{"id":91538,"date":"2024-11-04T09:44:38","date_gmt":"2024-11-04T12:44:38","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91538"},"modified":"2024-11-22T14:45:39","modified_gmt":"2024-11-22T17:45:39","slug":"o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-iv\/","title":{"rendered":"O amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (IV)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos, em nossa apresenta\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica <em>Dilexit nos<\/em>, do Papa Francisco, rec\u00e9m-publicada, agora, no cap\u00edtulo 4, cujo t\u00edtulo soa <em>Amor que d\u00e1 de beber<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Logo no primeiro par\u00e1grafo desta parte, o Santo Padre o Papa Francisco tra\u00e7a o seu objetivo: \u201cVoltemos \u00e0 Sagrada Escritura, aos textos inspirados que s\u00e3o o lugar principal onde encontramos a Revela\u00e7\u00e3o. Nelas e na Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja est\u00e1 contido o que o pr\u00f3prio Senhor nos quis dizer para toda a hist\u00f3ria. A partir da leitura de textos do Antigo e do Novo Testamento, recolheremos alguns dos efeitos da Palavra no longo caminho espiritual do Povo de Deus\u201d (n. 92). Dito isto, o Papa passa, ent\u00e3o, \u00e0s cita\u00e7\u00f5es aqui mencionarei sem comentar, supondo, como tamb\u00e9m em outros textos desta s\u00e9rie, que tais passagens j\u00e1 s\u00e3o conhecidas ou ao menos podem ser consultadas com facilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Do lado aberto de Cristo na cruz saiu sangue e \u00e1gua. Ora, a Escritura mostra a abund\u00e2ncia de \u00e1gua vivificante em v\u00e1rias de suas passagens: cf. Is 12,3; Ez 36,25-26; 47,7.9 (cf. n. 93). E segue: A festa judaica das Tendas muito se ligava ao elemento \u00e1gua, ofertada a Deus em torno do altar (cf. n. 94); os tempos messi\u00e2nicos prenunciados no Antigo Testamento seriam uma fonte aberta para o povo:\u00a0 cf. Zc 12,10; 13,1. Esta profecia se cumpriu em Jesus Cristo (cf. Jo 19,34; Jo 19,37). Ele \u00e9 a \u00e1gua viva (cf. Jo 7,37-38.39), logo, quem d\u2019Ele se aproxima e O contempla, pode beber da \u00e1gua viva (cf. Ap 1,7; 22,17); ver n. 95-98. Em todo este contexto, \u201co lado trespassado \u00e9 ao mesmo tempo a sede do amor, um amor que Deus declarou ao seu povo com tantas palavras diferentes que vale a pena recordar\u201d (n. 99). E seguem-se mais passagens b\u00edblicas comprobat\u00f3rias: cf. Is 43,4; 49,15-16; 54,10; Jr 31,3; Sf 3,17. J\u00e1 o profeta Oseias chega a falar at\u00e9 do cora\u00e7\u00e3o de Deus: cf. 11,4.8-9 (cf. n. 100).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por tudo isto, o Santo Padre p\u00f4de fechar estas reflex\u00f5es com estas belas palavras: \u201cNo Cora\u00e7\u00e3o trespassado de Cristo est\u00e3o concentradas, escritas na carne, todas as express\u00f5es de amor das Escrituras. N\u00e3o se trata de um amor simplesmente declarado, mas o seu lado aberto \u00e9 fonte de vida para o amado; \u00e9 aquela fonte que sacia a sede do seu povo. Como ensinou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u2018os elementos essenciais desta devo\u00e7\u00e3o pertencem tamb\u00e9m de modo permanente \u00e0 espiritualidade da Igreja ao longo da sua hist\u00f3ria; porque desde o princ\u00edpio a Igreja elevou o seu olhar para o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo trespassado na Cruz\u2019 [<em>Carta ao Prep\u00f3sito-Geral da Companhia de Jesus<\/em>, Paray-le-Monial (5 de outubro de 1986): L\u2019Osservatore Romano (ed. semanal em portugu\u00eas de 12 de outubro de 1986), 9]\u201d (n. 101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fechada a busca pelos textos da Sagrada Escritura, o Sumo Pont\u00edfice volta-se para a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, na palavra de seus Padres (n\u00e3o necessariamente sacerdotes, mas no sentido de \u201cPais\u201d: homens que nos sete primeiros s\u00e9culos ajudaram na formula\u00e7\u00e3o da reta f\u00e9 do Povo de