{"id":90591,"date":"2024-10-08T09:08:06","date_gmt":"2024-10-08T12:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=90591"},"modified":"2024-10-08T17:10:05","modified_gmt":"2024-10-08T20:10:05","slug":"nao-ter-medo-de-nada-papa-francisco-se-reune-com-jesuitas-na-belgica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-ter-medo-de-nada-papa-francisco-se-reune-com-jesuitas-na-belgica\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o ter medo de nada\u201d: Papa Francisco se re\u00fane com jesu\u00edtas na B\u00e9lgica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Papa Francisco encontro com os jesu\u00edtas na B\u00e9lgica\u00a0 (Vatican Media)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Na tarde de s\u00e1bado, 28 de setembro, o Papa Francisco se encontrou, no Coll\u00e8ge Saint-Michel em Bruxelas, com cerca de 150 jesu\u00edtas, residentes na B\u00e9lgica, Luxemburgo e Holanda. Respondendo, com sua habitual espontaneidade e franqueza, \u00e0s perguntas que lhe foram feitas, o Papa abordou v\u00e1rios temas, incluindo seculariza\u00e7\u00e3o, incultura\u00e7\u00e3o, o lugar das mulheres na Igreja, o S\u00ednodo, discernimento e migra\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Antonio Spadaro S.I.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tarde de s\u00e1bado, 28 de setembro, o Papa Francisco deixou o campus da\u00a0<i>Universit\u00e9 Catholique de Louvain<\/i>\u00a0para chegar, por volta das 18h15, ao\u00a0<i>Coll\u00e8ge Saint-Michel<\/i>, uma escola cat\u00f3lica administrada pela Companhia de Jesus, localizada em Etterbeek, Bruxelas. L\u00e1 ele se reuniu com cerca de 150 jesu\u00edtas da B\u00e9lgica, Luxemburgo e Holanda. Com eles estavam o provincial da Prov\u00edncia da Europa Ocidental de l\u00edngua francesa, padre Thierry Dobbelstein, e o superior da Regi\u00e3o Independente da Holanda, padre Marc Desmet. O cardeal jesu\u00edta Michael Czerny, prefeito do Dicast\u00e9rio para o Desenvolvimento Humano Integral, tamb\u00e9m estava presente. O Papa come\u00e7ou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa noite a todos! J\u00e1 estive aqui neste lugar duas vezes e \u00e9 bom estar de volta. Devo lhes dizer a verdade: uma vez cometi um furto aqui. Eu estava indo celebrar a missa e vi um pacote de pap\u00e9is que me deixou intrigado. Eram apostilas de aulas sobre o livro de J\u00f3. Naquele ano, na Argentina, eu deveria dar aulas sobre J\u00f3. Folheei as p\u00e1ginas e elas me chamaram a aten\u00e7\u00e3o. No final, peguei aquelas anota\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Papa Francisco, estamos muito felizes que o senhor esteja aqui na B\u00e9lgica. O senhor \u00e9 muito, muito bem-vindo. Faremos algumas perguntas, que esperamos sejam interessantes e inteligentes. Temos aqui o provincial da Prov\u00edncia da Europa Ocidental de l\u00edngua francesa e o superior da regi\u00e3o independente dos Pa\u00edses Baixos. Esta terra \u00e9 uma verdadeira encruzilhada, e os jesu\u00edtas daqui tamb\u00e9m s\u00e3o muito diversificados: alguns v\u00eam da Confer\u00eancia dos Provinciais Jesu\u00edtas Europeus, depois h\u00e1 os que falam franc\u00eas e os que falam flamengo. O senhor sabe que, quando visita uma comunidade jesu\u00edta, nunca se depara com fotoc\u00f3pias! Aqui n\u00e3o temos nada disso. E tamb\u00e9m falamos idiomas diferentes. Em 13 de mar\u00e7o de 2013, teve in\u00edcio uma bela aventura de esperan\u00e7a e renova\u00e7\u00e3o na Igreja. Queremos que seja um momento informal e de conv\u00edvio. Na Holanda, temos uma palavra t\u00edpica para isso: \u201cgezellig\u201d. Ela \u00e9 dif\u00edcil de traduzir: pode ser traduzida como \u201cconv\u00edvio\u201d, \u201catmosfera aconchegante\u201d ou at\u00e9 mesmo \u201cbom humor\u201d, dependendo do contexto. Aqui: \u00e9 a palavra certa para n\u00f3s neste momento. E \u00e9 por isso que queremos cantar juntos a m\u00fasica \u201cEn todo amar y servir\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Desmet pega seu viol\u00e3o e entoa a m\u00fasica. O Papa tamb\u00e9m pronuncia, em voz baixa, as palavras, que ele conhece bem. Em seguida, come\u00e7am as perguntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Santo Padre, qual \u00e9 a miss\u00e3o espec\u00edfica dos jesu\u00edtas na B\u00e9lgica?