\u00e3o (1Cor 13,1-13)<\/li>\n<li>Na mesma Carta aos Romanos 10,13-15, ele pergunta: \u201cComo invocar\u00e3o aquele em quem n\u00e3o acreditaram? E como acreditar\u00e3o naquele de quem n\u00e3o ouviram falar? E como ouvir\u00e3o, se ningu\u00e9m prega? E como pregar\u00e3o, se n\u00e3o forem enviados?\u201d A miss\u00e3o \u00e9 servi\u00e7o de todos: quem anuncia, quem envia e quem acolhe o Evangelho participam do mesmo dom.<\/li>\n<li>Em 1Cor\u00edntios 9,16, Paulo exclama: \u201cAnunciar o Evangelho n\u00e3o \u00e9 para mim motivo de gl\u00f3ria; \u00e9 uma necessidade que se me imp\u00f5e. Ai de mim se eu n\u00e3o anunciar o Evangelho!\u201d A miss\u00e3o \u00e9 um dever de amor, n\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o. Em 2Cor\u00edntios 5,17-20, ele escreve: \u201cSomos embaixadores de Cristo, como se Deus exortasse por meio de n\u00f3s.\u201d A miss\u00e3o \u00e9 reconcilia\u00e7\u00e3o: tornar presente o amor de Deus no mundo. Por fim, 1Pedro 2,9 recorda: \u201cV\u00f3s sois ra\u00e7a eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo de sua propriedade, para proclamar as maravilhas daquele que vos chamou das trevas \u00e0 sua luz admir\u00e1vel.\u201d A miss\u00e3o \u00e9 de todo o povo de Deus: todos s\u00e3o chamados a proclamar e testemunhar a luz e \u201ca Verdade do Evangelho\u201d (Gl 2,5.14), a \u201ccooperar com a verdade\u201d (3Jo 8).<\/li>\n<li>A isso tudo se soma o fato de que toda a Primeira Carta de Pedro indica a miss\u00e3o junto \u00e0s periferias do mundo, aos pobres, perseguidos e sofredores, participando dos sofrimentos de Cristo. O livro do Apocalipse indica o triunfo da miss\u00e3o de Deus: triunfo dos eleitos (Ap 7,9-17), as duas testemunhas (Ap 11,1-14), o triunfo da miss\u00e3o de Deus, com o novo c\u00e9u e a nova terra (Ap 21,5-7) e conclui o livro falando de Deus, como origem e cumprimento da miss\u00e3o (Ap 22,17).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Todos somos mission\u00e1rios<\/em><\/p>\n<ol start=\"67\">\n<li>As passagens do Novo Testamento mostram que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma atividade opcional da Igreja, mas sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. O Pai \u00e9 o primeiro mission\u00e1rio, enviando o Filho; o Filho envia os disc\u00edpulos; o Esp\u00edrito Santo anima e sustenta a miss\u00e3o. Evangelizar \u00e9 viver o amor de Deus em movimento, \u00e9 sair de si para servir e anunciar.<\/li>\n<li>N\u00f3s, ao meditarmos esses textos, somos convidados a renovar o ardor mission\u00e1rio. A miss\u00e3o come\u00e7a na escuta da Palavra, amadurece na ora\u00e7\u00e3o e se concretiza no testemunho e no servi\u00e7o. Ser mission\u00e1rio \u00e9 viver o Evangelho com alegria, ser sinal da miseric\u00f3rdia e da esperan\u00e7a de Deus no meio do povo. Como \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d (EG 24), somos chamados a levar a Boa-Nova a todas as realidades, com coragem, ternura e f\u00e9, a partir da \u201ccasa de Deus, que \u00e9 a Igreja do Deus vivo: coluna e sustent\u00e1culo da verdade\u201d (1Tm 3,15).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> A Miss\u00e3o da Igreja ao Longo da Hist\u00f3ria<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>2.1 As origens da miss\u00e3o crist\u00e3: a expans\u00e3o apost\u00f3lica e o per\u00edodo patr\u00edstico<\/strong><\/p>\n<ol start=\"69\">\n<li>A miss\u00e3o nasce do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o de Deus, que chama, envia e sustenta os seus escolhidos. Como visto no fundamento b\u00edblico, j\u00e1 no Antigo Testamento aparece o dinamismo mission\u00e1rio da revela\u00e7\u00e3o: Israel foi eleito n\u00e3o para o isolamento, mas para ser \u201cluz das na\u00e7\u00f5es\u201d (Is 49,6). Essa escolha n\u00e3o representa privil\u00e9gio, e sim voca\u00e7\u00e3o e responsabilidade: tornar vis\u00edvel entre os povos o amor e a fidelidade do Deus vivo.<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja tem em Cristo sua fonte e modelo. Ele, o Enviado do Pai, anuncia o Reino com palavras e gestos, acolhendo os pobres, curando os enfermos e chamando disc\u00edpulos a participarem de sua obra redentora. Ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o, confia-lhes o mandato universal: \u201cIde, fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (Mt 28,19). O acontecimento de Pentecostes inaugura o tempo mission\u00e1rio: o Esp\u00edrito Santo desce sobre os Ap\u00f3stolos, que anunciam Jesus em todas as l\u00ednguas (At 2,4). Desde ent\u00e3o, \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito quem move e conduz a miss\u00e3o: envia Filipe ao eunuco (At 8,26-40), inspira Pedro a ir \u00e0 casa de Corn\u00e9lio (At 10) e guia Paulo em suas viagens apost\u00f3licas. A miss\u00e3o \u00e9, portanto, iniciativa divina, e n\u00f3s somos apenas colaboradores de sua gra\u00e7a.<\/li>\n<li>Partindo de Jerusal\u00e9m, a f\u00e9 crist\u00e3 se expandiu pela Judeia, Samaria e at\u00e9 os confins do mundo. Pedro pregava a convers\u00e3o; Jo\u00e3o testemunhava o amor; e Paulo, ap\u00f3stolo dos gentios, percorreu o Mediterr\u00e2neo fundando comunidades e deixando nas cartas a primeira s\u00edntese teol\u00f3gica da f\u00e9. O testemunho dos disc\u00edpulos, sustentado pelo Esp\u00edrito, abriu as portas da salva\u00e7\u00e3o a todos os povos.<\/li>\n<li>Nos primeiros s\u00e9culos, o cristianismo cresceu no mundo greco-romano por meio da prega\u00e7\u00e3o e do exemplo das pequenas comunidades, frequentemente perseguidas. Especial for\u00e7a teve o testemunho de se viver a f\u00e9 crist\u00e3 como religi\u00e3o il\u00edcita no Imp\u00e9rio Romano, o que levou os crist\u00e3os a sofrer consequentemente muitos desafios, sobretudo a persegui\u00e7\u00e3o e o mart\u00edrio: sinal vivo de uma f\u00e9 ardorosa, corajosa e sinal do testemunho mission\u00e1rio. A for\u00e7a do Evangelho manifestava-se na coer\u00eancia de vida e na f\u00e9 dos m\u00e1rtires, cujo sangue \u2014 como dizia Tertuliano \u2014 tornou-se \u201csemente de novos crist\u00e3os\u201d. A caridade, o cuidado com os doentes e o respeito pela dignidade dos pobres e das mulheres impressionavam os pag\u00e3os, e o testemunho dos fi\u00e9is \u2014 \u201cVede como eles se amam!\u201d \u2014 atra\u00eda muitos ao seguimento de Cristo.<\/li>\n<li>Com o Edito de Mil\u00e3o (313 d.C.), que concedeu liberdade religiosa aos crist\u00e3os, a Igreja entrou numa nova fase. Livre das persegui\u00e7\u00f5es, p\u00f4de organizar-se, dialogar com a cultura e irradiar sua influ\u00eancia espiritual sobre a sociedade. A miss\u00e3o assumiu, ent\u00e3o, novos contornos: deixou de ser apenas resist\u00eancia e testemunho de f\u00e9 para se tornar tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho e constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo.<\/li>\n<li>Nesse contexto, os Padres da Igreja destacaram-se como verdadeiros mission\u00e1rios do pensamento e da vida. Interpretaram as Escrituras, defenderam a f\u00e9 ortodoxa e testemunharam santidade. Entre eles, sobressaem Santo In\u00e1cio de Antioquia (35\u2013107), que, por meio de suas cartas, consolidou a comunh\u00e3o entre as comunidades; Santo Irineu de Lion (130\u2013202), de origem oriental, que fortaleceu a unidade entre as Igrejas do Ocidente; Or\u00edgenes (185\u2013254), te\u00f3logo de grande profundidade especulativa, que marcou de modo singular o di\u00e1logo entre f\u00e9 e raz\u00e3o; Santo Atan\u00e1sio (296\u2013373), incans\u00e1vel defensor da verdade crist\u00e3; e os Padres Capad\u00f3cios \u2014 Bas\u00edlio Magno (329\u2013379), Greg\u00f3rio de Nazianzo (329\u2013390) e Greg\u00f3rio de Nissa (335\u2013395) \u2014, que uniram erudi\u00e7\u00e3o, espiritualidade e vida comunit\u00e1ria. Eles fundamentaram a compreens\u00e3o da Trindade como comunh\u00e3o mission\u00e1ria, mostrando que a Igreja evangeliza porque \u00e9 reflexo vivo da comunh\u00e3o entre o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<li>Entre os exemplos luminosos desse tempo, destaca-se S\u00e3o Martinho de Tours (316\u2013397). Antigo soldado, convertido em monge e depois bispo, evangelizou a G\u00e1lia com simplicidade e caridade. O gesto de partilhar sua capa com um pobre tornou-se s\u00edmbolo da uni\u00e3o entre an\u00fancio e amor fraterno. Sua vida demonstrou que o testemunho concreto \u00e9 a forma mais profunda de prega\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Com a difus\u00e3o do cristianismo, surgiram diversas tradi\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e culturais no Oriente e no Ocidente. A mesma f\u00e9 se expressava em ritos e teologias distintas, enraizadas em povos e l\u00ednguas diversas. No Oriente floresceram as fam\u00edlias rituais \u2014 antioquena, alexandrina, arm\u00eania, caldeia e bizantina \u2014 que at\u00e9 hoje enriquecem a catolicidade da Igreja. Muitas dessas Igrejas locais, (das quais nasceram as atuais Igrejas Ortodoxas), foram aut\u00eanticas escolas de espiritualidade e miss\u00e3o, originadas do dinamismo apost\u00f3lico que deu origem aos Patriarcados.<\/li>\n<li>Apesar da diversidade, a unidade e a comunh\u00e3o foram preservadas pelo di\u00e1logo entre os bispos e pela realiza\u00e7\u00e3o de s\u00ednodos, instrumentos de discernimento e de escuta do Esp\u00edrito. Os conc\u00edlios ecum\u00eanicos de Niceia (325) que neste ano completa 1.700 anos e que teve a visita do Papa Le\u00e3o XIV no local do evento, Constantinopla (381), \u00c9feso (431) e Calced\u00f4nia (451) tornaram-se marcos dessa comunh\u00e3o eclesial. Assim, a sinodalidade, longe de ser novidade, \u00e9 desde o in\u00edcio uma forma concreta de viver a comunh\u00e3o mission\u00e1ria. Essa sinodalidade tem sido um m\u00e9todo comum em nossa Arquidiocese em seus trabalhos e miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Os primeiros s\u00e9culos do cristianismo foram, portanto, um tempo de expans\u00e3o silenciosa e fecunda, de fidelidade criativa e de profunda comunh\u00e3o. O Evangelho lan\u00e7ou ra\u00edzes em culturas diversas, e a Igreja aprendeu a ser verdadeiramente cat\u00f3lica \u2014 universal, aberta a todos os povos, mas fiel a um \u00fanico Senhor.<\/li>\n<li>\u00c9 importante recordar ainda que a Arm\u00eania, j\u00e1 no s\u00e9culo IV, foi a primeira na\u00e7\u00e3o a adotar oficialmente o cristianismo, abrindo caminho para novas formas de miss\u00e3o. A Irlanda, convertida no s\u00e9culo V por S\u00e3o Patr\u00edcio (385\u2013461), tornou-se centro vibrante de vida espiritual. Dela partiram monges como S\u00e3o Columba (521\u2013597) e S\u00e3o Columbano (543\u2013615), que fundaram mosteiros e irradiaram a f\u00e9 por toda a Europa.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.2 A miss\u00e3o na Idade M\u00e9dia e a evangeliza\u00e7\u00e3o da Europa<\/strong><\/p>\n<ol start=\"80\">\n<li>Com o t\u00e9rmino das persegui\u00e7\u00f5es e o avan\u00e7o da f\u00e9 nos territ\u00f3rios do antigo Imp\u00e9rio Romano, a miss\u00e3o da Igreja entrou em uma nova fase de expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o. O Evangelho, antes proclamado nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas do mundo conhecido, come\u00e7ou a penetrar nas terras do norte e do oeste europeu, alcan\u00e7ando os povos b\u00e1rbaros e germ\u00e2nicos. Nesse movimento evangelizador, a f\u00e9 crist\u00e3 firmou-se nas antigas na\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio \u2014 como a Fran\u00e7a, chamada \u201cfilha primog\u00eanita da Igreja\u201d, cuja convers\u00e3o do rei Cl\u00f3vis (466\u2013511) foi decisiva para o futuro da cristandade ocidental \u2014 e irradiou-se tamb\u00e9m para o Oriente.<\/li>\n<li>Entre os principais protagonistas dessa etapa mission\u00e1ria est\u00e3o os monges mission\u00e1rios que uniam contempla\u00e7\u00e3o, estudo e a\u00e7\u00e3o pastoral. Os mosteiros e conventos \u2014 beneditinos, agostinianos, cistercienses, cartuxos, franciscanos e dominicanos \u2014 espalharam-se pela Europa e tornaram-se centros de f\u00e9, cultura e solidariedade. Nessas casas religiosas, o Evangelho era vivido e ensinado; o saber antigo foi preservado, a arte e a agricultura floresceram, e gera\u00e7\u00f5es inteiras foram formadas na f\u00e9 e na vida comunit\u00e1ria.<\/li>\n<li>S\u00e3o Bento de N\u00farsia (480\u2013547), considerado o \u201cPai do monaquismo ocidental\u201d, fundou o mosteiro de Monte Cassino e redigiu sua c\u00e9lebre Regra, que se tornou refer\u00eancia para a vida mon\u00e1stica em todo o ocidente. Seu lema, <em>ora et labora<\/em> (\u201creza e trabalha\u201d), sintetiza o esp\u00edrito beneditino, que une ora\u00e7\u00e3o, trabalho e fraternidade. Os mosteiros beneditinos tornaram-se verdadeiros far\u00f3is de civiliza\u00e7\u00e3o, preservando manuscritos, cultivando o saber, desenvolvendo a agricultura, acolhendo os pobres e instruindo o povo.<\/li>\n<li>Outro grande mission\u00e1rio foi S\u00e3o Bonif\u00e1cio (675\u2013754), conhecido como o \u201cap\u00f3stolo da Alemanha\u201d. Nascido na Inglaterra, levou a luz da f\u00e9 aos povos germ\u00e2nicos, organizou dioceses e fundou mosteiros, consolidando a presen\u00e7a da Igreja em regi\u00f5es ainda marcadas pelo paganismo. Seu mart\u00edrio coroou uma vida inteiramente dedicada \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e ao an\u00fancio do Evangelho.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m merecem destaque S\u00e3o Cirilo (826\u2013869) e S\u00e3o Met\u00f3dio (815\u2013885), irm\u00e3os origin\u00e1rios de Tessal\u00f4nica, que levaram a mensagem crist\u00e3 aos povos eslavos. Traduziram a Sagrada Escritura para a l\u00edngua local e criaram o alfabeto que deu origem \u00e0 escrita cir\u00edlica. Seu trabalho mission\u00e1rio, caracterizado pelo respeito e valoriza\u00e7\u00e3o das culturas, abriu caminhos para a evangeliza\u00e7\u00e3o, tornando-os padroeiros da Europa e s\u00edmbolos da unidade entre Oriente e Ocidente.<\/li>\n<li>No s\u00e9culo XII, desponta a figura luminosa de S\u00e3o Bernardo de Claraval (1090\u20131153), por quem tenho imensa admira\u00e7\u00e3o: reformador, pregador ardoroso e grande divulgador da minha Ordem de Cister. Sua prega\u00e7\u00e3o e sua teologia centrada no amor de Deus marcaram profundamente a espiritualidade medieval e tamb\u00e9m a minha. Sob sua influ\u00eancia, os cistercienses se multiplicaram, fundando mosteiros que se tornaram polos de ora\u00e7\u00e3o, cultura e evangeliza\u00e7\u00e3o por toda a Europa.<\/li>\n<li>S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o (1170\u20131221), enfrentando a heresia albigense, inaugurou um novo estilo de prega\u00e7\u00e3o: simples, fundamentado na Sagrada Escritura e unido \u00e0 pobreza evang\u00e9lica. Fundou a Ordem dos Pregadores, cujos frades levaram a Palavra \u00e0s cidades e universidades, dialogando com a cultura e iluminando as consci\u00eancias com a luz do Evangelho. Foi tamb\u00e9m atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o dominicana que o Ros\u00e1rio se difundiu como verdadeira escola de espiritualidade e s\u00edntese do Evangelho.<\/li>\n<li>S\u00e3o Francisco de Assis (1181\u20131226), por sua vez, encarnou a pobreza e a alegria do Evangelho de modo singular. Seguindo Cristo pobre e crucificado, fez de sua vida um an\u00fancio vivo do amor divino. Fundador da Ordem dos Frades Menores, pregou a fraternidade universal e o amor aos pobres. Durante as Cruzadas, encontrou-se com o sult\u00e3o Al-Malik al-Kamil (1180\u20131238), testemunhando que a miss\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 di\u00e1logo e caminho de paz.<\/li>\n<li>A Idade M\u00e9dia legou \u00e0 Igreja uma heran\u00e7a inestim\u00e1vel: uma Europa profundamente moldada pela f\u00e9, pela presen\u00e7a mon\u00e1stica, pela arte sacra e pela caridade. A luz do Evangelho inspirou ideais de santidade, originou universidades, sustentou culturas e consolidou valores humanos que permanecem como fundamentos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.3 A miss\u00e3o na era das grandes navega\u00e7\u00f5es: Espanha e Portugal<\/strong><\/p>\n<ol start=\"89\">\n<li>Com o surgimento das grandes navega\u00e7\u00f5es, entre os s\u00e9culos XV e XVI, a miss\u00e3o crist\u00e3 assumiu uma nova amplitude universal. O ardor evangelizador que havia moldado a Europa medieval estendeu-se agora aos continentes rec\u00e9m-descobertos, acompanhando os empreendimentos mar\u00edtimos de Espanha e Portugal. A abertura de novas rotas comerciais e culturais criou n\u00e3o s\u00f3 horizontes in\u00e9ditos para o an\u00fancio do Evangelho, mas tamb\u00e9m apresentou s\u00e9rios desafios \u00e9ticos, pois muitas vezes a evangeliza\u00e7\u00e3o se confundiu com os interesses pol\u00edticos e coloniais da \u00e9poca que nos fazem penitenciar at\u00e9 hoje.<\/li>\n<li>O Reino de Portugal, amparado pelo sistema do padroado real, enviou mission\u00e1rios \u00e0s terras que descobria, confiando-lhes a tarefa de anunciar a f\u00e9 e organizar a vida crist\u00e3 nas novas comunidades, e em algumas situa\u00e7\u00f5es impediu a miss\u00e3o da pr\u00f3pria igreja. A Espanha, por sua vez, levou o Evangelho \u00e0 Am\u00e9rica Latina e \u00e0s Filipinas, estruturando dioceses e formando institui\u00e7\u00f5es de caridade e educa\u00e7\u00e3o. Em ambos os reinos, o impulso mission\u00e1rio produziu figuras not\u00e1veis de santidade e coragem, que uniram o zelo apost\u00f3lico \u00e0 defesa dos povos nativos e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana.<\/li>\n<li>Entre esses grandes testemunhos, destaca-se Bartolomeu de Las Casas (1484\u20131566), dominicano que chegou \u00e0 Am\u00e9rica como colono e, tocado pela injusti\u00e7a, tornou-se incans\u00e1vel defensor dos ind\u00edgenas. Denunciou os abusos da coloniza\u00e7\u00e3o e proclamou a igualdade de todos diante de Deus, mostrando que a aut\u00eantica miss\u00e3o inclui o compromisso com a justi\u00e7a e o respeito pela vida. Sua voz prof\u00e9tica permanece como marco da consci\u00eancia crist\u00e3 diante da opress\u00e3o.<\/li>\n<li>Outro exemplo luminoso \u00e9 S\u00e3o Francisco Xavier (1506\u20131552), companheiro de Santo In\u00e1cio de Loyola (1491\u20131556) e um dos primeiros jesu\u00edtas. Levou o Evangelho ao Oriente, anunciando Cristo na \u00cdndia, nas ilhas Molucas e no Jap\u00e3o, e faleceu \u00e0s portas da China, consumido pelo desejo de evangelizar aquele vasto imp\u00e9rio. Seu ardor mission\u00e1rio e amor pelos pobres fizeram dele um dos maiores evangelizadores da hist\u00f3ria da Igreja.<\/li>\n<li>S\u00e3o Tor\u00edbio de Mogrovejo (1538\u20131606), arcebispo de Lima, foi outro grande mission\u00e1rio deste per\u00edodo. Percorria pessoalmente as comunidades mais distantes dos Andes, levando consolo, catequese e presen\u00e7a pastoral. Organizou a Igreja local, promoveu a forma\u00e7\u00e3o do clero e defendeu a dignidade dos povos origin\u00e1rios, tornando-se exemplo de pastor pr\u00f3ximo e incans\u00e1vel.<\/li>\n<li>Matteo Ricci (1552\u20131610), jesu\u00edta e pioneiro do di\u00e1logo mission\u00e1rio com a cultura chinesa, encarnou uma forma nova de evangeliza\u00e7\u00e3o. Com sabedoria e sensibilidade, soube dialogar com o pensamento confuciano, valorizando o conhecimento local e apresentando o Evangelho com respeito e profundidade. Introduziu ci\u00eancias ocidentais, escreveu tratados e foi acolhido como s\u00e1bio e amigo. Sua vida demonstra que a verdadeira miss\u00e3o se faz tamb\u00e9m no terreno do encontro e do di\u00e1logo.<\/li>\n<li>Essa \u00e9poca de expans\u00e3o mission\u00e1ria deixou frutos duradouros: escolas, hospitais, obras de caridade e express\u00f5es de espiritualidade popular que enraizaram a f\u00e9 nas novas culturas. A evangeliza\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas, da \u00c1frica e da \u00c1sia ampliou o horizonte da Igreja e refor\u00e7ou sua consci\u00eancia de ser universal \u2014 chamada a abra\u00e7ar todos os povos e a anunciar Cristo em todas as na\u00e7\u00f5es, com respeito e amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.4 A presen\u00e7a de mission\u00e1rios no Brasil<\/strong><\/p>\n<ol start=\"96\">\n<li>Um novo e decisivo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria mission\u00e1ria se abre com as grandes descobertas mar\u00edtimas dos s\u00e9culos XV e XVI. A chegada dos espanh\u00f3is \u00e0 Am\u00e9rica Latina e dos portugueses ao territ\u00f3rio que viria a ser o Brasil marcou profundamente o processo de evangeliza\u00e7\u00e3o do Novo Mundo.<\/li>\n<li>Desde o in\u00edcio, a miss\u00e3o no Brasil assumiu rosto concreto atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel dos <strong>jesu\u00edtas<\/strong>, entre os quais se destacam <strong>Manuel da N\u00f3brega<\/strong><strong> e <\/strong><strong>Jos\u00e9 de Anchieta, que inclusive atuaram aqui em nossas terras<\/strong>. Ambos aprenderam as l\u00ednguas ind\u00edgenas, redigiram catecismos, criaram escolas e aldeamentos, e utilizaram at\u00e9 o teatro como meio de evangeliza\u00e7\u00e3o. Anchieta, em particular, tornou-se conhecido como o \u201cap\u00f3stolo do Brasil\u201d, pelo ardor com que anunciou Cristo aos povos origin\u00e1rios e trabalhou pela reconcilia\u00e7\u00e3o entre colonos e nativos. Mestre da l\u00edngua tupi, comp\u00f4s gram\u00e1tica, poemas e pe\u00e7as catequ\u00e9ticas, transformando a cultura em instrumento de miss\u00e3o e paz.<\/li>\n<li>A presen\u00e7a franciscana, desde o s\u00e9culo XVI, deu \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o brasileira um car\u00e1ter popular e pr\u00f3ximo do povo simples. Especialmente no Nordeste e no Sul, os frades menores levaram a palavra com linguagem acess\u00edvel, promoveram a devo\u00e7\u00e3o mariana e cultivaram a religiosidade popular. Fundaram conventos, cuidaram da vida pastoral das vilas e cidades e difundiram o amor a Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Francisco, que se tornaram figuras queridas da f\u00e9 do povo.<\/li>\n<li>Os <strong>carmelitas<\/strong>, instalados no Brasil a partir de meados do s\u00e9culo XVI, uniram vida contemplativa e miss\u00e3o popular. Espalharam a devo\u00e7\u00e3o a <strong>Nossa Senhora do Carmo, <\/strong>que se tornaria padroeira de muitas cidades. Sua espiritualidade silenciosa e orante marcou fortemente a vida religiosa do pa\u00eds, especialmente nas \u00e1reas urbanas.<\/li>\n<li>Os <strong>beneditinos<\/strong>, que chegaram em 1581, fundaram mosteiros que se tornaram polos de cultura, arte sacra e espiritualidade. A partir do equil\u00edbrio de sua Regra \u2014 \u201cora et labora\u201d \u2014, contribu\u00edram para formar comunidades disciplinadas e orantes, sendo at\u00e9 hoje refer\u00eancia de vida mon\u00e1stica e cultural.<\/li>\n<li>No s\u00e9culo XVII, os <strong>merced\u00e1rios<\/strong> deram continuidade \u00e0 obra evangelizadora, especialmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. Inspirados pela espiritualidade da liberta\u00e7\u00e3o dos cativos, dedicaram-se ao servi\u00e7o dos necessitados e deixaram forte testemunho da dimens\u00e3o social da f\u00e9. No Rio colonial, a <strong>Ordem de Nossa Senhora das Merc\u00eas<\/strong> destacou-se na assist\u00eancia aos escravizados, revelando que a miss\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o.<\/li>\n<li>Durante o s\u00e9culo XIX, a presen\u00e7a das <strong>Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo<\/strong> fortaleceu o rosto caritativo da Igreja, com atua\u00e7\u00e3o em hospitais, orfanatos e obras sociais. J\u00e1 os <strong>Redentoristas<\/strong>, vindos ao Brasil no final do s\u00e9culo XIX, tornaram-se grandes mission\u00e1rios populares. Com suas prega\u00e7\u00f5es e romarias, difundiram a devo\u00e7\u00e3o a <strong>Nossa Senhora Aparecida<\/strong>, Padroeira do Brasil, e contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o da espiritualidade mariana do povo. Tamb\u00e9m se destacaram na comunica\u00e7\u00e3o, fundando a <strong>R\u00e1dio Aparecida<\/strong> e a <strong>Editora Santu\u00e1rio<\/strong>.<\/li>\n<li>Os <strong>salesianos<\/strong>, enviados por <strong>Dom Bosco<\/strong> em 1883, dedicaram-se \u00e0 juventude, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. Fundaram escolas, col\u00e9gios e obras sociais por todo o pa\u00eds, levando adiante o carisma da alegria e do amor educativo. Sua presen\u00e7a mission\u00e1ria na Amaz\u00f4nia marcou de modo especial o compromisso com os povos ind\u00edgenas e com a educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Entre as congrega\u00e7\u00f5es de origem brasileira, merecem destaque, entre outras, as <strong>Irm\u00e3zinhas da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<\/strong>, fundadas por <strong>Santa Paulina<\/strong>, em Santa Catarina. Elas foram as primeiras religiosas nascidas em solo brasileiro e dedicaram suas vidas ao cuidado dos pobres e enfermos, tornando-se sinal da f\u00e9 viva do povo.<\/li>\n<li>A identidade cat\u00f3lica do Brasil foi profundamente moldada por essa rica diversidade mission\u00e1ria. Cada congrega\u00e7\u00e3o e instituto trouxe um dom particular do Esp\u00edrito, ajudando a formar um catolicismo enraizado na cultura e no cora\u00e7\u00e3o do povo: uma f\u00e9 popular, devocional e solid\u00e1ria, marcada pela presen\u00e7a mariana, pela catequese e pela op\u00e7\u00e3o pelos pobres.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.5 A presen\u00e7a mission\u00e1ria no Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<ol start=\"106\">\n<li>A hist\u00f3ria mission\u00e1ria do Rio de Janeiro tem in\u00edcio com a chegada dos <strong>jesu\u00edtas<\/strong>, que acompanharam a funda\u00e7\u00e3o da cidade em 1565, ao lado de <strong>Est\u00e1cio de S\u00e1<\/strong>. Entre eles, destacou-se o <strong>Padre Jos\u00e9 de Anchieta<\/strong>, que participou ativamente da consolida\u00e7\u00e3o da nova comunidade. Sua atua\u00e7\u00e3o abrangeu a catequese dos povos ind\u00edgenas, a media\u00e7\u00e3o entre colonos e nativos e a funda\u00e7\u00e3o de escolas. O <strong>Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas<\/strong>, situado no Morro do Castelo, tornou-se durante s\u00e9culos o principal centro espiritual, cultural e educacional da cidade, irradiando f\u00e9 e conhecimento.<\/li>\n<li>Poucos anos depois, em 1590, chegaram ao Rio os <strong>beneditinos<\/strong>, que ergueram o magn\u00edfico <strong>Mosteiro de S\u00e3o Bento<\/strong>, uma das mais belas express\u00f5es da arquitetura colonial brasileira. Ali, a liturgia solene, o canto gregoriano e a vida mon\u00e1stica marcaram profundamente a identidade cat\u00f3lica da cidade. Al\u00e9m de casa de ora\u00e7\u00e3o, o mosteiro foi centro de cultura e de forma\u00e7\u00e3o humana, e at\u00e9 hoje permanece como farol espiritual e cultural da capital fluminense.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m em 1590, instalaram-se os <strong>carmelitas<\/strong>, promovendo uma intensa devo\u00e7\u00e3o a <strong>Nossa Senhora do Carmo<\/strong>. A <strong>Igreja da Ordem Terceira do Carmo<\/strong> e a antiga <strong>S\u00e9 Catedral<\/strong>, onde funcionou a sede episcopal at\u00e9 1976, testemunham essa presen\u00e7a fecunda. A devo\u00e7\u00e3o carmelita enraizou-se t\u00e3o profundamente na religiosidade do povo carioca que <strong>Nossa Senhora do Carmo<\/strong> foi proclamada padroeira da Arquidiocese.<\/li>\n<li>Nos s\u00e9culos seguintes, o Rio de Janeiro continuou a acolher novas for\u00e7as mission\u00e1rias. Durante o s\u00e9culo XX, a Arquidiocese recebeu congrega\u00e7\u00f5es de voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria internacional, como o <strong>Pontif\u00edcio Instituto das Miss\u00f5es Estrangeiras (PIME)<\/strong> e os <strong>Mission\u00e1rios Combonianos<\/strong>, que se dedicaram especialmente \u00e0s periferias urbanas e \u00e0s comunidades mais vulner\u00e1veis. Seu trabalho pastoral e social contribuiu para renovar o ardor mission\u00e1rio e expandir a presen\u00e7a da Igreja para al\u00e9m dos limites do centro urbano.<\/li>\n<li>Desde os tempos de <strong>S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta<\/strong> at\u00e9 as congrega\u00e7\u00f5es e institutos que atuam hoje nas diversas regi\u00f5es pastorais, a Arquidiocese do Rio de Janeiro foi moldada por uma extraordin\u00e1ria variedade de carismas mission\u00e1rios. Cada um deles, \u00e0 sua maneira, ajudou a formar a identidade cat\u00f3lica carioca \u2014 uma f\u00e9 popular, alegre, profundamente mariana e comprometida com os pobres e com a justi\u00e7a social.<\/li>\n<li>\u00c9 igualmente not\u00e1vel a contribui\u00e7\u00e3o das <strong>congrega\u00e7\u00f5es femininas<\/strong>, que dedicaram suas vidas \u00e0 <strong>educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, \u00e0 <strong>sa\u00fade<\/strong> e \u00e0s <strong>obras de caridade<\/strong>. Escolas, hospitais e institui\u00e7\u00f5es sociais, muitas delas ainda em funcionamento, s\u00e3o frutos da presen\u00e7a generosa dessas religiosas que, com esp\u00edrito de servi\u00e7o, traduziram o Evangelho em gestos concretos de amor e solidariedade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.6 A renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<ol start=\"112\">\n<li>O s\u00e9culo XIX j\u00e1 preparava uma nova etapa na miss\u00e3o da Igreja, marcada por um renovado ardor apost\u00f3lico e pelo surgimento de diversas congrega\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias. O impulso da caridade crist\u00e3 encontrou-se, nesse tempo, com os desafios trazidos pela <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/strong>, que transformou profundamente o panorama cultural, e pela <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong>, que levantou urgentes quest\u00f5es sociais. Nesse contexto, emergiu a figura prof\u00e9tica de <strong>S\u00e3o Daniel Comboni<\/strong> (1831\u20131881), mission\u00e1rio apaixonado pela \u00c1frica. Fundador dos <strong>Mission\u00e1rios e Mission\u00e1rias Combonianos<\/strong>, ele compreendeu que a evangeliza\u00e7\u00e3o deveria respeitar e valorizar as culturas locais. Seu lema \u2014 \u201cSalvar a \u00c1frica com a \u00c1frica\u201d \u2014 expressava uma vis\u00e3o ousada e profundamente evang\u00e9lica: a miss\u00e3o n\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o, mas como partilha e promo\u00e7\u00e3o da dignidade de cada povo.