Deus). Citam-se: As Atas dos m\u00e1rtires de Li\u00e3o; Rufino de Aquileia; Justino; Novaciano; Ambr\u00f3sio, Agostinho de Hipona, Jer\u00f4nimo, Bernardo de Claraval (que, embora tenha vivido no s\u00e9culo XII, mereceu o t\u00edtulo de Padre da Igreja, pois, no seu tempo, fez reviver a doutrina daqueles santos homens); cf. n. 102. Diz textualmente a Enc\u00edclica: \u201cSanto Agostinho abriu o caminho para a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o como lugar de encontro pessoal com o Senhor. Ou seja, para ele o lado de Cristo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fonte de gra\u00e7a e de sacramentos, mas personaliza-o, apresentando-o como s\u00edmbolo da uni\u00e3o \u00edntima com Cristo, como lugar de um encontro amoroso. \u00c9 a\u00ed que reside a origem da sabedoria mais preciosa, que \u00e9 conhec\u00ea-Lo. Com efeito, Agostinho escreve que Jo\u00e3o, o amado, quando inclinou a sua cabe\u00e7a sobre o peito de Jesus, durante a \u00faltima ceia, aproximou-se do lugar secreto da sabedoria [cf. <em>Tract. in Joann<\/em>. Ev. 61, 6: PL 35, 1801]. N\u00e3o se trata de uma simples contempla\u00e7\u00e3o intelectual de uma verdade teol\u00f3gica. S\u00e3o Jer\u00f4nimo explica que uma pessoa capaz de contemplar \u2018n\u00e3o retira das correntes de \u00e1gua nenhum deleite, mas bebe a \u00e1gua viva do lado do Senhor\u2019 [<em>Epist. III, ad Ruffinum<\/em>, 4: PL 22, 334]\u201d. (n. 103). Dando um salto na hist\u00f3ria, o Santo Padre cita lembra-se de outro cisterciense \u2013 al\u00e9m de Bernardo de Claraval, o maior m\u00edstico entre eles \u2013 que \u00e9 Guilherme de Saint-Thierry, e, em seguida, menciona S\u00e3o Boaventura, franciscano (cf. n. 104-108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quer, depois da Escritura e da Tradi\u00e7\u00e3o, o Papa tratar da expans\u00e3o que houve, na Igreja, da devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, sobretudo no meio mon\u00e1stico (n. 109 e 112) e feminino em geral (110). Para mim, as Ordens cisterciense e cartuxa tiveram a\u00ed um papel destac\u00e1vel. Santa Gertrudes de Helfta, monja cisterciense, \u00e9 citada: Em uma vis\u00e3o, em determinado momento de ora\u00e7\u00e3o, \u201creclinou a cabe\u00e7a sobre o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e escutou os seus batimentos. Num di\u00e1logo com S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista, ela pergunta-lhe por que raz\u00e3o, no seu Evangelho, n\u00e3o fala do que viveu quando teve a mesma experi\u00eancia. Gertrudes conclui que \u2018a do\u00e7ura destes batimentos foi reservada aos tempos modernos, para que, ao escut\u00e1-los, o mundo envelhecido e morno possa renovar-se no amor de Deus\u2019 [S. Gertrudes de Helfta, <em>Legatus divinae pietatis<\/em>, IV, 4, 4: SCh, 255, 66 \u2013 Esta obra completa est\u00e1 traduzida para o portugu\u00eas, em 5 volumes, com o t\u00edtulo <em>Mensagem do amor de Deus<\/em>, Artpress, S\u00e3o Paulo \u2013 acr\u00e9scimo meu]\u201d (n. 110). J\u00e1 \u201cos monges cartuxos, encorajados sobretudo por Ludolfo da Sax\u00f4nia, encontraram na devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o um meio de encher de afeto e proximidade a sua rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo. Quem entra pela ferida do seu Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 abrasado em chamas de afeto\u201d (n. 111 \u2013 Parte das reflex\u00f5es de Ludolfo est\u00e3o na <em>Antologia de autores cartuxos<\/em>, da Cultor de Livros, S\u00e3o Paulo). Cabe destaque a S\u00e3o Jo\u00e3o Eudes que, com aprova\u00e7\u00e3o do bispo de Rennes, come\u00e7ou a celebrar a\u00ed a festa do Cora\u00e7\u00e3o Ador\u00e1vel de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. n. 113).