{"id":94930,"date":"2025-06-25T09:19:40","date_gmt":"2025-06-25T12:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=94930"},"modified":"2025-06-27T14:20:33","modified_gmt":"2025-06-27T17:20:33","slug":"felizes-os-que-promovem-a-paz-um-chamado-cristao-em-tempos-de-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/felizes-os-que-promovem-a-paz-um-chamado-cristao-em-tempos-de-conflito\/","title":{"rendered":"\u201cFelizes os que promovem a paz\u201d Um chamado crist\u00e3o em tempos de conflito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cBem-aventurados os que promovem a paz, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus.\u201d<\/em> (Mateus 5,9)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que a escalada de viol\u00eancia em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo atinge n\u00edveis alarmantes, com repercuss\u00f5es devastadoras especialmente para toda a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, o mundo observa, at\u00f4nito, o avan\u00e7o de mais um conflito de propor\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas. Bombardeios, amea\u00e7as de retalia\u00e7\u00e3o, mortes civis e deslocamentos for\u00e7ados enchem as manchetes, enquanto o horizonte da paz parece cada vez mais distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa hora, a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o pode se manter em sil\u00eancio. A Palavra de Deus \u00e9 clara ao convocar seu povo a ser instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o e paz. J\u00e1 nos tempos do Antigo Testamento, o profeta Isa\u00edas anunciava um tempo em que as espadas seriam transformadas em arados (Is 2,4). E, no Evangelho, Jesus nos deixa n\u00e3o apenas um ensinamento, mas uma identidade: os que promovem a paz ser\u00e3o reconhecidos como filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O atual conflito n\u00e3o \u00e9 apenas uma disputa entre dois Estados, mas o reflexo de feridas hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e religiosas que continuam abertas. Embora as motiva\u00e7\u00f5es sejam complexas, uma coisa \u00e9 certa: nenhum povo pode ser condenado \u00e0 guerra perp\u00e9tua, nem ao sofrimento de gera\u00e7\u00f5es inteiras que jamais conheceram a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vermos cidades sendo bombardeadas, fam\u00edlias dilaceradas, templos destru\u00eddos, devemos recordar que o mesmo Deus que chamou Abra\u00e3o, pai das tr\u00eas grandes religi\u00f5es monote\u00edstas, deseja que seus filhos vivam em paz. O crist\u00e3o, \u00e0 luz do Evangelho, n\u00e3o pode justificar a viol\u00eancia com base em alian\u00e7as estrat\u00e9gicas, interesses econ\u00f4micos ou ideologias. Como nos adverte S\u00e3o Tiago, <em>\u201ca justi\u00e7a \u00e9 fruto da paz, semeada por aqueles que promovem a paz\u201d<\/em> (Tg 3,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, embora estejamos distantes geograficamente do conflito, n\u00e3o estamos distantes da responsabilidade moral. Nossas ora\u00e7\u00f5es e nossa consci\u00eancia precisam estar voltadas para a promo\u00e7\u00e3o de pontes, e n\u00e3o muros. Isso se estende tamb\u00e9m \u00e0 maneira como o pa\u00eds se posiciona no cen\u00e1rio internacional. Espera-se de qualquer na\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que sua pol\u00edtica externa seja pautada pela defesa da paz, dos direitos humanos e da diplomacia multilateral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que as rela\u00e7\u00f5es internacionais s\u00e3o delicadas e exigem equil\u00edbrio, mas n\u00e3o se pode jamais banalizar a dor dos povos. A solidariedade n\u00e3o pode ser seletiva. A neutralidade diante da injusti\u00e7a sempre favorece o opressor. Mesmo que discretamente, os crist\u00e3os devem ser uma presen\u00e7a ativa no debate p\u00fablico, inspirando-se na prud\u00eancia dos profetas que denunciaram a opress\u00e3o