<\/li>\n<li>J\u00e1 o s\u00e9culo XX seria um per\u00edodo de profunda renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria para toda a Igreja. O dinamismo do Esp\u00edrito Santo impulsionou novas iniciativas evangelizadoras em todos os continentes e favoreceu tamb\u00e9m o florescimento de um di\u00e1logo fraterno entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. O movimento mission\u00e1rio se tornou, ent\u00e3o, um espa\u00e7o privilegiado de coopera\u00e7\u00e3o e de busca pela unidade.<\/li>\n<li>Nas comunidades crist\u00e3s oriundas da Reforma, o fervor mission\u00e1rio ganhou for\u00e7a, culminando na <strong>Confer\u00eancia Mission\u00e1ria de Edimburgo (1910)<\/strong>, que reuniu representantes de v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es em torno da miss\u00e3o. Esse evento foi um marco no caminho do ecumenismo moderno e influenciou a compreens\u00e3o da miss\u00e3o como obra conjunta de testemunho e servi\u00e7o.<\/li>\n<li>Na Igreja Cat\u00f3lica, o Papa <strong>Pio XI<\/strong> (1857\u20131939) deu grande impulso \u00e0s <strong>Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias<\/strong>, promovendo uma consci\u00eancia mais viva da responsabilidade mission\u00e1ria de todo o povo de Deus. Pouco depois, o <strong>Conc\u00edlio Vaticano II (1962\u20131965)<\/strong><strong>,<\/strong> em seu <strong>Decreto <\/strong><em>Ad Gentes<\/em>, reafirmou de modo solene que \u201ca Igreja peregrina \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria\u201d (n. 2). Essa afirma\u00e7\u00e3o expressa a convic\u00e7\u00e3o de que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma atividade entre outras, mas o pr\u00f3prio modo de ser da Igreja, que existe para evangelizar e servir.<\/li>\n<li>A partir desse novo horizonte conciliar, a miss\u00e3o passou a ser entendida como di\u00e1logo, presen\u00e7a e testemunho, mais do que como simples expans\u00e3o geogr\u00e1fica. O an\u00fancio do Evangelho deveria ser feito no respeito pelas culturas, na solidariedade com os pobres e na busca da justi\u00e7a e da paz. A renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria do s\u00e9culo XX, portanto, n\u00e3o se limitou \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de novas obras, mas inaugurou um novo esp\u00edrito e uma nova consci\u00eancia eclesial, profundamente marcada pelo amor e pela universalidade do Evangelho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.7 Hoje: a Igreja em estado permanente de miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"117\">\n<li>No s\u00e9culo XXI, a Igreja vive o chamado a permanecer em estado permanente de miss\u00e3o, conforme prop\u00f4s o Documento de Aparecida (2007). A evangeliza\u00e7\u00e3o deixou de ser entendida como uma a\u00e7\u00e3o isolada e passou a ser reconhecida como a pr\u00f3pria forma de ser da Igreja. Em um mundo globalizado, marcado pela desigualdade, pela busca de sentido e pela presen\u00e7a cada vez mais intensa das novas tecnologias e espa\u00e7os digitais, o an\u00fancio do Evangelho assume novos rostos: o da proximidade, do di\u00e1logo, do testemunho e do servi\u00e7o.<\/li>\n<li>S\u00e3o Paulo VI inaugurou o estilo mission\u00e1rio das viagens papais, tornando-se presen\u00e7a viva do Evangelho em meio aos povos. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II ampliou esse horizonte, levando a Boa Nova a 129 pa\u00edses e instituindo as Jornadas Mundiais da Juventude e os Encontros Mundiais das Fam\u00edlias, sinais concretos de uma Igreja que deseja encontrar as pessoas em todos os lugares. O Rio de Janeiro, em particular, teve a gra\u00e7a de sediar o 2\u00ba Encontro Mundial das Fam\u00edlias, em 1997, e a 28\u00aa Jornada Mundial da Juventude, em 2013, momentos que expressaram de modo vibrante a dimens\u00e3o mission\u00e1ria da f\u00e9.<\/li>\n<li>O pontificado de Bento XVI refor\u00e7ou o fundamento espiritual da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, centrando-a no encontro pessoal com Cristo. O Papa Francisco, por sua vez, ampliou esse horizonte e recordou que a Igreja \u00e9 chamada a sair de si mesma, preferindo ser uma \u201cIgreja acidentada, ferida e enlameada por ter sa\u00eddo \u00e0s ruas\u201d (Evangelii Gaudium, 49). No atual contexto, Le\u00e3o XIV (2025\u2013) tem ressaltado a import\u00e2ncia da miss\u00e3o como caminho de paz desarmada e desarmante, comunh\u00e3o e di\u00e1logo entre os povos.<\/li>\n<li>Nos tempos recentes, muitos santos e santas t\u00eam encarnado o ideal mission\u00e1rio com o testemunho da caridade. Santa Teresa de Calcut\u00e1 (1910\u20131997), que aqui esteve, fundadora das Mission\u00e1rias da Caridade, consagrou-se aos mais pobres entre os pobres, revelando no servi\u00e7o a face compassiva de Cristo. Costumava dizer: \u201cO que fazemos \u00e9 apenas uma gota no oceano. Mas, se essa gota faltasse, o oceano seria menor.\u201d De modo semelhante, Santa Dulce dos Pobres (1914\u20131992), o \u201cAnjo Bom da Bahia\u201d, dedicou sua vida aos enfermos e marginalizados, fundando as Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce e transformando pequenos gestos em uma grande corrente de amor e solidariedade. Ambas mostraram que servir ao necessitado \u00e9 a forma mais pura de evangelizar.<\/li>\n<li>Os grandes eventos mission\u00e1rios de nosso tempo \u2014 como as Jornadas Mundiais da Juventude, os Encontros Mundiais das Fam\u00edlias e as miss\u00f5es populares \u2014 expressam de maneira concreta essa Igreja em sa\u00edda, alegre e solid\u00e1ria. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as tecnologias digitais tornam-se novos espa\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo e comunh\u00e3o. O magist\u00e9rio contempor\u00e2neo refor\u00e7a uma convic\u00e7\u00e3o essencial: a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por sua pr\u00f3pria natureza e deve anunciar Cristo com coragem, ternura e alegria.<\/li>\n<li>Em muitas par\u00f3quias, a miss\u00e3o permanente j\u00e1 \u00e9 realidade consolidada: n\u00e3o se limita \u00e0 presen\u00e7a f\u00edsica nos territ\u00f3rios, mas traduz-se em a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, em contato direto com as pessoas e em servi\u00e7o constante \u00e0s suas necessidades espirituais e humanas. Tamb\u00e9m os movimentos e as novas comunidades desempenham papel essencial, levando adiante seus carismas e manifestando, nas mais variadas formas, o amor de Deus e o acolhimento da Igreja.<\/li>\n<li>O Brasil, que por s\u00e9culos recebeu mission\u00e1rios, tornou-se hoje tamb\u00e9m terra de envio. Sacerdotes, di\u00e1conos, leigos e leigas participam com generosidade de projetos mission\u00e1rios al\u00e9m-fronteiras, promovidos por dioceses, congrega\u00e7\u00f5es, comunidades e pelos regionais da CNBB. A consci\u00eancia mission\u00e1ria cresce em nossas comunidades, que organizam conselhos e grupos voltados ao servi\u00e7o mission\u00e1rio, assumindo com entusiasmo o compromisso de levar o Evangelho aos que mais precisam.<\/li>\n<li>Belos testemunhos dessa presen\u00e7a mission\u00e1ria se encontram em pastorais que visitam enfermos, acolhem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e amparam os que vivem em extrema pobreza. Nessas express\u00f5es concretas de amor, a Igreja realiza sua voca\u00e7\u00e3o de ser sinal de esperan\u00e7a e instrumento da miseric\u00f3rdia de Deus.<\/li>\n<li>O futuro mission\u00e1rio da Arquidiocese do Rio de Janeiro continua a se inspirar nessa tradi\u00e7\u00e3o viva, sendo chamada, hoje mais do que nunca, a ser uma Igreja em sa\u00edda, fiel ao mandato de Cristo e pr\u00f3xima do povo que lhe foi confiado. Temos belas experi\u00eancias do passado sempre lembradas e, ao mesmo tempo, grandes realiza\u00e7\u00f5es atuais com um dinamismo que o Esp\u00edrito Santo nos proporciona.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Magist\u00e9rio da Igreja: Os Documentos sobre a Miss\u00e3o<\/strong><\/li>\n<li>Ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, a Igreja Cat\u00f3lica tem produzido uma s\u00e9rie de documentos que expressam sua consci\u00eancia mission\u00e1ria e orientam sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora no mundo. Esses textos \u2013 enc\u00edclicas, exorta\u00e7\u00f5es, constitui\u00e7\u00f5es conciliares e instru\u00e7\u00f5es \u2013 revelam o modo como o Esp\u00edrito Santo conduz a Igreja a anunciar Jesus Cristo em cada tempo e cultura. A seguir, apresentamos uma vis\u00e3o de conjunto dos principais Documentos da Miss\u00e3o, destacando seus autores e a contribui\u00e7\u00e3o de cada um para a vida pastoral e mission\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3.1 As ra\u00edzes do impulso mission\u00e1rio moderno <\/strong><\/p>\n<ol start=\"127\">\n<li>O s\u00e9culo XX iniciou-se com um novo vigor mission\u00e1rio na Igreja, marcado por profunda renova\u00e7\u00e3o espiritual e pastoral. O ponto de partida dessa consci\u00eancia renovada foi a carta apost\u00f3lica <em>Maximum Illud<\/em> (1919), do Papa Bento XV. Publicada logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Primeira Guerra Mundial, ela representou uma virada na compreens\u00e3o da miss\u00e3o, ao romper com vis\u00f5es nacionalistas e afirmar que o Evangelho \u00e9 destinado a todos os povos, sem distin\u00e7\u00e3o de origem, l\u00edngua ou na\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o, dizia o Papa, n\u00e3o \u00e9 conquista nem extens\u00e3o de fronteiras humanas, mas servi\u00e7o ao Reino de Deus e testemunho da fraternidade universal em Cristo.<\/li>\n<li>Poucos anos mais tarde, Pio XI retomou e aprofundou essa orienta\u00e7\u00e3o em sua enc\u00edclica <em>Rerum Ecclesiae<\/em> (1926), incentivando a forma\u00e7\u00e3o de clero e lideran\u00e7as locais. Ele destacou que a verdadeira evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste em \u201cexportar\u201d modelos eclesiais estrangeiros, mas em suscitar Igrejas enraizadas nas pr\u00f3prias culturas, vivas e aut\u00f4nomas na f\u00e9. O mission\u00e1rio \u00e9, portanto, aquele que ajuda cada povo a descobrir o rosto de Cristo em sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e express\u00e3o cultural.<\/li>\n<li>O Papa Pio XII deu continuidade a esse impulso mission\u00e1rio com dois importantes documentos. Na enc\u00edclica <em>Evangelii Praecones<\/em> (1951), exaltou a vitalidade das miss\u00f5es e a necessidade de novas for\u00e7as apost\u00f3licas, recordando que o an\u00fancio do Evangelho exige testemunho alegre e perseverante. J\u00e1 na enc\u00edclica <em>Fidei Donum<\/em> (1957), convocou os bispos a enviarem sacerdotes diocesanos para colaborar com as jovens Igrejas da \u00c1frica, inaugurando uma nova forma de coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria entre dioceses.<\/li>\n<li>\u00c0s v\u00e9speras do Conc\u00edlio Vaticano II, S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII retomou essa linha em dois textos de forte dimens\u00e3o evangelizadora. Na carta enc\u00edclica <em>Princeps Pastorum<\/em> (1959), destacou que os mission\u00e1rios devem estar profundamente unidos ao povo que evangelizam, partilhando sua vida e cultura. E, na enc\u00edclica <em>Pacem in Terris<\/em> (1963), afirmou que a paz entre as na\u00e7\u00f5es \u00e9 parte essencial da miss\u00e3o da Igreja, porque anunciar Cristo \u00e9 tamb\u00e9m trabalhar pela justi\u00e7a e pela reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Esses documentos lan\u00e7aram as bases para uma nova etapa da miss\u00e3o cat\u00f3lica: mais universal, mais solid\u00e1ria e profundamente enraizada no Evangelho. O Esp\u00edrito Santo, que moveu Bento XV e seus sucessores, preparava o caminho para a grande renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria que o Conc\u00edlio Vaticano II viria confirmar e desenvolver.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3.2 A miss\u00e3o \u00e0 luz do Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<ol start=\"132\">\n<li>O Conc\u00edlio Vaticano II (1962\u20131965) representa um dos maiores marcos da renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja no s\u00e9culo XX. Sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o Conc\u00edlio aprofundou a autocompreens\u00e3o da Igreja e sua presen\u00e7a no mundo, reafirmando que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma atividade espec\u00edfica, mas a pr\u00f3pria ess\u00eancia do ser e agir eclesial.<\/li>\n<li>A Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Lumen Gentium<\/em> (1964) define a Igreja como \u201cLuz dos Povos\u201d e apresenta sua identidade mission\u00e1ria a partir da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Todos os batizados, pelo dom do Esp\u00edrito, participam da miss\u00e3o de Cristo, sendo chamados a irradiar a f\u00e9 no meio do mundo. A miss\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 responsabilidade de alguns, mas voca\u00e7\u00e3o universal do Povo de Deus.<\/li>\n<li>A Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> (1965) coloca a Igreja em di\u00e1logo sincero e solid\u00e1rio com o mundo contempor\u00e2neo, partilhando suas alegrias, esperan\u00e7as, tristezas e ang\u00fastias. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 compreendida como presen\u00e7a compassiva no cora\u00e7\u00e3o da humanidade, promovendo a dignidade de cada pessoa e colaborando para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e fraterna.<\/li>\n<li>A Declara\u00e7\u00e3o <em>Dignitatis Humanae<\/em> (1965) reafirma a liberdade religiosa como direito fundamental e condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o verdadeiro an\u00fancio do Evangelho. A f\u00e9 s\u00f3 pode ser acolhida em liberdade, e a Igreja \u00e9 chamada a testemunhar o respeito pela consci\u00eancia humana, caminho aut\u00eantico de evangeliza\u00e7\u00e3o e paz.<\/li>\n<li>O Decreto <em>Ad Gentes<\/em> (1965), texto inteiramente dedicado \u00e0 atividade mission\u00e1ria, proclama que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza, pois nasce da miss\u00e3o do Filho e do Esp\u00edrito Santo. O documento recorda que o an\u00fancio do Evangelho exige forma\u00e7\u00e3o adequada, colabora\u00e7\u00e3o entre as comunidades e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas locais. Evangelizar significa, ao mesmo tempo, proclamar Cristo, servir ao ser humano e encarnar o Evangelho em cada realidade hist\u00f3rica.<\/li>\n<li>O Conc\u00edlio rompeu definitivamente com a ideia de que a miss\u00e3o fosse um setor isolado ou uma tarefa restrita a mission\u00e1rios em terras distantes. A partir dele, toda comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a ser mission\u00e1ria, e cada batizado, um disc\u00edpulo enviado.<\/li>\n<li>Os documentos conciliares inauguraram assim uma nova pastoral mission\u00e1ria: participativa, dialogal, aberta \u00e0 cultura e fiel ao Esp\u00edrito. A miss\u00e3o passou a ser compreendida como express\u00e3o do amor de Deus que se comunica e se faz pr\u00f3ximo. O Vaticano II plantou, dessa forma, as sementes da Igreja em sa\u00edda, que continua a florescer no caminho da evangeliza\u00e7\u00e3o de nosso tempo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.3 S\u00e3o Paulo VI: evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo atual &#8211; a miss\u00e3o como di\u00e1logo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"139\">\n<li>S\u00e3o Paulo VI foi o grande int\u00e9rprete e aplicador do Conc\u00edlio Vaticano II, conduzindo a Igreja a compreender a miss\u00e3o em sintonia com os desafios do mundo moderno. Entre seus escritos, a enc\u00edclica <em>Ecclesiam Suam<\/em> (1964) ocupa lugar especial. Nela, o Papa apresenta o di\u00e1logo como o novo estilo mission\u00e1rio da Igreja, chamado a substituir uma atitude de defesa ou de confronto por uma presen\u00e7a acolhedora, firme na verdade e aberta ao encontro. A Igreja, diz Paulo VI, deve \u201centrar em di\u00e1logo com o mundo em que vive\u201d, tornando-se palavra, mensagem e comunica\u00e7\u00e3o viva (ES 67).<\/li>\n<li>O Papa descreve quatro c\u00edrculos que expressam concretamente o alcance desse di\u00e1logo mission\u00e1rio. O primeiro \u00e9 o di\u00e1logo com toda a humanidade, no qual a Igreja se aproxima do mundo moderno reconhecendo o que h\u00e1 de verdadeiro e bom em cada cultura e colaborando para o bem comum. O segundo \u00e9 o di\u00e1logo com os que creem em Deus, especialmente com judeus, mu\u00e7ulmanos e seguidores de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas, num esp\u00edrito de respeito e fraternidade. O terceiro c\u00edrculo \u00e9 o di\u00e1logo ecum\u00eanico com os crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos, sinal do amor e da unidade que o Evangelho exige. Por fim, o quarto \u00e9 o di\u00e1logo interno da pr\u00f3pria Igreja, entre pastores e fi\u00e9is, entre tradi\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, vivido na escuta e na comunh\u00e3o. Esses quatro n\u00edveis mostram que a miss\u00e3o \u00e9 um movimento que nasce do cora\u00e7\u00e3o da Igreja e se abre em dire\u00e7\u00e3o a toda a humanidade.<\/li>\n<li>Essa compreens\u00e3o amadureceu na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> (1975), considerada um dos textos mais importantes do magist\u00e9rio mission\u00e1rio contempor\u00e2neo. Nela, Paulo VI afirma que evangelizar \u00e9 a pr\u00f3pria identidade da Igreja: ela existe para anunciar o Evangelho e faz\u00ea-lo penetrar em todas as dimens\u00f5es da vida humana. A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma tarefa opcional, mas um modo de ser. O Papa ressalta que o primeiro an\u00fancio do Evangelho acontece pelo testemunho de vida, que deve unir f\u00e9 e compromisso social, palavra e a\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Essa vis\u00e3o j\u00e1 estava antecipada na enc\u00edclica <em>Populorum Progressio<\/em> (1967), onde Paulo VI fala do \u201cdesenvolvimento integral\u201d como forma concreta de evangeliza\u00e7\u00e3o. Promover a justi\u00e7a, a solidariedade e o bem comum \u00e9, portanto, parte integrante da miss\u00e3o. Evangelizar significa ajudar o ser humano a crescer em dignidade, libertando-o de todas as formas de mis\u00e9ria, e conduzindo-o \u00e0 plenitude da vida em Cristo.<\/li>\n<li>Por meio desses ensinamentos, S\u00e3o Paulo VI estabeleceu as bases da evangeliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea: uma miss\u00e3o que se realiza no di\u00e1logo, no testemunho e no servi\u00e7o, e que busca anunciar o Evangelho com amor, respeito e profunda esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o do mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.4 S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: A miss\u00e3o como identidade da Igreja<\/strong><\/p>\n<ol start=\"144\">\n<li>O pontificado de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II foi profundamente marcado por uma consci\u00eancia mission\u00e1ria universal. Seu magist\u00e9rio refor\u00e7ou a convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja existe para evangelizar e que toda a sua vida deve refletir a miss\u00e3o recebida de Cristo. Essa vis\u00e3o alcan\u00e7a sua express\u00e3o mais completa na enc\u00edclica <em>Redemptoris Missio<\/em> (1990), na qual o Papa reafirma com for\u00e7a que a miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d continua sendo atual e indispens\u00e1vel.<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Paulo II recorda que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um programa de expans\u00e3o, mas um ato de amor. O an\u00fancio de Jesus Cristo \u00e9 um servi\u00e7o prestado \u00e0 humanidade, um testemunho de f\u00e9 que respeita as culturas e se encarna nas realidades concretas dos povos. Evangelizar \u00e9 tornar presente o amor redentor de Cristo, que transforma a vida e oferece esperan\u00e7a. O di\u00e1logo, o respeito e a valoriza\u00e7\u00e3o das culturas locais s\u00e3o apresentados como dimens\u00f5es essenciais da evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Na <em>Redemptoris Missio<\/em>, o Papa tamb\u00e9m reage \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de considerar a miss\u00e3o superada ou desnecess\u00e1ria. Foi um documento important\u00edssimo nesse momento hist\u00f3rico. Ele insiste que o mundo contempor\u00e2neo, com suas contradi\u00e7\u00f5es e desafios, continua necessitado de ouvir o Evangelho, fonte de liberdade e salva\u00e7\u00e3o. O an\u00fancio de Cristo n\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o, mas convite \u00e0 vida nova, e a Igreja, como disc\u00edpula e serva, deve proclam\u00e1-lo com coragem e humildade.<\/li>\n<li>Essa mesma inspira\u00e7\u00e3o perpassa as exorta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-sinodais <em>Ecclesia in Africa<\/em>, <em>Ecclesia in America<\/em>, <em>Ecclesia in Asia<\/em>, <em>Ecclesia in Oceania<\/em> e <em>Ecclesia in Europa<\/em> (1995\u20132003). Nessas obras, Jo\u00e3o Paulo II aplica a teologia da miss\u00e3o aos diferentes continentes, valorizando suas culturas e desafios pr\u00f3prios. Na \u00c1frica, destaca a necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e paz; na Am\u00e9rica, enfatiza a unidade e a op\u00e7\u00e3o pelos pobres; na \u00c1sia, prop\u00f5e o di\u00e1logo inter-religioso e a incultura\u00e7\u00e3o; na Oceania, a comunh\u00e3o na diversidade; e na Europa, a renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em meio \u00e0 seculariza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Em todos esses textos, o Papa apresenta o disc\u00edpulo mission\u00e1rio como aquele que testemunha a esperan\u00e7a do Cristo ressuscitado e se deixa guiar pelo Esp\u00edrito Santo. A miss\u00e3o \u00e9 apresentada n\u00e3o como dever pesado, mas como resposta de amor e gratid\u00e3o.<\/li>\n<li>Com S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, a Igreja redescobriu a alegria de ser mission\u00e1ria, chamada a anunciar Cristo com a for\u00e7a da f\u00e9, a beleza da santidade e a esperan\u00e7a de quem caminha com a humanidade rumo ao Reino de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.5 Bento XVI: miss\u00e3o como partilha, por atra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"150\">\n<li>Para Bento XVI, a miss\u00e3o tem sua origem no encontro pessoal e transformador com Jesus Cristo. \u00c9 esse encontro que d\u00e1 sentido \u00e0 vida e abre o cora\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio do Evangelho. Logo no in\u00edcio de seu pontificado, o Papa expressou essa convic\u00e7\u00e3o de modo memor\u00e1vel: \u201cNa origem do ser crist\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e um rumo decisivo\u201d (<em>Deus Caritas Est<\/em>, 1). A miss\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o nem estrat\u00e9gia, mas partilha de uma experi\u00eancia de amor e de verdade.<\/li>\n<li>Bento XVI compreende a evangeliza\u00e7\u00e3o como participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o do Filho, enviado pelo Pai na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Evangelizar \u00e9 servir \u00e0 verdade que liberta e oferece sentido. A Igreja, segundo ele, n\u00e3o imp\u00f5e nada, mas prop\u00f5e com humildade o dom que recebeu de gra\u00e7a. A f\u00e9 \u00e9 sempre convite, jamais imposi\u00e7\u00e3o; ela se comunica n\u00e3o por proselitismo, mas \u201cpor atra\u00e7\u00e3o\u201d, pela beleza e autenticidade de uma vida transformada por Cristo.<\/li>\n<li>No discurso de abertura da Confer\u00eancia de Aparecida (2007), o Papa reafirmou que o testemunho \u00e9 a forma mais convincente de evangeliza\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o que vive unido a Deus torna-se reflexo do amor divino e atrai outros pelo exemplo de vida, pela serenidade e pela esperan\u00e7a que comunica. Evangelizar \u00e9 contagiar pela alegria de quem encontrou o Senhor.<\/li>\n<li>A Eucaristia ocupa lugar central em sua vis\u00e3o mission\u00e1ria. Em <em>Sacramentum Caritatis<\/em> (84), Bento XVI recorda que a miss\u00e3o brota da mesa do altar, pois quem participa da Ceia do Senhor \u00e9 enviado ao mundo para anunciar o amor de Deus. A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica alimenta a f\u00e9 e transforma o fiel em testemunha viva do Evangelho.<\/li>\n<li>Para Bento XVI, o mission\u00e1rio \u00e9 algu\u00e9m que fala de Deus porque O experimenta no mais \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o. Ele comunica a verdade com amor e humildade, consciente de que a f\u00e9 s\u00f3 se transmite pelo testemunho da caridade. \u201cQuem encontrou realmente Cristo n\u00e3o pode guard\u00e1-lo para si: deve anunci\u00e1-lo\u201d (Mensagem para o Dia Mundial das Miss\u00f5es, 2012).<\/li>\n<li>Assim, o n\u00facleo do pensamento mission\u00e1rio de Bento XVI pode ser resumido na convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja evangeliza pela beleza da f\u00e9, pela for\u00e7a do amor e pela alegria serena de quem vive em comunh\u00e3o com Cristo. A miss\u00e3o \u00e9, em sua ess\u00eancia, um dom que se oferece e uma luz que atrai.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3.6 Papa Francisco: A miss\u00e3o e a alegria do Evangelho<\/strong><\/p>\n<ol start=\"156\">\n<li>O pontificado do Papa Francisco recoloca a miss\u00e3o no centro da vida da Igreja, propondo uma profunda renova\u00e7\u00e3o pastoral e espiritual. Desde o in\u00edcio, ele convida todos os batizados a viverem uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d, fiel ao mandato do Senhor e disposta a ir ao encontro das periferias geogr\u00e1ficas e existenciais. Essa vis\u00e3o est\u00e1 claramente expressa na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em> (2013), verdadeiro manifesto mission\u00e1rio do nosso tempo.<\/li>\n<li>Francisco afirma que a alegria do Evangelho \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o. Evangelizar \u00e9 transmitir a alegria de quem encontrou Cristo e experimenta a miseric\u00f3rdia do Pai. Por isso, o Papa insiste que uma Igreja fechada em si mesma perde o frescor do Evangelho; \u00e9 preciso uma Igreja que saia, que escute, que se envolva e que caminhe junto com o povo. A miss\u00e3o, assim, torna-se express\u00e3o da ternura de Deus e resposta \u00e0s feridas do mundo.<\/li>\n<li>Em sua proposta pastoral, o Papa sublinha que a evangeliza\u00e7\u00e3o deve ser realizada com esp\u00edrito de miseric\u00f3rdia e proximidade. Critica toda forma de autorreferencialidade e convida a uma convers\u00e3o pastoral permanente, na qual o disc\u00edpulo mission\u00e1rio seja testemunha da alegria, da compaix\u00e3o e do servi\u00e7o. Evangelizar \u00e9 tocar a vida das pessoas com gestos concretos de amor, escuta e solidariedade.<\/li>\n<li>Essa vis\u00e3o se amplia na enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019<\/em> (2015), na qual Francisco prop\u00f5e uma evangeliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e integral. O cuidado com a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentado como parte essencial da miss\u00e3o, pois o an\u00fancio de Cristo inclui a defesa da vida em todas as suas dimens\u00f5es. A \u201cconvers\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d \u00e9 vista como express\u00e3o da convers\u00e3o mission\u00e1ria: quem encontra Deus na cria\u00e7\u00e3o compromete-se a cuidar da casa comum e a proteger os mais pobres, que sofrem mais com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/li>\n<li>Em <em>Gaudete et Exsultate<\/em> (2018), o Papa retoma a dimens\u00e3o mission\u00e1ria da santidade. Para ele, a santidade n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio de poucos, mas voca\u00e7\u00e3o de todos os batizados. A santidade cotidiana, feita de pequenos gestos de amor e servi\u00e7o, \u00e9 o modo mais aut\u00eantico de evangelizar no mundo atual. A miss\u00e3o nasce, assim, do cora\u00e7\u00e3o santificado que reflete a alegria do Evangelho em meio \u00e0s realidades simples da vida.<\/li>\n<li>O testemunho mission\u00e1rio de Francisco convida a Igreja a redescobrir a beleza da simplicidade e da ternura. A evangeliza\u00e7\u00e3o, para ele, \u00e9 insepar\u00e1vel da alegria, da compaix\u00e3o e da esperan\u00e7a. Evangelizar \u00e9 tornar vis\u00edvel o rosto misericordioso de Deus e levar ao mundo a alegria que nasce do encontro com Cristo vivo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.7 Papa Le\u00e3o XIV: a miss\u00e3o, o cuidado com os que sofrem e paz para o mundo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"162\">\n<li>Ainda nos primeiros meses de seu pontificado, o Papa Le\u00e3o XIV tem manifestado com clareza uma vis\u00e3o profundamente mission\u00e1ria e pastoral. Desde o in\u00edcio de seu minist\u00e9rio, ele expressa o desejo de que toda a Igreja redescubra o sentido do envio e da caridade, tornando-se sinal vivo de esperan\u00e7a e instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos.<\/li>\n<li>Em sua primeira b\u00ean\u00e7\u00e3o <em>Urbi et Orbi<\/em>, dirigida \u00e0 Diocese de Roma e ao Mundo em 8 de maio de 2025, o Santo Padre apresentou uma mensagem de forte inspira\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Falando ao cora\u00e7\u00e3o do povo, afirmou: \u201cDevemos procurar juntos o modo de ser uma Igreja mission\u00e1ria, uma Igreja que constr\u00f3i pontes, que constr\u00f3i o di\u00e1logo, sempre aberta para acolher a todos, como esta Pra\u00e7a, de bra\u00e7os abertos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presen\u00e7a, de di\u00e1logo e de amor.\u201d Suas palavras recordam que a miss\u00e3o come\u00e7a na acolhida e se concretiza no amor fraterno que abra\u00e7a o mundo inteiro.<\/li>\n<li>Poucos dias depois, em sua homilia na Missa de in\u00edcio do Minist\u00e9rio Petrino, em 18 de maio de 2025, Le\u00e3o XIV refor\u00e7ou essa mesma perspectiva, dizendo que \u201ca pr\u00f3pria Igreja, em todos os seus membros, \u00e9 chamada a ser, cada vez mais, uma Igreja mission\u00e1ria, que abre os bra\u00e7os ao mundo, que anuncia a Palavra e que se torna fermento de conc\u00f3rdia para a humanidade\u201d. O Papa v\u00ea a miss\u00e3o como gesto de comunh\u00e3o e servi\u00e7o, express\u00e3o da caridade que se traduz em paz e di\u00e1logo.