{"id":96455,"date":"2025-11-29T09:23:34","date_gmt":"2025-11-29T12:23:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=96455"},"modified":"2025-12-02T11:24:28","modified_gmt":"2025-12-02T14:24:28","slug":"tempo-do-advento-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempo-do-advento-2\/","title":{"rendered":"Tempo do Advento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vamos come\u00e7ar o Tempo do Advento. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil precisar a hist\u00f3ria e o significado primitivo do Advento; al\u00e9m disso, as not\u00edcias sobre suas verdadeiras origens s\u00e3o parcas. \u00c9 necess\u00e1rio distinguir elementos que dizem respeito a pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas de outros de car\u00e1ter estritamente lit\u00fargico; um Advento como prepara\u00e7\u00e3o para o Natal e um Advento que celebra a vinda gloriosa de Cristo (Advento escatol\u00f3gico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 pr\u00f3prio do Ocidente. S\u00e3o totalmente descartadas as teorias que atribuem o Advento a S\u00e3o Pedro e a sua exist\u00eancia aos tempos de Tertuliano e S\u00e3o Cipriano. O testemunho mais antigo encontra-se em uma passagem de Santo Hil\u00e1rio (por volta de 366), que diz: <em>\u201cSancta Mater Ecclesia Salvatoris adventos annuo recursu per trium septimanarum sacretum spatium sibi indicavit\u201d <\/em>(CSEL, 65, 16). Traduzindo: <em>\u201cA Santa M\u00e3e Igreja oferece, por tr\u00eas semanas ao ano, um espa\u00e7o sagrado para a vinda do Salvador\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O duplo car\u00e1ter do Advento \u2014 celebrar a espera do Salvador na gl\u00f3ria e a sua vinda na carne \u2014 emerge claramente das leituras b\u00edblicas festivas. O primeiro domingo orienta para a parusia final. O segundo e o terceiro chamam a aten\u00e7\u00e3o para a vinda cotidiana do Senhor; o quarto domingo prepara-nos para a Natividade de Cristo, fazendo dela ao mesmo tempo teologia e hist\u00f3ria. A liturgia, portanto, contempla ambas as vindas de Cristo, sempre em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a liturgia do Advento \u00e9 um apelo para que vivamos alguns comportamentos essenciais do crist\u00e3o: a expectativa vigilante e alegre, a esperan\u00e7a, a convers\u00e3o e a pobreza espiritual. A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o crist\u00e3o e a Igreja, porque o Deus da revela\u00e7\u00e3o \u00e9 o Deus da promessa, que manifestou em Cristo toda a sua fidelidade ao homem: <em>\u201cTodas as promessas de Deus encontram nele seu \u2018sim\u2019\u201d<\/em> (2 Cor 1,20). A esperan\u00e7a da Igreja \u00e9 a mesma esperan\u00e7a de Israel, mas j\u00e1 realizada em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 tempo de expectativa alegre, porque aquilo que se espera certamente acontecer\u00e1. Deus \u00e9 fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia do Advento n\u00e3o apenas recorda, mas deseja que seja vivido. O Batista, diante de Cristo presente em Maria, salta de alegria no seio da m\u00e3e. O nascimento de Jesus \u00e9 festa jubilosa para os anjos e para os homens que Ele vem salvar (cf. Lc 1,44.46-47; 2,10.13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Advento, toda a Igreja vive a sua grande esperan\u00e7a. O Deus da revela\u00e7\u00e3o tem um nome: <em>\u201cDeus da esperan\u00e7a\u201d<\/em> (Rm 15,13). N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico nome do Deus vivo, mas \u00e9 um nome que o identifica como <em>\u201cDeus para conosco\u201d<\/em>. O Advento \u00e9 o tempo da grande educa\u00e7\u00e3o para a esperan\u00e7a: uma esperan\u00e7a forte e paciente; uma esperan\u00e7a que aceita a hora da prova\u00e7\u00e3o, da