sem jamais perder a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Internamente, nosso pr\u00f3prio pa\u00eds sofre de uma viol\u00eancia end\u00eamica. A paz que desejamos para o exterior tamb\u00e9m precisa ser constru\u00edda em nossas cidades. O Brasil sangra todos os dias: jovens mortos em favelas, mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio, povos origin\u00e1rios amea\u00e7ados, fam\u00edlias que vivem sob o medo da criminalidade e da neglig\u00eancia do poder p\u00fablico. A paz \u00e9 indivis\u00edvel \u2014 n\u00e3o se pode clamar por ela fora sem constru\u00ed-la dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amado Papa Le\u00e3o XIV, no \u00c2ngelus do \u00faltimo domingo, conclamou: \u201cSucedem-se not\u00edcias alarmantes vindas do Oriente M\u00e9dio, especialmente do Ir\u00e3. Neste cen\u00e1rio dram\u00e1tico, que inclui Israel e Palestina, leva ao risco de cair no esquecimento o sofrimento quotidiano da popula\u00e7\u00e3o, especialmente em Gaza e em outros territ\u00f3rios, onde a urg\u00eancia de um adequado apoio humanit\u00e1rio se torna cada vez mais urgente. Hoje, mais do que nunca, a humanidade clama e invoca a paz. \u00c9 um grito que exige responsabilidade e raz\u00e3o, e n\u00e3o deve ser sufocado pelo fragor das armas e por palavras ret\u00f3ricas que incitam ao conflito. Cada membro da comunidade internacional tem uma responsabilidade moral: deter a trag\u00e9dia da guerra, antes que ela se torne um precip\u00edcio irrepar\u00e1vel. N\u00e3o existem conflitos \u201cdistantes\u201d quando a dignidade humana est\u00e1 em jogo. A guerra n\u00e3o resolve os problemas, mas os amplifica e produz feridas profundas na hist\u00f3ria dos povos, que levam gera\u00e7\u00f5es para cicatrizar. Nenhuma vit\u00f3ria armada poder\u00e1 compensar a dor das m\u00e3es, o medo das crian\u00e7as, o futuro roubado. Que a diplomacia fa\u00e7a silenciar as armas! Que as Na\u00e7\u00f5es moldem seu futuro com obras de paz, n\u00e3o com viol\u00eancia e conflitos sangrentos!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2025-06\/papa-leao-xiv-angelus-apelo-paz-oriente-medio-guerra.html\">https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2025-06\/papa-leao-xiv-angelus-apelo-paz-oriente-medio-guerra.html<\/a>, \u00faltimo acesso em 22 de junho de 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos crist\u00e3os, cabe lembrar o que disse o ap\u00f3stolo Paulo: <em>\u201cSe poss\u00edvel, no que depender de v\u00f3s, tende paz com todos os homens\u201d<\/em> (Rm 12,18). A paz come\u00e7a em cada gesto de reconcilia\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m exige estruturas que sustentem a dignidade humana: pol\u00edticas p\u00fablicas justas, seguran\u00e7a cidad\u00e3, promo\u00e7\u00e3o da equidade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o testemunho dos seguidores de Jesus, o Pr\u00edncipe da Paz (Is 9,6), seja firme. Que sejamos aqueles que, mesmo em tempos dif\u00edceis, mant\u00eam acesa a esperan\u00e7a da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da fraternidade entre os povos. Que nossas comunidades sejam espa\u00e7os de acolhimento, escuta e forma\u00e7\u00e3o para a paz. E que, acima de tudo, sejamos reconhecidos n\u00e3o por nossas palavras, mas pelas obras de paz que produzirmos no mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cBem-aventurados os que promovem a paz, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus.\u201d (Mateus 5,9) \u00c0 medida que a escalada de viol\u00eancia em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo atinge n\u00edveis alarmantes, com repercuss\u00f5es devastadoras especialmente para toda a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, o mundo observa, at\u00f4nito, o avan\u00e7o de mais um conflito de propor\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas. 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