{"id":92124,"date":"2024-12-20T14:16:59","date_gmt":"2024-12-20T17:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=92124"},"modified":"2024-12-20T14:16:59","modified_gmt":"2024-12-20T17:16:59","slug":"para-que-o-mundo-creia-jo-1721b-carta-pastoral-do-cardeal-orani-joao-tempesta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/para-que-o-mundo-creia-jo-1721b-carta-pastoral-do-cardeal-orani-joao-tempesta\/","title":{"rendered":"PARA QUE O MUNDO CREIA (Jo 17,21b)  Carta Pastoral  do Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Carta Pastoral<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">do Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Arcebispo de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">por ocasi\u00e3o do Jubileu de Ouro Presbiteral<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">na 12\u00aa festa da Unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\">14 de dezembro de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo,<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Neste ano em que celebro o Jubileu de Ouro do meu sacerd\u00f3cio, convido cada um de voc\u00eas a refletirem comigo sobre o chamado \u00e0 unidade que Cristo nos fez. Ao longo desses cinquenta anos de minist\u00e9rio sacerdotal, pude experimentar as riquezas e os desafios da miss\u00e3o confiada a n\u00f3s, pastores do rebanho. E, \u00e0 medida que o tempo avan\u00e7a, a certeza que resplandece com ainda mais vigor \u00e9 esta: a ess\u00eancia da vida crist\u00e3 e do minist\u00e9rio est\u00e1 na unidade dos cora\u00e7\u00f5es em torno de nosso Senhor Jesus Cristo, em quem todos n\u00f3s somos chamados a ser um.<\/li>\n<li>A inspira\u00e7\u00e3o para o lema sacerdotal nasceu no contexto da Par\u00f3quia de S\u00e3o Roque, em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Pardo, que vivia intensamente o ideal da unidade, envolvendo tanto o p\u00e1roco quanto os leigos e leigas. Esse mesmo esp\u00edrito foi refor\u00e7ado no Mosteiro, onde o ent\u00e3o Abade Presidente promovia essa vis\u00e3o de unidade e a transmitia aos monges por meio de encontros formativos.<\/li>\n<li>O Bispo ordenante, o servo de Deus, D. Tom\u00e1s Vaquero e a madrinha da ordena\u00e7\u00e3o, a serva de Deus, Lurdinha Font\u00e3o tamb\u00e9m participam desse mesmo movimento de busca de unidade. Estava cercado na Par\u00f3quia, Mosteiro e Diocese por esse ideal.<\/li>\n<li>Quando chegou o momento de escolher um lema para o sacerd\u00f3cio ministerial que se aproximava, n\u00e3o hesitei em adotar as palavras \u201cque todos sejam um\u201d. Com o passar do tempo, esse lema foi moldando minha compreens\u00e3o sobre a unidade na diversidade, tornando-se um sinal para uma sociedade marcada por divis\u00f5es e conflitos.<\/li>\n<li>Est\u00e1vamos na primeira d\u00e9cada do Conc\u00edlio Vaticano II, cujos documentos sobre o Ecumenismo e o di\u00e1logo inter-religioso apontavam para um compromisso renovado da Igreja em favor da unidade e da reconcilia\u00e7\u00e3o. Naquele momento, n\u00e3o podia imaginar aonde essa escolha me conduziria. Hoje, ao olhar os caminhos percorridos, reconhe\u00e7o como essa inspira\u00e7\u00e3o foi providencial e como me ajudou a entender os desafios da evangeliza\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio do meu minist\u00e9rio.<\/li>\n<li>Embora j\u00e1 tenha discorrido muito sobre este tema, considero importante lembrar que Jesus, em sua bel\u00edssima \u201cora\u00e7\u00e3o sacerdotal\u201d, intercede pela unidade de seus disc\u00edpulos \u201cpara que o mundo creia\u201d. Ele toma como refer\u00eancia a unidade da Sant\u00edssima Trindade para iluminar nosso caminho e fortalecer nosso compromisso com a comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>Ao completar 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, percebo como esse princ\u00edpio tem sido constante em minha vida sacerdotal e episcopal. Ele me trouxe grande bem e acredito que tamb\u00e9m beneficiou as pessoas com quem me relacionei ao longo desses anos. Mesmo reconhecendo que, muitas vezes, foi (e ser\u00e1) necess\u00e1rio recorrer ao discernimento para reencontrar a verdade em meio a tantas mentiras e fal\u00e1cias, compreendi que \u00e9 poss\u00edvel conviver com as diferen\u00e7as quando h\u00e1 um sincero desejo de encontrar o Senhor. Essa atitude, t\u00e3o essencial para a sociedade no passado, revela-se ainda mais necess\u00e1ria nos tempos desafiadores de hoje.<\/li>\n<li>As reflex\u00f5es que se seguem n\u00e3o s\u00e3o novas, mas querem reafirmar convic\u00e7\u00f5es e preparar nossos cora\u00e7\u00f5es para o Jubileu de 2025 \u2013 Peregrinos de Esperan\u00e7a -, enquanto celebramos este jubileu de ouro sacerdotal, com esp\u00edrito de gratid\u00e3o e renovado ardor mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema da Unidade na Sagrada Escritura<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"9\">\n<li>A unidade do g\u00eanero humano \u00e9 um tema central da narrativa b\u00edblica e est\u00e1 em profunda rela\u00e7\u00e3o com o tema da obedi\u00eancia a Deus e \u00e0 sua vontade, chave de interpreta\u00e7\u00e3o da Sagrada Escritura. Por meio desses temas, se percebe e se compreende a l\u00f3gica do amor de Deus ao qual o ser humano \u00e9 chamado a ter para com Ele, com o pr\u00f3ximo e consigo mesmo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>As narrativas da cria\u00e7\u00e3o revelam a inten\u00e7\u00e3o divina de estabelecer a comunidade de vida e de amor entre os seres humanos com o pr\u00f3prio Deus. A cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (Gn 1,26-27), enfatiza a dignidade \u00fanica de cada ser humano e o sentido da sua voca\u00e7\u00e3o para viver unido a Deus e ao seu semelhante. O ser humano, var\u00e3o e virago, foi dotado de capacidades para crescer, se multiplicar e saber cuidar, devidamente, da terra sobre a qual foi estabelecido. Gn 2,18-24, por sua vez, n\u00e3o apresenta o ser humano como ser isolado, mas como membro de uma comunidade. A cria\u00e7\u00e3o da mulher, a partir do lado aberto do homem, n\u00e3o simboliza superioridade, mas complementaridade, sinal da interdepend\u00eancia entre os dois, refletindo a unidade essencial da humanidade. Essa rela\u00e7\u00e3o prenuncia a compreens\u00e3o de que o homem e a mulher s\u00e3o o reflexo vivo do amor de Deus, Uno e Trino, como confessado na f\u00e9 crist\u00e3, base do profundo sentido que reside no \u201cn\u00f3s\u201d humano, que, por sua vez, se expressa, de modo singular, na voca\u00e7\u00e3o e dimens\u00e3o do matrim\u00f4nio.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"11\">\n<li>Al\u00e9m disso, essas narrativas b\u00edblicas destacam que a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e9 um ato gratuito de Deus. A dignidade conferida a cada ser humano implica em responsabilidade m\u00fatua, onde a vida em comunidade, na unidade, \u00e9 aben\u00e7oada e promovida por Deus. Nesse sentido, a unidade de todo o g\u00eanero humano \u00e9 voca\u00e7\u00e3o \u00e0 solidariedade, \u00e0 fraternidade e \u00e0 conviv\u00eancia harmoniosa, enriquecida e manifestada na beleza da diversidade das etnias e das rela\u00e7\u00f5es que podem ser estabelecidas em favor de toda a humanidade que reside sobre a face da terra.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"12\">\n<li>Assim, a no\u00e7\u00e3o de que todos os seres humanos compartilham uma origem comum em Deus, por seu ato amoroso, refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que a unidade do g\u00eanero humano transcende todas as diferen\u00e7as culturais, sociais, raciais, familiares, religiosas e unem a humanidade em um divino prop\u00f3sito de felicidade e de realiza\u00e7\u00e3o. Logo, conforme os relatos b\u00edblicos, a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabelece apenas a identidade do ser humano, mas revela a sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de comunh\u00e3o na unidade com Deus, consigo mesmo, com o pr\u00f3ximo e com todo o criado.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"13\">\n<li>A rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e Deus \u00e9 fundamental para entender essa unidade. Cada pessoa \u00e9 chamada, pela gra\u00e7a de Deus, \u00e0 alian\u00e7a com o seu Criador, o que implica uma resposta de f\u00e9 e amor, exclusiva da humanidade, criada para pensar como Deus pensa, querer como Deus quer e agir como Deus age no amor livre. Essa dimens\u00e3o relacional se reflete na cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, a fim de que, em sua natureza e juntos, formem a base essencial de toda a comunidade humana e sejam capazes de expressar o sentido esponsal e vital do corpo no amor m\u00fatuo, pelo qual, homem e mulher formam uma s\u00f3 carne, sinal eficaz do sacramento primordial desejado por Deus: \u201cPor isso um homem deixa seu pai e sua m\u00e3e, se une \u00e0 sua mulher, e eles se tornam uma s\u00f3 carne\u201d (Gn 2,24). Uni\u00e3o confirmada por Jesus Cristo no debate sobre o div\u00f3rcio (Mt 19,5).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"14\">\n<li>A dignidade do corpo humano, portanto, \u00e9 sagrada e deve ser respeitada; \u00e9 um aspecto essencial que refor\u00e7a a unidade querida por Deus para todo o g\u00eanero humano, meio de comunh\u00e3o e amor entre as pessoas. Essa no\u00e7\u00e3o de unidade se estende \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de que todos os seres humanos compartilham a mesma origem e o mesmo fim: a vida terrena orientada para a vida eterna em plena comunh\u00e3o com Deus e entre si; \u00e9 o que se denominar\u00e1 comunh\u00e3o dos justos e santos.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"15\">\n<li>Partindo dos relatos da cria\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o destes, percebe-se que o Antigo Testamento condensa numerosos ensinamentos sobre a unidade. Um olhar breve para os Patriarcas, Mois\u00e9s, os profetas e os s\u00e1bios de Israel, permite adentrar, ainda mais, no tema da unidade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"16\">\n<li>As narrativas patriarcais revelam que a origem da f\u00e9 dos filhos de Israel reside na voca\u00e7\u00e3o e na miss\u00e3o de Abra\u00e3o, pelo qual Deus escolheu e quis formar um povo capaz de viver e de refletir em suas palavras e a\u00e7\u00f5es essa unidade. A hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, come\u00e7a com a alian\u00e7a que Deus estabelece com Abra\u00e3o, eleito para ser \u201cpai de uma multid\u00e3o de na\u00e7\u00f5es\u201d (Gn 17,4), pelo qual se abre o caminho para a humanidade retornar ao seu Criador. Essa escolha, por\u00e9m, n\u00e3o se limita ao futuro Israel, que descende de Abra\u00e3o, mas \u00e9 uma elei\u00e7\u00e3o que se expande, a fim de incluir todas as na\u00e7\u00f5es. Os profetas se far\u00e3o arautos dessa expans\u00e3o, anunciando um tempo em que as na\u00e7\u00f5es peregrinar\u00e3o ao templo do Senhor, promovendo uma era de felicidade e de paz.