<\/li>\n<li>Em discurso aos participantes da Assembleia Geral das Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias, no dia 22 de maio de 2025, o Papa destacou a urg\u00eancia de renovar o ardor apost\u00f3lico e o compromisso mission\u00e1rio de todo o povo de Deus. Disse ele: \u201cA promo\u00e7\u00e3o do zelo apost\u00f3lico entre o Povo de Deus continua a ser um aspecto essencial da renova\u00e7\u00e3o da Igreja, tal como foi pensada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, e \u00e9 ainda mais urgente nos nossos dias. O nosso mundo, ferido pela guerra, pela viol\u00eancia e pela injusti\u00e7a, necessita ouvir a mensagem evang\u00e9lica do amor de Deus e experimentar o poder reconciliador da gra\u00e7a de Cristo. Devemos levar a todos os povos a promessa evang\u00e9lica de uma paz verdadeira e duradoura.\u201d<\/li>\n<li>Na homilia do Jubileu do mundo mission\u00e1rio e dos migrantes, em 5 de outubro de 2025, o Papa Le\u00e3o XIV refor\u00e7ou que a consci\u00eancia mission\u00e1ria nasce do desejo de levar consolo e esperan\u00e7a aos que sofrem. Disse que o Esp\u00edrito Santo envia a Igreja \u00e0s periferias do mundo, muitas vezes marcadas pela dor, pela injusti\u00e7a e pela exclus\u00e3o, para continuar a obra redentora de Cristo.<\/li>\n<li>Essa vis\u00e3o encontrou express\u00e3o em sua primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, <em>Dilexi te<\/em> (4 de outubro de 2025), redigida em colabora\u00e7\u00e3o com o Papa Francisco. O documento retoma os temas do amor, da paz e do cuidado pelos pobres, propondo uma espiritualidade mission\u00e1ria centrada na ternura e na miseric\u00f3rdia. Para Le\u00e3o XIV, a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas an\u00fancio, mas presen\u00e7a solid\u00e1ria junto aos que mais sofrem; n\u00e3o \u00e9 apenas palavra, mas gesto concreto de amor que transforma e pacifica.<\/li>\n<li>Em sua breve, mas j\u00e1 fecunda atua\u00e7\u00e3o, o Papa Le\u00e3o XIV tem mostrado que a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 insepar\u00e1vel do servi\u00e7o \u00e0 paz e \u00e0 dignidade humana. Sua palavra e seu exemplo apontam para uma Igreja de portas abertas, animada pelo Esp\u00edrito e comprometida em levar a todos o Evangelho da compaix\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3.8 Documentos mission\u00e1rios de outros organismos da C\u00faria Romana<\/strong><\/p>\n<ol start=\"169\">\n<li>Ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II, diversos organismos da C\u00faria Romana continuaram a aprofundar a reflex\u00e3o sobre a natureza e os caminhos da miss\u00e3o. Seus documentos evidenciam que evangelizar \u00e9, ao mesmo tempo, testemunhar e dialogar, e que o di\u00e1logo verdadeiro \u00e9 parte essencial da pr\u00f3pria evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A miss\u00e3o como di\u00e1logo e testemunho<\/em><\/p>\n<ol start=\"170\">\n<li>Dois textos do Pontif\u00edcio Conselho para o Di\u00e1logo Inter-religioso, <em>Di\u00e1logo e Miss\u00e3o<\/em> (1984) e <em>Di\u00e1logo e An\u00fancio<\/em> (1991), expressam de modo exemplar essa complementaridade. Ambos ensinam que di\u00e1logo e an\u00fancio n\u00e3o se excluem, mas se sustentam reciprocamente: o di\u00e1logo \u00e9 express\u00e3o do amor e do respeito, e o an\u00fancio \u00e9 testemunho da verdade recebida de Cristo. Evangelizar, portanto, \u00e9 escutar, conviver e cooperar com todos, buscando a paz e o bem comum. Esses documentos recordam que o mission\u00e1rio \u00e9 chamado a ser presen\u00e7a de amizade e ponte de comunh\u00e3o, sobretudo em contextos religiosos e culturais diversos.<\/li>\n<li>No mesmo esp\u00edrito, a Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos publicou a instru\u00e7\u00e3o <em>Cooperatio Missionalis<\/em> (1988), que valoriza a corresponsabilidade de todo o povo de Deus na miss\u00e3o. O texto destaca que a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa exclusiva de religiosos ou mission\u00e1rios ad gentes, mas compromisso de todas as comunidades, dioceses, leigos e consagrados. A instru\u00e7\u00e3o incentiva a ora\u00e7\u00e3o, a coopera\u00e7\u00e3o material e o envio de pessoas como formas concretas de participar da miss\u00e3o universal da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A centralidade de Cristo na miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"172\">\n<li>A Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 tamb\u00e9m contribuiu de modo significativo ao reafirmar a centralidade de Cristo na obra evangelizadora. Sob a orienta\u00e7\u00e3o do cardeal Joseph Ratzinger, foi publicada a declara\u00e7\u00e3o <em>Dominus Iesus<\/em> (2000), que recorda que Jesus Cristo \u00e9 o \u00fanico Salvador e que a Igreja \u00e9 o sacramento universal da salva\u00e7\u00e3o. Esse texto responde ao relativismo religioso e fundamenta a miss\u00e3o na verdade do Evangelho, sem deixar de promover o di\u00e1logo respeitoso com todas as cren\u00e7as.<\/li>\n<li>Mais tarde, a mesma Congrega\u00e7\u00e3o publicou a <em>Nota Doutrinal sobre alguns aspectos da Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em> (2007), refor\u00e7ando que o ato de evangelizar n\u00e3o deve ser confundido com proselitismo, pois a f\u00e9 \u00e9 um dom que se prop\u00f5e e nunca se imp\u00f5e. Evangelizar \u00e9 servir \u00e0 verdade, oferecendo ao mundo o testemunho alegre do amor de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Uma miss\u00e3o integral para o nosso tempo<\/em><\/p>\n<ol start=\"174\">\n<li>Lidos em conjunto, esses documentos revelam um fio condutor que atravessa todo o magist\u00e9rio mission\u00e1rio recente: a miss\u00e3o \u00e9 express\u00e3o da pr\u00f3pria natureza da Igreja e envolve toda a pessoa e toda a sociedade. Evangelizar \u00e9 proclamar Cristo, servir aos pobres, cuidar da cria\u00e7\u00e3o e promover a comunh\u00e3o entre os povos. O agente de pastoral \u00e9 chamado a ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio, enraizado na Palavra e movido pela caridade, capaz de dialogar com o mundo e transformar a realidade com gestos concretos de amor e justi\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.9 Confer\u00eancias Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho<\/strong><\/p>\n<ol start=\"175\">\n<li>As Confer\u00eancias Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, promovidas pelo CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), tiveram papel decisivo na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia mission\u00e1ria do continente. Desde a primeira assembleia, em 1955, at\u00e9 os dias atuais, esses encontros expressam a caminhada conjunta das Igrejas locais, que buscam viver a miss\u00e3o de Cristo de forma encarnada nas realidades de seus povos.<\/li>\n<li>A primeira confer\u00eancia, a de funda\u00e7\u00e3o do CELAM, realizada no Rio de Janeiro em 1955, foi um marco inaugural. Nela, os bispos reafirmaram o compromisso da Igreja com a evangeliza\u00e7\u00e3o e com a promo\u00e7\u00e3o humana em um continente em transforma\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a confer\u00eancia de Medell\u00edn, em 1968, assumiu de maneira corajosa as orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II e aplicou-as ao contexto latino-americano, acentuando a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres e a necessidade de uma evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora, que unisse f\u00e9 e vida, espiritualidade e compromisso social.<\/li>\n<li>Em Puebla, em 1979, a Igreja latino-americana renovou sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, colocando o rosto dos pobres, dos jovens e dos povos ind\u00edgenas no centro da a\u00e7\u00e3o evangelizadora. A confer\u00eancia destacou que a miss\u00e3o nasce do encontro com Cristo e se concretiza na solidariedade e na defesa da dignidade humana.<\/li>\n<li>Santo Domingo, em 1992, trouxe nova \u00eanfase \u00e0 dimens\u00e3o cultural da evangeliza\u00e7\u00e3o, destacando o di\u00e1logo entre f\u00e9 e cultura e a import\u00e2ncia da nova evangeliza\u00e7\u00e3o diante das mudan\u00e7as sociais e religiosas do continente.<\/li>\n<li>A confer\u00eancia de Aparecida, em 2007, em que participou o ent\u00e3o cardeal Jorge Mario Bergoglio, futuro Papa Francisco, marcou um novo momento na consci\u00eancia mission\u00e1ria da Igreja latino-americana. Seu documento final prop\u00f4s a \u201cmiss\u00e3o continental\u201d, conclamando todas as comunidades a viverem um estado permanente de miss\u00e3o. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como discipulado e comunh\u00e3o, chamando cada batizado a ser mission\u00e1rio em todos os ambientes da vida.<\/li>\n<li>O caminho tra\u00e7ado por essas confer\u00eancias revela um amadurecimento progressivo da Igreja na Am\u00e9rica Latina e no Caribe: de uma pastoral de conserva\u00e7\u00e3o para uma pastoral decididamente mission\u00e1ria. A miss\u00e3o, nesses documentos, \u00e9 entendida como servi\u00e7o, compromisso com os pobres e testemunho de esperan\u00e7a, fazendo da Igreja um sinal do amor de Deus no continente da esperan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.10 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil<\/strong><\/p>\n<ol start=\"181\">\n<li>A Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem desempenhado papel fundamental na reflex\u00e3o e na promo\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia mission\u00e1ria da Igreja em nosso pa\u00eds. Ao longo de sua hist\u00f3ria, seus documentos e diretrizes pastorais v\u00eam reafirmando que a miss\u00e3o \u00e9 o eixo central de toda a a\u00e7\u00e3o evangelizadora.<\/li>\n<li>As Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora da Igreja no Brasil constituem o principal instrumento de orienta\u00e7\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria das dioceses. Nelas, a miss\u00e3o aparece como paradigma que unifica todas as dimens\u00f5es da vida eclesial: liturgia, catequese, caridade, di\u00e1logo e transforma\u00e7\u00e3o social. A CNBB tem insistido que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de atividades, mas o modo de ser e de agir da Igreja em todos os lugares e tempos.<\/li>\n<li>Entre os documentos mais significativos, destaca-se o Documento 100, <em>Comunidade de Comunidades: uma Nova Par\u00f3quia \u2013 a convers\u00e3o pastoral da par\u00f3quia<\/em>. Nele, a CNBB prop\u00f5e uma profunda renova\u00e7\u00e3o da vida paroquial, convidando as comunidades a passarem de uma pastoral de manuten\u00e7\u00e3o para uma pastoral decididamente mission\u00e1ria. A par\u00f3quia \u00e9 chamada a tornar-se casa de comunh\u00e3o, centro de forma\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos mission\u00e1rios e ponto de partida para o an\u00fancio do Evangelho nas periferias urbanas e existenciais.<\/li>\n<li>Desde o final do s\u00e9culo XX, a miss\u00e3o da Igreja em contexto urbano tem ocupado lugar cada vez mais relevante no discernimento pastoral da CNBB. As grandes cidades, marcadas pela desigualdade, pelo individualismo e pela busca de sentido, s\u00e3o vistas como campos privilegiados para o testemunho e a solidariedade. A Igreja \u00e9 convidada a ser presen\u00e7a acolhedora e prof\u00e9tica nesses espa\u00e7os, anunciando o Evangelho com linguagem pr\u00f3xima e com gestos concretos de amor. A presen\u00e7a dos c\u00edrculos b\u00edblicos em nossa tradi\u00e7\u00e3o evangelizadora deve continuar se multiplicando para que a nossa capilaridade ocorra nessa nossa cidade.<\/li>\n<li>Na s\u00e9rie <em>Estudos da CNBB<\/em>, h\u00e1 importantes contribui\u00e7\u00f5es sobre o tema. Entre elas, o Estudo 108, <em>Miss\u00e3o e Coopera\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria: Orienta\u00e7\u00f5es para a anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja no Brasil<\/em>, e o Estudo 117, <em>Projeto Igrejas Irm\u00e3s<\/em>, que prop\u00f5e formas concretas de partilha mission\u00e1ria entre dioceses e regi\u00f5es do pa\u00eds. Mais recentemente, a publica\u00e7\u00e3o <em>Conselhos Mission\u00e1rios: a servi\u00e7o da anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja no Brasil<\/em> (2025) refor\u00e7a o papel dos Conselhos Mission\u00e1rios Paroquiais, Diocesanos e Regionais como instrumentos de articula\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e envio.<\/li>\n<li>Esses textos mostram a vitalidade mission\u00e1ria da Igreja no Brasil e o compromisso da CNBB em manter viva a chama do an\u00fancio e do servi\u00e7o. A miss\u00e3o, entendida como presen\u00e7a fraterna e transforma\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica da realidade, continua a inspirar as comunidades a viverem sua f\u00e9 de forma din\u00e2mica e encarnada, fiel ao mandato de Cristo e atenta \u00e0s necessidades do povo. O trabalho de incentivar as comiss\u00f5es mission\u00e1rias querem responder a esse apelo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Miss\u00e3o como paradigma de toda a vida da Igreja<\/strong><\/li>\n<li>Todo o povo de Deus \u00e9 sujeito da miss\u00e3o. Toda a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza. N\u00e3o apenas alguns, mas cada batizado \u00e9 chamado a ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio. Esta mensagem \u00e9 central no Documento de Aparecida e na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, do Papa Francisco. Desde a primeira sauda\u00e7\u00e3o, no dia mesmo de sua elei\u00e7\u00e3o, o Papa Le\u00e3o XIV vem confirmando a prioridade da miss\u00e3o na Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1 A natureza da Igreja \u00e9 mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"188\">\n<li>O Conc\u00edlio Vaticano II proclamou com clareza: \u201cA Igreja peregrina \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria\u201d (AG 2). Antes mesmo do <em>Decreto sobre a Atividade Mission\u00e1ria<\/em> afirmar essa verdade, a <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Igreja<\/em> j\u00e1 apresentava solenemente a \u201c\u00edndole mission\u00e1ria\u201d do Povo de Deus. Institu\u00edda por Cristo para \u201cfazer disc\u00edpulos todos os povos\u201d (Mt 28,19), a Igreja participa do des\u00edgnio divino de salva\u00e7\u00e3o universal, assumindo tudo o que encontra de bom e verdadeiro nas culturas onde se insere e despertando em todos os seus membros a consci\u00eancia de sua responsabilidade mission\u00e1ria (LG 17).<\/li>\n<li>S\u00e3o Paulo VI retomou e aprofundou esse ensinamento na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> (1975), ao afirmar que a Igreja existe para evangelizar. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica <em>Redemptoris Missio<\/em> (1990), destacou que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um setor ou um programa particular, mas o eixo que d\u00e1 forma e sentido a toda a vida e a\u00e7\u00e3o eclesial. O Papa Francisco, na exorta\u00e7\u00e3o <em>Evangelii Gaudium<\/em> (2013), convida toda a Igreja a uma \u201csa\u00edda mission\u00e1ria\u201d, indo ao encontro daqueles que carecem da experi\u00eancia viva da amizade com Cristo. Essa \u201csa\u00edda\u201d n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, mas o modelo de todas as atividades eclesiais.<\/li>\n<li>Assim, a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma tarefa acess\u00f3ria, mas a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser da Igreja. Ela existe para anunciar Jesus Cristo e testemunhar o seu amor at\u00e9 os confins da terra. O Evangelho n\u00e3o \u00e9 apenas proclamado por palavras, mas confirmado pela vida dos fi\u00e9is que vivem o amor de Deus em gestos concretos de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. Eis o nosso grande desafio de traduzir isso em nossa \u00e9poca e em nossa realidade.<\/li>\n<li>O Novo Testamento \u00e9 expl\u00edcito nesse sentido: \u201cDepois de falar com os disc\u00edpulos, o Senhor Jesus foi elevado ao c\u00e9u e sentou-se \u00e0 direita de Deus. Ent\u00e3o os disc\u00edpulos foram anunciar por toda parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a palavra pelos sinais que a acompanhavam\u201d (Mc 16,19-20). \u201cFoi-me dada toda a autoridade no c\u00e9u e na terra. Ide, pois, e fazei disc\u00edpulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, at\u00e9 o fim dos tempos\u201d (Mt 28,18-20). \u201cV\u00f3s sois as testemunhas destas coisas. Eu enviarei sobre v\u00f3s o que meu Pai prometeu\u201d (Lc 24,48-49). \u201cRecebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que vir\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e na Samaria, e at\u00e9 os confins da terra\u201d (At 1,8).<\/li>\n<li>Toda a Igreja, portanto, \u00e9 mission\u00e1ria por ess\u00eancia. Cada batizado \u00e9 chamado a ser disc\u00edpulo e mission\u00e1rio, part\u00edcipe da grande obra de Deus que continua na hist\u00f3ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2 A Miss\u00e3o Paradigm\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<ol start=\"193\">\n<li>A miss\u00e3o apost\u00f3lica, continuada pela Igreja ao longo da hist\u00f3ria, deve ser compreendida e vivida em dois planos insepar\u00e1veis: o da a\u00e7\u00e3o organizada e o do paradigma que inspira toda a vida eclesial. O paradigma mission\u00e1rio n\u00e3o se limita a atividades espec\u00edficas, mas envolve a totalidade da exist\u00eancia e da atua\u00e7\u00e3o da Igreja. Ele alcan\u00e7a suas institui\u00e7\u00f5es \u2014 Arquidiocese, Vicariatos, Foranias, Par\u00f3quias, Comunidades, Orat\u00f3rios e Capelas \u2014, assim como as pastorais, servi\u00e7os e movimentos, tornando a miss\u00e3o o crit\u00e9rio orientador de todas as decis\u00f5es, estruturas e iniciativas pastorais. Aqui temos tamb\u00e9m a vida consagrada de antiga e nova tradi\u00e7\u00e3o. Tudo deve ser pensado e realizado em chave mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Essa distin\u00e7\u00e3o foi apresentada com grande clareza pelo Papa Francisco durante seu encontro com os Bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), no Centro de Estudos do Sumar\u00e9, por ocasi\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro (28 de julho de 2013). Naquele discurso, o Papa afirmou: \u201cA miss\u00e3o paradigm\u00e1tica implica colocar em chave mission\u00e1ria a atividade habitual das Igrejas particulares.\u201d<\/li>\n<li>Em sua exorta\u00e7\u00e3o <em>Evangelii Gaudium<\/em>, Francisco retoma essa intui\u00e7\u00e3o, recordando as palavras de <em>Redemptoris Missio<\/em>: \u201cN\u00e3o se pode perder a tens\u00e3o para o an\u00fancio [aos que est\u00e3o longe de Cristo], porque esta \u00e9 a tarefa prim\u00e1ria da Igreja\u201d (RM 28); \u201c[A atividade mission\u00e1ria] ainda hoje representa o maior desafio para a Igreja\u201d (RM 37); e \u201ca causa mission\u00e1ria deve ser (\u2026) a primeira de todas as causas\u201d (RM 1). Em seguida, ele interpela: \u201cQue sucederia se tom\u00e1ssemos realmente a s\u00e9rio estas palavras? Simplesmente reconhecer\u00edamos que a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 o paradigma de toda a obra da Igreja\u201d (EG 15).<\/li>\n<li>Seria um equ\u00edvoco reduzir a evangeliza\u00e7\u00e3o a um conjunto de planos e estrat\u00e9gias, como se a f\u00e9 dependesse de cronogramas ou estruturas. Por isso, o Papa introduz a no\u00e7\u00e3o de <em>miss\u00e3o paradigm\u00e1tica<\/em> como algo mais profundo e abrangente. Na <em>Evangelii Gaudium<\/em>, explica: \u201cN\u00e3o se deve pensar que, na miss\u00e3o paradigm\u00e1tica, se abandonam ou se esquecem as a\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas. Ao contr\u00e1rio, trata-se de lhes dar um novo dinamismo, convertendo-as num paradigma capaz de impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais\u201d (EG 33).<\/li>\n<li>No mesmo discurso ao CELAM, Francisco refor\u00e7a: n\u00e3o basta elaborar novos projetos. \u00c9 necess\u00e1ria uma verdadeira convers\u00e3o pastoral que coloque a miss\u00e3o no centro de toda a vida da Igreja. \u201cA miss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no fim, como uma conclus\u00e3o ou ap\u00eandice, mas no cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3.\u201d<\/li>\n<li>Assim, a miss\u00e3o paradigm\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 um setor isolado da pastoral, mas a alma que vivifica todas as dimens\u00f5es da Igreja e transforma cada uma delas em oportunidade de sa\u00edda mission\u00e1ria. Essa compreens\u00e3o \u00e9 profundamente atual e desafia nossas comunidades a revisarem suas pr\u00e1ticas e prioridades. Programas e estruturas s\u00f3 dar\u00e3o frutos se forem animados por uma aut\u00eantica vis\u00e3o mission\u00e1ria, capaz de renovar o ardor apost\u00f3lico e de inspirar todas as express\u00f5es da vida eclesial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3 Convers\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"199\">\n<li>O Documento de Aparecida, fruto da V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (2007), reafirma com vigor que a Igreja existe para evangelizar. Inspirada pelo Esp\u00edrito Santo, a assembleia dos bispos prop\u00f4s uma profunda <strong>convers\u00e3o pastoral<\/strong>, ou seja, uma transforma\u00e7\u00e3o no modo de pensar, sentir e agir da Igreja, para que toda a sua vida se torne verdadeiramente mission\u00e1ria. Aparecida recorda que n\u00e3o basta conservar estruturas e costumes: \u00e9 necess\u00e1rio superar a pastoral de mera manuten\u00e7\u00e3o e assumir uma pastoral decididamente mission\u00e1ria (DAp 370, 548).<\/li>\n<li>A convers\u00e3o pastoral consiste em reorientar toda a a\u00e7\u00e3o eclesial \u2014 suas estruturas, m\u00e9todos, linguagem e prioridades \u2014 \u00e0 luz do Evangelho e da miss\u00e3o. Trata-se de um processo ao mesmo tempo espiritual e pr\u00e1tico: espiritual, porque nasce do encontro pessoal com Cristo; pr\u00e1tico, porque exige revisar h\u00e1bitos, estilos e modelos de organiza\u00e7\u00e3o. Aparecida define essa convers\u00e3o como um retorno \u00e0s fontes e um reencontro com o \u201cprimeiro amor\u201d (Ap 2,4), para que a Igreja redescubra sua identidade de disc\u00edpula mission\u00e1ria. \u201cA convers\u00e3o pastoral exige abandonar as estruturas caducas que j\u00e1 n\u00e3o favorecem a transmiss\u00e3o da f\u00e9 e formar comunidades de disc\u00edpulos mission\u00e1rios que vivam em comunh\u00e3o e participem ativamente da vida eclesial\u201d (DAp 365).<\/li>\n<li>O discipulado mission\u00e1rio \u00e9 apresentado como o novo modo de ser Igreja. O verdadeiro disc\u00edpulo \u00e9 aquele que se deixa evangelizar e, movido pelo Esp\u00edrito, evangeliza. A convers\u00e3o pastoral \u00e9, portanto, insepar\u00e1vel da convers\u00e3o discipular: cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a permitir que Cristo o forme e o envie. \u201cO encontro com Jesus Cristo \u00e9 o ponto de partida da convers\u00e3o, da comunh\u00e3o e da solidariedade\u201d (DAp 243). \u201cA Igreja precisa formar disc\u00edpulos mission\u00e1rios que, em meio ao mundo, sejam testemunhas alegres do Evangelho\u201d (DAp 278).<\/li>\n<li>Essa convers\u00e3o n\u00e3o se restringe ao n\u00edvel pessoal, mas implica tamb\u00e9m mudan\u00e7as institucionais e estruturais. Aparecida fala de Igrejas locais em \u201cestado permanente de miss\u00e3o\u201d (DAp 551), nas quais tudo \u2014 a liturgia, a catequese, a administra\u00e7\u00e3o e a pastoral \u2014 se organiza em fun\u00e7\u00e3o do an\u00fancio. Isso sup\u00f5e uma revis\u00e3o constante das par\u00f3quias e comunidades, para que se tornem espa\u00e7os de acolhida, comunh\u00e3o e envio (DAp 170, 372). Tamb\u00e9m requer a participa\u00e7\u00e3o ativa dos leigos e leigas e a supera\u00e7\u00e3o de modelos clericalizados, favorecendo uma Igreja mais simples, pr\u00f3xima e centrada no essencial.<\/li>\n<li>A convers\u00e3o pastoral \u00e9 insepar\u00e1vel da convers\u00e3o espiritual. O mission\u00e1rio n\u00e3o anuncia uma ideia, mas uma Pessoa viva: Jesus Cristo. \u201cO mission\u00e1rio n\u00e3o anuncia uma teoria, mas uma Pessoa com quem fez uma profunda experi\u00eancia de amizade\u201d (DAp 243). Sem ora\u00e7\u00e3o, sem escuta da Palavra e sem Eucaristia, a pastoral corre o risco de se reduzir a mero ativismo. Por isso, a convers\u00e3o pastoral come\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o, na docilidade ao Esp\u00edrito Santo, que renova e envia.<\/li>\n<li>O Papa Francisco \u2014 que participou ativamente de Aparecida \u2014 retoma essa inspira\u00e7\u00e3o na <em>Evangelii Gaudium<\/em> (2013), descrevendo a Igreja em sa\u00edda como fruto dessa convers\u00e3o. \u201cSonho com uma op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os hor\u00e1rios, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal adequado para a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo atual\u201d (EG 27).<\/li>\n<li>A convers\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9, assim, um processo cont\u00ednuo que conduz da autorrefer\u00eancia ao servi\u00e7o, do fechamento ao encontro, da conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 renova\u00e7\u00e3o. Ela pede escuta, discernimento e coragem para mudar o que for necess\u00e1rio em vista da miss\u00e3o. Uma Igreja convertida pastoralmente \u00e9 uma Igreja que se deixa conduzir por Cristo e se torna, de modo mais aut\u00eantico, uma comunidade de disc\u00edpulos mission\u00e1rios a servi\u00e7o da vida e da esperan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.4 Os pobres: interlocutores privilegiados da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"206\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja possui sempre uma dimens\u00e3o social. Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m comprometer-se com a vida, com a justi\u00e7a e com a dignidade de cada ser humano, especialmente dos mais pobres e vulner\u00e1veis. A prefer\u00eancia pelos pobres n\u00e3o \u00e9 uma escolha ideol\u00f3gica, mas express\u00e3o da fidelidade a Cristo, que se fez pobre por amor e se identificou com os pequenos. Assim, a miss\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, ao mesmo tempo, espiritual e transformadora: proclama o Evangelho e testemunha que \u00e9 poss\u00edvel viver de modo novo, em fraternidade, solidariedade e paz.<\/li>\n<li>Na exorta\u00e7\u00e3o <em>Dilexi Te<\/em>, o Papa Le\u00e3o XIV reafirma uma convic\u00e7\u00e3o central: a miss\u00e3o da Igreja nasce do amor de Cristo. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia humana, mas uma resposta ao amor de Deus, que se fez pr\u00f3ximo e misericordioso. O Papa recorda que o primeiro movimento mission\u00e1rio \u00e9 interior: deixar-se alcan\u00e7ar por esse amor. S\u00f3 quem experimenta a ternura de Cristo pode comunic\u00e1-la autenticamente ao mundo.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o, portanto, tem uma raiz espiritual profunda \u2014 \u00e9 a extens\u00e3o da caridade divina na hist\u00f3ria. Evangelizar \u00e9 tornar presente o amor de Deus onde ele \u00e9 esquecido, negado ou ferido. Por isso, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 insepar\u00e1vel da miss\u00e3o: \u00e9 entre eles que o Evangelho se torna mais vis\u00edvel e urgente.<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 mission\u00e1ria quando assume um estilo de vida simples, servidora e solid\u00e1ria. A op\u00e7\u00e3o pelos pobres n\u00e3o \u00e9 agenda pol\u00edtica, mas exig\u00eancia evang\u00e9lica. Jesus viveu entre os humildes, tocou os marginalizados e proclamou: \u201cBem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us\u201d (Mt 5,3). Essa op\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de \u201cpreferencial\u201d, n\u00e3o \u201cexclusiva\u201d: os pobres t\u00eam prioridade porque Deus mesmo os escolheu como destinat\u00e1rios privilegiados de seu amor.<\/li>\n<li>O Papa Le\u00e3o XIV ensina que essa prefer\u00eancia deve orientar o estilo, as estruturas e as decis\u00f5es da Igreja: \u201cA miss\u00e3o \u00e9 aut\u00eantica quando reflete o rosto de Cristo, pobre entre os pobres, servo entre os servos\u201d (<em>DT<\/em> 37). A evangeliza\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 prega\u00e7\u00e3o verbal; deve manifestar-se em compromisso concreto com a vida, a justi\u00e7a e a dignidade humana. Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m transformar realidades injustas, curar feridas e acompanhar os que sofrem.<\/li>\n<li>O cuidado com os pobres \u00e9 um crit\u00e9rio decisivo da autenticidade mission\u00e1ria. Uma Igreja que ignora os necessitados enfraquece seu testemunho, porque se afasta do pr\u00f3prio Cristo. O Papa Le\u00e3o XIV afirma que o mission\u00e1rio \u00e9 chamado a \u201cviver o estilo de Jesus\u201d, aproximando-se dos feridos da hist\u00f3ria e servindo com compaix\u00e3o. A miss\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 simples filantropia, mas comunh\u00e3o: \u00e9 partilhar a vida e a esperan\u00e7a com os pequenos, reconhecendo neles o rosto do Salvador. \u201cQuem se aproxima dos pobres n\u00e3o leva apenas o Evangelho, mas o reencontra neles\u201d (<em>DT<\/em> 41).<\/li>\n<li>Essa vis\u00e3o retoma a intui\u00e7\u00e3o de <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> e <em>Evangelii Gaudium<\/em>: evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o dimens\u00f5es insepar\u00e1veis do mesmo testemunho. Ser Igreja \u201cem sa\u00edda\u201d significa aproximar-se das periferias geogr\u00e1ficas e existenciais, tocar as feridas da humanidade e transformar a dor em encontro e esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>A op\u00e7\u00e3o pelos pobres exige sair das zonas de conforto, rever estruturas e pr\u00e1ticas pastorais e agir com miseric\u00f3rdia operante. A Igreja \u00e9 chamada a ser \u201chospital de campanha\u201d e \u201ccasa aberta\u201d, onde todos encontram acolhimento e sentido. Assim vivida, a miss\u00e3o torna-se profecia do Reino: den\u00fancia do pecado que gera exclus\u00e3o e an\u00fancio da esperan\u00e7a que liberta.<\/li>\n<li>Como afirma o Papa Le\u00e3o XIV: \u201cA miss\u00e3o sem os pobres \u00e9 palavra vazia; a op\u00e7\u00e3o pelos pobres sem miss\u00e3o \u00e9 caridade sem horizonte. As duas pertencem uma \u00e0 outra, como o cora\u00e7\u00e3o e o sopro\u201d (<em>DT<\/em> 45).