{"id":91535,"date":"2024-11-04T09:43:36","date_gmt":"2024-11-04T12:43:36","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91535"},"modified":"2024-11-22T14:44:23","modified_gmt":"2024-11-22T17:44:23","slug":"o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-iii\/","title":{"rendered":"O amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (III)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos, com este artigo, j\u00e1 na leitura do cap\u00edtulo 3 da Enc\u00edclica <em>Dilexit nos<\/em>, do Papa Francisco, sobre o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Tem por t\u00edtulo <em>Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que tanto amou<\/em>, conforme o pr\u00f3prio Senhor disse a Santa Margarida Maria Alacoque, em revela\u00e7\u00f5es particulares que a santa teve do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo XVII. Eis, em suma o conte\u00fado desta rica parte do documento pontif\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa Francisco inicia o cap\u00edtulo lembrando que n\u00e3o se trata do culto dirigido ao cora\u00e7\u00e3o enquanto \u00f3rg\u00e3o separado do corpo, mas ao cora\u00e7\u00e3o do Filho de Deus feito homem, sem deixar de ser Deus, por amor de n\u00f3s: \u201cN\u00e3o o adoramos isoladamente, mas na medida em que com esse Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio Filho encarnado que vive, ama e recebe o nosso amor\u201d (n. 50; cf. n. 51). \u00c9 o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o (cf. <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> n. 456-483). Logo, o culto devotado ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 de <em>latria<\/em> (= adora\u00e7\u00e3o), pois refere-se \u00e0 segunda pessoa da Sant\u00edssima Trindade. Da\u00ed tamb\u00e9m decorre que \u201ca imagem do cora\u00e7\u00e3o deve remeter-nos para a totalidade de Jesus Cristo no seu centro unificador e, a partir desse, simultaneamente deve levar-nos a contemplar Cristo em toda a beleza e riqueza da sua humanidade e da sua divindade\u201d (n. 55). Portanto, dentre as tantas imagens vis\u00edveis que nos levam a recordar o invis\u00edvel, a do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus merece especial destaque. N\u00e3o pela imagem em si \u2013 o que seria paganismo (cf. n. 56) \u2013 mas pelo que ela representa: Cristo (cf. n. 52-58; cf. <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> n. 2131-2132; 2141).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E mais um detalhe: \u201cNa realidade, h\u00e1 um tr\u00edplice amor que est\u00e1 contido e nos deslumbra na imagem do Cora\u00e7\u00e3o do Senhor. Primeiramente, o amor divino infinito que encontramos em Cristo. Mas, pensamos tamb\u00e9m na dimens\u00e3o espiritual da humanidade do Senhor. Desde esse ponto de vista, \u2018o cora\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 s\u00edmbolo de en\u00e9rgica caridade, que, infundida em sua alma, constitui o precioso dote da sua vontade humana [\u2026]. Finalmente [\u2026] \u00e9 s\u00edmbolo do seu amor sens\u00edvel\u2019 [Pio XII, <em>Carta enc. Haurietis Aquas<\/em> (15 de maio de 1956), 27: AAS 48 (1956), 327-328]\u201d (n. 65).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E mais adiante demonstra que a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o se volta \u00e0 pessoa toda de Cristo: \u201c\u00c9 ensinamento constante e definitivo da Igreja que a nossa adora\u00e7\u00e3o da sua Pessoa \u00e9 \u00fanica, e abrange inseparavelmente tanto a sua natureza divina como a sua natureza humana. Desde os tempos antigos, a Igreja ensinou que devemos \u2018adorar um \u00fanico e mesmo Cristo, Filho de Deus e do homem, de duas e em duas naturezas insepar\u00e1veis e indivisas\u2019 [Vig\u00edlio, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Inter