{"id":92375,"date":"2025-01-06T09:00:16","date_gmt":"2025-01-06T12:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=92375"},"modified":"2025-01-16T11:10:26","modified_gmt":"2025-01-16T14:10:26","slug":"entender-as-pegadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/entender-as-pegadas\/","title":{"rendered":"ENTENDER AS PEGADAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um camelo se perdeu no deserto. Seus propriet\u00e1rios o procuravam, quando cruzaram o caminho de um religioso. \u201cVistes um camelo por a\u00ed\u201d? \u2013 lhe perguntaram. O interpelado foi logo descrevendo o animal: \u201cEra cego da vista esquerda, manco da perna direita, sem um dente incisivo e ia carregado de mel em uma banda e trigo em outra\u201d? Perfeito, esse era o animal! Ao que o religioso, para surpresa dos propriet\u00e1rios, respondeu: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o o vi\u201d. Irados, os homens prenderam aquele viajante e o levaram aos tribunais, acusando-o de roubo. Antes de conden\u00e1-lo, o juiz quis saber como aquele r\u00e9u descrevera t\u00e3o bem o animal em quest\u00e3o. A resposta foi desconcertante: \u201cOra, ele comia a erva apenas de um lado da estrada, as pegadas da direita eram mais apagadas do que as da esquerda, deixava sempre um molho de ervas no meio de um bocado e as formigas de um lado e a abelhas do outro me contaram o que levava o camelo\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse conto de Erasmo Braga (1877-1932) vem a prop\u00f3sito dos falsos julgamentos que corriqueiramente a vida nos impele a fazer. Nem sempre o \u00f3bvio \u00e9 real. Nem sempre as evid\u00eancias s\u00e3o cabais numa situa\u00e7\u00e3o de suspeita. Julgar pelas apar\u00eancias, no entanto, \u00e9 atitude mais que corriqueira na sociedade. Um vendedor de autom\u00f3veis me contou que, por pouco, n\u00e3o perdeu grandes vendas, porque o comprador se apresentou mal trajado e com barba por fazer.\u00a0 Era um rico fazendeiro. J\u00e1 por outro lado, h\u00e1 casos pitorescos de assaltos bem-sucedidos com malandros de palet\u00f3 e gravata. Recentemente, um falso pastor, com a B\u00edblia debaixo do bra\u00e7o, reuniu uma comunidade rural e, ap\u00f3s simular ora\u00e7\u00f5es, sacou sua arma e efetuou um assalto coletivo. O reluzente ouro pode ser um cobre de segunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A chave, o segredo para se evitar certas ciladas \u00e9 interpretar corretamente as pegadas que deixam. Falo de fatos atuais. Um ditador, por exemplo, nasce da ingenuidade de um povo, que ignora a pata manca, a prefer\u00eancia pelo feno da esquerda (ou mesmo da direita), a mordida em falso&#8230; Pelas pegadas se conhece o animal. Transformar, da noite para o dia, um movimento guerrilheiro \u2013 que sequestra, mata, estupra (matar n\u00e3o pode, estuprar pode?) rouba e at\u00e9 trafica \u2013 em \u201cex\u00e9rcito de insurgentes\u201d \u00e9 matar um camelo e tentar escond\u00ea-lo na ponta de uma agulha. N\u00e3o d\u00e1. S\u00f3 mesmo apagando certas pegadas de sangue e intoler\u00e2ncia, o que a hist\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o permite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ali\u00e1s, a apote\u00f3tica liberta\u00e7\u00e3o de duas pobres ref\u00e9ns, midiaticamente explorada, n\u00e3o \u00e9 tudo nesta hist\u00f3ria. Esse camelo \u2013 o fato em si -, aparentemente perdido num deserto de muitos interesses, esconde algo mais precioso que suas sacas furadas de mel e trigo. O povo, religioso e s\u00e1bio que \u00e9, nada roubou do latifundi\u00e1rio, o senhor dos an\u00e9is, o que se julga dono do mundo com seu petr\u00f3leo e poder. Ao contr\u00e1rio, o povo&#8230; (caracas, n\u00e3o vive esse povo uma vida de camelo?). Pois ent\u00e3o, este sabe onde pisa! E como pisa! Muitos que se imaginam reis em suas posses, soberanos acima do povo, me devolvem a pergunta: \u201cPor que n\u00e3o te calas\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deixo a conclus\u00e3o para Heitor Cony, da Folha. De pegadas ele entende. Seu artigo \u201cCh\u00e1vez e a m\u00eddia\u201d assim termina: \u201cO maior fato midi\u00e1tico da humanidade foi num tempo em que nem havia m\u00eddia. Um dissidente do juda\u00edsmo foi crucificado num morro ao lado de dois ladr\u00f5es. Nos 2000 anos seguintes, esse fato, que poderia ter passado despercebido, dividiu a hist\u00f3ria em antes de depois, fez toneladas de textos e imagens invadirem o mundo e gerou detratores e m\u00e1rtires\u201d. No entanto, muitos dizem seguir seus passos, mas n\u00e3o entenderam as mensagens ocultas em suas pegadas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 20 anos de Palavras de Esperan\u00e7a. Publicado em 16 de janeiro de 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um camelo se perdeu no deserto. Seus propriet\u00e1rios o procuravam, quando cruzaram o caminho de um religioso. \u201cVistes um camelo por a\u00ed\u201d? \u2013 lhe perguntaram. 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