{"id":91532,"date":"2024-11-04T09:42:36","date_gmt":"2024-11-04T12:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91532"},"modified":"2024-11-22T14:43:21","modified_gmt":"2024-11-22T17:43:21","slug":"o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-amor-humano-e-divino-do-coracao-de-jesus-ii\/","title":{"rendered":"O amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (II)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A nova Enc\u00edclica do Papa Francisco sobre o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em seu amor humano e divino por n\u00f3s, trata, no cap\u00edtulo 2, dos gestos e palavras de amor \u00e0 luz da Sagrada Escritura. Percorramo-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa afirma que \u201co Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, que simboliza o centro pessoal de onde brota o seu amor por n\u00f3s, \u00e9 o n\u00facleo vivo do primeiro an\u00fancio. Ali se encontra a origem da nossa f\u00e9, a fonte que mant\u00e9m vivas as convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s\u201d (n. 32)\u201d. Eis porque importa conhecer os gestos que bem refletem o cora\u00e7\u00e3o. Sim, gestos, pois mais do que teorizar sobre o amor, Ele demonstrou, com o seu exemplo, at\u00e9 a morte de Cruz, o que \u00e9, de fato, amar. \u201cO modo como nos ama \u00e9 algo que Cristo n\u00e3o quis explicar-nos exaustivamente. Mostra-o nos seus gestos. Observando-O, podemos descobrir como trata cada um de n\u00f3s, mesmo que nos custe perceber isso. Procuremos, pois, onde a nossa f\u00e9 pode reconhec\u00ea-Lo: no Evangelho\u201d (n. 33). Ora, irm\u00e3o e irm\u00e3, o Evangelho assevera que Ele veio para os que eram seus (cf. Jo 1,11), isto \u00e9, a cada um de n\u00f3s, que j\u00e1 n\u00e3o somos seus \u201cservos\u201d, mas \u201camigos\u201d (Jo 15,15). Ele \u00e9 o Deus-conosco, Emanuel, que, em sua <em>k\u00e9nosis<\/em>, esvaziou-se de si mesmo e tomou a condi\u00e7\u00e3o de servo ou de escravo, conforme a tradu\u00e7\u00e3o do texto b\u00edblico que for utilizada (cf. Fl 2,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Textualmente, reflete o Santo Padre: \u201cIsto [o fato da proximidade nos gestos \u2013 Nota minha] se torna evidente quando vemos o modo como age. Est\u00e1 sempre \u00e0 procura, sempre pr\u00f3ximo, sempre aberto ao encontro. Contemplamos isto quando se det\u00e9m a conversar com a Samaritana, junto do po\u00e7o onde ela ia buscar \u00e1gua (cf. Jo 4,5-7). Vemo-lo quando, no meio da noite escura, encontra Nicodemos, que tinha medo de ser visto perto d\u2019Ele (cf. Jo 3,1-2). Admiramo-lo quando, sem se envergonhar, deixa que uma prostituta lhe lave os p\u00e9s (cf. Lc 7,36-50); quando diz, olhos nos olhos, \u00e0 mulher ad\u00faltera: \u2018N\u00e3o te condeno\u2019 (Jo 8,11); ou quando, perante a indiferen\u00e7a dos disc\u00edpulos, diz afetuosamente ao cego do caminho: \u2018Que queres que te fa\u00e7a?\u2019 (Mc 10,51). Cristo mostra que Deus \u00e9 proximidade, compaix\u00e3o e ternura\u201d (n. 35). E o Papa prossegue: \u201cSe curava algu\u00e9m, preferia aproximar-se: \u2018Jesus estendeu a m\u00e3o e tocou-o\u2019 (Mt 8,3); \u2018tocou-lhe na m\u00e3o\u2019 (Mt 8,15); \u2018tocou-lhes nos olhos\u2019 (Mt 9,29). E, como faz uma m\u00e3e, curou os doentes at\u00e9 com a pr\u00f3pria saliva (cf. Mc 7,33) para que n\u00e3o O sentissem como alheio \u00e0s suas vidas. Porque \u2018o Senhor conhece a bela ci\u00eancia das car\u00edcias. A ternura de Deus n\u00e3o nos ama com palavras; aproxima-se de n\u00f3s e, estando perto, d\u00e1-nos o seu amor com toda a ternura poss\u00edvel\u2019 (Francisco, Homilia na Missa matutina de Santa Marta (7 de junho de 2013): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. semanal em portugu\u00eas de 9 de junho de 2013), 6)\u201d (n. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Persistindo sobre os gestos acolhedores do Senhor, em seu cora\u00e7\u00e3o humano e divino, Francisco, de modo muito alentador, assegura: \u201cVisto que nos custa confiar, porque fomos feridos por tantas falsidades, agress\u00f5es e desilus\u00f5es, ele sussurra-nos ao ouvido: \u2018Filho, tem confian\u00e7a\u2019 (Mt 9,2); \u2018Filha, tem confian\u00e7a\u2019 (Mt 9,22). Trata-se de vencer o medo e de tomar consci\u00eancia de que, com Ele, n\u00e3o temos nada a perder. A Pedro, que estava desconfiado, \u2018Jesus estendeu-lhe a m\u00e3o, segurou-o e disse-lhe: [\u2026] \u2018Porque duvidaste?\u2019 (Mt 14,31). N\u00e3o tenhas medo. Deixa-O aproximar-se e sentar-se ao teu lado. Podemos duvidar de muitas pessoas, mas n\u00e3o d\u2019Ele. E n\u00e3o te paralises por causa dos teus pecados. Recorda-te que muitos pecadores \u2018sentaram-se com Ele\u2019 (Mt 9,10) e Jesus n\u00e3o se escandalizou com nenhum deles. Os elitistas da religi\u00e3o queixavam-se e chamavam-Lhe \u2018glut\u00e3o e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores\u2019 (Mt 11,19). Quando os fariseus criticavam esta sua proximidade com as pessoas consideradas humildes ou pecadoras, Jesus dizia-lhes: \u2018Prefiro a miseric\u00f3rdia ao sacrif\u00edcio\u2019 (Mt 9,13)\u201d (n. 37). Como, apesar de nossos pecados, n\u00e3o nos voltarmos confiantes a Ele que n\u00e3o nos deixou \u00f3rf\u00e3os com sua partida, mas est\u00e1 sempre conosco (cf. Jo 14,18-19)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Santo Padre n\u00e3o deixa de se debru\u00e7ar tamb\u00e9m sobre o olhar de Jesus. O modo como Ele se volta para o pr\u00f3ximo necessitado de miseric\u00f3rdia. Deste modo, fita os olhos com aten\u00e7\u00e3o no jovem rico que o procura (cf. Mc 10,21), com um olhar penetrante, mas n\u00e3o julgador, chama os dois irm\u00e3os que se encontravam \u00e0 margem do mar da Galileia (cf. Mt 4,18.21). Ainda: \u201c\u2018Contemplando a multid\u00e3o, encheu-se de compaix\u00e3o por ela, pois estava cansada e abatida\u2019 (Mt 9,36)\u201d. A Natanael, que se achava s\u00f3 e cheio de si, disse: \u201cAntes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!\u201d (Jo 1,48); \u201c\u2018Viu tamb\u00e9m uma vi\u00fava pobre depositar [no cofre do tesouro do templo] duas moedinhas\u2019 (Lc 21,2)\u201d. E: \u201cQuando o centuri\u00e3o Lhe suplicou com toda a confian\u00e7a, \u2018Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se\u2019 (Mt 8,10)\u201d (cf. n. 39-41). Tudo isto, porque \u201cenquanto ser humano, tinha aprendido isto de Maria, sua m\u00e3e. Ela, que tudo contemplava com cuidado e \u2018guardava tudo no seu cora\u00e7\u00e3o\u2019 (Lc 2,19.51), ensinou-O desde muito cedo, na companhia de S\u00e3o Jos\u00e9, a prestar aten\u00e7\u00e3o\u201d (n. 