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"17\">\n<li>Al\u00e9m disso, as narrativas patriarcais, que se seguem com Isaac e Jac\u00f3, enfatizam a import\u00e2ncia da f\u00e9 e da obedi\u00eancia a Deus a exemplo de Abra\u00e3o. Os patriarcas se tornam modelos de f\u00e9 e de confian\u00e7a nas promessas divinas. O tema da unidade, nessas narrativas, \u00e9 um processo que envolve a escolha de Deus, a forma\u00e7\u00e3o de um povo, a viv\u00eancia da obedi\u00eancia da f\u00e9, pela qual as rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o restabelecidas, culminando na expectativa e na esperan\u00e7a de que todas as na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o unidas sob a soberania amorosa e fecunda de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"18\">\n<li>J\u00e1 com Mois\u00e9s, a unidade se torna tema central da legisla\u00e7\u00e3o dada durante a estadia do povo no monte Horeb. Por meio dessa, Mois\u00e9s enfatizou a import\u00e2ncia de se servir a um \u00fanico Deus e a necessidade de adora\u00e7\u00e3o exclusiva a Ele (Dt 6,4). A declara\u00e7\u00e3o contida no <em>shem\u00e1 Israel<\/em>, n\u00e3o apenas afirma a unicidade de Deus, mas tamb\u00e9m convoca o povo \u00e0 vida de unidade em torno dessa f\u00e9 comum. Esse crit\u00e9rio se tornou elemento fundamental da forma\u00e7\u00e3o do povo durante o tempo do deserto, a fim de que a unidade, forjada no tempo da prova\u00e7\u00e3o, fosse a base sobre a qual o povo deveria viver a sua nova condi\u00e7\u00e3o na Terra Prometida. Algo que n\u00e3o aconteceu devido \u00e0s in\u00fameras infidelidades causadas pela idolatria e pelo descumprimento da alian\u00e7a, gerando a viola\u00e7\u00e3o da unidade para com Deus que se refletiu na falta de unidade entre o povo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"19\">\n<li>Nesse sentido, os profetas frequentemente chamaram o povo de Israel \u00e0 unidade, tanto em rela\u00e7\u00e3o a Deus quanto entre si. A unidade foi simbolizada na rela\u00e7\u00e3o esponsal entre Deus, \u201ccomo noivo\u201d, e Israel, \u201ccomo noiva\u201d, da qual espera a correspond\u00eancia a esse amor (Os 1\u20133; Ez 16). Essa analogia do matrim\u00f4nio reflete a profundidade do compromisso de Deus com seu povo e a expectativa de que a unidade se manifeste na fidelidade e no amor a Deus e \u00e0 sua vontade.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"20\">\n<li>Isa\u00edas profetizou sobre a restaura\u00e7\u00e3o de Israel e a uni\u00e3o dos povos sob a soberania de Deus, destacando que \u201cnaquele dia, haver\u00e1 um s\u00f3 Senhor e seu nome ser\u00e1 o \u00fanico\u201d (Is 27,13). Essa vis\u00e3o de unidade transcende as divis\u00f5es \u00e9tnicas e sociais, apontando para um futuro em que todos se reunir\u00e3o em adora\u00e7\u00e3o ao Deus \u00fanico e verdadeiro. Jeremias, entre os remanescentes em Israel, e Ezequiel, entre os exilados em Babil\u00f4nia, se dedicaram a fomentar no povo a consci\u00eancia da alian\u00e7a violada, mas, ao mesmo tempo, anunciaram o tempo da reunifica\u00e7\u00e3o de todo o povo sob o pastoreio do pr\u00f3prio Deus (Jr 23,1-6; Ez 34,1-31).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"21\">\n<li>Essa consci\u00eancia da unidade se fez forte argumento nas palavras dos s\u00e1bios de Israel. Por meio de prov\u00e9rbios, senten\u00e7as e m\u00e1ximas sapienciais, tamb\u00e9m abordaram a unidade como um valor essencial para a vida comunit\u00e1ria. Mostraram que a busca e a compreens\u00e3o da sabedoria, qual arte do bem-viver que ensina a viver bem, s\u00e3o fundamentais para se estabelecer a harmonia entre as pessoas. Pr 6,16-19 afirma que Deus abomina a divis\u00e3o e a disc\u00f3rdia, insistindo que a unidade \u00e9 um reflexo do car\u00e1ter divino, pois \u00e9 fruto da presen\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o da sabedoria divina no mundo. Ao lado disso, O Salt\u00e9rio \u00e9 um conjunto de ora\u00e7\u00f5es, pelo qual une o povo de Deus em torno da sua hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, refletindo a unidade que deve existir entre os fi\u00e9is na adora\u00e7\u00e3o e na esperan\u00e7a. Os Salmos 122 e 133 s\u00e3o bons exemplos.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"22\">\n<li>Em s\u00edntese, esses ensinamentos veterotestament\u00e1rios formam a base s\u00f3lida para a compreens\u00e3o da unidade e mostram que a adora\u00e7\u00e3o a um \u00fanico Deus e a harmonia entre os membros da comunidade s\u00e3o essenciais para a vida de Israel, chamado a ser sinal de unidade para os demais povos. Algo que se tornar\u00e1 o fundamento da prega\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica de Jesus de Nazar\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"23\">\n<li>No Novo Testamento, em particular nos Evangelhos, o Mestre Jesus Cristo se dedicou \u00e0 unidade do g\u00eanero humano de modo profundo e transformador. Ele \u00e9 a fonte da nova rela\u00e7\u00e3o entre pessoas e povos, pois, como Bom Pastor, quebrou as barreiras e os muros de separa\u00e7\u00e3o. Por seu minist\u00e9rio p\u00fablico, culminado no Mist\u00e9rio Pascal, n\u00e3o apenas reconciliou a humanidade com Deus, mas promoveu a unidade entre todos os seres humanos, concretizando as promessas patriarcais, a legisla\u00e7\u00e3o mosaica e o ensinamento dos profetas e s\u00e1bios do seu povo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"24\">\n<li>Ao escolher Doze ap\u00f3stolos, dentre seus numerosos disc\u00edpulos, Jesus reunificava as tribos de Israel e, em sua didascalia a esses direcionada, tinha como meta gerar a unidade na nova fam\u00edlia por ele constitu\u00edda. \u00c9 o que se v\u00ea nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es em que os Doze entraram em conflito (Lc 9,46), mas, principalmente, quando, durante a \u00daltima Ceia, orou ao Pai e suplicou pela unidade, meio eficaz para atrair outros ao discipulado: \u201cN\u00e3o rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crer\u00e3o em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, est\u00e1s em mim e eu em ti, que eles estejam em n\u00f3s, para que o mundo creia que tu me enviaste\u201d (Jo 17,20-21).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"25\">\n<li>A mensagem de Jesus enfatiza que n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00f5es entre as pessoas. Essa vis\u00e3o de unidade \u00e9 um chamado \u00e0 solidariedade, \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e ao perd\u00e3o m\u00fatuo, especialmente em contextos de divis\u00e3o e conflito, como os enfrentados em v\u00e1rias partes do mundo, tanto no passado como nos dias atuais. Ademais, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 a \u00faltima palavra da autorrevela\u00e7\u00e3o de Deus, que n\u00e3o \u00e9 um Deus de mortos, mas de vivos, reafirmando os v\u00ednculos entre a cria\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria e a vida eterna e feliz. Assim, a humanidade restaurada em Jesus Cristo pode viver em comunh\u00e3o e se torna capaz de refletir o amor divino que une a inteira cria\u00e7\u00e3o em um novo corpo, o seu, pelo qual inaugurou o Reinado de Deus sobre a face da terra (Mt 5\u20137). Jesus viveu o amor a Deus e \u00e0 sua vontade como crit\u00e9rio de vida e deixou o amor como meta de realiza\u00e7\u00e3o do seu seguimento (Lc 6,27-38).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"26\">\n<li>A difus\u00e3o dessa restaura\u00e7\u00e3o se deu com o dom do Esp\u00edrito Santo em Pentecostes, manifesta\u00e7\u00e3o portentosa da unidade desejada por Jesus Cristo para a sua Igreja e, por esta, para a humanidade redimida em seu sangue redentor (Jo 14,16-17.26; 15,26-27). Pentecostes marca o in\u00edcio da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja, pela qual o Esp\u00edrito Santo \u00e9 agente de reconcilia\u00e7\u00e3o e unidade entre os fi\u00e9is. O dom do Esp\u00edrito \u00e9 fundamental para a edifica\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3, pois \u00e9 \u201cv\u00ednculo de unidade\u201d que atua no mundo para reunir a humanidade dispersa, criando a nova comunidade de f\u00e9 no amor que n\u00e3o admite separa\u00e7\u00e3o ou qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"27\">\n<li>Essa unidade j\u00e1 aparece enfatizada na expectativa de Pentecostes, pois os disc\u00edpulos, reunidos em ora\u00e7\u00e3o, esperaram com confian\u00e7a a concretiza\u00e7\u00e3o das palavras de Jesus. Gra\u00e7as ao dom do Esp\u00edrito Santo, os ap\u00f3stolos foram transformados e impulsionados a proclamar as maravilhas de Deus em diversas l\u00ednguas, simbolizando a supera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o, causada na constru\u00e7\u00e3o da torre de Babel (Gn 11,1-9), e a cria\u00e7\u00e3o de uma nova harmonia instaurada entre os povos (At 2), cumprindo a profecia de Jl 3,1-5. Pentecostes assegurou aos disc\u00edpulos a ajuda do Esp\u00edrito para eficazmente continuar a obra de Jesus Cristo, a fim de que todos os povos, nele &#8211; por ele &#8211; e para ele, se tornassem um s\u00f3 corpo bem unido e articulado no amor. Al\u00e9m de inspirar a evangeliza\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo promove a beleza da unidade na diversidade, permitindo que a Igreja viva em todas as culturas e l\u00ednguas, sem destruir as particularidades de cada uma, mas unindo-as no Corpo M\u00edstico de Cristo, concretiza\u00e7\u00e3o da unidade vivida na comunh\u00e3o fraterna.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"28\">\n<li>Essa viv\u00eancia nova e renovadora se encontra elaborada nos escritos paulinos e nas Cartas Pastorais. Paulo enfatizou que, em Cristo, n\u00e3o h\u00e1 mais distin\u00e7\u00f5es entre as pessoas, pois todas s\u00e3o um em Jesus Cristo (Gl 3,28). Essa afirma\u00e7\u00e3o permite entender que a cria\u00e7\u00e3o do ser humano alcan\u00e7a a sua realiza\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia divina. No mist\u00e9rio do matrim\u00f4nio se vislumbra a uni\u00e3o de Jesus Cristo e de sua Igreja (Ef 5,21-33), encarnando o que outrora os profetas vislumbraram da uni\u00e3o entre Deus e o seu povo. Gra\u00e7as \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, foi poss\u00edvel instaurar a nova rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e entre os povos pelo mist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o (Ef 2,13-14). Essa mensagem de reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 central para a compreens\u00e3o da unidade humana, pois Jesus Cristo \u00e9 o mediador que restaura a rela\u00e7\u00e3o entre a humanidade e Deus, promovendo a harmoniosa comunh\u00e3o de vida entre os seres humanos.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"29\">\n<li>Logo, a unidade em Jesus Cristo implica um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Os fi\u00e9is s\u00e3o vocacionados a viver as boas obras que Deus preparou para que, por meio dessas, a nova vida recebida se reflita na unidade n\u00e3o s\u00f3 pela f\u00e9, mas por a\u00e7\u00f5es concretas de caridade e servi\u00e7o uns aos outros. \u00c9 isto que transforma o ser humano, o faz deixar o individualismo e o modela na viv\u00eancia da comunh\u00e3o, reflexo de Deus Uno e Trino.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"30\">\n<li>As Cartas Cat\u00f3licas, de igual modo, abordam a unidade do g\u00eanero humano restabelecida em Jesus Cristo; enfatizam a reconcilia\u00e7\u00e3o e a comunh\u00e3o entre os seres humanos; mostram que essa reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vertical, para com Deus, mas tamb\u00e9m horizontal, pois implica um chamado da humanidade \u00e0 unidade. A uni\u00e3o em Deus, vivificada pelo amor de Jesus Cristo, deve transbordar em caridade e uni\u00e3o fraterna, promovendo o bem comum e a paz entre todos.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"31\">\n<li>Fonte dessa unidade \u00e9 a Eucaristia que promove a caridade n\u00e3o s\u00f3 entre os fi\u00e9is, mas com a inteira humanidade (1Cor 10,17). A vida eucar\u00edstica inspira a\u00e7\u00f5es concretas de amor e justi\u00e7a, promove o bem comum e a dignidade de cada pessoa, especialmente em favor dos mais necessitados e empobrecidos. \u00c9, portanto, transforma\u00e7\u00e3o socioeclesial, de forma mais justa e fraterna, pela qual s\u00e3o refletidos os valores do Reino de Deus na vida cotidiana.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"32\">\n<li>Enfim, no livro do Apocalipse encontra-se a vis\u00e3o da nova Jerusal\u00e9m, onde Deus habita entre os seres humanos. O que a tenda-santu\u00e1rio representou para os filhos de Israel (Ex 25,1-9), e que prenunciou a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo Divino (Jo 1,14), e pelo que ensinou quando disse que na casa do Pai h\u00e1 muitas moradas e que ele as prepararia (Jo 14,2-3), se vislumbra como morada com Deus (Ap 21,3). Assim, o des\u00edgnio de Deus de reunir todos os povos, ra\u00e7as e na\u00e7\u00f5es em um \u00fanico corpo, se concretizou no sacrif\u00edcio redentor do Cordeiro Imolado, que \u00e9 Jesus Cristo, Novo Ad\u00e3o e Esposo da Igreja, qual nova Eva santa e imaculada no amor. Portanto, a unidade do g\u00eanero humano em Jesus Cristo se concretiza na reconcilia\u00e7\u00e3o e na comunh\u00e3o, pelas quais Deus continua formando um s\u00f3 povo, unido sob o sigilo da sua paternidade vivida na un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo que, junto com a Esposa dizem ao Divino Esposo: \u201cVem!