{"id":94321,"date":"2025-04-29T09:17:14","date_gmt":"2025-04-29T12:17:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=94321"},"modified":"2025-04-29T14:21:49","modified_gmt":"2025-04-29T17:21:49","slug":"jubileu-da-deficiencia-o-abraco-dos-voluntarios-derrubar-preconceitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jubileu-da-deficiencia-o-abraco-dos-voluntarios-derrubar-preconceitos\/","title":{"rendered":"Jubileu da defici\u00eancia, o abra\u00e7o dos volunt\u00e1rios: derrubar preconceitos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Derrubar preconceitos com o poder da inclus\u00e3o: essa \u00e9 a tarefa dos volunt\u00e1rios que ajudam pessoas com defici\u00eancia.\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O testemunho de quem se dedica diariamente a ajudar pessoas com defici\u00eancia: &#8220;antes de romper as barreiras arquitet\u00f4nicas, precisamos derrubar as barreiras mentais&#8221;. A mem\u00f3ria do Papa Francisco e o ensinamento transmitido por seu &#8220;magist\u00e9rio da fragilidade.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Isabella Piro \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma linha t\u00eanue que separa o ser e o poder ser, o fazer e o poder fazer. Uma linha t\u00eanue delimitada por apenas tr\u00eas letras:\u00a0<i>Def<\/i>, o prefixo que transforma a habilidade em defici\u00eancia. O Jubileu das Pessoas com Defici\u00eancia, programado para 28 e 29 de abril, tem uma tarefa muito especial: converter essa linha de separa\u00e7\u00e3o em uma linha de uni\u00e3o, de comunh\u00e3o, de integra\u00e7\u00e3o. Uma ponte, em suma &#8211; para usar um termo muito caro ao Papa Francisco, falecido h\u00e1 uma semana &#8211; que ajude a criar v\u00ednculos entre aqueles que levam uma vida dita \u201cnormal\u201d e aqueles que, por outro lado, t\u00eam de enfrentar um desafio todos os dias, com eles mesmos e com a realidade circundante.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Combater preconceitos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, apesar dos muitos avan\u00e7os alcan\u00e7ados, o mundo da defici\u00eancia ainda \u00e9 esmagado por preconceitos e tabus. &#8220;Antes das barreiras arquitet\u00f4nicas, devemos derrubar as barreiras mentais!&#8221;, afirma Bianca Maria Moioli: 71 anos, ela \u00e9 volunt\u00e1ria em Roma na \u2018Casa Betania\u2019, uma estrutura fundada em 1993 pelo casal Dolfini para acolher mulheres, jovens e crian\u00e7as com dificuldades e que, ao longo dos anos, com a Cooperativa l&#8217;Accoglienza, abriu tr\u00eas casas para menores com defici\u00eancias, inclusive graves.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Empatia e compreens\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a m\u00eddia do Vaticano, Bianca Maria conta sua experi\u00eancia de juventude entre os escoteiros e seu foco constante na solidariedade, que depois fluiu naturalmente para o trabalho volunt\u00e1rio. Em 2018, me aposentei\u201d, diz ela, \u201ce ent\u00e3o decidi me dedicar a cuidar de pessoas com defici\u00eancia. Eu havia conhecido algumas delas entre os amigos de meus tr\u00eas filhos e todos foram encontros maravilhosos. Portanto, eu queria entender melhor suas dificuldades, porque a defici\u00eancia muda vidas&#8221;. A volunt\u00e1ria n\u00e3o esconde os obst\u00e1culos iniciais: &#8220;depois de tantos anos no mundo do trabalho, achei que tinha a experi\u00eancia necess\u00e1ria, que sabia tudo. Em vez disso, eu n\u00e3o estava preparado. Por exemplo: sou uma pessoa exuberante, falo alto, distribuo abra\u00e7os&#8230; Mas essa minha atitude \u00e0s vezes assustava as pessoas com defici\u00eancia que eu atendia&#8221;. Com o tempo, ele acrescenta, &#8220;entendi a import\u00e2ncia da humildade, de se colocar no lugar do outro, de se identificar com o que ele sente. A maior li\u00e7\u00e3o que recebi foi exatamente esta: voc\u00ea sempre aprende com a outra pessoa&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O voluntariado n\u00e3o \u00e9 apenas um servi\u00e7o que se presta, mas um afeto que permanece<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos sete anos, Moioli tem ajudado pessoas com defici\u00eancias cognitivas, tentando promover sua socializa\u00e7\u00e3o. As lembran\u00e7as constru\u00eddas de 2018 at\u00e9 hoje s\u00e3o muitas, e Bianca Maria menciona uma em particular: &#8220;H\u00e1 pouco tempo, encontrei dois jovens que eu havia ajudado na &#8220;Casa Betania&#8221; e que agora s\u00e3o h\u00f3spedes de uma RSA, para onde voc\u00ea \u00e9 transferido quando completa 21 anos. Eles me viram e me reconheceram! Eles se lembraram de mim! Isso me fez perceber que o voluntariado n\u00e3o \u00e9 apenas um servi\u00e7o que voc\u00ea presta, mas \u00e9 tamb\u00e9m e acima de tudo amor, afeto que permanece&#8221;. Em seguida, a volunt\u00e1ria se exalta ao falar da complexidade subjacente \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 inclus\u00e3o: \u201cAinda h\u00e1 muitos preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia\u201d, enfatiza ela. \u201cS\u00f3 que a linguagem parece ter melhorado, tanto que hoje n\u00e3o se fala mais em pessoas deficientes&#8221;. H\u00e1 alguma esperan\u00e7a entre os jovens, que est\u00e3o mais sens\u00edveis e atentos a essa quest\u00e3o. Mas ainda \u00e9 muito pouco&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" title=\"Pessoas com defici\u00eancia assistidas por volunt\u00e1rios\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2025\/aprile\/28\/2025.04.28-Casa-Betania_02.