innumeras sollicitudines<\/em> (14 de maio de 553): DH 420]. E isto \u2018com uma \u00fanica adora\u00e7\u00e3o [&#8230;], visto que o Verbo veio a ser carne\u2019 [<em>Conc. Ecum. de \u00c9feso, Anatematismos de Cirilo de Alexandria<\/em>, 8: DH 259]. De modo algum Cristo \u00e9 \u2018adorado em duas naturezas, introduzindo com isto duas adora\u00e7\u00f5es\u2019, mas deve-se \u2018venerar com \u00fanica adora\u00e7\u00e3o o Deus Verbo encarnado junto com a sua carne\u2019 [<em>Conc. Ecum. II de Constantinopla, Sess. VIII<\/em> (2 de junho de 533), C\u00e2n. 9: DH 431] (n. 68).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segue o Santo Padre lembrando que, embora o cora\u00e7\u00e3o humano possa guardar \u00f3dio, \u00e9 chamado a ser, em Deus, o centro de onde se irradia o amor (cf. n. 59). Ora, assim, Cristo nos ama como Deus, mas tamb\u00e9m como homem, uma vez que assumiu a nossa natureza humana em tudo, menos no pecado (cf. Hb 4,15). \u201cContrariamente a alguns que negavam ou relativizavam a verdadeira humanidade de Cristo, nos Padres da Igreja encontramos uma forte afirma\u00e7\u00e3o da realidade concreta e tang\u00edvel do afeto humano do Senhor. Assim, S\u00e3o Bas\u00edlio sublinhava que a Encarna\u00e7\u00e3o do Senhor n\u00e3o era algo de fantasioso, mas que \u2018o Senhor possu\u00eda os afetos naturais\u2019 [<em>Ep\u00edstola 261<\/em>, 3: PG 32, 972]. S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo propunha um exemplo: \u2018Se n\u00e3o tivesse possu\u00eddo a nossa natureza, n\u00e3o teria experimentado a tristeza uma e outra vez\u2019 [<em>In Ioh<\/em>. homil. 63, 2: PG 59, 350]. Santo Ambr\u00f3sio afirmava: \u2018Como tomou a alma, tomou tamb\u00e9m as paix\u00f5es da alma\u2019 [<em>De fide ad Gratianum<\/em>, II, cap. 7, 56: PL 16, 594 (edi\u00e7\u00e3o de 1880)]. E Santo Agostinho apresentava os afetos humanos como uma realidade que, uma vez assumida por Cristo, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 vida da gra\u00e7a: \u2018O Senhor Jesus, n\u00e3o obrigado por necessidade, mas por volunt\u00e1ria compaix\u00e3o assumiu este sentimento de fraqueza humana, como aceitara a pr\u00f3pria carne na condi\u00e7\u00e3o da humana fraqueza, para [&#8230;] se a algum deles [os membros da Igreja] acontecer contristar-se e condoer-se no meio das tenta\u00e7\u00f5es humanas, n\u00e3o julgue-se por isso alheio \u00e0 gra\u00e7a de Deus\u2019 [<em>Enarrationes in Psalmos<\/em> 87, 3: PL 37, 1111]. Finalmente, S\u00e3o Jo\u00e3o Damasceno considera esta real experi\u00eancia afetiva de Cristo na sua humanidade como um sinal de que Ele assumiu integralmente a nossa natureza \u2013 e n\u00e3o parcialmente \u2013 para a redimir e transformar por inteiro. Assim, Cristo assumiu todos os elementos que comp\u00f5em a natureza humana, a fim de que todos eles fossem santificados [cf. <em>De fide orthodoxa<\/em>, III, 6.20: PG 94, 1006.1081]\u201d (n. 62). Se a Teologia, alguma vez, deixou de lado esses aspectos psicossom\u00e1ticos de Jesus, a piedade popular os manteve por meio da Via-Sacra, da devo\u00e7\u00e3o \u00e0s santas Chagas, ao seu Cora\u00e7\u00e3o etc. (cf. n. 63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dito isto, o Santo Padre relembra, que, embora cristol\u00f3gica (cf. Hb 12,2), h\u00e1 express\u00f5es trinit\u00e1rias na devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Para comprovar o que diz, recorre a diversas passagens b\u00edblicas que apenas indicaremos sem descer a pormenores, pois as supomos que sejam conhecidas dos leitores. Assim: Jo 14,6; Ef 3,14; 4,6; 5,20; 1Cor 8,6; cf. Ef 1,3.17; cf. Jo 5,18; 17,24; Mc 1,11; 14,36; (cf. n. 70-73). Seguem-se ainda outras passagens que falam do Pai \u2013 cf. Jo 1,18; Lc 6,12; 2,49; 10,21; 23,46 \u2013 e, depois, as que dizem respeito ao Esp\u00edrito Santo: cf. Lc 4,18 (Is 61,1); Gl 4,6; Rm 8,15-16. Deste modo, \u201co seu desejo \u00e9 que, impelidos pelo Esp\u00edrito que brota do seu Cora\u00e7\u00e3o, \u2018com Ele e n\u2019Ele\u2019 nos dirijamos ao Pai [&#8230;] Por isso, a Liturgia, sob a a\u00e7\u00e3o vivificante do Esp\u00edrito, dirige-se sempre ao Pai a partir do Cora\u00e7\u00e3o ressuscitado de Cristo\u201d (n. 77; cf. n. 70-76).