\u201d (Ap 22,17).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"33\">\n<li>Em s\u00edntese, a unidade \u00e9 mais do que um mero conceito fundamental da f\u00e9 b\u00edblica judaico-crist\u00e3. \u00c9 um projeto de vida, exig\u00eancia para uma sociedade cada vez mais fragmentada e dividida. Se a globaliza\u00e7\u00e3o e as redes sociais, que poderiam unir as pessoas, muitas vezes exacerbam as diferen\u00e7as e criam bolhas de isolamento, a busca e a pr\u00e1tica da unidade constituem respostas a esses desafios. Numa sociedade unida e fraterna (<em>fratelli tutti<\/em>), as pessoas trabalham juntas para o bem comum, respeitam as diferen\u00e7as e encontram solu\u00e7\u00f5es conjuntas para os problemas que assolam a humanidade. Para se alcan\u00e7ar a unidade \u00e9 necess\u00e1rio superar preconceitos, interesses pessoais e divis\u00f5es hist\u00f3ricas, criando um ambiente de di\u00e1logo, respeito e compreens\u00e3o. O Deus da Revela\u00e7\u00e3o agiu assim e ensinou, por seu Unig\u00eanito Filho, o caminho da realiza\u00e7\u00e3o pelo amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os documentos do Magist\u00e9rio sobre a Unidade<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"34\">\n<li>A Igreja sempre se preocupou com a unidade dos crist\u00e3os. O Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II impulsionou de forma mais efetiva este prop\u00f3sito. Desde ent\u00e3o, iluminado pelo ensinamento do mesmo Conc\u00edlio, o Magist\u00e9rio da Igreja em todos os seus documentos tem dedicado aten\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da unidade. Por\u00e9m, alguns documentos foram dedicados integralmente a este tema t\u00e3o importante e tamb\u00e9m atualizados de acordo com as necessidades temporais para que a \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d estivesse sempre atenta e em incessante busca por este dom do Senhor. Abaixo, listamos alguns documentos que norteiam a miss\u00e3o da Igreja em prol da unidade dos crist\u00e3os.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Decreto sobre o Ecumenismo &#8220;Unitatis Redintegratio&#8221;<\/strong>\u00a0(1964) &#8211; Este decreto do Conc\u00edlio Vaticano II aborda a busca pela unidade entre os crist\u00e3os, reconhecendo que a divis\u00e3o contradiz a vontade de Cristo e enfatiza a necessidade de di\u00e1logo e renova\u00e7\u00e3o dentro da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Orienta<\/strong><strong>\u00e7\u00f5es sobre a Ora\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica \u201cDiret\u00f3rio Ecum\u00eanico<\/strong><strong>&#8220;<\/strong>\u00a0(1967) &#8211; Este diret\u00f3rio do antigo Pontif\u00edcio Conselho, hoje, Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os, fornece diretrizes para a ora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, enfatizando a import\u00e2ncia da unidade na ora\u00e7\u00e3o e na vida espiritual dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Diret<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>rio para a Aplica\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios e Normas sobre Ecumenismo<\/strong>\u00a0(1993) Este documento do Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os oferece uma base teol\u00f3gica e pr\u00e1tica para o ecumenismo, destacando a necessidade de um compromisso cont\u00ednuo com a unidade entre os crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Enc\u00edclica &#8220;Ut Unum Sint&#8221;<\/strong>\u00a0(1995) &#8211; Escrito por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, este documento reafirma a busca pela unidade como uma responsabilidade de todos os crist\u00e3os e prop\u00f5e um di\u00e1logo sincero entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Instru\u00e7\u00e3o &#8220;Dominus Iesus&#8221;<\/strong>\u00a0(2000) &#8211; Este documento do Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 reafirma a unicidade da Igreja Cat\u00f3lica e a necessidade de di\u00e1logo com outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, reconhecendo a import\u00e2ncia da unidade na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Chamado \u00e0 Unidade: \u201cPara que todos sejam um\u201d<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"35\">\n<li>Desde o in\u00edcio do meu sacerd\u00f3cio e, sobretudo, durante meu episcopado, o lema \u201cPara que todos sejam um\u201d (Jo 17,21) guiou meus passos. Este vers\u00edculo do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o traduz o desejo mais profundo do cora\u00e7\u00e3o de Jesus: que seu povo viva unido, em comunh\u00e3o, apesar das diversidades. Como nos recorda S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em sua enc\u00edclica Ut Unum Sint: \u201cA unidade \u00e9 uma exig\u00eancia essencial da f\u00e9 crist\u00e3. Ela corresponde \u00e0 vontade de Cristo e deve ser a nossa preocupa\u00e7\u00e3o constante.\u201d<\/li>\n<li>Este apelo \u00e0 unidade nos convida a ir al\u00e9m das diferen\u00e7as de opini\u00e3o ou de carismas que existem na Igreja e que, quando compreendidas e vividas \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o uma grande riqueza. A diversidade n\u00e3o deve ser um motivo de divis\u00e3o, mas, como afirmava o Papa Bento XVI, \u201ca unidade da Igreja n\u00e3o consiste em uniformidade, mas em uma harmonia multiforme, criada pelo Esp\u00edrito Santo\u201d (Homilia em S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, 7 de maio de 2005).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jubileu: Um Tempo de Renova\u00e7\u00e3o e Reconcilia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"37\">\n<li>O jubileu, desde os tempos b\u00edblicos, \u00e9 um tempo de gra\u00e7a, de retorno \u00e0s ra\u00edzes e de reconcilia\u00e7\u00e3o. No Antigo Testamento, o ano jubilar significava a liberta\u00e7\u00e3o dos oprimidos e o perd\u00e3o das d\u00edvidas, um s\u00edmbolo da renova\u00e7\u00e3o integral do povo de Deus. Hoje, somos chamados a viver esse esp\u00edrito de renova\u00e7\u00e3o em nossas comunidades, promovendo o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o. O Papa Francisco, em sua bula Misericordiae Vultus para o Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, nos recorda que \u201ca reconcilia\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 a verdadeira paz, a \u00fanica paz que restaura os relacionamentos entre irm\u00e3os e irm\u00e3s\u201d.<\/li>\n<li>Ao celebrarmos o Jubileu de Ouro do meu sacerd\u00f3cio, desejo que seja tamb\u00e9m um tempo de reconcilia\u00e7\u00e3o para toda a nossa arquidiocese. Jesus nos convida a ser agentes de paz, e este jubileu nos oferece uma oportunidade \u00fanica de restaurar os la\u00e7os de unidade, de sermos pontes onde houve rupturas e de promov\u00ea-la onde existem feridas.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Minist\u00e9rio Ordenado: Um Chamado \u00e0 Comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"39\">\n<li>Vivo o jubileu de ouro de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, por isso permitam-me que dirija uma palavra especial a todos os meus irm\u00e3os no minist\u00e9rio ordenado, desde os rec\u00e9m-ordenados at\u00e9 aqueles que, com experi\u00eancia, j\u00e1 trilharam longos anos no minist\u00e9rio. Neste tempo jubilar, \u00e9 essencial que nos abramos ao esp\u00edrito de unidade e comunh\u00e3o, evitando o isolamento ou a tenta\u00e7\u00e3o de seguir uma \u201ccarreira solo\u201d, como muitas vezes ouvimos dizer.<\/li>\n<li>Como ministros, somos chamados a viver em comunh\u00e3o uns com os outros, em uma fraternidade que reflete a pr\u00f3pria comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Pastores Dabo Vobis, nos adverte sobre o risco do isolamento: \u201cNingu\u00e9m se salva sozinho. Os presb\u00edteros s\u00e3o chamados a viver a fraternidade, a partilhar as alegrias e tristezas, os desafios e as esperan\u00e7as de sua miss\u00e3o com seus irm\u00e3os.\u201d Tal apelo amplio para todos n\u00f3s que estamos inseridos no minist\u00e9rio ordenado.<\/li>\n<li>Em um momento t\u00e3o significativo como este Jubileu de Ouro do meu sacerd\u00f3cio, sinto-me profundamente impelido a fazer um apelo especial a todos voc\u00eas, meus irm\u00e3os. A unidade no nosso minist\u00e9rio \u00e9 essencial n\u00e3o apenas para o bom andamento da vida pastoral, mas, sobretudo, para o testemunho do Evangelho e para a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Como pastores, somos chamados a ser sinais vis\u00edveis da comunh\u00e3o que deve reinar no Corpo de Cristo. Sem a unidade entre n\u00f3s, a Igreja perde sua for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o e seu testemunho de f\u00e9 se enfraquece.<\/li>\n<li>O Papa Francisco frequentemente nos exorta sobre o perigo da divis\u00e3o no presbit\u00e9rio, alertando que \u201cum presbit\u00e9rio dividido se torna um contra-testemunho e n\u00e3o \u00e9 capaz de edificar a comunidade crist\u00e3\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 27 de abril de 2019). Portanto, nossa uni\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um detalhe secund\u00e1rio, mas algo central na vida da Igreja e no nosso minist\u00e9rio. Quando vivemos a comunh\u00e3o entre n\u00f3s, demonstramos que servi\u00e7o prestado a Deus e ao Seu povo n\u00e3o \u00e9 uma plataforma para ambi\u00e7\u00f5es pessoais ou disputas de poder.<\/li>\n<li>Desde a nossa ordena\u00e7\u00e3o, somos chamados a viver em comunh\u00e3o com Deus, com a Igreja e com nossos irm\u00e3os no minist\u00e9rio. A vida ministerial n\u00e3o \u00e9 um caminho de isolamento, mas uma caminhada conjunta, onde cada ministro ordenado deve ser um apoio e um aux\u00edlio para o outro. A comunh\u00e3o no presbit\u00e9rio \u00e9 o reflexo da pr\u00f3pria comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, que \u00e9 a fonte e o modelo de todas as nossas rela\u00e7\u00f5es. Como nos ensina o Papa Bento XVI: \u201cO sacerdote deve estar unido aos seus irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, assim como o Filho est\u00e1 unido ao Pai e ao Esp\u00edrito Santo\u201d (Discurso ao Clero, 18 de mar\u00e7o de 2010).<\/li>\n<li>Quando, na ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, logo depois da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do Bispo, os presb\u00edteros imp\u00f5em as m\u00e3os sobre aquele que est\u00e1 sendo ordenado, acolhendo-o na comunidade sacerdotal, no presbit\u00e9rio. Estamos unidos no mesmo sacerd\u00f3cio de Jesus e em uma concreta unidade diocesana que nos compromete para sermos testemunhas da unidade entre n\u00f3s.<\/li>\n<li>Essa unidade \u00e9 uma express\u00e3o concreta do amor de Deus manifestado no nosso minist\u00e9rio. Quando somos verdadeiramente unidos, somos mais capazes de pastorear o povo de Deus, oferecendo-lhes um testemunho claro de fraternidade e comunh\u00e3o. A nossa unidade, vivida no presbit\u00e9rio e com o bispo, \u00e9 um sinal poderoso da presen\u00e7a de Cristo entre n\u00f3s, e isso repercute diretamente na vida das nossas comunidades. O povo percebe quando h\u00e1 harmonia entre seus pastores e se sente fortalecido por essa comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>Um dos maiores perigos para a unidade no minist\u00e9rio sacerdotal \u00e9 o isolamento. Muitas vezes, devido \u00e0s exig\u00eancias pastorais, \u00e0 solid\u00e3o ou at\u00e9 \u00e0 autossufici\u00eancia, alguns de n\u00f3s podemos nos afastar dos demais irm\u00e3os. Esse isolamento n\u00e3o s\u00f3 enfraquece o nosso minist\u00e9rio, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma porta aberta para o des\u00e2nimo e, em alguns casos, para a queda. O Papa Francisco nos alerta sobre essa tenta\u00e7\u00e3o, dizendo: \u201cQuando o sacerdote se isola, come\u00e7a a perder o senso de comunidade e de fraternidade, e o cora\u00e7\u00e3o pode endurecer\u201d (Homilia na Missa Crismal, 28 de mar\u00e7o de 2013).