{"id":93901,"date":"2025-04-07T10:14:06","date_gmt":"2025-04-07T13:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=93901"},"modified":"2025-04-07T16:15:21","modified_gmt":"2025-04-07T19:15:21","slug":"a-panela-explodiu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-panela-explodiu-2\/","title":{"rendered":"A PANELA EXPLODIU"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi na \u00faltima quarta-feira, 30 de mar\u00e7o. A press\u00e3o superou a aparente robustez da panela. H\u00e1 anos ela se achava insubstitu\u00edvel e reinava absoluta entre alhos e bugalhos de uma dispensa hora farta, hora carente do b\u00e1sico, do trivial arroz e feij\u00e3o cujo pre\u00e7o oscilava conforme o humor do mercado. A velha panela entendia bem desse humor e quase ditava o card\u00e1pio \u00e0 fiel cozinheira, que se submetia \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da patroa. Esta, por sua vez, n\u00e3o fazia milagres, mas contornava a situa\u00e7\u00e3o com os parcos recursos das fontes suadas e conquistadas a duras penas com o trabalho conjunto de seus familiares. Trabalho digno, mas excessivamente roubado por uma carga tribut\u00e1ria sem precedentes na hist\u00f3ria do pa\u00eds. Pa\u00eds do Nunca, pois \u201cnunca antes na hist\u00f3ria&#8230;\u201d. Bem, isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A quest\u00e3o \u00e9 que a panela explodiu; jogou para os ares o almo\u00e7o daquela quarta. A cozinha recebeu uma decora\u00e7\u00e3o nova, original, com nuances de carne de panela e molho de tomate que permearam o antes alvo e puro teto de nossas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. De nossas alegrias e esperan\u00e7as. Parecia algo diab\u00f3lico, de tremendo mau gosto, pois al\u00e9m dos tons avermelhados, impregnou o ambiente com um odor nauseante de carne ainda crua, fedendo a sangue.\u00a0 Repentinamente, deixou de acolher, abrigar e alimentar aqueles que ali refaziam suas energias para a labuta di\u00e1ria. O almo\u00e7o daquele dia seria improvisado. Ter\u00edamos que nos contentar com o arroz e feij\u00e3o trivial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A explos\u00e3o foi ouvida \u00e0 dist\u00e2ncia. P\u00f4s em polvorosa amigos e vizinhos, assustados com os gritos de quem pilotava o fog\u00e3o. Por pouco, muito pouco, a cozinheira de plant\u00e3o n\u00e3o se feriu com os estilha\u00e7os e a \u00e1gua fervente que escapou da panela por todas as dire\u00e7\u00f5es. N\u00e3o foi dessa vez! Uma bomba desse quilate n\u00e3o escolhe suas v\u00edtimas, mas deixa suas marcas no ambiente. Restaur\u00e1-lo e devolver-lhe a higiene e pureza de outrora vai exigir muito trabalho e investimentos extras, fora do or\u00e7amento. Pior que a crise n\u00e3o permite novas negociatas banc\u00e1rias, j\u00e1 que o cr\u00e9dito est\u00e1 curto e as institui\u00e7\u00f5es financeiras andam cautelosas com a crescente inadimpl\u00eancia do nosso povo. \u00a0Algu\u00e9m a\u00ed, aceita uma bicicleta em troca de um fog\u00e3o? Pedalar e cozinhar d\u00e1 na mesma, ou melhor, desestressa&#8230; Troco ela por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ah, o fog\u00e3o! Senhor fog\u00e3o, sempre discreto no seu canto, mas sol\u00edcito a desempenhar seu papel a um simples click do autom\u00e1tico ou estalar de um f\u00f3sforo incandescente. Meu velho fog\u00e3o, n\u00e3o sei porque, sempre me lembrou a ebuli\u00e7\u00e3o do povo. \u00c0s vezes era de fogo baixo, pondo em banho maria muitos dos nossos cozidos, mas quando lhe exig\u00edamos fervura maior, cozimento mais r\u00e1pido ou assaduras substanciais, n\u00e3o negava fogo. Coitado! L\u00e1 est\u00e1 ele, vencido na luta, contorcido, amassado, cabisbaixo como um soldado ferido. Virou ferro-velho, o pobre! N\u00e3o suportou o impacto da velha panela ao explodir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vive seus dias de armagedon. Como diz a palavra: \u201cO Dia do Senhor chegar\u00e1 como um ladr\u00e3o, e ent\u00e3o os c\u00e9us se dissolver\u00e3o com estrondo, os elementos se derreter\u00e3o, devorados pelas chamas, e a terra desaparecer\u00e1 com tudo o que nela se faz\u201d (II Ped 3,10). Pois \u00e9, companheiro, seu dia chegou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS: Se voc\u00ea leu esta coluna como uma cr\u00edtica pol\u00edtica, paci\u00eancia!. Isso tudo \u00e9 um fato, algo acontecido em minha casa no dia supracitado. Minha velha panela de press\u00e3o explodiu, sim. Deixou sem gra\u00e7a e intrag\u00e1vel o almo\u00e7o do \u00faltimo dia 30. Dizem que panela velha faz comida boa, mas no meu caso, panela nova \u00e9 mais segura. Mesmo que um novo fog\u00e3o tamb\u00e9m seja necess\u00e1rio. Agora, paci\u00eancia se qualquer semelhan\u00e7a seja mera coincid\u00eancia. Acontece. Ou n\u00e3o? Por via das d\u00favidas, bom seria que voc\u00ea revisasse suas panelas, panelinhas e panel\u00f5es tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20 anos de Palavras de Esperan\u00e7a. Publicado em 06 de abril de 2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi na \u00faltima quarta-feira, 30 de mar\u00e7o. A press\u00e3o superou a aparente robustez da panela. 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