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perpassadas as v\u00e1rias cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, o Papa se volta para o Magist\u00e9rio recente da Igreja no que toca \u00e0 devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus: Le\u00e3o XIII, na enc\u00edclica <em>Annum Sacrum<\/em> (25 de maio de 1899) ASS 31 (1898-99), 649, 651; Pio XI na enc\u00edclica <em>Miserentissimus Redemptor<\/em> (8 de maio de 1928), 3: AAS 20 (1928), 167; Pio XII na enc\u00edclica <em>Haurietis Aquas<\/em> (15 de maio de 1956), 4, 43, 52: AAS 48 (1956), 311, 336, 340; S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na <em>Catequese<\/em> (8 de junho de 1994): L\u2019Osservatore Romano (ed. semanal em portugu\u00eas de 11 de junho de 1994), 8, e Bento XVI na Alocu\u00e7\u00e3o do <em>Angelus<\/em> (1\u00ba de junho de 2008): L\u2019Osservatore Romano (ed. semanal em portugu\u00eas de 7 de julho de 2008), 7. Queira, pois, consultar estas ricas fontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir deste fundo b\u00edblico, hist\u00f3rico e magisterial, Francisco chega a algumas considera\u00e7\u00f5es deveras importantes. Merecem transcri\u00e7\u00e3o: \u201cA devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 essencial para a nossa vida crist\u00e3, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de f\u00e9 e de adora\u00e7\u00e3o, ao mist\u00e9rio do amor divino e humano do Senhor, at\u00e9 ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um comp\u00eandio do Evangelho [Carta enc. <em>Haurietis Aquas<\/em> (15 de maio de 1956), 43: AAS 48 (1956), 336]. \u00c9 preciso lembrar que as vis\u00f5es ou manifesta\u00e7\u00f5es m\u00edsticas narradas por alguns dos santos que propuseram apaixonadamente a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o s\u00e3o algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus [Bento XVI, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em>Verbum Domini<\/em> (30 de setembro de 2010), 14: AAS 102 (2010), 696]. S\u00e3o belos est\u00edmulos que podem motivar e fazer muito bem, embora ningu\u00e9m se deva sentir obrigado a segui-los se n\u00e3o achar de proveito no seu caminho espiritual. Do mesmo modo, \u00e9 necess\u00e1rio recordar sempre, como afirmou Pio XII, que n\u00e3o se pode dizer que este culto \u2018deve a sua origem a revela\u00e7\u00f5es privadas\u2019 [Carta enc. <em>Haurietis Aquas<\/em> (15 de maio de 1956), 52: AAS 48 (1956), 340]\u201d (n. 83). Repassando a hist\u00f3ria, recorda o pleno valor da Comunh\u00e3o eucar\u00edstica \u00e0s primeiras sextas-feiras e da adora\u00e7\u00e3o \u00e0 Jesus na Eucaristia \u00e0s quintas-feiras (cf. n. 84-85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se a devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus fez tanto bem no contexto do jansenismo do s\u00e9culo XVII, tamb\u00e9m hoje o faz: \u201cPoder-se-ia afirmar que hoje, mais do que o jansenismo, enfrentamos um forte avan\u00e7o da seculariza\u00e7\u00e3o que visa um mundo livre de Deus. Acrescenta-se a isso, a multiplica\u00e7\u00e3o na sociedade de v\u00e1rias formas de religiosidade sem refer\u00eancia a uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com um Deus de amor, que s\u00e3o novas manifesta\u00e7\u00f5es de uma \u201cespiritualidade sem carne\u201d. Isto \u00e9 real. No entanto, devo advertir que, no seio da pr\u00f3pria Igreja, o nefasto dualismo jansenista renasceu