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passando aos tempos modernos, o Papa cita longamente S\u00e3o Francisco de Sales: \u201cPodemos ver no pensamento deste santo doutor como, face a uma moral rigorista ou a uma religiosidade de mero cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es, o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo lhe aparece como um apelo \u00e0 plena confian\u00e7a na a\u00e7\u00e3o misteriosa da sua gra\u00e7a\u201d (n. 114). E, com vistas \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o na vida cotidiana, prop\u00f5e que esta devo\u00e7\u00e3o seja vivida, com fervor, no ambiente comum a cada um (cf. n. 117). Ora, \u201cfoi sob a influ\u00eancia salutar da espiritualidade de S\u00e3o Francisco de Sales que tiveram lugar os acontecimentos de Paray-le-Monial, no final do s\u00e9culo XVII. Santa Margarida Maria Alacoque relatou importantes apari\u00e7\u00f5es entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. \u00c9 fundamental a declara\u00e7\u00e3o de amor que se destaca na primeira grande apari\u00e7\u00e3o. Jesus diz: \u2018O meu divino Cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo, que, n\u00e3o podendo j\u00e1 conter em si as chamas da sua ardente caridade, precisa derram\u00e1-las por teu meio, e manifestar-se lhes para os enriquecer de seus preciosos tesouros, que eu te mostro a ti\u2019 [S. Margarida Maria de Alacoque, <em>Autobiografia<\/em>, n. 53 (Braga, 1984), 57-58]\u201d (n. 119). E: \u201cSanta Margarida Maria resume tudo isto de uma forma poderosa e fervorosa: \u2018Ali me descobriu as maravilhas do seu amor e os segredos insond\u00e1veis do seu Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, que sempre me tinha conservado escondidos at\u00e9 \u00e0quele momento em que nos abriu pela primeira vez, mas de modo t\u00e3o real e sens\u00edvel que me n\u00e3o deixou lugar a nenhuma d\u00favida\u2019 [<em>Ibid.<\/em>, 57]. Nas declara\u00e7\u00f5es seguintes, reafirma-se a beleza desta mensagem: \u2018Ele me mostrou as maravilhas inexplic\u00e1veis do seu puro amor, e o excesso a que ele tinha chegado em amar os homens\u2019 [<em>Ibid.<\/em>, n. 55, o. c., 60.]\u201d (n. 120). Ainda que n\u00e3o precisemos, segundo lembra o Santo Padre, aceitar todos os detalhes desta revela\u00e7\u00e3o particular, vemo-nos diante de um convite forte ao amor a Jesus (cf. n. 121-124), como ela mesma nos transmitiu apoiada por S\u00e3o Cl\u00e1udio de La Colombi\u00e8re (cf. n. 125-128).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda nos fins do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, dois grandes santos m\u00edsticos \u2013 que ser\u00e3o melhor apresentados no pr\u00f3ximo artigo desta s\u00e9rie \u2013 muito contribu\u00edram para entender a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus como uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de amor sem devocionismos intimistas ou demasiada confian\u00e7a apenas no esfor\u00e7o humano, mas uma entrega sincera de cora\u00e7\u00e3o a Cora\u00e7\u00e3o. Falamos de S\u00e3o Charles de Foucauld e Santa Terezinha do Menino Jesus (cf. n. 129-142, par\u00e1grafos que valem a pena meditar na \u00edntegra). Pois bem, enquanto jesu\u00edta, portanto, bom conhecedor da Companhia de Jesus, o Papa recorda, em diversos par\u00e1grafos (cf. n. 143-147), que tamb\u00e9m Santo In\u00e1cio de Loyola prop\u00f5e aos que fazem seus <em>Exerc\u00edcios Espirituais<\/em> entrarem no lado aberto de Cristo e terem a\u00ed um di\u00e1logo de cora\u00e7\u00e3o a Cora\u00e7\u00e3o (cf. n. 144).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vendo-a como devo\u00e7\u00e3o \u00fatil a tantos santos de v\u00e1rias \u00e9pocas, \u00e9 preciso cultiv\u00e1-la retamente com a Igreja dos nossos dias sem desvios, mas com aceita\u00e7\u00e3o de pontos que para alguns, imbu\u00eddos de um esp\u00edrito cr\u00edtico moderno ou at\u00e9 modernista, poderiam estar fora de moda, mas n\u00e3o est\u00e3o. Da\u00ed, dentre as v\u00e1rias coisas belas ditas pelo Santo Padre, duas chamaram-me particularmente a aten\u00e7\u00e3o. A primeira \u00e9 esta: \u201cO desejo inevit\u00e1vel de consolar Cristo, que surge da dor de contemplar o que Ele sofreu por n\u00f3s, alimenta-se tamb\u00e9m do reconhecimento sincero das nossas escravid\u00f5es, dos