{"id":91469,"date":"2024-11-11T09:05:55","date_gmt":"2024-11-11T12:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91469"},"modified":"2024-11-19T15:09:33","modified_gmt":"2024-11-19T18:09:33","slug":"quanto-vale-uma-oferta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quanto-vale-uma-oferta\/","title":{"rendered":"QUANTO VALE UMA OFERTA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na perspectiva humana, valores monet\u00e1rios s\u00e3o inflados pela cota\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de uma bolsa ilus\u00f3ria. H\u00e1 um lastro a ser seguido, de acordo com os humores e oscila\u00e7\u00f5es do mercado. Seu peso e medida nunca s\u00e3o os mesmos, dependendo da \u00f3tica daqueles que regem ou administram os interesses financeiros dum mundo globalizado. S\u00e3o os donos da bolsa, os que ditam as regras! Um cofre com fundo falso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas na perspectiva divina a realidade \u00e9 outra. Nesta n\u00e3o existe ostenta\u00e7\u00e3o, nem ilus\u00f5es passageiras, nem moedas virtuais. Os valores s\u00e3o outros. Imaginem ent\u00e3o a cena que se segue. \u201cJesus estava sentado no templo, diante do cofre de esmolas, e observava como a multid\u00e3o depositava suas moedas no cofre\u201d (Mc 12,41). Penso no qu\u00e3o triste era para Ele essa observa\u00e7\u00e3o. Quanta decep\u00e7\u00e3o! Ali acontecia um desfile de exibicionistas diante de uma multid\u00e3o que se dizia cumpridora das leis. Grandes quantias eram as provas cabais de uma prote\u00e7\u00e3o dos c\u00e9us, que envaideciam os mais ricos, exatamente aqueles que gostavam \u201cdas primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes\u201d. Vaidade, pura vaidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, timidamente, eis que se aproxima uma pobre vi\u00fava. Envergonhada e cabisbaixa, deposita \u201cduas pequenas moedas, que n\u00e3o valiam quase nada\u201d, e se afasta com rapidez, temendo ser interpelada por algu\u00e9m ou coisa assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De imediato, Jesus chama a si seus disc\u00edpulos, apontando a mulher. \u201cEst\u00e3o vendo essa pobre coitada! Nesse templo, hoje, ela fez a maior de todas as ofertas, pois depositou de sua mis\u00e9ria, deu tudo o que tinha para sobreviver\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9 o real valor de uma oferta. Dar n\u00e3o o que nos sobra, mas o que nos pode fazer falta, aquilo que julgamos essencial para nos manter vivos! Essa \u00e9 a perspectiva com que Deus avalia nossos gestos de oferta diante de seus altares, a coragem de apresentar uma oferta maior do que nossos tesouros materiais, nossas ilus\u00f3rias riquezas corro\u00eddas pela tra\u00e7a e ferrugem. O que temos n\u00e3o importa a Deus, mas o que somos, sim. Porque na integridade de uma alma sens\u00edvel e disposta a agradar a Deus \u00e9 que residem os maiores valores da ess\u00eancia humana. Esse \u00e9 o dom maior, a verdadeira riqueza donde podemos tirar a maior das ofertas que os olhos misericordiosos de Jesus esperam de n\u00f3s: dar da nossa pobreza, oferecer da nossa insignific\u00e2ncia. Um gesto de amor capaz de agradar muito mais do que nossa prepot\u00eancia de nos julgarmos donos do mundo, senhores do universo. Nada disso somos, nada disso temos. Ao contr\u00e1rio, se n\u00e3o nos abandonarmos plenamente nas m\u00e3os do Criador, para que Ele realize em n\u00f3s seus projetos, em v\u00e3o ser\u00e3o nossas conquistas terrenas. Insignificantes as nossas ofertas. Mais do que ofertar das \u201csobras\u201d, precisamos ofertar nossas \u201cmis\u00e9rias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se trata de uma simples invers\u00e3o de valores num ato de oferta que fazemos diante de Deus. Se recebemos mais, se temos melhores condi\u00e7\u00f5es para gestos concretos de doa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos fugir dessa responsabilidade maior. Quem tem mais, deve sim ser mais generoso. Mas n\u00e3o est\u00e1 dando mais do que aquele que recebeu menos. Pois, na medida de Deus, o que conta n\u00e3o \u00e9 o valor depositado, mas a generosidade do cora\u00e7\u00e3o que doa. E, para este, n\u00e3o existe dinheiro que pague um gesto de amor. Quem recebeu mais n\u00e3o estar\u00e1 dando mais do que aquele que recebeu menos. A medida de Deus \u00e9 a medida do cora\u00e7\u00e3o que ama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na perspectiva humana, valores monet\u00e1rios s\u00e3o inflados pela cota\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de uma bolsa ilus\u00f3ria. H\u00e1 um lastro a ser seguido, de acordo com os humores e oscila\u00e7\u00f5es do mercado. Seu peso e medida nunca s\u00e3o os mesmos, dependendo da \u00f3tica daqueles que regem ou administram os interesses financeiros dum mundo globalizado. 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