<\/li>\n<li>O isolamento pode nos levar a pensar que somos capazes de enfrentar os desafios sozinhos, sem a ajuda dos nossos irm\u00e3os. Isso, muitas vezes, resulta em uma \u201ccarreira solo\u201d, onde o sacerdote passa a ver o seu minist\u00e9rio como algo isolado do todo, n\u00e3o mais em comunh\u00e3o com o presbit\u00e9rio e com a Igreja. Este comportamento contraria o chamado \u00e0 fraternidade e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o que recebemos no dia da nossa ordena\u00e7\u00e3o. A comunh\u00e3o no presbit\u00e9rio \u00e9 uma riqueza que nos fortalece, nos motiva e nos sustenta, especialmente nos momentos de dificuldade.<\/li>\n<li>Assim, \u00e9 essencial que procuremos ativamente essa comunh\u00e3o, tanto com o bispo quanto com os outros sacerdotes, participando das reuni\u00f5es, dos encontros de forma\u00e7\u00e3o e da vida fraterna. Somos chamados a estar juntos nos grupos de espiritualidade, nas foranias, nos vicariatos, nos eventos lit\u00fargicos, de forma\u00e7\u00e3o permanente, de confraterniza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitas ocasi\u00f5es em que temos necessidade de partilhar nossas vidas e esperan\u00e7as. Algu\u00e9m que se afasta do rebanho e se isola deve nos causar preocupa\u00e7\u00e3o e, como consequ\u00eancia, encontrar meios para trazer de volta para estarmos juntos. Quando partilhamos nossas alegrias, nossos desafios e nossas esperan\u00e7as, encontramos n\u00e3o apenas conforto, mas tamb\u00e9m o apoio necess\u00e1rio para seguirmos firmes em nossa voca\u00e7\u00e3o. Como nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201cnenhum sacerdote est\u00e1 sozinho em sua miss\u00e3o, todos est\u00e3o unidos no presbit\u00e9rio, no qual deve reinar a colabora\u00e7\u00e3o e a fraternidade\u201d (Pastores Dabo Vobis, 74). Podemos ter ideias e solu\u00e7\u00f5es diferentes, mas somos chamados a nos respeitar e caminhar unidos na diversidade de situa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Um aspecto importante da unidade entre os sacerdotes \u00e9 a pr\u00e1tica da corre\u00e7\u00e3o fraterna. Vivemos em um mundo onde as falhas dos outros s\u00e3o frequentemente expostas e criticadas. No entanto, na fraternidade sacerdotal, somos chamados a viver uma corre\u00e7\u00e3o que edifica e promove o crescimento espiritual, conforme nos orienta a Sagrada Escritura: \u201cSe teu irm\u00e3o pecar contra ti, vai corrigi-lo a s\u00f3s\u201d (Mt 18,15). A corre\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 um ato de amor e de responsabilidade m\u00fatua. Ela n\u00e3o deve ser usada para sublinhar os erros dos irm\u00e3os, mas para promover a convers\u00e3o e o crescimento na caridade. Temos responsabilidade um pelo outro para nos ajudar em nossa caminhada e convers\u00e3o. \u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que nos apontam as escrituras. Em tempos em que exposi\u00e7\u00e3o das m\u00eddias digitais (e tamb\u00e9m as outras) destroem as pessoas e as difamam, n\u00f3s somos convidados a estar juntos e encontrar caminhos de fraternidade que corrige a ajuda. Muitos gostam dos esc\u00e2ndalos e querem destruir pessoas com a exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica das dificuldades de algu\u00e9m. N\u00f3s somos chamados e estar juntos como irm\u00e3os e encontrar caminhos de paz e convers\u00e3o.<\/li>\n<li>Neste esp\u00edrito, \u00e9 igualmente importante que evitemos cair na tenta\u00e7\u00e3o de nos considerarmos superiores aos outros. Nenhum de n\u00f3s, por mais preparado ou experiente que seja, est\u00e1 acima da corre\u00e7\u00e3o ou do aprendizado. O Papa Francisco adverte contra o clericalismo, que pode nos levar a achar que somos os \u00fanicos capazes de realizar a miss\u00e3o de forma correta: \u201cN\u00e3o podemos acreditar que somos superiores, que s\u00f3 n\u00f3s sabemos, e os outros est\u00e3o errados\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 6 de junho de 2019). A humildade \u00e9 essencial para a unidade no minist\u00e9rio. Quando reconhecemos nossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, nos abrimos para o apoio dos nossos irm\u00e3os e nos colocamos como servos do povo de Deus.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Unidade como Testemunho para o Povo e para Toda a Igreja<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"51\">\n<li>Quando os sacerdotes vivem em unidade, esse testemunho tem um impacto profundo e direto na vida das comunidades que servimos. O povo de Deus busca em seus pastores um exemplo de fraternidade, respeito e colabora\u00e7\u00e3o. No entanto, essa unidade n\u00e3o se limita ao presbit\u00e9rio; ela se estende \u00e0 Igreja como um todo, envolvendo tamb\u00e9m os fi\u00e9is leigos, as diversas express\u00f5es de carismas, os movimentos eclesiais e as institui\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a riqueza da vida eclesial. A unidade, quando vivida com autenticidade por toda a Igreja, manifesta o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho e reflete a presen\u00e7a viva de Cristo no mundo.<\/li>\n<li>A Igreja, como professamos no Credo, \u00e9 \u201cuna, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d. A unidade, portanto, \u00e9 uma marca essencial da sua identidade. Como afirmava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201ca unidade da Igreja n\u00e3o \u00e9 simplesmente algo que desejamos ou que podemos construir com nossos pr\u00f3prios esfor\u00e7os; ela \u00e9 dom do Esp\u00edrito Santo e fundamento da Igreja desde o seu nascimento\u201d (Ut Unum Sint, 9). A unidade que o Esp\u00edrito Santo suscita na Igreja \u00e9 aquela que reflete a pr\u00f3pria unidade da Sant\u00edssima Trindade. O Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo vivem uma comunh\u00e3o perfeita e indissol\u00favel, e a Igreja \u00e9 chamada a ser o \u00edcone dessa comunh\u00e3o no mundo.<\/li>\n<li>Assim como a unidade entre os sacerdotes impacta diretamente as comunidades, a unidade entre todos os membros da Igreja \u00e9 um sinal poderoso para que o mundo creia em Jesus Cristo Salvador. Quando a Igreja, em todas as suas express\u00f5es, vive em comunh\u00e3o \u2013 sacerdotes, religiosos, di\u00e1conos, leigos e consagrados \u2013, ela oferece ao mundo uma mensagem clara de que a diversidade pode ser reconciliada e que o amor de Deus \u00e9 capaz de superar todas as divis\u00f5es. Como ensina o Papa Francisco: \u201cA Igreja \u00e9 chamada a ser casa de comunh\u00e3o, onde a diversidade se torna riqueza e n\u00e3o motivo de divis\u00e3o\u201d (Evangelii Gaudium, 99).<\/li>\n<li>No minist\u00e9rio sacerdotal, a unidade \u00e9 essencial para que possamos pastorear o rebanho de Cristo com coer\u00eancia e efic\u00e1cia. Como S\u00e3o Paulo nos exorta: \u201cEu vos exorto, irm\u00e3os, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais todos concordes no falar, e que n\u00e3o haja divis\u00f5es entre v\u00f3s, mas que estejais unidos no mesmo esp\u00edrito e no mesmo parecer\u201d (1 Cor 1,10). Se vivemos divididos como presbit\u00e9rio, essas divis\u00f5es se refletem nas comunidades que servimos. O povo percebe quando h\u00e1 falta de harmonia entre seus pastores, e isso enfraquece o testemunho da Igreja.<\/li>\n<li>Da mesma forma, os leigos tamb\u00e9m desempenham um papel vital na promo\u00e7\u00e3o da unidade na Igreja. Cada fiel batizado \u00e9 chamado a ser um construtor da comunh\u00e3o, promovendo a reconcilia\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo em suas fam\u00edlias, grupos pastorais e comunidades. Quando leigos e sacerdotes trabalham juntos em harmonia, com respeito m\u00fatuo e colabora\u00e7\u00e3o, a vida da Igreja se fortalece e se torna um reflexo mais aut\u00eantico do amor de Cristo.<\/li>\n<li>A unidade, no entanto, n\u00e3o significa uniformidade. Como o Papa Bento XVI nos lembra, \u201ca unidade da Igreja n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3lito, mas uma sinfonia de diversidades reconciliadas\u201d (Angelus, 7 de junho de 2009). A Igreja \u00e9 composta por diferentes dons, carismas e express\u00f5es de f\u00e9, mas todos eles devem convergir para o mesmo objetivo: a edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Quando reconhecemos e celebramos a riqueza da diversidade dentro da unidade, mostramos ao mundo que \u00e9 poss\u00edvel viver em comunh\u00e3o, apesar das diferen\u00e7as.<\/li>\n<li>A unidade da Igreja \u00e9 n\u00e3o apenas um sinal interno de fidelidade ao Evangelho, mas tamb\u00e9m uma for\u00e7a mission\u00e1ria poderosa. Como nos lembra o Papa Francisco, \u201ca unidade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que o mundo creia\u201d (Evangelii Gaudium, 99). Uma Igreja dividida n\u00e3o consegue ser eficaz em sua miss\u00e3o de anunciar o Reino de Deus. As divis\u00f5es internas minam a credibilidade do nosso an\u00fancio e enfraquecem o impacto do testemunho crist\u00e3o no mundo.<\/li>\n<li>A unidade nos fortalece para a miss\u00e3o de evangelizar. Quando a Igreja, em todas as suas express\u00f5es \u2013 par\u00f3quias, dioceses, movimentos, eclesi\u00e1sticos e laicos \u2013 est\u00e1 unida em prop\u00f3sito e a\u00e7\u00e3o, ela se torna um farol de luz em meio \u00e0 escurid\u00e3o. O Papa Bento XVI afirmou que \u201ca miss\u00e3o da Igreja \u00e9 precisamente levar ao mundo o dom da unidade, o dom da comunh\u00e3o com Deus e entre os homens\u201d (Homilia, 7 de junho de 2009). Portanto, a unidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma mas o meio pelo qual cumprimos a nossa miss\u00e3o de ser testemunhas de Cristo no mundo.<\/li>\n<li>Vivemos em um tempo de muitas narrativas e marcado por profundas divis\u00f5es \u2013 pol\u00edticas, sociais, culturais e at\u00e9 religiosas. Nesse contexto, a unidade da Igreja adquire uma relev\u00e2ncia ainda maior. A Igreja, como Corpo de Cristo, \u00e9 chamada a ser um sinal de reconcilia\u00e7\u00e3o e paz em um mundo fragmentado. No entanto, para que possamos oferecer esse testemunho ao mundo, devemos primeiro viver essa unidade em nossas pr\u00f3prias comunidades.<\/li>\n<li>O Papa Francisco nos alerta sobre o perigo do clericalismo e das divis\u00f5es internas, que muitas vezes enfraquecem o testemunho da Igreja: \u201cO diabo quer que a Igreja esteja dividida, que seja fragmentada. Ele procura a divis\u00e3o em todos os n\u00edveis, e o clericalismo \u00e9 um dos maiores obst\u00e1culos \u00e0 unidade\u201d (Discurso na Assembleia Plen\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero, 3 de junho de 2019). O clericalismo, que separa sacerdotes e leigos, \u00e9 um veneno para a comunh\u00e3o e impede que a Igreja viva plenamente sua voca\u00e7\u00e3o de ser sinal do Reino.<\/li>\n<li>Para superar esses desafios, devemos todos \u2013 sacerdotes, religiosos e leigos \u2013 trabalhar incansavelmente pela unidade. A Igreja \u00e9 chamada a ser uma \u201ccasa de portas abertas\u201d (Evangelii Gaudium, 47), onde todos s\u00e3o acolhidos e onde as diferen\u00e7as n\u00e3o se tornam motivo de divis\u00e3o, mas de enriquecimento m\u00fatuo. Quando vivemos essa unidade com sinceridade, oferecemos ao mundo um testemunho poderoso de que a comunh\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, mesmo em meio \u00e0s diferen\u00e7as.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ministro Ordenado: N\u00e3o julgar, mas acompanhar e ajudar<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"62\">\n<li>Um dos aspectos mais importantes do minist\u00e9rio sacerdotal \u00e9 a proximidade com o povo de Deus. O sacerdote \u00e9 chamado a ser um pastor que conhece suas ovelhas, que caminha com elas, especialmente nos momentos de dificuldade. Isso ficou bem claro no \u00faltimo S\u00ednodo dos Bispos sobre a sinodalidade na igreja. Como nos lembra o Papa Francisco, \u201co sacerdote n\u00e3o \u00e9 um juiz, mas um pastor pr\u00f3ximo, que cuida, escuta e acompanha o povo de Deus no caminho da f\u00e9\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 27 de abril de 2019).