{"id":93663,"date":"2025-03-17T09:50:43","date_gmt":"2025-03-17T12:50:43","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=93663"},"modified":"2025-03-17T13:51:42","modified_gmt":"2025-03-17T16:51:42","slug":"o-pulo-do-gato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-pulo-do-gato\/","title":{"rendered":"O PULO DO GATO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizem que todo bom mestre, por melhor que seja, n\u00e3o ensina tudo a seus alunos. Ilustra essa verdade o cl\u00e1ssico conto popular da on\u00e7a e o gato. Apesar das muitas desaven\u00e7as entre eles, a on\u00e7a estava sempre \u00e0 espreita para aprender com o gato seus trejeitos e malandragens, sua agilidade \u00edmpar durante a ca\u00e7a, que provocava at\u00e9 uma pontinha de inveja no felino maior. Prop\u00f4s ent\u00e3o a on\u00e7a que o gato lhe ensinasse um pouco mais de sua ast\u00facia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A oportunidade surgiu diante de um r\u00e9ptil descuidado. Qual dos dois o devoraria primeiro? \u2013 desafiou a on\u00e7a. O gato n\u00e3o se deu por vencido e pulou primeiro sobre o ing\u00eanuo r\u00e9ptil. A on\u00e7a n\u00e3o perdeu a oportunidade e pulou certeira sobre&#8230; sobre o gato. Matreiro, o gato pulou de banda e se safou da trai\u00e7\u00e3o. Queixosa, a on\u00e7a reclamou que aquele salto de lado n\u00e3o fizera parte dos ensinamentos do gato. Ao que o gato prontamente se justificou: \u201cNem tudo os mestres ensinam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim vejo as chamadas manobras diplom\u00e1ticas do mundo de hoje. Em especial quando na\u00e7\u00f5es se dividem em blocos de interesses comerciais, deixando de lado os interesses mais cruciais da comunidade humana, quais aqueles que dizem respeito \u00e0 harmonia entre os povos, ao bem-estar m\u00ednimo que a dignidade da vida exige, o combate a toda e qualquer forma de mis\u00e9ria e fome, o respeito \u00e0s liberdades pol\u00edticas, culturais, religiosas, enfim, dar a todos a oportunidade de exercitar seu livre arb\u00edtrio, sem trai\u00e7\u00f5es, sem inten\u00e7\u00f5es que n\u00e3o aquelas do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando um pa\u00eds como o Brasil se arvora como portador de todas as solu\u00e7\u00f5es para a emblem\u00e1tica rela\u00e7\u00e3o entre os povos, est\u00e1 se fazendo de on\u00e7a. Esquece que na hierarquia animal todos possuem artif\u00edcios e artimanhas pr\u00f3prias para vencerem na luta pela sobreviv\u00eancia. O le\u00e3o, paciente, mas astuto, se posta como rei. A pantera, \u00e1gil e veloz, \u00e9 rainha em suas savanas. A \u00e1guia \u2013 ah, a \u00e1guia! \u2013 com seu voo silencioso e sua vis\u00e3o magn\u00edfica, n\u00e3o perde um lance sequer. Urubus, aos bandos, fazem da carnificina aqui de baixo seu grande banquete. At\u00e9 as serpentes, sempre trai\u00e7oeiras, aplicam a pol\u00edtica do subterf\u00fagio, para aplicar seus golpes com perfei\u00e7\u00e3o! Esse \u00e9 o mundo, essa \u00e9 a guerra que travamos para nos manter vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O parentesco entre a on\u00e7a e o gato n\u00e3o justifica uma rela\u00e7\u00e3o de amizade entre eles. Nem de confian\u00e7a. Nem de benef\u00edcios m\u00fatuos. A on\u00e7a pensa ser superior ao gato. O gato desdenha dessa superioridade exibindo pequenas artimanhas. Mas \u2013 cada qual no seu mundo \u2013 s\u00e3o temidos e respeitados pelos que se julgam presas de sua cadeia alimentar. Essa \u00e9 a triste realidade que nos cerca, quando somos for\u00e7ados a uma rela\u00e7\u00e3o de diplomacia falsa, hip\u00f3crita, de apar\u00eancia, sem um aprendizado melhor partilhado, sem cartas na manga, interesses a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o fa\u00e7o as interroga\u00e7\u00f5es da l\u00f3gica: Quais os interesses brasileiros quando nossa diplomacia passa a defender a posi\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e governantes contr\u00e1rios ao regime democr\u00e1tico aqui vigente? Por que a diferencia\u00e7\u00e3o de status entre os prisioneiros pol\u00edticos daqui e os de fora? Por que essas posi\u00e7\u00f5es ambivalentes, quando nossa Hist\u00f3ria recente primou pela conquista lenta, suada, dolorosa at\u00e9, de um regime que nos permite um pulo maior? Mesmo que le\u00f5es, \u00e1guias e urubus nos espreitem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f3 queria entender. Mesmo assim, sei que essa oncinha pode dar com os burros na \u00e1gua. Talvez encontre seu bebedouro&#8230; Talvez se lembre que nasceu e cresceu seguindo os ensinamentos do Bom Mestre e este n\u00e3o lhe ocultou sua Sabedoria. Talvez ainda descubra que construir um mundo melhor depende do testemunho de f\u00e9 de seu povo, n\u00e3o das ambi\u00e7\u00f5es de seus pol\u00edticos. Porque o maior dos presos pol\u00edticos nunca se fechou ao di\u00e1logo, nem se prestou a contradi\u00e7\u00f5es, mas ensinou dando a vida e se esgotando como fonte de toda verdade: \u201cSe algu\u00e9m tiver sede, venha a mim e beba\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20 anos de Palavras de Esperan\u00e7a. Publicado em 16 de mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizem que todo bom mestre, por melhor que seja, n\u00e3o ensina tudo a seus alunos. Ilustra essa verdade o cl\u00e1ssico conto popular da on\u00e7a e o gato. 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