{"id":91362,"date":"2024-11-18T09:09:13","date_gmt":"2024-11-18T12:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91362"},"modified":"2024-11-18T15:11:55","modified_gmt":"2024-11-18T18:11:55","slug":"parolin-nao-nos-rendamos-a-inevitabilidade-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/parolin-nao-nos-rendamos-a-inevitabilidade-da-guerra\/","title":{"rendered":"Parolin: \u201cN\u00e3o nos rendamos \u00e0 inevitabilidade da guerra\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Entrevista com o cardeal Secret\u00e1rio de Estado no mil\u00e9simo dia do in\u00edcio da agress\u00e3o militar contra a Ucr\u00e2nia.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Andrea Tornielli<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o podemos nos render \u00e0 inevitabilidade da guerra! Espero sinceramente que este dia triste, o mil\u00e9simo desde o in\u00edcio da guerra em larga escala contra a Ucr\u00e2nia, provoque um impulso de responsabilidade em todos e, em particular, naqueles que podem parar a carnificina que est\u00e1 ocorrendo\u201d. Essa foi a declara\u00e7\u00e3o do cardeal Pietro Parolin numa entrevista \u00e0 m\u00eddia vaticana antes de sua partida para o G20 no Brasil. O secret\u00e1rio de Estado foi \u00e0 Ucr\u00e2nia em julho passado, visitando Lviv, Odessa e Kiev.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-91362-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/11\/18\/16\/138432379_F138432379.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/11\/18\/16\/138432379_F138432379.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/11\/18\/16\/138432379_F138432379.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 o seu estado de esp\u00edrito nesta ocasi\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 pode ser de profunda tristeza, porque n\u00e3o se pode acostumar ou ficar indiferentes \u00e0s not\u00edcias que nos chegam todos os dias e nos falam de morte e destrui\u00e7\u00e3o. A Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds atacado e martirizado, que testemunha o sacrif\u00edcio de gera\u00e7\u00f5es inteiras de homens, jovens e idosos, afastados dos estudos, do trabalho e da fam\u00edlia para serem enviados \u00e0 linha de frente; vive o drama de quem v\u00ea seus entes queridos morrerem sob as bombas ou ataques de drones; v\u00ea o sofrimento de quem perdeu sua casa ou vive em condi\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias por causa da guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que n\u00f3s podemos fazer para ajudar a Ucr\u00e2nia?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, como crist\u00e3os, podemos e devemos rezar. Implorar a Deus que converta os cora\u00e7\u00f5es dos \u201csenhores da guerra\u201d. Devemos continuar pedindo a intercess\u00e3o de Maria, M\u00e3e particularmente venerada naquelas terras que receberam o Batismo h\u00e1 muitos s\u00e9culos. Em segundo lugar, podemos nos comprometer a nunca deixar faltar a nossa solidariedade para com quem sofre, para com quem precisa de cuidados, para com quem passa frio, para com quem precisa de tudo. A Igreja na Ucr\u00e2nia est\u00e1 fazendo muito pela popula\u00e7\u00e3o, partilhando a cada dia o destino de um pa\u00eds em guerra. Em terceiro lugar, podemos fazer ouvir a nossa voz, como comunidade, como povo, para pedir a paz. Podemos fazer ouvir o nosso grito, exigir que os pedidos de paz sejam ouvidos e levados em considera\u00e7\u00e3o. Podemos dizer n\u00e3o \u00e0 guerra, \u00e0 corrida armamentista louca que o Papa Francisco continua a denunciar. \u00c9 compreens\u00edvel uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante do que est\u00e1 acontecendo, mas \u00e9 ainda mais verdadeiro que juntos, como uma fam\u00edlia humana, podemos fazer muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que \u00e9 necess\u00e1rio hoje para pelo menos fazer parar o fragor das armas?