<\/li>\n<li>N\u00e3o devemos cair na tenta\u00e7\u00e3o de julgar, mas sim de nos fazer pr\u00f3ximos, ajudando nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s a superar suas dificuldades, confiando na gra\u00e7a de Deus. O sacerdote deve ser aquele que estende a m\u00e3o, que levanta e que caminha junto com os que sofrem, refletindo a miseric\u00f3rdia do Pai. Esta proximidade \u00e9 tamb\u00e9m essencial para a constru\u00e7\u00e3o da unidade, pois ela fortalece os la\u00e7os de confian\u00e7a e comunh\u00e3o entre o pastor e o rebanho.<\/li>\n<li>Este esp\u00edrito de proximidade e acolhimento deve tamb\u00e9m marcar as rela\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios ministros ordenados. N\u00e3o fomos chamados para buscar os erros uns dos outros ou sublinh\u00e1-los como se estiv\u00e9ssemos em constante julgamento, mas para praticar a corre\u00e7\u00e3o fraterna, como ensina a Sagrada Escritura: \u201cSe teu irm\u00e3o pecar contra ti, vai corrigi-lo a s\u00f3s\u201d (Mt 18,15). O objetivo da corre\u00e7\u00e3o fraterna n\u00e3o \u00e9 a humilha\u00e7\u00e3o, mas a edifica\u00e7\u00e3o do outro, na caridade e no desejo de que todos avancem juntos no caminho da santidade.<\/li>\n<li>Da mesma forma, n\u00e3o podemos cair na armadilha de nos considerarmos os \u00fanicos capazes de fazer as coisas da maneira correta, enquanto julgamos que os demais est\u00e3o sempre errados por n\u00e3o serem como n\u00f3s. O Papa Francisco nos recorda que o clericalismo, esse senso de superioridade, \u00e9 um veneno que divide a Igreja. Precisamos aprender a ver em cada irm\u00e3o uma riqueza e uma oportunidade de partilha, e n\u00e3o uma concorr\u00eancia. \u201cO verdadeiro pastor n\u00e3o \u00e9 protagonista de tudo, mas permite que outros cres\u00e7am e se desenvolvam no servi\u00e7o\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 6 de junho de 2019).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Unidade como Testemunho de F\u00e9<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"66\">\n<li>Vivemos tempos desafiadores, em que muitas vozes se levantam para dividir, gerar incertezas e semear o medo. O crist\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 chamado a ser uma testemunha viva do amor reconciliador de Cristo. Nossa unidade, especialmente dentro da Igreja, \u00e9 um testemunho poderoso para o mundo. Como disse o Papa Francisco: \u201cA Igreja \u00e9 chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Nenhuma porta fechada! Todos podem participar de alguma forma da vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade\u201d (Evangelii Gaudium, 47).<\/li>\n<li>Se quisermos viver este pr\u00f3ximo jubileu da igreja em plenitude, devemos deixar de lado as divis\u00f5es, as contendas e os julgamentos. Que nossas par\u00f3quias e comunidades sejam espa\u00e7os de verdadeira comunh\u00e3o, onde o perd\u00e3o e o amor prevale\u00e7am sobre o orgulho e a m\u00e1goa. Como nos ensinou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201cA unidade dos crist\u00e3os \u00e9, antes de mais nada, um dom de Deus e uma tarefa urgente que a Igreja deve abra\u00e7ar com f\u00e9\u201d (Ut Unum Sint).<\/li>\n<li>A unidade da Igreja \u00e9 um dos maiores testemunhos que podemos oferecer ao mundo, especialmente em tempos de divis\u00f5es, polariza\u00e7\u00f5es e conflitos. O pr\u00f3prio Jesus, em sua ora\u00e7\u00e3o sacerdotal, rogou ao Pai: \u201cQue todos sejam um, como Tu, \u00f3 Pai, est\u00e1s em mim e Eu em Ti, que eles estejam em n\u00f3s, para que o mundo creia que Tu me enviaste\u201d (Jo 17,21). A unidade dos disc\u00edpulos, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma virtude interna da Igreja, mas uma condi\u00e7\u00e3o essencial para que o Evangelho seja cr\u00edvel e atraente. O testemunho de uma Igreja unida revela a verdade do amor de Deus e a autenticidade da mensagem de Cristo.<\/li>\n<li>A unidade entre os fi\u00e9is, sejam eles ministros ordenados ou leigos, reflete a unidade de Deus. A comunh\u00e3o trinit\u00e1ria \u2013 Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo \u2013 \u00e9 o modelo perfeito e a fonte para a comunh\u00e3o que a Igreja \u00e9 chamada a viver, uma vez que ela \u00e9 o \u201cpovo reunido na unidade da Trindade\u201d (S\u00e3o Ciprirano, Sobre a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor, 23; citado em Lumen Gentium, 4). Como nos lembra S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201ca Igreja \u00e9 \u00edcone da Trindade\u201d (Ut Unum Sint, 11). Quando a Igreja, em todas as suas express\u00f5es \u2013 paroquiais, comunit\u00e1rias, diocesanas ou universais \u2013 vive em unidade, ela se torna um reflexo vis\u00edvel deste amor trinit\u00e1rio, convidando o mundo a conhecer a Deus atrav\u00e9s do testemunho de suas rela\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>\u00c9 essencial que caminhemos na unidade entre n\u00f3s. Este ser\u00e1 um sinal eloquente para um mundo dividido, polarizado, cheio de \u00f3dios, rancores, viol\u00eancias e guerras. Em uma cidade bela como a nossa, semear a unidade \u00e9 torn\u00e1-la ainda mais bela. N\u00e3o \u00e9 uma utopia, s\u00e3o passos que devemos dar a cada dia, partindo e n\u00f3s mesmos, de nossas fam\u00edlias e comunidades e chegando a todos.<\/li>\n<li>O Papa Bento XVI tamb\u00e9m enfatizou essa verdade, destacando que \u201ca unidade da Igreja n\u00e3o \u00e9 obra humana, mas fruto do Esp\u00edrito Santo, que realiza a unidade na diversidade e harmonia\u201d (Angelus, 7 de junho de 2009). A nossa unidade n\u00e3o significa uniformidade, mas sim uma comunh\u00e3o de cora\u00e7\u00f5es, pensamentos e a\u00e7\u00f5es em torno de Cristo, nosso centro. Ao vivermos essa unidade, damos ao mundo um testemunho do poder transformador do amor de Deus, que reconcilia, une e cura as feridas da divis\u00e3o.<\/li>\n<li>Para os ministros ordenados, a unidade \u00e9 um testemunho poderoso dentro e fora da Igreja. O Papa Francisco nos recorda frequentemente que \u201cum presbit\u00e9rio unido \u00e9 uma for\u00e7a para a evangeliza\u00e7\u00e3o, enquanto um presbit\u00e9rio dividido se torna um contra-testemunho\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 27 de abril de 2019). A unidade entre os sacerdotes \u00e9 um sinal de que Cristo est\u00e1 presente e operante no minist\u00e9rio, e ela se torna ainda mais vis\u00edvel quando h\u00e1 respeito m\u00fatuo, partilha de responsabilidades e apoio fraterno. Quando os sacerdotes vivem em comunh\u00e3o, conseguem pastorear suas comunidades com maior efic\u00e1cia, pois sua unidade fortalece a Igreja como um todo.<\/li>\n<li>Devemos sentir dor pela divis\u00e3o, pela maledic\u00eancia, pelas nossas divis\u00f5es internas. A nossa voca\u00e7\u00e3o de sermos um sinal de unidade para o mundo, vivendo a comunh\u00e3o entre n\u00f3s, uma unidade na diversidade, precisa encontrar em n\u00f3s esse sinal. N\u00e3o podemos deixar para amanh\u00e3 o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o. A cada dia somos chamados a renovar a unidade em nossa vida! O mundo tem direito de ver em n\u00f3s esse sinal e n\u00f3s temos o dever de ser esse sinal.<\/li>\n<li>Essa mesma verdade se aplica aos fi\u00e9is leigos. Cada leigo \u00e9 chamado a ser uma testemunha viva da unidade no ambiente onde vive e trabalha. Nas fam\u00edlias, no trabalho, nas associa\u00e7\u00f5es e nas comunidades, o testemunho de uma vida vivida em comunh\u00e3o com os outros, superando as divis\u00f5es e as rivalidades, \u00e9 uma prega\u00e7\u00e3o silenciosa do Evangelho. O Papa Francisco nos recorda: \u201cA unidade \u00e9 um dom que devemos buscar sempre, com ora\u00e7\u00e3o e humildade\u201d (Angelus, 26 de maio de 2013). Esta busca deve ser permanente, tanto no seio da Igreja quanto na sociedade em geral, para que possamos ser sinais do amor reconciliador de Deus no mundo.<\/li>\n<li>Infelizmente, a divis\u00e3o, quando surge dentro da Igreja, se torna um grande esc\u00e2ndalo, enfraquecendo a efic\u00e1cia do testemunho crist\u00e3o. Como nos lembra S\u00e3o Paulo: \u201cEu vos exorto, irm\u00e3os, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais todos concordes no falar, e que n\u00e3o haja divis\u00f5es entre v\u00f3s, mas que estejais unidos no mesmo esp\u00edrito e no mesmo parecer\u201d (1 Cor 1,10). As divis\u00f5es internas, sejam elas entre sacerdotes ou entre fi\u00e9is leigos, prejudicam o an\u00fancio do Evangelho e criam um contra-testemunho que afasta as pessoas da f\u00e9. O Papa Francisco enfatiza esse ponto, afirmando: \u201cA Igreja \u00e9 chamada a ser casa de comunh\u00e3o. O diabo quer que a Igreja esteja dividida, que seja fragmentada\u201d (Homilia, 9 de fevereiro de 2020). Portanto, \u00e9 nossa responsabilidade, como membros do Corpo de Cristo, trabalhar incansavelmente pela unidade, pois \u00e9 assim que podemos dar um testemunho coerente e eficaz ao mundo.<\/li>\n<li>A unidade n\u00e3o significa que n\u00e3o haver\u00e1 diferen\u00e7as de opini\u00f5es ou carismas dentro da Igreja. Na verdade, a diversidade \u00e9 uma riqueza que, quando vivida em esp\u00edrito de comunh\u00e3o, contribui para a vitalidade da Igreja. No entanto, essas diferen\u00e7as n\u00e3o devem ser motivo de conflitos, mas de enriquecimento m\u00fatuo. Como dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201ca unidade da Igreja \u00e9 enriquecida pela diversidade de seus membros, na medida em que todos permanecem em comunh\u00e3o com o \u00fanico Esp\u00edrito\u201d (Ut Unum Sint, 54). Quando aceitamos e celebramos nossas diferen\u00e7as dentro da unidade do Corpo de Cristo, oferecemos ao mundo um testemunho de que o amor de Deus transcende todas as barreiras.<\/li>\n<li>A unidade da Igreja tem um prop\u00f3sito mission\u00e1rio. Quando somos verdadeiramente unidos, estamos melhor equipados para cumprir a miss\u00e3o que Cristo nos confiou: \u201cIde por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura\u201d (Mc 16,15). A evangeliza\u00e7\u00e3o eficaz requer uma Igreja unida, onde sacerdotes e leigos trabalham juntos, com os mesmos objetivos e em esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o. A unidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, mas o meio pelo qual a Igreja pode realizar sua miss\u00e3o de anunciar o Reino de Deus ao mundo.<\/li>\n<li>Os mission\u00e1rios que foram evangelizar povos que n\u00e3o conheciam o evangelho, logo viram a dor da divis\u00e3o quando os nativos perguntavam: se voc\u00eas s\u00e3o crist\u00e3os e acreditam no mesmo Deus, por que s\u00e3o divididos? Sabemos das raz\u00f5es hist\u00f3ricas e doutrinais das divis\u00f5es entre os crist\u00e3os, mas entre n\u00f3s, cat\u00f3licos romanos n\u00e3o deve ser assim. Infelizmente, s\u00e3o tantas dores e sofrimentos que no lugar de ajudar a corrigir dividem ainda mais .<\/li>\n<li>Neste contexto, o Papa Bento XVI afirmou que \u201ca miss\u00e3o da Igreja \u00e9 precisamente levar ao mundo o dom da unidade, o dom da comunh\u00e3o com Deus e entre os homens\u201d (Homilia, 7 de junho de 2009). Quanto mais unidos estivermos, mais poderemos realizar essa miss\u00e3o de forma eficaz, mostrando ao mundo que a Igreja \u00e9 uma comunidade viva, centrada em Cristo, que acolhe, reconcilia e evangeliza.<\/li>\n<li>Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa do testemunho de uma Igreja unida. Em meio \u00e0s divis\u00f5es sociais, pol\u00edticas e culturais, a Igreja deve ser um farol de esperan\u00e7a, uma comunidade onde as diferen\u00e7as s\u00e3o reconciliadas e onde o amor de Deus \u00e9 vivido de maneira concreta. Os ministros ordenados e os fi\u00e9is leigos, cada um em seu papel, s\u00e3o chamados a promover a unidade, tanto dentro da Igreja quanto na sociedade. Ao viver a unidade, estamos respondendo ao chamado de Jesus e contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e fraterno.