{"id":94844,"date":"2025-06-14T09:46:11","date_gmt":"2025-06-14T12:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=94844"},"modified":"2025-06-16T15:47:23","modified_gmt":"2025-06-16T18:47:23","slug":"beata-nha-chica-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/beata-nha-chica-3\/","title":{"rendered":"Beata Nh\u00e1 Chica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos no dia 14 de junho a mem\u00f3ria lit\u00fargica da Beata Nh\u00e1 Chica, uma beata genuinamente brasileira. Ela nasceu e viveu aqui, a exemplo de tantos outros. Rezemos, inclusive, para que, dentro em breve, seja comprovado o segundo milagre e a Beata Nh\u00e1 Chica seja logo canonizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nh\u00e1 Chica sempre optou por uma vida humilde. Era pobre, filha de escravizados e ajudava os pobres, para que nunca faltasse nada para ela e para os irm\u00e3os de comunidade. Viveu com amor a fidelidade ao Evangelho de Cristo e ao mandamento do amor ao pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, era temente a Deus, austera e muito piedosa. As pessoas costumavam procur\u00e1-la, e ela dava conselhos sobre como viver retamente e buscar a santidade no dia a dia. Nh\u00e1 Chica nasceu no distrito de Santo Ant\u00f4nio do Rio das Mortes, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, e viveu as virtudes crist\u00e3s cotidianas na cidade de Baependi, dentro da circunscri\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica da Diocese da Campanha, MG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Beata Nh\u00e1 Chica nos ensina que n\u00e3o precisamos ser padres, freiras, religiosos ou religiosas para dar bons conselhos. Basta que sejamos humildes, que tenhamos uma vida de ora\u00e7\u00e3o e sejamos tementes a Deus. Al\u00e9m de tudo, \u00e9 preciso que transmitamos o amor de Deus ao pr\u00f3ximo e acolhamos a todos sem distin\u00e7\u00e3o. Todos n\u00f3s, a partir do batismo, somos chamados a ser disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus e convidados a anunciar a Palavra de Deus aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nh\u00e1 Chica n\u00e3o possu\u00eda muito estudo; como dissemos, era muito humilde. Mas aconselhava as pessoas com base naquilo que escutava e meditava da Palavra de Deus, e no que ouvia de Nossa Senhora em seus momentos de ora\u00e7\u00e3o. Era t\u00e3o iluminada por Deus que, ao ver uma pessoa se aproximar, j\u00e1 percebia sua necessidade e a aconselhava. Com o tempo, ficou t\u00e3o conhecida que sua fama se espalhou, e as pessoas faziam fila para ouvir seus conselhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu nome de batismo era Francisca de Paula de Jesus, mas ficou conhecida como Nh\u00e1 Chica. Ela nasceu em Santo Ant\u00f4nio do Rio das Mortes, distrito de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (MG), e foi batizada em 26 de abril de 1810. Os documentos que atestam sua exist\u00eancia s\u00e3o seu atestado de \u00f3bito, um testamento e um invent\u00e1rio do irm\u00e3o da beata. No testamento, ela pedia que fossem rezadas missas pelo irm\u00e3o e pela m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos oito anos de idade, mudou-se com sua m\u00e3e, Isabel Maria, e com seu irm\u00e3o, Theot\u00f4nio Pereira do Amaral, quatro anos mais velho, para Baependi, cidade do interior de Minas Gerais. Sua m\u00e3e faleceu pouco tempo depois, quando Nh\u00e1 Chica tinha dez anos. Assim, ela e o irm\u00e3o passaram a viver sozinhos. Ela nunca se casou e passou a viver reclusa em sua casa, dedicada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao aconselhamento. Ficou muito conhecida, sobretudo por dar conselhos, e a \u201cfama\u201d de santidade foi crescendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Beata Nh\u00e1 Chica j\u00e1 tinha fama de santidade em vida, e logo ap\u00f3s sua morte as pessoas j\u00e1 a proclamavam santa. No entanto, como \u00e9 de praxe, a Igreja segue todo o processo necess\u00e1rio, proclamando algu\u00e9m santo apenas ap\u00f3s a investiga\u00e7\u00e3o da vida, da comprova\u00e7\u00e3o das virtudes e exist\u00eancia de milagres. Nh\u00e1 Chica era t\u00e3o humilde que n\u00e3o se vangloriava da fama de santidade; apenas seguia sua vida de ora\u00e7\u00e3o e aconselhamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela afirmava que Nossa Senhora lhe indicava o que devia dizer. Chamava-a, carinhosamente, de \u201cMinha Sinh\u00e1\u201d, que significa \u201cminha Senhora\u201d. Atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, escutava Nossa Senhora, e como serva humilde ouvia o que Ela lhe dizia. A exemplo da M\u00e3e de Deus, Nh\u00e1 Chica exaltava a grandeza do Senhor e tudo o que Ele fazia em favor do seu povo. Agradecia sempre a Deus pelo dom recebido e pedia for\u00e7as para continuar sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde muito cedo, Nh\u00e1 Chica se viu \u201cobrigada\u201d a morar sozinha, apenas com o irm\u00e3o, por causa da morte da