<\/li>\n<li>Miss\u00e3o e op\u00e7\u00e3o pelos pobres s\u00e3o, portanto, insepar\u00e1veis. A Igreja \u00e9 verdadeiramente mission\u00e1ria quando assume o servi\u00e7o, a cruz e a ternura como linguagem do Evangelho. Evangelizar \u00e9 fazer presente o amor de Deus entre os esquecidos e feridos, construindo comunidades fraternas e solid\u00e1rias. A op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 o caminho concreto da convers\u00e3o mission\u00e1ria, o sinal mais vis\u00edvel de uma Igreja que vive o Evangelho e serve com alegria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> A miss\u00e3o program\u00e1tica e a organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"216\">\n<li>A programa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 feita de organismos, planejamento e atividades concretas. E se refere \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de atividades espec\u00edficas, campanhas e projetos evangelizadores. \u201cA miss\u00e3o program\u00e1tica, como o pr\u00f3prio nome indica, consiste na realiza\u00e7\u00e3o de atos de \u00edndole mission\u00e1ria\u201d (Papa Francisco, Discurso aos Bispos Respons\u00e1veis do Conselho Episcopal Latino-Americano [CELAM], 28 de julho de 2013). Mas essas a\u00e7\u00f5es, os organismos que as promovem e os processos que elas implicam, est\u00e3o todos determinados pelo paradigma mission\u00e1rio. Est\u00e3o todos iluminados e movidos pelo querigma. Somos convidados, portanto, a uma renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria que n\u00e3o seja mera reorganiza\u00e7\u00e3o, mas fruto do dinamismo do Esp\u00edrito Santo, para que cada comunidade viva e respire o ardor mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.1 O querigma: centro vital da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"217\">\n<li>O querigma ocupa o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o crist\u00e3. Ele \u00e9 o an\u00fancio essencial que gera vida, desperta a f\u00e9 e sustenta o caminho do disc\u00edpulo. \u00c9 o ponto de partida e, ao mesmo tempo, a fonte permanente que renova a Igreja em sua sa\u00edda mission\u00e1ria e em seu testemunho no mundo. No querigma se encontra a experi\u00eancia de sermos amados por Deus, inseridos na comunh\u00e3o e enviados a transformar a realidade \u00e0 luz do Evangelho.<\/li>\n<li>Esse an\u00fancio n\u00e3o comunica uma ideia, mas uma Pessoa viva que transforma a exist\u00eancia. \u201cNo in\u00edcio do ser crist\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo\u201d (DCE 1). Acolher o querigma \u00e9 deixar-se tocar pela certeza de que Jesus Cristo nos ama, entregou-se por n\u00f3s e caminha ao nosso lado. Como recorda o Papa Francisco: \u201cJesus Cristo te ama, deu sua vida para te salvar e agora est\u00e1 vivo a teu lado cada dia, para te iluminar, para te fortalecer, para te libertar\u201d (EG 164).<\/li>\n<li>Na exorta\u00e7\u00e3o <em>Christus Vivit<\/em>, o Papa Francisco insiste que o querigma cont\u00e9m \u201co mais importante, as coisas primeiras, aquilo que nunca se deveria silenciar\u201d (ChV 111). Ele o resume em tr\u00eas verdades fundamentais: Deus te ama; Cristo te salva; Ele vive e te acompanha. Esse an\u00fancio, sustentado pelo Esp\u00edrito Santo, renova cora\u00e7\u00f5es e mant\u00e9m viva a alegria da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Modos insuficientes de compreender o querigma<\/em><\/p>\n<ol start=\"220\">\n<li>O termo \u201cprimeiro an\u00fancio\u201d pode ser mal interpretado. N\u00e3o se trata de uma etapa inicial que depois \u00e9 superada pela catequese. \u00c9 chamado \u201cprimeiro\u201d n\u00e3o em sentido cronol\u00f3gico, mas qualitativo \u2014 porque \u00e9 o essencial, aquilo a que sempre devemos retornar e que sustenta toda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (EG 164). \u201cNada h\u00e1 de mais s\u00f3lido, mais profundo, mais seguro e mais s\u00e1bio que esse an\u00fancio\u201d (EG 165).<\/li>\n<li>Outro equ\u00edvoco seria pensar que basta repeti-lo sempre da mesma forma, sem aprofundamento. O querigma n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula fixa nem um conte\u00fado entre outros: \u00e9 o princ\u00edpio vital que d\u00e1 sentido a toda a doutrina e a\u00e7\u00e3o da Igreja. Ele se renova continuamente, em novas linguagens e express\u00f5es, porque \u00e9 o amor de Deus que se comunica em cada tempo e cultura (ChV 214).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Gera transforma\u00e7\u00e3o pessoal<\/em><\/p>\n<ol start=\"222\">\n<li>O querigma deve ser anunciado de modo capaz de tocar o cora\u00e7\u00e3o e provocar fasc\u00ednio pela beleza da f\u00e9. Palavras, imagens e gestos precisam transmitir o amor de Deus como experi\u00eancia concreta. O verdadeiro an\u00fancio \u00e9 aquele que desperta esperan\u00e7a e faz a pessoa sentir-se amada. \u00c9 o encontro com a ternura de Cristo que atrai e converte mais do que qualquer argumenta\u00e7\u00e3o. \u201cToda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne\u201d (EG 165).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A forma e o conte\u00fado caminham juntos<\/em><\/p>\n<ol start=\"223\">\n<li>A maneira de anunciar \u00e9 t\u00e3o importante quanto o conte\u00fado. O querigma n\u00e3o pode ser transmitido de modo frio ou distante, mas com alegria, proximidade e miseric\u00f3rdia. Ele \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o viva, que passa por gestos, olhares e atitudes que refletem o amor de Deus. \u201cA centralidade do querigma requer certas caracter\u00edsticas do an\u00fancio&#8230; que exprima o amor salv\u00edfico de Deus como pr\u00e9vio \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o moral e religiosa&#8230; pautado pela alegria, pela paci\u00eancia e pelo acolhimento cordial que n\u00e3o condena\u201d (EG 165).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O querigma e a convers\u00e3o pastoral<\/em><\/p>\n<ol start=\"224\">\n<li>Uma Igreja centrada no primeiro an\u00fancio torna-se acolhedora, fraterna e pr\u00f3xima. A miss\u00e3o deixa de ser mera manuten\u00e7\u00e3o de estruturas para ser presen\u00e7a de amor e esperan\u00e7a no cotidiano. \u201cO querigma deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renova\u00e7\u00e3o eclesial\u201d (EG 164). Quando ele \u00e9 vivido, as estruturas se revitalizam e a pastoral se torna fecunda.<\/li>\n<li>Par\u00f3quias e comunidades renovadas pelo querigma s\u00e3o espa\u00e7os de encontro, f\u00e9 e alegria. Ele deve atravessar toda a vida da Igreja \u2014 a catequese, a liturgia, a caridade, a pastoral social, a vida familiar e comunit\u00e1ria. Ser mission\u00e1rio querigm\u00e1tico \u00e9 testemunhar com palavras e gestos a beleza desse amor que transforma.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Dimens\u00e3o social do querigma<\/em><\/p>\n<ol start=\"226\">\n<li>O querigma tem tamb\u00e9m um alcance prof\u00e9tico e social. Ele revela um modo novo de viver, baseado na fraternidade e no respeito \u00e0 dignidade de cada pessoa. \u201cO querigma possui um conte\u00fado inevitavelmente social: no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do Evangelho aparece a vida comunit\u00e1ria e o compromisso com os outros\u201d (EG 177).<\/li>\n<li>Reconhecer que Deus ama cada ser humano leva ao compromisso com a justi\u00e7a, a solidariedade e o cuidado da cria\u00e7\u00e3o. \u201cConfessar um Pai que ama infinitamente cada pessoa implica reconhecer sua dignidade infinita&#8230; Sua reden\u00e7\u00e3o tem um sentido social porque Deus, em Cristo, redime tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es entre os homens\u201d (EG 178). Assim, o an\u00fancio de Cristo renova n\u00e3o s\u00f3 os cora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m as estruturas sociais, promovendo paz e comunh\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.2 A organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias (POM)<\/strong><\/p>\n<ol start=\"228\">\n<li>As Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias (POM) s\u00e3o organismos oficiais da Igreja Cat\u00f3lica, ligados ao Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o, cuja finalidade \u00e9 animar, formar e coordenar a coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em escala mundial. Elas expressam concretamente o compromisso universal da Igreja com o mandato de Cristo: \u201cIde por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura\u201d (Mc 16,15). Por sua natureza, as POM t\u00eam car\u00e1ter <strong>pontif\u00edcio<\/strong>, pois est\u00e3o sob o cuidado direto do Papa, e <strong>universal<\/strong>, porque servem a todas as Igrejas particulares.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Estrutura e finalidade<\/em><\/p>\n<ol start=\"229\">\n<li>As POM constituem uma rede internacional presente em quase todos os pa\u00edses, orientada pelo Papa e pelo Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o. Sua miss\u00e3o \u00e9 fortalecer o esp\u00edrito mission\u00e1rio entre os fi\u00e9is, promover a ora\u00e7\u00e3o e a solidariedade, e sustentar as Igrejas mais jovens e em situa\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o. No Brasil, est\u00e3o integradas \u00e0 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos (CNBB), em comunh\u00e3o com as demais Obras Mission\u00e1rias do mundo, tornando vis\u00edvel a unidade da Igreja universal em sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>As quatro Obras Mission\u00e1rias<\/em><\/p>\n<ol start=\"230\">\n<li>A Pontif\u00edcia Obra da Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9, fundada na Fran\u00e7a, em 1822, por Paulina Jaricot, nasceu para apoiar espiritualmente e materialmente as miss\u00f5es. Seu objetivo \u00e9 promover a coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, unindo os fi\u00e9is do mundo inteiro em ora\u00e7\u00e3o, partilha e compromisso. Dela surgiu a Juventude Mission\u00e1ria, que forma jovens evangelizadores e os ajuda a viver sua f\u00e9 com abertura \u00e0 miss\u00e3o universal.<\/li>\n<li>A Pontif\u00edcia Obra de S\u00e3o Pedro Ap\u00f3stolo, criada em 1889 por Jeanne Bigard e sua m\u00e3e, dedica-se \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seminaristas, sacerdotes e religiosos nas Igrejas mais recentes. Visa garantir o crescimento das comunidades locais e formar pastores segundo o cora\u00e7\u00e3o de Cristo, capazes de servir com zelo e proximidade.<\/li>\n<li>A Pontif\u00edcia Obra da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia Mission\u00e1ria, fundada em 1843 por Dom Carlos Forbin-Janson, prop\u00f5e \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes \u201cajudar outras crian\u00e7as\u201d pela ora\u00e7\u00e3o e pela solidariedade. Essa Obra educa para a consci\u00eancia mission\u00e1ria desde a inf\u00e2ncia, despertando o senso de comunh\u00e3o e a alegria de evangelizar.<\/li>\n<li>A Pontif\u00edcia Uni\u00e3o Mission\u00e1ria, criada em 1916 pelo bem-aventurado Paolo Manna, mission\u00e1rio do PIME, \u00e9 considerada a alma das demais Obras. Sua meta \u00e9 formar e animar missionariamente agentes pastorais \u2014 sacerdotes, religiosos e leigos \u2014, para que cada comunidade viva em estado permanente de miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Dimens\u00f5es espirituais e pastorais<\/em><\/p>\n<ol start=\"234\">\n<li>A espiritualidade das POM se apoia em tr\u00eas pilares insepar\u00e1veis: ora\u00e7\u00e3o, caridade e forma\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o une os fi\u00e9is em comunh\u00e3o mission\u00e1ria; a caridade se concretiza na partilha solid\u00e1ria; e a forma\u00e7\u00e3o desperta uma consci\u00eancia mission\u00e1ria madura. Esses elementos traduzem o rosto de uma Igreja que evangeliza pela comunh\u00e3o e pela doa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>As POM e a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja<\/em><\/p>\n<ol start=\"235\">\n<li>As Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias s\u00e3o presen\u00e7a viva da Igreja universal nas Igrejas locais. Elas ajudam a despertar e a sustentar a consci\u00eancia mission\u00e1ria dos fi\u00e9is, incentivando a ora\u00e7\u00e3o, a partilha e a forma\u00e7\u00e3o de novos evangelizadores. Nas par\u00f3quias e dioceses, colaboram com os Conselhos Mission\u00e1rios e outras inst\u00e2ncias eclesiais, oferecendo instrumentos e caminhos de coopera\u00e7\u00e3o que unem o local e o universal.<\/li>\n<li>Assim, as POM n\u00e3o s\u00e3o apenas organismos administrativos, mas express\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja em sa\u00edda: uma Igreja que reza, partilha e serve com alegria. Elas recordam que evangelizar \u00e9 a identidade mais profunda da comunidade crist\u00e3 e que cada batizado \u00e9 chamado a participar ativamente da miss\u00e3o de Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.3 Os Conselhos Mission\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<ol start=\"237\">\n<li>Os Conselhos Mission\u00e1rios s\u00e3o organismos eclesiais institu\u00eddos para impulsionar, articular e animar a miss\u00e3o em todos os n\u00edveis da vida da Igreja. Inspiram-se no princ\u00edpio conciliar de que \u201ca Igreja \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria\u201d (AG 2), e t\u00eam como prop\u00f3sito fazer com que essa dimens\u00e3o perpasse toda a estrutura pastoral e todas as express\u00f5es da vida comunit\u00e1ria. N\u00e3o representam uma nova pastoral, mas s\u00e3o instrumentos de convers\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, favorecendo que cada Igreja local viva em permanente estado de miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Identidade e objetivos<\/em><\/p>\n<ol start=\"238\">\n<li>A miss\u00e3o dos Conselhos Mission\u00e1rios \u00e9 garantir unidade, coer\u00eancia e efic\u00e1cia nas a\u00e7\u00f5es de anima\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Segundo a <em>Instru\u00e7\u00e3o Cooperatio Missionalis<\/em>, da Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos (n. 12), esses Conselhos coordenam atividades mission\u00e1rias, promovem a comunh\u00e3o entre organismos eclesiais e formam o Povo de Deus para a miss\u00e3o universal.<\/li>\n<li>S\u00e3o tamb\u00e9m espa\u00e7os sinodais, nos quais leigos, religiosos e ministros ordenados discernem juntos os caminhos da evangeliza\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o \u00e9, assim, compreendida como cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Como afirma o Papa Francisco: \u201cA miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma tarefa entre outras, mas o cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3; cada batizado \u00e9 uma miss\u00e3o neste mundo\u201d (EG 273).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Estrutura e n\u00edveis de articula\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"240\">\n<li>A Igreja no Brasil, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es da CNBB, organiza a anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria atrav\u00e9s de uma rede articulada de Conselhos Mission\u00e1rios interligados, que atuam de modo integrado em diferentes n\u00edveis eclesiais:\n<ul>\n<li>COMIPA \u2013 Conselho Mission\u00e1rio Paroquial: atua nas par\u00f3quias e comunidades, despertando a consci\u00eancia mission\u00e1ria e articulando pastorais, servi\u00e7os e movimentos. Promove forma\u00e7\u00f5es, campanhas e a\u00e7\u00f5es concretas de evangeliza\u00e7\u00e3o e solidariedade.<\/li>\n<li>COMIDI \u2013 Conselho Mission\u00e1rio Diocesano: dinamiza a anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em toda a diocese, em sintonia com o bispo e com as par\u00f3quias, assegurando que o impulso mission\u00e1rio permeie o plano pastoral e a vida das comunidades.<\/li>\n<li>COMIRE \u2013 Conselho Mission\u00e1rio Regional: re\u00fane e articula as dioceses de um mesmo regional da CNBB, promovendo comunh\u00e3o, partilha de experi\u00eancias e coopera\u00e7\u00e3o entre as Igrejas locais.<\/li>\n<li>COMINA \u2013 Conselho Mission\u00e1rio Nacional: \u00e9 o organismo de coordena\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em \u00e2mbito nacional. Comp\u00f5e-se de representantes da CNBB, das Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias (POM), da Confer\u00eancia dos Religiosos do Brasil (CRB) e de outros organismos. O COMINA planeja, executa e avalia as principais iniciativas mission\u00e1rias do pa\u00eds, garantindo a unidade com a miss\u00e3o universal da Igreja.<\/li>\n<li>COMISE \u2013 Conselho Mission\u00e1rio de Seminaristas: presente em numerosos semin\u00e1rios, tem a tarefa de formar futuros presb\u00edteros com esp\u00edrito mission\u00e1rio, despertando neles a consci\u00eancia de que todo minist\u00e9rio pastoral \u00e9, por ess\u00eancia, mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Miss\u00e3o e tarefas dos Conselhos<\/em><\/p>\n<ol start=\"241\">\n<li>Cada Conselho Mission\u00e1rio \u00e9 chamado a animar espiritualmente as comunidades, promover a forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, articular a coopera\u00e7\u00e3o entre diferentes for\u00e7as eclesiais, planejar e avaliar a\u00e7\u00f5es evangelizadoras e incentivar a Campanha Mission\u00e1ria de outubro \u2014 momento privilegiado de ora\u00e7\u00e3o, compromisso e partilha solid\u00e1ria.<\/li>\n<li>Esses Conselhos tamb\u00e9m promovem o projeto Igrejas-irm\u00e3s e o envio mission\u00e1rio <em>ad gentes<\/em>, sendo, portanto, o cora\u00e7\u00e3o articulador da vida mission\u00e1ria da Igreja local. Sua presen\u00e7a assegura que a miss\u00e3o seja parte org\u00e2nica e permanente da pastoral, e n\u00e3o uma atividade isolada ou eventual.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>M\u00edstica e horizonte mission\u00e1rio<\/em><\/p>\n<ol start=\"243\">\n<li>A espiritualidade dos Conselhos Mission\u00e1rios brota da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria e da universalidade do Evangelho. Ser mission\u00e1rio \u00e9 sair de si mesmo, vencer o fechamento e o comodismo, e ir ao encontro do outro, especialmente dos pobres e afastados. O Documento de Aparecida recorda: \u201cA miss\u00e3o \u00e9 uma sa\u00edda que n\u00e3o tem fronteiras e que n\u00e3o se contenta com pouco\u201d (DAp 376).<\/li>\n<li>O horizonte dos Conselhos \u00e9 fazer da miss\u00e3o o eixo de toda a vida eclesial, transformando mentalidades e estruturas para que cada comunidade seja verdadeiramente uma Igreja em sa\u00edda \u2014 mission\u00e1ria, alegre e comprometida com a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Import\u00e2ncia pastoral dos Conselhos Mission\u00e1rios<\/em><\/p>\n<ol start=\"245\">\n<li>Os Conselhos Mission\u00e1rios s\u00e3o fundamentais para que a miss\u00e3o n\u00e3o se restrinja a grupos espec\u00edficos, mas envolva todo o Povo de Deus. Eles fortalecem a comunh\u00e3o entre par\u00f3quias, dioceses, regionais e a Igreja nacional, favorecendo a convers\u00e3o pastoral e o reencontro com a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria universal.<\/li>\n<li>A presen\u00e7a ativa desses Conselhos \u00e9 sinal de uma Igreja viva e participativa. Neles, a sinodalidade se traduz em corresponsabilidade, e a comunh\u00e3o se manifesta na coopera\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. S\u00e3o express\u00e3o concreta da Igreja sonhada pelo Papa Francisco: uma Igreja em movimento, pr\u00f3xima das pessoas, que escuta, serve e anuncia com alegria.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.4 O Conselho Pastoral, o Conselho de Assuntos Econ\u00f4micos e as Assembleias Pastorais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"247\">\n<li>Esses organismos embora n\u00e3o sejam geralmente apresentados formalmente como sendo mission\u00e1rios, na verdade precisam ser profundamente mission\u00e1rios.<\/li>\n<li>O Conselho de Assuntos Econ\u00f4micos \u00e9 um organismo obrigat\u00f3rio em todas as Dioceses e Par\u00f3quias (c\u00e2n. 492 e 537). Do ponto de vista da sinodalidade, ele \u00e9 sinal e instrumento de transpar\u00eancia e permite a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos e leigas de modo estrutural e em assuntos de grande import\u00e2ncia para a vida da comunidade. \u00c9 preciso que os membros desse Conselho tenham profunda sensibilidade mission\u00e1ria e senso de Igreja para que a administra\u00e7\u00e3o dos bens e recursos da comunidade estejam claramente a servi\u00e7o da miss\u00e3o.<\/li>\n<li>O Conselho Pastoral Diocesano e Paroquial (511 e 536), obrigat\u00f3rios em todas as Par\u00f3quias por for\u00e7a de nossa legisla\u00e7\u00e3o particular, enquanto congrega representantes das for\u00e7as vivas da Igreja, precisa ser imbu\u00eddo de clara mentalidade mission\u00e1ria. Isso favorece a compreens\u00e3o da natureza mission\u00e1ria de todas as a\u00e7\u00f5es eclesiais e oferece a perspectiva fundamental da pastoral de conjunto.<\/li>\n<li>Em nossa organiza\u00e7\u00e3o arquidiocesana, al\u00e9m do COMIDI e COMIPAs, temos os COMIVIa (Vicariatos) para a nossa organiza\u00e7\u00e3o fluir melhor.<\/li>\n<li>As Assembleias Pastorais s\u00e3o ocasi\u00f5es privilegiadas de forma\u00e7\u00e3o e aprofundamento da consci\u00eancia mission\u00e1ria, favorecem muito a participa\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is na miss\u00e3o da Igreja e a comunh\u00e3o de todos os organismos pastorais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.5 Todos somos mission\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<ol start=\"252\">\n<li>Todo o Povo de Deus \u00e9 sujeito da miss\u00e3o, porque a Igreja inteira \u00e9 mission\u00e1ria por sua pr\u00f3pria natureza. N\u00e3o apenas alguns, mas <strong>cada batizado<\/strong> \u00e9 chamado a ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio. Esta \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o central reafirmada pela Confer\u00eancia de Aparecida e pela exorta\u00e7\u00e3o <em>Evangelii Gaudium<\/em>, do Papa Francisco: a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um encargo para poucos, mas a identidade de todos os crist\u00e3os.<\/li>\n<li>Cada membro da Igreja \u00e9 chamado a compreender e a viver profundamente essa consci\u00eancia mission\u00e1ria, assumindo, com alegria e responsabilidade, a miss\u00e3o confiada por Cristo \u00e0 Igreja. A <em>Instru\u00e7\u00e3o Cooperatio Missionalis<\/em> (1988), da Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos, recorda que a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria se expressa de m\u00faltiplas formas: na ora\u00e7\u00e3o, na colabora\u00e7\u00e3o material e econ\u00f4mica, e no empenho pessoal no an\u00fancio do Evangelho.<\/li>\n<li>Mas a miss\u00e3o tamb\u00e9m se concretiza no testemunho cotidiano, na partilha fraterna e na vida comunit\u00e1ria. <strong>N\u00e3o existem crist\u00e3os sem miss\u00e3o<\/strong>. A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa para especialistas, mas dimens\u00e3o constitutiva da f\u00e9. Quem realmente encontrou Cristo n\u00e3o pode guardar para si essa alegria: torna-se, de modo espont\u00e2neo, um disc\u00edpulo mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A prega\u00e7\u00e3o informal: a miss\u00e3o de cada dia<\/em><\/p>\n<ol start=\"255\">\n<li>O Papa Francisco ensina que, no contexto da renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja, h\u00e1 uma forma de prega\u00e7\u00e3o que cabe a todos, como tarefa di\u00e1ria: <strong>a prega\u00e7\u00e3o informal<\/strong>. \u00c9 o an\u00fancio simples e fraterno, que acontece nos encontros da vida cotidiana \u2014 em casa, no trabalho, na rua, nas conversas com amigos ou desconhecidos. \u201cSer disc\u00edpulo significa ter a disposi\u00e7\u00e3o permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isto sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na pra\u00e7a, no trabalho, num caminho\u201d (EG 127).<\/li>\n<li>Essa prega\u00e7\u00e3o, diz o Papa, \u00e9 verdadeira evangeliza\u00e7\u00e3o e deve ser sempre respeitosa, serena e motivada pelo amor. Ele indica alguns passos concretos (EG 128):\n<ul>\n<li><strong>Iniciar com a aproxima\u00e7\u00e3o pessoal e o di\u00e1logo<\/strong> \u2014 demonstrando interesse sincero pela vida e pelas alegrias ou sofrimentos do outro, criando um clima de confian\u00e7a e escuta.<\/li>\n<li><strong>Apresentar a Palavra de Deus<\/strong> \u2014 quando for oportuno, partilhar um vers\u00edculo, uma cita\u00e7\u00e3o ou uma recorda\u00e7\u00e3o da Palavra que ilumine a situa\u00e7\u00e3o concreta.<\/li>\n<li><strong>Evitar disputas ou pol\u00eamicas<\/strong> \u2014 o an\u00fancio n\u00e3o \u00e9 discuss\u00e3o de ideias, mas testemunho do amor pessoal de Deus, que em Jesus se fez homem, entregou-se por n\u00f3s e nos oferece sua amizade e salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Anunciar com criatividade e docilidade ao Esp\u00edrito<\/strong> \u2014 o querigma pode ser comunicado por meio de palavras, gestos, testemunhos, hist\u00f3rias ou atitudes inspiradas pelo Esp\u00edrito Santo em cada situa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Concluir com ora\u00e7\u00e3o<\/strong>, quando poss\u00edvel \u2014 pedindo junto com a pessoa a presen\u00e7a de Deus em sua vida, para que se sinta acolhida e amada pelo Senhor. \u201cAssim ela reconhecer\u00e1 que sua situa\u00e7\u00e3o foi colocada nas m\u00e3os de Deus, e que a Palavra de Deus fala realmente \u00e0 sua pr\u00f3pria vida.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>A evangeliza\u00e7\u00e3o cotidiana \u00e9 simples, mas profundamente eficaz, pois nasce da proximidade, do cuidado e da escuta. Cada crist\u00e3o \u00e9 portador de uma Palavra que transforma \u2014 n\u00e3o pela eloqu\u00eancia, mas pela autenticidade do amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A miss\u00e3o como testemunho<\/em><\/p>\n<ol start=\"258\">\n<li>O an\u00fancio expl\u00edcito de Cristo n\u00e3o \u00e9 apenas verbal, mas se expressa sobretudo no testemunho coerente de vida. O mission\u00e1rio evangeliza quando vive com alegria, partilha o que tem, acolhe quem sofre e transmite esperan\u00e7a. A f\u00e9 comunicada com gestos simples \u00e9 sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a de Deus no mundo.<\/li>\n<li>Ser mission\u00e1rio, portanto, \u00e9 viver a f\u00e9 de modo encarnado, no cotidiano das rela\u00e7\u00f5es humanas. A miss\u00e3o se torna real quando transforma atitudes, renova ambientes e desperta cora\u00e7\u00f5es. Cada gesto de caridade, cada palavra de consolo, cada ato de perd\u00e3o \u00e9 um ato mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A Igreja toda em sa\u00edda<\/em><\/p>\n<ol start=\"260\">\n<li>A miss\u00e3o de todos os batizados \u00e9 um chamado \u00e0 corresponsabilidade e \u00e0 comunh\u00e3o. A Igreja \u00e9 \u201cpovo de Deus em sa\u00edda\u201d, que n\u00e3o se fecha em si, mas vai ao encontro das pessoas, nas periferias geogr\u00e1ficas e existenciais. Todos \u2014 pastores, leigos, consagrados, jovens e idosos \u2014 t\u00eam parte nesse dinamismo mission\u00e1rio que brota do Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Assim, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser mission\u00e1rio onde quer que esteja: em sua fam\u00edlia, em seu trabalho, na comunidade, na vida social e nos ambientes digitais. \u00c9 portador da esperan\u00e7a que vem do Evangelho e testemunha do amor de Cristo que salva e liberta.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>5.6 Abertura \u00e0 cultura atual e uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e redes sociais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"262\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja sup\u00f5e di\u00e1logo com o mundo contempor\u00e2neo, abertura \u00e0s novas linguagens e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s realidades culturais, urbanas e juvenis. Evangelizar hoje significa saber habitar os diversos ambientes onde as pessoas vivem, comunicam e buscam sentido. Isso exige sensibilidade pastoral, capacidade de escuta e disposi\u00e7\u00e3o para sair de zonas de conforto. O mission\u00e1rio deve compreender os dinamismos sociais e culturais do tempo presente, acolher suas possibilidades e discernir seus limites, sem jamais impor pontos de vista pessoais, mas sempre agindo em comunh\u00e3o com a Igreja.<\/li>\n<li>A evangeliza\u00e7\u00e3o, portanto, se faz tamb\u00e9m pela presen\u00e7a comunicativa da Igreja nos meios modernos. Utilizar e promover os canais oficiais de comunica\u00e7\u00e3o \u2014 da Santa S\u00e9, da CNBB e da Arquidiocese \u2014 \u00e9 um modo concreto de viver a comunh\u00e3o e de tornar a miss\u00e3o vis\u00edvel e eficaz. Entre esses instrumentos, destacam-se a R\u00e1dio Catedral, o Testemunho de F\u00e9, o folheto lit\u00fargico \u201cA Missa\u201d, a WebTV Redentor, al\u00e9m das redes sociais, sites e canais de cada vicariato, par\u00f3quia ou comunidade.<\/li>\n<li>As redes sociais n\u00e3o s\u00e3o apenas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o, mas verdadeiros ambientes de vida e de encontro, onde se expressam emo\u00e7\u00f5es, opini\u00f5es e buscas espirituais. O Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o, em seu documento \u201cRumo \u00e0 Plena Presen\u00e7a\u201d (2023), afirma que as redes \u201cj\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apenas instrumentos, mas espa\u00e7os nos quais as pessoas comunicam sua vida, partilham afetos e procuram sentido\u201d (n. 2).<\/li>\n<li>Desde o Conc\u00edlio Vaticano II, a Igreja reconhece a import\u00e2ncia pastoral dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O decreto <em>Inter Mirifica<\/em> (1963) j\u00e1 afirmava: \u201cA Igreja tem o direito pr\u00f3prio de usar os meios de comunica\u00e7\u00e3o social para a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho\u201d (n. 3). Posteriormente, documentos como <em>Communio et Progressio<\/em> (1971) e <em>Aetatis Novae<\/em> (1992) aprofundaram essa vis\u00e3o, sublinhando que os meios de comunica\u00e7\u00e3o fazem parte integrante da a\u00e7\u00e3o evangelizadora e pastoral.<\/li>\n<li>O Papa Francisco retoma essa perspectiva, observando que \u201ca internet e as redes sociais proporcionam uma oportunidade extraordin\u00e1ria de di\u00e1logo, encontro e interc\u00e2mbio entre as pessoas, assim como de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao conhecimento\u201d (<em>Christus Vivit<\/em>, 87). O documento <em>Towards Full Presence<\/em> prop\u00f5e o bom samaritano como modelo de presen\u00e7a digital: ser \u201cpr\u00f3ximo\u201d tamb\u00e9m no ambiente virtual, acolhendo quem sofre e promovendo rela\u00e7\u00f5es humanas aut\u00eanticas (n. 31).