{"id":96493,"date":"2025-12-13T10:26:12","date_gmt":"2025-12-13T13:26:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96493"},"modified":"2025-12-15T10:26:56","modified_gmt":"2025-12-15T13:26:56","slug":"2o-domingo-do-advento-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2o-domingo-do-advento-4\/","title":{"rendered":"2\u00ba Domingo do Advento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Domingo do Advento do Ano A, a liturgia nos apresenta novamente o horizonte da esperan\u00e7a messi\u00e2nica. A primeira leitura, retirada de Isa\u00edas 11,1-10, anuncia: <em>\u201cDo tronco de Jess\u00e9 sair\u00e1 um rebento; de suas ra\u00edzes surgir\u00e1 um descendente\u201d<\/em> (Is 11,1). \u00c9 uma imagem poderosa: um tronco abatido, aparentemente morto, mas que volta a dar vida. O profeta descreve o Messias como aquele sobre quem repousar\u00e1 o Esp\u00edrito do Senhor \u2014 <em>\u201cesp\u00edrito de sabedoria e discernimento, de conselho e fortaleza, de ci\u00eancia e temor do Senhor\u201d<\/em> (Is 11,2). Essa promessa aponta para uma renova\u00e7\u00e3o profunda, um rein\u00edcio que n\u00e3o depende de nossas for\u00e7as, mas da fidelidade de Deus. No Reino anunciado por Isa\u00edas, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 reconciliada \u2014 <em>\u201co lobo habitar\u00e1 com o cordeiro\u201d<\/em> (Is 11,6). A pergunta que se imp\u00f5e \u00e9 direta: queremos realmente esse mundo novo ou nos acomodamos ao velho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 71(72) prolonga essa promessa dizendo: <em>\u201cNos seus dias florescer\u00e1 a justi\u00e7a e grande paz at\u00e9 que a lua perca o brilho\u201d<\/em> (Sl 71). N\u00e3o \u00e9 um ideal abstrato: \u00e9 a marca concreta do Messias, que governa com justi\u00e7a, defende os fracos, liberta os pobres e faz prevalecer a paz. Por isso, viver o Advento n\u00e3o \u00e9 apenas entrar no clima natalino; \u00e9 desejar profundamente que a justi\u00e7a flores\u00e7a na vida real, nas escolhas, nas rela\u00e7\u00f5es e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura, de Romanos 15,4-9, recorda que <em>\u201cCristo se fez servidor da circuncis\u00e3o em raz\u00e3o da fidelidade de Deus\u201d<\/em> (Rm 15,8). S\u00e3o Paulo afirma que tudo o que foi escrito no passado foi para nossa instru\u00e7\u00e3o, a fim de que tenhamos esperan\u00e7a. E nos exorta: <em>\u201cAcolhei-vos uns aos outros como Cristo vos acolheu\u201d<\/em> (Rm 15,7). No Advento, aceitar esse convite significa incluir, aproximar, reconciliar, exercitar paci\u00eancia e caridade concretas. Fruto de convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas penit\u00eancia interior: \u00e9 capacidade de acolher, de criar comunh\u00e3o, de abandonar hostilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o Evangelho de Mateus 3,1-12 nos coloca diante da figura austera de Jo\u00e3o Batista, no deserto. Sua prega\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: <em>\u201cConvertei-vos, porque o Reino dos C\u00e9us est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d<\/em> (Mt 3,2). Advento n\u00e3o \u00e9 tempo de sentimentalismo espiritual, mas de decis\u00e3o. Jo\u00e3o n\u00e3o tolera apar\u00eancias religiosas. Ao ver fariseus e saduceus aproximando-se, diz: <em>\u201cRa\u00e7a de v\u00edboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que est\u00e1 para chegar?\u201d<\/em> (Mt 3,7). O crit\u00e9rio \u00e9 objetivo: <em>\u201cProduzi frutos que provem a vossa convers\u00e3o\u201d<\/em> (Mt 3,8). N\u00e3o basta dizer <em>\u201ctemos Abra\u00e3o por pai\u201d<\/em> (Mt 3,9). Tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o podemos nos apoiar apenas em costumes religiosos, em cargos, em imagens de piedade ou rotinas espirituais. Deus quer frutos, n\u00e3o justificativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o alerta ainda: <em>\u201cO machado j\u00e1 est\u00e1 na raiz das \u00e1rvores; toda \u00e1rvore que n\u00e3o der bom fruto ser\u00e1 cortada e lan\u00e7ada ao fogo\u201d<\/em> (Mt 3,10). \u00c9 uma palavra que corta nossas ilus\u00f5es. E anuncia um Messias que n\u00e3o \u00e9 domestic\u00e1vel: <em>\u201cEle traz a p\u00e1 na m\u00e3o e vai limpar sua eira; recolher\u00e1 o trigo no celeiro e queimar\u00e1 a palha num fogo que n\u00e3o se apaga\u201d <\/em>(Mt 3,12). Cristo vem para salvar, mas tamb\u00e9m para purificar. Seu amor \u00e9 exigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessas leituras \u2014 Is 11,1-10; Sl 71; Rm 15,4-9; Mt 3,1-12 \u2014 o Advento se revela como chamado urgente \u00e0 mudan\u00e7a real. \u00c9 tempo de examinar que frutos temos produzido, quais \u00e1reas continuam est\u00e9reis, quais desculpas repetimos. O Natal s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiro quando encontrarmos coragem de remover o que impede a a\u00e7\u00e3o de Deus em nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rebento que nasce do tronco ferido nos lembra que Deus faz novas todas as coisas. Mas para que isso aconte\u00e7a em n\u00f3s, precisamos permitir que Ele corte, limpe, purifique, transforme. Advento \u00e9 verdade, n\u00e3o apar\u00eancia; \u00e9 decis\u00e3o, n\u00e3o acomoda\u00e7\u00e3o; \u00e9 convers\u00e3o, n\u00e3o mera emo\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que neste segundo domingo possamos acolher a Palavra com sinceridade e produzir os frutos que o Senhor espera de n\u00f3s, para que Cristo encontre em nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o um terreno abandonado, mas uma terra preparada, limpa e fecunda. Assim, o Natal deixar\u00e1 de ser apenas celebrado e passar\u00e1 a ser verdadeiramente acolhido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Domingo do Advento do Ano A, a liturgia nos apresenta novamente o horizonte da esperan\u00e7a messi\u00e2nica. A primeira leitura, retirada de Isa\u00edas 11,1-10, anuncia: \u201cDo tronco de Jess\u00e9 sair\u00e1 um rebento; de suas ra\u00edzes surgir\u00e1 um descendente\u201d (Is 11,1). \u00c9 uma imagem poderosa: um tronco abatido, aparentemente morto, mas que volta a dar vida. 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