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ora\u00e7\u00e3o como Fonte de Unidade<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"81\">\n<li>Estamos no ano da ora\u00e7\u00e3o a caminho do jubileu de 2025. A ora\u00e7\u00e3o faz parte de nossa vida eclesial e temos necessidade de respirar esse ar oracional todos os momentos de nossas vidas.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida, a fonte mais profunda e eficaz de unidade na Igreja. Na ora\u00e7\u00e3o, somos chamados a nos unir a Cristo, que \u00e9 o pr\u00f3prio centro da nossa comunh\u00e3o. Assim como os primeiros disc\u00edpulos se reuniam em torno de Jesus, tamb\u00e9m hoje, a ora\u00e7\u00e3o nos coloca em sintonia com o cora\u00e7\u00e3o do Senhor, unindo-nos a Ele e, consequentemente, uns aos outros. Como afirma o Papa Bento XVI, \u201ca ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas o pulm\u00e3o da vida espiritual, mas tamb\u00e9m a respira\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria, da comunh\u00e3o na Igreja\u201d (Angelus, 18 de janeiro de 2009).<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o, seja ela comunit\u00e1ria ou pessoal, nos ensina a olhar para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos, para al\u00e9m das nossas diferen\u00e7as e fragilidades. Quando rezamos, colocamos nossas preocupa\u00e7\u00f5es, nossos limites e nossas divis\u00f5es aos p\u00e9s de Cristo, pedindo-Lhe a for\u00e7a necess\u00e1ria para superar nossas fraquezas e crescer na unidade. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, o grande meio de supera\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es e de constru\u00e7\u00e3o de uma comunh\u00e3o verdadeira e profunda.<\/li>\n<li>Na ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, a Igreja encontra o seu momento mais sublime de unidade. Como nos ensina o Papa Francisco, \u201ca Eucaristia \u00e9 o sacramento da unidade, que nos faz um s\u00f3 corpo em Cristo, uma s\u00f3 fam\u00edlia\u201d (Homilia, Corpus Christi, 19 de junho de 2014). Cada vez que celebramos a Eucaristia, somos chamados a recordar que estamos unidos a todos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo, independentemente de nossas diferen\u00e7as culturais, sociais ou pessoais. A unidade que experimentamos na mesa eucar\u00edstica deve ser o reflexo da unidade que somos chamados a viver em nossa vida cotidiana, com a mesma generosidade e abertura de cora\u00e7\u00e3o que encontramos no Senhor.<\/li>\n<li>Al\u00e9m da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, n\u00e3o podemos esquecer a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o pessoal e dos momentos de adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento. Estes momentos de intimidade com Cristo nos fortalecem interiormente e nos d\u00e3o a gra\u00e7a de sermos promotores da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o em nossas comunidades. Passar um tempo silencioso diante do Senhor nos regenera e nos faz ouvir a voz d\u2019Aquele que nos chama \u00e0 santidade. O Papa Jo\u00e3o Paulo II, em sua carta Novo Millennio Ineunte, sublinha que \u201ca ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho que leva a alma a se transformar na imagem de Cristo e, por conseguinte, a estar em comunh\u00e3o com todos os que s\u00e3o membros do Seu corpo\u201d (Novo Millennio Ineunte, 32). Ou seja, quanto mais estamos unidos a Cristo em ora\u00e7\u00e3o, mais estamos unidos uns aos outros.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser a fonte de unidade para toda a Igreja, tem uma relev\u00e2ncia especial para os ministros ordenados. No exerc\u00edcio do nosso minist\u00e9rio, a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um apoio espiritual, mas o cora\u00e7\u00e3o que sustenta a nossa voca\u00e7\u00e3o e nos mant\u00e9m em comunh\u00e3o com Cristo, o Bom Pastor, e com nossos irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio. Como sacerdotes, somos chamados a ser homens de ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 aqueles que conduzem o povo de Deus ao encontro com o Senhor, mas que tamb\u00e9m se deixam conduzir pelo Esp\u00edrito Santo, que nos molda e nos une em nossa miss\u00e3o.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio ordenado nos chama a uma dupla comunh\u00e3o: com Deus e com os nossos irm\u00e3os sacerdotes. Papa Francisco, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, nos exorta a nunca nos afastarmos da ora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nela que encontramos a for\u00e7a para superar as prova\u00e7\u00f5es, evitar o isolamento e abra\u00e7ar com humildade a fraternidade. Ele nos recorda que \u201cum sacerdote que n\u00e3o reza fecha a porta ao Senhor, e o Senhor est\u00e1 do lado de fora\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 27 de abril de 2019). A falta de ora\u00e7\u00e3o pode nos levar a perder de vista a nossa verdadeira identidade e miss\u00e3o, permitindo que o ativismo ou o isolamento corroam a ess\u00eancia do nosso minist\u00e9rio.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um poderoso ant\u00eddoto contra as divis\u00f5es no presbit\u00e9rio. No mundo atual, onde as diferen\u00e7as de opini\u00e3o e os desafios pastorais muitas vezes nos testam, \u00e9 f\u00e1cil cair na tenta\u00e7\u00e3o de buscar os erros dos irm\u00e3os ou de sublinhar suas falhas, em vez de promover uma corre\u00e7\u00e3o fraterna que edifique e construa. A Sagrada Escritura nos ensina a import\u00e2ncia de corrigir com amor, e a ora\u00e7\u00e3o nos coloca no caminho certo para agir com caridade. Como nos recorda S\u00e3o Paulo: \u201cIrm\u00e3os, se algu\u00e9m for surpreendido em alguma falta, v\u00f3s que sois espirituais, corrigi-o com esp\u00edrito de mansid\u00e3o\u201d (Gl 6,1). A ora\u00e7\u00e3o nos capacita a agir com este esp\u00edrito de mansid\u00e3o, evitando julgamentos precipitados e divis\u00f5es desnecess\u00e1rias.<\/li>\n<li>Sempre acreditei que o testemunho e a proximidade s\u00e3o essenciais em nossa miss\u00e3o evangelizadora e de unidade. A utiliza\u00e7\u00e3o do b\u00e1culo para ir \u00e0 frente das ovelhas e indo atr\u00e1s para apress\u00e1-las n\u00e3o deve ferir ningu\u00e9m mas entusiasmar ainda mais na caminhada de santidade e para fazer o bem na unidade fraterna e com alegria que contagia.<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, a ora\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio sacerdotal nos ajuda a combater a tenta\u00e7\u00e3o do clericalismo ou da autossufici\u00eancia. Um sacerdote que ora sabe que n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico capaz de realizar a miss\u00e3o que Cristo confiou \u00e0 sua Igreja. Como ministros ordenados, n\u00e3o devemos nos considerar acima dos outros, mas como membros de um presbit\u00e9rio, unidos na mesma voca\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o. A ora\u00e7\u00e3o nos lembra que \u201csomos servos in\u00fateis\u201d (Lc 17,10), chamados a depender da gra\u00e7a de Deus e do apoio fraterno dos nossos irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio. Como disse o Papa Francisco: \u201cO verdadeiro pastor n\u00e3o se v\u00ea como protagonista de tudo, mas permite que outros cres\u00e7am e se desenvolvam no servi\u00e7o\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 6 de junho de 2019).<\/li>\n<li>Nesse sentido, a ora\u00e7\u00e3o nos ajuda a viver a humildade, reconhecendo que somos instrumentos nas m\u00e3os de Deus, e nos faz enxergar a riqueza que existe em cada um de nossos irm\u00e3os sacerdotes. Ela nos impede de cair na armadilha de achar que os outros est\u00e3o sempre errados por n\u00e3o serem como n\u00f3s, ou de nos fecharmos em nossas pr\u00f3prias ideias. Pelo contr\u00e1rio, a ora\u00e7\u00e3o nos abre para a escuta, o di\u00e1logo e a acolhida da diversidade, que \u00e9 uma express\u00e3o da riqueza da Igreja.<\/li>\n<li>Portanto, queridos irm\u00e3os sacerdotes, pe\u00e7o que intensifiquemos a nossa vida de ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas pela nossa pr\u00f3pria santifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela unidade do presbit\u00e9rio, por todo o nosso povo e pela sociedade em que vivemos. Que a ora\u00e7\u00e3o nos ajude a superar as divis\u00f5es, a fortalecer os la\u00e7os fraternos e a construir juntos uma Igreja mais unida e mais fiel \u00e0 sua miss\u00e3o evangelizadora. Como nos ensina o Papa Bento XVI: \u201cA comunh\u00e3o presbiteral n\u00e3o \u00e9 algo que se constr\u00f3i somente com esfor\u00e7os humanos, mas \u00e9 sobretudo um dom que se acolhe na ora\u00e7\u00e3o\u201d (Discurso ao Clero da Diocese de Roma, 10 de mar\u00e7o de 2011).A ora\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, uma escola de comunh\u00e3o. Ela nos ensina a humildade, a paci\u00eancia e a escuta. Ela nos faz reconhecer que n\u00e3o somos autossuficientes, que precisamos uns dos outros e, sobretudo, que dependemos de Deus. Quando rezamos, deixamos de lado o nosso orgulho, as nossas m\u00e1goas, as nossas divis\u00f5es, e nos abrimos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o agente principal da unidade. Como nos ensina S\u00e3o Paulo: \u201cO pr\u00f3prio Esp\u00edrito vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza\u201d (Rm 8,26). Portanto, na ora\u00e7\u00e3o, deixamos que o Esp\u00edrito Santo trabalhe em nossos cora\u00e7\u00f5es, transformando-os e conformando-os ao cora\u00e7\u00e3o de Cristo, para que possamos viver a verdadeira comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>No entanto, este chamado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 unidade n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos sacerdotes. Todos os membros da Igreja, leigos e consagrados, s\u00e3o chamados a viver em comunh\u00e3o com Deus e uns com os outros. Como afirmava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201cos leigos, com sua presen\u00e7a nos ambientes familiares, sociais e profissionais, t\u00eam uma responsabilidade especial na constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial e na promo\u00e7\u00e3o da reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo\u201d (Christifideles Laici, 32). Isso significa que a ora\u00e7\u00e3o e o empenho pela unidade s\u00e3o tarefas de todos n\u00f3s, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Na vida do presbit\u00e9rio, a ora\u00e7\u00e3o nos ajuda a viver a fraternidade sacerdotal, evitando o isolamento ou a tenta\u00e7\u00e3o de julgar nossos irm\u00e3os. Somos chamados a praticar a corre\u00e7\u00e3o fraterna, n\u00e3o para sublinhar os erros, mas para edificar uns aos outros no amor. Como nos ensina a Sagrada Escritura: \u201cSe teu irm\u00e3o pecar contra ti, vai corrigi-lo a s\u00f3s\u201d (Mt 18,15). Essa pr\u00e1tica se aplica igualmente aos leigos, que s\u00e3o chamados a viver a unidade nas suas fam\u00edlias, comunidades e grupos pastorais, cultivando sempre o respeito, o di\u00e1logo e a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Tanto o clero (sacerdotes e di\u00e1conos) quanto os leigos devem evitar a tenta\u00e7\u00e3o de se considerar superiores ou autossuficientes. No minist\u00e9rio sacerdotal, isso pode se manifestar quando nos vemos como os \u00fanicos capazes de realizar a miss\u00e3o corretamente, desprezando as contribui\u00e7\u00f5es dos outros. No ambiente laical, essa atitude pode surgir quando se desprezam os dons e carismas dos irm\u00e3os na comunidade. O Papa Francisco nos alerta sobre o perigo do clericalismo, que \u00e9 a raiz de muitas divis\u00f5es: \u201cO verdadeiro pastor n\u00e3o \u00e9 protagonista de tudo, mas permite que outros cres\u00e7am e se desenvolvam no servi\u00e7o\u201d (Discurso aos Sacerdotes, 6 de junho de 2019). Da mesma forma, os leigos s\u00e3o chamados a colaborar ativamente na vida da Igreja, reconhecendo que cada um tem uma contribui\u00e7\u00e3o \u00fanica e indispens\u00e1vel para a edifica\u00e7\u00e3o do Corpo de Cristo.