{"id":90656,"date":"2024-10-07T09:01:55","date_gmt":"2024-10-07T12:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=90656"},"modified":"2024-10-09T12:02:45","modified_gmt":"2024-10-09T15:02:45","slug":"uma-so-carne-e-osso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-so-carne-e-osso\/","title":{"rendered":"UMA S\u00d3 CARNE E OSSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por causa da dureza do cora\u00e7\u00e3o humano, Mois\u00e9s tolerou que o div\u00f3rcio conjugal fosse aceito pelos israelitas. Essa toler\u00e2ncia ia contra os mandamentos que ele pr\u00f3prio havia promulgado naquela travessia de longos anos. Jesus, o novo Mois\u00e9s, aquele que n\u00e3o veio abolir a lei, \u201cmas lev\u00e1-la \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o\u201d, ratifica: \u201cQuem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adult\u00e9rio contra a primeira\u201d (Mc 10,11). E vice e versa. Antes, reafirmou: \u201cj\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dois, mas uma s\u00f3 carne. N\u00e3o separe, pois, o homem, o que Deus uniu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Est\u00e3o a\u00ed as mais objetivas palavras a favor da indissolubilidade da vida conjugal. Para muitos \u2013 talvez grande maioria \u2013 s\u00e3o essas prerrogativas crist\u00e3s um grande empecilho para a ades\u00e3o e o seguimento incondicional ao mestre nazareno. Diria at\u00e9 ser este o motivo maior que impede um crescimento exponencial do cristianismo no mundo, nos dias de hoje. A vida dissoluta e prazerosa de muitos n\u00e3o combina com um compromisso de fidelidade, em especial quando esse compromisso diz respeito \u00e0 vida a dois, \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar. E fidelidade \u00e9 quest\u00e3o de observ\u00e2ncia \u00e0 lei, de respeito \u00e0 sua sacralidade. E sagrado \u00e9 o caminho da santidade, da fidelidade tamb\u00e9m a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assusta-nos essa tomada de consci\u00eancia, que aponta nossa infidelidade n\u00e3o apenas ao c\u00f4njuge tra\u00eddo ou repudiado, mas igualmente a Deus. Se houve total ades\u00e3o \u00e0 vontade divina, se a b\u00ean\u00e7\u00e3o nupcial recebida foi algo divino, fruto de seu plano de amor, projeto de vida familiar e conjugal, ent\u00e3o n\u00e3o se corta ao meio aquilo que \u201cDeus uniu\u201d. Eis a quest\u00e3o. Houve ou n\u00e3o o dedo de Deus naquela vida a dois? Foi Deus ou a vol\u00fapia carnal que os fez \u201cmarido e mulher\u201d? Como diferenciar o fato do ato, a uni\u00e3o plena e real de uma atra\u00e7\u00e3o e ilus\u00e3o moment\u00e2neas? Para diagnosticar essa verdade existem os tribunais da Igreja, que atestam ou n\u00e3o uma validade sacramental. Mas o fato primeiro \u00e9 que n\u00e3o nos cabe aqui qualquer julgamento. Essa quest\u00e3o s\u00f3 Deus pode julgar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A li\u00e7\u00e3o maior desse posicionamento radical de Jesus est\u00e1 no peso da lei de Deus. N\u00e3o \u00e0 toa a denominamos Lei do Amor. Nela residem todos os elementos da autenticidade, da fidelidade, da toler\u00e2ncia e do di\u00e1logo que caracterizam uma uni\u00e3o plena e perfeita aos olhos de Deus. Assim como na pureza e no amor infantil, que circundam os passos de Jesus com alegria e simplicidade, \u201cporque o Reino de Deus \u00e9 dos que s\u00e3o como elas\u201d (Mc 10,14). Ou seja, ningu\u00e9m conserva um relacionamento perfeito, de amor pleno e duradouro, se n\u00e3o possuir a autenticidade de uma crian\u00e7a diante de Deus. Porque ela confia na prote\u00e7\u00e3o divina. Porque ela se submete aos seus ensinamentos. Porque ela n\u00e3o se deixa levar pelos turbilh\u00f5es da maldade e do desamor. Antes, procura estar sempre pr\u00f3xima e moldar-se \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o dos mandamentos que a f\u00e9, s\u00f3 a f\u00e9, as ensina a praticar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tornar-se uma s\u00f3 carne \u00e9 o \u00e1pice da vida conjugal perfeita. \u00c9 sentir o que o outro sente, sonhar o que o outro sonha, viver o que o outro vive. Para quem vive ou viveu uma paix\u00e3o verdadeira, sabe perfeitamente qu\u00e3o real s\u00e3o essas afirmativas. Assumir, pois, o tecido da unidade plena e total numa vida a dois n\u00e3o \u00e9 acreditar em contos de fadas ou ilus\u00f5es adolescentes. \u00c9 repetir diuturnamente para o amado ou a amada, o mesmo que Ad\u00e3o exclamou ao acordar de um sono profundo e contemplar a beleza de sua amada: \u201cDesta vez, sim, \u00e9 osso dos meus ossos e carne da minha carne\u201d! (Gn 2,23).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por causa da dureza do cora\u00e7\u00e3o humano, Mois\u00e9s tolerou que o div\u00f3rcio conjugal fosse aceito pelos israelitas. Essa toler\u00e2ncia ia contra os mandamentos que ele pr\u00f3prio havia promulgado naquela travessia de longos anos. 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