{"id":91258,"date":"2024-11-07T16:18:33","date_gmt":"2024-11-07T19:18:33","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91258"},"modified":"2024-11-07T16:18:33","modified_gmt":"2024-11-07T19:18:33","slug":"fe-e-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/fe-e-caridade\/","title":{"rendered":"F\u00e9 e caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O gesto de caridade de duas vi\u00favas \u00e9 a fonte da medita\u00e7\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o da liturgia dominical (1Reis 17,10-16; Salmo 145, Hebreus 9,24-28 e Marcos 12,38-44). As vi\u00favas, principalmente as mais pobres, faziam parte do grupo de pessoas mais desamparadas na \u00e9poca. O salmo cita os mais desprotegidos para os quais restava somente a provid\u00eancia divina: \u201c\u00c9 o Senhor quem protege o estrangeiro, quem ampara a vi\u00fava e o \u00f3rf\u00e3o\u201d. As duas vi\u00favas entram em cena, expressam a f\u00e9 pela caridade e depois desaparecem, por\u00e9m permanece o exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em tempo grande seca, o profeta Elias est\u00e1 fora do pa\u00eds e pede para uma vi\u00fava da cidade de Sarepta: \u201ctraze-me um pouco de \u00e1gua [&#8230;] tamb\u00e9m um peda\u00e7o de p\u00e3o em tua m\u00e3o\u201d. A resposta da vi\u00fava revela a sua situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica: \u201cPela vida do Senhor, teu Deus, n\u00e3o tenho p\u00e3o. S\u00f3 tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois peda\u00e7os de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte\u201d. O profeta promete que se ela der \u00e1gua e um peda\u00e7o de p\u00e3o \u201ca vasilha de farinha n\u00e3o acabar\u00e1 e a jarra de azeite n\u00e3o diminuir\u00e1\u201d at\u00e9 o dia que chova de novo. Movida pela f\u00e9 ela realiza a caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho conta que Jesus est\u00e1 sentado diante do \u201ccofre das esmolas\u201d observando o comportamento das multid\u00f5es por ocasi\u00e3o das ofertas. Porque ser\u00e1 que Jesus observa as atitudes das pessoas neste particular das ofertas? Porque o modo de proceder com o dinheiro revela as nossas convic\u00e7\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o com os bens materiais foi assunto frequente nos seus ensinamentos. Jesus percebeu ent\u00e3o que \u201cchegou uma pobre vi\u00fava que deu duas pequenas moedas, que n\u00e3o valiam quase nada\u201d. Jesus chamou os disc\u00edpulos e os fez perceber a diferen\u00e7a entre as motiva\u00e7\u00f5es dos ofertantes. \u201cTodos deram do que tinham se sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possu\u00eda para viver\u201d. Houve quantidades diversas dos ofertantes, mas o mais relevante \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o sincera do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m da oferta da vi\u00fava se faz necess\u00e1rio ressaltar o lugar onde se desenvolve o epis\u00f3dio: foi no Templo de Jerusal\u00e9m, centro religioso do povo de Israel. Lugar de solenidades religiosas, peregrina\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m lugar onde Jesus teve disputas com os mestres da lei, fariseus e comerciantes. Jesus manifestava um grande zelo pelo Templo por ser lugar de ora\u00e7\u00e3o, lugar onde se encontram Deus e o homem, o Criador com a sua criatura. Este lugar precisava ser purificado dos usos impr\u00f3prios. A oferta da vi\u00fava era destinada para que o Templo cumprisse a sua finalidade. \u201cEla, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possu\u00eda para viver\u201d. Se para Jesus o Templo era um lugar importante e sagrado, da mesma forma o era para a vi\u00fava. Por isso ela, de cora\u00e7\u00e3o, faz a sua oferta para a manuten\u00e7\u00e3o do Templo e ele continuasse a atender as suas finalidades. A oferta da vi\u00fava chama \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is pelo zelo de suas igrejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Escritura tamb\u00e9m demonstra que a simples condi\u00e7\u00e3o de necessidade material n\u00e3o \u00e9 suficiente para caracterizar que uma pessoa \u00e9 boa. Deus pede sempre a livre ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 que se expressa no amor por Ele e pelo pr\u00f3ximo. Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o pobre que n\u00e3o possa dar algo. As a\u00e7\u00f5es das duas vi\u00favas demonstram a f\u00e9 cumprindo um gesto de caridade, confirmando assim a unidade insepar\u00e1vel entre a f\u00e9 e caridade, como o amor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dificilmente damos daquilo que necessitamos para viver, contentando-nos em dar o que sobra. O cristianismo convida-nos a conjugar muito mais o verbo dar e um pouco menos os verbos receber, pedir e exigir. Todos podemos e devemos dar aos outros coisas materiais, amor, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, respeito, sorrisos, justi\u00e7a, dignidade, amizade, tempo, vida e p\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O gesto de caridade de duas vi\u00favas \u00e9 a fonte da medita\u00e7\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o da liturgia dominical (1Reis 17,10-16; Salmo 145, Hebreus 9,24-28 e Marcos 12,38-44). As vi\u00favas, principalmente as mais pobres, faziam parte do grupo de pessoas mais desamparadas na \u00e9poca. 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