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A palavra, nos gestos de Jesus, \u00e9 tamb\u00e9m para o Santo Padre algo a ser meditado. Quando Ele nos chama a si, chama-nos para o Seu Cora\u00e7\u00e3o. Por isso, diz: \u201c\u2018Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos\u2019 (Mt 11,28)\u201d. Tamb\u00e9m pede aos seus disc\u00edpulos: \u201cPermanecei em mim\u201d (Jo 15,4). Ele sofre com os que sofrem, n\u00e3o lhes \u00e9 indiferente, como se nota em Mc 8,2-3: \u201cTenho compaix\u00e3o desta multid\u00e3o [&#8230;] N\u00e3o t\u00eam nada para comer [&#8230;] desfalecer\u00e3o no caminho, e alguns vieram de longe\u201d. Padece tamb\u00e9m por Jerusal\u00e9m (cf. Lc 19,41-42), chora a morte de L\u00e1zaro, seu amigo (cf. Jo 11,35), cujas irm\u00e3s tamb\u00e9m muito prezava (cf. Jo 11,5), e, ao v\u00ea-las chorar pelo irm\u00e3o morto, suspirou profundamente e comoveu-se (cf. Jo 11,33), ver: n. 43-44. \u201cPor fim, a ang\u00fastia de Jesus perante a sua pr\u00f3pria morte violenta, \u00e0s m\u00e3os daqueles que tanto amava, tamb\u00e9m n\u00e3o ficou escondida: \u2018come\u00e7ou a sentir pavor e a angustiar-se\u2019 (Mc 14,33), a ponto de dizer: \u2018a minha alma est\u00e1 numa tristeza mortal\u2019 (Mc 14,34). Esta perturba\u00e7\u00e3o interior exprime-se com toda a sua for\u00e7a no grito do Crucificado: \u2018Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?\u2019 (Mc 15,34)\u201d (n. 45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o Santo Padre, no pen\u00faltimo par\u00e1grafo, assim conclui o cap\u00edtulo 2: \u201cTudo isto, \u00e0 primeira vista, pode parecer um mero romanticismo religioso. No entanto, \u00e9 o que h\u00e1 de mais s\u00e9rio e mais decisivo. Encontra a sua express\u00e3o m\u00e1xima em Cristo pregado numa Cruz. Essa \u00e9 a palavra de amor mais eloquente. N\u00e3o se trata de algo superficial, n\u00e3o \u00e9 puro sentimento, n\u00e3o \u00e9 uma aliena\u00e7\u00e3o espiritual. \u00c9 amor. Por isso, quando S\u00e3o Paulo procurava as palavras certas para explicar a sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo, disse: \u2018amou-me e a Si mesmo se entregou por mim\u2019 (Gl 2,20). Esta era a sua maior convic\u00e7\u00e3o: saber-se amado. A entrega de Cristo na cruz subjugava-o, mas s\u00f3 fazia sentido porque havia algo ainda maior do que essa entrega: \u2018Amou-me\u2019. Quando muitas pessoas procuravam em v\u00e1rias propostas religiosas salva\u00e7\u00e3o, bem-estar ou seguran\u00e7a, Paulo, tocado pelo Esp\u00edrito, soube olhar al\u00e9m e maravilhar-se com o que h\u00e1 de maior e mais fundamental: \u2018Amou-me\u2019\u201d (n. 46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cAmou-me\u201d&#8230; Que gesto mais terno! Saber-se amado por um ser humano, muito pr\u00f3ximo de n\u00f3s, j\u00e1 \u00e9 um grande consolo. Afinal, o ser humano foi criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (cf. Gn 1,27) para amar a Deus e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo (cf. Mt 22,37-39; ver: Dt 6,5; Lv 19,18), mas a pergunta que fica, prezado(a) leitor(a), \u00e9: H\u00e1 maior consola\u00e7\u00e3o humana e espiritual do que poder dizer: \u201cSou amado(a) por Deus\u201d? Agrade\u00e7amo-Lo por t\u00e3o imenso amor e, com a Sua gra\u00e7a, procuremos correspond\u00ea-Lo \u00e0 altura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nova Enc\u00edclica do Papa Francisco sobre o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em seu amor humano e divino por n\u00f3s, trata, no cap\u00edtulo 2, dos gestos e palavras de amor \u00e0 luz da Sagrada Escritura. 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