<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 uma verdadeira escola de comunh\u00e3o, onde aprendemos a ser humildes, a ouvir e a nos deixar transformar pela gra\u00e7a de Deus. Ela nos une a Cristo e, por meio d\u2019Ele, nos une uns aos outros. Como nos ensina S\u00e3o Paulo: \u201cO pr\u00f3prio Esp\u00edrito vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza\u201d (Rm 8,26). Seja no minist\u00e9rio sacerdotal, seja na vida laical, \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o que nos fortalece e nos d\u00e1 a capacidade de superar as divis\u00f5es, as rivalidades e as incompreens\u00f5es.<\/li>\n<li>Por isso, neste tempo jubilar, exorto todos os sacerdotes e fi\u00e9is leigos a intensificarem a vida de ora\u00e7\u00e3o. Que a ora\u00e7\u00e3o seja o alicerce da unidade em nossas par\u00f3quias, movimentos e comunidades, e que, atrav\u00e9s dela, possamos nos abrir \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o agente principal da comunh\u00e3o. Assim como a Eucaristia \u00e9 o sacramento que nos une em um s\u00f3 Corpo, que a ora\u00e7\u00e3o seja a respira\u00e7\u00e3o constante que nos mant\u00e9m em sintonia com Cristo e uns com os outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Unidade: Desejo de Cristo e Esperan\u00e7a dos Crist\u00e3os<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"98\">\n<li>A unidade \u00e9 um desejo profundo de Cristo, expresso com grande intensidade em sua ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus ao Pai: \u201cQue todos sejam um, como Tu, Pai, est\u00e1s em Mim e Eu em Ti para que o mundo creia que Tu me enviaste\u201d (Jo 17,21). Este anseio revela a ess\u00eancia de sua miss\u00e3o redentora, que visa reconciliar toda a cria\u00e7\u00e3o em Deus. Mais do que uma aspira\u00e7\u00e3o ideal, essa unidade alimenta a esperan\u00e7a de um mundo renovado e reconciliado.<\/li>\n<li>Peregrinando nessa esperan\u00e7a, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a viver e construir a unidade, apoiando-a como express\u00e3o concreta do amor de Deus e da presen\u00e7a transformadora do Reino. Esta voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 esfera espiritual, mas tem implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e hist\u00f3ricas, exigindo compromisso pessoal e comunit\u00e1rio na supera\u00e7\u00e3o de divis\u00f5es e na promo\u00e7\u00e3o de uma conviv\u00eancia fraterna.<\/li>\n<li>A unidade desejada por Cristo reflete a pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus. O mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade nos revela uma comunh\u00e3o perfeita de amor entre o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo. Essa comunh\u00e3o divina \u00e9 a fonte de toda unidade aut\u00eantica e inspira a Igreja em sua miss\u00e3o de promover a reconcilia\u00e7\u00e3o. Assim, a unidade que Cristo deseja para sua Igreja n\u00e3o se limita \u00e0 aus\u00eancia de conflitos, mas representa uma transforma\u00e7\u00e3o radical das rela\u00e7\u00f5es humanas segundo Deus, marcada pelo amor, pela verdade e pela justi\u00e7<\/li>\n<li>O testemunho dessa unidade \u00e9 especialmente importante em um mundo fragmentado por divis\u00f5es ideol\u00f3gicas, culturais e sociais. Na Igreja, encontramos o chamado \u00e0 comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, confirmando que, em Cristo, as barreiras que nos separam s\u00e3o superadas: \u201cPois todos v\u00f3s sois um s\u00f3 em Cristo Jesus\u201d (Gl 3,28).<\/li>\n<li>O decreto <em>Unitatis Redintegratio<\/em> do Conc\u00edlio Vaticano II reafirmou este chamado \u00e0 unidade como uma miss\u00e3o central da Igreja: \u201cPromover a restaura\u00e7\u00e3o da unidade entre todos os crist\u00e3os \u00e9 um dos principais prop\u00f3sitos do sagrado Conc\u00edlio\u201d (UR, 1). Esta miss\u00e3o exige um compromisso cont\u00ednuo com a comunh\u00e3o, o di\u00e1logo e a reconcilia\u00e7\u00e3o, confirmando que o desejo de Cristo pela unidade \u00e9 tamb\u00e9m um apelo \u00e0 convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e ao testemunho concreto de amor.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Unidade: Comunh\u00e3o no Corpo de Cristo<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"103\">\n<li>Na Igreja, a unidade transcende as limita\u00e7\u00f5es humanas e se eleva \u00e0s dimens\u00f5es do sobrenatural. O Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo vivem em perfeita comunh\u00e3o de amor, e essa unidade divina \u00e9 o modelo e a fonte para a unidade da Igreja. Enquanto Corpo de Cristo, a Igreja re\u00fane os seus filhos, chamados de todas as na\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e culturas, unidos por uma \u00fanica f\u00e9, um \u00fanico batismo ao redor de uma \u00fanica mesa de comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 um sinal vis\u00edvel e eficaz da unidade. N\u00e3o se trata apenas de um gesto simb\u00f3lico, mas da atualiza\u00e7\u00e3o concreta da uni\u00e3o que Cristo quer para sua Igreja. Como expressa a Didaqu\u00e9 na prepara\u00e7\u00e3o dos dons: \u201cAssim como este p\u00e3o, antes disperso sobre as montanhas, foi reunido e se tornou um, assim tamb\u00e9m seja reunida a tua Igreja, dos confins da terra, no teu Reino\u201d (Didaqu\u00e9, IX,4). Essa ora\u00e7\u00e3o antiga destaca a Eucaristia como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, que une os fi\u00e9is em um s\u00f3 corpo em Cristo e antecipa a plenitude da unidade no Reino de Deus.<\/li>\n<li>Ao participar do sacramento do altar, os crist\u00e3os s\u00e3o fortalecidos no v\u00ednculo de amor que os une a Cristo e entre si. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II afirmou que \u201ca Eucaristia edifica a Igreja\u201d (EE, 26), pois nela se manifesta e se renova a comunh\u00e3o, tornando a Igreja cada vez mais reflexo da presen\u00e7a de Cristo no mundo.<\/li>\n<li>Contudo, as divis\u00f5es hist\u00f3ricas feriram a unidade vis\u00edvel da Igreja. O decreto <em>Unitatis Redintegratio <\/em>sobre o ecumenismo nos lembra que \u201ccertas cis\u00f5es ocorreram, n\u00e3o sem a culpa de homens de ambas as partes\u201d (UR, 3). Essas divis\u00f5es n\u00e3o apenas fragilizaram o testemunho crist\u00e3o no mundo, mas tamb\u00e9m representaram uma perda dolorosa para a miss\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<li>A nossa Arquidiocese tem uma vasta experi\u00eancia de ecumenismo e di\u00e1logo inter-religioso. De modo especial somos chamados a fazer nossa parte dentro desta cidade dividida em tantos poderes paralelos e dar testemunho de que, mesmo rezando diferente e tendo compreens\u00f5es diversas, n\u00e3o somos inimigos, mas homens e mulheres que buscam os caminhos para servir a Deus e aos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/li>\n<li>Nesse sentido os trabalhos sociais (que s\u00e3o muitos) devem nos ajudar a construir para todos, sem distin\u00e7\u00e3o, um mundo mais justo, fraterno e humano. A nossa f\u00e9 nos faz ver Jesus na pessoa do outro (\u201cfoi a mim que o fizeste\u201d) que tornando nossa a\u00e7\u00e3o social um testemunho evangelizador diferenciado.<\/li>\n<li>Em resposta, somos chamados a uma peregrina\u00e7\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o, iluminada pelo desejo de Cristo de que &#8216;todos sejam um&#8217;. Essa peregrina\u00e7\u00e3o exige uma postura humilde, di\u00e1logo sincero, gestos concretos de amor e um compromisso renovado com a verdade e o perd\u00e3o. Devemos nos inquietar com a pergunta de S\u00e3o Paulo: \u201cEst\u00e1 Cristo dividido?\u201d (1Cor 1,13). Essa reflex\u00e3o nos impulsiona a colocar todas as nossas for\u00e7as no cumprimento do chamado de sermos, com Cristo, \u201cum s\u00f3 corpo e um s\u00f3 esp\u00edrito\u201d (Ef 4,4). Assim, nossa miss\u00e3o de unidade nos leva a trabalhar juntos, manifestando ao mundo a comunh\u00e3o que Cristo confiou \u00e0 sua Igreja.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Unidade: Um Chamado \u00e0 Sociedade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"110\">\n<li>Esta carta nasceu primeiro com o desejo de afirmar a nossa miss\u00e3o de unidade neste mundo polarizador, em que as fam\u00edlias est\u00e3o divididas e numa sociedade violenta e com grandes problemas sociais. Tivemos h\u00e1 dias o G20 em nossa cidade. Falaram de grandes projetos e busca de solu\u00e7\u00f5es. Creio que viver o evangelho com as suas consequ\u00eancias deve fazer uma grande diferen\u00e7a no mundo e na sociedade. E isso cabe a n\u00f3s que cremos em Jesus Cristo.<\/li>\n<li>Em um mundo marcado por desigualdades, polariza\u00e7\u00f5es e conflitos, a unidade n\u00e3o \u00e9 apenas um desejo de Cristo para sua Igreja, mas tamb\u00e9m uma necessidade urgente para a sociedade. Como ensina a constitui\u00e7\u00e3o pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> , \u201cas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje [&#8230;] s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e esperan\u00e7as, tristezas e ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo\u201d (GS, 1). A nossa esperan\u00e7a \u00e9 esta: a perfeita comunh\u00e3o com o Pai, pelo Seu Filho, Jesus Cristo (cf. Jo 17,23).<\/li>\n<li>A busca pela unidade transcende as fronteiras religiosas e se torna um imperativo \u00e9tico e social. Em tempos de crise, a solidariedade \u00e9 um testemunho poderoso da for\u00e7a transformadora do amor crist\u00e3o. A Doutrina Social da Igreja, com seus princ\u00edpios de solidariedade e bem comum, oferece respostas concretas para os desafios do nosso tempo, destacando a dignidade humana e a justi\u00e7a como pilares de uma sociedade reconciliada.<\/li>\n<li>Nesse contexto, a unidade entre os crist\u00e3os assume um papel prof\u00e9 Quando diferentes Igrejas e comunidades crist\u00e3s se unem em prol da justi\u00e7a, da paz e do cuidado com a cria\u00e7\u00e3o, tornam-se sinais vis\u00edveis de esperan\u00e7a em um mundo dividido. O empenho no servi\u00e7o da caridade em nome de Cristo \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o concreta da presen\u00e7a de Deus na hist\u00f3ria. Esse gesto de amor n\u00e3o apenas inspira o mundo, mas tamb\u00e9m renova a pr\u00f3pria Igreja, que se redescobre cada vez mais como comunidade reconciliada e mission\u00e1ria. Vivido na pr\u00e1tica, esse compromisso comprova que a reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e que a paz n\u00e3o \u00e9 apenas um ideal distante, mas uma realidade que pode ser constru\u00edda aqui e agora.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Unidade: Caminho e Testemunho<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"114\">\n<li>A busca pela unidade \u00e9, ao mesmo tempo, um caminho e um testemunho. Caminho, porque exige perseveran\u00e7a, di\u00e1logo e convers\u00e3o cont\u00ednua; testemunho, porque, quando vivida na pr\u00e1tica, revela ao mundo a presen\u00e7a de Deus. Esta jornada n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda apenas em grandes iniciativas, mas tamb\u00e9m em pequenas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de amor e reconcilia\u00e7\u00e3<\/li>\n<li>Como afirmou Jesus: \u201cNisto todos saber\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13,35). O cora\u00e7\u00e3o, centro do amor, \u00e9 o lugar onde se define nossa singularidade e se constr\u00f3i nossa capacidade de comunh\u00e3o com os outros. O Papa Francisco, na enc\u00edclica <em>Dilexit Nos<\/em>, refor\u00e7a essa vis\u00e3o ao afirmar que o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8216;aquilo que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me p\u00f5e em comunh\u00e3o com as outras pessoas&#8217; (DN, 14). Dessa forma, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas nos identifica como pessoas que amam, mas tamb\u00e9m nos impulsiona a buscar uma unidade amorosa com nossos irm\u00e3os, atendendo ao chamado de Cristo \u00e0 comunh\u00e3<\/li>\n<li>O amor traduzido em a\u00e7\u00f5es concretas torna a unidade vis\u00edvel e tem o poder de transformar o mundo. Exemplos marcantes disso s\u00e3o encontrados na vida de santos e santas que brilharam como verdadeiros luzeiros de caridade, como Santa Dulce dos Pobres, que dedicou sua vida aos mais necessitados, e S\u00e3o Frei Galv\u00e3o, que foi incans\u00e1vel na pr\u00e1tica da caridade e na promo\u00e7\u00e3o da paz. O Papa Francisco nos convocou para no dia 9 de novembro celebrarmos os servos de Deus, Vener\u00e1veis, Beatos e Santos ligados \u00e0 nossa cidade e Arquidiocese, para contemplarmos tanto a devo\u00e7\u00e3o popular de nosso povo como encontrarmos sinais em pessoas que aqui nasceram ou viveram e s\u00e3o testemunhas para n\u00f3s. Em suas vidas vemos acontecer que os atraiu e questionou. E nesse aspecto, seus exemplos nos entusiasmam para que vivamos o caminho da santidade e deixemos rastros de paz e harmonia por onde passarmos. Somos chamados e fazer aparecer o perfume de Cristo nessa sociedade.