nossos apegos, da nossa falta de alegria na f\u00e9, das nossas buscas v\u00e3s e, para al\u00e9m dos pecados concretos, da falta de correspond\u00eancia do nosso cora\u00e7\u00e3o ao seu amor e ao seu projeto. \u00c9 uma experi\u00eancia que nos purifica, porque o amor precisa da purifica\u00e7\u00e3o das l\u00e1grimas que, no final, nos deixam mais sedentos de Deus e menos obcecados por n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d (n. 158 \u2013 Ponto caro \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica e que o Beato Columba Marmion, OSB, bem reflete em seu livro <em>Jesus Cristo ideal do monge<\/em>. Cultor de Livros, S\u00e3o Paulo). A segunda \u00e9 a que segue: \u201cPe\u00e7o, portanto, que ningu\u00e9m ridicularize as express\u00f5es de fervor devoto do santo povo fiel de Deus, que na sua piedade popular procura consolar Cristo. E convido cada um a perguntar-se se n\u00e3o h\u00e1 mais racionalidade, mais verdade e mais sabedoria em certas manifesta\u00e7\u00f5es desse amor que procura consolar o Senhor do que nos atos de amor frios, distantes, calculados e m\u00ednimos de que somos capazes aqueles que julgamos possuir uma f\u00e9 mais reflexiva, cultivada e madura\u201d (n. 160).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O apelo final do Santo Padre neste cap\u00edtulo \u00e9 para que quem se sente consolado por Deus tamb\u00e9m v\u00e1 e console seu irm\u00e3o: \u201cMas, num certo momento desta contempla\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que cr\u00ea, deve ressoar aquele dram\u00e1tico apelo do Senhor: \u2018Consolai, consolai o meu povo\u2019 (Is 40,1). E recordamos as palavras de S\u00e3o Paulo, que nos lembra que Deus nos consola \u2018para que tamb\u00e9m n\u00f3s possamos consolar aqueles que est\u00e3o em qualquer tribula\u00e7\u00e3o, mediante a consola\u00e7\u00e3o que n\u00f3s mesmos recebemos de Deus\u2019 (2Cor 1,4)\u201d (cf. n. 162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desejo, neste final do quarto artigo, esclarecer uma d\u00favida que \u2013 embora n\u00e3o t\u00e3o relevante \u2013 pode surgir e, por conseguinte, perturbar o pensamento de algumas pessoas. \u00c9 a seguinte: Por que o Papa escolheu como t\u00edtulo da sua nova enc\u00edclica a express\u00e3o \u201camor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus\u201d e n\u00e3o o contr\u00e1rio (divino e humano), uma vez que, desde toda a eternidade, Cristo \u00e9 Deus (cf. Jo 1,1; Hb 13,8) e s\u00f3 assumiu a nossa humanidade, na plenitude dos tempos, por meio de uma mulher (cf. Gl 4,4): Nossa Senhora? \u2013 A resposta n\u00e3o \u00e9 complexa. Com efeito, h\u00e1 dois modos de fazer Cristologia (= estudo de Cristo): de modo <em>descendente<\/em>, isto \u00e9, partindo de Sua divindade para a sua humanidade, como faz o in\u00edcio do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, ou de modo <em>ascendente<\/em>, ou seja, partindo de Sua humanidade para a divindade, como faz Paulo em Fl 2,6-11 (cf. Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB. <em>Curso de Cristologia<\/em>, Mater Ecclesiae, 2018, pp. 23-26). Isto muito pode ajudar os hesitantes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos, em nossa apresenta\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica Dilexit nos, do Papa Francisco, rec\u00e9m-publicada, agora, no cap\u00edtulo 4, cujo t\u00edtulo soa Amor que d\u00e1 de beber. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Logo no primeiro par\u00e1grafo desta parte, o Santo Padre o Papa Francisco tra\u00e7a o seu objetivo: \u201cVoltemos \u00e0 Sagrada Escritura, aos textos inspirados que s\u00e3o o lugar principal onde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55819,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-91538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91538"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":91540,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91538\/revisions\/91540"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}