{"id":91248,"date":"2024-11-07T15:38:09","date_gmt":"2024-11-07T18:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=91248"},"modified":"2024-11-07T15:38:09","modified_gmt":"2024-11-07T18:38:09","slug":"despojamento-e-entrega-total-nas-maos-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/despojamento-e-entrega-total-nas-maos-de-deus\/","title":{"rendered":"Despojamento e entrega total nas m\u00e3os de Deus!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia do 32.\u00ba Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que agrada a Deus. Mais do que rituais lit\u00fargicos solenes e majestosos, Deus espera de n\u00f3s uma atitude permanente de entrega nas suas m\u00e3os, de disponibilidade para os seus projetos, de escuta atenta das suas indica\u00e7\u00f5es, de generosidade, de partilha, de solidariedade para com os nossos irm\u00e3os. Neste domingo a figura da vi\u00fava \u00e9 enfatizada duas vezes na Liturgia: a vi\u00fava de Sarepta \u2013 pela sua hospitalidade \u2013 e a vi\u00fava do Templo \u2013 pela sua humildade e generosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura \u2013 1Rs 17,10-16 \u2013 apresenta-nos o exemplo de uma vi\u00fava pobre de Sarepta que, apesar da sua pobreza e necessidade, ouviu o apelo de Deus e repartiu os poucos alimentos que lhe restavam com o profeta Elias. A hist\u00f3ria dessa mulher garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade n\u00e3o empobrecem, mas s\u00e3o geradoras de vida abundante. A vi\u00fava de Sarepta, do Primeiro Livro dos Reis, destaca-se por sua hospitalidade e \u00e9 agraciada com o milagre que o profeta Elias concedeu por meio de sua b\u00ean\u00e7\u00e3o: a abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho \u2013 Mc 12,38-44 \u2013 convida-nos a ver, pelos olhos de Jesus, duas formas diferentes de \u201cdar culto\u201d a Deus. De um lado est\u00e3o os \u201cescribas\u201d, homens-modelo de uma religi\u00e3o solene e formal, mas tamb\u00e9m vazia, hip\u00f3crita, teatral, fomentadora da explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres, usada para fins ego\u00edstas de promo\u00e7\u00e3o pessoal; do outro lado est\u00e1 uma vi\u00fava pobre e humilde, mas que tem um cora\u00e7\u00e3o generoso, que confia plenamente em Deus, que aceita viver num despojamento total de si pr\u00f3pria para \u201cdar tudo\u201d a Deus. Jesus prop\u00f5e-na aos disc\u00edpulos que est\u00e3o com Ele no \u00e1trio do templo como modelo do culto que devem prestar a Deus. A vi\u00fava que estava no Templo, com sua atitude de humildade e generosidade, chamou a aten\u00e7\u00e3o de Jesus, que lhe fez um grande elogio. Na primeira parte do texto evang\u00e9lico, Jesus critica os escribas, dizendo que \u201celes devoram as casas das vi\u00favas, fingindo fazer longas ora\u00e7\u00f5es\u201d (Mc 12,40), deixando claro que eles n\u00e3o s\u00e3o um exemplo a imitar. Na segunda parte, Jesus observa as ofertas do povo no Templo, inclusive as grandes quantias dos ricos. Mas chama-lhe a aten\u00e7\u00e3o a oferta de uma vi\u00fava pobre, que entrega duas moedas que n\u00e3o valiam quase nada. Na fala de Jesus a seus Disc\u00edpulos (Mc 12,43-44), essa pobre vi\u00fava desponta como exemplo a ser seguido, pois ela \u201cofereceu aquilo que possu\u00eda para viver\u201d (Mc 12,44). Ela se torna modelo para os seguidores de Jesus: de generosidade e de desapego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura \u2013 Hb 9,24-28 \u2013 oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote perfeito. Na Antiga Alian\u00e7a, o sumo sacerdote entrava uma vez por ano no santu\u00e1rio para oferecer o sacrif\u00edcio em expia\u00e7\u00e3o pelos pecados do povo. Na Nova Alian\u00e7a, Jesus entrou no santu\u00e1rio celeste, eliminando o pecado e dispensando os sacrif\u00edcios de purifica\u00e7\u00e3o. Cumprindo o projeto do Pai, Ele deu aquilo que tinha de mais precioso: a sua pr\u00f3pria vida. Mostrou-nos, com o seu sacrif\u00edcio, qual \u00e9 o dom perfeito que Deus quer e espera de cada um dos seus filhos: a entrega de n\u00f3s pr\u00f3prios para que o seu projeto para o mundo e para o homem se concretize.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste domingo somos chamados a fazer pequenos gestos que constroem. Os gestos \u201cinsignificantes\u201d das pessoas humildes e escondidas s\u00e3o os que constroem a comunidade. Elas nem sempre s\u00e3o reconhecidas e valorizadas, mas suas atitudes e gestos silenciosos fazem a diferen\u00e7a. Trata-se de pessoas despojadas que n\u00e3o vivem de apar\u00eancia nem buscam visibilidade, status ou poder. Que ao contemplar o gesto das duas pobres vi\u00favas, possamos ir ao encontro dos \u00faltimos da sociedade. Lembremos que a hospitalidade da primeira vi\u00fava de Sarepta \u00e9 recompensada por Deus e a generosidade da segunda vi\u00fava do Templo \u00e9 elogiada por Jesus. Na sua pobreza elas ofereceram tudo aquilo que possu\u00edam para viver. Fa\u00e7amos justi\u00e7a aos oprimidos e alimentemos quem mais precisa e passa fome como as duas vi\u00favas de hoje!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>+ Anuar Battisti<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Arcebispo Em\u00e9rito de Maring\u00e1, PR<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia do 32.\u00ba Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que agrada a Deus. 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