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Crit\u00e9rios para uma presen\u00e7a mission\u00e1ria nas redes<\/em><\/p>\n<ol start=\"267\">\n<li>O mesmo documento, juntamente com as mensagens do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, oferece crit\u00e9rios pastorais para uma presen\u00e7a crist\u00e3 aut\u00eantica no mundo digital:<\/li>\n<li>Fazer um exame de consci\u00eancia digital, perguntando-se se o uso das redes promove a verdade, a comunh\u00e3o e o servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo.<\/li>\n<li>Buscar uma \u201cpresen\u00e7a plena\u201d, que v\u00e1 al\u00e9m da simples busca por curtidas e seguidores, e construa rela\u00e7\u00f5es significativas, baseadas na escuta e na partilha sincera.<\/li>\n<li>Evitar a superficialidade e a desinforma\u00e7\u00e3o, cultivando o discernimento, o pensamento cr\u00edtico e a profundidade espiritual.<\/li>\n<li>Usar as redes como espa\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo e comunh\u00e3o, evitando que se tornem arenas de conflito, polariza\u00e7\u00e3o e agressividade.<\/li>\n<li>Promover o bem comum e a dignidade humana, combatendo o \u00f3dio, a manipula\u00e7\u00e3o e as falsas narrativas.<\/li>\n<li>Equilibrar presen\u00e7a digital e vida real, reservando tempo para o sil\u00eancio, a ora\u00e7\u00e3o e o encontro pessoal.<\/li>\n<li>Integrar a evangeliza\u00e7\u00e3o digital \u00e0 pastoral ordin\u00e1ria, de modo que o ambiente online complemente, e n\u00e3o substitua, a presen\u00e7a comunit\u00e1ria e sacramental da Igreja.<\/li>\n<li>O Papa Francisco afirma que \u201ca rede pode ser um espa\u00e7o de encontro, se for usada com sabedoria e caridade\u201d, e que \u201ca miss\u00e3o digital requer disc\u00edpulos capazes de comunicar esperan\u00e7a\u201d (Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 2019).<\/li>\n<li>Mais recentemente, o Papa Le\u00e3o XIV, ao dirigir-se aos chamados \u201cmission\u00e1rios digitais\u201d (29 de julho de 2025), encorajou: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o aqui para renovar o compromisso de alimentar a esperan\u00e7a crist\u00e3 nas redes sociais e nos espa\u00e7os online.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O continente digital: um novo are\u00f3pago<\/em><\/p>\n<ol start=\"277\">\n<li>As redes sociais, quando utilizadas com discernimento e fidelidade ao Evangelho, tornam-se <strong>novo are\u00f3pago da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, um espa\u00e7o onde o amor, a verdade e a esperan\u00e7a de Cristo podem ser anunciados e testemunhados. A presen\u00e7a mission\u00e1ria no mundo digital \u00e9 um prolongamento natural do mandato de Jesus: \u201cIde por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura\u201d (Mc 16,15).<\/li>\n<li>Evangelizar nesse \u201ccontinente digital\u201d \u00e9 proclamar a Boa-Nova com criatividade e ternura, levando a mensagem de Cristo \u00e0s fronteiras da cultura contempor\u00e2nea. \u00c9 um convite para que a Igreja seja presen\u00e7a viva, dialogante e pr\u00f3xima, tamb\u00e9m nas redes, revelando nelas o rosto misericordioso de Deus que continua a se comunicar com a humanidade. Nesse \u00e2mbito atingimos pessoas que muitas vezes n\u00e3o encontramos em nossas assembleias ou grupos, mas que acessam as m\u00eddias digitais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Desafios Permanentes e Contextuais da Miss\u00e3o<\/strong><\/li>\n<li>A miss\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o mais profunda da vida da Igreja e do disc\u00edpulo de Cristo. Ela nasce do envio do Pai, \u00e9 realizada pelo Filho e sustentada pelo Esp\u00edrito Santo. Ao longo da hist\u00f3ria, a Igreja foi chamada a anunciar o Evangelho com fidelidade e criatividade, respondendo aos sinais dos tempos e \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es culturais, sociais e espirituais. Hoje, mais do que nunca, somos desafiados a manter viva a ess\u00eancia mission\u00e1ria, ao mesmo tempo em que assumimos novos contextos e desafios. \u00c9 preciso estarmos atentos aos desafios permanentes \u2013 que sempre acompanham a miss\u00e3o \u2013 como tamb\u00e9m aos desafios contextuais \u2013 que emergem das realidades do nosso tempo.<\/li>\n<li>Os <strong>desafios permanentes<\/strong> recordam o n\u00facleo essencial da miss\u00e3o. Os <strong>desafios contextuais<\/strong> pedem criatividade pastoral e coragem para evangelizar nas novas fronteiras do mundo contempor\u00e2neo. Ser mission\u00e1rio hoje \u00e9 unir fidelidade e adapta\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o e novidade, raiz e caminho, com o cora\u00e7\u00e3o ardente de quem, nas palavras do Papa Francisco, vive \u201ca paix\u00e3o por Jesus e a paix\u00e3o pelo seu povo\u201d (EG 268).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6.1 Desafios Permanentes da Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"281\">\n<li>Os desafios permanentes da miss\u00e3o decorrem da pr\u00f3pria ess\u00eancia do Evangelho e do chamado de cada batizado a viver em comunh\u00e3o com Cristo e com a Igreja. Eles nascem da necessidade de anunciar a Boa-Nova com autenticidade, formar comunidades fraternas e testemunhar a f\u00e9 com coer\u00eancia e alegria.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Anunciar o Evangelho com fidelidade<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"282\">\n<li>O primeiro e mais fundamental desafio \u00e9 a fidelidade ao Evangelho. A miss\u00e3o da Igreja tem sua origem no mandato de Cristo: \u201cIde por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura\u201d (Mc 16,15). Esse envio requer tanto fidelidade \u00e0 Palavra como sensibilidade pastoral diante das realidades humanas. S\u00e3o Paulo VI recorda que \u201ca evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 gra\u00e7a e voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, sua identidade mais profunda\u201d (EN 14). Assim, cada agente mission\u00e1rio \u00e9 chamado a cultivar s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica e espiritual, para anunciar n\u00e3o apenas ideias, mas a pessoa viva de Jesus Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Docilidade ao Esp\u00edrito Santo e convers\u00e3o cont\u00ednua<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"283\">\n<li>A miss\u00e3o s\u00f3 \u00e9 verdadeira quando nasce da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Ele \u00e9 o protagonista da evangeliza\u00e7\u00e3o, o que impulsiona o an\u00fancio e transforma os cora\u00e7\u00f5es. O mission\u00e1rio deve, portanto, viver em atitude constante de convers\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e escuta interior, deixando que o Esp\u00edrito atue atrav\u00e9s de sua vida. Evangelizar \u00e9 um ato de confian\u00e7a e entrega: \u00e9 permitir que Deus fale e aja por meio de n\u00f3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Testemunho coerente de vida<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"284\">\n<li>O testemunho pessoal \u00e9 a linguagem mais convincente da f\u00e9. S\u00e3o Paulo VI ensinava: \u201cO homem contempor\u00e2neo escuta mais as testemunhas do que os mestres; e se escuta os mestres, \u00e9 porque s\u00e3o testemunhas\u201d (EN 41). A coer\u00eancia entre palavra e vida torna o an\u00fancio cr\u00edvel e fecundo. Uma comunidade que vive o Evangelho de modo simples e fiel se torna sinal vis\u00edvel do Reino, despertando no mundo a sede de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Di\u00e1logo e incultura\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"285\">\n<li>Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m dialogar com as culturas, valorizando nelas o que h\u00e1 de bom e verdadeiro. A incultura\u00e7\u00e3o permite que a f\u00e9 se expresse nas diversas realidades humanas, sem impor modelos alheios, mas assumindo os s\u00edmbolos e linguagens de cada povo. Como ensinaram Le\u00e3o XIII e S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, a f\u00e9 n\u00e3o destr\u00f3i a cultura, mas a purifica e eleva. O desafio est\u00e1 em anunciar com respeito, sem perder a identidade evang\u00e9lica.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Envio e corresponsabilidade de todos os batizados<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"286\">\n<li>O Conc\u00edlio Vaticano II afirma que \u201ca Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por sua pr\u00f3pria natureza\u201d (Ad Gentes, 2). A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa de alguns, mas voca\u00e7\u00e3o de todo o Povo de Deus. Cada batizado \u00e9 chamado a ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio, levando o Evangelho aos diversos ambientes da vida \u2014 na fam\u00edlia, no trabalho, na cultura e na sociedade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Rela\u00e7\u00e3o entre an\u00fancio e servi\u00e7o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"287\">\n<li>A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da f\u00e9; ela se concretiza tamb\u00e9m no servi\u00e7o \u00e0 vida. Anunciar o Reino \u00e9 servir com amor, promover a dignidade humana e cuidar dos mais pobres. O Papa Bento XVI recorda que \u201ca caridade \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja\u201d (DCE 25). Palavra e servi\u00e7o, f\u00e9 e justi\u00e7a, contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o caminham juntos como express\u00f5es insepar\u00e1veis do mesmo Evangelho.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Forma\u00e7\u00e3o integral dos mission\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"288\">\n<li>A miss\u00e3o requer evangelizadores maduros na f\u00e9 e preparados para os desafios do mundo atual. O Documento de Aparecida ensina que \u201cningu\u00e9m nasce disc\u00edpulo mission\u00e1rio; faz-se disc\u00edpulo no encontro com Jesus Cristo\u201d (DAp 278). A forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, portanto, deve ser integral \u2014 espiritual, b\u00edblica, teol\u00f3gica, pastoral e humana \u2014, de modo que o agente evangelize com sabedoria, humildade e alegria. \u00c9 preciso formar crist\u00e3os capazes de unir ora\u00e7\u00e3o e compromisso, contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, f\u00e9 e raz\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>A\u00e7\u00e3o pastoral articulada e comunh\u00e3o eclesial<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"289\">\n<li>A miss\u00e3o pertence a toda a Igreja. As diversas pastorais, movimentos e servi\u00e7os s\u00e3o express\u00f5es de um \u00fanico corpo, que deve atuar em comunh\u00e3o e corresponsabilidade. A pastoral mission\u00e1ria exige di\u00e1logo constante e coordena\u00e7\u00e3o, evitando dispers\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os. O Papa Francisco adverte que \u201ca pastoral em chave mission\u00e1ria exige o abandono do c\u00f4modo crit\u00e9rio pastoral do \u2018sempre se fez assim\u2019\u201d (EG 33). Quando as for\u00e7as eclesiais se unem em torno da miss\u00e3o, a Igreja manifesta sua verdadeira fisionomia sinodal: um corpo vivo, diverso e harmonioso, movido pelo Esp\u00edrito e a servi\u00e7o do Reino de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2 Desafios Contextuais da Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"290\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja acontece em contextos concretos, marcados por r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es culturais, sociais e espirituais. Ser mission\u00e1rio hoje implica discernir os sinais do tempo, acolher os novos desafios e responder a eles com fidelidade e criatividade evang\u00e9lica.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Seculariza\u00e7\u00e3o, indiferen\u00e7a religiosa e relativismo<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"291\">\n<li>Vivemos em uma sociedade que tende a relegar a f\u00e9 ao \u00e2mbito privado e a considerar todas as cren\u00e7as equivalentes. O Papa Bento XVI denominou essa situa\u00e7\u00e3o de \u201cditadura do relativismo\u201d, na qual se perde o sentido da verdade e o horizonte transcendente da exist\u00eancia. \u00c9poca de seculariza\u00e7\u00e3o, dessacraliza\u00e7\u00e3o, descristianiza\u00e7\u00e3o! A miss\u00e3o, nesse contexto, deve mostrar que a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um retrocesso, mas um caminho de liberdade e plenitude. \u00c9 preciso anunciar o Evangelho como fonte de sentido, beleza e esperan\u00e7a para o ser humano contempor\u00e2neo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Globaliza\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e diversidade cultural<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"292\">\n<li>O fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o aproxima os povos, mas tamb\u00e9m tende a uniformizar culturas e enfraquecer identidades locais. As migra\u00e7\u00f5es massivas criam novos encontros entre tradi\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e religi\u00f5es. O mission\u00e1rio \u00e9 chamado a viver a fraternidade universal e o respeito \u00e0 diversidade, aprendendo novas linguagens e promovendo o di\u00e1logo intercultural. A miss\u00e3o torna-se, assim, um espa\u00e7o de encontro entre povos e express\u00f5es de f\u00e9, onde o Evangelho se traduz em acolhida, solidariedade e conviv\u00eancia pac\u00edfica.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Cultura digital e ambiente virtual<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"293\">\n<li>O espa\u00e7o digital constitui hoje um novo continente mission\u00e1rio. O Papa Francisco insiste na necessidade de uma \u201cpresen\u00e7a evangelizadora na rede\u201d, que v\u00e1 al\u00e9m da simples comunica\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e se torne verdadeira experi\u00eancia de encontro. O desafio \u00e9 testemunhar o Evangelho no ambiente marcado pela velocidade, superficialidade e polariza\u00e7\u00e3o, sem perder a profundidade espiritual. A evangeliza\u00e7\u00e3o digital deve ser relacional, pr\u00f3xima e esperan\u00e7osa, capaz de transmitir o amor de Deus em linguagem compreens\u00edvel \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Crise ecol\u00f3gica e cuidado da cria\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"294\">\n<li>Estamos h\u00e1 poucos meses da COP 30 que ocorreu aqui no Brasil. O cuidado com a casa comum tornou-se parte insepar\u00e1vel da miss\u00e3o da Igreja. A enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019<\/em> recorda que \u201ctudo est\u00e1 interligado\u201d e que o amor ao Criador se manifesta tamb\u00e9m na responsabilidade com a cria\u00e7\u00e3o. Evangelizar, hoje, inclui promover uma ecologia integral, onde f\u00e9, justi\u00e7a e meio ambiente se entrela\u00e7am. Ser mission\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m testemunhar o respeito \u00e0 vida em todas as suas formas e trabalhar por uma cultura de sustentabilidade e solidariedade planet\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Transforma\u00e7\u00f5es no sentido de comunidade e perten\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"295\">\n<li>O individualismo e o ritmo acelerado da vida moderna enfraqueceram os la\u00e7os comunit\u00e1rios. Muitos vivem a f\u00e9 de modo isolado, sem experimentar a perten\u00e7a eclesial. A miss\u00e3o precisa recriar espa\u00e7os de comunh\u00e3o, onde as pessoas possam sentir-se acolhidas, acompanhadas e chamadas pelo nome. As pequenas comunidades eclesiais e as pastorais participativas s\u00e3o express\u00f5es concretas dessa necessidade, ajudando os fi\u00e9is a redescobrir a beleza de caminhar juntos.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Desigualdade social, pobreza e exclus\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"296\">\n<li>A miss\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel da justi\u00e7a social. A globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica acentuou as desigualdades e gerou novas formas de exclus\u00e3o. Evangelizar, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m denunciar as injusti\u00e7as e trabalhar pela dignidade de cada pessoa. S\u00e3o Paulo VI j\u00e1 afirmava que \u201centre evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana existem la\u00e7os profundos\u201d (EN 31). O mission\u00e1rio deve unir an\u00fancio e solidariedade, f\u00e9 e compromisso, tornando o Evangelho presen\u00e7a concreta de liberta\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Condom\u00ednios e espa\u00e7os urbanos de acesso restrito<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"297\">\n<li>Nas cidades, cresce o n\u00famero de condom\u00ednios e loteamentos fechados, onde o acesso \u00e0 presen\u00e7a pastoral \u00e9 limitado. Esses lugares se tornaram fronteiras mission\u00e1rias in\u00e9ditas. A Igreja \u00e9 chamada a buscar novos caminhos de proximidade \u2014 seja pelo testemunho silencioso, pelas rela\u00e7\u00f5es pessoais, pela evangeliza\u00e7\u00e3o digital ou por gestos de vizinhan\u00e7a e solidariedade. O Papa Francisco recorda que \u201ca miss\u00e3o n\u00e3o conhece fronteiras\u201d (EG 20); por isso, \u00e9 preciso criatividade pastoral para alcan\u00e7ar tamb\u00e9m os \u201ccondom\u00ednios fechados\u201d do cora\u00e7\u00e3o humano.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>\u00c1reas marcadas pela viol\u00eancia e pelo tr\u00e1fico<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"298\">\n<li>Em muitas regi\u00f5es urbanas, a evangeliza\u00e7\u00e3o enfrenta barreiras impostas pela viol\u00eancia e pela criminalidade. Nesses \u00faltimos acontecimentos que marcaram nossa cidade, a igreja se fez presente, n\u00e3o s\u00f3 com declara\u00e7\u00f5es, mas com presen\u00e7a e consola\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a mission\u00e1ria nesses contextos exige prud\u00eancia, coragem e discernimento. A Igreja se faz presente com gestos simples de solidariedade, educa\u00e7\u00e3o e cuidado com a vida, mesmo quando a a\u00e7\u00e3o pastoral vis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. \u201cNenhuma periferia \u00e9 distante demais\u201d, afirma o Papa Francisco (EG 197). O testemunho silencioso de quem leva a paz e o consolo de Cristo \u00e9 uma das express\u00f5es mais aut\u00eanticas da miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong><em>Sustentabilidade mission\u00e1ria e coopera\u00e7\u00e3o eclesial<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"299\">\n<li>A continuidade da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria requer planejamento, corresponsabilidade e comunh\u00e3o entre as Igrejas. \u00c9 fundamental formar lideran\u00e7as locais, valorizar o protagonismo das comunidades e promover a autossustenta\u00e7\u00e3o das iniciativas evangelizadoras. A miss\u00e3o \u00e9 mais fecunda quando nasce da partilha e da coopera\u00e7\u00e3o entre dioceses, par\u00f3quias e organismos mission\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Cansa\u00e7o pastoral e renova\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as<\/em><\/p>\n<ol start=\"300\">\n<li>Em muitas comunidades, os agentes de pastoral vivem sobrecarregados, e a falta de renova\u00e7\u00e3o amea\u00e7a a vitalidade mission\u00e1ria. O Papa Francisco alerta: \u201cN\u00e3o deixemos que nos roubem a alegria da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d (EG 83). \u00c9 necess\u00e1rio cuidar dos evangelizadores, oferecer-lhes forma\u00e7\u00e3o espiritual, tempo de descanso e espa\u00e7os de comunh\u00e3o. A miss\u00e3o floresce quando h\u00e1 novas voca\u00e7\u00f5es e quando cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada a oferecer seu dom. Como lembra o Documento de Aparecida, \u201cningu\u00e9m deve sentir-se dispensado da miss\u00e3o, mas todos devem ser sustentados nela\u201d (DAp 174).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Polariza\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"301\">\n<li>O uso irrespons\u00e1vel das redes sociais tem alimentado divis\u00f5es dentro da pr\u00f3pria Igreja. Opini\u00f5es parciais e informa\u00e7\u00f5es distorcidas geram desconfian\u00e7a e enfraquecem a comunh\u00e3o. O Papa Francisco ensina que \u201ca unidade \u00e9 superior ao conflito\u201d (EG 228). Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m construir pontes, promover o di\u00e1logo e cultivar o discernimento sereno. O mission\u00e1rio deve ser promotor da comunh\u00e3o, da verdade e da caridade que reconcilia.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Fidelidade e comunh\u00e3o com o Magist\u00e9rio<\/em><\/p>\n<ol start=\"302\">\n<li>A autenticidade da miss\u00e3o floresce na comunh\u00e3o e na obedi\u00eancia eclesial. Em tempos marcados por m\u00faltiplas vozes e interpreta\u00e7\u00f5es, \u00e9 essencial permanecer enraizado no Magist\u00e9rio da Igreja. A comunh\u00e3o com o Papa e com os bispos n\u00e3o \u00e9 mera formalidade institucional, mas express\u00e3o de f\u00e9 e garantia da unidade na verdade. O Documento de Aparecida ensina que \u201ca comunh\u00e3o com o bispo e entre os bispos \u00e9 garantia da autenticidade da miss\u00e3o\u201d (DAp 178). Ser mission\u00e1rio \u00e9, portanto, caminhar em sintonia com os pastores e viver a evangeliza\u00e7\u00e3o como servi\u00e7o \u00e0 unidade do Corpo de Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Caracter\u00edsticas fundamentais da Miss\u00e3o &#8211; <\/strong><strong>O que a configura? Quem s\u00e3o os interlocutores? Quais os seus \u00e2mbitos?<\/strong><\/li>\n<li>Na linguagem cotidiana, \u201cmiss\u00e3o\u201d costuma designar uma tarefa confiada a algu\u00e9m. No \u00e2mbito religioso, muitas vezes se pensa em evangeliza\u00e7\u00e3o em terras long\u00ednquas ou em a\u00e7\u00f5es de visita\u00e7\u00e3o e an\u00fancio querigm\u00e1tico. Contudo, o alcance do termo \u00e9 bem maior: ele exprime a pr\u00f3pria identidade da Igreja, enviada ao mundo para partilhar a f\u00e9 em Jesus Cristo como salva\u00e7\u00e3o oferecida a todos. Ao mesmo tempo, aponta para a voca\u00e7\u00e3o de cada batizado: \u201cCada um de n\u00f3s \u00e9 uma miss\u00e3o no mundo, porque fruto do amor de Deus\u201d (Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial das Miss\u00f5es de 2019).<\/li>\n<li>A Igreja existe para evangelizar. Por isso, a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um setor entre outros, nem um simples programa ou elenco de atividades; \u00e9 o eixo que d\u00e1 forma a toda a vida e a\u00e7\u00e3o eclesial. A sa\u00edda mission\u00e1ria, rumo aos que carecem da experi\u00eancia viva da amizade com Jesus Cristo, torna-se o crit\u00e9rio que inspira cada iniciativa pastoral. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 opcional: \u00e9 a raz\u00e3o de ser da comunidade crist\u00e3, chamada a anunciar Jesus e a testemunhar seu amor \u201cat\u00e9 os confins da terra\u201d.<\/li>\n<li>O Novo Testamento o afirma de modo transparente: \u201cDepois de falar com os disc\u00edpulos, o Senhor Jesus foi elevado ao c\u00e9u e sentou-se \u00e0 direita de Deus. Ent\u00e3o, os disc\u00edpulos foram anunciar por toda a parte. O Senhor cooperava, confirmando a palavra pelos sinais que a acompanhavam\u201d (Mc 16,19-20). \u201cJesus aproximou-se deles e disse: \u2018Foi-me dada toda a autoridade no c\u00e9u e na terra. Ide, pois, e fazei disc\u00edpulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, at\u00e9 o fim dos tempos\u2019\u201d (Mt 28,18-20). \u201cV\u00f3s sois as testemunhas destas coisas. Eu enviarei sobre v\u00f3s o que meu Pai prometeu\u201d (Lc 24,48-49). \u201cRecebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que vir\u00e1 sobre v\u00f3s e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e na Samaria, at\u00e9 aos confins da terra\u201d (At 1,8).<\/li>\n<li>V\u00ea-se, portanto, que a palavra \u201cmiss\u00e3o\u201d possui conte\u00fado amplo e profundo. Nesta reflex\u00e3o, consideraremos alguns eixos estruturantes \u2014 encontro com Cristo, vida fraterna, an\u00fancio e testemunho \u2014 e, em sintonia com o Magist\u00e9rio, indicaremos os \u00e2mbitos nos quais ela se realiza tamb\u00e9m entre n\u00f3s, em nossa Arquidiocese.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.1 Aspectos fundamentais da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>7.1.1 Encontro com Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"307\">\n<li>Toda miss\u00e3o brota de um encontro. Antes de qualquer tarefa, ela \u00e9 resposta amorosa ao amor primeiro de Deus. O encontro com Jesus vivo transforma o cora\u00e7\u00e3o e acende o desejo de anunci\u00e1-Lo. Como os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, reconhecemos o Senhor \u201cao partir o p\u00e3o\u201d e sentimos o cora\u00e7\u00e3o arder quando Ele nos fala pelo caminho (Lc 24,32).<\/li>\n<li>A miss\u00e3o come\u00e7a quando esse encontro se torna experi\u00eancia pessoal e eclesial. \u00c9 o Esp\u00edrito Santo quem nos faz descobrir, em Jesus, o rosto misericordioso do Pai; Ele recorda o Evangelho, instrui os disc\u00edpulos e faz Cristo habitar em n\u00f3s (Jo 14,26; Ef 3,17). Assim, todo mission\u00e1rio nasce do Esp\u00edrito e caminha sustentado por Ele.<\/li>\n<li>O Papa Francisco, citando Bento XVI (DCE 1), reafirma que \u201cno in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte\u201d (EG 7). Quando o amor de Cristo toca a exist\u00eancia, surge o impulso de comunic\u00e1-Lo. O aut\u00eantico mission\u00e1rio \u00e9 aquele que n\u00e3o consegue guardar para si a alegria do encontro e sente no \u00edntimo o ardor de partilhar o dom recebido.<\/li>\n<li>Evangelizar, portanto, \u00e9 deixar transbordar a experi\u00eancia feita com o Senhor. A miss\u00e3o n\u00e3o se confunde com propaganda ou imposi\u00e7\u00e3o; \u00e9 o testemunho de quem encontrou o sentido da vida e deseja que outros o encontrem. Por isso, cada disc\u00edpulo mission\u00e1rio \u00e9 chamado a renovar sem cessar essa experi\u00eancia, nutrindo a amizade com Jesus na ora\u00e7\u00e3o, na escuta da Palavra e na Eucaristia, para que o an\u00fancio brote do cora\u00e7\u00e3o e se traduza em gestos concretos de amor.<\/li>\n<li>Nas Assembleias do S\u00ednodo Arquidiocesano, expressou-se a convic\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o ocasi\u00f5es especiais para se oferecer a oportunidade de todos viverem a experi\u00eancia de encontro e amizade com Cristo: as liturgias bem celebradas, segundo as normas lit\u00fargicas; as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da f\u00e9 e da devo\u00e7\u00e3o (prociss\u00f5es, ter\u00e7os, via-sacra nas ruas, pra\u00e7as, casas etc.); as visita\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias e miss\u00f5es populares; m\u00eddias digitais; retiros e encontros espirituais com caracter\u00edsticas querigm\u00e1ticas (de an\u00fancio de Jesus Cristo).<\/li>\n<li>Constata-se que os membros que participam da vida da Igreja buscam viver a experi\u00eancia do encontro com Cristo e procuram aprofundar continuamente o relacionamento com ele, principalmente por meio da liturgia, dos sacramentos, dos momentos de ora\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o, obras de caridade e demais atividades pastorais. Essa experi\u00eancia de encontro com Cristo deve ser cont\u00ednua e precisa caminhar em dire\u00e7\u00e3o ao amadurecimento e \u00e0 frutifica\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"313\">\n<li>Forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos ministros ordenados, ministros leigos e do povo em geral (por meio de prega\u00e7\u00f5es, cursos e retiros). Isso seja feito por meio de uma forma\u00e7\u00e3o permanente;<\/li>\n<li>Forma\u00e7\u00e3o b\u00edblico-catequ\u00e9tica para que o conhecimento correto e mais profundo da Igreja e sua doutrina ajude a evitar equ\u00edvocos e abandono da f\u00e9 cat\u00f3lica;<\/li>\n<li>Fortalecimento da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Pastoral do Batismo mais mission\u00e1ria, din\u00e2mica e acolhedora;<\/li>\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o mais eficaz das atividades que s\u00e3o oferecidas com uso de m\u00eddias e novas tecnologias, objetivando favorecer e aprofundar o encontro com Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.1.2 Vida comunit\u00e1ria, fraterna e acolhedora<\/strong><\/p>\n<ol start=\"317\">\n<li>O encontro com Cristo conduz inevitavelmente \u00e0 comunh\u00e3o. Quem experimenta o amor de Deus descobre que a f\u00e9 n\u00e3o pode ser vivida isoladamente. Desde os prim\u00f3rdios, os disc\u00edpulos de Jesus se reuniam para escutar a Palavra, partir o p\u00e3o e partilhar a vida (At 2,42). A f\u00e9 floresce e se fortalece quando \u00e9 vivida em comunidade, pois, como recorda o Senhor, \u201conde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles\u201d (Mt 18,20).<\/li>\n<li>As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o o primeiro e mais natural espa\u00e7o da miss\u00e3o. Nelas, a f\u00e9 \u00e9 celebrada, amadurecida e transmitida. A vida fraterna torna-se testemunho do Evangelho, especialmente quando se expressa na acolhida e na solidariedade com os que mais necessitam. O Papa Francisco ensina que \u201ca miss\u00e3o \u00e9 uma paix\u00e3o por Jesus e, ao mesmo tempo, uma paix\u00e3o pelo seu povo\u201d; quem ama a Deus se aproxima das pessoas e caminha com elas (EG 268).<\/li>\n<li>O amor fraterno \u00e9 a linguagem mais clara e convincente da evangeliza\u00e7\u00e3o. A Igreja cresce e se renova quando seus membros se tratam como irm\u00e3os e irm\u00e3s, quando cada comunidade se torna casa de portas abertas, onde todos se sentem esperados, respeitados e amados. Assim, a comunidade crist\u00e3 se converte em sinal vivo do Reino de Deus e reflexo da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, onde cada pessoa tem lugar e dignidade.<\/li>\n<li>Viver a fraternidade \u00e9 parte essencial da miss\u00e3o. Uma comunidade que acolhe e serve fala de Deus mesmo antes de pronunciar qualquer palavra. Ela torna presente Cristo no meio do povo e testemunha o Evangelho por meio da partilha, do perd\u00e3o e da esperan\u00e7a. A fraternidade vivida \u00e9 o rosto vis\u00edvel de uma Igreja que \u00e9 fam\u00edlia, povo de Deus em caminho e servidora de todos.<\/li>\n<li>O II S\u00ednodo Arquidiocesano constatou que, nos v\u00e1rios \u00e2mbitos da vida da Arquidiocese, o ambiente comunit\u00e1rio em geral \u00e9 fraterno e as pessoas que participam dele se sentem em casa. No interior das equipes pastorais, as pessoas se sentem felizes em participar e contribuir nas v\u00e1rias atividades. As lideran\u00e7as pastorais s\u00e3o generosas e numericamente expressivas, atuam com dedica\u00e7\u00e3o e procuram atuar com fidelidade \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da Igreja. Mas o entrosamento entre as v\u00e1rias pastorais, movimentos e servi\u00e7os \u00e9 um aspecto fr\u00e1gil e que precisa ser melhorado.