{"id":91541,"date":"2024-11-04T09:45:52","date_gmt":"2024-11-04T12:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91541"},"modified":"2024-11-22T14:46:37","modified_gmt":"2024-11-22T17:46:37","slug":"o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-v\/","title":{"rendered":"O amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (V)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O quinto e \u00faltimo cap\u00edtulo da longa Enc\u00edclica <em>Dilexit nos<\/em>, do Papa Francisco, tem por t\u00edtulo <em>Amor por amor<\/em>, extra\u00eddo de S\u00e3o Charles de Foucauld (cf. n. 179). Tal cap\u00edtulo \u00e9 apresentado, sobretudo, a partir das revela\u00e7\u00f5es particulares que Santa Margarida Maria Alacoque teve do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus no s\u00e9culo XVIII. Vejamo-lo com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Escreve o Santo Padre no n\u00famero 164: \u201cNas experi\u00eancias espirituais de Santa Margarida Maria encontramos, junto da declara\u00e7\u00e3o ardente do amor de Jesus Cristo, uma resson\u00e2ncia interior que nos chama a dar a vida. Sabermo-nos amados e colocar toda a nossa confian\u00e7a nesse amor n\u00e3o significa anular as nossas capacidades de doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o implica renunciar ao desejo irrefre\u00e1vel de dar alguma resposta a partir das nossas pequenas e limitadas capacidades\u201d. Em suma, o amor de Deus, operante em n\u00f3s, n\u00e3o anula o nosso ser; antes, respeita a sua liberdade de resposta a este mesmo Amor. Afinal, a grande queixa do Senhor \u00e0 santa \u00e9 a de ter sede de amor, mas n\u00e3o ser correspondido pelos seres humanos. E como podemos am\u00e1-Lo mais? \u2013 A resposta, na Sagrada Escritura, \u00e9 muito clara: amando os irm\u00e3os (cf. Mt 25,40; Gl 5,14; 1Jo 3,14; 4,20). Tal amor, por\u00e9m, n\u00e3o nasce do nada. \u00c9 preciso conformar-se, com a gra\u00e7a divina, ao Cora\u00e7\u00e3o mesmo de Jesus para obt\u00ea-lo. Por isso, ensina o Papa: \u201cO amor aos irm\u00e3os n\u00e3o se fabrica, n\u00e3o \u00e9 fruto do nosso esfor\u00e7o natural, mas exige uma transforma\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta. Nasce ent\u00e3o espontaneamente a c\u00e9lebre s\u00faplica: \u2018Jesus, fazei o nosso cora\u00e7\u00e3o semelhante ao Vosso\u2019. Por isso mesmo, o convite de S\u00e3o Paulo n\u00e3o era: \u2018Esfor\u00e7ai-vos por fazer boas obras\u2019. O seu convite era mais precisamente: \u2018Tende entre v\u00f3s os mesmos sentimentos, que est\u00e3o em Cristo Jesus\u2019 (Fl 2,5)\u201d (n. 168). Este modo de amar sempre foi o distintivo do crist\u00e3o e chegou a incomodar o pr\u00f3prio imperador Juliano, depois apelidado de \u201co ap\u00f3stata\u201d, que pensava em criar institui\u00e7\u00f5es de caridade para competir com os homens e mulheres de f\u00e9 no seu amor ao pr\u00f3ximo (cf. n. 169).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o Papa vai adiante: \u201cMesmo do ponto de vista da ferida do seu Cora\u00e7\u00e3o, olhar para o Senhor, que \u2018tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores\u2019 (Mt 8,17), ajuda-nos a prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao sofrimento e \u00e0s necessidades dos outros, e torna-nos suficientemente fortes para participar na sua obra de liberta\u00e7\u00e3o, como instrumentos de difus\u00e3o do seu amor [Cf. Bento XVI, <em>Carta ao Prep\u00f3sito Geral da Companhia de Jesus<\/em> na ocasi\u00e3o do 50\u00ba anivers\u00e1rio da Enc\u00edclica <em>Haurietis Aquas<\/em> (15 de maio de 2006): AAS 98 (2006), 461]. Se contemplarmos a entrega de Cristo por todos, torna-se inevit\u00e1vel perguntarmo-nos por que raz\u00e3o n\u00e3o somos capazes de dar a nossa vida pelos outros: \u2018Foi com isto que passamos a conhecer o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por n\u00f3s; assim tamb\u00e9m n\u00f3s devemos dar a vida pelos nossos irm\u00e3os\u2019 (1Jo 3,16)\u201d (n. 171).