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Olhe, n\u00e3o conhe\u00e7o muito bem sua situa\u00e7\u00e3o, portanto n\u00e3o posso dizer qual deve ser sua miss\u00e3o nesse contexto espec\u00edfico. Mas posso lhe dizer uma coisa: o jesu\u00edta n\u00e3o deve ter medo de nada. Ele \u00e9 um homem em tens\u00e3o entre duas formas de coragem: coragem para buscar Deus em ora\u00e7\u00e3o e coragem para ir at\u00e9 as fronteiras. Isso \u00e9 realmente \u201ccontemplatividade\u201d em a\u00e7\u00e3o. Acho que essa \u00e9 realmente a principal miss\u00e3o dos jesu\u00edtas: mergulhar nos problemas do mundo e lutar com Deus na ora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma bela alocu\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo VI aos jesu\u00edtas no in\u00edcio da Congrega\u00e7\u00e3o Geral XXXII: na encruzilhada de situa\u00e7\u00f5es complexas h\u00e1 sempre um jesu\u00edta, disse ele. Essa alocu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra-prima e diz claramente o que a Igreja quer da Companhia. Pe\u00e7o a voc\u00eas que leiam esse texto. L\u00e1 voc\u00eas encontrar\u00e3o sua miss\u00e3o[1].<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Moro em Amsterd\u00e3, uma das cidades mais secularizadas do mundo. O padre Geral Adolfo Nicol\u00e1s disse certa vez que sonhava em dar os Exerc\u00edcios Espirituais aos ateus. Em nosso pa\u00eds, o ate\u00edsmo \u00e9 a norma e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o. Mas queremos dar a riqueza de nossa vida espiritual a todos os nossos vizinhos, realmente a todos, como o senhor diz: \u201cTodos, todos\u201d. Como podemos chegar a esse n\u00edvel profundo de incultura\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Encontramos o limite da incultura\u00e7\u00e3o estudando os prim\u00f3rdios da Sociedade. Seus mestres s\u00e3o o padre Matteo Ricci, o padre Roberto De Nobili e os outros grandes mission\u00e1rios que tamb\u00e9m assustaram alguns na Igreja com sua a\u00e7\u00e3o corajosa. Esses nossos mestres tra\u00e7aram o limite da incultura\u00e7\u00e3o. A incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura sempre andam juntas. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o limite? N\u00e3o existe um limite fixo! \u00c9 preciso procur\u00e1-lo no discernimento. E ele \u00e9 discernido por meio da ora\u00e7\u00e3o. Fico impressionado, e sempre repito: em seu \u00faltimo discurso, o padre Arrupe disse para trabalharmos nas fronteiras e, ao mesmo tempo, nunca nos esquecermos da ora\u00e7\u00e3o. E a ora\u00e7\u00e3o jesu\u00edta \u00e9 desenvolvida em situa\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes e dif\u00edceis. Essa \u00e9 a coisa mais bonita de nossa espiritualidade: correr riscos.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Na Europa Ocidental, estamos familiarizados com a seculariza\u00e7\u00e3o. Nossas sociedades parecem distantes de Deus. O que deve ser feito?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A seculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno complexo. Percebo que \u00e0s vezes temos de confrontar formas de paganismo. N\u00e3o precisamos de uma est\u00e1tua de um deus pag\u00e3o para falar de paganismo: o pr\u00f3prio ambiente, o ar que respiramos \u00e9 um deus pag\u00e3o gasoso! E devemos pregar a essa cultura com testemunho, servi\u00e7o e f\u00e9. E, de dentro de n\u00f3s, devemos fazer isso com ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de pensar em coisas muito sofisticadas. Pense em S\u00e3o Paulo em Atenas: foi ruim para ele, porque ele seguiu um caminho que n\u00e3o era o seu naquele momento. \u00c9 assim que vejo as coisas. Devemos estar abertos, dialogar e, no di\u00e1logo, ajudar com simplicidade. E o que torna o di\u00e1logo frut\u00edfero \u00e9 o servi\u00e7o. Infelizmente, muitas vezes encontro um forte clericalismo na Igreja, o que impede esse di\u00e1logo frut\u00edfero. E, acima de tudo, onde h\u00e1 clericalismo n\u00e3o h\u00e1 servi\u00e7o. E, pelo amor de Deus, nunca confundam evangeliza\u00e7\u00e3o com proselitismo!