<\/li>\n<li>Percebe-se, em algum casos, concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o por parte de algumas coordena\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes h\u00e1 apego a cargos e perman\u00eancia muito longa de pessoas nas coordena\u00e7\u00f5es, o que gera dificuldade para novas pessoas assumirem. Tamb\u00e9m \u00e9 presente a percep\u00e7\u00e3o de dificuldade de pessoas se disporem a assumir compromissos pastorais e comunit\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"323\">\n<li>Considerar o acolhimento \u00e0s pessoas como ponto essencial (foi lembrado o lema do Santu\u00e1rio de Aparecida: \u201cAcolher bem \u00e9 evangelizar\u201d). Aprofundar o significado mission\u00e1rio do acolhimento, formar para isso, retomar a forma\u00e7\u00e3o para o Minist\u00e9rio do Acolhimento e ampliar sua atua\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Favorecer o surgimento de pequenas comunidades, especialmente c\u00edrculos b\u00edblicos, com boa forma\u00e7\u00e3o e acompanhamento de suas lideran\u00e7as. Consider\u00e1-las prioridade pastoral. Caracterizar as equipes pastorais como pequenas comunidades de viv\u00eancia crist\u00e3 e de miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Valorizar o Conselho Paroquial de Pastoral em todas as par\u00f3quias e cri\u00e1-lo onde ainda n\u00e3o existem, orientar a metodologia de seu funcionamento (regulamento) e efetivamente funcionar com regularidade prevista no calend\u00e1rio de cada Par\u00f3quia. Dar forma\u00e7\u00e3o para os membros do CPP.<\/li>\n<li>Cuidar ainda mais da forma\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as e colaboradores, em especial as(os) secret\u00e1rias(os), em todos os aspectos: b\u00edblico, lit\u00fargico, espiritual, doutrinal, metodol\u00f3gico e humano-afetivo (com metodologia para acolhimento, escuta e eventuais encaminhamentos).<\/li>\n<li>Na Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3 e na prepara\u00e7\u00e3o para os sacramentos haja clareza nos crit\u00e9rios e unidade em sua aplica\u00e7\u00e3o, e que seja realizada de modo mission\u00e1rio, envolvendo as fam\u00edlias, padrinhos e a pr\u00f3pria comunidade, sempre evidenciando o car\u00e1ter querigm\u00e1tico (encontro com Cristo).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.1.3 An\u00fancio: o querigma e o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"328\">\n<li>O centro de toda a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 o an\u00fancio de Jesus Cristo. O querigma \u2013 a proclama\u00e7\u00e3o do amor de Deus manifestado em Cristo morto e ressuscitado \u2013 \u00e9 o n\u00facleo essencial da evangeliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o primeiro an\u00fancio, simples e profundo, que deve ressoar continuamente no cora\u00e7\u00e3o da Igreja e de cada crist\u00e3o.<\/li>\n<li>Depois de encontrarem o Ressuscitado, os disc\u00edpulos \u201ccontaram o que lhes acontecera no caminho e como o haviam reconhecido ao partir o p\u00e3o\u201d (Lc 24,35). Assim tamb\u00e9m a Igreja, desde os primeiros tempos, proclama o que viu e ouviu, para que todos participem da mesma comunh\u00e3o (1Jo 1,3). Evangelizar \u00e9 partilhar o dom recebido e convidar outros a fazer a experi\u00eancia do encontro transformador com Cristo.<\/li>\n<li>O Papa Francisco recorda que \u201ca primeira motiva\u00e7\u00e3o para evangelizar \u00e9 o amor que recebemos de Jesus\u201d (EG 264). Quem foi tocado por esse amor sente o desejo de comunic\u00e1-lo; quem encontrou a vida em Cristo quer oferec\u00ea-la aos outros. Por isso, todo batizado \u00e9 chamado a ser evangelizador, n\u00e3o por dever, mas por gratid\u00e3o e alegria.<\/li>\n<li>A evangeliza\u00e7\u00e3o come\u00e7a nas situa\u00e7\u00f5es mais simples do cotidiano: na fam\u00edlia, no trabalho, nas conversas e nas rela\u00e7\u00f5es humanas. \u00c9 o que o Papa chama de \u201cprega\u00e7\u00e3o informal\u201d, aquela que nasce naturalmente quando o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio do Evangelho. \u201cSer disc\u00edpulo significa ter a disposi\u00e7\u00e3o permanente de levar aos outros o amor de Jesus\u201d (EG 127).<\/li>\n<li>O an\u00fancio querigm\u00e1tico \u00e9 tamb\u00e9m convite \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 vida nova. Ele renova a Igreja, d\u00e1 sentido \u00e0 pastoral e ilumina todas as suas a\u00e7\u00f5es. Onde o querigma \u00e9 proclamado com autenticidade e alegria, a f\u00e9 se fortalece, a esperan\u00e7a renasce e a caridade se torna concreta.<\/li>\n<li>Anunciar Cristo \u00e9 o primeiro e mais precioso servi\u00e7o que a Igreja presta ao mundo. \u00c9 proclamar a Boa-Nova que ilumina a escurid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o humano e transforma o disc\u00edpulo em portador de paz, alegria e salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Nas Assembleias do II S\u00ednodo Arquidiocesano foi acentuado que j\u00e1 existe significativo trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio: pastoral de rua, visitas domiciliares a fam\u00edlias assistidas nos projetos da caridade social, cemit\u00e9rios, hospitais, pres\u00eddios, em muitos lugares h\u00e1 atividades permanentes de sa\u00edda mission\u00e1ria. Encontros e retiros querigm\u00e1ticos s\u00e3o realizados em grande n\u00famero de par\u00f3quias, como Encontros Com Cristo para casais, jovens e adolescentes. H\u00e1 tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias de visita\u00e7\u00e3o realizadas por Conselhos Mission\u00e1rios, Par\u00f3quias e Novas Comunidades com experi\u00eancias variadas segundo os carismas das mesmas.<\/li>\n<li>S\u00e3o feitos convites \u00e0s pessoas para participa\u00e7\u00e3o em c\u00edrculos b\u00edblicos, grupos de ora\u00e7\u00e3o, retiros, encontros e cercos de Jeric\u00f3 etc. Essa atua\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria j\u00e1 existente \u00e9 fonte de esperan\u00e7a para as pessoas que escutam, aderem e se convertem. \u00c9 tamb\u00e9m fonte de esperan\u00e7a para a vida comunit\u00e1ria que com isso se renova e se fortalece. \u00c9 preciso apoiar e fortalecer as pastorais e os movimentos j\u00e1 existentes. A forma\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel em vista disso.<\/li>\n<li>Constata-se que as pessoas menos atingidas e \u00e0s quais \u00e9 mais dif\u00edcil chegarmos s\u00e3o: jovens, idosos, vi\u00favos, fam\u00edlias, casais em nova uni\u00e3o, deficientes f\u00edsicos, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, encarcerados, pessoas mais caracterizadas pela seculariza\u00e7\u00e3o e as m\u00eddias sociais.<\/li>\n<li>H\u00e1 dificuldades para atividades mission\u00e1rias de visita\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es com alto \u00edndice de viol\u00eancia e em \u00e1reas de condom\u00ednios. \u00c9 preciso, atrav\u00e9s do testemunho e da presen\u00e7a de disc\u00edpulos mission\u00e1rios ardorosos, estar presente de modo significativo nesses ambientes.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"338\">\n<li>Cada pastoral, movimento e servi\u00e7o refletir a respeito de como tornar mais expl\u00edcita sua sa\u00edda em miss\u00e3o: ida ao encontro das pessoas, acolhimento fraterno, an\u00fancio expl\u00edcito de Jesus Cristo e oferecimento de oportunidade para vivenciar na ora\u00e7\u00e3o a proximidade com Ele;<\/li>\n<li>Organizar nas par\u00f3quias equipes e estrat\u00e9gias mission\u00e1rias com o objetivo de atingir todas as pessoas e todos os locais (Conselho Mission\u00e1rio Paroquial \u2013 COMIPA);<\/li>\n<li>Promover forma\u00e7\u00e3o em vista de uma compreens\u00e3o mais profunda e mais abrangente da miss\u00e3o da Igreja, inclusive na Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3.<\/li>\n<li>Nas atividades da caridade social evidenciar sempre, de modo adequado, o aspecto espiritual e eclesial, com respeito pelas op\u00e7\u00f5es religiosas das pessoas quando diferentes das nossas (evangelizar sem imposi\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<li>Priorizar a evangeliza\u00e7\u00e3o da juventude e a forma\u00e7\u00e3o de grupos juvenis com variedade de m\u00e9todos e de carismas. Incentivar a participa\u00e7\u00e3o de jovens em pastorais e movimentos inseridos na pastoral de conjunto. Promover retiros e atividades para atrair novos membros e acompanhar bem os grupos que se formam. A Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Jovens poderia ser mais bem articulada junto com a Pastoral da Perseveran\u00e7a com o projeto de forma\u00e7\u00e3o de grupos de jovens.<\/li>\n<li>Incentivar os jovens a participar de Escolas de lideran\u00e7a para forma\u00e7\u00e3o de novos l\u00edderes, para no futuro darem seguimento na miss\u00e3o evangelizadora.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.1.4 Servi\u00e7o crist\u00e3o \u00e0 sociedade e testemunho p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<ol start=\"344\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja n\u00e3o se limita ao an\u00fancio da f\u00e9; ela se expressa tamb\u00e9m no servi\u00e7o concreto \u00e0 vida e no compromisso com a justi\u00e7a, a dignidade e a paz. Jesus se identifica com os pobres e sofredores: \u201cTodas as vezes que fizestes isso a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim que o fizestes\u201d (Mt 25,40). Segui-Lo significa cuidar das feridas da humanidade e trabalhar para que ningu\u00e9m seja exclu\u00eddo do amor, da verdade e do p\u00e3o.<\/li>\n<li>Desde as origens, a comunidade crist\u00e3 testemunhou a f\u00e9 por meio da solidariedade e da partilha. Os Atos dos Ap\u00f3stolos relatam que \u201centre eles ningu\u00e9m passava necessidade\u201d (At 4,34), e esse testemunho de comunh\u00e3o se tornou sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a do Reino. A f\u00e9 viva se traduz em obras de amor: \u201cA f\u00e9, se n\u00e3o se traduz em obras, est\u00e1 morta\u201d (Tg 2,17).<\/li>\n<li>O Papa Francisco lembra que \u201co cora\u00e7\u00e3o do Evangelho inclui a vida comunit\u00e1ria e o compromisso com os outros\u201d (EG 177). Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m transformar realidades, curar feridas, promover a justi\u00e7a e cuidar da cria\u00e7\u00e3o. A Igreja anuncia o Evangelho quando serve e se faz pr\u00f3xima dos pobres, tornando-se express\u00e3o da miseric\u00f3rdia divina que acolhe e levanta os ca\u00eddos.<\/li>\n<li>A exorta\u00e7\u00e3o <em>Dilexi Te<\/em> recorda que \u201co amor preferencial pelos pobres \u00e9 um caminho de fidelidade a Cristo\u201d e que \u201co cuidado com os pobres faz parte da grande Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, como um farol de luz que, a partir do Evangelho, iluminou os cora\u00e7\u00f5es e os passos dos crist\u00e3os de todos os tempos\u201d (DT 8, 103). O servi\u00e7o \u00e9, portanto, dimens\u00e3o constitutiva da miss\u00e3o: \u00e9 o modo como o amor de Deus se torna vis\u00edvel e transforma o mundo em fraternidade.<\/li>\n<li>Ser mission\u00e1rio \u00e9 viver a f\u00e9 de modo coerente e p\u00fablico, comprometendo-se com a constru\u00e7\u00e3o do bem comum. A Igreja evangeliza tamb\u00e9m quando defende a vida, promove a justi\u00e7a social, valoriza a verdade e semeia a paz. Como ensina o Magist\u00e9rio, \u201ca caridade social \u00e9 a alma da solidariedade e da justi\u00e7a\u201d; \u00e9 o amor crist\u00e3o que renova estruturas e converte cora\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o, assim entendida, une palavra e a\u00e7\u00e3o, an\u00fancio e servi\u00e7o, f\u00e9 e vida. O testemunho p\u00fablico da caridade \u00e9 uma forma silenciosa, por\u00e9m eloquente, de evangeliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 nele que o mundo reconhece o rosto do Cristo vivo, presente naqueles que amam e servem. Nesse \u00e2mbito as antigas e novas pr\u00e1ticas sociais em nossa arquidiocese se empenham nessa presen\u00e7a em todo o territ\u00f3rio.<\/li>\n<li>Como conclu\u00edram ambas as Assembleias Sinodais Arquidiocesanas ao tratarem do testemunho da f\u00e9 no espa\u00e7o p\u00fablico e servi\u00e7o crist\u00e3o \u00e0 sociedade, a caridade social \u00e9 insepar\u00e1vel da f\u00e9 e deve ser motivada pelo amor de Cristo. A motiva\u00e7\u00e3o para a caridade social deve sempre ser explicitada como fruto da f\u00e9 em Jesus Cristo e express\u00e3o da vida eclesial. \u00c9 de consenso que o testemunho p\u00fablico da f\u00e9 acontece por meio de atitudes concretas de caridade, acolhimento, solidariedade, campanhas e presen\u00e7a ativa nas m\u00eddias.<\/li>\n<li>O testemunho crist\u00e3o ganha for\u00e7a quando associa evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana, tornando-se sinal vis\u00edvel do amor de Deus. A ora\u00e7\u00e3o, a vida sacramental e a espiritualidade s\u00e3o a fonte que sustenta a pr\u00e1tica da caridade. Ela se expressa no cuidado aos pobres, enfermos, encarcerados, e pessoas em situa\u00e7\u00f5es diversas de vulnerabilidade e sofrimento.<\/li>\n<li>Com alegria, se constata que muito \u00e9 feito pela Igreja nesse \u00e2mbito de atendimento a pessoas com necessidades urgentes e, \u00e0s vezes permanentes, como: alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, cuidados m\u00e9dicos, visitas. Destaca-se o trabalho realizado em diversos pontos da cidade em favor dos irm\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m h\u00e1 muitas atividades de defesa dos direitos e de promo\u00e7\u00e3o humana: educa\u00e7\u00e3o; forma\u00e7\u00e3o; conscientiza\u00e7\u00e3o. Defesa de direitos de encarcerados, de popula\u00e7\u00f5es em \u00e1reas com IDH baixo, com precariedade de moradia e problemas ligados a isso. Destacam-se servi\u00e7os concretos oferecidos em diversas comunidades, como mutir\u00f5es de sa\u00fade, atendimento psicol\u00f3gico, educa\u00e7\u00e3o e arte, que expressam o cuidado integral do corpo e da f\u00e9.<\/li>\n<li>Constata-se a necessidade de explicitar sempre e de aprofundar a rela\u00e7\u00e3o entre essas atividades e sua motiva\u00e7\u00e3o profunda: o an\u00fancio de Jesus Cristo, o testemunho de seu amor preferencial pelos sofredores e a viv\u00eancia eclesial. Verifica-se a necessidade de promover ainda mais a forma\u00e7\u00e3o e o comprometimento de todos os membros da comunidade, especialmente dos agentes de pastoral, a respeito da dimens\u00e3o social do Evangelho. A forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e social do clero, religiosos e leigos, pode evitar que a caridade possa se tornar mera assist\u00eancia carecendo de esp\u00edrito evang\u00e9lico. Os agentes que atuam nas pastorais sociais precisam ser acompanhados permanentemente pela Igreja.<\/li>\n<li>O fortalecimento da unidade entre Par\u00f3quias, Vicariatos, pastorais e organismos arquidiocesanos fortalece e amplia o alcance e os resultados das a\u00e7\u00f5es sociais. Algumas par\u00f3quias carecem de recursos e necessitam de maior apoio e articula\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas Arquidiocesana. H\u00e1 a\u00e7\u00f5es sociais que ainda t\u00eam pouca divulga\u00e7\u00e3o e envolvem um n\u00famero reduzido de agentes, limitando seu impacto. A solidariedade precisa alcan\u00e7ar todas as gera\u00e7\u00f5es: crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos. A comunica\u00e7\u00e3o (digital e presencial) \u00e9 um recurso indispens\u00e1vel para tornar conhecidas as obras e testemunhos da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"356\">\n<li>Oferecer forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica sobre a Doutrina Social da Igreja, com ampla divulga\u00e7\u00e3o e motiva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Formar e acompanhar lideran\u00e7as, de acordo com seus carismas e habilidades, para fun\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e pol\u00edticas e oferecer acompanhamento dos que est\u00e3o nesses cargos e fun\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>Promover maior articula\u00e7\u00e3o dos membros das pastorais sociais e das pessoas que atuam em nome da Igreja em diversos conselhos e organismos, a servi\u00e7o da vida plena (cf. Jo 10,10).<\/li>\n<li>Oferecer forma\u00e7\u00e3o de qualidade e acompanhamento para pessoas que desempenham fun\u00e7\u00f5es em empresas e organismos p\u00fablicos com impacto na vida social.<\/li>\n<li>Promover ampla articula\u00e7\u00e3o entre as diversas a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-caritativas na Arquidiocese.<\/li>\n<li>Promo\u00e7\u00e3o do trabalho da caridade social da Igreja como servi\u00e7o comunit\u00e1rio de inclus\u00e3o de todos, assistidos e benfeitores, fortalecidos pela espiritualidade e vida de ora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Promover, incentivar e apoiar as associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is e outros organismos eclesiais que atuam nesses \u00e2mbitos em raz\u00e3o de seu carisma.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2 Os \u00e2mbitos, os sujeitos e os interlocutores da miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"363\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja tem sempre um rosto humano: o rosto de quem anuncia e o rosto de quem acolhe a Boa-Nova. Ela \u00e9, antes de tudo, encontro de pessoas e comunh\u00e3o de vidas. O Evangelho \u00e9 transmitido por disc\u00edpulos que testemunham e \u00e9 recebido por cora\u00e7\u00f5es abertos \u00e0 gra\u00e7a. Por isso, cada crist\u00e3o \u00e9 simultaneamente destinat\u00e1rio e protagonista da miss\u00e3o, chamado a evangelizar e a deixar-se evangelizar.<\/li>\n<li>O Papa Francisco recorda que existem \u201ctr\u00eas \u00e2mbitos da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d: os que vivem a f\u00e9 de modo constante, os batizados afastados e os que ainda n\u00e3o conhecem Cristo (EG 14). Essa vis\u00e3o ajuda a compreender a amplitude da miss\u00e3o e orienta o agir pastoral da Igreja.<\/li>\n<li>Iluminada por essa perspectiva, a Igreja no Rio de Janeiro expressa sua a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria por meio de tr\u00eas atitudes que formam um \u00fanico movimento espiritual: cuidar, acolher e buscar. Essas atitudes, discernidas ao longo do processo sinodal arquidiocesano, constituem o dinamismo da miss\u00e3o local: uma Igreja que ama o seu povo, que se faz pr\u00f3xima em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida e que procura tornar cada cora\u00e7\u00e3o um espa\u00e7o de encontro com Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2.1 Cuidar: a ternura da presen\u00e7a e o acompanhamento<\/strong><\/p>\n<ol start=\"366\">\n<li>\u201cLevai os fardos uns dos outros; assim cumprireis a lei de Cristo\u201d (Gl 6,2). Cuidar \u00e9 o primeiro gesto da miss\u00e3o e a express\u00e3o mais concreta da caridade. Significa estar presente, escutar e servir. O exemplo de Jesus, o Bom Pastor que conhece cada uma de suas ovelhas e as chama pelo nome (Jo 10,14), inspira o modo crist\u00e3o de cuidar: uma presen\u00e7a pr\u00f3xima, compassiva e pessoal.<\/li>\n<li>Cuidar \u00e9 acompanhar as pessoas em seus caminhos, nas alegrias e nas dores da vida. \u00c9 estar ao lado dos doentes, dos idosos, dos enlutados, dos jovens em crise, das fam\u00edlias feridas, dos pobres e dos esquecidos. Trata-se de um cuidado que se traduz em gestos simples \u2014 uma visita, uma escuta atenta, uma ora\u00e7\u00e3o partilhada \u2014, mas que revela o rosto misericordioso de Deus.<\/li>\n<li>O Documento de Aparecida ensina que \u201co cuidado pastoral sup\u00f5e proximidade e aten\u00e7\u00e3o concreta \u00e0s pessoas, sobretudo \u00e0s mais fr\u00e1geis\u201d (DAp 351). Por isso, cuidar n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de compaix\u00e3o moment\u00e2nea, mas um processo cont\u00ednuo de acompanhamento, forma\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria. \u00c9 educar para a f\u00e9, fortalecer v\u00ednculos e sustentar a esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Comunidades que cuidam tornam-se sinais do amor de Deus no meio das cidades agitadas e das realidades marcadas pela solid\u00e3o. S\u00e3o lugares onde o ser humano \u00e9 valorizado e encontra abrigo para o cora\u00e7\u00e3o. Por isso, a Igreja que cuida reflete o amor do Pai: firme no an\u00fancio, mas terna na presen\u00e7a; fiel \u00e0 verdade, mas cheia de miseric\u00f3rdia e paci\u00eancia.<\/li>\n<li>O cuidado \u00e9, assim, o primeiro passo da miss\u00e3o e o caminho para que a Palavra se torne carne na vida do povo. A ternura pastoral \u00e9 a linguagem do Evangelho em sua forma mais humana e transformadora.<\/li>\n<li>Durante nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano verificou-se, por consenso, que a vida comunit\u00e1ria em nossa Arquidiocese \u00e9 marcada pelo empenho dos agentes de pastorais, movimentos e servi\u00e7os em cuidar da vida e da f\u00e9, com esp\u00edrito solid\u00e1rio e mission\u00e1rio. O alimento espiritual dos participantes se d\u00e1, fundamentalmente, pela escuta e viv\u00eancia da Palavra de Deus, pela centralidade Eucar\u00edstica e pela participa\u00e7\u00e3o na comunidade eclesial, tamb\u00e9m se realiza atrav\u00e9s de encontros, retiros, catequeses e devo\u00e7\u00f5es populares. A forma\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 vista como essencial para amadurecer na f\u00e9 e fortalecer a consci\u00eancia mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Constatou tamb\u00e9m a necessidade de maior n\u00famero de volunt\u00e1rios e agentes pastorais, disc\u00edpulos mission\u00e1rios, preparados para atender \u00e0s demandas evangelizadoras e sociais. Verificam-se tamb\u00e9m algumas fragilidades na integra\u00e7\u00e3o entre pastorais, movimentos e servi\u00e7os, especialmente a dificuldade de renova\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as.<\/li>\n<li>Muitos membros de nossas comunidades ainda n\u00e3o se percebem correspons\u00e1veis pela miss\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, limitando-se \u00e0 viv\u00eancia sacramental. A viol\u00eancia urbana, o secularismo e o esgotamento de agentes pastorais (inclusive do clero) dificultam a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. E alguns servi\u00e7os e sacramentos ainda s\u00e3o percebidos como excessivamente burocr\u00e1ticos, percep\u00e7\u00e3o esta que dificulta a evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Observou-se que h\u00e1 empenho em realizar um acolhimento integral: cuidado f\u00edsico, emocional e espiritual, escuta e acompanhamento das fam\u00edlias, crian\u00e7as, adolescentes, jovens, adultos e idosos com suas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de vida. Cresce a consci\u00eancia da necessidade de ser uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d, superando o comodismo e o fechamento em si mesma. Destaca-se, tamb\u00e9m nesse aspecto, a import\u00e2ncia de pequenos grupos (c\u00edrculos b\u00edblicos, comunidades de ora\u00e7\u00e3o, grupos de jovens) para criar v\u00ednculos e fortalecer a f\u00e9. A comunica\u00e7\u00e3o (Pascom, redes sociais, informativos) \u00e9 percebida como estrat\u00e9gica para evangelizar e integrar novos membros.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"375\">\n<li>Ampliar a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica, lit\u00fargica, doutrinal e mission\u00e1ria de agentes pastorais, lideran\u00e7as e comunidades, com metodologias acess\u00edveis e atrativas.<\/li>\n<li>Criar e fortalecer Conselhos Paroquiais (Conselhos de Assuntos Econ\u00f4micos, CPP, COMIPA), assegurando participa\u00e7\u00e3o efetiva e corresponsabilidade.<\/li>\n<li>Organizar iniciativas conjuntas (retiros, festivais, encontros de fam\u00edlias, miss\u00f5es populares) que fortale\u00e7am os v\u00ednculos de perten\u00e7a e a consci\u00eancia mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Valorizar e integrar os idosos e pessoas com defici\u00eancia na vida comunit\u00e1ria e mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Promover maior articula\u00e7\u00e3o entre Par\u00f3quias, Vicariatos e Arquidiocese para troca de experi\u00eancias e apoio m\u00fatuo, com aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s realidades de maior vulnerabilidade social.<\/li>\n<li>Incentivar a comunica\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria (Pascom, m\u00eddias sociais, materiais digitais e impressos), para evangelizar al\u00e9m dos muros paroquiais.<\/li>\n<li>Oferecer acompanhamento espiritual e humano tamb\u00e9m aos agentes e ministros, prevenindo o esgotamento pastoral.<\/li>\n<li>Investir em projetos espec\u00edficos para juventude e idosos, favorecendo sua forma\u00e7\u00e3o, protagonismo e integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/li>\n<li>Per\u00edodo maior para a forma\u00e7\u00e3o dos sacramentos tanto para os formadores quanto para os formandos.<\/li>\n<li>Disponibilidade do Clero nas par\u00f3quias para o sacramento da Penit\u00eancia e Un\u00e7\u00e3o dos enfermos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2.2 Acolher: o rosto materno da Igreja<\/strong><\/p>\n<ol start=\"385\">\n<li>\u201cAcolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu\u201d (Rm 15,7). A miss\u00e3o da Igreja muitas vezes come\u00e7a com um gesto simples de acolhida. Em um mundo marcado pela pressa, pela indiferen\u00e7a e pela exclus\u00e3o, acolher se torna uma forma concreta e poderosa de evangelizar. \u00c9 por meio de um olhar atento, de um sorriso ou de um abra\u00e7o fraterno que muitos reencontram a f\u00e9 e a esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Acolher \u00e9 abrir espa\u00e7o para o outro, \u00e9 dizer-lhe: \u201cVoc\u00ea tem lugar entre n\u00f3s\u201d. Essa atitude traduz o modo como Cristo acolhe cada pessoa, sem distin\u00e7\u00f5es nem ju\u00edzos pr\u00e9vios. O Papa Francisco ensina que \u201ca Igreja cresce por atra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por imposi\u00e7\u00e3o\u201d (EG 14). Essa atra\u00e7\u00e3o nasce de uma comunidade que recebe com bondade, escuta antes de falar e se comporta como m\u00e3e que compreende, acompanha e consola.<\/li>\n<li>A acolhida \u00e9 tamb\u00e9m um caminho pastoral. Exige preparar ambientes, formar pessoas e cultivar uma verdadeira cultura da hospitalidade. O modo como a par\u00f3quia atende, celebra e escuta \u00e9, por si s\u00f3, um an\u00fancio do Evangelho. O servi\u00e7o nas secretarias, na liturgia, na catequese e nas a\u00e7\u00f5es sociais torna-se evangelizador quando revela a ternura de Deus que se aproxima de seus filhos.<\/li>\n<li>O Documento de Aparecida recorda: \u201cA acolhida calorosa, cordial e paciente \u00e9 um gesto evangelizador que expressa a ternura de Cristo\u201d (DAp 226). Assim, cada comunidade \u00e9 convidada a perguntar-se: somos realmente uma Igreja de portas abertas, onde os que chegam encontram irm\u00e3os, escuta e caminho?<\/li>\n<li>A pastoral da acolhida \u00e9 o primeiro passo de uma Igreja que deseja ser lar para todos. Quando acolhe, a comunidade faz presente o amor de Deus e transforma o encontro humano em experi\u00eancia de gra\u00e7a. \u00c9 bem mais do que a presen\u00e7a na porta da igreja, mas sim um esp\u00edrito presente em todas as a\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>As pessoas que procuram as comunidades s\u00e3o diversas e o fazem em ocasi\u00f5es como: batizados, luto, crise de f\u00e9, enfermidade e outras em que a vulnerabilidade e o sofrimento s\u00e3o sentidos de modo mais forte. Essas pessoas s\u00e3o, pais e m\u00e3es, idosos, jovens, migrantes, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, turistas e fi\u00e9is ocasionais em busca de sacramentos.<\/li>\n<li>O acolhimento deve ser feito com amor, respeito, empatia e escuta atenta, sem julgamentos, mostrando a face misericordiosa de Cristo. O testemunho comunit\u00e1rio, aliado \u00e0 escuta e ao acompanhamento, \u00e9 essencial para que a acolhida n\u00e3o se limite a um gesto superficial.<\/li>\n<li>Para essas pessoas, a experi\u00eancia do encontro com Cristo pode se realizar na Eucaristia, na Reconcilia\u00e7\u00e3o, na ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, nos pequenos grupos de conviv\u00eancia como: pastorais sociais, pastoral da crian\u00e7a, pastoral de favelas, c\u00edrculos b\u00edblicos, grupos de ora\u00e7\u00e3o, pastoral do menor. O acolhimento se estende tamb\u00e9m a migrantes, turistas, moradores de rua e pessoas em situa\u00e7\u00f5es de dor e vulnerabilidade. A igreja acolhe a todos como M\u00e3e. O cuidado de suas vulnerabilidades e o atendimento cordial a suas necessidades imediatas \u00e9 uma forma especial de manifestar-lhes o amor de Deus e o acolhimento materno da Igreja.<\/li>\n<li>Nas comunidades e par\u00f3quias \u00e9 preciso haver forma\u00e7\u00e3o permanente para o acolhimento. Ele n\u00e3o pode se restringir \u00e0 secretaria paroquial ou ao momento da missa (distribui\u00e7\u00e3o de folhetos), sem continuidade ou integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Em muitos lugares h\u00e1 experi\u00eancias j\u00e1 consolidadas de inciativas eficazes de acolhimento. Tamb\u00e9m nas Novas Comunidades, especialmente quando bem integradas na comunidade local e nas iniciativas da Arquidiocese, nota-se um belo e eficiente empenho de acolhimento \u00e0s pessoas que chegam. Uma comunidade que acolhe transforma-se em fam\u00edlia, espa\u00e7o de comunh\u00e3o e miss\u00e3o. Pequenos gestos de proximidade (sauda\u00e7\u00e3o, escuta, acompanhamento) despertam perten\u00e7a e podem gerar integra\u00e7\u00e3o duradoura. O testemunho de unidade dos cl\u00e9rigos e leigos engajados inspira e motiva a comunidade a acolher melhor.<\/li>\n<li>Constata-se, por\u00e9m, que, em alguns lugares, h\u00e1 resist\u00eancias ao acolhimento do novo ou do diferente, com fragilidades na forma\u00e7\u00e3o e preparo dos agentes. A pandemia e outros fatores sociais enfraqueceram v\u00ednculos, exigindo maior esfor\u00e7o para reintegra\u00e7\u00e3o. A viol\u00eancia dificulta a participa\u00e7\u00e3o em certos ambientes e hor\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"395\">\n<li>Investir na forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas dos agentes, mas de toda comunidade paroquial, do Minist\u00e9rio do Acolhimento e Pastoral da Escuta, preparando-os com espiritualidade, sensibilidade e m\u00e9todos pr\u00e1ticos.