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isto posto, Francisco se volta para grandes exemplos de amor vivenciado pelos santos ao longo da Hist\u00f3ria da Igreja, e que os levava a comunicar o que beberam do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus ao pr\u00f3ximo. S\u00e3o citados entre outros: S\u00e3o Bernardo de Claraval, a convidar a volta para Jesus pelo amor (cf. n. 177); S\u00e3o Francisco de Sales, a dizer que nas pequenas coisas (como tamb\u00e9m nas grandes) e, sobretudo, no amor ao pr\u00f3ximo, \u201croubamos\u201d o Cora\u00e7\u00e3o do Senhor (cf. n. 178); S\u00e3o Charles de Foucauld, desejoso de, em tudo, imitar a Cristo e irradi\u00e1-Lo ao pr\u00f3ximo (cf. n. 179) e S\u00e3o Vicente de Paula a dizer que se Cristo vive no cora\u00e7\u00e3o do sacerdote, ele O inclina para os pobres (cf. n. 180).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A seguir, o Papa trata do delicado tema da \u201crepara\u00e7\u00e3o\u201d. Para bem explicar o que significa reparar o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus dos pecados contra ele cometidos, cita longamente S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II (cf. n. 181-182) e conclui: \u201cJunto a Cristo, sobre as ru\u00ednas que, com o nosso pecado, deixamos neste mundo, somos chamados a construir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Isto \u00e9 reparar conforme o que o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo espera de n\u00f3s. No meio do desastre deixado pelo mal, o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo quis precisar da nossa colabora\u00e7\u00e3o para reconstruir a bondade e a beleza\u201d (n. 182). Reparar as estruturas geradoras de pecados com amplas repercuss\u00f5es sociais tamb\u00e9m \u00e9 nossa miss\u00e3o, miss\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 externa, mas sobretudo interna, pois brota de uma espiritualidade profunda (cf. n. 183-184) e nos chama a reparar tamb\u00e9m os cora\u00e7\u00f5es feridos dos irm\u00e3os e irm\u00e3s \u00e0 nossa volta (cf. n. 185-186). Pedir perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9, pois, algo degradante. Pelo contr\u00e1rio, dignifica o ser humano o faz sentir tamb\u00e9m maior compaix\u00e3o pela dor do irm\u00e3o (cf. n. 187-190).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nota-se, assim, que Deus n\u00e3o depende de n\u00f3s, mas, em seus imperscrut\u00e1veis des\u00edgnios, quer depender. Da\u00ed o Sumo Pont\u00edfice escrever: \u201cSanta Margarida conta que, numa das manifesta\u00e7\u00f5es de Cristo, Ele lhe falou do seu Cora\u00e7\u00e3o apaixonado de amor por n\u00f3s, que \u2018n\u00e3o podendo j\u00e1 conter em si as chamas da sua ardente caridade, precisa derram\u00e1-las\u2019 [<em>Autobiografia<\/em>, n. 53: o. c., 57]. Uma vez que o Senhor todo-poderoso, na sua liberdade divina, quis ter necessidade de n\u00f3s, a repara\u00e7\u00e3o entende-se como o remover dos obst\u00e1culos que colocamos \u00e0 expans\u00e3o do amor de Cristo no mundo, com as nossas faltas de confian\u00e7a, gratid\u00e3o e entrega\u201d (n. 194). Neste campo, entra Santa Terezinha do Menino Jesus a demonstrar (e o Papa a cita longamente) que, em pequenos atos de amor, podemos agradar \u2013 e n\u00e3o apenas aplacar a Justi\u00e7a divina \u2013 o grande Amor divino (cf. n. 195-199).