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Pessoas com defici\u00eancia assistidas por volunt\u00e1rios\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2025\/aprile\/28\/2025.04.28-Casa-Betania_02.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">Pessoas com defici\u00eancia assistidas por volunt\u00e1rios<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 \u201ccultura do descarte\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que parece estar prevalecendo, continua Bianca Maria, \u00e9 a \u201ccultura do descarte\u201d daqueles que n\u00e3o s\u00e3o eficientes, produtivos. Uma cultura deplorada tantas vezes pelo Papa Francisco: \u201cEle era um Pont\u00edfice que eu ouvia muito\u201d, conclui a volunt\u00e1ria, com um v\u00e9u de tristeza em sua voz. &#8220;Ele desfez tantas atitudes erradas, colocando os fracos e marginalizados no centro das aten\u00e7\u00f5es. Ele foi realmente o Papa da miseric\u00f3rdia&#8221;. Luca Baglivo, 27 anos, volunt\u00e1rio na Casa Betania h\u00e1 cinco anos, tamb\u00e9m fala sobre Jorge Mario Bergoglio: \u201cNa noite de 24 de dezembro passado\u201d, ele conta, &#8220;acompanhamos a abertura da Porta Santa da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro ao vivo pela televis\u00e3o. Est\u00e1vamos com os jovens que atendemos todos os dias. Quando eles viram o Papa, exclamaram: \u2018Ele est\u00e1 em uma cadeira de rodas como n\u00f3s!\u2019&#8221;. Naquela noite, continua Luca, \u201caprendi a import\u00e2ncia de reconhecer a fragilidade, porque ela faz parte de nossa experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A hist\u00f3ria de Emiliano<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa telef\u00f4nica \u00e9 interrompida por uma voz: &#8216;Al\u00f4! Meu nome \u00e9 Emiliano&#8221;, diz ele, antes de se afastar. \u00c9 Luca, ent\u00e3o, que se torna o \u201cporta-voz\u201d da hist\u00f3ria desse rapaz de 21 anos, que sofre de espinha b\u00edfida e retardo cognitivo leve. Ele chegou \u00e0 Casa Betania quando tinha pouco mais de um ano de idade e, com o passar do tempo, alcan\u00e7ou muitos objetivos. &#8220;Hoje ele consegue fazer o que seus colegas fazem, embora, obviamente, de forma mais limitada. Tamb\u00e9m foi importante para ele passar por um longo processo de aceita\u00e7\u00e3o: no in\u00edcio, por exemplo, ele rejeitava seu corpo, n\u00e3o queria cuidar dele. Agora, por\u00e9m, ele se tornou aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 higiene pessoal e isso \u00e9 uma conquista da qual ele se orgulha muito.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Pensar de forma criativa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCriatividade\u201d \u00e9 um termo que Luca usa com frequ\u00eancia durante a entrevista: \u00e9 uma ferramenta essencial para contornar os in\u00fameros obst\u00e1culos e distor\u00e7\u00f5es que permeiam a vida de uma pessoa com defici\u00eancia. &#8220;Certa vez, levamos alguns jovens da \u2018Casa\u2019 para jantar em um restaurante&#8221;, conta ele. Entre eles havia uma jovem com s\u00e9rias dificuldades para engolir. Resolvemos o problema pedindo ao chef que misturasse todos os pratos para ela&#8221;. Uma solu\u00e7\u00e3o simples, criativa na verdade, que permitiu que todos estivessem juntos, em comunh\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A defici\u00eancia est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8216;O mundo da defici\u00eancia&#8217;, enfatiza Baglivo, &#8216;nos leva a fazer muitas perguntas a n\u00f3s mesmos, porque a diversidade \u00e9 um grande &#8216;professor&#8217; na vida&#8217;. A principal quest\u00e3o diz respeito ao futuro: uma vez fora da \u2018Casa Betania\u2019, as pessoas com defici\u00eancia se deparam com apenas duas possibilidades: ou a recep\u00e7\u00e3o em uma RSA ou a entrada em uma vida totalmente aut\u00f4noma, uma meta particularmente dif\u00edcil de alcan\u00e7ar. &#8220;H\u00e1 uma falta de instala\u00e7\u00f5es capazes de acomodar aqueles que est\u00e3o no meio do caminho, ou seja, em semi-autonomia&#8221;, ressalta Luca. Em seguida, ele faz uma observa\u00e7\u00e3o final e muito importante: &#8220;A defici\u00eancia est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea. Os deficientes n\u00e3o s\u00e3o &#8216;super-her\u00f3is&#8217;, mas precisam se sentir &#8216;vistos&#8217;, levados em considera\u00e7\u00e3o, iguais a todos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Derrubar preconceitos com o poder da inclus\u00e3o: essa \u00e9 a tarefa dos volunt\u00e1rios que ajudam pessoas com defici\u00eancia.\u00a0 O testemunho de quem se dedica diariamente a ajudar pessoas com defici\u00eancia: &#8220;antes de romper as barreiras arquitet\u00f4nicas, precisamos derrubar as barreiras mentais&#8221;. A mem\u00f3ria do Papa Francisco e o ensinamento transmitido por seu &#8220;magist\u00e9rio da fragilidade. 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