persegui\u00e7\u00e3o e da lentid\u00e3o no desenvolvimento do Reino; uma esperan\u00e7a que confia no Senhor e liberta das impaci\u00eancias subjetivistas e do frenesi do futuro fabricado pelo homem. Na convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a, a Igreja \u00e9 confortada pela figura de Maria, a M\u00e3e de Jesus, que <em>\u201cno c\u00e9u, glorificada em corpo e alma, \u00e9 a imagem e a prim\u00edcia da Igreja\u2026 e brilha tamb\u00e9m na terra como sinal de segura esperan\u00e7a e de consola\u00e7\u00e3o para o povo de Deus em caminho, at\u00e9 que chegue o dia do Senhor\u201d<\/em> (cf. 2 Pd 3,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 tamb\u00e9m tempo de convers\u00e3o. N\u00e3o existe possibilidade de esperan\u00e7a e alegria sem retornar ao Senhor de todo cora\u00e7\u00e3o, na expectativa de sua volta. A vigil\u00e2ncia requer luta contra o torpor e a neglig\u00eancia; requer prontid\u00e3o e, portanto, desapego dos prazeres e bens terrenos. O crist\u00e3o, convertido a Deus, \u00e9 filho da luz e, por isso, permanece acordado e resiste \u00e0s trevas, s\u00edmbolos do mal; caso contr\u00e1rio, corre o risco de ser surpreendido na parusia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da teologia e da espiritualidade do Advento, os textos b\u00edblicos falam da dupla vinda de Cristo: a primeira, no Natal; e a segunda, na Parusia, no fim dos tempos. A vinda de Cristo \u00e9 esperada pela Igreja com ora\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia: <em>\u201cVem, Senhor Jesus\u201d,<\/em> como afirma S\u00e3o Paulo. A espera de Cristo \u00e9 uma promessa messi\u00e2nica j\u00e1 parcialmente cumprida. Nossos pais na f\u00e9 esperaram e n\u00e3o alcan\u00e7aram, mas ouviram por Isa\u00edas que um tempo novo de esperan\u00e7a e paz chegaria. Todo o Antigo Testamento est\u00e1 orientado, pelo an\u00fancio dos profetas, para o mist\u00e9rio do Cristo que viria. Para n\u00f3s, hoje, trata-se de viver na Igreja toda essa centralidade de Cristo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, celebrando o grande mist\u00e9rio: vem at\u00e9 n\u00f3s o esperado das na\u00e7\u00f5es, o anunciado pelos profetas, o revelado pelo Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa caminhada do Advento, al\u00e9m de Isa\u00edas e Jo\u00e3o Batista, a liturgia apresenta outra figura fundamental: Maria. O Evangelho de Lucas narra a Anuncia\u00e7\u00e3o, quando Maria diz seu \u201csim\u201d ao convite de Deus e aceita ser m\u00e3e de Jesus, que se encarna em seu seio e passa a \u201chabitar entre n\u00f3s\u201d. Maria \u00e9 celebrada no dia 8 de dezembro, na festa de sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. A Virgem Imaculada diz \u201csim\u201d e vive o seu sil\u00eancio na escuta obediente do pr\u00f3prio Deus que chega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do dia 17 ao dia 24 de dezembro, a liturgia acentua especialmente a figura de Maria, a \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d, a \u201cbendita entre todas as mulheres\u201d, a \u201cnova Eva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 um tempo de espiritualidade que deve nos comprometer na constru\u00e7\u00e3o de \u201cnovos c\u00e9us e nova terra\u201d. A Igreja nos exorta a viver em vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o, para que este tempo de gra\u00e7a seja frutuoso para n\u00f3s, realizando-se o que reza a liturgia: <em>\u201c\u00d3 c\u00e9us, que chovam sobre n\u00f3s, que as nuvens derramem a justi\u00e7a. Abra-se a terra e brote para n\u00f3s a salva\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos come\u00e7ar o Tempo do Advento. 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