{"id":95787,"date":"2025-08-26T09:35:48","date_gmt":"2025-08-26T12:35:48","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=95787"},"modified":"2025-09-08T11:36:35","modified_gmt":"2025-09-08T14:36:35","slug":"coracao-de-pastor-reflexoes-sobre-o-ministerio-episcopal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coracao-de-pastor-reflexoes-sobre-o-ministerio-episcopal\/","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o de Pastor reflex\u00f5es sobre o minist\u00e9rio episcopal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Todos recebemos o an\u00fancio de um livro sobre o minist\u00e9rio episcopal que tive a honra de prefaciar. Assinar este artigo em di\u00e1logo com o livro <em>Cora\u00e7\u00e3o de Pastor<\/em>, &#8211; Paulus 2025 \u2013 de nosso estimado irm\u00e3o Dom Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria, \u00e9 tamb\u00e9m deixar-se interpelar pelo testemunho de quem viveu intensamente o minist\u00e9rio episcopal e o traduziu em p\u00e1ginas de profunda espiritualidade e realismo pastoral. N\u00e3o se trata apenas de um manual sobre o of\u00edcio do bispo, mas de um verdadeiro testamento espiritual, que ilumina com sabedoria a miss\u00e3o recebida de Cristo: ser pastor segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus (cf. Jr 3,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo na introdu\u00e7\u00e3o, Dom Jo\u00e3o Bosco recorda que \u201cningu\u00e9m \u00e9 ordenado Padre para si mesmo, mas para o Reino\u201d. Essa frase, aparentemente simples, toca o n\u00facleo da teologia ministerial: a vida do ministro ordenado \u00e9 entrega. O bispo, especialmente, \u00e9 chamado a n\u00e3o viver para si, mas para o povo de Deus que lhe \u00e9 confiado. Ao contr\u00e1rio de um fazendeiro que tem sentimento de posse sobre os animais, \u201co pastor pertence ao povo; minha vida e meu tempo eram deles\u201d. Esse deslocamento \u2013 do possuir para o ser possu\u00eddo \u2013 \u00e9 um dos pontos mais belos do livro. \u00c9 o que sempre tenho colocado: n\u00f3s n\u00e3o tomamos posse, \u00e9 o povo que toma posse de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra dedica uma reflex\u00e3o significativa ao b\u00e1culo episcopal. A observa\u00e7\u00e3o me impressionou, porque devolve ao b\u00e1culo seu valor simb\u00f3lico original: ele n\u00e3o \u00e9 um enfeite, mas um instrumento de proximidade e guia. Ler isso faz-nos recordar a advert\u00eancia do Papa Francisco: \u201co pastor deve ter o cheiro das ovelhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto que o autor ressalta \u00e9 a chegada do bispo \u00e0 diocese. Ele fala de um tempo de \u201cnamoro e noivado\u201d com o clero e o povo, at\u00e9 que se estabele\u00e7a a verdadeira \u201cesponsalidade\u201d sacramental. \u00c9 uma imagem que ultrapassa a linguagem burocr\u00e1tica e restitui o sentido profundamente humano e eclesial da miss\u00e3o episcopal. Somos, de fato, chamados a nos tornarmos esposos da Igreja local, entregando a vida sem reservas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em v\u00e1rios cap\u00edtulos, Dom Jo\u00e3o Bosco insiste na paternidade do bispo. \u201cO primeiro espa\u00e7o para a viv\u00eancia da paternidade episcopal acontece junto aos padres\u201d, afirma, com a sabedoria de quem percebeu que a orfandade espiritual do presb\u00edtero \u00e9 uma das maiores dores da Igreja. Ao ler esse trecho, recordei-me de tantas vezes em que encontrei irm\u00e3os no presbit\u00e9rio feridos pela solid\u00e3o, mas que encontraram no bispo uma presen\u00e7a de pai. \u00c9, sem d\u00favida, uma interpela\u00e7\u00e3o a todos n\u00f3s: n\u00e3o basta governar, \u00e9 preciso amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro tamb\u00e9m apresenta p\u00e1ginas de sincera lucidez sobre a solid\u00e3o episcopal: \u201co Domingo de Ramos dura pouco na vida de um Bispo\u201d. Essa frase carrega o peso da experi\u00eancia e aponta para o n\u00facleo da cruz que acompanha o minist\u00e9rio. \u00c9 nesse sentido que a espiritualidade da cruz se torna indispens\u00e1vel: sem ela, o episcopado corre o risco de se reduzir a mera administra\u00e7\u00e3o. O bispo, por\u00e9m, \u00e9 chamado a dar a vida pelo rebanho, como Cristo Bom Pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os cap\u00edtulos mais densos, destaco a reflex\u00e3o sobre ser conhecido pelas ovelhas. N\u00e3o basta que o bispo conhe\u00e7a seu povo, mas que o povo se sinta pr\u00f3ximo dele, possa \u201colhar em seus olhos, tocar-lhe a m\u00e3o, receber sua b\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d. Trata-se de uma dimens\u00e3o encarnada do pastoreio, que n\u00e3o pode ser substitu\u00edda por discursos ou programas. O livro insiste nessa proximidade como sinal de credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m me impressionou a delicadeza com que o autor aborda o papel do bispo em\u00e9rito. Ele v\u00ea no em\u00e9rito a figura dos av\u00f3s na fam\u00edlia, \u201ccentro de refer\u00eancia amorosa e de sabedoria\u201d. \u00c9 uma vis\u00e3o que dialoga com o testemunho luminoso de Bento XVI, que, ao renunciar, mostrou ao mundo que o servi\u00e7o do bispo vai al\u00e9m do governo e se prolonga na ora\u00e7\u00e3o e no testemunho silencioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da obra, perpassa uma convic\u00e7\u00e3o fundamental: o episcopado \u00e9 paternidade e servi\u00e7o, n\u00e3o poder. O bispo n\u00e3o \u00e9 \u201cum executivo bem-sucedido\u201d, mas algu\u00e9m que vela, que protege, que d\u00e1 a vida. Essa perspectiva me parece particularmente relevante para os tempos atuais, quando a tenta\u00e7\u00e3o de reduzir a Igreja a uma estrutura organizacional pode ofuscar a sua dimens\u00e3o \u201cmist\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor do livro <em>Cora\u00e7\u00e3o de Pastor<\/em> est\u00e1 exatamente em devolver-nos esse olhar espiritual sobre o minist\u00e9rio episcopal. N\u00e3o se trata de negar os aspectos administrativos ou can\u00f4nicos, mas de recoloc\u00e1-los no horizonte maior da doa\u00e7\u00e3o, da paternidade, da comunh\u00e3o e da miss\u00e3o. Como bem sintetiza Dom Jo\u00e3o Bosco: \u201cUm Bispo n\u00e3o morre! Ele continua vivo pelo minist\u00e9rio dos Padres que ordenou\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o a Dom Jo\u00e3o Bosco por oferecer \u00e0 Igreja este verdadeiro espelho de vida episcopal. Sua obra nos recorda que, em tempos de Igreja sinodal e mission\u00e1ria, o bispo \u00e9 chamado a ser homem de comunh\u00e3o, pai no presbit\u00e9rio, irm\u00e3o no episcopado e pastor no meio do povo. Sua voz, madura e serena, continua ecoando como convite: deixemo-nos moldar por Cristo, o \u00fanico e verdadeiro Pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao agradecer ao querido irm\u00e3o Dom Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria, Arcebispo Em\u00e9rito de Diamantina, a gra\u00e7a de ter prefaciado a sua obra quero, vivamente, recomendar a leitura de <em>Cora\u00e7\u00e3o de Pastor <\/em>a todos os irm\u00e3os bispos. Que os bispos possam gastar a sua vida como o Bom Pastor que \u00e9 Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos recebemos o an\u00fancio de um livro sobre o minist\u00e9rio episcopal que tive a honra de prefaciar. 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