com novos rostos. Ganhou for\u00e7a renovada nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o daquele gnosticismo que j\u00e1 nos primeiros s\u00e9culos da f\u00e9 crist\u00e3 causava dano \u00e0 espiritualidade e ignorava a verdade da \u2018salva\u00e7\u00e3o da carne\u2019. Por isso, dirijo o meu olhar para o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e convido a renovar esta devo\u00e7\u00e3o. Espero que possa ser atrativa tamb\u00e9m \u00e0 sensibilidade atual e que nos ajude assim a enfrentar estes velhos e novos dualismos, aos quais oferece uma resposta adequada\u201d (n. 87).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E continua: \u201cGostaria de acrescentar que o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo nos liberta, ao mesmo tempo, de um outro dualismo: o de comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organiza\u00e7\u00f5es obsessivas, em projetos mundanos, em reflex\u00f5es secularizadas, em v\u00e1rias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos. O resultado \u00e9, muitas vezes, um cristianismo que esqueceu a ternura da f\u00e9, a alegria do servi\u00e7o, o fervor da miss\u00e3o pessoa-a-pessoa, a cativante beleza de Cristo, a gratid\u00e3o emocionante pela amizade que Ele oferece e pelo sentido \u00faltimo que d\u00e1 \u00e0 vida. Em suma, outra forma de transcendentalismo enganador, igualmente desencarnado. Estas doen\u00e7as t\u00e3o atuais, das quais \u2013 se nos deixamos aprisionar \u2013 nem sequer sentimos o desejo de ser curados, levam-me a propor a toda a Igreja um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado no seu santo Cora\u00e7\u00e3o. A\u00ed encontramos todo o Evangelho, a\u00ed est\u00e1 sintetizada a verdade em que acreditamos, a\u00ed est\u00e1 tudo o que adoramos e procuramos na f\u00e9, a\u00ed est\u00e1 o que mais precisamos\u201d (n. 88-89).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus a s\u00edntese encarnada do Evangelho. E com Santa Terezinha do Menino Jesus aprendemos a bem viv\u00ea-la. \u201cEla viveu-a intensamente porque descobriu no cora\u00e7\u00e3o de Cristo que Deus \u00e9 amor: \u2018A mim deu-me a sua Miseric\u00f3rdia infinita, e \u00e9 atrav\u00e9s dela que contemplo e adoro as demais perfei\u00e7\u00f5es divinas\u2019 [Ms A, 83 v\u00ba: S. Teresa do Menino Jesus, <em>Obras completas<\/em> (Avessadas, 1996), 214]. \u00c9 por isso que a ora\u00e7\u00e3o mais popular, dirigida como um dardo ao Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, diz simplesmente: \u2018Eu confio em V\u00f3s\u2019 [S. Maria Faustina Kowalska, <em>Di\u00e1rio<\/em>, 22 de fevereiro de 1931, I Caderno, 47, (Curitiba, 2019), 34]. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias mais palavras\u201d (n. 90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para concluir, quero trazer um dado que julgo relevante: O jansenismo \u00e9 uma doutrina desenvolvida na Fran\u00e7a, nos s\u00e9culos XVI e XVII, devida ao bispo holand\u00eas Corn\u00e9lio Jans\u00eanio (\u2020 1638). Negava o livre-arb\u00edtrio, afirmava ser a gra\u00e7a de Deus um privil\u00e9gio inato concedido a poucos e exigia rigor moral de seus seguidores. A Igreja op\u00f4s-se a tal doutrina (cf. <em>Dicion\u00e1rio B\u00e1sico de Filosofia<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, 3\u00aa ed. revista e ampliada. Verbete: jansenismo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis o terceiro cap\u00edtulo que, junto ao quarto, constituem o \u00e2mago da enc\u00edclica <em>Dilexit nos<\/em>, do Papa Francisco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos, com este artigo, j\u00e1 na leitura do cap\u00edtulo 3 da Enc\u00edclica Dilexit nos, do Papa Francisco, sobre o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. 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