{"id":94952,"date":"2025-06-19T09:52:15","date_gmt":"2025-06-19T12:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=94952"},"modified":"2025-06-27T14:53:25","modified_gmt":"2025-06-27T17:53:25","slug":"quem-diz-o-povo-que-eu-sou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quem-diz-o-povo-que-eu-sou\/","title":{"rendered":"\u201cQuem diz o povo que eu sou?\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As duas perguntas que Jesus faz s\u00e3o e ser\u00e3o sempre atuais: \u201cQuem diz o povo que eu sou?\u201d, \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que eu sou?\u201d (Zacarias 12,10-11;13,1, Salmo 62, G\u00e1latas 3,26-29 e Lucas 9,18-24). Ser\u00e3o perguntas sempre atuais porque se est\u00e1 falando da pessoa de Jesus Cristo e tamb\u00e9m s\u00e3o pessoas que d\u00e3o a resposta. As respostas dos disc\u00edpulos apontam para as duas dimens\u00f5es de Jesus Cristo: a sua humanidade e a sua divindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os Evangelhos quando narram a vida de Jesus Cristo n\u00e3o podem ser entendidos como livros de hist\u00f3ria no sentido atual, mas \u201cforam escritos para que creias que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20,31). Por\u00e9m, os fatos do Evangelho aconteceram num ambiente vital espec\u00edfico e \u00e9 a partir deles pode-se falar do Jesus hist\u00f3rico, dos quais destaco tr\u00eas aspectos da sua personalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os disc\u00edpulos respondem a Jesus dizendo que o povo o tem como um profeta. Portanto, \u00e9 algu\u00e9m que ensina da parte de Deus. O ensinamento dele causava admira\u00e7\u00e3o, \u201cpois ensinava como quem tem autoridade, n\u00e3o como os escribas\u201d (Mc 1,22). Desde o momento que Maria e Jos\u00e9 reencontram o menino Jesus no Templo sentado com os mestres que \u201cficavam extasiados com sua intelig\u00eancia e suas respostas\u201d (Lc 2,47), at\u00e9 no julgamento onde Pilatos e Herodes fazem perguntas e querem ouvi-lo, toda trajet\u00f3ria tem as marcas de Mestre. Por vezes, se apresenta mais que um profeta, dizia: \u201couvistes o que foi dito&#8230;Eu, por\u00e9m, voz digo\u201d. N\u00e3o repete os ensinamentos, mas apresenta novos e originais. Al\u00e9m de trazer conte\u00fados originais, a sua maneira de ensinar era nova e encantava. Como resultado os ouvintes nunca ficavam indiferentes. As palavras se transformavam em fatos: os dem\u00f4nios fogem, as curas acontecem, os cora\u00e7\u00f5es se abrem levando a f\u00e9 ou os ouvintes de fecham se opondo a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus como homem livre contagia. \u201cJesus era assombrosamente livre. Ele era capaz de contradizer declaradamente as ideias, costumes e normas culturais da sociedade em que vivia. [&#8230;]. Ele tinha a liberdade pessoal de fazer a vontade de Deus sem preocupar-se com aquilo que as outras pessoas pensavam ou diziam. \u00a0Ele tinha a liberdade de amar sem reservas, de amar tanto o mais pobre dos pobres como o jovem rico. Os piedosos ficavam escandalizados com o amor e a solicitude que ele demonstrava para com as prostitutas. Os pobres deviam ficar estupefatos com a cordialidade com que ele tratava os odiados cobradores de impostos, que exploravam o povo. O fato de essas pessoas o chamarem de beberr\u00e3o e comil\u00e3o n\u00e3o o impedia de comer e beber os alimentos e as bebidas impuras dos pobres. [&#8230;] A liberdade radical de Jesus tornava-o completamente destemido. Para expulsar os comerciantes [&#8230;] Jesus n\u00e3o teve medo de ningu\u00e9m. [&#8230;] Ele n\u00e3o estava apegado a nada nem a ningu\u00e9m, nem sequer \u00e0 sua pr\u00f3pria vida ou ao \u00eaxito da sua miss\u00e3o. A sua liberdade n\u00e3o tinha limites, porque a sua confian\u00e7a em Deus tamb\u00e9m era ilimitada\u201d (Albert Nolan: <em>Jesus hoje: uma espiritualidade de liberdade radical<\/em>, p. 253-254). O modo de falar e a liberdade do agir de Jesus est\u00e1 bem resumida nesta afirma\u00e7\u00e3o dos guardas que foram enviados para o prenderam e n\u00e3o o fizeram: \u201cNunca algu\u00e9m falou assim\u201d (Jo 7,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outra atitude de Jesus chamava aten\u00e7\u00e3o: a sua rela\u00e7\u00e3o com o Deus Pai. Nela est\u00e1 a resposta \u00e0s perguntas das pessoas sobre a sua origem: donde vem tanta sabedoria? e autoridade? Ele \u00e9 transparente revelando a sua origem divina. Nos ensinamentos diz que sempre est\u00e1 em comunh\u00e3o com o Pai e faz o que \u00e9 da vontade dele. Por\u00e9m, s\u00e3o as longas e frequentes horas de ora\u00e7\u00e3o que revelam a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, de afeto e amor que o unia com o Deus Pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As duas perguntas que Jesus faz s\u00e3o e ser\u00e3o sempre atuais: \u201cQuem diz o povo que eu sou?\u201d, \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que eu sou?\u201d (Zacarias 12,10-11;13,1, Salmo 62, G\u00e1latas 3,26-29 e Lucas 9,18-24). 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