{"id":92880,"date":"2025-02-03T09:12:04","date_gmt":"2025-02-03T12:12:04","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=92880"},"modified":"2025-02-10T12:12:54","modified_gmt":"2025-02-10T15:12:54","slug":"o-milagre-de-pampulha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-milagre-de-pampulha\/","title":{"rendered":"O MILAGRE DE PAMPULHA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A miniss\u00e9rie JK trouxe as iniciais do respons\u00e1vel por um dos \u201cmilagres brasileiros\u201d no quesito desenvolvimento. N\u00e3o bem um milagre, talvez um dessas \u201cbolhas\u201d de ilus\u00e3o desenvolvimentista. J\u00e1 Pampulha \u2013 bairro da capital mineira \u00e0s margens de um lago, urbanizado pelo ent\u00e3o prefeito JK e marco do modernismo nacional &#8211; foi durante anos o s\u00edmbolo desse &#8220;milagre\u201d! De repente, eis que esse s\u00edmbolo se torna real, agora atestando um verdadeiro milagre, n\u00e3o de JK, mas de JC, o Cristo Senhor da Vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cena do milagre deixa boquiaberto qualquer crist\u00e3o. O lago cintila ao fundo, enquanto alguns casais realizam um piquenique e algu\u00e9m registra em sua c\u00e2mara as belezas do local. De repente, um saco preto, de lixo mesmo, rouba a cena. Ele boiava a beira do lago. H\u00e1 algo dentro, um ser vivo? Um som chama a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. Um gato, um cachorro? A c\u00e2mara registra tudo. Munido de um bast\u00e3o de madeira, algu\u00e9m alcan\u00e7a aquele \u201cembrulho\u201d que boiava nas \u00e1guas pl\u00e1cidas do belo lago. Retiram-no das \u00e1guas e, com as m\u00e3os tr\u00eamulas que j\u00e1 percebem o inusitado da cena, um rapaz rasga o inv\u00f3lucro pl\u00e1stico&#8230; Uma crian\u00e7a! Ouvem-se as exclama\u00e7\u00f5es dos que presenciam a cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o a crian\u00e7a chora. Mais uma vez emite o som de seu agora segundo nascimento. Mais uma vez, a retiram de um ventre, um aparente saco de lixo, por\u00e9m bem mais puro e imaculado que o ventre que lhe deu \u00e0 luz primeira. Nasce do lago da vida mais uma rejeitada da sociedade humana. Um anjo \u00e9 salvo das \u00e1guas, como aquele Mois\u00e9s do passado, por\u00e9m agora distante de um pal\u00e1cio real, um jardim, uma princesa. Ali ao lado, o \u00fanico pal\u00e1cio \u00e9 a capela dedicada a S\u00e3o Francisco, aquela igrejinha com a assinatura do maior de nossos arquitetos, que durante anos foi alvo de pol\u00eamica entre Igreja e Estado. O arcebispo se negava a consagr\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Algu\u00e9m se negou a consagrar aquela crian\u00e7a em sua vida. E o que n\u00e3o consagramos em nossos cora\u00e7\u00f5es, se descarta. At\u00e9 uma crian\u00e7a? Se considerarmos as estat\u00edsticas dos rejeitados, dos abortados, dos \u201cdescart\u00e1veis\u201d da sociedade de hoje, a crian\u00e7a de Pampulha \u00e9 apenas mais uma. Por\u00e9m, o milagre do seu renascimento torna-se um grito de alerta, um sinal vis\u00edvel e palp\u00e1vel de que o plano de Deus ainda \u00e9 soberano, est\u00e1 acima da soberania humana sobre suas pr\u00f3prias vontades. Deus prop\u00f5e, o home disp\u00f5e. Por\u00e9m, nunca a seu bel-prazer, como ilusoriamente possa imaginar essa humanidade sem humanitarismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cena de Pampulha correu o mundo. Um documento irrefut\u00e1vel de que a podrid\u00e3o de nossos atos ser\u00e1 publicada sobre os telhados, proclamada aos quatro ventos do universo, como prova de nossa pequenez diante do milagre da pr\u00f3pria exist\u00eancia. O ato daquele abandono foi premeditado em surdina, executando \u00e0s escondidas. N\u00e3o contava com a interven\u00e7\u00e3o divina. Mais ainda, n\u00e3o contava com a presen\u00e7a de semelhantes, a a\u00e7\u00e3o de uma c\u00e2mera de v\u00eddeo, um instrumento humano que Deus usou para documentar a mesquinhez a que chegamos. Eis a prova. Eis as imagens de um fato que nos parece inusitado, por\u00e9m corriqueiro. A cada aborto que se faz, a cada crian\u00e7a abandonada, a cada beb\u00ea desnutrido que morre de fome o mundo (segundo a UNESCO, morre uma crian\u00e7a a cada quatro segundo), a horripilante cena de Pampulha se repete, por\u00e9m sem o ep\u00edlogo feliz do milagre que aqui reportamos. E milagres acontecem, apenar da nossa indignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Iara, rainha das \u00e1guas! \u201cN\u00e3o fui eu quem jogou essa droga!\u201d \u2013 disse a m\u00e3e. \u201cDeixai vir a mim estas criancinhas \u2013 diz Jesus \u2013 porque o Reino dos c\u00e9us \u00e9 para aqueles que se parecem com elas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20 anos de Palavras de Esperan\u00e7a. Publicado em 01 de fevereiro de 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A miniss\u00e9rie JK trouxe as iniciais do respons\u00e1vel por um dos \u201cmilagres brasileiros\u201d no quesito desenvolvimento. N\u00e3o bem um milagre, talvez um dessas \u201cbolhas\u201d de ilus\u00e3o desenvolvimentista. J\u00e1 Pampulha \u2013 bairro da capital mineira \u00e0s margens de um lago, urbanizado pelo ent\u00e3o prefeito JK e marco do modernismo nacional &#8211; foi durante anos o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":55826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-92880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92882,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92880\/revisions\/92882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}