<\/li>\n<li>Finalmente, a unidade crist\u00e3 \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a que aponta para a plenitude do Reino de Deus, onde todas as divis\u00f5es ser\u00e3o superadas e a cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 restaurada em Cristo (cf. Col 1,20). Os diferentes modos de manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9, orientados pelos ensinamentos de Cristo, devem coexistir em harmonia, preservando as riquezas e singularidades de cada comunidade. Essa conviv\u00eancia se integra em um di\u00e1logo fecundo, no qual as diferen\u00e7as deixam de ser barreiras e tornam-se oportunidades para a constru\u00e7\u00e3o de uma comunh\u00e3o aut\u00ea<\/li>\n<li>Este \u00e9 o testemunho de que a Igreja \u00e9 chamada a oferecer, especialmente em um mundo de esperan\u00e7a, marcado por polariza\u00e7\u00f5es e conflitos. A unidade buscada entre os crist\u00e3os torna-se uma antecipa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da reconcilia\u00e7\u00e3o final prometida por Cristo, sinalizando que a paz e a justi\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o apenas ideais distantes, mas realidades que inicialmente se constroem a partir da caridade e do di\u00e1logo.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Unidade e Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos os anos vivemos a Festa da Unidade Arquidiocesana no \u00faltimo s\u00e1bado do ano liturgico, na v\u00e9spera do in\u00edcio do Advento. Celebra\u00e7\u00e1o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de in\u00edcio de novo ano. Neste ano de 2024 devido \u00e0 circunst\u00e2ncia do jubileu de ouro sacerdotal, n\u00f3s celebramos a festa da unidade neste dia 14 de dezembro, diante de tantas testemunhas que vieram para participar desse momento. \u00c9 um compromisso de continuarmos firmes na unidade e trabalharmos juntos na miss\u00e3o (\u201cvamos pescar contigo\u201d) renovando nosso entusiasamo pela miss\u00e3o, tema do nosso II S\u00ednodo Arquidiocesano que concluiremos no pr\u00f3ximo ano.<\/li>\n<li>Vivemos um tempo oportuno, em que somos chamados a abra\u00e7ar a unidade como desejo de Cristo e sinal de esperan\u00e7a para o mundo. Essa unidade, longe de ser apenas um ideal abstrato, deve se concretizar em gestos de caridade, di\u00e1logo e acolhimento m\u00fatuo, refletindo em nossas a\u00e7\u00f5es o amor que Cristo nos ensinou. Que nossas palavras e atitudes demonstrem nosso compromisso com esse chamado, e que, como Igreja, sejamos instrumentos vis\u00edveis de paz, justi\u00e7a e reconcilia\u00e7\u00e3o, especialmente em um mundo t\u00e3o marcado por divis\u00f5es, desigualdades e indiferen\u00e7<\/li>\n<li>Peregrinando juntos na f\u00e9 e na esperan\u00e7a, somos convidados a ser luz para o mundo e sal da terra, vivendo de forma concreta o Evangelho que transforma vidas. Ao testemunhar o amor de Cristo, nos tornamos sinais vivos da promessa de que, em Cristo, todas as coisas ser\u00e3o reconciliadas. Assim, nossa caminhada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade n\u00e3o apenas aponta para o Reino de Deus, mas tamb\u00e9m planta sementes de esperan\u00e7a e renova\u00e7\u00e3o nos cora\u00e7\u00f5es das pessoas que encontramos ao longo do caminho.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Festa da Unidade Arquidiocesana: Um Momento de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as e Comunh\u00e3o<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"122\">\n<li>A Festa da Unidade Arquidiocesana \u00e9 um momento fundamental na vida da nossa Igreja local, uma celebra\u00e7\u00e3o que vai muito al\u00e9m de um simples evento. Trata-se de um verdadeiro encontro de f\u00e9 e fraternidade, no qual toda a nossa Arquidiocese \u2013 sacerdotes, leigos, religiosos, movimentos pastorais e comunidades \u2013 se re\u00fane para dar gra\u00e7as a Deus pelos passos dados ao longo do ano, pela a\u00e7\u00e3o pastoral e evangelizadora que temos realizado juntos.<\/li>\n<li>Esta festa \u00e9 uma oportunidade de manifestar a unidade que Cristo deseja para a Sua Igreja. Em um mundo cada vez mais dividido, a Festa da Unidade Arquidiocesana \u00e9 um testemunho vivo de que a diversidade de carismas e dons na nossa Igreja pode e deve ser vivida em profunda comunh\u00e3o. \u00c9 um tempo para nos alegrarmos juntos, celebrando os frutos da nossa miss\u00e3o evangelizadora e renovando o compromisso com o trabalho pastoral que temos pela frente.<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, a Festa da Unidade \u00e9 um momento especial de proximidade com o pastor da Arquidiocese. A presen\u00e7a do Arcebispo, que preside a celebra\u00e7\u00e3o e todo o evento, \u00e9 um sinal vis\u00edvel de comunh\u00e3o eclesial, refor\u00e7ando os la\u00e7os entre o pastor e o rebanho. Este encontro fortalece a nossa identidade como uma \u00fanica Igreja arquidiocesana, chamada a caminhar unida, superando desafios e testemunhando a f\u00e9 com coragem e alegria.<\/li>\n<li>A proposta desta festa \u00e9 tamb\u00e9m a de partilha: partilha de experi\u00eancias pastorais, de alegrias e desafios, de testemunhos de f\u00e9 e de vida. Ao nos reunirmos, somos convidados a reconhecer que, juntos, somos mais fortes e que a miss\u00e3o que o Senhor nos confia s\u00f3 pode ser realizada plenamente quando todos n\u00f3s \u2013 sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos e leigos \u2013 estamos em comunh\u00e3o, trabalhando em unidade pela edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um Chamado \u00e0 Participa\u00e7\u00e3o: Entre o Encerramento e a Esperan\u00e7a<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"126\">\n<li>Ao celebrarmos o encerramento do Jubileu de Ouro Sacerdotal, e ao nos aproximarmos das portas do Jubileu da Esperan\u00e7a e do Jubileu dos 450 anos da cria\u00e7\u00e3o da Prelazia do Rio de Janeiro, fa\u00e7o um apelo sincero a todos os fi\u00e9is da nossa arquidiocese: participemos com fervor e entusiasmo de cada momento que esses jubileus nos oferecem. N\u00e3o se trata apenas de uma comemora\u00e7\u00e3o pessoal ou hist\u00f3rica, mas de uma oportunidade \u00fanica de renova\u00e7\u00e3o espiritual, de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de fortalecimento da nossa caminhada comum. Estaremos iniciando, no pr\u00f3ximo ano, comemora\u00e7\u00f5es de grandes datas desde os 450 anos da prelazia em 2025, culminando com os 350 anos da diocese em 2026. V\u00e1rios eventos e trabalhos pastorais nos esperam.<\/li>\n<li>O Jubileu de Ouro Sacerdotal \u00e9 um momento de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e agrade\u00e7o a tantos que trabalharam e comemoraram, mas a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 para que rezemos pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais em nossa arquidiocese para que possamos n\u00e3o s\u00f3 prover as par\u00f3quias hoje e no futuro, mas tamb\u00e9m enviar mission\u00e1rios para o Brasil e para o mundo. Por isso n\u00e3o marca o fim, mas sim um novo dinamismo e entusiasmo, sendo um convite a prosseguir com novo vigor. Ao olharmos para a hist\u00f3ria, especialmente com o Jubileu dos 450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro, somos chamados a reconhecer o quanto Deus tem aben\u00e7oado a nossa Igreja local e a miss\u00e3o evangelizadora que, ao longo de s\u00e9culos, formou uma heran\u00e7a rica de f\u00e9 e testemunho.<\/li>\n<li>O Jubileu da Esperan\u00e7a, por sua vez, nos projeta para o futuro. Ele \u00e9 um convite a olhar para frente com confian\u00e7a e coragem, sabendo que o Senhor da hist\u00f3ria continua a caminhar conosco. Este \u00e9 um tempo de renova\u00e7\u00e3o de nossa f\u00e9, onde somos chamados a lan\u00e7ar as redes em \u00e1guas mais profundas, confiando na provid\u00eancia divina. O tempo que se inicia deve ser marcado pela esperan\u00e7a, que nos impulsiona a viver mais intensamente nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e nossa miss\u00e3o evangelizadora. Sejamos animados \u201cperegrinos de esperan\u00e7a\u201d.<\/li>\n<li>Convido todos \u2013 sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos, leigos, jovens, adultos e idosos \u2013 a n\u00e3o deixarem passar em v\u00e3o estes momentos especiais. Cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a participar ativamente dos eventos e celebra\u00e7\u00f5es que este tempo jubilar nos oferece. Essa participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser apenas de presen\u00e7a f\u00edsica, mas de profundo engajamento espiritual e pastoral, como um verdadeiro sinal de nosso compromisso com a caminhada da Igreja.<\/li>\n<li>Os jubileus que se aproximam s\u00e3o um tempo de gra\u00e7a, um convite \u00e0 convers\u00e3o e ao aprofundamento da nossa f\u00e9. Um momento para dar gra\u00e7as a Deus por tudo o que j\u00e1 foi realizado, mas tamb\u00e9m para renovar o nosso compromisso com o futuro, com o servi\u00e7o aos irm\u00e3os e com a miss\u00e3o de anunciar o Evangelho. Que cada um de n\u00f3s, em seu estado de vida, possa viver este tempo com esp\u00edrito de gratid\u00e3o, f\u00e9 e esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Que a nossa participa\u00e7\u00e3o ativa nas celebra\u00e7\u00f5es jubilares seja tamb\u00e9m uma oportunidade de fortalecer os la\u00e7os de fraternidade em nossas comunidades, de renovar o nosso compromisso com a miss\u00e3o e de nos preparar para os novos desafios e oportunidades que o Jubileu da Esperan\u00e7a, o Jubileu dos 450 anos e demais comemora\u00e7\u00f5es nos trar\u00e3o.<\/li>\n<li>Ao nos prepararmos para abrir as portas do Jubileu da Esperan\u00e7a e celebrarmos os 450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro, somos chamados a caminhar unidos, como uma s\u00f3 Igreja, de m\u00e3os dadas na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. O Jubileu de Ouro Sacerdotal \u00e9 uma oportunidade a dar passos em tantos caminhos, especialmente o vocacional e da unidade e com isso ser um marco significativo, e um impulso para que possamos olhar para o futuro com renovada confian\u00e7a no Senhor. Unidos para que o mundo creia.<\/li>\n<li>Neste esp\u00edrito de unidade e renova\u00e7\u00e3o, desejo que cada celebra\u00e7\u00e3o, cada encontro e cada gesto pastoral seja uma verdadeira a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e uma prepara\u00e7\u00e3o para o futuro que Deus nos reserva. Que a nossa arquidiocese continue a ser um sinal de esperan\u00e7a, fraternidade e compromisso com o Evangelho, enquanto caminhamos juntos em dire\u00e7\u00e3o aos novos horizontes que se abrem diante de n\u00f3s. Que Nossa Senhora Aparecida, M\u00e3e da Igreja, interceda por n\u00f3s e nos mantenha sempre unidos em Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial e ora\u00e7\u00f5es para todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Catedral de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2024, 12\u00aa Festa da Unidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist. Arcebispo de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro por ocasi\u00e3o do Jubileu de Ouro Presbiteral na 12\u00aa festa da Unidade. 14 de dezembro de 2024. 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