<\/li>\n<li>Criar roteiros e manuais arquidiocesanos de boas pr\u00e1ticas de acolhida, que possam ser utilizados nas atividades pastorais adapt\u00e1veis, de forma a dinamizar a orientar propostas, e dar mais liberdade ao Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<li>Promover encontros arquidiocesanos e vicariais de equipes de acolhida para partilha de experi\u00eancias e integra\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Ampliar a acolhida al\u00e9m dos muros da Igreja: visitas mission\u00e1rias em condom\u00ednios, escolas, ambientes de trabalho e espa\u00e7os p\u00fablicos, atentos \u00e0s novas realidades que possam se apresentar.<\/li>\n<li>Integrar os acolhidos em pastorais, movimentos e c\u00edrculos b\u00edblicos antigos ou novos, favorecendo v\u00ednculos de perten\u00e7a e crescimento na f\u00e9. Se oportuno, conduzindo \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3.<\/li>\n<li>Incentivar momentos de conviv\u00eancia e espiritualidade (retiros, encontros de fam\u00edlias, atividades culturais, missas em espa\u00e7os abertos), favorecendo a proximidade com os que chegam, estando abertos a novas realidades.<\/li>\n<li>Utilizar redes sociais e meios digitais como extens\u00e3o do acolhimento, com linguagem pr\u00f3xima, clara, convidativa, conte\u00fados atrativos, promovendo as atividades pastorais.<\/li>\n<li>Valorizar datas e celebra\u00e7\u00f5es especiais (batizados, missas de 7\u00ba dia, b\u00ean\u00e7\u00e3os, festas patronais) como oportunidades privilegiadas de acolher e integrar.<\/li>\n<li>Estimular a presen\u00e7a pastoral cont\u00ednua de sacerdotes e di\u00e1conos no cotidiano da comunidade, como testemunho de proximidade e cuidado, com aten\u00e7\u00e3o especial de hor\u00e1rios espec\u00edficos para o atendimento presencial pelo sacerdote.<\/li>\n<li>Refor\u00e7ar a Pastoral da escuta e preparar homilias mission\u00e1rias e querigm\u00e1ticas em momentos de grande presen\u00e7a de fi\u00e9is ocasionais (ex. Missas de 7\u00ba dia, batizados).<\/li>\n<li>Promover a acolhida em outros momentos al\u00e9m do culto com a colabora\u00e7\u00e3o de agentes capacitados para o servi\u00e7o do acolhimento. O templo apesar de aberto, muitas vezes est\u00e1 vazio, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma presen\u00e7a eclesial nestes momentos para acolher. Esta presen\u00e7a pode ser concretizada para al\u00e9m dos sacerdotes atrav\u00e9s dos membros de pastorais, movimentos e outras pessoas capacitadas.<\/li>\n<li>Multiplicar os espa\u00e7os de acolhida.<\/li>\n<li>Criar uma equipe de Coordena\u00e7\u00e3o Arquidiocesana e Vicariais para o Minist\u00e9rio do Acolhimento que invista na forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos agentes, preparando-os com espiritualidade, sensibilidade e m\u00e9todos pr\u00e1ticos.<\/li>\n<li>Investir na forma\u00e7\u00e3o de todos os agentes de pastorais e movimentos para o servi\u00e7o de acolhimento.<\/li>\n<li>A coordena\u00e7\u00e3o arquidiocesana do acolhimento dever\u00e1 criar roteiros e manuais arquidiocesanos e promover os respectivos encontros.<\/li>\n<li>Cuidar da infraestrutura com aten\u00e7\u00e3o especial para qualidade de som, ventila\u00e7\u00e3o e acessibilidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2.3 Buscar: a sa\u00edda mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"411\">\n<li>\u201cIde, pois, e fazei disc\u00edpulos todos os povos\u201d (Mt 28,19). O verbo \u201cbuscar\u201d expressa a ess\u00eancia da miss\u00e3o crist\u00e3. A Igreja n\u00e3o espera ser procurada: ela vai ao encontro. N\u00e3o se contenta em permanecer nas fronteiras conhecidas, mas se lan\u00e7a, movida pelo Esp\u00edrito, em dire\u00e7\u00e3o aos que est\u00e3o afastados, feridos ou sem f\u00e9.<\/li>\n<li>Ser uma Igreja que busca \u00e9 viver o dinamismo do Evangelho. \u00c9 sair das seguran\u00e7as e ir ao encontro dos que ainda n\u00e3o conhecem Cristo, dos que perderam o sentido da f\u00e9, dos que vivem \u00e0 margem da comunidade. Buscar \u00e9 tamb\u00e9m dialogar com o mundo contempor\u00e2neo \u2014 com suas culturas, linguagens, redes e periferias \u2014 e tornar-se presen\u00e7a de esperan\u00e7a nos novos are\u00f3pagos da sociedade.<\/li>\n<li>O Documento de Aparecida nos interpela com for\u00e7a: \u201cN\u00e3o podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos; \u00e9 necess\u00e1rio passar de uma pastoral de conserva\u00e7\u00e3o para uma pastoral decididamente mission\u00e1ria\u201d (DAp 548). Essa sa\u00edda n\u00e3o se realiza por estrat\u00e9gia ou ativismo, mas no estilo de Jesus: com humildade, proximidade e escuta. A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 conquista, \u00e9 dom; n\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 amor que se faz caminho.<\/li>\n<li>A Igreja do Rio de Janeiro \u00e9 chamada a viver essa dimens\u00e3o mission\u00e1ria em todos os n\u00edveis: nos vicariatos, nas par\u00f3quias, nas comunidades e nas novas formas de presen\u00e7a eclesial. Sair pelas ruas, visitar lares, escolas, universidades, pres\u00eddios e redes digitais \u00e9 levar o Evangelho aonde o povo est\u00e1.<\/li>\n<li>Buscar \u00e9 express\u00e3o da caridade em movimento, \u00e9 o amor que n\u00e3o se acomoda e deseja que todos encontrem a alegria do Evangelho. Uma Igreja que busca \u00e9 uma Igreja viva, movida pelo Esp\u00edrito, que reflete no mundo o cora\u00e7\u00e3o inquieto de Cristo, o mission\u00e1rio do Pai.<\/li>\n<li>Nosso S\u00ednodo Arquidiocesano expressou o consenso de que muitos permanecem fora do alcance da a\u00e7\u00e3o evangelizadora: afastados, indiferentes, batizados n\u00e3o praticantes, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, jovens, moradores de rua, enfermos, encarcerados e fam\u00edlias fragilizadas. \u00c9 preciso que a Igreja esteja presente e seja notada como pr\u00f3xima \u00e0 vida das pessoas, de suas necessidades e interesses.<\/li>\n<li>Para sair a anunciar e testemunhar o amor de Deus, \u00e9 fundamental o primeiro an\u00fancio, que deve ser feito com simplicidade, testemunho de vida, proximidade fraterna e linguagem acess\u00edvel, sem imposi\u00e7\u00f5es. As redes sociais e meios digitais podem apoiar, mas o encontro pessoal e comunit\u00e1rio \u00e9 insubstitu\u00edvel. O an\u00fancio de pessoa a pessoa, a presen\u00e7a comunit\u00e1ria da Igreja em prociss\u00f5es, miss\u00f5es e atividades p\u00fablicas d\u00e1 sinal de vitalidade e pode despertar o interesse das pessoas por conhecer ou participar da vida comunit\u00e1ria. A vida fraterna em comunidade precisa ser experimentada como espa\u00e7o de acolhimento, amizade e solidariedade, com testemunho alegre e coerente.<\/li>\n<li>Constata-se, em alguns ambientes, a persist\u00eancia de obst\u00e1culos e dificuldades: a viol\u00eancia urbana, a indiferen\u00e7a religiosa, os preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, alguma centraliza\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e falta de criatividade mission\u00e1ria. H\u00e1 dificuldade em atingir espa\u00e7os espec\u00edficos: condom\u00ednios fechados, escolas, universidades, ambientes de trabalho, periferias geogr\u00e1ficas e existenciais. Alguns projetos de evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretizam ou ficam no papel. Quando falta o testemunho e o acolhimento sincero, as pessoas se afastam da vida comunit\u00e1ria.<\/li>\n<li>Observa-se que a evangeliza\u00e7\u00e3o se fortalece quando unida \u00e0 caridade concreta e que eventos comunit\u00e1rios (festas, jantares, almo\u00e7os, atividades culturais e esportivas) favorecem o primeiro contato e aproximam os afastados. A acolhida simples e calorosa (sauda\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o pessoal, escuta) \u00e9 um testemunho que abre portas para a f\u00e9.<\/li>\n<li>A comunica\u00e7\u00e3o clara e atraente, tanto presencial quanto digital, amplia a visibilidade do testemunho crist\u00e3o e favorece a aproxima\u00e7\u00e3o de novos membros. A miss\u00e3o exige criatividade para alcan\u00e7ar condom\u00ednios, escolas, praias, espa\u00e7os p\u00fablicos, favelas, comunidades al\u00e9m da articula\u00e7\u00e3o com servi\u00e7os sociais e participa\u00e7\u00e3o em conselhos comunit\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"421\">\n<li>Promover miss\u00f5es populares e mutir\u00f5es mission\u00e1rios paroquiais e vicariais, alcan\u00e7ando periferias urbanas, \u00e1reas de risco, escolas e universidades.<\/li>\n<li>Investir em forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria pr\u00e1tica para agentes pastorais, priorizando acolhimento, criatividade e presen\u00e7a nos \u201cdesertos espirituais\u201d da cidade.<\/li>\n<li>Valorizar o Minist\u00e9rio da visita\u00e7\u00e3o (lares, hospitais, asilos, favelas e pres\u00eddios), garantindo presen\u00e7a cont\u00ednua e organizada.<\/li>\n<li>Fortalecer iniciativas de caridade que integrem an\u00fancio e testemunho: feiras de sa\u00fade, cursos de capacita\u00e7\u00e3o, apoio a fam\u00edlias vulner\u00e1veis.<\/li>\n<li>Utilizar redes sociais e m\u00eddias digitais como instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o, mas sempre conectadas a experi\u00eancias presenciais de comunidade.<\/li>\n<li>Oferecer forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao clero e aos leigos para homilias e celebra\u00e7\u00f5es mais acolhedoras e que favore\u00e7am a participa\u00e7\u00e3o ativa e frutuosa de todos.<\/li>\n<li>Ampliar a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es conjuntas entre Arquidiocese, Vicariatos, Foranias e Par\u00f3quias, novas comunidades, realidades eclesiais e movimentos de vida apost\u00f3lica para dar maior visibilidade \u00e0s iniciativas mission\u00e1rias e compartilhar boas pr\u00e1ticas.<\/li>\n<li>Refor\u00e7ar a presen\u00e7a pastoral em cemit\u00e9rios, hospitais e espa\u00e7os de vulnerabilidade social.<\/li>\n<li>Incentivar e promover eventos culturais, musicais e art\u00edsticos como estrat\u00e9gias mission\u00e1rias, sobretudo junto aos jovens e pessoas distantes da f\u00e9.<\/li>\n<li>Pastoral urbana: isto \u00e9, planejamento mission\u00e1rio integrado, para que possa planejar \u2013 executar \u2013 avaliar e melhorar.<\/li>\n<li>Focar nos objetivos: evitando excessos e simultaneidade de iniciativas que dificultam a avalia\u00e7\u00e3o dos frutos e acompanhamento pastoral.<\/li>\n<li>Promover a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria baseada em forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica, que gere consci\u00eancia nos agentes pastorais.<\/li>\n<li>Pensar a possibilidade de atualiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es evangelizadoras j\u00e1 existentes, como por exemplo: c\u00edrculos b\u00edblicos, pastoral das favelas, miss\u00f5es populares, entre outras.<\/li>\n<li>O envio mission\u00e1rio de Cristo comporta ao mesmo tempo a consci\u00eancia de que o mission\u00e1rio \u00e9 instrumento insuficiente devido \u00e0s precariedades pr\u00f3prias do car\u00e1ter humano e dos ambientes, bem como a abertura \u00e0s pot\u00eancias de que \u00e9 capaz de agir mesmo diante das mais diversas limita\u00e7\u00f5es experimentando assim a alegria de anunciarmos o evangelho que ultrapassa todos os esquemas humanos<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7.2.4 Testemunhar e servir: a miss\u00e3o na vida p\u00fablica e na caridade<\/strong><\/p>\n<ol start=\"435\">\n<li>\u201cAssim brilhe a vossa luz diante dos homens\u201d (Mt 5,16). Evangelizar \u00e9 tamb\u00e9m testemunhar com a pr\u00f3pria vida. A f\u00e9 se torna cred\u00edvel quando se manifesta em atitudes concretas de amor, justi\u00e7a e esperan\u00e7a. O disc\u00edpulo mission\u00e1rio anuncia n\u00e3o apenas com palavras, mas com gestos que revelam o Evangelho vivido.<\/li>\n<li>O Papa Francisco adverte: \u201cNingu\u00e9m pode exigir que releguemos a religi\u00e3o \u00e0 intimidade secreta das pessoas, sem influ\u00eancia na vida social\u201d (EG 183). O Evangelho tem for\u00e7a transformadora e deve iluminar todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana. Por isso, a miss\u00e3o inclui o compromisso de estar presente na vida p\u00fablica, contribuindo para o bem comum, a defesa da dignidade humana e o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>O testemunho mission\u00e1rio se concretiza na solidariedade que se torna servi\u00e7o. \u201cSe algu\u00e9m possui bens deste mundo e v\u00ea o irm\u00e3o em necessidade, mas fecha o cora\u00e7\u00e3o, como pode o amor de Deus permanecer nele?\u201d (1Jo 3,17). A caridade \u00e9 o rosto vis\u00edvel da f\u00e9; ela humaniza as rela\u00e7\u00f5es, cura feridas e renova a esperan\u00e7a. Servir \u00e9 evangelizar com as m\u00e3os e com o cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 transformar o amor em a\u00e7\u00e3o que consola e liberta.<\/li>\n<li>Evangelizar tamb\u00e9m significa comprometer-se com a justi\u00e7a social e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais fraterna. A Igreja \u00e9 chamada a estar onde a vida clama, a escutar o sofrimento dos pobres, a defender os direitos dos indefesos e a promover a paz. A caridade social, como ensina o Magist\u00e9rio, \u00e9 a alma da solidariedade e da justi\u00e7a; \u00e9 o amor crist\u00e3o que transforma as estruturas e d\u00e1 novo sentido \u00e0 conviv\u00eancia humana.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o crist\u00e3, assim compreendida, une palavra e a\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o e compromisso, f\u00e9 e vida. Onde h\u00e1 um crist\u00e3o coerente, ali o Evangelho se torna vis\u00edvel; onde h\u00e1 uma comunidade solid\u00e1ria, ali o Reino de Deus se manifesta. O testemunho da caridade \u00e9 o an\u00fancio silencioso e eficaz que faz resplandecer no mundo o rosto de Cristo, o Servo e Senhor.<\/li>\n<li>O testemunho p\u00fablico da f\u00e9 acontece por meio de atitudes concretas de caridade, acolhimento, solidariedade, campanhas e presen\u00e7a ativa nas m\u00eddias. A caridade social \u00e9 insepar\u00e1vel da f\u00e9 e deve ser motivada pelo amor de Cristo, expressa no cuidado aos pobres, enfermos, idosos, fam\u00edlias, pessoas com defici\u00eancia e em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. A ora\u00e7\u00e3o, a vida sacramental e a espiritualidade s\u00e3o a fonte que sustenta a pr\u00e1tica da caridade. A unidade entre par\u00f3quias, vicariatos e arquidiocese fortalece e amplia o alcance das a\u00e7\u00f5es sociais. Al\u00e9m disso, destacam-se servi\u00e7os concretos oferecidos em diversas comunidades, como mutir\u00f5es de sa\u00fade, atendimento psicol\u00f3gico, educa\u00e7\u00e3o e arte, que expressam o cuidado integral do corpo e da f\u00e9.<\/li>\n<li>Verifica-se que h\u00e1 necessidade de forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e social para clero, religiosos e leigos, a fim de evitar que a caridade se torne mera assist\u00eancia sem esp\u00edrito evang\u00e9lico. Muitas a\u00e7\u00f5es sociais ainda t\u00eam pouca divulga\u00e7\u00e3o e envolvem n\u00famero reduzido de agentes, limitando seu impacto. Persistem desigualdades: algumas par\u00f3quias carecem de recursos, apoio institucional e articula\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas Arquidiocesana. Em certos contextos, os sacramentos e servi\u00e7os podem ser percebidos como burocr\u00e1ticos, sem suficiente dimens\u00e3o acolhedora.<\/li>\n<li>A motiva\u00e7\u00e3o para a caridade social deve sempre ser explicitada como fruto da f\u00e9 em Jesus Cristo e express\u00e3o da vida eclesial. A solidariedade precisa alcan\u00e7ar todas as gera\u00e7\u00f5es: crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos. O testemunho crist\u00e3o ganha for\u00e7a quando associa evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana, tornando-se sinal vis\u00edvel do amor de Deus. A comunica\u00e7\u00e3o (digital e presencial) \u00e9 um recurso indispens\u00e1vel para tornar conhecidas as obras e testemunhos da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00f5es sinodais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"443\">\n<li>Promover forma\u00e7\u00e3o permanente sobre Doutrina Social da Igreja para clero, religiosos e leigos, integrando f\u00e9 e a\u00e7\u00e3o social.<\/li>\n<li>Ampliar a divulga\u00e7\u00e3o das iniciativas de caridade, valorizando testemunhos e comunicando os frutos das a\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Criar ou fortalecer pastorais sociais (ex.: Pastoral da Crian\u00e7a, Carcer\u00e1ria etc.) e capacitar agentes para atua\u00e7\u00e3o organizada e eficiente.<\/li>\n<li>Estimular a participa\u00e7\u00e3o das pessoas atendidas nas a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-caritativas da Igreja nas atividades lit\u00fargicas e comunit\u00e1rias, favorecendo sua integra\u00e7\u00e3o e perten\u00e7a.<\/li>\n<li>Continuar a promover campanhas peri\u00f3dicas de arrecada\u00e7\u00e3o (alimentos, agasalhos, recursos) associadas a momentos de espiritualidade e ora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Desenvolver parcerias com profissionais volunt\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es para ampliar os servi\u00e7os oferecidos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de renda).<\/li>\n<li>Ampliar a valoriza\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de momentos eclesiais como o Dia Mundial dos Pobres para gestos concretos arquidiocesanos, vicariais e paroquiais.<\/li>\n<li>Incentivar eventos comunit\u00e1rios (feiras sociais, rodas de conversa, atividades culturais, gincanas) que unam evangeliza\u00e7\u00e3o, conviv\u00eancia e solidariedade.<\/li>\n<li>Refor\u00e7ar a atua\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Arquidiocesana junto \u00e0s par\u00f3quias, oferecendo recursos, forma\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s \u00e1reas mais carentes.<\/li>\n<li>Criar banco de dados referente a pessoas assistidas em projetos sociais, garantindo maior transpar\u00eancia e efic\u00e1cia, uma integra\u00e7\u00e3o maior entre as pastorais sociais da arquidiocese.<\/li>\n<li>Expandir o trabalho pastoral para pessoas com defici\u00eancia e em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>T\u00d3PICO ABERTO \u2013 reflex\u00e3o feita sem o subs\u00eddio do Instrumento de Trabalho<\/strong><\/p>\n<ol start=\"454\">\n<li>Como express\u00e3o do amplo consenso que se formou em torno do desafio da renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria ao longo do percurso do II S\u00ednodo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, na 2\u00aa Assembleia Geral, que encerrou a fase de participa\u00e7\u00e3o em vista da elabora\u00e7\u00e3o do documento final do S\u00ednodo, um grupo trabalhou sem subs\u00eddio de Instrumento de Trabalho. Com metodologia totalmente aberta, o grupo apresentou suas proposi\u00e7\u00f5es. Elas est\u00e3o integradas ao longo desta Carta Pastoral. Aqui est\u00e3o na forma em que foram apresentadas e votadas, como testemunho do consenso e como a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo, grande agente de nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"455\">\n<li>Di\u00e1logo a respeito do que pode ser promovido nos v\u00e1rios \u00e2mbitos e organismos eclesiais (Comunidade, Par\u00f3quia, Forania, Vicariato, Arquidiocese; Servi\u00e7os, Pastorais, Movimentos) para prosseguir de modo mais decidido a anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de nossa Igreja Arquidiocesana.<\/li>\n<li>Introdu\u00e7\u00e3o dos COMIPAs em todas as par\u00f3quias que unir\u00e1 um incentivo dos vig\u00e1rios episcopais e dos p\u00e1rocos.<\/li>\n<li>Atingir atrav\u00e9s de atividades mission\u00e1rias as fam\u00edlias em situa\u00e7\u00f5es mistas do ponto de vista da perten\u00e7a religiosa. Aprofundar a reflex\u00e3o a respeito de meios para evangelizar essas fam\u00edlias.<\/li>\n<li>Aten\u00e7\u00e3o especial aos jovens, um olhar para os jovens solteiros, intensificar o trabalho com os jovens nas par\u00f3quias e forma\u00e7\u00e3o para a vida pastoral.<\/li>\n<li>Durante o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Crisma, \u00e9 fundamental o incentivo do jovem ao trabalho pastoral.<\/li>\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de equipes de anima\u00e7\u00e3o missionaria nas Par\u00f3quias.<\/li>\n<li>Conhecimento e forma\u00e7\u00e3o permanente de a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>A\u00e7\u00e3o missionaria junto aos jovens \u2013 acolhimento.<\/li>\n<li>Escuta ativa dos jovens \u2013 etapas e realidades.<\/li>\n<li>Ter uma a\u00e7\u00e3o constante missionaria.<\/li>\n<li>Realizar o processo catecumenal, catequ\u00e9tico, an\u00fancio e querigma.<\/li>\n<li>Na forma\u00e7\u00e3o permanente uma maior consci\u00eancia da miss\u00e3o batismal.<\/li>\n<li>O acolhimento na igreja e um questionamento de como colocar em pr\u00e1tica a minha f\u00e9 e testemunho.<\/li>\n<li>Criar um subs\u00eddio pastoral-mission\u00e1rio.<\/li>\n<li>O que fazer para que nossa igreja seja uma escola de ora\u00e7\u00e3o \u2013 viv\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> As grandes op\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.1 A miss\u00e3o permanente e a Igreja em sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<ol start=\"470\">\n<li>Vivemos um tempo em que muitos se perguntam se ainda \u00e9 pertinente falar em miss\u00e3o. Em um mundo plural, n\u00e3o bastaria restringir-se ao di\u00e1logo respeitoso com tradi\u00e7\u00f5es religiosas e culturais diversas? Temos em nossa arquidiocese um belo di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso. O di\u00e1logo \u00e9 indispens\u00e1vel e fecundo, mas n\u00e3o substitui o an\u00fancio. Se renunci\u00e1ssemos a proclamar a novidade do Evangelho, relativizar\u00edamos a verdade que nos sustenta. Tal atitude poderia parecer um caminho pac\u00edfico para evitar tens\u00f5es, mas acabaria por esvaziar o centro de nossa f\u00e9. S\u00e3o Paulo VI foi expl\u00edcito: \u201cos homens poder\u00e3o salvar-se por outras vias, gra\u00e7as \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus, se n\u00f3s n\u00e3o lhes anunciarmos o Evangelho; mas n\u00f3s, poder-nos-emos salvar se, por neglig\u00eancia, por medo ou por vergonha [\u2026] nos omitirmos de o anunciar? Isso seria trair o apelo de Deus que [\u2026] quer fazer germinar a semente\u201d (EN 80).<\/li>\n<li>A miss\u00e3o n\u00e3o destr\u00f3i culturas nem apaga identidades; ao contr\u00e1rio, ilumina e purifica cada ambiente humano, inserindo-o num horizonte maior em que a f\u00e9 amadurece e se enriquece. Al\u00e9m disso, fecunda a sociedade com valores que a tornam mais humana. Cresce, por\u00e9m, o n\u00famero de pessoas que se declaram sem religi\u00e3o, sem interesse pela f\u00e9 crist\u00e3 ou distantes da Igreja, vivendo como se Deus fosse irrelevante. Esse fen\u00f4meno n\u00e3o nos paralisa; desperta urg\u00eancia mission\u00e1ria. Nesse contexto, o an\u00fancio querigm\u00e1tico torna-se ainda mais necess\u00e1rio, pois reacende a esperan\u00e7a e manifesta a beleza de uma vida iluminada pelo amor de Deus.<\/li>\n<li>A f\u00e9 crist\u00e3, quando vivida, gera bens para todos: fraternidade, respeito \u00e0 dignidade, compromisso com a justi\u00e7a, cuidado com os pobres e com a cria\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o \u00e9 a partilha desses bens; \u00e9 contribui\u00e7\u00e3o que a Igreja oferece para o bem comum, para que muitos experimentem a luz e a for\u00e7a transformadora do Evangelho. Em meio \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 indiferen\u00e7a e ao relativismo, o Evangelho revela-se fonte de paz verdadeira: o amor de Deus reconcilia, constr\u00f3i pontes e abre caminhos de fraternidade. Por isso, a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acess\u00f3rio, mas parte da identidade da Igreja. A alegria do Evangelho impele a sair: ser \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d significa aproximar-se, sobretudo dos pobres e das periferias geogr\u00e1ficas e existenciais, dos desorientados e, de modo especial, dos jovens. Somos uma Igreja enviada a proclamar, com coragem e alegria, que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor da vida e da esperan\u00e7a, presente em todos os ambientes para partilhar a alegria que nele encontramos.<\/li>\n<li>O II S\u00ednodo Arquidiocesano reconhece a miss\u00e3o como cora\u00e7\u00e3o da identidade crist\u00e3: a Igreja existe para evangelizar. Este \u00e9 o ponto de partida e o horizonte do processo sinodal. Ser disc\u00edpulo \u00e9 ser mission\u00e1rio, e a comunidade vive plenamente quando, movida pelo Esp\u00edrito, se p\u00f5e a caminho para levar a Boa-Nova a todos.<\/li>\n<li>\u201cA sa\u00edda mission\u00e1ria \u00e9 o paradigma de toda a obra da Igreja\u201d (EG 15). Logo, cada estrutura, pastoral e iniciativa deve ser avaliada por sua capacidade de favorecer o encontro com Cristo, gerar comunh\u00e3o e testemunho. A Igreja em sa\u00edda torna-se pr\u00f3xima, vai ao encontro, arrisca-se e compromete-se com a vida do povo. O S\u00ednodo afirma que a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 setor da pastoral, mas princ\u00edpio que anima toda a vida eclesial. Par\u00f3quias, vicariatos, comunidades e movimentos devem renovar-se a partir dessa consci\u00eancia. \u201cA Igreja em sa\u00edda \u00e9 a comunidade de disc\u00edpulos mission\u00e1rios que tomam a iniciativa, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e que festejam\u201d (EG 24).<\/li>\n<li>A Arquidiocese \u00e9 chamada a viver em estado permanente de miss\u00e3o, com iniciativas constantes de evangeliza\u00e7\u00e3o, visita\u00e7\u00e3o, escuta e presen\u00e7a nos diversos ambientes da cidade: ruas, lares e condom\u00ednios, favelas, escolas, hospitais e universidades. Onde est\u00e1 o povo, ali deve estar a Igreja com a Palavra, o testemunho e o cuidado. A miss\u00e3o sup\u00f5e proximidade, escuta e vida partilhada: antes de falar, o mission\u00e1rio se faz presen\u00e7a; antes de ensinar, aprende; antes de anunciar, acolhe com miseric\u00f3rdia. A miss\u00e3o permanente \u00e9 um estilo, n\u00e3o apenas um evento.<\/li>\n<li>N\u00e3o pertence somente a padres, di\u00e1conos, consagrados ou agentes mais engajados: todo batizado \u00e9 mission\u00e1rio, chamado a testemunhar no cotidiano. Essa consci\u00eancia pede forma\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, para que cada fiel se saiba impulsionado pelo Esp\u00edrito a evangelizar na fam\u00edlia, no trabalho, nos ambientes digitais e nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Reafirmando esse compromisso, a Arquidiocese deseja fortalecer seus Conselhos Mission\u00e1rios, as a\u00e7\u00f5es de visita\u00e7\u00e3o e a intercess\u00e3o pelas miss\u00f5es. Cada comunidade \u00e9 convidada a manter acesa a chama mission\u00e1ria com gestos de proximidade e solidariedade, tornando-se sinal de esperan\u00e7a nas realidades mais dif\u00edceis da cidade. Uma Igreja em sa\u00edda deixa-se conduzir pelo Esp\u00edrito, caminha com o povo e faz de cada batizado um portador da luz de Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.2 A espiritualidade do disc\u00edpulo mission\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<ol start=\"477\">\n<li>No centro da miss\u00e3o est\u00e1 o encontro pessoal com Jesus Cristo. N\u00e3o h\u00e1 aut\u00eantica evangeliza\u00e7\u00e3o sem experi\u00eancia viva daquele que \u00e9 o primeiro Evangelizador. O S\u00ednodo reafirma: a miss\u00e3o nasce de um cora\u00e7\u00e3o tocado por Cristo, alimentado pela Palavra, pela Eucaristia e pela docilidade ao Esp\u00edrito. Evangelizar \u00e9 comunicar uma experi\u00eancia de amor: \u201cNo cora\u00e7\u00e3o do Evangelho brilha a beleza do amor salv\u00edfico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado\u201d (EG 36).<\/li>\n<li>A espiritualidade do disc\u00edpulo mission\u00e1rio \u00e9 modo de viver na Igreja em comunh\u00e3o com o Senhor e em servi\u00e7o aos irm\u00e3os. O encontro com Cristo acende uma f\u00e9 que transforma pensamento, sentimentos e a\u00e7\u00f5es. \u201cEncontrar-se com Cristo \u00e9 deixar-se encontrar por Ele\u201d (DAp 243). Esse encontro acontece na escuta da Palavra, na ora\u00e7\u00e3o, na liturgia, na piedade popular, na fraternidade e no servi\u00e7o aos pobres. Quem se encontra com o Senhor n\u00e3o ret\u00e9m para si a alegria do Evangelho; sente-se impelido a testemunhar, anunciar e servir: \u201cAi de mim se eu n\u00e3o evangelizar!\u201d (1Cor 9,16).<\/li>\n<li>No ritmo intenso da cidade, muitos buscam sentido, consolo e verdade. Urge oferecer espa\u00e7os de encontro e acolhimento: celebra\u00e7\u00f5es bem preparadas, grupos de ora\u00e7\u00e3o, c\u00edrculos b\u00edblicos, retiros, adora\u00e7\u00e3o, itiner\u00e1rios de acompanhamento espiritual e express\u00f5es p\u00fablicas da f\u00e9. A par\u00f3quia deve ser casa de ora\u00e7\u00e3o e escola de f\u00e9, onde o encontro com Cristo seja o cora\u00e7\u00e3o da pastoral.<\/li>\n<li>A piedade popular, marca da f\u00e9 carioca, \u00e9 for\u00e7a evangelizadora: novenas, romarias, festas e peregrina\u00e7\u00f5es expressam a presen\u00e7a de Deus no cotidiano e conduzem ao encontro com Cristo. Como diz Aparecida, trata-se de \u201cum modo leg\u00edtimo de viver a f\u00e9\u201d e \u201cfor\u00e7a evangelizadora\u201d (n. 258). A espiritualidade mission\u00e1ria sustenta e renova a a\u00e7\u00e3o pastoral; um cora\u00e7\u00e3o orante d\u00e1 sentido e perseveran\u00e7a. Por isso, o S\u00ednodo convida a cultivar uma espiritualidade que una ora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o e compromisso: somente quem experimenta o amor de Deus pode anunci\u00e1-lo com autenticidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.3 Comunh\u00e3o, acolhimento e vida comunit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"481\">\n<li>A Igreja \u00e9 mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, nascida do amor trinit\u00e1rio. A unidade, fonte no Pai, revelada no Filho e sustentada pelo Esp\u00edrito, \u00e9 o primeiro testemunho mission\u00e1rio: o mundo cr\u00ea quando v\u00ea os crist\u00e3os amarem-se. Comunh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera organiza\u00e7\u00e3o; \u00e9 dom a acolher e caminho a construir. Manifesta-se na fraternidade, na partilha e no servi\u00e7o m\u00fatuo. Cada batizado \u00e9 membro do Corpo de Cristo e contribui com seus dons para o bem comum. Quando vivida na caridade, a vida eclesial anuncia o Evangelho antes das palavras.