m\u00e3e. Ambos cresceram sob os cuidados e prote\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, que foi, pouco a pouco, conquistando o cora\u00e7\u00e3o de Nh\u00e1 Chica. Conforme ela dizia, Nossa Senhora se tornara sua amiga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecida por todos como Nh\u00e1 Chica, recebia em sua casa todos os que buscavam conselhos, sem fazer distin\u00e7\u00e3o. Atendia tanto os mais pobres quanto os mais ricos. Segundo relatos, inclusive conselheiros do Imp\u00e9rio, que visitavam a regi\u00e3o por causa das \u00c1guas de Caxambu (MG), passavam por Baependi para ouvir a Beata. Com seu jeito simples e sua santidade, todos gostavam de ouvi-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Theot\u00f4nio, irm\u00e3o de Nh\u00e1 Chica, casou-se, mas n\u00e3o deixou herdeiros. Quando faleceu, em 1861, deixou toda sua heran\u00e7a para Nh\u00e1 Chica. Em 1865, ela usou esse dinheiro para construir uma capela ao lado de sua casa, dedicada a Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, de quem era devota fervorosa. O restante do patrim\u00f4nio, ela doou aos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nh\u00e1 Chica atendia a todos gratuitamente, com o \u00fanico prop\u00f3sito de ajudar. Rezava por quem a procurava, dava conselhos e transmitia palavras de conforto e esperan\u00e7a. Muitos n\u00e3o tomavam decis\u00f5es importantes sem antes consult\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00fanico dia em que n\u00e3o atendia era a sexta-feira. Nesse dia, lavava suas roupas e se dedicava \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia. Fazia isso, em primeiro lugar, porque precisava se \u201calimentar espiritualmente\u201d para poder ajudar os outros; e, em segundo, porque nas sextas-feiras recordamos a paix\u00e3o e morte de Jesus em vista da salva\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nh\u00e1 Chica faleceu em 14 de junho de 1895, com cerca de oitenta e cinco anos. Um ano antes de sua morte, em 1894, um m\u00e9dico carioca c\u00e9tico, estudioso de hidrologia, chamado Dr. Henrique Mona, passou por Caxambu para estudar as \u00e1guas da cidade. Ao ouvir falar de Nh\u00e1 Chica, mesmo sem religi\u00e3o, resolveu visit\u00e1-la e registrou toda a conversa em seu livro <em>Caxambu<\/em>. Esse \u00e9 um dos principais registros que se tem da beata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico saiu da entrevista reconhecendo a santidade de Nh\u00e1 Chica e, inclusive, contratou um fot\u00f3grafo para tirar a \u00fanica foto que se tem dela. Um ano depois, ela faleceu. Em 13 de maio de 1888, dia da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, mesmo vivendo reclusa, saiu de casa para comemorar com o povo. Nunca aceitava nada em troca de seus conselhos, presentes ou mimos. Dizia que tudo acontecia porque rezava com f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A capela que Nh\u00e1 Chica mandou construir em honra a Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o foi demolida em 1940. No mesmo local, foi erguido um santu\u00e1rio, onde est\u00e3o tamb\u00e9m seus restos mortais. Em 1954, a Igreja de Nh\u00e1 Chica \u2014 hoje \u201cSantu\u00e1rio Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 foi confiada \u00e0s Irm\u00e3s Franciscanas do Senhor. Ao lado do santu\u00e1rio, existe uma obra social para crian\u00e7as e adolescentes necessitados, mantida por devotos e benfeitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1989, Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann, SCJ, ent\u00e3o bispo coadjutor da Diocese da Campanha, determinou a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o em prol da beatifica\u00e7\u00e3o de Nh\u00e1 Chica, processo conclu\u00eddo em 2012, durante o episcopado de Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM, com a assinatura do decreto pelo Papa Bento XVI. Incont\u00e1veis gra\u00e7as s\u00e3o atribu\u00eddas \u00e0 leiga, considerada M\u00e3e dos pobres de Baependi. Foi beatificada em 4 de maio de 2013, em Baependi, numa cerim\u00f4nia presidida pelo Cardeal \u00c2ngelo Amato, SDB, enviado pelo Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ocorre com os santos, ficou estabelecida sua celebra\u00e7\u00e3o no dia de sua morte, 14 de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebremos com f\u00e9 e piedade a mem\u00f3ria lit\u00fargica da Beata Nh\u00e1 Chica. Que ela interceda por cada um de n\u00f3s, escute os nossos rogos, nos d\u00ea conselhos e, do c\u00e9u, nos ajude a amar uns aos outros sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, cor ou condi\u00e7\u00e3o social. Continuemos em ora\u00e7\u00e3o para que, em breve, ela seja proclamada santa pela Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos no dia 14 de junho a mem\u00f3ria lit\u00fargica da Beata Nh\u00e1 Chica, uma beata genuinamente brasileira. Ela nasceu e viveu aqui, a exemplo de tantos outros. 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