<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Faz parte da espiritualidade e da teologia dos jesu\u00edtas dar espa\u00e7o ao cora\u00e7\u00e3o: o Verbo se fez carne! Mas muitas vezes, infelizmente, n\u00e3o damos o espa\u00e7o certo ao cora\u00e7\u00e3o. Essa car\u00eancia, em minha opini\u00e3o, \u00e9 uma das coisas que produzem formas de abuso. E ent\u00e3o eu gostaria de lhe fazer uma pergunta sobre a dificuldade de dar \u00e0s mulheres um lugar mais justo e adequado na Igreja.<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Costumo repetir que a Igreja \u00e9 mulher. Vejo as mulheres no caminho dos carismas, e n\u00e3o quero limitar o discurso do papel da mulher na Igreja ao tema do minist\u00e9rio. Ent\u00e3o, em geral, o machismo e o feminismo s\u00e3o l\u00f3gicas de \u201cmercado\u201d. Neste momento, estou tentando cada vez mais de fazer entrar as mulheres no Vaticano com fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade cada vez maior. E as coisas est\u00e3o mudando: voc\u00ea pode ver e sentir isso. O vice-governador do Estado \u00e9 uma mulher. Depois, o Dicast\u00e9rio para o Desenvolvimento Humano Integral tamb\u00e9m tem uma mulher como vice. Na \u201cequipe\u201d para a nomea\u00e7\u00e3o de bispos, h\u00e1 tr\u00eas mulheres e, como elas est\u00e3o l\u00e1 para selecionar os candidatos, as coisas est\u00e3o muito melhores: elas s\u00e3o incisivas em seus julgamentos. No Dicast\u00e9rio para os Religiosos, a representante \u00e9 uma mulher. O representante do Dicast\u00e9rio para a Economia \u00e9 uma mulher. Em resumo, as mulheres est\u00e3o entrando no Vaticano com fun\u00e7\u00f5es de alta responsabilidade: continuaremos nesse caminho. As coisas est\u00e3o funcionando melhor do que antes. Certa vez, encontrei-me com a Presidente Ursula von der Leyen. Est\u00e1vamos conversando sobre um problema espec\u00edfico, e eu lhe perguntei: \u201cmas como a senhora administra esse tipo de problema? Ela respondeu: \u201cda mesma forma que todas n\u00f3s, m\u00e3es, fazemos\u201d. Sua resposta me fez pensar muito&#8230;.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Em nossa sociedade secularizada, \u00e9 dif\u00edcil encontrar ministros. Como o senhor v\u00ea o futuro das comunidades paroquiais sem padres?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A comunidade \u00e9 mais importante do que o padre. O padre \u00e9 um servo da comunidade. Em algumas situa\u00e7\u00f5es que conhe\u00e7o em v\u00e1rias partes do mundo, as pessoas est\u00e3o procurando dentro da comunidade algu\u00e9m que possa desempenhar um papel de lideran\u00e7a. Mas, por exemplo, h\u00e1 tamb\u00e9m religiosas que assumem esse compromisso. Estou pensando em uma congrega\u00e7\u00e3o peruana de freiras que t\u00eam sua pr\u00f3pria miss\u00e3o espec\u00edfica: ir \u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o h\u00e1 sacerdote. Elas fazem tudo: pregam, batizam&#8230; Se no final um padre \u00e9 enviado, elas v\u00e3o para outro lugar.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00c9 o 600\u00ba anivers\u00e1rio da Universidade de Louvain. H\u00e1 alguns jesu\u00edtas trabalhando l\u00e1 e h\u00e1 estudantes jesu\u00edtas de todo o mundo estudando l\u00e1. Qual \u00e9 a sua mensagem para os jovens jesu\u00edtas que est\u00e3o destinados ao apostolado intelectual a servi\u00e7o da Igreja e do mundo?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O apostolado intelectual \u00e9 importante e faz parte de nossa voca\u00e7\u00e3o como jesu\u00edtas estarmos presentes no mundo acad\u00eamico, na pesquisa e tamb\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o. Que fique claro: quando as Congrega\u00e7\u00f5es Gerais da Companhia de Jesus dizem para nos inserirmos nas pessoas e na hist\u00f3ria, isso n\u00e3o significa \u201cbrincar o carnaval\u201d, mas nos inserirmos at\u00e9 mesmo nos contextos mais institucionais, eu diria, com certa \u201crigidez\u201d, no bom sentido da palavra. N\u00e3o se deve buscar sempre a informalidade. Obrigado por essa pergunta, pois sei que \u00e0s vezes h\u00e1 a tenta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o seguir esse caminho. Um campo de reflex\u00e3o muito importante \u00e9 o da teologia moral. Hoje, nesse campo, h\u00e1 muitos jesu\u00edtas estudando, abrindo caminhos de interpreta\u00e7\u00e3o e colocando novos desafios. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, eu sei. Mas pe\u00e7o aos jesu\u00edtas que sigam em frente. Estou acompanhando um grupo de jesu\u00edtas morais e vejo que eles est\u00e3o indo muito bem. E depois recomendo publica\u00e7\u00f5es! As revistas s\u00e3o muito importantes: aquelas como\u00a0Stimmen der Zeit, La Civilt\u00e0 Cattolica, Nouvelle Revue Th\u00e9ologique&#8230;<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Gostaria de saber em que est\u00e1gio se encontra o processo de canoniza\u00e7\u00e3o de Henri De Lubac e Pedro Arrupe.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A causa de Arrupe est\u00e1 aberta. O problema \u00e9 a revis\u00e3o de seus escritos: ele escreveu muito, e a an\u00e1lise de seus textos leva tempo. De Lubac \u00e9 um grande jesu\u00edta! Eu o leio com frequ\u00eancia. N\u00e3o sei, entretanto, se seu caso foi apresentado. Aproveito a oportunidade para dizer que a causa do Rei Baldu\u00edno ser\u00e1 apresentada, e eu o fiz diretamente, porque me parece que estamos caminhando nessa dire\u00e7\u00e3o aqui.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Eu lhe fa\u00e7o minha pergunta no idioma de Mafalda. O senhor tem uma agenda muito intensa: assim que sua visita \u00e0 B\u00e9lgica terminar, o S\u00ednodo come\u00e7ar\u00e1. O senhor presidir\u00e1 uma celebra\u00e7\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o no in\u00edcio. Assim, o senhor animar\u00e1 a Igreja e sua miss\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o em nosso mundo conturbado, como S\u00e3o Paulo pede aos cor\u00edntios. Mas a pr\u00f3pria comunidade da igreja pede para ser reconciliada dentro de si mesma a fim de ser uma embaixadora da reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo. N\u00f3s mesmos precisamos de rela\u00e7\u00f5es sinodais, discernimento reconciliat\u00f3rio. Que medidas devemos tomar?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A sinodalidade \u00e9 muito importante. Ela precisa ser constru\u00edda n\u00e3o de cima para baixo, mas de baixo para cima. A sinodalidade n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o, e \u00e0s vezes \u00e9 porque h\u00e1 figuras de autoridade que n\u00e3o permitem o di\u00e1logo. Um p\u00e1roco pode tomar decis\u00f5es sozinho, mas pode tom\u00e1-las com seu conselho. Um bispo tamb\u00e9m pode, assim como o Papa. \u00c9 realmente importante entender o que \u00e9 sinodalidade. Paulo VI, ap\u00f3s o Conc\u00edlio, criou a Secretaria do S\u00ednodo para os bispos. Os orientais n\u00e3o perderam a sinodalidade, n\u00f3s \u00e9 que a perdemos. Portanto, por instiga\u00e7\u00e3o de Paulo VI, fomos at\u00e9 o 50\u00ba anivers\u00e1rio que celebramos. E agora chegamos ao S\u00ednodo sobre a sinodalidade, onde as coisas ser\u00e3o esclarecidas precisamente pelo m\u00e9todo sinodal. A sinodalidade na Igreja \u00e9 uma gra\u00e7a! A autoridade \u00e9 exercida na sinodalidade. A reconcilia\u00e7\u00e3o passa pela sinodalidade e por seu m\u00e9todo. E, por outro lado, n\u00e3o podemos realmente ser uma Igreja sinodal sem reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estou envolvido com o Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados. Estamos acompanhando duas fortes tens\u00f5es. A primeira \u00e9 a guerra na Ucr\u00e2nia. Nossos jovens me deram para lhe entregar uma carta e uma imagem de S\u00e3o Jorge. A outra tens\u00e3o est\u00e1 no Mediterr\u00e2neo, onde vemos muitos pol\u00edticos falando sobre fronteiras, sobre seguran\u00e7a. Que conselho o senhor quer dar ao Servi\u00e7o Jesu\u00edta para os Refugiados e \u00e0 Companhia?