<\/li>\n<li>O nosso S\u00ednodo reconhece feridas de falta de acolhimento e unidade. Prop\u00f5e, por isso, convers\u00e3o mission\u00e1ria que torne a Igreja mais pr\u00f3xima e aberta. \u201cA Igreja deve ser a casa paterna onde h\u00e1 lugar para todos, com a sua vida dif\u00edcil\u201d (EG 47). Acolher \u00e9 o primeiro gesto evangelizador: nele a pessoa se reconhece filho amado de Deus. Em uma metr\u00f3pole plural como o Rio, somos chamados a comunidades fraternas, onde todos se sintam pertencentes e correspons\u00e1veis. A comunh\u00e3o constr\u00f3i-se com escuta, perd\u00e3o e partilha; as diferen\u00e7as enriquecem quando vividas na unidade da f\u00e9.<\/li>\n<li>O II S\u00ednodo incentiva par\u00f3quias como casas e escolas de comunh\u00e3o, com aten\u00e7\u00e3o especial a quem mais sofre isolamento: idosos, enfermos, migrantes, fam\u00edlias em crise, jovens desanimados, pessoas com defici\u00eancia ou em situa\u00e7\u00e3o de rua. Pequenas comunidades e c\u00edrculos b\u00edblicos t\u00eam papel decisivo: espa\u00e7os simples de ora\u00e7\u00e3o, partilha e miss\u00e3o, c\u00e9lulas vivas de evangeliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o entre pastorais, movimentos e servi\u00e7os \u00e9 essencial: a pastoral de conjunto exprime a unidade arquidiocesana e evita dispers\u00f5es. Onde h\u00e1 comunh\u00e3o, o Evangelho floresce; onde h\u00e1 divis\u00e3o, a miss\u00e3o se enfraquece. Sejamos Igreja que cura feridas com o \u00f3leo da miseric\u00f3rdia e reflete o Deus que \u00e9 comunh\u00e3o e amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.4 Sinodalidade e corresponsabilidade mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"484\">\n<li>A sinodalidade \u00e9 o caminho da Igreja hoje: caminhar juntos, discernindo no Esp\u00edrito o que o Senhor pede. \u00c9 viver comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o de modo org\u00e2nico, reconhecendo todos os batizados como protagonistas da evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas m\u00e9todo de governo, mas estilo de ser Igreja, nascido do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio e expresso na escuta rec\u00edproca. \u201cUma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja da escuta\u201d (Francisco, 2021).<\/li>\n<li>Da sinodalidade brota a corresponsabilidade: leigos, consagrados e ministros ordenados cooperam na miss\u00e3o segundo os dons recebidos. \u201cA comunh\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o caracterizam o estilo de vida e de a\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d (DAp 163). O S\u00ednodo prop\u00f5e refor\u00e7ar conselhos pastorais e mission\u00e1rios paroquiais e vicariais como espa\u00e7os permanentes de escuta, discernimento e decis\u00f5es partilhadas, valorizando a voz dos leigos, especialmente das periferias e das pastorais sociais. A autoridade \u00e9 servi\u00e7o de comunh\u00e3o; o clericalismo e o personalismo cedem lugar \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>A diversidade de carismas deve ser harmonizada pelo Esp\u00edrito para o servi\u00e7o comum. Processos est\u00e1veis de escuta e discernimento nas par\u00f3quias e vicariatos tornam a sinodalidade pr\u00e1tica cotidiana. Ser uma Igreja sinodal \u00e9 ser Igreja em sa\u00edda: quem caminha unido torna-se testemunha cred\u00edvel da unidade e do amor de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.5 Forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e minist\u00e9rios dos leigos<\/strong><\/p>\n<ol start=\"487\">\n<li>Formar disc\u00edpulos maduros e conscientes de sua voca\u00e7\u00e3o evangelizadora \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o novo impulso mission\u00e1rio. A forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples curso, mas caminho de discipulado que integra f\u00e9, ora\u00e7\u00e3o, vida comunit\u00e1ria e miss\u00e3o. O S\u00ednodo convoca par\u00f3quias, vicariatos, movimentos e organismos a promover itiner\u00e1rios integrados, articulando espiritualidade, doutrina, B\u00edblia, liturgia e a\u00e7\u00e3o social, com momentos de ora\u00e7\u00e3o, partilha e pr\u00e1tica pastoral.<\/li>\n<li>Aten\u00e7\u00e3o especial deve ser dada aos que exercem minist\u00e9rios e servi\u00e7os eclesiais. Recomenda-se forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e cont\u00ednua para leitores, ac\u00f3litos, ministros extraordin\u00e1rios, catequistas, animadores de comunidades e respons\u00e1veis pela anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, centrada na Palavra e no amor \u00e0 Igreja. Formar ministros \u00e9 formar testemunhas: servidores humildes e anunciadores alegres.<\/li>\n<li>A forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o para a corresponsabilidade: os leigos n\u00e3o s\u00e3o meros auxiliares, mas protagonistas nos ambientes onde vivem e trabalham. \u201cOs leigos s\u00e3o a imensa maioria do Povo de Deus, e seu servi\u00e7o \u00e9 insubstitu\u00edvel\u201d (EG 102). O S\u00ednodo prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma escola arquidiocesana de forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, em parceria com vicariatos e universidades cat\u00f3licas, integrando estudo, vida espiritual e engajamento social. Investir em novas lideran\u00e7as e renovar equipes \u00e9 necessidade vital: uma Igreja sem forma\u00e7\u00e3o perde o rumo. A melhor escola, por\u00e9m, \u00e9 a pr\u00f3pria vida comunit\u00e1ria: na Palavra, na caridade e na ora\u00e7\u00e3o compartilhada, o disc\u00edpulo se faz mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.6 Presen\u00e7a junto aos pobres e compromisso social<\/strong><\/p>\n<ol start=\"490\">\n<li>A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres \u00e9 constitutiva da miss\u00e3o, nascida do cora\u00e7\u00e3o de Deus e do exemplo de Cristo \u201cque, sendo rico, se fez pobre\u201d (2Cor 8,9). A exorta\u00e7\u00e3o Dilexit Te recorda que a evangeliza\u00e7\u00e3o tem rosto de pobre: \u201cN\u00e3o podemos anunciar a Boa-Nova sem anunciar a liberta\u00e7\u00e3o integral de toda opress\u00e3o\u201d (DT 47). A miss\u00e3o envolve solidariedade concreta e promo\u00e7\u00e3o humana: o amor que evangeliza \u00e9 o mesmo que se compadece, defende e transforma.<\/li>\n<li>Os pobres s\u00e3o destinat\u00e1rios e, ao mesmo tempo, protagonistas e mestres da f\u00e9. Suas lutas e esperan\u00e7as, muitas vezes expressas na piedade popular, revelam sabedoria evang\u00e9lica. \u201cOs pobres evangelizam-nos\u201d (DT 52). A presen\u00e7a mission\u00e1ria nas periferias territoriais e existenciais \u00e9 urgente: a cidade exibe contrastes dolorosos, e a Igreja deve ser sinal de esperan\u00e7a e casa aberta. Tantas comunidades, consagrados e leigos perseveram nesses lugares, testemunhando fidelidade ao Senhor.<\/li>\n<li><em>Dilexit Te<\/em> insiste em traduzir o amor preferencial em estruturas e iniciativas concretas: \u201cA miss\u00e3o evangelizadora, quando inspirada pelo Evangelho, transforma-se em servi\u00e7o que liberta e compromisso que constr\u00f3i\u201d (DT 58). A Arquidiocese \u00e9 chamada a fortalecer pastorais sociais e redes de solidariedade, articulando par\u00f3quias, vicariatos, movimentos e obras religiosas para responder \u00e0s novas pobrezas \u2014 materiais, morais, espirituais e ambientais. Evangelizar os pobres implica compartilhar dores e esperan\u00e7as, estar pr\u00f3ximo e escutar. \u201cO pior que pode acontecer \u00e0 Igreja \u00e9 perder a sua proximidade com o povo\u201d (DT 63). A presen\u00e7a junto aos pobres \u00e9 crit\u00e9rio de autenticidade mission\u00e1ria: uma evangeliza\u00e7\u00e3o sem compromisso com a dignidade humana torna-se incompleta. \u201cA Igreja evangeliza verdadeiramente quando se faz companheira dos pobres, serva dos \u00faltimos e voz dos que n\u00e3o t\u00eam voz\u201d (DT 69).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.7 Evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens e cultura vocacional<\/strong><\/p>\n<ol start=\"493\">\n<li>A juventude \u00e9 dom para a Igreja e para o mundo. Os jovens trazem novidade, busca de sentido, alegria e desejo de transformar a realidade. Evangeliz\u00e1-los \u00e9 prioridade e oportunidade de renova\u00e7\u00e3o. Puebla j\u00e1 lembrava que \u201cos jovens n\u00e3o s\u00e3o apenas o futuro, mas o presente din\u00e2mico\u201d (DP 1183). A pastoral juvenil precisa ser mission\u00e1ria, criativa e presente nos espa\u00e7os dos jovens: escolas, universidades, ambientes digitais e ruas.<\/li>\n<li>Muitos participam ativamente da vida eclesial \u2014 crisma, coroinhas, cerimoni\u00e1rios, encontros, retiros, movimentos \u2014, mas grande parte permanece distante. \u00c9 necess\u00e1rio ir ao encontro nos contextos concretos, inclusive nas redes e nas periferias urbanas e laborais. A miss\u00e3o entre os jovens nasce do di\u00e1logo e da escuta: \u201cescutar com o cora\u00e7\u00e3o\u201d (ChV 292), reconhecendo hist\u00f3rias singulares e imenso potencial de amor e servi\u00e7o. A proximidade e a amizade evangelizadora conduzem ao encontro pessoal com Cristo.<\/li>\n<li>Toda pastoral juvenil \u00e9 vocacional: ajuda o jovem a descobrir que sua vida \u00e9 dom e miss\u00e3o. \u201cA voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um chamado de amor que nos move ao servi\u00e7o\u201d (ChV 253). O S\u00ednodo prop\u00f5e fortalecer uma cultura vocacional integrada, para que cada jovem se saiba chamado \u00e0 santidade, ao servi\u00e7o e \u00e0 miss\u00e3o. \u00c9 preciso criar espa\u00e7os de protagonismo juvenil: participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es, anima\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e miss\u00e3o nas periferias. Tamb\u00e9m urge formar animadores capazes de dialogar com a cultura contempor\u00e2nea e acompanhar com ternura e firmeza. Evangelizar a juventude \u00e9 evangelizar a esperan\u00e7a: a Igreja no Rio deseja ser m\u00e3e e amiga dos jovens, presen\u00e7a acolhedora e mission\u00e1ria. Jovens sendo evangelizadores de outros jovens nessa nossa grande cidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.8 Sinodalidade e corresponsabilidade mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol start=\"496\">\n<li>A Igreja \u00e9 comunh\u00e3o e miss\u00e3o. Sua vitalidade nasce do encontro com Cristo e se expressa na participa\u00e7\u00e3o correspons\u00e1vel de todos. \u201cO caminho da sinodalidade \u00e9 o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro mil\u00eanio\u201d (Francisco, <em>Discurso na comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00ba anivers\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 17 de outubro de 2015). O S\u00ednodo reafirma: a sinodalidade \u00e9 dimens\u00e3o constitutiva da miss\u00e3o, n\u00e3o mero m\u00e9todo. \u201cA diversidade deve ser sempre harmonizada pelo Esp\u00edrito; Ele \u00e9 a harmonia\u201d (EG 117). Quando a Igreja caminha unida, carismas e minist\u00e9rios manifestam o \u00fanico Corpo de Cristo e a miss\u00e3o ganha fecundidade.<\/li>\n<li>A corresponsabilidade brota do Batismo e da Confirma\u00e7\u00e3o e se alimenta da Eucaristia. \u201cTodos t\u00eam o direito e o dever de participar na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u201d (<em>Episcopalis Communio<\/em>, 5). A Arquidiocese \u00e9 convidada a uma cultura de participa\u00e7\u00e3o, na qual decis\u00f5es nas\u00e7am de discernimento comunit\u00e1rio e escuta rec\u00edproca. Isso se concretiza nos conselhos, assembleias e organismos de comunh\u00e3o entre movimentos e novas comunidades. Superar clericalismo, personalismo e divis\u00f5es internas \u00e9 convers\u00e3o necess\u00e1ria. Reuni\u00f5es tornam-se encontros de f\u00e9; estruturas, espa\u00e7os de servi\u00e7o; diverg\u00eancias, ocasi\u00f5es de discernimento. Uma Igreja sinodal e correspons\u00e1vel \u00e9 mais mission\u00e1ria. O estilo de reuni\u00f5es inaugurado no S\u00ednodo dos Bispos pelo Papa Francisco pode tornar nossas decis\u00f5es abertas \u00e0 escuta do Esp\u00edrito Santo e n\u00e3o apenas uma simples vota\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>8.9 Espiritualidade mission\u00e1ria e piedade popular<\/strong><\/p>\n<ol start=\"498\">\n<li>A miss\u00e3o brota da ora\u00e7\u00e3o. O Esp\u00edrito Santo faz da ora\u00e7\u00e3o a alma da evangeliza\u00e7\u00e3o; o mission\u00e1rio evangeliza de joelhos, sustentado pela Palavra e pela intimidade com Deus. \u201cSem momentos prolongados de adora\u00e7\u00e3o [\u2026] as tarefas esvaziam-se de sentido\u201d (EG 262). Essa espiritualidade impregna toda a vida eclesial, gerando alegria, gratid\u00e3o e coragem.<\/li>\n<li>No Rio, a f\u00e9 se expressa vigorosamente na piedade popular: novenas, prociss\u00f5es, promessas e festas dos padroeiros s\u00e3o momentos de intensa evangeliza\u00e7\u00e3o. Entre as manifesta\u00e7\u00f5es mais significativas est\u00e1 a festa de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, padroeiro da cidade e da Arquidiocese, com a sua Trezena e prociss\u00e3o, outras prociss\u00f5es e peregrina\u00e7\u00f5es que educam o povo para a coragem e a fidelidade. As muitas devo\u00e7\u00f5es marianas \u2013 o Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Penha e a peregrina\u00e7\u00e3o anual ao Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora Aparecida, realizada desde 1900\u2013 revelam a comunh\u00e3o do povo do Rio sob o olhar da M\u00e3e. A devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jorge, marcada pela alegria popular, bem como a tantas outras, mostra a riqueza espiritual da cidade. Longe de competir com a liturgia, tais express\u00f5es, bem acompanhadas, tornam-se caminhos de encontro com Deus e de caridade. Isso notamos pelo n\u00famero de Santu\u00e1rios que existem e que crescem a cada \u00e9poca. Que sejam locais de evangeliza\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/li>\n<li>A espiritualidade mission\u00e1ria, alimentada por essas express\u00f5es, leva a viver a f\u00e9 com proximidade e ternura. Cabe \u00e0s comunidades cuidar desses espa\u00e7os, integrando-os \u00e0 pastoral e valorizando seu potencial evangelizador: festas e romarias devem unir celebra\u00e7\u00e3o, Palavra e compromisso solid\u00e1rio. O S\u00ednodo prop\u00f5e investir na forma\u00e7\u00e3o espiritual de agentes e mission\u00e1rios para que sua a\u00e7\u00e3o seja prolongamento da ora\u00e7\u00e3o. A piedade popular \u00e9 tesouro e fonte de renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: o Esp\u00edrito continua a agir no cora\u00e7\u00e3o do povo, e a f\u00e9 vivida com simplicidade \u00e9 linguagem eloquente da evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.10 Uso evangelizador dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e das redes sociais<\/strong><\/p>\n<ol start=\"501\">\n<li>A miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo passa, de modo inevit\u00e1vel, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. As novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o transformaram profundamente as formas de relacionamento humano e criaram um novo espa\u00e7o de conviv\u00eancia: o ambiente digital. Nele, milh\u00f5es de pessoas \u2013 especialmente os jovens \u2013 buscam sentido, partilham experi\u00eancias e constroem identidades. A Igreja, fiel ao mandato de Cristo, \u00e9 chamada a estar presente tamb\u00e9m ali, com criatividade, sabedoria e esp\u00edrito mission\u00e1rio.<\/li>\n<li>O Papa Francisco recorda que \u201cas redes sociais podem favorecer as rela\u00e7\u00f5es e a promo\u00e7\u00e3o do bem comum, se forem usadas com responsabilidade\u201d (Mensagem para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 2019: <em>\u201cSomos membros uns dos outros\u201d [Ef 4,25]. Das comunidades de redes sociais \u00e0 comunidade humana<\/em>). Evangelizar nesse ambiente significa habitar as redes com a atitude de quem testemunha, dialoga e semeia o Evangelho com respeito e ternura. O ambiente digital n\u00e3o \u00e9 apenas um meio, mas um novo continente mission\u00e1rio, onde a f\u00e9 \u00e9 chamada a encarnar-se e a dialogar com os desafios da cultura contempor\u00e2nea.<\/li>\n<li>O Papa S\u00e3o Paulo VI, j\u00e1 na <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, afirmava que \u201ca Igreja se sentiria culpada diante do seu Senhor se n\u00e3o utilizasse estes poderosos meios para anunciar o Evangelho\u201d (EN 45). Desde ent\u00e3o, o Magist\u00e9rio reconhece claramente o papel decisivo dos comunicadores e dos profissionais da m\u00eddia na miss\u00e3o evangelizadora. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II refor\u00e7ou essa ideia ao afirmar que \u201cos primeiros are\u00f3pagos do tempo moderno s\u00e3o o mundo da comunica\u00e7\u00e3o\u201d (RM 37). \u00c9 grande riqueza para a Arquidiocese a miss\u00e3o desempenhada pela R\u00e1dio Catedral, pelo jornal <em>Testemunho de F\u00e9<\/em>, pela WebTv Redentor e pelos perfis na internet e nas redes sociais. Tamb\u00e9m o folheto lit\u00fargico <em>A Missa<\/em> \u00e9 importante express\u00e3o da comunh\u00e3o, integrando na ora\u00e7\u00e3o todas as nossas comunidades. Agrade\u00e7o a todos que tornam poss\u00edvel tudo isso com sua unidade e partilha.<\/li>\n<li>A presen\u00e7a crist\u00e3 no mundo digital deve ser luz e fermento, orientada por crit\u00e9rios evang\u00e9licos de verdade, caridade e respeito. O Papa Francisco adverte que \u201ca comunica\u00e7\u00e3o aut\u00eantica n\u00e3o \u00e9 apenas transmitir informa\u00e7\u00f5es, mas criar v\u00ednculos\u201d (Mensagem para o 57\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 2023: <em>\u201cFalar com o cora\u00e7\u00e3o. A verdade na caridade\u201d [Ef 4,15]<\/em>). A evangeliza\u00e7\u00e3o nas redes, portanto, deve promover comunh\u00e3o e esperan\u00e7a, evitando toda forma de agressividade, manipula\u00e7\u00e3o ou fake news.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o digital n\u00e3o substitui o encontro pessoal, mas o prepara e o prolonga. Ela \u00e9 um modo de aproximar cora\u00e7\u00f5es e de testemunhar o Evangelho em um mundo interconectado. \u201cTamb\u00e9m na rede somos chamados a ser pr\u00f3ximos, a partilhar, a escutar e a acompanhar\u201d (ChV 87). Os meios de comunica\u00e7\u00e3o tornam-se, assim, instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o quando colocados a servi\u00e7o da verdade, da solidariedade e da constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/li>\n<li>O S\u00ednodo reconhece a import\u00e2ncia de formar comunicadores mission\u00e1rios, que unam compet\u00eancia t\u00e9cnica, sensibilidade pastoral e maturidade espiritual. \u00c9 necess\u00e1rio preparar agentes capazes de utilizar as m\u00eddias sociais, r\u00e1dios, sites e canais digitais com linguagem acess\u00edvel e inspiradora, transmitindo a f\u00e9 de modo criativo e fiel ao Evangelho.<\/li>\n<li>A Arquidiocese do Rio de Janeiro \u00e9 chamada a fortalecer e integrar cada vez mais suas iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 par\u00f3quias, vicariatos, pastorais, comunidades e movimentos \u2013 para que expressem, em unidade, o rosto mission\u00e1rio da Igreja. A miss\u00e3o digital deve refletir a comunh\u00e3o e a alegria do Evangelho, com mensagens que irradiem f\u00e9, esperan\u00e7a e amor.<\/li>\n<li>O Papa Le\u00e3o XIV recorda que a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 anunciar ao mundo a paz do Cristo Ressuscitado, levando esperan\u00e7a aos cora\u00e7\u00f5es e aos lugares feridos pela guerra e pela indiferen\u00e7a. Ele exorta os disc\u00edpulos mission\u00e1rios a estarem presentes tamb\u00e9m nos ambientes digitais, tornando-os espa\u00e7os de encontro humano e testemunho do Evangelho. Diante da cultura tecnol\u00f3gica e do avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial, convida a promover um humanismo crist\u00e3o, onde a tecnologia esteja a servi\u00e7o da pessoa e da fraternidade. Pede ainda que se \u201cconsertem as redes\u201d, transformando os meios digitais em la\u00e7os de amor, solidariedade e verdade, capazes de curar feridas e aproximar os cora\u00e7\u00f5es. Enfim, chama todos a enfrentar o desafio da comunica\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, vencendo o individualismo, as divis\u00f5es e as <em>fake news<\/em> com a for\u00e7a unificadora e luminosa do Evangelho. Jesus \u201cpede-nos hoje, que construamos outras redes: redes de rela\u00e7\u00f5es, redes de amor, redes de interc\u00e2mbio gratuito, nas quais a amizade seja aut\u00eantica e seja profunda. [&#8230;] Assim, cada hist\u00f3ria de bem compartilhada ser\u00e1 o n\u00f3 de uma \u00fanica e imensa rede: a rede das redes, a rede de Deus\u201d (<em>Sauda\u00e7\u00e3o aos influenciadores cat\u00f3licos e mission\u00e1rios digitais<\/em>, 29 de julho de 2025). A miss\u00e3o comunicacional da Igreja \u00e9, portanto, mais que uma tarefa: \u00e9 express\u00e3o da caridade mission\u00e1ria, que busca alcan\u00e7ar cada pessoa, tamb\u00e9m nas fronteiras da tecnologia e das novas linguagens.<\/li>\n<li><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/li>\n<li>Concluo estes compromissos com a ora\u00e7\u00e3o do Papa Le\u00e3o XIV na conclus\u00e3o de sua carta pastoral \u201cna unidade da f\u00e9\u201d, que nos confirma no tema de nosso ano jubilar arquidiocesano que ir\u00e1 at\u00e9 novembro de 2026, <strong>\u201cNo Cristo, somos um para que todos sejam um\u201d<\/strong> que \u00e9 iluminado pelo lema, \u201cAlegres na esperan\u00e7a, fortes na tribula\u00e7\u00e3o, perseverantes na ora\u00e7\u00e3o e <strong>enviados em miss\u00e3o<\/strong>\u201d:<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Santo Esp\u00edrito de Deus, V\u00f3s guiais os fi\u00e9is no caminho da hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00f3s vos agradecemos por terdes inspirado os S\u00edmbolos da f\u00e9 e por suscitardes no cora\u00e7\u00e3o a alegria de professar a nossa salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo, Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Sem Ele, nada podemos.<\/em><\/p>\n<p><em>V\u00f3s, Esp\u00edrito eterno de Deus, de \u00e9poca em \u00e9poca rejuvenesceis a f\u00e9 da Igreja. Ajudai-nos a aprofund\u00e1-la e a voltar sempre ao essencial para a anunciar.<\/em><\/p>\n<p><em>Para que o nosso testemunho no mundo n\u00e3o seja inerte, vinde, Esp\u00edrito Santo, com o teu fogo de gra\u00e7a, para reavivar a nossa f\u00e9, para nos inflamar de esperan\u00e7a, para nos inflamar de caridade.<\/em><\/p>\n<p><em>Vinde, divino Consolador, V\u00f3s que sois a harmonia, para unir os cora\u00e7\u00f5es e as mentes dos crentes. Vinde e dai-nos o prazer da beleza da comunh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Vinde, Amor do Pai e do Filho, para nos reunir no \u00fanico rebanho de Cristo.<\/em><\/p>\n<p><em>Mostrai-nos os caminhos a seguir, para que, com a vossa sabedoria, voltemos a ser o que somos em Cristo: uma s\u00f3 coisa, para que o mundo acredite. Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ORA\u00c7\u00c3O PELO II S\u00cdNODO ARQUIDIOCESANO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"510\">\n<li>Senhor Jesus Cristo, n\u00f3s vos agradecemos<\/li>\n<\/ol>\n<p>porque nos concedestes o imenso dom de vos conhecer<\/p>\n<p>e nos chamastes a ser vossos amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com cora\u00e7\u00f5es ardentes e transformados por vos encontrar na Palavra,<\/p>\n<p>na Santa Eucaristia e na comunh\u00e3o fraterna,<\/p>\n<p>somos enviados por v\u00f3s a todas as pessoas e nossos p\u00e9s est\u00e3o a caminho<\/p>\n<p>para testemunhar o amor que de v\u00f3s recebemos<\/p>\n<p>e anunciar que estais pr\u00f3ximo de todos os que vos procuram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enche-nos de santa inquieta\u00e7\u00e3o saber que h\u00e1 tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s nossos<\/p>\n<p>que n\u00e3o t\u00eam a alegria de vos conhecer verdadeiramente,<\/p>\n<p>que n\u00e3o t\u00eam o consolo de pertencer a uma comunidade de f\u00e9<\/p>\n<p>e que caminham sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queremos sair em miss\u00e3o,<\/p>\n<p>para testemunhar o amor misericordioso do Pai,<\/p>\n<p>anunciar vossa presen\u00e7a salvadora, de Filho amado,<\/p>\n<p>e o dom do vosso Esp\u00edrito que a todos restaura e renova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queremos viver em miss\u00e3o,<\/p>\n<p>para acolher a todos os que necessitam experimentar o vosso amor,<\/p>\n<p>descobrir o sentido da vida<\/p>\n<p>e experimentar o acolhimento fraterno.<\/p>\n<p>Assim, nossa experi\u00eancia de f\u00e9 poder\u00e1 transbordar,<\/p>\n<p>para colaborar na renova\u00e7\u00e3o da sociedade a partir do vosso Evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aben\u00e7oai, Senhor, nosso Segundo S\u00ednodo Arquidiocesano!<\/p>\n<p>Renovai em n\u00f3s o entusiasmo mission\u00e1rio!<\/p>\n<p>Fazei que sejamos comunidades fraternas e acolhedoras!<\/p>\n<p>Ajudai-nos a oferecer a todas as pessoas espa\u00e7os atraentes<\/p>\n<p>para o encontro convosco e para a viv\u00eancia da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PEREGRINOS DE ESPERAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"511\">\n<li>Ao findar o ano do Jubileu da Esperan\u00e7a e publicando hoje as conclus\u00f5es do nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano, depois de uma reflex\u00e3o sobre a miss\u00e3o na igreja, os nossos olhos se voltam para o presente e o futuro.<\/li>\n<li>Com cora\u00e7\u00e3o agradecido nesta Festa da Unidade louvamos a Deus por tantos dons e tantas gra\u00e7as recebidas nestes s\u00e9culos de nossa caminhada eclesial nestas terras. De modo especial neste quinqu\u00eanio que estamos por findar no pr\u00f3ximo ano.<\/li>\n<li>Conclu\u00eddo o ano do jubileu em \u00e2mbito arquidiocesano continuamos com o jubileu de nossa arquidiocese que caminha dos 450 anos da prelazia para os 350 anos da Diocese, incluindo os 50 anos da transfer\u00eancia da atual Catedral para o espa\u00e7o que ela ocupa hoje. Um sonho que se concretizou e que nos enche de alegria.<\/li>\n<li>Os textos acima, por\u00e9m, nos incitam a olhar para frente. No pr\u00f3ximo ano ser\u00e3o aprovadas, depois de muitos adiamentos, as novas Diretrizes da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) que sempre nos serviram como base para a elabora\u00e7\u00e3o em Assembleia de nosso Plano de Pastoral.<\/li>\n<li>Nestes anos, depois do \u00faltimo Plano de Pastoral continuamos com v\u00e1rias programa\u00e7\u00f5es que o nosso Vicariato para a Pastoral foi atualizando e n\u00e3o nos faltou direcionamento para a realiza\u00e7\u00e3o de nossos trabalhos. Temos uma dire\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, com a valoriza\u00e7\u00e3o de todos os carismas e minist\u00e9rios que ocorrem nessa nossa bela caminhada eclesial.<\/li>\n<li>Agora iremos nos preparar para, depois da publica\u00e7\u00e3o das novas diretrizes da CNBB come\u00e7armos o trabalho para a elabora\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3ximo Plano de Pastoral que dever\u00e1 contar tamb\u00e9m com as conclus\u00f5es do nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano, que com esta carta promulgamos e que j\u00e1 est\u00e3o v\u00e1lidos para o direcionamento atual de nossa caminhada pastoral.<\/li>\n<li>S\u00e3o muitas frentes a serem trabalhadas e tamb\u00e9m a continuidade de muitos servi\u00e7os que vemos ocorrer em nossa Arquidiocese. Sem d\u00favida, somos uma igreja din\u00e2mica e que enfrentamos os desafios pr\u00f3prios de uma metr\u00f3pole hist\u00f3rica como a nossa.<\/li>\n<li>Temos certeza de que o Esp\u00edrito Santo que nos conduziu at\u00e9 aqui continuar\u00e1 a nos iluminar para o presente e futuro e fazendo de nossa vida um instrumento da paz nesta cidade, nesse belo e empenhativo trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Agrade\u00e7o a todos os agentes de pastoral, bispos, padres, di\u00e1conos, leigos, ministros pelo empenho e pela unidade nessa \u00e1rdua caminhada. Tenho certeza de que o Senhor nos conduz por esses caminhos complexos de uma realidade plural e dif\u00edcil para a qual somos enviados em miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Depois de um trabalho grande de um quinqu\u00eanio que iremos concluir no pr\u00f3ximo ano, da conclus\u00e3o do II S\u00ednodo Arquidiocesano e de um ano jubilar de esperan\u00e7a, o Senhor nos impulsiona para olhar a bela cidade e seus desafios e nos ilumina na miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Com esperan\u00e7a renovada em Jesus Cristo, a esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona, convido a todos para estarmos unidos para os pr\u00f3ximos desafios e caminharmos juntos nos caminhos do Senhor.<\/li>\n<li>Que Maria, a Senhora da Penha e o nosso padroeiro S\u00e3o Sebasti\u00e3o intercedam por todos n\u00f3s e nos ajudem a servir com alegria ao querido povo desta cidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2025<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Festa da Sagrada Fam\u00edlia,<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>conclus\u00e3o diocesana do ano jubilar da esperan\u00e7a e<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>13\u00aa Festa da Unidade Arquidiocesana<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta, O. Cist.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Carta Pastoral e promulga\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es do II S\u00ednodo Arquidiocesano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro 28 de dezembro de 2025 Conclus\u00e3o Diocesana do Jubileu da Esperan\u00e7a \u00a0 \u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o \u00a0 Fundamentos da Miss\u00e3o e Orienta\u00e7\u00f5es Mission\u00e1rias A miss\u00e3o nas Sagradas Escrituras 1.1 Leitura mission\u00e1ria do Antigo Testamento: um breve panorama Israel como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55819,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-96700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96700"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96702,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96700\/revisions\/96702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}