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 correto dizer \u201cpara pelo menos fazer parar o fragor das armas\u201d. Porque para negociar uma paz justa leva tempo, enquanto uma tr\u00e9gua partilhada por todas as partes envolvidas &#8211; primeiramente pela R\u00fassia que iniciou o conflito e que deveria cessar a agress\u00e3o &#8211; poderia acontecer no espa\u00e7o de algumas horas, se houvesse vontade<b>.<\/b>\u00a0Como o Santo Padre repete frequentemente, precisamos de homens que apostem na paz e n\u00e3o na guerra, homens que percebam a enorme responsabilidade que representa a continua\u00e7\u00e3o de um conflito com resultados sinistros n\u00e3o s\u00f3 para a Ucr\u00e2nia, mas tamb\u00e9m para toda a Europa e para o mundo inteiro. Uma guerra que corre o risco de nos arrastar para um confronto nuclear, ou seja, para o abismo. A Santa S\u00e9 faz todo o poss\u00edvel para manter canais de di\u00e1logo com todos, mas tem-se a sensa\u00e7\u00e3o de ter atrasado o rel\u00f3gio da hist\u00f3ria. A a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, a paci\u00eancia do di\u00e1logo, a criatividade da negocia\u00e7\u00e3o parecem ter desaparecido, legados do passado. E s\u00e3o as v\u00edtimas inocentes que pagam o pre\u00e7o. A guerra rouba o futuro de gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as e jovens, cria divis\u00f5es e alimenta o \u00f3dio. Quanta necessidade h\u00e1 de estadistas com uma vis\u00e3o de longo alcance, capazes de gestos corajosos de humildade, capazes de pensar no bem de seus povos. Quarenta anos atr\u00e1s, em Roma, foi assinado o Tratado de Paz entre a Argentina e o Chile que resolveu a disputa sobre o Canal de Beagle com a media\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9. Alguns anos antes, os dois pa\u00edses chegaram ao limiar da guerra, com os seus Ex\u00e9rcitos j\u00e1 mobilizados. Tudo parou gra\u00e7as a Deus: muitas vidas foram poupadas, muitas l\u00e1grimas foram evitadas. Por que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar este esp\u00edrito novamente hoje, no cora\u00e7\u00e3o da Europa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O senhor acha que h\u00e1 espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00e3o hoje?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que os sinais n\u00e3o sejam positivos, a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre poss\u00edvel e desej\u00e1vel para todos aqueles que valorizam a sacralidade da vida humana. Negociar n\u00e3o \u00e9 um sinal de fraqueza, mas de coragem. O caminho das \u201cnegocia\u00e7\u00f5es honestas\u201d e dos \u201ccompromissos honrosos\u201d, e me refiro aqui \u00e0s palavras do Papa Francisco em sua recente viagem a Luxemburgo e \u00e0 B\u00e9lgica, o do di\u00e1logo, \u00e9 o caminho principal que aqueles que t\u00eam o destino dos povos em suas m\u00e3os devem trilhar, um di\u00e1logo que s\u00f3 pode ser mantido quando h\u00e1 um m\u00ednimo de confian\u00e7a entre as partes. E isso exige a boa f\u00e9 de todos. Se n\u00e3o se confia, pelo menos em grau m\u00ednimo, no outro e se n\u00e3o se age com sinceridade, tudo fica bloqueado. Assim, na Ucr\u00e2nia, na Terra Santa e em tantas outras \u00e1reas do mundo, se continua a lutar e a morrer. N\u00e3o podemos nos render \u00e0 inevitabilidade da guerra! Espero sinceramente que este dia triste, o mil\u00e9simo desde o in\u00edcio da agress\u00e3o militar contra a Ucr\u00e2nia, provoque um impulso de responsabilidade em todos, em especial, naqueles que podem parar a carnificina que est\u00e1 ocorrendo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o cardeal Secret\u00e1rio de Estado no mil\u00e9simo dia do in\u00edcio da agress\u00e3o militar contra a Ucr\u00e2nia. Andrea Tornielli \u201cN\u00e3o podemos nos render \u00e0 inevitabilidade da guerra! 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