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O problema da migra\u00e7\u00e3o deve ser abordado e bem estudado, e essa \u00e9 a tarefa de voc\u00eas. O migrante deve ser recebido, acompanhado, promovido e integrado. Nenhuma dessas quatro a\u00e7\u00f5es deve faltar, caso contr\u00e1rio, trata-se de um problema s\u00e9rio. Um migrante que n\u00e3o \u00e9 integrado acaba mal, assim como a sociedade em que ele se encontra. Pense, por exemplo, no que aconteceu em Zaventem, aqui na B\u00e9lgica: essa trag\u00e9dia tamb\u00e9m \u00e9 resultado da falta de integra\u00e7\u00e3o. E \u00e9 isso que a B\u00edblia diz: devemos cuidar da vi\u00fava, do pobre e do estrangeiro. A Igreja deve levar a s\u00e9rio seu trabalho com os migrantes. Conhe\u00e7o o trabalho da Open Arms, por exemplo. Em 2013, fui a Lampedusa para chamar a aten\u00e7\u00e3o ao drama da migra\u00e7\u00e3o. Mas gostaria de acrescentar algo que est\u00e1 pr\u00f3ximo do meu cora\u00e7\u00e3o e que repito com frequ\u00eancia: a Europa n\u00e3o tem mais filhos, est\u00e1 envelhecendo. Ela precisa de migrantes para renovar sua vida. Tornou-se uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Santo Padre, quais s\u00e3o suas primeiras impress\u00f5es sobre sua viagem \u00e0 B\u00e9lgica e Luxemburgo?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Estive em Luxemburgo somente um dia e, obviamente, n\u00e3o se pode entender um pa\u00eds em um dia! Mas foi uma boa experi\u00eancia para mim. Eu j\u00e1 havia estado na B\u00e9lgica antes, como lhe disse. Mas, ao final deste encontro, pe\u00e7o-lhes, por favor, que n\u00e3o percam a for\u00e7a evangelizadora neste pa\u00eds. Por tr\u00e1s da longa hist\u00f3ria crist\u00e3, hoje pode haver uma certa atmosfera \u201cpag\u00e3\u201d, digamos assim. N\u00e3o quero ser mal interpretado, mas o risco hoje \u00e9 que a cultura aqui seja um pouco pag\u00e3. Sua for\u00e7a est\u00e1 nas pequenas comunidades cat\u00f3licas, que n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma fracas: eu as vejo como mission\u00e1rias, e elas precisam ser ajudadas.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa deixou a sala do encontro ap\u00f3s uma hora de conversa. Antes de sair, ele recitou uma \u201cAve Maria\u201d com todos e depois deu sua b\u00ean\u00e7\u00e3o. No final, ele tirou uma foto com o grupo. Em seguida, no mesmo andar da sala do encontro, ele visitou a prestigiosa biblioteca da Sociedade dos Bollandistas, cuja miss\u00e3o \u00e9 pesquisar, publicar em seu estado original e comentar todos os documentos referentes \u00e0 vida e ao culto dos santos. Concebida em 1607 pelo jesu\u00edta H\u00e9ribert Rosweyde (1569-1629) e fundada em Antu\u00e9rpia pelo padre Jean Bolland (1596-1665), ela \u00e9 mantida at\u00e9 hoje por alguns jesu\u00edtas belgas. Francisco deu sua b\u00ean\u00e7\u00e3o e escreveu as seguintes palavras no livro de honra: \u201cQue o Senhor continue a acompanh\u00e1-los na tarefa de tornar conhecida a hist\u00f3ria da Igreja e de seus santos. Com minha b\u00ean\u00e7\u00e3o. Fraternalmente, Francisco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Questo testo si pu\u00f2 trovare in\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/it\/speeches\/1974\/documents\/hf_p-vi_spe_19741203_esortazione-compagnia-gesu.html\" rel=\"external\">www.vatican.va\/content\/paul-vi\/it\/speeches\/1974\/documents\/hf_p-vi_spe_19741203_esortazione-compagnia-gesu.html<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco encontro com os jesu\u00edtas na B\u00e9lgica\u00a0 (Vatican Media) Na tarde de s\u00e1bado, 28 de setembro, o Papa Francisco se encontrou, no Coll\u00e8ge Saint-Michel em Bruxelas, com cerca de 150 jesu\u00edtas, residentes na B\u00e9lgica, Luxemburgo e Holanda. Respondendo, com sua habitual espontaneidade e franqueza, \u00e0s perguntas que lhe foram feitas, o Papa abordou v\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":90592,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,3],"tags":[],"class_list":["post-90591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90591"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":90594,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90591\/revisions\/90594"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}