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por fim, o Papa escreve: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio acrescentar que a repara\u00e7\u00e3o de Cristo enquanto ser humano \u00e9 oferecida ao Pai por obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s. Portanto, a nossa repara\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo dirige-se, em \u00faltima an\u00e1lise, ao Pai, que se compraz em ver-nos unidos a Cristo quando nos oferecemos por Ele, com Ele e n\u2019Ele\u201d (n. 204). Uma bela pr\u00e1tica, que tamb\u00e9m o Santo Padre nos convida, \u00e9 a de fazer o mundo se enamorar de Cristo por meio do exemplo crist\u00e3o \u2013 que n\u00e3o \u00e9 promover a\u00e7\u00f5es sociais desprovida de sentido religioso (cf. n. 205) \u2013, mas \u201cfalar de Cristo, pelo testemunho ou pela palavra, de tal modo que os outros n\u00e3o tenham de fazer um grande esfor\u00e7o para O amar, \u00e9 o maior desejo de um mission\u00e1rio da alma\u201d (n. 210). Quem se apaixona por Cristo, d\u2019Ele fala sem receio ao mundo (cf. Mt 10,32; 1Cor 9,16; Jr 20,9). Tudo isto, n\u00e3o individualmente, mas em comunh\u00e3o (cf. Jo 13,35) e no amor m\u00fatuo (cf. Mt 25,40). E \u00e9 Ele mesmo quem coopera (cf. Mc 16,20), envia-nos (cf. Lc 10,3) e est\u00e1 conosco (cf. Mt 28,20) sempre (cf. n. 211-215). Todos somos chamados a dar de beber o Senhor (cf. n. 216)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em todo este mar de amor, n\u00e3o pode faltar Nossa Senhora: \u201cNa Igreja, a media\u00e7\u00e3o de Maria, intercessora e m\u00e3e, s\u00f3 pode ser entendida \u2018como participa\u00e7\u00e3o nesta \u00fanica fonte, que \u00e9 a media\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo\u2019 [S. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. <em>Redemptoris Mater<\/em> (25 de mar\u00e7o de 1987), 38: AAS 79 (1987), 411], \u00fanico Redentor, e \u2018esta fun\u00e7\u00e3o subordinada de Maria, n\u00e3o hesita a Igreja em proclam\u00e1-la\u2019 [Conc. Ecum. Vaticano II, Const. dogm. <em>Lumen Gentium<\/em>, 62]. A devo\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o de Maria n\u00e3o quer enfraquecer a adora\u00e7\u00e3o \u00fanica devida ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, mas estimul\u00e1-la: \u2018A fun\u00e7\u00e3o maternal de Maria em rela\u00e7\u00e3o aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta \u00fanica media\u00e7\u00e3o de Cristo; manifesta antes a sua efic\u00e1cia\u2019 [<em>Ibid.<\/em>, 60]. Gra\u00e7as \u00e0 imensa fonte que brota do lado aberto de Cristo, a Igreja, Maria e todos os fi\u00e9is, de diferentes maneiras, tornam-se canais de \u00e1gua viva. Deste modo, o pr\u00f3prio Cristo revela a sua gl\u00f3ria na nossa pequenez\u201d (n. 176).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis como finalizamos esta s\u00e9rie de artigos apresentando a enc\u00edclica <em>Dilexit nos<\/em> que, segundo o amado Papa Francisco, est\u00e1 em sintonia com a <em>Laudato si<\/em> e a <em>Fratelli tutti<\/em> (cf. n. 217), por isso, convida-nos a contemplar a gl\u00f3ria do Tabor, mas, depois, dali descermos e nos colocarmos a servi\u00e7o dos mais necessitados de n\u00f3s (cf. Mt 17,1-8.14-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, fazei o nosso cora\u00e7\u00e3o semelhante ao Vosso!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O quinto e \u00faltimo cap\u00edtulo da longa Enc\u00edclica Dilexit nos, do Papa Francisco, tem por t\u00edtulo Amor por amor, extra\u00eddo de S\u00e3o Charles de Foucauld (cf. n. 179). Tal cap\u00edtulo \u00e9 apresentado, sobretudo, a partir das revela\u00e7\u00f5es particulares que Santa Margarida Maria Alacoque teve do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus no s\u00e9culo XVIII. 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